Esta é uma "cozinha" plena de sentimento, de paixão e de homenagem à avó de Sophia Bergqvist, co-proprietária e gestora da Quinta de la Rosa, que na inauguração oficial do restaurante, nos acarinhou com algumas palavras e histórias da sua Avó, da Quinta de La Rosa e do quanto significa a abertura deste espaço.
Aliás, o logótipo do Cozinha da Clara remete-nos precisamente para a caligrafia da a avó de Sophia Bergqvist, Claire Feuerheerd (1907-1972), a quem a Quinta de la Rosa foi oferecida como presente de baptismo.
Construído por forma a respeitar todo o património envolvente, a construção do restaurante foi um projecto desafiante de arquitectura, tendo sido posicionado em encosta, tipo socalco das vinhas, desfrutando de uma vista privilegiada e lindíssima sobre o Rio Douro e o Pinhão e adicionando à sala interior um espaço de esplanada, tipo varanda sobre o Rio Douro, na qual apetece ficar sem data para sair.
No interior, para além de um cantinho especial dedicado a Claire, o espaço é feito de linhas rectas, tonalidades claras, limpas e com uma estrutura de paredes e tecto especial para que o som que circula pela sala seja uma benção e não uma tortura.
Na Cozinha da Clara manda o Chef Pedro Cardoso. Os pratos assentam numa base de raiz tradicional portuguesa, mas com um toque moderno e sofisticado, mantendo os sabores e aromas, mas com um aspecto visual contemporâneo. Alguns dos pratos têm mesmo como base o antigo receituário da avó Clara, o que torna a experiência ainda mais sentida.
O
Amuse Bousche para começar trouxe à mesa a
Terrina de Leitão com Cogumelos, Batata Doce Frita e Gomos de Laranja casado no copo com o rosé La Rosa 2016.
De seguida, um dos meus preferidos da noite. Viciantes. Era capaz de estar a comer estas
Chamuças de Sardinha Com Compota de Pimentos Vermelhos e Mescla de Alfaces pela noite fora juntamente com o branco reserva La Rosa 2016 que foi servido.
O prato de sopa veio logo de seguida.O
Creme de Couve Flor Com Salmonete Braseado, Amêndoa Tostada e Azeite de Marisco. Simples, delicioso e reconfortante. O salmonete e a amêndoa fazem saltar um creme de couve flor que poderia soar a algo sensaborão. Fez-lhe companhia a novidade Tim Grande Reserva 2015 branco.
Patamar colocado bem alto até ao momento para a chegada da
Corvina com Batata de Caldeirada e Molho de Peixe. No ponto de cozedura, com lascas definidas e o molho de peixe a dar largura e um kick final e envolvente. O branco LA Rosa Reserva foi o escolhido para lhe fazer companhia.
Tempo de saltar para o prato de carne com um corta sabores surpresa. Sabor citrico, textura estranha no incio, mas depois, houvesse oportunidade, e era shoot atrás de shoot deste
Granizado de Tomilho Limão. Objectivo atingido.
O
Tornedó de Vitela Com Milhos Transmontanos em Duas Texturas e Molho de Vinho de Porto mostrou o prato de carne. O tinto reserva La Rosa fez uma feliz ligação com a textura e sucos da carne e o molho mais rico do vinho de Porto.
Para terminar a sobremesa trouxe a
Torta de Abóbora com Pasta de Queijo com Lima e Gelado de Noz. Apesar de não ser fã das ligações com gelado e doce na mesma sobremesa, a verdade é que esta resultou. O La Rosa Tawny 20 anos e o Vintage 1960 da cave privada do Produtor foram servidos. Um momento solene que não se esquecerá tão cedo.
Agora há mais uma (boa) desculpa para visitar o Pinhão.