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domingo, 26 de agosto de 2018

Restaurante No Tacho - Coimbra

Percorro as ruas estreitas do centro histórico de Coimbra sempre com a mira apontada aos locais de restauração pelos quais vou passando na ânsia de encontrar poiso para almoçar. Procuro locais que desconheça, mas não procuro o preço mais baixo, quero algo que me faça aquele click e que seja a melhor relação qualidade-preço-satisfação.

Ao passar pelo No Tacho, de ementa do dia descriminada cá fora e de porta semi-cerrada, percebemos, após breve espreitadela para o interior, que seria ali o nosso almoço. Espaço cuidado, de aspecto muito clean, mas a puxar aos pequenos restaurantes de outrora, com mesas que apesar de simples e minimalistas nos chamaram de imediato e com uma sensação de conforto, charme e intimidade que ainda não tínhamos encontrado na nossa demanda.

Entrámos. Fomos recebidos com muita simpatia, ainda havia a possibilidade de escolher a mesa o que foi bom, mas fomos aconselhados a marcar mesa numa próxima ocasião. O espaço é pequeno e costumam encher muito rápido. Na ementa, com a confecção a cargo do Chef César Vieira,  basicamente pratos com ingredientes bem conhecidos do receituário português. Para além disso, foi-nos indicado que o conceito base da casa passa por trabalhar os melhores produtos nacionais sempre com os frescos do mercado local. A ementa não é gigantesca, porém a qualidade parece assegurada. O Chef Vítor de Oliveira é a cara por trás do conceito, na idealização de cada prato e na forma como cada palha é movida.

Após feito o pedido, na mesa o pão, a manteiga, as azeitonas, o azeite virgem extra Terras Dazibo e o vinagre Moura Alves. Delicioso para ir começando a picar até chegar à mesa, acabadinhos de fazer, os Bolinhos de Bacalhau. Perfeitos. Crocantes por fora, com a textura certa no interior, com os fios do bacalhau a fazerem uma teia enquanto os abria ao meio.

Também para ir picando e chegou à mesa uma Tabúa de Queijos, Enchidos e Fumados. Aqui é mesmo arrepiar caminho. Queijos tradicionais portugueses de diversas curas e origens, enchidos, alguns vindos de terras de nuestros hermanos, e entre outros, o presunto de vaca do Joaquim Arnaurd que até faz esquecer o tradicional de porco.

Depois começámos pelos pratos principais, sempre em modo partilha para ir provando tudo. Este é um dos meus conselhos se puderem e tiverem o tempo extra para isso. Peçam um ou dois pratos de cada vez, vão partilhando pois não devem perder pitada.
O Bacalhau da Islândia Confitado com Citrinos e Pimentas foi o primeiro. Bacalhau no ponto de cozedura, ainda com aquela goma e macio, numa bela ligação com os citrinos, leves, e as notas mais apimentadas.

Seguiu-se um prato que classifico como Must Taste. O Arroz do Mondego Com Peixe da Nossa Costa é de comer e chorar por mais. Mais uma vez confirmo que a qualidade do arroz faz muita diferença em qualquer prato com este ingrediente, todavia, todo o caldo e intensidade de sabor supera as expectativas. Que o diga a minha filha que num silêncio momentâneo soltou um convincente "Isto está muito bom!". 
Do peixe para a Carne. A nossa Marinhoa, uma carne de excelente qualidade em que o principal papel do Chef é conseguir não estragar um produto que por si só já brilha. Mais uma vez o ponto de cozedura está perfeito, com todos os sucos a serem aproveitados, sem grandes "mariquices" a envolver o prato. Keep it Simple.

Para terminar, o Lombinho de Porco Alentejano. Bela apresentação, dose farta e que sabor. Assim vale a pena. Sem se apresentar seco, com sabores muito equilibrados, talvez lhe coloca-se mais umas areias de sal marinho, mas isso sou eu que neste tipo de prato adoro sentir o explodir do sal em mistura com a carne.

Para sobremesa, e sempre para partilhar pois, apesar de bem almoçados, a gulodice falou primeiro, um pecaminoso Pudim de Gemas e Vinho do Porto e um pratos de Queijos mesmo para finalizar. Confesso que há muito tempo não me sentia tão satisfeito de corpo e alma com uma refeição.

Por último, tenho de destacar a enorme qualidade existente na garrafeira do restaurante. Não tem uma lista exaustiva, mas tem uma lista capaz de convencer o mais exigente. Até os vinhos dos Açores estão cá presentes e os preços do vinho a copo decididamente conseguiram afastar-me de outro tipo de bebidas.
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RESTAURANTE NO TACHO
Tipo de Cozinha: Portuguesa. Mediterrânea
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Com Parqueamento Pago a 500 m
Horário: Todos os dias das 12:30h às 15:30h e das 19:30h às 22:15h Excepto Domingo das 12:30h às 15:30h e Segunda-feira (Fechado)
Preço Médio p/ Refeição: 25€

Morada: Rua da Moeda Nº 20, 3000-282 COIMBRA
Telefone:  +351 911 925 961
Na net: http://www.notacho.pt/

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Restaurante Pesqueiro 25 - Lisboa

O restaurante Marisqueira Pesqueiro 25, que conta já com cerca de um ano de vida na sua casa em São Martinho do Porto, abriu recentemente um novo espaço em Lisboa, no Cais do Sodré.
Percorrendo a bem conhecida rua cor de rosa, por entre bares e discotecas, damos com um restaurante que está no primeiro piso do novo hotel 262 Authentic Suites. Subimos as escadas e parece que entramos num mundo novo, completamente diferente do que estavamos à espera e subitamente longe do ambiente frenético da rua que deixamos para trás.

Espaço acolhedor, com uma lareira a meio a transmitir aconchego e ambiente familiar,  cortando com os traços de inox que é costume nas marisqueiras, deixando sobressair a rusticidade do espaço, a sua história e o seu passado em cada canto e em cada parede deixada propositadamente desnuda, não esquecendo as grandes portas/janelas que convidam a uma espreitadela ao mundo inferior.

Após alguns minutos de conversa com Chefs João Diogo Mendes e César Lourenço, percebemos que estamos em boas mãos e que a base da cozinha do Pesqueiro 25 tem como base a simplicidade, a frescura e qualidade dos produtos. Sem truques de magia ou disfarces visuais.
A ementa é variada, com uma selecção cuidada de entradas, sopas, carnes, peixes e mariscos variados, mas para inicio de conversa o melhor foi mesmo começar pelo camarão cozido. Se há coisa que prezo é que numa marisqueira se como o Camarão Cozido no ponto e este, brilhou a todos os níveis.

No ponto de cozedura correcto, tamanho mais do que aceitável, textura bem crunchy e aqueles sucos na cabeça com um sabor viciante. Não podia pedir mais e estava pronto para seguir viagem.

Seguimos directos a uns Lagostins do Mar e uma Ameijoa Real da Lagoa de Óbidos que ficam na memória. Em ambos o reforço da ideia de simplicidade e do privilégio dado ao produto. Importante não estragar e fazer com que os sabores a mar brilhem. Perfeito!

De seguida, caminho aberto para o Camarão À Guilho. Mais uma vez camarão no ponto e aquela malagueta que depois de desfeita no próprio prato transporta o prato para outro ponto, outro nível. Sem a sua actuação este prato não funciona da mesma maneira.

A Sopa de Lavagante veio de seguida como que a tentar fazer uma final feliz. Não seria bem um final pois ainda se iria continuar um pouco mais nesta aventura, mas esta sopa é, de facto, um momento feliz. Desde à forma como é apresentado e servido, até à sua consistência e sabor magníficos. Esta é daquelas que apetece voltar e repetir nem que seja já em final de noite apenas para forrar o estômago.

As escolhas de carne são mais reduzidas e, na verdade, quem é que com tanta escolha a nível de marisco poderá estar interessado em carne? Mas a decisão de não ir embora antes de provar o Prego do Lombo estava tomada e provou no final ter sido acertada. Carne suculenta, alta, mal passada como deve ser, o molho a embeber o pão torrado e a mostarda dijon a envolver. Satisfação garantida.

Quando já a cominho da sobremesa e na sequência do apreço demonstrado pelo delicioso prego do lombo, os Chefs da casa insistem que se prove o Prego de Atum. Bendita insistência. Este é um daqueles que nos fará regressar só para isto mesmo. No final da refeição, com tudo o que já se tinha comido e vem este "simples" prego de atum dizer que a festa ainda não tinha acabado. Sem segredos nem enfeites. Brutalidade de sabor e de satisfação.

Nas sobremesas destaco o Pão de Ló da casa feito para os mais gulosos. Opção de chocolate e de canela. Diferente da doçaria habitual apresentada na carta de sobremesas.
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PESQUEIRO 25
Tipo de Cozinha: Marisqueira
Copos de Vinho Adequados: Sim
Estacionamento: Fácil (Pago)
Horário: Todos os dias das 12:00h às 01:00horas
Preço Médio Refeição: 25€

Morada: Rua Nova do Carvalho, Nº 15, 1200-161 LISBOA
Telefone: + 351 916 781 281
Na Net: Página de Facebook

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