MANTEÚDO, ALICANTE BRANCO, ROUPEIRO, DIAGALVES
HERDADE DA MALHADINHA NOVA, SA
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Apenas vê a luz do dia em anos de colheita de excepcional qualidade e são sempre produzidas muito poucas garrafas deste que é o topo de gama da Herdade da Malhadinha Nova. Nasce no cenário único do Vale Travessos, onde as vinhas velhas centenárias guardam um património genético raro de castas autóctones misturadas, como a Manteúdo, a Alicante Branco, a Roupeiro, a Diagalves e a Olho de Lebre que vão desafiando o clima quente da planície alentejana, aliando a idade destas videiras e o estágio de dez meses em barricas de carvalho francês com bâtonnage à produção de um vinho com identidade singular.
O contra-rótulo deste vinho ajuda-nos a compreender o curioso nome do vinho. Uma homenagem. Não só aos Marias da Malhadinha, aos seus Marias mais novos, como aos seus antecessores, mas também a todos os outros Marias que contribuíram para que este nome se tornasse um símbolo em Portugal.
No copo, revela um comportamento notável, agarrando-nos numa viagem sensorial que se inicia com marcada austeridade mineral, rapidamente dando lugar às notas de fruta madura, evoluindo para uma boca untuosa, com uma acidez vibrante e fresca que lhe assegura um final longo e persistente. À mesa é parceiro ideal para pratos ricos de peixe no forno, mariscos expressivos, arroz de marisco ou carnes brancas delicadamente condimentadas. No nosso prato esteve um arroz de tamboril com camarão, rico, caldoso, criando um casamento feliz e memorável.
Cor amarelo citrino, com leve tonalidade palha, ainda com reflexos esverdeados, límpido e surpreendentemente jovem. No nariz mostra-se delicado e um pouco tímido a início de conversa, mostrando um lado mais austero, com subtis notas de pólvora, giz e uma forte assinatura mineral, dando lugar, à medida que o vinho respira e ganha temperatura, ao despertar aromático mais exuberante, onde aparecem as notas de fruta de caroço bem limpa, ligeiros apontamentos vegetais que lembram espargos frescos e uma delicada envolvência das notas derivadas da sua passagem por barrica. Na boca continuamos em crescendo, com uma entrada que impressiona pelo contraste entre a textura rica, untuosa e cremosa e uma acidez cortante e elétrica que enchem de vida todo o conjunto, revelando um registo de grande precisão, focado e onde a fruta e a mineralidade se estendem num final de boca tenso, salivante e de grande persistência.




