quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Buçaco Rosado Reservado 2020 Rosé

BUÇACO ROSADO RESERVADO 2020 ROSÉ | IVV | 13% | PVP  69€
BAGA
ALEXANDRE DE ALMEIDA PROD E COM DE VINHOS, SOC UNIP, LDA
18

Quando se fala dos vinhos Buçaco, temos de ter em conta que estamos perante um território diferente, onde a tradição e a capacidade de envelhecimento contam tanto como a própria colheita. E a história ou será mais Estória também conta. Criado para a adega do Palace Hotel-Bussaco, este rosé segue a tradição dos vinhos Buçaco, pensados desde a origem para acompanhar a gastronomia do hotel e envelhecer com dignidade em garrafa. O Reservado Rosé mantém esse propósito, apresentando-se como um vinho de mesa sério e gastronómico, longe do perfil imediato e descontraído que normalmente associamos à categoria dos rosés. É um rosé que apetece agora que as temperaturas baixam, diria um rosé de inverno com grande presença no verão, se for para o levar à mesa. Estejam preparados para um rosé com estrutura, acidez, secura e, repito, uma dimensão gastronómica que o coloca de forma certeira na companhia de comida.  A idade? Apenas um número.
Cor salmão intenso, com tonalidade acobreada, sinal de alguma evolução, aspecto límpido e atrativo. No nariz começa por se mostrar um pouco contido, quase como uma face séria e fria,  onde a fruta vermelha surge subtilmente acompanhada por notas florais, vinco mineral e um discreto, mas presente, lado terroso. Com o tempo no copo fica mais evidente uma componente de ervas secas e especiaria, acrescentando-lhe complexidade e profundidade. A boca confirma essa percepção aromática. Seguimos num registo seco, tenso e com uma acidez muito viva, mostrando uma estrutura pouco habitual num rosé português, mas perfeitamente integrada, com textura, profundidade e uma frescura que lhe dá enorme equilíbrio, deixando a fruta marcar presença, embora mais contida, sempre enquadrada pela acidez e por uma componente mineral que prolonga a prova. Há aqui uma nota de evolução em garrafa que, sem dúvida, lhe trouxe maior integração e alguma suavidade ao conjunto, mas sem retirar o nervo e a identidade do vinho. Termina longo, fresco e muito gastronómico, deixando uma excelente impressão.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Quinta da Extrema Edição III 2017 Tinto

QUINTA DA EXTREMA EDIÇÃO III 2017 TINTO | DOURO | 14,5% | PVP  46,90€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA
COLINAS DO DOURO SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
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Na mesma noite em que provámos o Quinta da Extrema Edição II 2017 Branco, seguimos na mesma linha para o tinto, a Edição III 2017. Uma oportunidade muito interessante para provar os dois em sequência e fazer as naturais comparações – onde possível -, com registos distintos dentro do mesmo projecto: de um lado, a frescura e a elegância do branco; do outro, um tinto mais estruturado, profundo e marcado pela fruta e pela componente especiada; ambos ainda com caminho pela frente e com os passos evolutivos a fazerem de forma lenta. 
Duas leituras distintas do Douro Superior, mas com uma identidade comum, que neste tinto se revela através da Touriga Nacional e da Touriga Franca, com evolução em garrafa que lhe garante maior complexidade, menos arestas e maior harmonia ao conjunto, sem lhe retirar energia e vivacidade. 
Encaixa no perfil de vinhos que por aqui gostamos de levar para a mesa quando se anunciam prato de carne com estrutrura, assados no forno ou cozinha de tempo, como são o cabrito assado, o borrego, as bochechas de porco, as carnes vermelhas grelhadas ou os pratos de caça. 
Cor vermelho intenso de média concentração, mantendo boa profundidade, reflexos violeta, aspecto límpido, escondendo alguma da sua idade. No nariz a fruta continua bem presente, sobretudo num registo de fruta vermelha e preta madura, acompanhada por notas florais, componente especiada e ligeira, mas fresca presença de balsâmicos. Há sinais de evolução, mas surgem ainda de forma subtil, sem que as notas terciárias assumam o protagonismo. Na boca está mais polido, com a passagem do tempo limar algumas arestas e trazendo maior harmonia ao conjunto. Mantém estrutura e volume, mas a fruta, a acidez e os taninos encontram-se agora melhor integrados, proporcionando uma prova mais equilibrada e envolvente, captando maior atenção, e, apesar dos anos, conservando energia e frescura. Algo que lhe dá particular interesse nesta fase. Termina longo, com boa persistência e um equilíbrio muito conseguido entre fruta, especiaria, estrutura e frescura. Um vinho que evoluiu, é verdade, mas que ainda está longe de ter perdido a sua identidade e a sua capacidade de surpreender. .

sábado, 26 de setembro de 2026

Chateau Musar 2017 Branco

CHATEAU MUSAR 2017 BRANCO | BEKAA VALLEY (LIBANO) | 11,5% | PVP  49€
OBAIDEH, MERWAH
GASTON HOCHAR
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O Château Musar é um daqueles vinhos que não precisam de grandes apresentações, sobretudo para um apaixonado por vinho e que gosta de descobrir brancos que fogem ao perfil mais previsível. Produzido a partir das castas Obaideh e Merwah, as duas principais uvas brancas autóctones do Líbano, é um vinho que ganha muito com o tempo e que encontra na evolução em garrafa uma das suas principais virtudes. Este 2017 mostra precisamente essa capacidade, revelando já alguma evolução, mas mantendo uma energia e uma frescura que tornam a prova particularmente interessante e a sua ligação à mesa.
A acidez e a componente salina que lhe  encontrei fazem com que, de imediato, pense nele para peixe assado ou grelhado, marisco, pratos de bacalhau ou a lula grelhada com camarão bem regada de azeite que lhe fez companhia. 
Cor amarelo intenso, já com reflexos aloirados, aspecto límpido, mas denunciando algum caminho percorrido em garrafa. O plano aromático faz com que se esqueça a nota visual,  mostrando que estamos perante um vinho muito vivo. Começa por revelar fruta de polpa amarela e citrinos maduros, a que se juntam frutos secos, mel, ervas secas e algumas notas especiadas, com subtil spicy muito interessante. Com tempo no copo vai ganhando complexidade, surgindo uma camada mineral e ligeiramente oxidativa, que lhe acrescenta profundidade sem lhe retirar frescura. Na boca é onde mais surpreende e saltamos um degrau na prova. Revela volume e uma textura quase cremosa, num conjunto leve e equilibrado, com a acidez bem presente, dando-lhe tensão e mantendo-o sempre vivo, enquanto uma componente salina percorre a prova e prolonga o final. Não é um branco construído sobre potência, mas sobre equilíbrio, textura e complexidade. O tempo de garrafa trouxe-lhe uma bonita evolução, sem lhe retirar energia. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Reflexos D’Alma: Quando o Melhor Plano é Não Ter Planos


Às vezes, tudo o que precisamos é de um lugar onde o mundo fique lá fora. Silêncio, campo, animais, piscina, um quarto confortável e tempo para não fazer absolutamente nada. No Reflexos D’Alma encontrámos isso e mais qualquer coisa: uma daquelas escapadinhas que acabam por superar aquilo que levávamos na expectativa.

O projecto Reflexos D’Alma nasceu de um sonho pessoal e familiar de Valter Águas, com quem tivemos oportunidade de conversar durante a nossa estadia e que nos contou um pouco da história por detrás do projecto. Depois de 17 anos em Angola, regressou a Portugal com a vontade de começar uma nova vida, mais ligada ao campo, à natureza e à hospitalidade. Um projecto pensado também como uma forma de encontrar a paz e a tranquilidade que procurava para si e para a família. 

Construído praticamente de raiz, o Reflexos D’Alma abriu portas em outubro de 2023, assumindo desde o início uma filosofia centrada num turismo rural de pequena escala, no contacto com a natureza, no sossego e numa relação próxima com quem por ali passa.

A propriedade dispõe apenas de seis suites, cada uma com a sua identidade, podendo também ser ocupada na totalidade, uma possibilidade que faz sentido para uma família ou para um grupo de amigos que queira ter o espaço por sua conta. No nosso caso, ficamos na unidade com jacuzzi, um quarto de boas dimensões e suficientemente espaçoso para que a estadia seja vivida sem aquela sensação, tão comum em alguns alojamentos, de que tudo foi pensado apenas para passar a noite.

Um quarto que merece uma referência à parte. É o único da propriedade com jacuzzi e, além das boas dimensões, tem uma decoração que foge ao convencional e que começa logo pela cama, de aspecto realmente impressionante. Depois surgem os pormenores, aqueles que ajudam a dar personalidade ao espaço: os cadeirões, a escolha dos elementos decorativos e, sobretudo, a bicicleta transformada em apoio ao lavatório, uma solução original que dá ao quarto um carácter muito próprio. Não é apenas uma questão de conforto; é um espaço onde se percebe que houve vontade de criar uma identidade e não simplesmente de mobilar um quarto.

Mas é quando saímos do quarto que começamos verdadeiramente a perceber a relação do conceito Reflexos D’Alma com o campo. A propriedade tem piscina, espaços exteriores para descansar, zonas destinadas a piqueniques e barbecue e, nos espaços preparados, encontramos os animais que fazem parte desta componente mais rural: galinhas, cabras, uma vaca, cavalos e patos. Não estão ali apenas como elemento decorativo de uma fotografia bonita. Fazem parte da própria identidade do lugar e ajudam a criar um ambiente diferente daquele que encontramos num alojamento convencional.
 
A piscina acaba naturalmente por ser um dos pontos de mais utilização durante os dias mais quentes como forma os que lá passamos. E foi também ali que surgiu um daqueles pequenos momentos que, apesar de aparentemente insignificantes, acabam por ficar na memória. A determinada altura, levaram-me um chá frio de frutos vermelhos para junto da piscina, sem que o tivesse pedido e sem qualquer custo adicional. É um pormenor, claro, mas é precisamente nestes pormenores que muitas vezes percebemos a diferença entre simplesmente disponibilizar um espaço e estar verdadeiramente atento a quem o está a utilizar.

Percebe-se que o Reflexos D’Alma não é apenas um negócio de alojamento, mas também o resultado de um projecto de vida, e isso acaba por se sentir na forma como somos recebidos e tratado. Mais do que juntar alojamento e natureza, procura criar um lugar onde o conforto e a privacidade convivem com uma forma mais simples e tranquila de estar no campo.
E existe ainda um detalhe que faz diferença: o Valter está muito presente no dia a dia do projecto. É uma presença natural, próxima, que ajuda a transmitir ao espaço um ambiente mais familiar e menos impessoal. 

A sua localizaçãoa também beneficia da proximidade de Estremoz. A cerca de dez minutos de carro, a cidade permite complementar facilmente uma estadia mais tranquila no campo com um passeio pela zona histórica, uma refeição num dos restaurantes locais ou uma visita ao mercado de sábado. Foi precisamente por Estremoz que passei durante esta experiência, aproveitando para andar pela cidade e descobrir um pouco melhor aquilo que existe para lá da propriedade.

No final, aquilo que fica do Reflexos D’Alma não é apenas o quarto, a piscina ou a possibilidade de passar uns dias no campo. É a combinação de tudo isso com uma forma de receber que se sente próxima e pouco artificial. A presença do Valter, os animais, os espaços exteriores e até aquele simples chá levado até à piscina acabam por construir uma experiência que não precisa de grandes artifícios para funcionar.

Talvez seja essa a melhor forma de resumir o Reflexos D’Alma: um projecto que nasceu de uma vontade pessoal, cresceu em torno do campo e encontrou na hospitalidade uma forma muito própria de receber quem por ali passa. Um lugar para abrandar o ritmo durante uns dias, conhecer Estremoz com outra calma e, sobretudo, sentir que do outro lado existe alguém verdadeiramente presente no projecto que criou.

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REFLEXOS D'ALMA 
Rural, Familiar, Férias, Luxo, Escapadinha
 
6 Suites (2 pessoas)
1 Villa Deluxe (6 pessoas)

Estacionamento: Gratuito
Restaurante: Não (apenas pequeno-almoço)

Morada: Estrada Nacional 372
               7100–712 ESTREMOZ

         
Telefone:  +351 268 011 718

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Júlio B. Bastos Grande Reserva Alicante Bouschet 2015 Tinto

JÚLIO B. BASTOS GRANDE RESERVA ALICANTE BOUSCHET 2015 TINTO | ALENTEJO | 13,5% | PVP  94€
ALICANTE BOUSCHET
JULIO BASTOS
18,5

A casta Alicante Bouschet encontrou no Alentejo um dos territórios onde melhor consegue mostrar a sua força, mas também a capacidade de fazer nascer vinhos com grande potencial de envelhecimento e complexidade. Estamos aqui perante uma expressão particularmente séria dessa relação, com berço em Estremoz, pensado para sair no momento julgado como certo e que apela à guarda. A pisa em lagares de mármore e estágio em barricas novas de carvalho francês ajudam a construir um tinto de grande estrutura, mas é sobretudo o tempo em garrafa que permite perceber a dimensão deste vinho. Neste caso, a prova trouxe uma semi-surpresa, pois embora já estivesse à espera e apesar dos anos passados, encontrei um vinho de enorme juventude, cheio de raça e com argumentos mais do que suficientes para continuar a envelhecer na garrafeira se resistirmos à tentação de o beber… não foi o caso.
A sua estrutura impressionante pede pratos à altura. A companhia foi um chuleton temperado apenas com umas pedras de sal, mas um bom bife grelhado, carnes de caça, borrego assado ou pratos de carne cozinhados lentamente serão também motivos de felicidade gastronómica. A minha escolha vai sobretudo para uma carne de sabor intenso, cozinhada sem demasiados artifícios, deixando que a fruta, a acidez e a estrutura da Alicante Bouschet façam o resto.
Cor ainda muito carregada, vermelho concentrado, com luminosa auréola mais aberta, aspecto límpido e jovem. No plano aromático, começa por mostrar um nariz profundo e concentrado, dominado pela fruta preta madura, ameixa e amora, a que se juntam notas balsâmicas, especiadas, cacau subtil e um discreto lado vegetal que lhe dá frescura. A madeira está presente, mas bem integrada na estrutura geral, contribuindo mais para a complexidade do que para se sobrepor à fruta. Na boca é onde mais impressiona a sua juventude, revelando-se cheio, musculado e com muita raça, dono de uma estrutura tânica firme, acidez suficiente para lhe dar equilíbrio e uma concentração de fruta que permanece muito viva, contribuindo para um conjunto denso, mas não pesado. Já não se apresenta austero, bruto e quase silencioso, como terá sido noutra fase da sua vida, mas está mais elegante, mais arrumado e com as diferentes componentes perfeitamente encaixadas, continuando cheio de vigor e vida. Termina com um final longo e persistente, deixando a sensação muito clara de que ainda não chegou ao seu ponto máximo de evolução.