domingo, 4 de outubro de 2026

D. Graça Espumante Bruto Tinto Cão 2020 Rosé

D. GRAÇA ESPUMANTE BRUTO TINTO CÃO 2020 ROSÉ  | DOURO | 12,5% | PVP  17,95€
TINTO CÃO
VINILOURENÇO, LDA
Dégorgement 08/2024
17 

A casta Tinto Cão é uma das castas mais interessantes e menos consensuais do Douro, sobretudo quando sai dos lugares mais previsíveis e habituais. Neste caso, a Vinilourenço leva-a um pouco mais longe, criando um espumante tinto bruto, numa interpretação pouco habitual que preserva a identidade da casta sem esconder a sua personalidade. Em rosé tranquilo já começamos a vê-la com o destaque que merece e com belíssimos resultados, mas em rosé espumante é raro. O resultado convence, ganhando leveza e frescura através da bolha, fugindo um pouco ao perfil habitual dos espumantes, com grande apetência gastronómica e que merece ser descoberto.
A acidez e a estrutura tânica permitem acompanhá-lo com bacalhau, polvo assado, arroz de forno, carnes brancas mais condimentadas ou mesmo uma bela sardinhada de final de verão. Se há alguma gordura ou molho a equilibrar claramente será uma escolha acertada.
Cor amarela com tonalidade casca de alperce, subtis acobreados, luminoso e brilhante, aspecto límpido com bolha fina e cordão persistente. No plano aromático começa fresco e expressivo, com fruta vermelha num perfil delicado, onde surgem notas de morango, framboesa e frutos silvestres, acompanhadas por um discreto lado floral, revelando nuances mais finas de panificação e brioche, muito bem integradas na componente frutada, sem que esta perca a sua vivacidade. Encontro-lhe ainda uma subtil sugestão mineral e citrina que contribuem para a sensação de frescura que oferece. Na boca mostra-se seco, fresco e cremoso, com acidez bem presente e uma mousse fina que percorre o palato sem se sobrepor ao conjunto, reaparecendo a fruta vermelha com boa definição, acompanhada por uma ligeira sensação mineral e novamente por apontamentos de pão e brioche. Revela bela tensão final, equilíbrio, elegância e generosa persistência. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Dalva Late Bottled Vintage Port 2019

DALVA LATE BOTTLED VINTAGE 2019  | PORTO | 20% | PVP  14,50€
CASTAS TRADICIONAIS DOURO
GRANVINHOS, LDA
17

Um LBV (Late Bottled Vintage) apostado sobretudo na fruta e numa estrutura suficientemente firme para não deixar que a doçura domine o conjunto, ainda numa dimensão relativamente jovem, mas já com o tempo necessário para se apresentar mais polido e pronto a beber. Surpreendeu-me pela sua frescura e uma relação qualidade-preço feliz.
Estamos perante um Porto que funciona muito bem com queijos de pasta dura e cura prolongada ou ainda com queijos azuis, o Blue Stilton – o meu pairing de eleição-, mas também com sobremesas onde o chocolate negro tenha papel de destaque. Eu experimentaria ainda com uma sobremesa de frutos vermelhos pouco doce, permitindo que a boa fruta do LBV dialogue com o prato sem criar um conjunto excessivamente pesado.
Cor vermelho rubi profundo e opaco, auréola luminosa de tonalidade violácea, límpido e de aspecto muito jovem. Expressivo no plano aromático, onde a fruta preta e vermelha madura se cruza com sugestões de frutos silvestres,  framboesa, ameixa e amora silvestre, subtil floral bem encaixado num evidente e interessante lado mentolado e balsâmico, revelando ainda, à medida que se habitua ao copo, notas de especiarias, sobretudo pimenta e algumas nuances de alcaçuz, com um discreto fundo de cacau/chocolate negro. Na boca continua em evidência este perfil baseado em frescura e grande equilíbrio, não deixando de mostrar bom corpo e envolvência, com a fruta novamente em primeiro plano, casada com a componente especiada que lhe acrescenta alguma complexidade, traço de cacau negro em final, com tanino polido, mas firme, textura macia, terminando com boa persistência,  deixando a fruta e um cacau subtil em fundo a brincar com o nosso palato.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Buçaco Rosado Reservado 2020 Rosé

BUÇACO ROSADO RESERVADO 2020 ROSÉ | IVV | 13% | PVP  69€
BAGA
ALEXANDRE DE ALMEIDA PROD E COM DE VINHOS, SOC UNIP, LDA
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Quando se fala dos vinhos Buçaco, temos de ter em conta que estamos perante um território diferente, onde a tradição e a capacidade de envelhecimento contam tanto como a própria colheita. E a história ou será mais Estória também conta. Criado para a adega do Palace Hotel-Bussaco, este rosé segue a tradição dos vinhos Buçaco, pensados desde a origem para acompanhar a gastronomia do hotel e envelhecer com dignidade em garrafa. O Reservado Rosé mantém esse propósito, apresentando-se como um vinho de mesa sério e gastronómico, longe do perfil imediato e descontraído que normalmente associamos à categoria dos rosés. É um rosé que apetece agora que as temperaturas baixam, diria um rosé de inverno com grande presença no verão, se for para o levar à mesa. Estejam preparados para um rosé com estrutura, acidez, secura e, repito, uma dimensão gastronómica que o coloca de forma certeira na companhia de comida.  A idade? Apenas um número.
Cor salmão intenso, com tonalidade acobreada, sinal de alguma evolução, aspecto límpido e atrativo. No nariz começa por se mostrar um pouco contido, quase como uma face séria e fria,  onde a fruta vermelha surge subtilmente acompanhada por notas florais, vinco mineral e um discreto, mas presente, lado terroso. Com o tempo no copo fica mais evidente uma componente de ervas secas e especiaria, acrescentando-lhe complexidade e profundidade. A boca confirma essa percepção aromática. Seguimos num registo seco, tenso e com uma acidez muito viva, mostrando uma estrutura pouco habitual num rosé português, mas perfeitamente integrada, com textura, profundidade e uma frescura que lhe dá enorme equilíbrio, deixando a fruta marcar presença, embora mais contida, sempre enquadrada pela acidez e por uma componente mineral que prolonga a prova. Há aqui uma nota de evolução em garrafa que, sem dúvida, lhe trouxe maior integração e alguma suavidade ao conjunto, mas sem retirar o nervo e a identidade do vinho. Termina longo, fresco e muito gastronómico, deixando uma excelente impressão.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Quinta da Extrema Edição III 2017 Tinto

QUINTA DA EXTREMA EDIÇÃO III 2017 TINTO | DOURO | 14,5% | PVP  46,90€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA
COLINAS DO DOURO SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
18

Na mesma noite em que provámos o Quinta da Extrema Edição II 2017 Branco, seguimos na mesma linha para o tinto, a Edição III 2017. Uma oportunidade muito interessante para provar os dois em sequência e fazer as naturais comparações – onde possível -, com registos distintos dentro do mesmo projecto: de um lado, a frescura e a elegância do branco; do outro, um tinto mais estruturado, profundo e marcado pela fruta e pela componente especiada; ambos ainda com caminho pela frente e com os passos evolutivos a fazerem de forma lenta. 
Duas leituras distintas do Douro Superior, mas com uma identidade comum, que neste tinto se revela através da Touriga Nacional e da Touriga Franca, com evolução em garrafa que lhe garante maior complexidade, menos arestas e maior harmonia ao conjunto, sem lhe retirar energia e vivacidade. 
Encaixa no perfil de vinhos que por aqui gostamos de levar para a mesa quando se anunciam prato de carne com estrutrura, assados no forno ou cozinha de tempo, como são o cabrito assado, o borrego, as bochechas de porco, as carnes vermelhas grelhadas ou os pratos de caça. 
Cor vermelho intenso de média concentração, mantendo boa profundidade, reflexos violeta, aspecto límpido, escondendo alguma da sua idade. No nariz a fruta continua bem presente, sobretudo num registo de fruta vermelha e preta madura, acompanhada por notas florais, componente especiada e ligeira, mas fresca presença de balsâmicos. Há sinais de evolução, mas surgem ainda de forma subtil, sem que as notas terciárias assumam o protagonismo. Na boca está mais polido, com a passagem do tempo limar algumas arestas e trazendo maior harmonia ao conjunto. Mantém estrutura e volume, mas a fruta, a acidez e os taninos encontram-se agora melhor integrados, proporcionando uma prova mais equilibrada e envolvente, captando maior atenção, e, apesar dos anos, conservando energia e frescura. Algo que lhe dá particular interesse nesta fase. Termina longo, com boa persistência e um equilíbrio muito conseguido entre fruta, especiaria, estrutura e frescura. Um vinho que evoluiu, é verdade, mas que ainda está longe de ter perdido a sua identidade e a sua capacidade de surpreender. .

sábado, 26 de setembro de 2026

Chateau Musar 2017 Branco

CHATEAU MUSAR 2017 BRANCO | BEKAA VALLEY (LIBANO) | 11,5% | PVP  49€
OBAIDEH, MERWAH
GASTON HOCHAR
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O Château Musar é um daqueles vinhos que não precisam de grandes apresentações, sobretudo para um apaixonado por vinho e que gosta de descobrir brancos que fogem ao perfil mais previsível. Produzido a partir das castas Obaideh e Merwah, as duas principais uvas brancas autóctones do Líbano, é um vinho que ganha muito com o tempo e que encontra na evolução em garrafa uma das suas principais virtudes. Este 2017 mostra precisamente essa capacidade, revelando já alguma evolução, mas mantendo uma energia e uma frescura que tornam a prova particularmente interessante e a sua ligação à mesa.
A acidez e a componente salina que lhe  encontrei fazem com que, de imediato, pense nele para peixe assado ou grelhado, marisco, pratos de bacalhau ou a lula grelhada com camarão bem regada de azeite que lhe fez companhia. 
Cor amarelo intenso, já com reflexos aloirados, aspecto límpido, mas denunciando algum caminho percorrido em garrafa. O plano aromático faz com que se esqueça a nota visual,  mostrando que estamos perante um vinho muito vivo. Começa por revelar fruta de polpa amarela e citrinos maduros, a que se juntam frutos secos, mel, ervas secas e algumas notas especiadas, com subtil spicy muito interessante. Com tempo no copo vai ganhando complexidade, surgindo uma camada mineral e ligeiramente oxidativa, que lhe acrescenta profundidade sem lhe retirar frescura. Na boca é onde mais surpreende e saltamos um degrau na prova. Revela volume e uma textura quase cremosa, num conjunto leve e equilibrado, com a acidez bem presente, dando-lhe tensão e mantendo-o sempre vivo, enquanto uma componente salina percorre a prova e prolonga o final. Não é um branco construído sobre potência, mas sobre equilíbrio, textura e complexidade. O tempo de garrafa trouxe-lhe uma bonita evolução, sem lhe retirar energia.