terça-feira, 14 de julho de 2026

Guru Vinha da Calçada 2021 Branco

GURU VINHA DA CALÇADA 2021 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  80€
FIELD BLEND CASTAS INDÍGENAS
WINE & SOUL, LDA
19

No coração do Douro Superior, a uns impressionantes 600 metros de altitude onde o vento fresco molda a paisagem, nasce, pelas mãos da prestigiada dupla de enólogos Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges, este branco, expressão líquida de uma autêntica relíquia histórica. As suas uvas provêm exclusivamente de uma única parcela centenária plantada em solos de transição granítica, uma assinatura geológica rara na região que confere ao vinho uma identidade única, sendo que, neste field blend se reúnem castas indígenas ancestrais como a Viosinho, a Rabigato, a Códega do Larinho e a Gouveio, que crescem em perfeita simbiose. Acabamos por estar na presença de uma das mais exclusivas joias do panorama vinícola português pois desta parcela,  após estágio paciente durante dois anos em foudres de madeira – que lhe preserva uma pureza etérea, acidez cortante e um perfil salino absolutamente inesquecível -, saem apenas 1.533 garrafas. 
À mesa somos obrigados a chamar por harmonizações perfeitas sugerindo peixes gordos assados no forno, mariscos nobres, como lavagante suado, ou pratos ricos de aves de caça e queijos curados de ovelha.Cor amarela citrina, tonalidade palha brilhante e límpida, subtis reflexos esverdeados, luminoso e jovem. No plano aromático, destaca-se pela contenção e elegância, menos óbvio e exuberante, revelando aromas a casca de limão, toranja e nectarina, pitada floral bem encostada, envolvidos por uma mineralidade profunda a pedra molhada e discretas notas de baunilha, fruto do estágio resguardado em madeira usada. Na boca, impressiona pelo equilíbrio entre cremosidade e tensão, com ataque primário sedoso e untuoso, mas logo balanceado por uma acidez vibrante e uma forte salinidade característica do solo granítico terminando longo e persistente, com tensão e muito preciso,  deixando uma sensação limpa e elegante. 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Domäne Serrig Vogelsang Kabinett 2021 Branco

DOMÄNE SERRIG VOGELSANG KABINETT 2021 BRANCO | MOSEL (GER) | 9,5% | PVP  105,90€
RIESLING
DOMANE SERRIG
18,5

Há vinhos que se compram pela história, sem os conhecermos e outros que só nos conquistam quando pela primeira vez nos cai no copo . Quando soube que o icónico produtor Markus Molitor tinha assumido as rédeas da histórica propriedade Domäne Serrig, uma jóia fundada pelo Kaiser Guilherme II em 1904 no vale do Saar, a minha curiosidade disparou e a oportunidade de o fazer chegar à mesa num jantar temático foi gatilho suficiente para que o momento tivesse lugar. Apesar de nascido num ano fresco e clássico, este não me pareceu um Kabinett comum. O que me fascinou nele foi um estado de equilíbrio quase impossível entre uma subtil doçura frutada deliciosa, mas que imediatamente é dominada por uma acidez elétrica e uma mineralidade salina tão profundas que o vinho parece levitar na boca de forma a nos prender a atenção do primeiro ao último segundo. 
À mesa esta salinidade crua leva-me de imediato para um casamento com o mar, umas vieiras salteadas na manteiga ou a acompanhar a frescura cítrica de um ceviche de robalo, mas também penso da cozinha asiática e num caril tailandês aromático, com leite de coco no qual a ligeira doçura do vinho acalma o picante, enquanto as notas cítricas dão vida aos sabores orientais.
Cor amarelo citrino muito aberto e luminoso, reflexos esverdeados brilhantes, aspecto límpido e jovem. No nariz, a primeira impressão é de uma pureza quase cirúrgica, muito contido, não mostrando fruta primária de forma exuberante e evidente, revelando antes uma mineralidade fumada avassaladora, que evoca pedra lascada, pólvora e a ardósia molhada. À medida que o vinho respira, começam a emergir notas cítricas vibrantes de lima e toranja, acompanhadas por nuances subtis de maçã verde, pêssego e um delicado toque de flor branca, mantendo um registo muito elegante e fino. Na boca, a experiência atinge outro patamar com um primeiro ataque incrivelmente leve, mas longe de mostrar qualquer tipo de fragilidade ou falta de tensão, oferecendo a doçura natural da uva, que não se sobrepõe em momento algum, surgindo perfeitamente integrada e quase camuflada por uma acidez elétrica e cortante, que nos faz salivar instantaneamente, acompanhando a pegada salina e mineral profunda do seu perfil, onde a fruta cítrica fresca serve de fio condutor e nos conduz  a um final de boca incrivelmente longo, limpo e focado.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Rosa Santos Família Serra de S. Mamede 2022 Branco

ROSA SANTOS FAMÍLIA SERRA DE S. MAMEDE 2022 BRANCO | ALENTEJO | 12,5% | PVP  44€
VINHAS VELHAS
SOCIEDADE AGRÍCOLA JORGE ROSA SANTOS E FILHOS
18

Uma verdadeira homenagem à viticultura de altitude do Alentejo com berço a cerca de 540 metros na Serra de S. Mamede, num ecossistema único moldado por solos graníticos e um microclima fresco. As vinhas velhas, com idades entre os 60 e os 80 anos, plantadas no tradicional sistema de field blend, assumem papel principal no resultado deste vinho, com diversas castas autóctones que convivem na mesma parcela e que são colhidas em simultâneo, resultando num branco incrivelmente complexo e texturado, dono de acidez vibrante e um final marcadamente salino. À mesa, sugiro como parceiro ideal harmonizá-lo com peixes gordos assados no forno, marisco rico ou pratos de aves com texturas cremosas.
Cor amarelo intenso, tonalidade palha brilhante e límpida, joviais reflexos esverdeados. No nariz oferece um bouquet aromático de enorme complexidade e elegância, onde sobressaem notas limpas de citrinos maduros e subtis toques de marmelo, aliadas a uma envolvente camada silvestre, de campo, que evoca erva seca e flores do campo, tudo isto assente num fundo mineral mais profundo e austero, com nuances de sílex e pedra molhada que espelham com pureza o solo granítico de onde provém. Na boca, este branco impressiona pela sua textura densa, sofisticada e pelo volume generoso, mas que se mantém sempre preciso e focado, elegante, com a acidez a operar como grande motor do conjunto, apresentando-se suculenta, vibrante e incrivelmente crocante, equilibrando na perfeição a estrutura do vinho, revelando uma belíssima tensão salina e conduzindo a um final de boca de longa duração e persistência.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Pêra-Manca 2023 Branco

PÊRA-MANCA 2023 BRANCO | ALENTEJO | 13% | PVP  60€
ARINTO, ANTÃO VAZ
FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ALMEIDA
18

No universo dos grandes vinhos portugueses, poucas marcas carregam o peso histórico, o prestígio e a mística da Adega Cartuxa, cujas referências no seu portefólio são reconhecidas mundialmente. O lançamento do Pêra-Manca Branco 2023 surge como a mais recente prova dessa excelência intemporal. 
Nascido no coração do Alentejo, em Évora, este bivarietal de Antão Vaz e Arinto surpreendeu as expectativas ao apresentar uma frescura invulgar, uma acidez tensa e vibrante e uma mineralidade puríssima, sem nunca perder a cremosidade e a estrutura aristocrática que definem o seu ADN. 
Longe de ser apenas um vinho de contemplação ou guarda para um dia especial, reconheço nesta colheita o prazer que garante desde já ao beber e revela-se como um verdadeiro camaleão gastronómico, exigindo pratos à sua altura para brilhar em pleno. 
Para harmonizar com a sua textura rica e o seu final longo e focado, a mesa ideal pede a untuosidade de peixes gordos no forno, como um lombo de bacalhau à lagareiro ou um robalo de mar assado com ervas aromáticas, funcionando também de forma soberba com a opulência de mariscos ricos, como lavagante suado ou carabineiros grelhados, e queijos de ovelha de cura média, onde o equilíbrio entre a sua gordura e a vivacidade do vinho criará um momento memorável.
Cor citrina brilhante, com reflexos palha luminosos, aspeto límpido e jovem. No nariz, a percepção inicial destaca-se pela contenção e elegância, afastando-se de exuberâncias exageradas e fáceis, revelando, à medida que lhe vamos dando tempo,  um bouquet complexo assente em notas de fruta de caroço e polpa branca, como a maçã verde e a pera rocha, envolvidas por subtis apontamentos de casca de tangerina, pólvora e um fundo fumado muito discreto e bem integrado, fruto da sua passagem por madeira. Na boca, a entrada é surpreendentemente tensa e focada, sobressaindo uma acidez cítrica muito viva e vibrante que corta a natural untuosidade do conjunto, conferindo-lhe uma frescura invulgar para o perfil clássico da região. Mostra-se pronto para o momento, revelando, pouco a pouco, a natureza de um corpo de médio-grande volume, sustentado por uma textura cremosa que preenche o palato com grande precisão e amplitude e com uma mineralidade salina quase mastigável que acompanha toda a prova, conferindo-lhe assim uma enorme verticalidade. O final de boca é seco, elegante e imensamente persistente.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Grande Druida Parcela Original 2022 Branco

GRANDE DRUIDA PARCELA ORIGINAL 2022 BRANCO | DÃO | 12% | PVP  44€
ENCRUZADO
C20, LDA
18,5

Esta é uma colheita especial. Marca a décima vindima que o produtor realiza com estas uvas excecionais, provenientes de uma vinha única situada a 500 metros de altitude, onde os solos de granito azul cobertos por uma camada de argila conferem às uvas uma mineralidade e uma tensão ímpares, consolidando uma filosofia de intervenção mínima através de uma fermentação lenta com leveduras indígenas e um estágio de 10 meses em barricas de carvalho francês. O resultado oferece um perfil estruturado, com notas complexas de sílex, tomilho e pólvora, exibindo uma acidez vibrante e uma textura sedutora que garantem um potencial de guarda fora de série. 
À mesa, a sua enorme frescura e complexidade exigem pratos à altura, sendo o par perfeito para peixes gordos assados no forno (como robalo ou corvina), um tradicional bacalhau à lagareiro, carnes brancas estruturadas ou um cremoso Queijo DOP Serra da Estrela.
Cor amarela citrina, muito brilhante e aberta, de reflexos esverdeados, aspecto límpido e jovem. No nariz, a abordagem é dominada por uma enorme sofisticação e contenção inicial, onde o perfil frutado não se sobrepõe à pureza e à forte identidade do lugar, deixando que sobressaiam os aromas limpos e profundos a pólvora e sílex, que nos remetem de imediato para a matriz da pedra granítica, muito bem ladeados por nuances herbáceas de tomilho e vegetal seco,  abrindo, mais tarde, as notas delicadas de casca de toranja, maçã verde e uma subtil sugestão de pastelaria fina e fumo, denunciando uma integração da barrica de carvalho francês absolutamente cirúrgica. Na boca, a entrada é ampla e revestida por uma cremosidade sedutora, mas que é imediatamente dominada e recortada por uma acidez vibrante, elétrica e profundamente salina, existindo um equilíbrio notável entre a textura gorda herdada do estágio e a tensão cortante do Dão, preenchendo o palato com imenso carácter e prolongamento de final de boca incrivelmente longo, muito focado e deixando uma persistência mineral e citrina que convida de pronto ao próximo gole.