sábado, 19 de setembro de 2026

Dona Berta Vinha do Avô Reserva 2023 Branco

DONA BERTA VINHA DO AVÔ RESERVA 2023 BRANCO | DOURO | 13,5% | PVP  30€
CÓDEGA, CÓDEGA DO LARINHO, VIOSINHO, GOUVEIO, MALVASIVA FINA, RABIGATO
HERNÂNI A. M. VERDELHO
17,5

Um vinho Especial - informa-se desde logo no contra-rótulo -, resultado de um ano difícil, mas cuja resiliência das vinhas, localizadas no coração da Quinta do Carrenho a cerca de 500 metros de altitude, centenárias e habituadas aos desafios do Douro Superior, souberam dar base para um vinho de memória.
Apesar de aberto ainda jovem, mostra-se um branco com estrutura, profundidade e capacidade de evolução, apostando nele para anos vindouros, onde o tempo fará a sua magia.
É um vinho que pede mesa. Peixe grelhado, robalo ou dourada no forno, bacalhau, arroz de peixe ou marisco são escolhas naturais. Devido à proximidade, não deixo de pensar nele para o casar com o peixe do rio, seja frito ou assado no forno.
Cor amarela citrina definida, intenso e brilhante, aspecto límpido e jovem. No plano aromático começa por mostrar-se bastante expressivo, mas sem excessos, mantendo uma linha de elegância e frescura onde surgem aromas de fruta branca e de caroço, como maçã, pera e uma sugestão de pêssego, acompanhados por notas cítricas que lhe dão frescura. Aos poucos aparecem também apontamentos florais e um lado mais mineral, quase pedregoso, que contribui para a sensação de profundidade. A passagem parcial por madeira está bem integrada, acrescentando volume e alguma complexidade aromática sem se sobrepor ao carácter da fruta. Na boca ganha outra dimensão. A acidez dá-lhe frescura e tensão, mas existe também uma textura envolvente e cremosa, com um volume que impede que o vinho se torne apenas mais um branco fresco do Douro. A fruta reaparece com boa definição, acompanhada por uma ligeira sensação mineral e por uma estrutura que sustenta bem o conjunto. O final é persistente, seco e equilibrado, deixando uma agradável combinação entre frescura, textura e complexidade.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Luis Pato Vinha Pan Bruto 2021 Branco

LUIS PATO VINHA PAN BRUTO 2021 BRANCO | BAIRRADA | 12% | PVP  26 €
BAGA
LUÍS PATO UNIPESSOAL, LDA
17,5

O nome Luís Pato está há muito ligado à Bairrada e, sobretudo, à capacidade de mostrar a Baga em diferentes registos. Este vinho segue precisamente essa ideia, levando a casta para o universo dos espumantes e fazendo dela a protagonista de um vinho de carácter bem definido. Proveniente da Vinha Pan, com uma abordagem de pouca intervenção, 100% Baga e cerca de 30 meses de estágio em garrafa. Perfil bem seco e tenso, faceta gastronómica fugindo da ideia de espumante de entrada.
Esta acidez e a secura fazem-no particularmente adequado para mariscos, ostras, percebes e peixe grelhado, mas também para pratos de maior intensidade, como bacalhau à Brás, arroz de peixe ou frituras de peixe. A Baga deu-lhe estrutura suficiente para acompanhar uma tábua de enchidos, presunto e queijos de forma irrepreensível.
Cor amarela com tonalidade alperce, acobreado muito luminoso e aberto, bolha fina e cordão persistente. No nariz lugar aos citrinos, sobretudo casca de limão, alguma fruta de caroço de perfil mais contido e notas que lembram ervas aromáticas, com uma componente mineral e ligeiramente salgada a dar-lhe dimensão. Na boca confirma a frescura que a Baga consegue transmitir neste contexto, com acidez firme, secura bem marcada, espuma leve e fina, estrutura que lhe dá presença sem o tornar pesado, com um final de boca ligeiramente austero, persistente e fresco. 

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Monte Cascas Vinha da Carpanha 2014 Tinto

MONTE CASCAS VINHA DA CARPANHA 2014 TINTO | DÃO | 14% | PVP  53€
JAEN, TOURIGA NACIONAL
CASCA WINES - PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE VINHOS, SA
17,5

O tempo tem uma forma muito própria de revelar aquilo que um vinho guarda dentro de si e, neste caso, são já doze anos desde a vindima da vinha velha de Penalva do Castelo, no Dão - Vinha da Carpanha -, plantada entre 1920 e 1930 e situada a mais de 500 metros de altitude. Um vinho de parcela, feito a partir de jaen e touriga nacional, num terroir marcado pelo granito, pela presença de um filão de xisto e pela altitude. 
Mostra-se com elegância. A fruta já não está sozinha, foi ganhando companhia nas notas balsâmicas, minerais, terrosas e especiadas, mas a frescura continua bem presente e dá equilíbrio ao conjunto. Bebeu-se com enorme prazer e que deixou claro que o tempo, quando bem aproveitado, pode ser um excelente aliado.
No prato pede-se complexidade, profundidade e tempo. Borrego assado, estufados de caça, carnes vermelhas ou pratos de forno. E, estando já nesta fase de evolução, também o colocaria à mesa com queijos de pasta dura, particularmente um Serra da Estrela de meia cura.
Cor vermelha ainda com reflexos rubi, aparecendo nuances tijoladas, mantendo a tez mais jovem do que o esperado,  aspecto límpido e brilhante. Aroma exuberante e complexo, com a fruta vermelha e preta num bom casamento com as notas da passagem por barrica e do tempo, bergamota, violetas secas, mirtilo e outras bagas escuras, lado mais quente e doce, subtil bolo de chocolate, especiaria, balsâmico, nota de bosque, discreto terroso, atrai pela harmonia e gulodice. Boca de médio volume, estrutura ainda firme, num registo mais leve e elegante do que o vendido no plano aromático, fruta fresca mais integrada no conjunto com terciários mais presentes, algum couro, acidez bem pontuada, vivaz no conjunto, macio textura, tanino polido e redondo, a convencer em plena na prova de boca, terminando longo, equilibrado e sedutor.



sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Quinta da Moscadinha | Novos Caminhos para a Sidra Madeirense

Na Quinta da Moscadinha, na Camacha, a maçã não é apenas matéria-prima. É o ponto de partida para um projecto com o qual tive o primeiro contacto há cerca de pouco mais que um ano e que tem vindo a recuperar pomares antigos, alguns deles esquecidos durante décadas, e a procurar novas formas de trabalhar uma fruta que faz parte da história da Madeira. Pela mão de Márcio Nóbrega, produtor e proprietário da quinta, a tradição da Sidra na Ilha tem ganho novas interpretações, sem perder a ligação ao território e às variedades que lhe dão identidade.
O regresso à Quinta da Moscadinha acontece, recentemente, por ocasião da apresentação de três novidades que mostraram precisamente essa vontade de experimentar e de ir mais longe, nunca perdendo a linha condutora à tradição e à história.  É neste contexto que nasce a Ancestrale, uma sidra criada a partir de 98 variedades de maçã; a Altitude, uma rara sidra de pera produzida pelo método clássico; e a primeira Aguardente de Maçã da Quinta da Moscadinha.

A história começa, naturalmente, pela maçã. A Madeira conta com cerca de 135 variedades, embora apenas 42 estejam catalogadas, e foi precisamente essa diversidade que esteve na origem da Ancestrale. Durante a apanha de 2023, a equipa da Quinta da Moscadinha foi separando maçãs que não reconhecia entre as variedades normalmente utilizadas nos seus lotes. No final, todas acabaram reunidas numa mesma produção, dando origem a apenas 400 garrafas.
O resultado é uma sidra que pretende ser mais do que uma bebida, mas também uma espécie de retrato da diversidade dos antigos pomares madeirenses. Na segunda fermentação em garrafa foi utilizado o próprio mosto de maçã para o licor de tiragem, uma opção que procura manter a fruta e a sua origem no centro da expressão da sidra. 

QUINTA DA MOSCADINHA ANCESTRALE 2025 | NATURALLY SPARKLING - TRADITIONAL | 8,5 % | PVP 22€
PLURIVARIETAL DE MAÇÃS REGIONAIS (98)
SIDRARIA QUINTA DA MOSCADINHA UNIPESSOAL, LDA
17,5
Cor amarela em tonalidade dourada, brilhante e atractiva, revelando uma expressão muito própria, oferencendo no aroma, a maçã em diferentes registos, entre fruta fresca e alguma componente mais madura, com notas que lembram pomar e casca de maçã, não fugindo do registo de frescura, mas adicionando riqueza ao bouquet. A boca é seca, tensa e refrescante, com uma acidez bem marcada e bolha, mais uma vez, muito delicada e envolvente, que se mostra sem se sobrepor à fruta. Final longo e prazeroso, mais gastronómica do que simplesmente refrescante, e que beneficia claramente de ser bebida com atenção. 

A segunda novidade levou-me para outro território. Uma sidra de pera, ou perry, produzida a partir de um antigo pomar situado a 1100 metros de altitude, considerado o mais alto da Ilha. Apesar de não ser uma fruta fácil para trabalhar em sidra pois apresenta baixa acidez, poucos nutrientes,  açúcares não fermentáveis e rendimento reduzido, a descoberta deste pomar e de uma variedade que se presume ser Conference, embora já revele sinais de hibridação, levou a Quinta da Moscadinha a experimentar. E em boa hora o fez.  Sem dúvida uma incursão pouco habitual no universo sidreiro madeirense, mas que resulta e, sobretudo, nos mostra uma forma diferente de olhar para outras frutas para além da maça. 

QUINTA DA MOSCADINHA ALTITUDE 2025 | NATURALLY SPARKLING - TRADITIONAL | 8,5 % | PVP 22€
PLURIVARIETAL DE MAÇÃS REGIONAIS
SIDRARIA QUINTA DA MOSCADINHA UNIPESSOAL, LDA
17
Cor amarelo citrino, bolha fina e persistente, revelando na componente aromática a fruta branca e de pomar, pitada floral e sempre com nota de frescura muito evidente. Na boca é delicada e elegante, secura média, com acidez firme e uma bolha fina, com subtil espuma, que ajuda a prolongar a prova. A pera deixa uma expressão diferente da maçã, menos directa e mais subtil, ligeira doçura, embora equilibrada e com boa persistência final. 

A terceira novidade muda completamente de registo e entra no território dos destilados. A Aguardente de Maçã resulta da destilação de 2500 litros de sidra, que deram origem a apenas 216 litros de aguardente. Depois, passou três anos em barricas usadas de carvalho francês, antes de chegar ao mercado em 504 garrafas numeradas de 500 ml. A Quinta da Moscadinha chama-lhe o primeiro “rum” de maçã da Ilha, embora a própria designação não possa ser utilizada comercialmente, uma vez que “rum agrícola” corresponde a uma denominação protegida. No entanto, mais importante do que o nome é, neste caso, o caminho feito até ao resultado: partir da maçã madeirense, transformá-la em sidra, destilá-la e deixá-la evoluir durante três anos em madeira. O resultado está incrível.

QUINTA DA MOSCADINHA AAGUARDENTE DE MAÇA SC 2023 | DISTILADA | 45,8 % | PVP 120€
PLURIVARIETAL DE MAÇÃS REGIONAIS
SIDRARIA QUINTA DA MOSCADINHA UNIPESSOAL, LDA
18
Cor âmbar jovem, reflexos dourados, luminosa e atrativa. Plano aromático completamente diferente revelando uma expressão mais quente e profunda, com a fruta madura a surgir acompanhada por notas de madeira, especiarias e uma componente ligeiramente tostada, com o fruto seco torrado em fina aparição, mais complexidade e desafio. Na boca é envolvente, mas mantém uma boa definição, com a maçã a continuar presente por baixo da madeira e do álcool, textura macia e aveludada e com término de boca longo e ligeiramente especiado. Para beber com tempo e apreciar.

Oportunidade ainda para voltar a provar as Quinta da Moscadinha Sparkling e a TN do mesmo lote (2024) já provadas anteriormente e a Quinta da Moscadinha Madeira Royal Cider Meia Doce já de lote mais recente, mas que mantém o mesmo perfil da anterior.

QUINTA DA MOSCADINHA MADEIRA ROYAL CIDER MEIO DOCE 2024 | FORTIFIED | 14 % | PVP 60€
PLURIVARIETAL DE MAÇÃS REGIONAIS
JOSÉ MÁRCIO RODRIGUES DE NÓBREGA UNIPESSOAL, LDA
18
Cor âmbar, ligeiramente mais escura que a anterior, aspecto límpido e atraente.  Revela perfil aromático intenso e envolvente, no qual surgem frutos secos, casca de laranja e compota, acompanhados por notas de madeira e uma discreta componente evolutiva que lhe acrescenta complexidade. Muito similar à anterior. Na boca é doce, mas equilibrada pela acidez, evitando a sensação pesada que poderia resultar do teor de açúcar. A textura é cheia e envolvente, com a madeira a marcar presença sem apagar a expressão da fruta. O final é persistente, quente e novamente marcado pelos frutos secos e pela casca de laranja.

No final percebemos que as três novidades têm em comum a dimensão limitada, mas sobretudo uma mesma filosofia. A de olhar para os pomares antigos não como património estático, mas como matéria viva, capaz de continuar a dar origem a novos produtos. 
É uma abordagem que Márcio Nóbrega tem desenvolvido através da recuperação de pomares antigos e abandonados na Camacha e noutras zonas da ilha, muitas vezes em colaboração com agricultores locais e proprietários de terrenos que estavam sem utilização e, talvez seja essa uma das particularidade mais interessantes pela qual nos apaixonamos por este projecto.
A sidra aqui não aparece isolada da paisagem ou da história. Cruza-se com a recuperação agrícola, com o turismo e com a gastronomia, numa quinta que mantém também uma unidade de sidroturismo com 11 quartos e a Adega do Pomar, restaurante de cozinha tradicional madeirense e portuguesa, liderado pelo chef Fábio Vieira que nos preparou uma ementa de ligação à prova cheia de sentido.

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QUINTA DA MOSCADINHA

Caminho Municipal dos Caboucos, N° 19
9135-378 CAMACHA
Contactos: +351 291 648 170 / 965 734 265

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Monte da Peceguina 2025 Rosé

MONTE DE PECEGUINA 2025 ROSÉ | ALENTEJO | 12,5% | PVP  14,50€
ARAGONEZ, TRINCADEIRA
HERDADE DA MALHADINHA NOVA, SA 
16,5

Os dias continuam longos, quentes e a aceitar que um vinho rosé a privilegiar a expressão da fruta, numa abordagem limpa, directa e fresca, seja companhia bem escolhida tanto para a mesa como para momentos em que apenas apetece beber um bom rosé. Aqui encontro um belo exemplar deste conceito,  particularmente versátil à mesa, mas também, justamente, para qualquer momento. Gosto de o imaginar com peixe grelhado, marisco, ceviches, saladas com alguma complexidade, massas de inspiração mediterrânica ou pratos onde ervas aromáticas e legumes tenham presença. Se a ideia for petiscos e entradas também temos conversa e, sobretudo quando servido fresco, funcionará com naturalidade como vinho de início de refeição.
Cor rosa-claro com tonalidade salmão luminosa e subtil, aspecto límpido, jovem e atractivo. Componente aromática com boa intensidade, marcado pela fruta vermelha fresca, com uma expressão limpa e convidativa, onde a componente frutada surge acompanhada por notas florais e uma sensação de frescura que o torna muito apelativo. Na boca confirma essa leitura, mostrando equilíbrio entre fruta e acidez, com uma textura elegante e uma passagem de boca fresca e envolvente, afastando-se de um registo mais pesado e de exuberância desnecessária, seguindo antes uma combinação de leveza, frescura e precisão que o faz terminar seco, persistente e com vontade de voltar ao copo.