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sábado, 3 de novembro de 2018

A Carne Às Mercês

As melhores lembranças que tenho da  Feira das Mercês são já de há muitos anos atrás, ainda criança e sempre na companhia dos meus Pais. Todos os anos era presença obrigatória. Muitas vezes a pé e outras tantas de automóvel, lá tínhamos de marcar presença. Na altura começava logo cá em baixo, junto à Estação de Comboio e logo após a passagem de nível. Fizesse sol ou chuva era um mar de gente e a subida fazia-se por entre um corredor de vendedores como nunca havia visto igual.

Quase como um ritual a Feira das Mercês marcava o momento do ano para comprar o guarda chuva, as botas de borracha ou de couro, prontas para o inverno, que era rigoroso em chuva e frio. Muitas vezes as roupas mais quentes eram também aqui compradas, não havia cá shoppings nessa altura, cobertores para a cama e os meus Pais aproveitavam também para comprar uma série de coisas relacionadas com a agricultura.
Os doces e os frutos secos eram também uma das minhas paixões. Havia de tudo um pouco. Lembro-me bem de haver alguns problemas de racionamento de certo tipo de produtos, mas aqui parece que nunca faltava nada. Parecia que estava sempre tudo bem.

A Feira das Mercês era também especial pela oportunidade, quase tradição durante alguns anos, de comer lá almoçar e o prato ser a mítica Carne Às Mercês.
Nesse dia, normalmente no domingo, chegámos à Feira bem cedo, passeávamos por toda a Feira, e nunca me esqueço do aroma que nos acompanhava desde o instante que passávamos aquelas escadinhas quase a chegar lá ao cimo: Carne Às Mercês! Desde cedo em fogo brando, quase como num chamamento silencioso, inebriante e mágico, sendo que na altura o mais difícil era escolher. Como adorava aquela carne.
Nos últimos anos, entre cancelamentos da Feira, alterações ao espaço e remodelações que só o passar dos anos conseguirão explicar, perdeu-se muita coisa, creio até que se tem perdido demais, tendo a Carne Às Mercês sido transformada numa espécie de pica-pau de porco (em mau), onde até pickles e azeitonas pretas de lata levam a compor.
Este ano terá sido mesmo a pior experiência neste aspecto. Chegado à Feira até pensava que não havia este ano quem o tivesse na ementa. Para além de não sentir aquele aroma delicioso e o adiantado da hora já o obrigar, fui passando por bifanas, cachorros quentes, hamburgers, couratos até que, quase já sem acreditar, lá estava um local para o ambicionado repasto. Quem me mandou a mim entrar pelo lado contrário. 

Depois de algum tempo e entre peripécias que não interessam para o tema, lá chegaram as carnes. Batata frita com pele a tapar a carne, montes de pickles, uma ou outra azeitona e a carne por baixo numa aguadilha um pouco estranha. Afasto as batatas e assaltou-me o palato uma carne rija, sensaborona e onde os pickles eram de facto a salvação para espicaçar um pouco o que para ali ia. Uma desilusão. 
Saí dali com vontade de ir à procura da verdadeira receita da Carne às Mercês e por entre alguma pesquisa e ajuda de uma Senhora com muita experiência de vida, lá consegui o que mostro abaixo, sendo que quando mostrei esta fotografia à dita ele ouvi a seguinte exclamação: "Aquilo é limão? Limão na Carne às Mercês? Modernices...". 
Começo então pela lista de ingredientes necessários. Não é longa, mas é baseada naquilo que havia muito por aqui, especialmente as folhas de louro, o porco e derivados e o vinho, que muitas vezes ali chegava já o da colheita do ano.

- 1 Kg Carne de Porco (Cachaço ou Rabadilha) Interessa ter alguma gordura
- 1 Copo de Vinho Branco
- 125g de Banha de Porco
- 1 Colher de Sopa de Pimentão em Pó ou Colorau
- 1 Colher de Sopa de Sal
- 4 ou 5 Dentes de Alho
- Pitada de Pimenta Preta
- Folhas de Louro

Comece por cortar a carne em pequenos cubos. Não devem ser tão grandes como os cortados para os rojões de porco, apenas um pouco mais pequenos. Temperar a carne com o pimentão em pó, o sal, a pimenta preta, os alhos e as folhas de louro (muitas) e envolver bem.

De seguida, junte o vinho branco, volte a envolver e reserve no frigorífico durante pelo menos 24 horas. Não há forma da carne ficar sem sabor após uma jornada como esta.

No dia seguinte, coloque a banha de porco numa espécie de bloco, em cima da carne e leve assim ao forno, em temperatura baixa, 120º a 140º, durante aproximadamente 4 horas. Desta forma iremos simular a manhã de Feira ali lentamente a cozinhar, praticamente sem fervilhar, com a banha a derreter lentamente, a forma um espécie de nata que impede que a carne seque.

Após este tempo de lento cozinhar, passe a carne para o lume do fogão e aumente o calor por forma a fazer com que a carne frite e reduza o liquido que a embebia. Resultado. Uma carne que quase se derrete na boca, cheira de sabor, com um molho mais denso, apurado e pronto a juntar-se a umas fatias de pão saloio e um copinho de vinho tinto. As batatas fritas só vieram mais tarde e começaram por ser aos cubos.

Gostava que um dia se preservassem mais este tipo de coisas. Também fazem parte da nossa história. Não são apenas os monumentos que devem ser cuidados. A nossa cultura gastronómica também deve ter um lugar especial. 
Que tal uma actividade relacionada com este prato na próxima Feira das Mercês?

terça-feira, 6 de março de 2018

Porto Extravaganza | Os Vinhos Generosos de Portugal Em Sintra

Madeira, Moscatel e Porto. Em três dias, cada qual dedicado a um destes vinhos generosos, Sintra vai ser o palco dos sonhos de muitos enófilos. Em relação às edições anteriores surge uma pequena-Grande alteração. A 5ª Edição do Porto Extravaganza, apresenta no seu line up, pela primeira vez, a inclusão de dois outros estilos de Generosos para além do Vinho do Porto, ou seja, o Vinho da Madeira e Moscatel de Setúbal. 
Os protagonistas para cada dia são (rufar dos tambores....)

DIA 9 DE MARÇO DE 2018
RICARDO DIOGO E OS VINHOS VELHOS DA MADEIRA
Uma prova inédita e exclusiva em Portugal Continental...uma viagem intemporal pelos Madeiras velhos oriundos de colecções do Avô e da Mãe bem como de famílias particulares da ilha da Madeira. 12 Vinhos da Madeira de Excepcional qualidade irão desfilar no dia 9 de Março...o vinho mais novo em prova será um Bual de 1958. Não haverá jantar neste dia, só prova.

DIA 10 DE MARÇO DE 2018
COLECÇÃO PARTICULAR DE DOMINGOS SOARES FRANCO
Uma prova única e inédita em Portugal. Alhambre 20 Anos, Alhambre Roxo 20 Anos, D.S.F Cognac, D.S.F Armagnac, Bastardinho 40 Anos, Torna Viagem (Testemunha), Torna Viagem (Brasil), Torna Viagem (E.U.A), Apoteca 1911...mais dois Moscatéis surpresa de grande nível... 
Após a Prova será servido no alpendre do Palácio com vista para a Serra e para o mar Espumante Lancers Brut 
MENU DOMINGOS SOARES FRANCO
Chef Miguel Silva 
Entrada Terrina de Foie Gras, brioche, frutos silvestres e textura de maça 
Vinho Rosé Moscatel Roxo Colecção Particular DSF 
Peixe Polvo, batata, aioli de coentros, chipo de alho 
Vinho Branco Verdelho 2017 
Carne Borrego, puré de cebola assada, cevada e beterraba 
Vinho Tinto José de Sousa 2015 
Sobremessa Pêra, mousse de mascarpone, noz pecan, gelado caramelo salgado 
Moscatel Roxo Colecção Particular DSF 

DIA 11 DE MARÇO DE 2018
RAMOS PINTO 140 NUANCES DE VINHO DO PORTO
Uma prova inédita e exclusiva a nível Mundial. A prova será realizada em duas partes distintas: 
1ª Parte Ana Rosas (Master Blend) apresenta Port Master Class - The Art of Blending através de uma forma didáctica, irá ensinar aos presentes a Arte de elaborar um "Blend" de 30 Anos com o respectivo material - Provetas, Matrizes (1900, 1909, 1924).. que estarão dentro da malinha dos Blends que será oferecida aos participantes. 
2ª Parte Uma Prova de Vinhos do Porto "Duetos" Branco Seco 1890 / Branco Lágrima 1884 Vintage 1924 / Colheita 1924 Vintage 1952 / Vintage 1982 Vintage Quinta do Bom Retiro 2014 / Vintage 2015 Após a Prova será servido no Alpendre do Palácio, com vista para a Serra de Sintra e para o mar Champagne Louis Roederer Brut Premier 
MENU RAMOS PINTO 
Chef Miguel Silva 
Entrada Lagosta, pêra abacate, rúcula e vinagret de framboesa 
Domaines Ott Clos Mireille Blanc de Blancs 2015
Peixe Garoupa, Topinambur, acelga e molho de ostra 
Duas Quintas Reserva Branco 2016
Carne Magret de Pato, cenoura, cepes, arroz selvagem e chutney de mirtilo 
Duas Quintas Reserva Tinto 2015 
Sobremessa Toucinho-do-céu, amêndoa amarga, frutos silvestres e sorbet de maracujá 
Quinta do Bom Retiro Tawny 20 Anos 

Há quem diga que este é o melhor evento de Vinhos Generosos realizado em Portugal. Eu acredito que este ano até possa ser considerado um dos melhores do mundo tendo em conta o programa que aguarda cada participante.  
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PORTO EXTRAVAGANZA
Onde: Hotel Palácio de Seteais, Sintra
Quando: 9, 10 e 11 de Março de 2018
Preço Prova: 150€
Preço Prova + Jantar: 200€
Para se inscreverem em cada prova, bastará fazerem uma transferência bancária para o seguinte Nib: Projecto Binho, Actividades Hoteleiras, Lda 0018 0000 4122 2258 0010 5 Enviarem o comprovativo da transferência para o seguinte e mail: bar.do.binho.sintra@gmail.com

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

In.fi.ni.tu.de | Vinhos da Serra de Sintra

A Serra de Sintra, bela e misteriosa, classificada pela UNESCO como Património da Humanidade, mostra mais uma vez o potencial fantástico que encerra para a produção de vinho de elevada qualidade. Em Galamares, já afastada do chão de areia de Colares, fica um pequena vinha  de cerca de 1 hectare onde as castas Pinot Noir e Merlot crescem sob influência de um microclima único, amadurecendo lentamente protegidas dos ventos Atlânticos e imersas muitas vezes pelas orvalhadas matinais e os verões sintrenses sempre tão bem temperados por aquela neblina quase que mágica.
Nascido, numa primeira fase, como vinho produzido apenas para consumo familiar, o facto é que a ambição para mais depressa superou este degrau e os vinhos saíram para o mercado sendo estas as primeiras colheitas que têm a particularidade de serem blends de anos de colheita e ainda serem classificados como Vinhos de Mesa pois o processo de certificação das vinhas ainda não estava concluído aquando do lançamento dos mesmos.
O futuro acena com a certificação das vinhas concluída, sendo que a próxima colheita já sairá como Regional Lisboa e a plantação de uma nova vinha, com uma vista deslumbrante para a Serra de Sintra e os seus Palácios, onde a Malvasia de Colares, o Chardonnay e, muito possivelmente a Semillon para uma colheita tardia darão ainda mais encanto a este projecto.

IN.FI.NI.TU.DE PINOT NOIR TINTO | MESA | 13,5% | PVP 18€
PINOT NOIR
OSÓRIO & GONÇALVES, SA
18,5
Está num momento de forma absolutamente fantástico, tanto que se torna viciante a provar e a beber, mostrando ainda uma capacidade enorme para ir à mesa. Aberto de cor, mas mais concentrado do que estaria à espera para um vinho nascido desta casta, mostra um nariz que cativa desde o inicio com notas um pouco terrosas, um salino presente, alguma especiaria marroquina, um toque de açafrão, fumados, um licor de ginja já um pouco gasto, complexo e com grande frescura. Na boca passa esta frescura e leveza, intenso, equilibrado e com um final de boca longo.

IN.FI.NI.TU.DE MERLOT TINTO | MESA | 13,5% | PVP 18€
MERLOT
OSÓRIO & GONÇALVES, SA
17,5
Um Merlot um pouco diferente apesar das notas de pimento verde que aparecem, mas que são  aqui acompanhadas por notas de bosque, de pinhal, também com um lado salino e o perfil algo terroso, de algum cogumelo, madeira usada, que havia reconhecido também no Pinot Noir.  A boca não nos deixa fugir destes descritores e, embora com uma frescura e leveza em grande plano, sente-se mais textura, corpo e largura. Um vinho para levar até à mesa para beber com muito prazer e também com grande potencial para guarda.

IN.FI.NI.TU.DE TINTO | MESA | 13% | PVP 13€
PINOT NOIR, MERLOT
OSÓRIO & GONÇALVES, SA
17,5
Junta-se aqui o melhor de dois mundos, ou melhor, das duas castas. No nariz, mais uma vez, a frescura e as notas de terra, dos cogumelos e fumados a mostrarem-se com algum destaque num conjunto onde o pinheiro e as notas salinas também nos fazem querer perder mais algum tempo a deambular por ali. No palato talvez o que apresenta mais nervo, com uma acidez acutilante e a secar as gengivas por alguns momentos. Com um final de boca enorme, fresco e longo.

A expectativa para as próximas colheitas está, sem dúvida, alta. Belíssimos vinhos!

sábado, 5 de março de 2016

Maçanata | O Pastel Com Maça Reineta da Escola de Hotelaria de Colares

Pensar. Reinventar. Desenvolver. Surpreender. O nata de maçã Reineta idealizado e produzido pela EPAV – Escola de Hotelaria de Colares é agora uma marca registada com o nome de Maçãnata e surpreende pela extraordinária combinação de textura e sabor que este tipo de maça lhe confere.
O pastel de nata reinventado pela EPAV tem a característica distintiva de juntar à receita original a Maçã Reineta, um produto característico de Colares, a região de maior produção deste tipo de maçã, procurando, a partir de um produto já existente e com grande divulgação -  o Pastel de Nata -, uma alteração com a adição da maçã Reineta, num equilíbrio pereito de açúcares, texturas e bases de confecção. 

A receita do Maçãnata está registada e foi desenvolvida pelo Chef de Pastelaria Hugo Florentino (formador da Escola de Hotelaria Colares). Viciantes, equilibrados, com massa folhada crocante e seca e com a textura dos bocadinhos de maça a elevarem a experiência a outro nível.

De momento, para comprar esta iguaria, pode fazê-lo por encomenda ou nas instalação da EPAV - Escola de Hotelaria de Colares. Cada caixa de 6 unidade custa 5€.
Deliciosa desculpa para um passeio até Colares.
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EPAV - ESCOLA DE HOTELARIA DE COLARES
Avenida Doutor Brandão de Vasconcelos, 2705-182 COLARES
Telefone: +351 219 290 586
E-Mail: secretariacolares@epav.pt
Na Net: http://www.epav.pt/epav/

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Quinta da Ribafria - Sintra

Os dias ficaram mais frios, mas os dias continuam compridos e óptimos para ir até Sintra conhecer a recentemente aberta ao público Quinta da Ribafria. Tantas vezes por ali passei de bicicleta e a porta sempre fechada. O abandono deu lugar à recuperação, ao restauro de todo o património aí existente e agora é possível visitá-la. 

O Solar de Ribafria foi mandado edificar em 1541 por Gaspar Gonçalves, a quem D. Manuel I, por alvará de 16 de setembro desse ano conferiu o senhorio de Ribafria, dando-lhe um brasão de armas, e permitindo-lhe usar esse apelido.

Além do seu valor histórico, o palácio de Ribafria é digno de nota pela sobriedade e correção de linhas da sua arquitetura genuinamente manuelina, constituindo um dos mais belos exemplares da antiga arquitetura civil portuguesa.

Sobressai do seu todo uma torre quadrangular de pouco mais de trinta metros de altura, erguendo-se altiva no verdadeiro vale, junto ao rio de Lourel, na base da encosta que domina.

Esta torre foi construída, segundo reza a lenda, para que o proprietário de Ribafria dali pudesse avistar a Penha Verde, que lhe pertencia, como descendente do fundador D. João de Castro, porém outros crêem que apenas se destinasse para se avistar o mar, o oceano imenso, a que se prendem as tradições guerreiras e os arredores sublimes de toda a glória cavalheiresca de uma época, cuja história é um poema.

No ângulo do poente dessa torre, está o escudo de Ribafria esculpido em pedra, o grande tanque em cujas águas tranquilas se espelha em toda a extensão o vetusto edifício e uma magnífica cisterna, com uma vasta sala com a sua abóboda de cantaria apoiada em arcos e colunas de eterna solidez.

Aproveite também o passeio para conhecer o vinho secular de Colares e algumas das delicias sintrenses como a Queijada de Sintra.
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QUINTA DE RIBAFRIA 
Estrada da Várzea, Sintra
Horário:
10:00 às 18:00 De Outubro a Março
10:00 às 19:00 De Abril a Setembro
Entrada:
Gratuita

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