quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Smith Woodhouse Madalena Vintage Port 1995

SMITH WOODHOUSE MADALENA VINTAGE PORT 1995 | PORTO | 20% | PVP  60€
VINHAS VELHAS, TOURIGA FRANCA
SMITH WOODHOUSE & CA, LDA
18

Teve o condão de despertar a minha curiosidade pela forma como fui surpreendido pela sua imensa juventude, elegância e frescura. Num belo momento de forma e não esquecendo o facto de ser de um ano terminado em 5, fui à procura de mais informação acerca do que acabara de beber.
Porto Vintage de quinta única (Single Quinta Vintage), proveniente da Quinta da Madalena, situada no vale do Rio Torto, no Douro. A casa Smith Woodhouse, fundada em 1784 e adquirida pela família Symington em 1970, tem uma ligação histórica a esta zona e é conhecida pela produção de uvas para vinhos do Porto de grande concentração e qualidade.
A combinação clássica com queijo azul, como o Stilton, continua a ser uma excelente opção e uma das que lhe serviu de companhia. Delicioso. O sal e a intensidade do queijo contrastam com a doçura e a concentração do vinho. A sobremesa de chocolate negro de elevada percentagem de cacau também será uma opção, mas com o queijo é do outro mundo.
Cor vermelho rubi intenso, com subtis reflexos alaranjados, ainda com concentração evidente, límpido e cativante. No nariz continua a oferecer a fruta vermelha e preta em bom plano, fresca, com especiaria exótica bem ligada, casada com notas de cacau, fruta passa em fundo, ainda que discreta, leve mentolado, perfil elegante. Registo delicado e de grande finesse na prova de boca, textura macia, sedutora, mostrando grande equilíbrio na sensação de doçura, bela acidez, oferecendo a fruta bonita, límpida e jovem, tanino polido, conjunto prazeroso e ligado, sem se mostrar denso em excesso e com final de boca longo.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Murganheira Vintage Bruto 2016 Branco

MURGANHEIRA VINTAGE BRUTO 2016 BRANCO | TÁVORA-VAROSA | 13,5% | PVP  34,90€
PINOT NOIR
SOCIEDADE AGRÍCOLA E COMERCIAL DO VAROSA, SA
18,5
 
Um dos espumantes portugueses que me deixam sempre com vontade de voltar a abrir uma garrafa. Impressiona pela elegância, pela finesse e pela forma como consegue ser complexo sem perder a delicadeza, mantendo uma frescura que lhe dá vida e prolonga o prazer de cada gole. 
O Vintage 2016 voltou a confirmar e a reforçar essa impressão, mostrando um equilíbrio que aprecio particularmente entre a fruta, as notas de panificação e uma bolha finíssima, quase sedosa. Mas o que mais valorizo neste espumante é não ficar limitado ao momento do brinde. Gosto de o levar para a mesa, de o ver acompanhar a refeição e de descobrir como a sua estrutura e vivacidade podem dar outra dimensão a diferentes pratos. 
É um daqueles vinhos a que recorro com confiança, não por hábito ou comodidade, mas porque, colheita após colheita, continua a dar-me razões para o admirar. E isso, para mim, diz muito sobre um grande espumante.
Cor amarelo citrino, com um subtil reflexo rosado, praticamente impercetível e menos evidente do que no Vintage 2013, bastante luminoso e dono de bolha finíssima e um cordão persistente. No plano aromático, revela um ponto de equilíbrio notável entre as notas de fruta e de panificação, oferecendo com grande finesse notas de maçã, pera e marmelo, em destaque, acompanhados por citrino fresco, um apontamento contido de fruto vermelho, notas de panificação e brioche, fruto seco levemente tostado e uma componente amanteigada ligada à pastelaria. Um conjunto complexo e elegante, onde tudo parece estar no seu devido lugar. Na boca, marca presença com uma mousse leve e uma bolha finíssima, envolvente, sustentada por uma acidez vibrante e vivaz, que nos vai secando a boca de forma gradual e sem pressas, revelando um conjunto harmonioso, com uma textura delicada e uma frescura que prolonga a experiência até ao final de boca longo e muito prazeroso.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Quinta do Gradil Chardonnay 2016 Branco

QUINTA DO GRADIL CHARDONNAY 2016 BRANCO | LISBOA | 13,5% | PVP  8,99€
CHARDONNAY
QUINTA DO GRADIL SOC VITIVÍNICOLA, SA
16,5

Existem vinhos brancos que, com o passar dos anos, nos mostram que a idade pode ser muito mais do que uma simples mudança de cor ou o aparecimento de notas terciárias. Estamos perante um desses casos. À vista, não esconde o tempo que leva em garrafa, mas basta aproximar o copo para perceber que ainda tem muito para dar. A fruta citrina e de polpa amarela, as notas de fruto seco, o mel e a cera de abelha convivem com uma frescura surpreendente, sustentada por uma acidez que o mantém cheio de vida e apetecível. É também essa combinação entre evolução, textura e vivacidade que abre boas possibilidades à mesa e me fez pensar num peixe assado no forno, num robalo com legumes ou até num queijo de pasta mole com ligeira cura como o nosso DOP Serra da Estrela. Afinal, um branco com esta idade não merece apenas ser aberto por curiosidade, mas merece sentar-se à mesa e fazer parte da refeição.
Cor amarelo intenso, com tonalidade alaranjada, brilhante, de aspecto límpido e sem esconder a sua idade. No nariz, porém, contraria a idade que aparenta visualmente, com a fruta citrina em destaque, notas de casca de laranja e toranja, e fruta de polpa amarela, algum fruto seco, amêndoa torrada, uma subtil nota de mel e cera de abelha, além de alguma especiaria exótica. Um traço mineral felizmente presente envolve o conjunto e suscita frescura. Na boca, surpreende pela frescura e vivacidade, mostrando desde logo uma acidez vibrante, duradoura e cheia de vida. Apresenta uma estrutura elegante e equilibrada, com boa integração do tempo e de cada componente, oferecendo uma textura macia e envolvente. A fruta revela uma evolução muito bem conseguida, mantendo firmeza e delicadeza, num conjunto que termina longo e prazeroso.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Aliança Garrafeira 1994 Tinto

ALIANÇA GARRAFEIRA 1994 TINTO | BAIRRADA | 12% | PVP  25€
BAGA, TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, CASTELÃO
CAVES ALIANÇA, SA
17

Abrir um vinho com mais de 30 anos é sempre um exercício de curiosidade e entusiasmo doentio no sentido de perceber o que o tempo fez, o que conseguiu preservar e se ainda há vida para além das marcas da idade. Neste clássico bairradino passaram mais de três décadas e, sem dúvida, a idade está lá, bem visível na tonalidade acastanhada e nos reflexos alaranjados, mas seria um erro ficar apenas com essa primeira impressão. A fruta continua a marcar presença e damos de cara com um registo terciário harmonioso e subtil, surpreendendo ainda com uma vitalidade que dificilmente se espera de uma garrafa desta idade. Impressionante.
Quando o retirei da garrafeira, votado ao esquecimento por muitos anos, foi com o objectivo de o casar com um ensopado de borrego de receita tradicional alentejana. Bairrada e Alentejo bem juntos. Um dos grandes encontros à minha mesa.
Cor vermelha com a marca dos anos já presente, tonalidade acastanhada e reflexos laranja, límpido, não escondendo a idade avançada. No nariz a fruta preta aparece ainda presente, macerada, mas com frescura surpreendente nesta fase da sua vida, muito bem ligada às notas de terciarias, sem mostra de iodados, destacando-se mais as notas de bosque, especiados, balsâmicos, tudo muito harmonioso e subtil. Na boca não desilude, cheio de vida -incrível-, percebe-se a sua estrutura, volume médio, acidez vibrante, prolongada, secando o palato, tanino polido, mas firme, belo conjunto e grande final de boca. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Adega de Favaios: Novos Brancos e Clarete, Novas Pistas Sobre o Douro de Altitude

Quando se fala de Favaios, é quase inevitável que se pense em Moscatel, mas a história desta zona do Douro não se fica por aí, e os vinhos brancos têm vindo a ganhar espaço, mostrando que o planalto tem argumentos próprios para dar cartas num território onde a frescura é cada vez mais importante.
Esse é o caminho que a Adega de Favaios decidiu continuar a explorar na marca Casa Velha, agora com novas referências que procuram mostrar o potencial de diferentes castas. Entre elas está a Viosinho, uma variedade que a adega quer afirmar pela vivacidade e elegância, mas também revelando espaço para recuperar castas antigas, como a Samarrinho, numa tentativa de encontrar respostas para os desafios que as alterações climáticas colocam à vinha.
A altitude ajuda a perceber bem esta aposta. Com vinhas acima dos 500 metros, temperaturas médias mais baixas e uma precipitação superior à de muitas outras zonas durienses, Favaios reúne condições particulares para preservar a acidez das uvas e dar origem a brancos frescos e equilibrados. Não é uma garantia automática de bons vinhos, claro, mas é um ponto de partida interessante quando se procuram outras leituras do Douro.
As quatro novidades que se seguem são, por isso, mais do que novos rótulos para acrescentar à lista. São quatro oportunidades para perceber o que a Adega de Favaios está a fazer com as castas e com as condições particulares do seu planalto e para descobrir até onde podem ir os brancos desta zona privilegiada em Altitude no Douro.
 
CASA VELHA SAMARRINHO 2025 BRANCO 
| DOURO | 11% | PVP  11€
SAMARRINHO
ADEGA COOPERATIVA DE FAVAIOS, CRL
16
Cor amarelo citrino aberto, pálido,  ligeiros reflexos esverdeados, aspecto límpido e jovem. No nariz as notas de futa tropical e de fruta de caroço entrelaçam-se, componente vegetal saliente, traço mineral que percorre o conjunto. Na boca, confirma-se a identidade revelada no nariz. A acidez é fina, vivaz e de recorte citrino, enquanto a veia vegetal mantém presença e dá personalidade ao conjunto. A textura macia, aliada ao sabor e à boa integração dos elementos, contribui para uma prova muito afinada e harmoniosa. O final é longo e persistente.
 
CASA VELHA VIOSINHO 2025 BRANCO 
| DOURO | 12% | PVP  7€
VIOSINHO
ADEGA COOPERATIVA DE FAVAIOS, CRL
17
Cor amarelo citrino, aberto e luminoso, com esverdeados leves, aspecto límpido e jovem. Nariz intenso e exuberante, notas de fruta citrina, lima, fruto de pomar e polpa amarela, toque floral, a acrescentar subtileza, enquanto as notas de pedra, sílex e pederneira dão ao conjunto um recorte mineral vincado e particularmente interessante. Na boca, mostra-se seco, acídulo e vivaz, com uma acidez vibrante que prolonga a frescura do perfil citrino, ganhando aqui o toque mineral outra dimensão, evocando pedra lascada, num conjunto bem desenhado, preciso e sem dispersões, traço firme terminando longo, persistente e fiel à identidade da casta e do terroir.
 
CASA VELHA GOUVEIO 2025 BRANCO 
| DOURO | 12% | PVP  7€
GOUVEIO
ADEGA COOPERATIVA DE FAVAIOS, CRL
16,5

Cor amarelo citrino luminoso, aberto e luminoso, subtil esverdeado, aspecto límpido e jovem. O nariz revela boa intensidade aromática, com a fruta tropical madura a encontrar um bom contraponto num registo floral perfumado, onde sobressaem as flores brancas e a camomila. Surgem ainda apontamentos de tisana, vegetal seco e um recorte mineral que acrescenta profundidade ao conjunto. Na boca, mostra leveza e textura macia, sem perder vivacidade, dono de acidez vibrante e persistente, mantendo a fruta em bom plano e contribuindo para uma prova equilibrada e cheia de frescura, com final de boca longa e persistente.
 
CASA VELHA CLARETE 2025 TINTO 
| DOURO | 13% | PVP  10€
TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, TINTA BARROCA
ADEGA COOPERATIVA DE FAVAIOS, CRL
17
Cor vermelho rubi de média concentração, luminioso e brilhante, aspecto límpido e atraente. Nariz de perfil elegante, revela notas de frutos vermelhos, acompanhadas por apontamentos de floresta e subtis notas especiadas, muito fresco limpo. Na boca, apresenta corpo leve e taninos muito suaves, num conjunto elegante e fresco, agora mais afinado do que na colheita anterior, destacando-se uma maior harmonia entre os elementos, fruta, volume, acidez e álcool, privilegia a frescura e o equilíbrio, sem perder personalidade. Longo final de boca e apetência natural para ir à mesa.