segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Intus 2023 Branco

INTUS 2023 BRANCO | ALENTEJO | 12,5% | PVP  14,90€
VINHAS VELHAS
HAMILTON REIS, UNIPESSOAL, LDA
17

O Alentejo também se faz de vinhos que procuram menos volume, menos complicações e mais frescura. Sem dúvida, uma das primeiras conclusões que retiro ao provar este branco saído do projecto pessoal de Hamilton Reis na Vidigueira. Um branco de face elegante e fresca, no qual a fruta não aparece logo escarrapachada, mas que vai aparecendo e mostrado a sua graça e bom entendimento com os restantes componentes, não sobressaindo, mas fazendo parte. 
Esta elegância e frescura faz o caminho completo da prova e acaba por chamar a comida para perto. Um bom parceiro para ter no copo quando no prato houver peixe grelhado, um robalo ao sal, amêijoas à Bulhão Pato ou saladas frias com carnes brancas. 
Cor amarelo citrino intenso, tonalidade palha, aspecto límpido e jovem. Plano aromático elegante e delicado, revelando a fruta de caroço e citrina maduras e frescas num belo casamento com notas de flor branca, camomila, e discreto toque vegetal e ligeiramente terroso. Abre aos poucos, não nos quer dar tudo de uma só vez. Na boca destaque para um primeiro ataque macio, cremoso e sedutor, seguido de acidez vibrante, com tensão e prolongamento, mostrando um lado regulador, equilibrando o conjunto, dando profundidade à prova, num registo descomplicado, sem ir à procura de exuberância ou concentração excessiva, bem afinado, com final de boca longo e gastronómico.

sábado, 10 de outubro de 2026

Hugo Mendes 2023 Rosé

HUGO MENDES 2023 ROSÉ | TEJO | 12,5% | PVP  19,90€
TOURIGA NACIONAL
VOLÁTIL & EXÓTICO UNIPESSOAL, LDA 
17,5

Sabemos bem que nem todos os rosés nascem para acompanhar tardes de calor ou para serem bebidos sem pensar muito no que está no copo. E sabemos bem que nem todos são feitos com potencial de guarda como objectivo. O rosé que aqui encontrei é daqueles que merecem lugar à mesa e daqueles cujo tempo de garrafa trouxe camadas inesperadas. A Touriga Nacional aparece numa interpretação fresca e delicada, com estrutura suficiente para não ficar pela fruta, mas um pouco contrária ao que habitualmente encontramos. Dono de acidez vibrante e textura quase mordiscável, acaba por nos garantir uma entrada nos dias mais frescos sem sentir uma saudade imediata dos mais quentes.
À mesa, este registo mais vibrante, seco e fresco abre caminho a várias combinações como o peixe grelhado, o polvo, sushi, ceviches e marisco.  As refeições e petiscos à base de conservas de peixe também serão motivos de alegria.
Cor rosa salmão aberto e luminoso, reflexos acobreados, límpido e aspecto jovem. Elegante e fino no plano aromático, com a fruta vermelha fresca, romã, framboesa e melancia, com toque de fruta citrina evidente, bem aninhadas em notas florais subtis e leve componente mineral e terrosa. Boca vivaz, médio volume, textura firme, crocante, com acidez vibrante, perfil seco, tenso, novamente com a fruta fresca e bom plano, sem excessos, preciso e equilibrado, com longo e prazeroso final de boca.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Guru 2024 Branco

GURU 2024 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  36€
VIOSINHO, RABIGATO, CÓDEGA DO LARINHO, GOUVEIO
WINE & SOUL, LDA
18

Este é um dos brancos que, desde a primeira colheita, me fez olhar para o Douro para lá dos tintos. Já existiam outros bons exemplos, mas o Guru veio reforçar essa ideia. Este é a mais recente colheita no mercado e revela, sem grande surpresa, todo o ímpeto que a boa juventude traz consigo, mas ao mesmo tempo oferece um equilíbrio e uma elegância notáveis, confirmando que desde o primeiro momento está pronto a dar prazer a beber, sem esconder o potencial de guarda enorme que insiste em conformar de cada vez que levamos o copo à boca.
Dono de comportamento gigante quando à mesa e a acompanhar, entre outras opções, um bom peixe assado, o pregado grelhado ou pratos de marisco com complexidade e sabores mais intensos. Um arroz cremoso de lavagante, uma massada de peixe ou um risoto de cogumelos são opções ideais para dias mais outonais.
Cor amarelo citrino intenso, com esverdeados leves, luminoso, límpido e jovem. Plano aromático elegante, onde as notas de flores brancas se entrelaçam com as de fruta,  lima, toranja e pêssego branco, acompanhados por fina componente mineral, sílex, e traço vegetal subtil que se vai mostrando à medida que o vinho vai abrindo no copo. Na boca revela, desde o primeiro momento,  o papel central que a acidez assume no conjunto, conferindo tensão e vivacidade ao registo de textura macia, algum volume e boa estrutura. A fruta citrina mostra-se fresca e sumarenta, contribuindo para o lado mais seco e fresco do vinho, sem afectar o jogo de equilíbrio que vamos assistindo desde o início da prova.  A incrível subtileza e integração da passagem por madeira quase nos leva a esquecer dela, mas está lá no garante de lagura e profundidade, assim com uma natural complexidade. Termina longo e trazendo a fruta citrina novamente ao palco. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Adega Regional de Colares: Seis Vinhos, Uma Identidade Que Resiste


Colares continua a provar que a tradição também pode ganhar novas formas. Fui conhecer as mais recentes propostas da Adega Regional de Colares e encontrei seis vinhos que percorrem diferentes caminhos, mas que têm em comum uma coisa difícil de replicar: a identidade de um território moldado pela areia, pelo Atlântico e pela história.

Entre o Atlântico e a Serra de Sintra, num terroir onde a influência marítima se sente na vinha e se prolonga no copo, sobrevivem algumas das vinhas mais singulares do País, plantadas em solos de areia onde as raízes das videiras conseguem descer em profundidade à procura de humidade e de solo para além da areia. Poucas regiões vitivinícolas portuguesas têm uma identidade tão marcada pelo lugar onde nascem como Colares e, é neste cenário muito particular que se construiu a história dos Vinhos de Colares e, sobretudo, a resistência de castas como o Ramisco e a Malvasia de Colares.
Fundada em 1931, a Adega Regional de Colares nasceu precisamente com a missão de juntar produtores e preservar este património vitivinícola. Ao longo de décadas, tornou-se uma das principais guardiãs da denominação e de uma forma de fazer vinho que, apesar das dificuldades e da redução da área de vinha a que foi sujeita, continua a distinguir Colares de qualquer outra região portuguesa.
Hoje, entrar na Adega Regional de Colares é também encontrar diferentes maneiras de interpretar este território. De um lado, vinhos mais acessíveis e de perfil conscensual; do outro, os Arenae, onde as vinhas de areia, o pé-franco e as castas tradicionais ganham outra dimensão. É precisamente essa diversidade que estas novas colheitas ajudam a mostrar, com seis vinhos que vão do Chão Rijo aos Arenae, passando por brancos, rosés, tintos e um clarete que recupera uma expressão muito própria da região.
 
CHÃO RIJO 2019 TINTO | LISBOA | 12% | PVP  6,50€
CASTELÃO, TINTA RORIZ
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
16.5
Cor vermelho rubi de média concentração, luminoso, aspecto límpido e jovem. No nariz mostra fruta vermelha madura, ameixa e cereja, acompanhadas por notas subtis de ervas secas, ligeiro tostado e uma discreta componente balsâmica. Na boca revela uma estrutura de corpo médio, com a fruta a regressar logo de início acompanhada por uma sensação mineral, registo leve,  com uma acidez muito bem colocada que mantém o conjunto vivo, tanino já polido num conjunto que privilegia equilíbrio e frescura em vez de concentração, beneficiando claramente do tempo que passou até chegar ao copo e com um final seco e persistente. 
Brilha quando chega à mesa carnes vermelhas como porco preto, secretos grelhados, entrecosto, pratos de caça de menor intensidade ou um belo arroz de pato. 
 
CHÃO RIJO 2025 BRANCO | LISBOA | 11,5% | PVP  6,50€
MALVASIA, GALEGO DOURADO, JAMPAL, FERNÃO PIRES
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
16,5
Cor amarelo limão brilhante, aberto e luminoso, aspecto límpido, jovem e atrativo. Revela um perfil aromático fresco e expressivo, com incidência na fruta, com lima, limão, maçã verde e fruta de polpa branca, acompanhadas por discretas notas florais e uma sugestão mineral, aqui mais presente que no tinto. Na boca não engana e apresenta boa frescura, acidez firme, acutilante e uma sensação ligeiramente salina que lhe dá personalidade e vínculo ao terroir, num conjunto leve, directo e equilibrado, terminando fresco e com uma agradável persistência citrina.
Muito fácil de levar para companhia com comida com ligações vencedoras quando com peixe grelhado, marisco, saladas, ceviches, sushi e pratos de cozinha asiática.

CHÃO RIJO 2025 ROSÉ
| LISBOA | 12% | PVP  6,80€
CASTELÃO
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
17
Cor rosa salmão com reflexos acobreados, brilhante e atrativo, aspecto límpido e jovem. Aromaticamente fresco e delicado, dominado por morango, framboesa e outras pequenas bagas vermelhas, acompanhadas por discretas notas florais e a subtil nuance salina que lhe confere uma dimensão extra. Na boca confirma a leveza aromática, com acidez bem pontuada e vibrante, perfil fresco, mais seco e de textura macia. A componente mineral e a ligeira salinidade adicionam comprimento e um carácter atlântico evidente num final de boca longo e seco.
À mesa pensei logo nele para sardinhas assadas, peixe grelhado, marisco de concha, sushi e cozinha oriental. Um piscar de olho também às conservas de peixe de sardinha e cavala.
A novidade que acrescenta uma terceira leitura à gama e leva para um registo mais descontraído a influência atlântica de Colares. É um rosé de Castelão cheio de frescura e sem complicações, mas sem abdicar daquele toque salino, acidez vibrante e com grande presença à mesa. Espero que se continue com ele nas próximas colheitas.

ARENAE MALVASIA 2023 BRANCO | COLARES | 12% | PVP  22,60€
MALVASIA DE COLARES
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
18
Cor amarela citrina, aberta e com pouca densidade, luminoso, brilhante, límpido e jovem.  No plano aromático revela a complexidade e riqueza esperada, agarrando-nos num registo e muita frescura e elegância onde a fruta citrina se cruza com notas de maçã cozida, ervas aromáticas, subtil anisado, mel e cera de abelha, surgindo, depois a acompanhar, nuances mais salinas e minerais. Na boca revela-se seco e fresco em volume médio, com uma acidez muito presente e uma interessante sensação agridoce que lhe dá profundidade, juntando-se à componente atlântica, bem marcada, prolongando-se num final de boca onde a mineralidade, a salinidade e uma ligeira sensação iodada ganham protagonismo. 
À mesa pedimos MAR, percebes, cracas, lapas, marisco de concha, peixe grelhado, arroz de marisco e ostras só com a sua água.
 
ARENAE RAMISCO 2017 TINTO | COLARES | 12% | PVP  25,50€
RAMISCO
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
18,5
Cor vermelho rubi com subtil nota evolução, média concentração, ainda com boa densidade e luminosidade, límpido e ainda assim jovem. Plano aromático profundo e que nos leva de imediato para Colares, com as notas de ginja, fruta vermelha madura, alguma erva seca, cedro e discretas e bem integradas notas balsâmicas, a que se junta a assinatura atlântica tão característica. Na boca revela estar num grande momento, mostrando-se seco, austero e elegante, com taninos firmes, mas muito mais polidos do que seriam num Ramisco jovem, onde a acidez é uma das suas grandes virtudes, trazendo tensão e frescura a um conjunto de grande identidade, onde a marca salina e mineral se mostra persistente num final é longo, seco e prazeroso.
O cabrito saloio assado no forno, o borrego, a caça de pele, cogumelos e pratos de forno. Está a entrar o outono na Serra, na cozinha e na mesa. 

 
ARENAE CLARETE 2025 TINTO
| LISBOA | 11% | PVP  16,90€
RAMISCO, MOLAR
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
18
Cor vermelho rubi intenso, pouco concentrado, luminoso e brilhante, aspecto límpido e jovem. Plano aromático fresco e expressivo, com fruta vermelha de perfil delicado, cereja, romã e ginja, apontamentos florais bem medidos, subtil componente salina, com presença de pinhal, pinhão e leve componente vegetal que lhe acrescentam identidade, sem nunca perder elegância. Na boca é onde mais surpreende com um primeiro ataque de vivacidade, frescura e leveza,  para depois nos abraçar com uma acidez deliciosa que lhe dá tensão e energia, oferecendo a fruta bem definida e taninos finos, discretos e perfeitamente integrados, textura sedosa, embora trincável, sem o peso ou a concentração que normalmente associamos a um tinto, enquanto o final, fresco e persistente, confirma um vinho pensado mais para a elegância e para a mesa do que para a força. Longe de ser simples, um encontro feliz onde a austeridade potencial do Ramisco encontra na Molar a suavidade e a fruta necessárias para construir um conjunto muito equilibrado e surpreendentemente gastronómico. (Clica no link para publicação dedicada)
 
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ADEGA REGIONAL DE COLARES 

Morada: Alameda Coronel Linhares de Lima, 32, 
               2705-351 COLARES

Horário: Segunda-feira a sábado, 09h00–13h00 e 14h00–18h00. Encerra aos domingos e feriados nacionais e municipais.
 
Telefone: +351 219 291 210
Estacionamento: Gratuito

Visitas e provas: É possível fazer uma visita sem guia ao edifício principal do século XIX, acompanhada de uma prova informal na loja. A reserva é recomendada e o mínimo é de duas pessoas. Seguir este link para mais informações, preços sempre actualizados e reservas.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Armán Finca Os Loureiros Edición Limitada 2021 Branco

ARMÁN FINCA OS LOUREIROS EDICIÓN LIMITADA 2021 BRANCO | DO RIBEIRO (ESP) | 13% | PVP  29€
TREIXADURA
BODEGAS CASAL DE ARMA'N, SL
17,5

Daqueles brancos que me despertou a atenção logo pelo primeiro contacto, mostrando a Treixadura com uma dimensão que vai muito além da fruta e da frescura, revelando volume, textura e uma interessante complexidade trazida pelo estágio em madeira e sobre as borras. 
Gostei particularmente da forma como tudo se conjuga sem que a madeira tome conta do vinho, havendo profundidade e uma dimensão mais gorda, mas também equilíbrio e frescura, num branco que pede tempo no copo e, sobretudo, pede mesa.
Fez com que pensasse em pratos com algum peso e onde existisse matéria suficiente para acompanhar o seu volume e textura. Um bom peixe assado, um bacalhau no forno ou um arroz de marisco bem feito, mas também com polvo assado ou uma ave assada com algum molho. Vai correr bem de certeza.  
Cor amarela intensa e definida, tonalidade palha, brilhante, aspecto límpido e ainda jovem. No plano aromático mostra boa intensidade e definição, rico, mas elegante e fino ,começando por fruta de polpa madura, como pera, maçã e sugestões de pêssego, a que se juntam notas cítricas maduras, um pouco evoluídas e recorte mineral evidente. A madeira surge bem integrada, aportando apontamentos subtis de baunilha e especiaria, acompanhados por uma pitada de pastelaria, revelando ainda uma componente floral discreta. Com o tempo no copo parece ganhar dimensão e profundidade. Boca num plano de prova superior ao nariz, com um primeiro ataque vivaço e a mostrar acidez com tensão e prolongamento, mas cremoso e estruturado, textura macia - um dos seus pontos fortes-, com a componente de fruta a surgir novamente bem definida, acompanhada por notas de especiaria e uma madeira que se mantém integrada. Há volume e alguma untuosidade, mas sem perder a frescura necessária para que o conjunto não se torne pesado. Termina longo e com boa persistência.