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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Wine Bloggers Day JMF | Adega José de Sousa

No passado dia 19 de Setembro, a José Maria da Fonseca convidou, mais uma vez, os wine bloggers portugueses a conhecer um pouco mais da sua casa, da sua história e do seu portefólio.
Este ano tivemos o prazer de visitar a Adega José de Sousa, em Reguengos de Monsaraz, Alentejo. Uma casa cheia de história na vida do vinho português e que durante muito tempo foi um dos símbolos do Nosso vinho na produção do vinho em ânforas de barro.

A Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes foi comprada em 1986 pela José Maria da Fonseca junta-me com a propriedade do Monte da Ribeira. Nesse momento, concretizou-se um sonho de anos de poder produzir vinho no Alentejo. Quis o destino que fosse numa casa onde, pelo menos desde 1878 se produzia vinho, uma casa com história e sinónimo de qualidade e onde nasceriam, já sob a égide da José Maria da Fonseca, os vinhos Montado, José de Sousa, José de Sousa Mayor e o J.

Por aqui a tradição é mantida viva. Na Adega José de Sousa ainda se encontram 114 ânforas de barro e utilizado um método de fermentação muito próximo do ancestral. Para além da adega tradicional, abaixo do nível do solo, com as ânforas e dois lagares para a pisa, existe também agora uma adega moderna com cerca de 44 tanques de inox e toda a tecnologia indispensável para a fermentação de tintos e brancos.

Fomos depois às provas. Foram provados os vinhos aqui produzidos e ainda, a titulo de curiosidade, um Trincadeira com três formas diferente de vinificação. Em inox, em lagar e em potes de barro. Uma curiosidade que permitiu avaliar das caracteristicas que a casta ganhar em cada um deles.

MONTADO 2013 BRANCO
Cor amarelo citrino, quase transparente,  aspecto limpo. Nariz directo ao citrino,  traço mineral evidente,  limpo. Boca com citrinos e mineralidade bem presentes, boa acidez e muito directo. Grande surpresa para um vinho que representada a entrada de gama.
PVP 2,99€

MONTADO 2013 TINTO
Cor rubi média concentração,  aspecto jovem e limpo. No nariz sobressai a fruta vermelha madura,  limpa e fresca. Boca com perfil frutado,  muito directo e pronto a beber no dia a dia. Final de boca fresco.
PVP 2,99€

JOSÉ DE SOUSA 2011 TINTO
Cor rubi, vermelho intenso, média concentração e de aspecto limpo. Aromas bem colocados de fruta vermelha e preta madura, bom mineral, especiarias e toque leve fumado. Boca com estrutura,  alguma densidade,  alguma adstringencia que nos seca a boca, com fruta madura e fresca e final longo.
PVP 7,49€

JOSÉ DE SOUSA MAYOR 2011 TINTO
Cor rubi, média concentração,  com bonitos violetas no bordo do copo, aspecto limpo. Aromas com muita delicadeza, com fruta vermelha e preta, com especiarias finas, bem ligadas, alguns aromas terrosos, conjunto muito equilibrado e fresco. Na boca está pujante, cheio de vida, com grande estrutura,  mastigável,  untuoso e com fruta no ponto, cereja madura, especiado e com grande final.
PVP 19,80€

J 2011 TINTO
Cor rubi, média concentração,  limpo e com nuances muito bonitas. Aromas onde ainda se sente o barro, o cântaro de barro, fruta vermelha e preta madura, tostados leves e especiarias, pimenta branca,  bem ligada. Na boca estrutura para durar, mastigável, a secar a boca por completo e a fazer-nos salivar. O perfil terroso, barroso, espalha pontos. Final longo.
PVP 39,90€

No decorrer do almoço, entre as ânforas de barros e ao fundo com a visão do Menir encontrado  no Monte da Ribeira, teve lugar o momento especial de prova do JOSÉ DE SOUSA ROSADO FERNANDES 1940 TINTO. Sim. Essas garrafas que estavam escondidas num lagar e cobertas com sacas de carvão. A surpresa de um vinho especial que mereceu uma publicação só para ele aqui.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

José de Sousa Rosado Fernandes 1940 Tinto

A surpresa do Encontro de Wine Bloggers deste ano da José Maria da Fonseca. A visita à Adega José De Sousa no Alentejo, da qual darei nota mais aprofundada amanhã, não poderia ser considerada completa sem a prova deste verdadeiro pedaço de História do vinho em Portugal. Um vinho que se julgou perdido, mas que foi encontrado tapado por sacas de carvão que o mantiveram afastado da luz e das temperaturas adversas à correcta conservação do vinho.
Foram abertas duas garrafas e, apesar de uma delas estar em melhor momento de forma do que outra, ambas satisfizeram em pleno. Um vinho tinto com 74 anos de idade. É obra! Uma cor que não demonstrou a idade avançada do mesmo, com tonalidades acastanhadas, algum ambar profundo, cor de melaço. Aromas com muita fruta seca, fruta passa que continuam na prova de boca. Harmonioso. Perfeito para uma sobremesa de chocolate. Repito. Um vinho tinto com 74 anos de idade. É obra!
Obrigado pela oportunidade.

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