sábado, 17 de novembro de 2018

Quinta do Gradil Tinta Roriz 2015 Rosé

QUINTA DO GRADIL TINTA RORIZ 2015 ROSÉ | LISBOA | 12% | PVP  €
TINTA RORIZ
QUINTA DO GRADIL SOCIEDADE VITIVINÍCOLA, SA
15,5

Um vinho com uma história especial. Apenas 1000 garrafas produzidas e resultante da casta tinta roriz vindimada a 19 de setembro de 2015 no evento da Festa das Vindimas da Quinta do Gradil e com a participação de vários convidados.
O rótulo foi desenhado pelas crianças que nesse dia também estiveram presentes nessa bonita festa.
Cor salmão intenso, com nuances alaranjadas, aspecto limpo. No nariz conserva ainda as notas a frutos vermelhos maduros, morango e framboesa em destaque, num conjunto com boa frescura e equilíbrio. Boca com algum volume, acidez vivaz, mais seco, com a fruta vermelha a mostrar-se mais uma vez em bom plano e com um final de boca longo.
Um rosé de 2015 aberto em 2018 e que ainda mostra estar em forma. Muito bem.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Restaurante The Mix - Cascais

O restaurante The Mix, situado praticamente em cima do mar de Cascais no Farol Hotel, convida a experimentar os sabores tradicionais da cozinha portuguesa sob a influência mediterrânica da frescura dos alimentos, com um twist de cozinha de autor e aliado a uma vista soberba para o Atlântico. Quando visitámos o Sushi Design deitámos desde logo o olho ao The Mix, por isso, cá estamos agora para contar a história do vizinho do lado.
Confesso que este Restaurante deve originar duas experiências completamente diferentes dependendo da hora em que o visitemos. Se ao almoço, com todo aquele azul do mar e do céu a entrar pelas paredes totalmente em vidro, toda aquela luz natural a fazer com que a escolha à mesa recaia em pratos mais leves. À noite, como foi o nosso caso, com o misterioso do mar sob o céu estrelado e o ambiente mais intimista no interior, faz com que se queira demorar mais no que temos no prato e pedir pratos mais quentes.

Como primeira surpresa da noite, assim que olhamos para a ementa, o nome do Chef Miguel Paulino. Anteriormente no Panorama do Sheraton Lisboa e ainda com poucos meses de casa, nada como começar com aquela sensação de confiança no que está para vir.
Mesa minimalista e clean, com serviço simpático e atencioso, serviço de vinhos sem falhas, quer nas temperaturas, quer na escolha dos vinhos para cada momento e boa explicação de cada prato.

O couvert é trazido para a mesa pouco depois de escolhermos a nossa refeição. Uma Selecção de Pão (Pão Branco, Pão de Sementes e Pão de Azeitona), Manteigas (Manteiga com Sal e de Beterraba) e Azeite Dop que foi servido à nosSalada de Funcho e Shot de Papaia Fresco, leve, equilibrado. Sabores consensuais e de ligação clássica.sa frente e mostrada a garrafa.  Para completar umas linhas de Sal dos Himalais e Flor de Sal. Perfeito para entreter de início, com as manteiga de beterraba a recolher a preferência e o azeite, com travo verde, perfeito para ir alternando com a manteiga.

Alguns minutos passados, chegava à mesa o Amouse Bousche do Chef. Salada de Funcho e Shot de Papaia. Fresco, Simples, leve, equilibrado. Sabores consensuais e de ligação clássica.


Pouco depois, como entrada, o Creme de Carabineiro. Ponto de cozedura perfeito, sabores super equilibrados, manga ripada e a refrescar cada momento uma erva aromática e ficou cá marcada, mas da qual não se conseguiu o nome. Acompanhado pelo rosé Lima Mayer de 2016 num belo momento de harmonização. 

Os pratos de peixe vieram de seguida. produtos nacionais que são quase obrigatórios à mesa dos portugueses. O bacalhau e o polvo.
O Bacalhau Confitado, com Texturas de Ervilha, Abóbora Salteada com Hortelã, Telha de Broa e Azeitona e o Polvo Grelhado com Puré de Batata Doce, Mel e Canela, e Cuscus de Bróculos. Dois pratos com a cozedura no ponto, sabores genuínos e equilibrados e de difícil escolha como o melhor. O casamento no copo com a acidez e frescura do Cidrô Chardonnay branco de 2017 foi perfeito. Cada vez mais o branco para o bacalhau  e o polvo.

Os pratos de carne trouxeram também à mesa dois sabores clássicos da cozinha portuguesa. O leitão assado e o borrego.
O Leitão Assado, Laranja Caramelizada, Chips de Batata Doce, Cremoso de Cherovia e Cebolo grelhado e uma Ballontine de Borrego Com Molho de Laranja, Rosti de Maça e Salada de Cogumelos Silvestres. Confesso que se pudesse ainda lá estava a petiscar naquele borrego. Que prato magnífico. Adoro estes sabores de Outono. O Leitão aqui perdeu perante tão opulento adversário, por isso o melhor é não juntar os dois novamente. No copo o Ninfa tinto de 2013 a revelar estrutura, acidez e frescura para levar os pratos até ao final.

Por fim as sobremesas, numa escolha com momento completamente distintos. Os sabores do Chocolate por um lado e do Chá Verde do Outro.  O Chef Pasteleiro Michael Rocha tomou aqui o protagonismo.
Os sabores mais asiáticos da Mousse de Chá Verde, Citrinos, Texturas de Sésamo Preto e Wasabi, quase neutros por um lado, intensos com aparecia o wasabi, uma verdadeira montanha russa de sensações e os sabores do Paifait de Chocolate de São Tomé com Chocolate Negro de São Tomé, Banana, Caramelo e Laranja sem dúvida uma recomendação para os mais gulosos.

Um visita nesta altura do ano é aproveitar o calor e conforto destes pratos e sempre com o mar presente do outro lado do vidro.
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RESTAURANTE THE MIX - FAROL HOTEL
Tipo de Cozinha: Autor, Mediterrânea
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Com Parqueamento no Hotel
Horário: Todos os dias das 12:30h às 15:00h e das 19:30h às 22:30h 
Preço Médio p/ Refeição: 45€

Morada: Farol Hotel - Avenida Rei Humberto II de Itália, Nº 7 2750-800 CASCAIS
Telefone:  +351 214 823 490
Na net: https://farol.com.pt/pt/restaurante-the-mix

São Miguel Espumante Blanc Des Blancs Bruto 2013 Branco

SÃO MIGUEL ESPUMANTE BLANC DES BLANCS BRUTO 2013 BRANCO | BAIRRADA | 12,5% | PVP  18€
CHARDONNAY
SOCIEDADE AGRÍCOLA E COMERCIAL VINHOS MESSIAS, SA
16,5

A nova referência da Messias na Bairrada começa aos poucos a aparecer mais nas garrafeiras e eventos e a mostrar-se ao consumidor de vinho. Imagem a cortar com o mais tradicional da Messias, mais moderno, cativa e é difícil não reparar nela.
Este é um dos espumantes São Miguel. Elegância, Leveza e frescura, um grande espumante da Bairrada.
Cor amarelo citrino, definido, com bolha persistente e bolha finíssima. Delicado e fino de aromas, fruto citrino amparado e envolvido em leves notas de pão torrado, fruto seco e algum biscoito de manteiga. Na boca revela mousse suave, leve e fresca, com acidez crocante, mais seco, conjunto pleno de equilíbrio e elegância.
Acompanhou, com distinção, uma entrada de Foie Gras com compota de cebola vermelha.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Marquês de Borba Colheita 2017 Tinto

MARQUÊS DE BORBA COLHEITA 2017 TINTO | ALENTEJO | 14% | PVP  5,49€
ALICANTE BOUSCHET, ARAGONEZ, TRINCADEIRA, TOURIGA NACIONAL, PETIT VERDOT, MERLOT
J PORTUGAL RAMOS VINHOS, SA
16

Cor rubi intenso, média concentração, aspecto limpo e jovem. No nariz brilham os aromas a fruta vermelha madura, fresco e limpa, especiaria fina, leve tostado, perfil fresco. Na boca mostra bom corpo, volume médio e alguma untuosidade, taninos frescos, polidos e macios, fruta vermelha sumarenta, equilibrado e com final de boca longo. Um valor seguro.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Caminhos Cruzados | Vinhos Modernos, Complexos e Autênticos

Visitei pela primeira vez a Quinta da Teixuga no final deste verão que se esticou quase até finais de Outubro. Situada em Vilar Seco, concelho de Nelas, no distrito de Viseu e em pleno coração da região do Dão, está rodeada por maciços montanhosos, como a Serra da Estrela e Caramulo.
Sem dúvida, uma localização privilegiada que permite excelentes amplitudes térmicas para uma boa maturação das uvas levando a que o seu lento amadurecimento produza vinhos de aromas ricos e boa acidez.
A Adega impressiona logo à entrada. Sem dúvida uma obra que marca, que mostra a identidade e autenticidade deste produtor, desenho arquitectónico de cariz moderno, arrojado e que "decalca" o logótipo da Caminhos Cruzados na própria paisagem. Inaugurada em 2017 tem uma capacidade de vinificação de cerca de 400.000 litros.

Recebidos por Paulo Santos, o homem que concebeu e idealizou todo o projecto Caminhos Cruzados, sua filha Lígia Santos que se encontra à frente da Empresa e é a sua cara mais visível e pelo Enólogo Manuel Vieira, foi possível efectuar uma visita rápida à Adega e conhecer três novos vinhos.

CAMINHOS CRUZADOS FAMILY EDITION 2015 BRANCO | DÃO | 13% | PVP 30€ 
ENCRUZADO, BICAL, MALVASIA 
CAMINHOS CRUZADOS, LDA
17,5
Em garrafa magnum (1,5L), mostra ser um daqueles brancos que nos causa o terrível dilema entre o beber já ou deixar a garrafa esquecida mais uns anos no fundo da garrafeira. Fica a certeza porém de que dará sempre imenso prazer seja ela qual for a nossa escolha.
Cor amarelo citrino, esverdeados leves, aberto e de aspecto jovem. Muito elegante de aromas, discreto, com a fruta muito ao de leve, mineral, salino, silex, complexo e fresco. Boca com frescura, largo, envolvente, fruta muito bem posicionada, muito fruta de caroço, acidez equilibrada, final longo. 

CAMINHOS CRUZADOS DESCARADA 2017 BRANCO | DÃO | 11,5% | PVP 15€
CHARDONNAY, SEMILLION
CAMINHOS CRUZADOS, LDA
16
Para aqueles que já conhecem o conceito do Late Harvest aqui está o que bem poderá ser chamado de Early Harvest, evidentemente sem o fungo da podridão nobre. Grande trabalho de enologia a partir do que podia ser uma colheita perdida.
Cor amarelo dourado, aberto, aspecto limpo e jovem. Aromas a pêssego maduro fresco, alperce, ligeiro toque a fruta passa e fruto seco, muita frescura. Na boca doce equilibrado, longe das texturas pastosas, embora rico e com ligeiro corpo, fruta de polpa amarela madura, algum citrino, equilibrado e longo de final. 

TITULAR EDIÇÃO SEM NOME 2015 TINTO | 14% | DÃO | PVP 20€ 
TOURIGA NACIONAL, ALFROCHEIRO, TINTA RORIZ
CAMINHOS CRUZADOS, LDA
17
O vinho que nasceu sem nunca ter tido um nome e num momento em que era mandatório tê-lo, em virtude de ter sido levado para uma prova no Brasil, ter ficado o Sem Nome 2015 com a possibilidade de  mais tarde se pensar em algo mais "a sério". Todavia, durante a mesma prova, toda a gente começou a pedir o Sem Nome para provar e a dizer que não se lhe podia mudar o nome. E assim ficou. 
Apenas cerca 3000 garrafas, com uvas da chamada "Vinha do Patrão" - em frente à casa de Paulo Santos, um field blend, com descanso de18 meses em barricas usadas. 
Cor rubi, vermelhos intensos, média concentração, violetas bonitos, aspecto limpo. Fruta preta madura, floral, violeta, tosta leve, especiaria fina, fresco, respirante, balsâmico. Boca vivaz, envolvente, estrutura, bela secura, tanino presente, mas já muito composto, com toda a parte de fruta bem colocada, complexo e longo.

sábado, 10 de novembro de 2018

Maria João Private Collection 2013 Branco

MARIA JOÃO PRIVATE COLLECTION 2013 BRANCO | DÃO | 13,5% | PVP  20€
ENCRUZADO, MALVASIA FINA, BICAL
QUINTA DO SOLAR DO ARCEDIAGO AGROTURISMO
17

Um branco que se guardou para chegar este ano aos nossos copos. Com Osvaldo Amado na enologia, um branco do Dão que merece a atenção embora possa ser difícil encontrá-lo devido ao baixo número de garrafas produzidas.
Cor amarelo citrino, esverdeados cristalinos, definido, aspecto limpo e brilhante. No nariz mostra-se bastante complexo abrangendo desde aromas a fruta de polpa amarela madura, fruta branca, passando por notas de frutos seco, avelã tostada, traço salino e mineral. Na boca elegância e complexidade na prova, corpo com ligeiro volume, untuosidade em boa medida, intenso, com a fruta a mostra-se sumarenta, fresca e bem posicionada no conjunto. Termina longo e sempre com muita finura.
Junte-se com ele à mesa em pratos ricos de peixe ou então reserve-o para a sobremesa com uma tabúa de queijos de pasta mole.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Restaurante Madre de Água - Gouveia

O restaurante Madre de Água, inserido na Quinta Madre de Água em Vinhó - Gouveia,  impressiona desde o primeiro momento. Conseguimos estar a fazer o check in no Hotel e concentrar toda a nossa atenção no espaço mesmo ali ao lado. Cheio de luz, como eu gosto, decoração simples, clean, cores sóbrias, sem distracções do que é importante, tecto alto e uma lareira ao fundo que será de muita valia em dias mais frios.
No exterior uma esplanada com vista sobre a vinha convida à interligação directa ao espaço envolvente e ao conceito dos produtos utilizados no restaurante.

O conceito da sua cozinha, de cariz tradicional assenta nos sabores da região, que mantém desde a sua abertura. O menu inclui diversas especialidades, sendo as mais procuradas, quando o tempo apetece, o Cabrito Assado à Madre de Água e Naco de Vitela na Grelha. 
O menu incluí ainda  pratos vegetarianos, para quem segue este tipo de alimentação ou simplesmente pretende uma refeição mais leve, sendo o recurso aos melhores produtores de carne e enchidos da região, assim como os produtos frescos colhidos nos pomares e na horta biológica da Madre de Água uma garantia da qualidade dos pratos apresentados.

.Estando o restaurante inserido num projecto que também produz azeite, queijo e vinho de qualidade, estes são presença obrigatória à mesa., também produzidos na propriedade. 

Iniciámos a aventura pelo generoso couvert com produtos nascidos na Quinta. As Compotas, os Queijos com diferentes curas e o Azeite

De seguida, e enquanto aguardámos pelos pratos principais, lugar a duas entradas para ir picando. Apesar de na data da nossa visita ainda ser o calor a marcar a temperatura os sabores escolhidos recaíram em opções mais de outono. Uns deliciosos Cogumelos Salteados Em Azeite Madre de Água, Alecrim em Pão Tostado ao Alhinho e o Folhado de Queijo Madre de Água, Misto de Salada, Frutos Secos e Mel de Urze mais leve e fresco.

Chegaram os pratos principais. A Tranche de Bacalhau Em Cama de Batata e Couve, Com Enrolado de Espargos e Presunto estava no ponto e foi acompanhado pelo Encruzado da Quinta. Magnífica ligação. Bacalhau a lascar e sem ter perdido humidade, espargo crocante e o presunto estaladiço a dar mais textura e equilíbrio de sal.

A Coxa de Pato Confitada com Arroz de Frutos Secos e Crocante de Citrino foi o senhor que se seguiu. Sabores quentes, um pouco mais exóticos, pontos de cozedura certissimos e sabor, muito sabor. 

Por último, o Lombinho de Porco Preto Com Presunto e Legumes da Nossa Quinta. Talve o prato que menos sobressaiu, mas vindo após os dois anteriores que verdadeiramente marcaram, este delicioso prato acabou por ser aquele que menos ficou na memória.

Como não poderia deixar de ser não conseguimos resistir aos doces e escolhemos duas sobremesas. O Estaladiço de Maça da Nossa Quinta, Gelado de Baunilha e Agridoce de Vinho do Porto, por camadas, guloso e equilibrado e sabores e um mais simples Sorbet de Manga pois a carta destas delícias frias era bem composta e todos feitos também na casa.
Os pratos são apresentados com uma imagem muito bonita e plenos de sabor. O serviço ainda é um pouco lento, mas não tem qualquer impacto na experiência. Apesar de fazer parte do Hotel da Quinta, aceita também clientes que não sejam seus hóspedes.
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RESTAURANTE MADRE DE ÁGUA
Tipo de Cozinha: Portuguesa. Tradicional, Autor
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Fácil
Horário: Todos os dias das 12:30h às 15:00h e das 19:00h às 22:00h
Preço Médio p/ Refeição: 25€

Morada: Vinhó 6290-651 GOUVEIA (indicações ao longo do caminho)
Telefone:  +351 238 490 500
Na net: https://quintamadredeagua.pt/restaurante/

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Ravasqueira Late Harvest 2017 Branco

RAVASQUEIRA LATE HARVEST 2017 BRANCO | MESA | 11,5% | PVP  10€
VIOGNIER
SOCIEDADE AGRÍCOLA D. DINIZ, SA
16,5

A última colheita desta referência acaba por me encher mais as medidas em relação à sua predecessora. Em todos os aspectos mais limpo e fresco, assim como um no seu equilíbrio entre a fruta madura, mais doce, a textura macia e ligeiramente untuosoa e uma acidez refrescante e harmoniosa.
Cor amarelo citrino, ligeiros esverdeados, aberto, aspecto limpo e brilhante. No nariz a fruta amarela madura e tropical mostra frescura, perfumado, flor branca, fresco mentolado. Na boca mostra cremosidade, corpo, ligeira untuosidade, doce frutado, pêssego e ameixa amarela maduras, acidez no ponto, final longo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Casa Agrícola Horácio Simões | Alma Familiar Num Corpo Virado Para o Futuro

A Casa Agrícola Horácio Simões conta já com mais de 100 anos de vida, aliás, com data de berço a 1910, estamos já bem perto de atingir os 110 anos. A Adega, de pequenas dimensões, fica mesmo no centro da Quinta do Anjo, em Palmela, completamente inserida no casario tradicional e nas ruas estreitas e traçado mais antigo.
Curioso que a entrada dos visitantes para Adega se faça a partir de um pequeno café, com loja dos produtos ali produzidos, mas também de produtos agrícolas de pequenos produtores da região. Enquanto esperava, lá fui deitando o olho aos figos e tomates coração de boi que chegavam em pequenas caixinhas por um Senhor da Terra que aproveitou para ali tomar o primeiro café do dia. 
Como é compreensível, não é um dos maiores produtores desta região, mas sempre foi um nome ao qual me acostumei desde há muitos anos devido ao seu Moscatel Roxo.
Na companhia de Pedro Simões foi possível efectuar uma rápida, mas objectiva visita à Adega e provar alguns ensaios feitos a partir da casta moscatel que mostram bem que, apesar de aqui viver um Alma Familiar, o carácter experimental, inovador e de olho no futuro está bem presente.

Destaco o ensaio 1994 de Moscatel Roxo. fresco, elegante e vivaz, assim como o equilíbrio e jovialidade do ensaio 1986 de Moscatel Setúbal.
No lado mais experimental mencionar o Moscatel Roxo 2010 Barco Évora, ainda a dormitar nas barricas. Foram 10 barricas de Moscatel Roxo 2010, a qual existe no mercado, que andaram a passear no Barco Évora de Setúbal para Lisboa e regresso. Em 2020 se verá melhor o resultado.
Por fim, provou-se o mais espantoso projecto que conheço no vinho moscatel. A partir das castas Boal, Moscatel Roxo e Moscatel de Setúbal e da colheita que sofreu directamente o impacto dos incêndios de 2016, foi produzido um moscatel que primero estranha-se e depois entranha-se. Fumados intensos marcam quer o plano aromático quer o gustativo. Uma verdadeira experiência de enologia de experimentação.
Depois, provar os engarrafados. E aqui não foi só de Moscatel que se falou.

FAMÍLIA HORÁCIO SIMÕES TRADIÇÃO BOAL 2016 BRANCO | PENÍNSULA DE SETÚBAL | 12,5% | PVP 8€ 
BOAL 
HORÁCIO DOS REIS SIMÕES
15,5
Cor amarelo citrino, limpo e jovem. Nariz fresco, com notas muito exuberantes a fruta citrina, fruta de caroço, pêssego, alperce, toque mineral e fresco. Boca com bela secura, citrino, equilibrado e fino, terminado longo. 

FAMÍLIA HORÁCIO SIMÕES GRANDE RESERVA 2016 BRANCO | PALMELA | 13% | PVP 20€ 
BOAL 
HORÁCIO DOS REIS SIMÕES
17
Cor amarelo citrino, intenso, limpo. Nariz com notas de fruta de amarela, caroço, citrinos, alguma cera de abelha, barrica presente, mas ligada, complexo e fresco. Boca com acidez, pujante, complexo, estruturada, notas de laranja, macio, algum volume, final persistente.  Que belo branco.

FAMÍLIA HORÁCIO SIMÕES TRADIÇÃO 2015 TINTO | PENÍNSULA DE SETÚBAL | 14% | PVP 8€ 
CASTELÃO 
HORÁCIO DOS REIS SIMÕES
16
Cor rubi, media concentração, limpo. Aroma com a fruta vermelha madura a mostrar a sua cara, toque tostado leve, integrado, perfil fresco. Boca expressiva, corpo, acidez, adstringência natural da casta, fruta preta madura, ligeiro especiado, termina longo. 

FAMÍLIA HORÁCIO SIMÕES GRANDE RESERVA VINHAS VELHAS 2015 TINTO | PENÍNSULA DE SETÚBAL | 15% | PVP 20€ 
CASTELÃO 
HORÁCIO DOS REIS SIMÕES
17,5
Cor rubi intenso, violetas definidos, limpo. Nariz profundo, fruta preta madura, ameixa e ginja em compota, especiados finos, notas balsâmicas, ligeiro toque respirante e fresco. Boca com estrutura, cheio, com tanino polido, um pouco seco, fruta madura fresca e cativante. Equilibrado, com final de boca longo e com grande potencial de guarda.

FAMÍLIA HORÁCIO SIMÕES SEGREDOS 2016 TINTO | PENÍNSULA DE SETÚBAL | 13,5% | PVP 14€ 
HORÁCIO DOS REIS SIMÕES
17
Cor avermelhado, aberto, limpo. Aromas florais, muita fruta vermelha, alguma bergamota e tapenade de azeitona preta. Na boca quase que se deixa trincar, bela textura, mas ao mesmo tempo com leveza, elegância e frescura. Final de boca cheio e longo.

FAMÍLIA HORÁCIO SIMÕES BASTARDO 2013 LICOROSO | PENÍNSULA DE SETÚBAL | 19,5% | PVP 20€ 
BASTARDO 
HORÁCIO DOS REIS SIMÕES
16,5
Cor âmbar escuro, intenso e definido, de aspecto limpo. No nariz a complexidade dos aromas a fruta passa, figo seco, alperce e uva passa, frutos secos, nozes, especiaria fina e frescura. Na boca mostra textura cremosa, untuoso e macio ao toque, polido e redondo, a terminar longo e com muita frescura.

HORÁCIO SIMÕES EXCELLENT MOSCATEL ROXO | PENÍNSULA DE SETÚBAL | 19% | PVP 50€ 
MOSCATEL ROXO 
HORÁCIO DOS REIS SIMÕES
18
Este moscatel nasce do blend das 3 melhores da década 2000. É apenas a 2ª edição e anos de 2001, 2003 e 2007 e  mais 2 anos de barrica do que a edição anterior fazem a magia.
Cor âmbar limpo, definido, limpo, com auréola esverdeada. Aromas de grande complexidade, florais delicados, frutos secos, algum toffee de café e caramelo, vinagrinho fresco, limpo, complexo, sempre a evoluir. Grande boca, acidez no ponto, suave e macio no toque, com uma untuosidade sedutora, notas de laranja confitada, fresco e de final longo e prazeiroso.

domingo, 4 de novembro de 2018

Beyra 2017 Rosé

BEYRA 2017 ROSÉ | BEIRA INTERIOR | 13% | PVP  4,49€
TINTA RORIZ
RUI ROBOREDO MADEIRA VINHOS, SA
15,5

Mais uma vez as vinhas de altitude a fazerem das suas. Proveniente de vinhas situadas a cerca de 750 metros acima do nível do mar chega um rosé pleno de frescura, cor da moda e, apesar de ligeiro adocicado de boca, um opção bem em conta para rosé que não se fica pelo momento social.
Cor salmonado, aberto, aspecto límpido e jovem. No nariz a fruta vermelha e preta madura, morango amora, cereja, alguma compota e traço a pedra lascada, perfil fresco. Boca equilibrada, acidez no ponto, sumarento, algum adocicado, perfil leve e fresco com final de boca longo..

sábado, 3 de novembro de 2018

A Carne Às Mercês

As melhores lembranças que tenho da  Feira das Mercês são já de há muitos anos atrás, ainda criança e sempre na companhia dos meus Pais. Todos os anos era presença obrigatória. Muitas vezes a pé e outras tantas de automóvel, lá tínhamos de marcar presença. Na altura começava logo cá em baixo, junto à Estação de Comboio e logo após a passagem de nível. Fizesse sol ou chuva era um mar de gente e a subida fazia-se por entre um corredor de vendedores como nunca havia visto igual.

Quase como um ritual a Feira das Mercês marcava o momento do ano para comprar o guarda chuva, as botas de borracha ou de couro, prontas para o inverno, que era rigoroso em chuva e frio. Muitas vezes as roupas mais quentes eram também aqui compradas, não havia cá shoppings nessa altura, cobertores para a cama e os meus Pais aproveitavam também para comprar uma série de coisas relacionadas com a agricultura.
Os doces e os frutos secos eram também uma das minhas paixões. Havia de tudo um pouco. Lembro-me bem de haver alguns problemas de racionamento de certo tipo de produtos, mas aqui parece que nunca faltava nada. Parecia que estava sempre tudo bem.

A Feira das Mercês era também especial pela oportunidade, quase tradição durante alguns anos, de comer lá almoçar e o prato ser a mítica Carne Às Mercês.
Nesse dia, normalmente no domingo, chegámos à Feira bem cedo, passeávamos por toda a Feira, e nunca me esqueço do aroma que nos acompanhava desde o instante que passávamos aquelas escadinhas quase a chegar lá ao cimo: Carne Às Mercês! Desde cedo em fogo brando, quase como num chamamento silencioso, inebriante e mágico, sendo que na altura o mais difícil era escolher. Como adorava aquela carne.
Nos últimos anos, entre cancelamentos da Feira, alterações ao espaço e remodelações que só o passar dos anos conseguirão explicar, perdeu-se muita coisa, creio até que se tem perdido demais, tendo a Carne Às Mercês sido transformada numa espécie de pica-pau de porco (em mau), onde até pickles e azeitonas pretas de lata levam a compor.
Este ano terá sido mesmo a pior experiência neste aspecto. Chegado à Feira até pensava que não havia este ano quem o tivesse na ementa. Para além de não sentir aquele aroma delicioso e o adiantado da hora já o obrigar, fui passando por bifanas, cachorros quentes, hamburgers, couratos até que, quase já sem acreditar, lá estava um local para o ambicionado repasto. Quem me mandou a mim entrar pelo lado contrário. 

Depois de algum tempo e entre peripécias que não interessam para o tema, lá chegaram as carnes. Batata frita com pele a tapar a carne, montes de pickles, uma ou outra azeitona e a carne por baixo numa aguadilha um pouco estranha. Afasto as batatas e assaltou-me o palato uma carne rija, sensaborona e onde os pickles eram de facto a salvação para espicaçar um pouco o que para ali ia. Uma desilusão. 
Saí dali com vontade de ir à procura da verdadeira receita da Carne às Mercês e por entre alguma pesquisa e ajuda de uma Senhora com muita experiência de vida, lá consegui o que mostro abaixo, sendo que quando mostrei esta fotografia à dita ele ouvi a seguinte exclamação: "Aquilo é limão? Limão na Carne às Mercês? Modernices...". 
Começo então pela lista de ingredientes necessários. Não é longa, mas é baseada naquilo que havia muito por aqui, especialmente as folhas de louro, o porco e derivados e o vinho, que muitas vezes ali chegava já o da colheita do ano.

- 1 Kg Carne de Porco (Cachaço ou Rabadilha) Interessa ter alguma gordura
- 1 Copo de Vinho Branco
- 125g de Banha de Porco
- 1 Colher de Sopa de Pimentão em Pó ou Colorau
- 1 Colher de Sopa de Sal
- 4 ou 5 Dentes de Alho
- Pitada de Pimenta Preta
- Folhas de Louro

Comece por cortar a carne em pequenos cubos. Não devem ser tão grandes como os cortados para os rojões de porco, apenas um pouco mais pequenos. Temperar a carne com o pimentão em pó, o sal, a pimenta preta, os alhos e as folhas de louro (muitas) e envolver bem.

De seguida, junte o vinho branco, volte a envolver e reserve no frigorífico durante pelo menos 24 horas. Não há forma da carne ficar sem sabor após uma jornada como esta.

No dia seguinte, coloque a banha de porco numa espécie de bloco, em cima da carne e leve assim ao forno, em temperatura baixa, 120º a 140º, durante aproximadamente 4 horas. Desta forma iremos simular a manhã de Feira ali lentamente a cozinhar, praticamente sem fervilhar, com a banha a derreter lentamente, a forma um espécie de nata que impede que a carne seque.

Após este tempo de lento cozinhar, passe a carne para o lume do fogão e aumente o calor por forma a fazer com que a carne frite e reduza o liquido que a embebia. Resultado. Uma carne que quase se derrete na boca, cheira de sabor, com um molho mais denso, apurado e pronto a juntar-se a umas fatias de pão saloio e um copinho de vinho tinto. As batatas fritas só vieram mais tarde e começaram por ser aos cubos.

Gostava que um dia se preservassem mais este tipo de coisas. Também fazem parte da nossa história. Não são apenas os monumentos que devem ser cuidados. A nossa cultura gastronómica também deve ter um lugar especial. 
Que tal uma actividade relacionada com este prato na próxima Feira das Mercês?

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