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terça-feira, 15 de junho de 2021

Piratas da Viúva Malvasia 2019 Branco

PIRATAS DA VIÚVA 2019 BRANCO | IVV | 12,5% | PVP  16€
MALVASIA
CHÃO DE AREIA VINHOS E EVENTOS, LDA
16,5
 
Voltei à gama Piratas da Viúva, desta vez para conhecer o branco feito a partir da casta Malvsia de Colares, e confirmar aquilo que já tinha sentido ao beber o tinto tutti-frutti no ano passado. Um vinho que mostra bem o lado mais irreverente e contra-corrente de um produtor tão ligado à tradição da região de Colares na produção de vinho. 
A inicio parece-nos deixar um pouco fora de contexto, mas começa desde logo a abrir, a mostrar vida, a revelar a fruta e todo o lado salino que a costa Atlântica transmite ao vinho. a mostrar o potencial à mesa e a rapidamente fugir do copo.
Cor amarelo definido, tonalidade palha, aspecto limpo e jovem. No nariz mostra-se a fruta mais tropical, apontamentos frescos e bem medidos de abacaxi, fruta de pomar, maça reineta, algum floral, citrinos, infusão de limão com mel, lado salino e marírimo presente, complexo e desafiador. Na boca revela corpo bem composto, ligeira untuosidade, envolvente, com acidez acídula, fruta sumarenta, a dar indicios de uso de barricas usadas, equilibrado e com término de boca longo.
O pregado assado no forno bem regado com limão e uma noz de manteiga no final fez-lhe companhia de sucesso.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Pirata da Viúva Tutti-Frutti 2016 Tinto

PIRATA DA VIÚVA TUTTI-FRUTTI 2016 TINTO | MESA (IVV) | 12% | PVP  14€
CASTELÃO, ARAGONÊS
CHÃO DE AREIA - VINHOS E EVENTOS, LDA
16,5

Que belo vinho fui encontrar para estes dias de temperatura amena. A imagem, peculiar para um vinho, consegue prender a atenção, consegue criar em nós a curiosidade, com o pormenor delicioso do tutti-frutti escarrapachado no rótulo. Um Pirata de Almoçageme que dá um prazer imenso a beber. Haja coragem para projectos assim.
Cor vermelho intenso, média concentração, aberto no bordo do copo, aspecto limpo. Nariz expressivo, fruta preta madura, barrica com idade, vegetal verde, alguma turfa, bosque, fresco e arrebitado. Boca carnuda, framboesa, ameixa vermelha ainda não completamente madura, com aquela acidez qee se cola às gengivas, mas que depois amacia, envolve, cria gula, apetece e puxa mais um gole, tem uma frescura natural cativante, com término de boca longo.
Aproveite-se o verão para o acompanhar com carne grelhada só com sal grosso ou guarde-se para as estações mais temperadas com um belo peixe mais gordo assado no forno.
 

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Adega Viúva Gomes - Os Chão de Areia e os Chão Rijo

De visita à Adega Viúva Gomes, no concelho de Sintra, na região onde se produzem vinhos de qualidade, de produções muito limitadas e com um potencial de envelhecimento extraordinário. A região de Colares apresenta características muito peculiares devido proximidade do mar e aos ventos marítimos muito fortes a que se encontram sujeitas as suas vinhas. Aqui, até pela sua natureza geológica, podemos encontrar duas zonas distintas de plantação das vinhas, o chamado Chão de Areia (solos de areia), de onde saem os DOC desta região e o denomindado Chão Rijo (solos argilo- calcários)de onde saem vinhos classificados como Regional Lisboa. As características únicas do vinho de Colares devem-se a um terroir único. As castas, solo e clima temperado e húmido no Verão e o facto de 80% da vinha estar instalada em Chão de Areia, respeitando a prática tradicional de unhar a vara de pé franco no estrato subjacente à camada de areia. A área geográfica correspondente à Denominação de Origem Colares situa-se no concelho de Sintra, entre a Serra e o Oceano, numa zona junto ao mar, compreendendo as freguesias de Colares, São Martinho e São João das Lampas.

PATRÃO DIOGO 2016 BRANCO | LISBOA | 13% | PVP 6€ 
ARINTO, FERNÃO PIRES, SEARA NOVA
CHAO DE AREIA -VINHOS E EVENTOS, LDA
16
Cor amarelo citrino, aberto, aspecto limpo. No nariz mostra frescura nos aromas citrinos e floral, alguma maça reineta, maresia, perfil fresco. Boca com bela acidez, fruta muito sumarenta e composta, ligeiro travo salino, longo de final e muito fresco.

VIÚVA GOMES COLLARES 2016 BRANCO | COLARES | 12,5% |  PVP 20€
MALVASIA DE COLARES 
CHAO DE AREIA -VINHOS E EVENTOS, LDA
17
Cor amarelo citrino, aberto, brilhante. Aromas intenso, traço evidente salino, fruta amarela, algum citrino, notas pedregoso, algum iodo, complexo. Boca com largura, acidez acutilante e peculiar, muito maritima e salina, fruta fresca, maça verde, longo e persistente.
Quem puder que guarde umas para daqui a uns anos voltarmos a elas.

PATRÃO DIOGO 2015 TINTO | LISBOA |  13,5% | PVP 6€
CASTELÃO, ARAGONEZ 
CHAO DE AREIA -VINHOS E EVENTOS, LDA
16
Cor rubi, vermelhos intensos e de média concentração. No nariz mostra-se a fruta vermelha, muito fresca e nitida,  alguma ginja, notas de licor num bouquet equilibrado. Na boca apresenta corpo de estrutura média, tanino jovem, mas algo polido, fruta vermelha fresca, com final de boca longo e prazeiroso.

VIÚVA GOMES COLLARES RESERVA 1969 TINTO | COLARES | 11% | PVP 20€
RAMISCO
CHAO DE AREIA -VINHOS E EVENTOS, LDA
17
Cor vermelho casca de cebola, alaranjado, tijolado, aspecto limpo. Aromas com algumas notas de iodo, resina de pinheiro, óleo de cedro, móvel, algum verniz e farmácia antiga, muito complexo e desafiante. Boca ainda a contar histórias. Vivaz, boa amplitude e corpulência, encortiça a boca, mas de uma forma gulosa e macia. Final longo.
Que sorte ainda termos destes vinhos com esta idade.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Na Palheta Com... José Baeta

José Baeta é a primeira figura do Vinho e da Comida em Portugal a participar nesta nova série de conversas. Serão sempre 10 as perguntas e algumas serão comuns a a todos os entrevistados. No fundo, uma conversa descontraída, para ser levada a sério. O ínicio tinha de ser em Sintra!
Estive à conversa com o José Baeta. O Homem à frente da Adega Viúva Gomes é uma das caras mais conhecidas no que à região de Colares diz respeito. Ninguém fica indiferente à forma apaixonada como fala do vinho desta região e eu não sou excepção.
Os Viúva Gomes são vinhos de carácter único pela especificidade do terroir presente na Região Demarcada de Colares. Uma região caracterizada pela sua exposição a ventos salgados, nevoeiros matinais e solos arenosos com vinhas em pé-franco.

A Adega Viúva Gomes conta já com mais de 200 anos de vida. Qual a história do José Baeta neste longo caminho?
O meu percurso inicial começou pela Engenharia Mecânica e só mais tarde (há cerca de 30 anos) pelo interesse nos vinhos e no legado, decidi dedicar-me, juntamente com o meu pai e com o meu tio, à empresa de família. Um negócio fundado em 1898, inicialmente de vinhos e mercearias no centro de Sintra que, mais tarde, se dedicou exclusivamente aos vinhos. A Adega Viúva Gomes, foi adquirida pela família mais ou menos na altura da minha entrada na empresa, quase em estado de abandono.

O futuro do Vinho de Colares é um tema para horas de discussão. Consegue, de forma resumida, transmitir a sua opinião?
Sim, sem dúvida. É quase impossível prever o futuro, pois há sempre factores que não controlamos. No entanto, tenho a certeza que a região está para durar, dado os esforços de todos os intervenientes, acompanhado por um notável despertar do interesse dos consumidores por estilos diferentes e novas sensações no que toca ao produto que é o vinho. Claro, nunca atingirá as dimensões de um Alentejo ou um Douro, por uma limitação geográfica e até porque, apesar do crescente interesse, o perfil dos vinhos não o permite – serão sempre vinhos de nicho.

Se tivesse de escolher apenas uma casta qual seria? Malvasia de Colares ou Ramisco? Porquê?
Esta é difícil, não consigo eleger uma em detrimento da outra. Ambas apresentam características maravilhosas, embora o Ramisco possa ser mais desafiante pelo estágio que lhe damos a par da evolução que vai apresentando ao longo dos anos.

O consumidor do Vinho de Colares é maioritariamente português ou estrangeiro? 
Actualmente exportamos cerca de 60% da nossa produção, entre vinhos de chão de areia e de solos argilo-calcários. No entanto, a procura ao nível nacional tem aumentado bastante nos últimos anos.

Os vinhos em Portugal são baratos? 
De mais! Por vezes não consigo perceber como é que se faz vinho tão barato. A relação qualidade-preço esta muito muito favorável. Temos imensa sorte.

Os vinhos de Chão Rijo prometem grandes sorrisos nos próximos anos ou já nos conseguem fazer sorrir?
Acho que cada vez nos fazem mais sorridentes, há um potencial enorme. A Viúva Gomes anda aí a preparar umas novidades.

Que sugestões de harmonização à mesa com os vinhos da Adega Viúva Gomes? 
Não sou a melhor pessoa a fazer harmonizações. Gosto muito de acompanhar uma refeição com vinho, sabe sempre muito melhor, mas, pelo menos para mim, desfoca-me do vinho e da comida. De qualquer modo os nossos vinhos estão muito feitos para a gastronomia da região: Um peixe gordo grelhado ou umas amêijoas (ali do Restaurante da Adraga) para os brancos e umas Queijadas de Sintra ou um leitão dos Negrais para os tintos. Então uma queijada com um tinto dos antigos é maravilhoso.

As redes sociais têm ou podem ter um papel importante na divulgação do vinho em Portugal? 
Sem dúvida! Hoje em dia são uma via de comunicação com grande peso em tudo e os vinho não são excepção, pois conseguimos estar mais perto dos nossos clientes e parceiros numa lógica amigável e directa.

Onde se podem comprar os vinhos Viúva Gomes e se quisermos visitar a Adega como é possível fazê-lo? 
Vai ficar alguém esquecido e ainda vou ouvir! Mas assim com maior peso, em Sintra estamos na Garrafeira Incomum, Cantinho Gourmet e Bar do Binho. Em Lisboa, Garrafeira Nacional, Estado d’Alma, Garrafeira de Santos, Garrafeira Internacional e Comida Independente. No Porto, Prova Wine Bar e Tio Pepe.
Também é possível passar aqui na loja da adega, para provas temos o “Open Day” às quartas e ao primeiro Sábado de cada mês.

Quando bebe um copo do seu vinho e fecha os olhos em que pensa e que imagens lhe ocorrem? 
É inevitável não pensar/comparar com anos anteriores e de que forma irá evoluir. Depois disso é “sit back and relax”.

Resta-me agradecer ao José Baeta pela disponibilidade e longa vida para a Adega Viúva Gomes e os vinhos de Colares.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Prova de Vinhos de Colares na Adega Viúvas Gomes

A Adega Viúva Gomes é uma casa cheia de história na produção de vinho da região de Colares. Data de 1808 a construção da adega e escritório pela família Gomes da Silva que só viu ser constituída a Sociedade Viúva de José Gomes da Silva & Filhos em 1902, então gerida pelos seus filhos Bernardino e Ludgero Gomes da Silva.

 Em 1920, o edifício, o negócio e marcas foram adquiridos pela Companhia de Vinhos e Azeites de Portugal S.A.R.L. da então José Maria da Fonseca Sucessores Lda, sociedade para a qual todo o património passou corria o ano de 1926. 
Em 1931, a Adega passou novamente de mãos sendo adquirida por Vítor Guedes & Companhia, Sociedade Comercial que na década de setenta deixou de comercializar vinhos, em parte devido ao acentuado decréscimo da produção e também devido aos problemas sociais e laborais existentes na altura em Portugal, pelo que toda a existência foi engarrafada, permanecendo em envelhecimento. 

Inicialmente os vinhos eram produzidos em Almoçageme saindo de carroça para a Praia das Maçãs, onde existia um entreposto. Eram depois carregados em vagonetas que seguiam atreladas ao eléctrico até Sintra, prosseguindo então para Lisboa de comboio.

Em 1988, a Adega e toda a existência foi comprada pela família Baeta, que actualmente continua sua detentora e que iniciou uma nova fase de comercialização dos vinhos, criando e engarrafando novas colheitas de vinhos de Colares, de modo a reestabelecer o prestígio da marca Viúva Gomes.
O período de recuperação das instalações, compra de novos toneis em madeira e recuperação dos existentes, ficando com uma capacidade total de 105.000 litros começou nessa altura até que em 1998 é criado um espaço na Adega destinado a provas de vinhos e eventos diversos, bem como uma pequena loja para venda de todos os produtos engarrafados e provados na Adega. 

Recebidos por José Baeta, que nos cativa desde o inicio pela sua forma apaixonada de transmitir o vinho de Colares e em particular os vinhos Viúva Gomes; e acompanhados por Francisco Figueiredo, Enólogo da Adega Regional de Colares, foi efectuada uma prova de vinhos de Colares que não só demonstrou o enorme potencial de guarda dos vinhos desta região como confirmou que os vinhos de Colares são, de facto, um ícone na produção de vinho em Portugal.
COLLARES 1969 BRANCO | PVP  -€

Cor amarelo dourado, âmbar definido. Aroma delicado, fruta seca e alguma fruta passa, melaço e muita frescura. Boca com grande vivacidade, acidez e secura, novamente alguma fruta seca e com ligeiro salino final.

 
COLLARES RESERVA 1997 BRANCO | PVP 12€
Cor amarelo definido, com nuances douradas leves e aspecto limpo. No nariz hortelã fresca, intenso, viciante, vai ficando um ligeiro toffe e caramelo fino. Na boca está vivaz, seco, com notas de hortelã, sumo de laranja e tangerina, algum café e a terminar longo.

COLARES ARENAE 2004 BRANCO | PVP 11€
Cor amarelo definido, com dourados evidentes, aspecto límpido. Aromas com maça cozida, leve limonado, rebuçado, fino e fresco. Secura de boca elevada, intenso, prolongado. Grande momento de forma.

VIÚVA GOMES COLARES 2006 BRANCO | PVP 12€
Cor amarelo citrino, definido e de aspecto limpo. Aromaticamente muito delicado, fruta citrina leve, maçã, gomas de fruta, alguma cera. Complexo.  Boca larga, seco, prolongado, alguma borracha, elástico. Está um grande branco e pronto a beber.

COLARES ARENAE 2011 BRANCO | PVP 11€
Cor amarelo citrino, limpo e brilhante. No nariz maçã fresca, salino, mineral, limpo e fresco. Boca com frescura, acidez, seco, com maçã sumarenta, toque salino e final de boca persistente.

ADEGA REGIONAL COLARES 2006 TINTO | PVP 12€ (vai ser lançado)
Cor rubi, limpo, aspecto novo. Aromas com ginja madura, alguma resina, pinheiro, fresco. Boca larga, frescura, seco, corpulento, com ginga, faz lembrar o licor, final de boca prolongado. Um Colares novo, mas pronto para o consumidor e ao mesmo tempo pronto para durar.

COLARES CHITAS RESERVA VELHO 1999 TINTO | PVP 12€
Cor rubi, vermelho ainda sem grandes notas de evolução. No nariz ginja e cereja fresco, toque salino, cedro e mineral. Na boca continua com vida, corpo, vivaz, secura, com muita vida, torrados, café. Mais um grande vinho.

VIÚVA GOMES COLARES 1999 TINTO | PVP 12€
Cor vermelho alaranjado, limpo. Aromas mais elegantes que o anterior, cereja e ginja, notas balsâmicas, algum cedro, notas salinas, fresco. Boca nova. Pujante, corpulento, cheio de vida, com secura que nos faz salivar. Persitente. Grande 1999 Tinto.

ADEGA REGIONAL COLARES 1979 TINTO | PVP -€
Cor vermelho atijolado, com núcleo mais intenso e alaranjado no bordo. Nariz com muita frescura, resinoso, balsâmico e salino. Boca cheia de taninos, encortica a boca, ainda cheio de vida.

VIÚVA GOMES COLARES 1969 TINTO | PVP -€
Cor vermelho tijolado mais vivo e mais concentrado. Aroma com notas iodadas, resina de pinheiro, algum verde, toque balsâmico e frescura. Boca bomba. Vivaz, amplitude extraordinária, corpulento, encortiça a boca, mas de uma forma gulosa e macia. Final longo.