segunda-feira, 29 de junho de 2026

Marias da Malhadinha Vinhas Velhas 2022 Branco

MARIAS DA MALHADINHA VINHAS VELHAS 2022 BRANCO | ALENTEJO | 13,5% | PVP  65€
MANTEÚDO, ALICANTE BRANCO, ROUPEIRO, DIAGALVES
HERDADE DA MALHADINHA NOVA, SA 
18

Apenas vê a luz do dia em anos de colheita de excepcional qualidade e são sempre produzidas muito poucas garrafas deste que é o topo de gama da Herdade da Malhadinha Nova. Nasce no cenário único do Vale Travessos, onde as vinhas velhas centenárias guardam um património genético raro de castas autóctones misturadas, como a Manteúdo, a Alicante Branco, a Roupeiro, a Diagalves e a Olho de Lebre que vão desafiando o clima quente da planície alentejana, aliando a idade destas videiras e o estágio de dez meses em barricas de carvalho francês com bâtonnage à produção de um vinho com identidade singular.
O contra-rótulo deste vinho ajuda-nos a compreender o curioso nome do vinho. Uma homenagem. Não só aos Marias da Malhadinha, aos seus Marias mais novos, como aos seus antecessores, mas também a todos os outros Marias que contribuíram para que este nome se tornasse um símbolo em Portugal.
No copo, revela um comportamento notável, agarrando-nos numa viagem sensorial que se inicia com marcada austeridade mineral, rapidamente dando lugar às notas de fruta madura, evoluindo para uma boca untuosa, com uma acidez vibrante e fresca que lhe assegura um final longo e persistente. À mesa é parceiro ideal para pratos ricos de peixe no forno, mariscos expressivos, arroz de marisco ou carnes brancas delicadamente condimentadas. No nosso prato esteve um arroz de tamboril com camarão, rico, caldoso, criando um casamento feliz e memorável.
Cor amarelo citrino, com leve tonalidade palha, ainda com reflexos esverdeados, límpido e surpreendentemente jovem. No nariz mostra-se delicado e um pouco tímido a início de conversa, mostrando um lado mais austero, com subtis notas de pólvora, giz e uma forte assinatura mineral, dando lugar, à medida que o vinho respira e ganha temperatura, ao despertar aromático mais exuberante, onde aparecem as notas de fruta de caroço bem limpa, ligeiros apontamentos vegetais que lembram espargos frescos e uma delicada envolvência das notas derivadas da sua passagem por barrica. Na boca continuamos em crescendo, com uma entrada que impressiona pelo contraste entre a textura rica, untuosa e cremosa e uma acidez cortante e elétrica que enchem de vida todo o conjunto, revelando um registo de grande precisão, focado e onde a fruta e a mineralidade se estendem num final de boca tenso, salivante e de grande persistência.

domingo, 28 de junho de 2026

Viña Tondonia Gran Reserva 2011 Rosé

VIÑA TONDONIA GRAN RESERVA 2011 ROSÉ | RIOJA (ESP) | 12,5% | PVP  255€
GARNACHA, TEMPRANILLO, VIURA
R LOPEZ HEREDIA VINA TONDONIA, SA
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O desafio lançado por um Amigo para tema de mais um jantar e partilha de algumas garrafas foi que se escolhesse um vinho especial, daqueles que só se abrem em momento de vénia e que tivesse uma história para contar. A melhor história levaria como "prémio" uma garrafa oferecida por si. Esta foi a minha escolha para este momento, mas não ganhei a melhor história. 
Autêntico ícone vínico que desafia todas as convenções do que um vinho rosé pode e deve ser, sendo submetido a um processo de repouso extremo e meticuloso de mais de quatro anos em barricas muito antigas de carvalho americano, seguido por um longo repouso em garrafa até ser finalmente colocado à venda. Produzido pela emblemática e secular casa Bodegas R. López de Heredia, nasce no coração de Rioja Alta, em Espanha, a partir de uvas selecionadas da histórica vinha de Tondonia, plantada nas margens do Rio Ebro, cujo lote de castas une as tintas Garnacha e Tempranillo à branca Viura e onde o solo argilo-calcário confere uma mineralidade única. 
Um verdadeiro gigante na prova, surpreendendo os sentidos com uma complexidade oxidativa refinada, notas de frutos secos, especiarias e uma acidez vibrante que contrasta com a sua estrutura imponente.  Muito longe de ser um rosé casual de verão e de piscina, exige uma harmonização gastronómica à altura, tendo brilhado intensamente ao lado de uma travessa monumental onde o bacalhau e o polvo à lagareiro se juntaram para o receber. Magnifico vinho e momento à mesa.
Cor vermelha tonalidade casca de cebola profunda, com reflexos acobreados e alaranjados, aspecto límpido, brilhante e hipnotizante. No nariz revela uma complexidade extraordinária e magnética, afastando-se de imediato das notas puramente frutadas dos rosés mais convencionais com o primeiro impacto a ser marcado por um perfil evolutivo, onde sobressaem subtis notas oxidativas de frutos secos, como amêndoa torrada e avelã, combinadas com nuances de especiarias doces como a canela e a noz-moscada, libertando, à medida que ganha tempo, aromas delicados de pétalas de rosa murchas, casca de laranja cristalizada e marmelo, envolvidos por um fundo complexo de cogumelos frescos, folha de tabaco seco e notas de madeira antiga e leve baunilhado. 
Na boca surge com uma imponência surpreendente, revelando a sua secura de perfil apoiada em boa estrutura, dotado de uma textura sedosa e envolvente, lado a lado com acidez vibrante e incisiva, atravessando a prova com uma frescura citrina quase cortante que equilibra na perfeição o registo mais maduro, com frutos vermelhos desidratados, notas salinas e um toque mineral, quase a giz, que combina na perfeição com as nuances balsâmicas e de frutos secos já anunciadas no nariz. Final de boca incrivelmente longo e persistente, deixando uma ligeira adstringência finíssima que convida a continuar quer no copo, quer no prato.

sábado, 27 de junho de 2026

Casa de Santar Vinha dos Amores Alfrocheiro 2023 Tinto

CASA DE SANTAR VINHA DOS AMORES ALFROCHEIRO 2023 TINTO | DÃO | 13,5% | PVP  30€
ALFROCHEIRO
GLOBAL WINES, SA
17,5

Nasce no Alto dos Amores, uma das zonas mais emblemáticas da Vinha dos Amores, e onde se verificam características geológicas e microclimáticas muito particulares que potenciam a máxima expressão da casta Alfrocheiro. Destaco-lhe o grande equilíbrio entre a elegância natural da casta e a complexidade conferida pelo seu estágio em barricas de carvalho francês, resultando num perfil fresco, com taninos finos e marcantes notas de frutos silvestres e pinhal, revelando aptidão gastronómica notável e parceiro ideal para pratos ricos e cheios, como o polvo à lagareiro, risoto de cogumelos ou receituário com carne de caça de peço.
Cor vermelho rubi de média concentração, menos denso, mais luminoso, aspecto límpido, jovem e cativante. No plano aromático somos remetidos para um perfil rico e intenso de aromas, com a fruta silvestre em destaque, madura e fresca, pitada vegetal e bem medida componente especiada, subtil nota de bosque, envolvente, mostrando elegância e delicadeza à medida que o tempo no copo se espaça. Boca de médio volume, registo elegante e fresco, textura macia, acidez fina e prolongada, leve secura, tanino polido e sedutor, fruta bonita, conjunto harmonioso, com longo final de boca.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Kopke Porto Colheita 2005

KOPKE PORTO COLHEITA 2005 | PORTO | 20% | PVP  42€
BLEND CASTAS DOURO
SOGEVINUS FINE WINES, SA
ENGARRAFADO EM 2025  
18,5

Ano de colheita terminado em 5 é sempre motivo de alguma excitação extra anterior à abertura e prova de um Vinho do Porto. É um número mágico que carrega consigo uma mística muito especial, frequentemente associada à produção de colheitas lendárias e que assenta em dois motivos principais: a coincidência climática e histórica e a reconhecida Regra dos 5 Anos que dita o ritmo dos Tawnies de Idade.
Em termos vitivinícolas, 2005 no Douro é recordado como um dos anos mais extremos, desafiantes e, em última análise, gratificantes da história moderna da região. Ficou marcado na memória dos viticultores por uma seca extrema e prolongada, que testou a resiliência das videiras a limites quase nunca vistos. Deste modo, o Vinho do Porto viveu um cenário curioso pois 2000 e 2003 tinham sido declarações Vintage massivas e clássicas no mercado, fazendo com que poucas casas avançassem com uma declaração geral de Vintage Clássico em 2005. Assim, o brilho deste ano encontra-se precisamente nos Porto Colheita como é este da Kopke.
Exuberante e de extrema riqueza para os sentidos, beneficia ainda do engarrafamento recente que lhe conferiu uma frescura surpreendente, uma vivacidade cítrica e uma energia vibrante que contrastam magnificamente com as suas notas maduras de frutos secos e especiarias exóticas. A ligação à mesa será certeira escolhendo sobremesas à base de caramelo, frutos secos e especiarias ou, numa aproximação por contraste, com queijos de média intensidade. 
Cor âmbar definido, nuances acobreadas com pitada avermelhada, subtis reflexos alaranjados nas bordas do copo, luminoso, profundo e brilhante. Plano aromático complexo e sofisticado, sobressaindo a envolvência dos frutos secos, onde as passas de uva e os figos secos se entrelaçam com nuances de noz e avelã torrada, tudo isto acompanhado por notas elegantes de especiarias doces, como a canela e a baunilha. Na boca, revela toda a sua magia, com textura sedosa, aveludada e cheia, preenchendo o palato com uma doçura rica e equilibrada de fruta cristalizada e caramelo, sem sucumbir à densidade exagerada, mas com uma frescura e finesse notáveis, muito por meio da vertente cítrica arrebatadora, acidez vibrante que corta a doçura e estende o final de boca de forma quase infinita.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Informal Bruto NV Rosé

INFORMAL BRUTO NV ROSÉ | BAIRRADA | 12,5% | PVP  15,90 €
BAGA
LUÍS PATO UNIPESSOAL, LDA
16,5

Nasce na região da Bairrada, pelas mãos do Senhor Baga, elaborado a partir do mosto de lágrima da casta Baga proveniente da icónica Vinha Pan, uma das parcelas mais nobres e celebradas do produtor. É um exemplo perfeito de como a irreverência e a qualidade podem coexistir na mesma garrafa, ao mesmo tempo desafiando o classicismo dos espumantes tradicionais com uma desconcertante aura de descontração. 
A irreverência de Luís Pato é desde logo reconhecida pela escolha da cápsula metálica (vulgo carica) como vedante em vez da tradicional rolha de cortiça e muselet que, para além de ajudar no reforço da ideia de informalidade garante uma evolução controlada e preserva a pureza absoluta da fruta durante o estágio em cave. Quando cai no copo surpreende logo pela sua cor viva e pela complexidade aromática que nos remetem para morango, framboesa, hibisco, fumados e notas de pastelaria, registo seco, gastronómico e com um final de boca com travo a casca de  laranja ralada e uma acidez vibrante.
Cor rosa salmão aberta, nuances acobreadas, intenso, vivo, atraente, com bolha fina, muito persistente. No nariz, o primeiro impacto revela uma frescura desconcertante e limpa, onde sobressaem os aromas primários e vibrantes da casta Baga, com destaque para os frutos vermelhos silvestres, como a framboesa e o morango maduro, envolvidos por discretas notas florais de hibisco e, à medida que o vai abrindo, a complexidade do estágio em cave começa a desenhar-se, libertando subtis apontamentos de panificação, brioche e uma levíssima nota de pastelaria envolvida num toque fumado que se estranha e depois entranha. Na boca encontramos uma estrutura séria, firme e de enorme carácter gastronómico, com acidez, cortante, mas que surge perfeitamente integrada numa textura cremosa e envolvente, com a fruta a manter o seu lugar, com o final de boca mais tenso, longo e incrivelmente refrescante.