sexta-feira, 12 de junho de 2026

Senses Viognier 2024 Branco

SENSES VIOGNIER 2024 BRANCO | ALENTEJO (ESP) | 12,5% | PVP 8,99€
VIOGNIER
ADEGA COOPERATIVA DE BORBA, CRL
16,5

Pensar em vinhos brancos do Alentejo é pensar que, habitualmente, as castas tradicionais irão roubar as atenções. Mas não é bem assim. Este viognier é mais uma prova de que as castas internacionais não só se adaptam ao terroir alentejano, como conseguem criar vinhos de grande qualidade.
Estamos perante (mais) uma aposta irreverente da Adega de Borba que entrega complexidade e volume de boca generosa, ao mesmo tempo que oferece elegância e frescura, juntando-lhe versatilidade no momento de o levar à mesa. Aqui prefiro os peixes mais gordos na grelha ou no forno. O bacalhau, a corvina e o salmão na brasa vêm mesmo a calhar.
Cor amarelo intenso, definido, tonalidade palha, aberto, luminoso, límpido e jovem. No nariz, o primeiro contacto é um pouco mais tímido e delicado, com a fruta de caroço madura a mostrar-se, após alguns segundos, bem casada com notas florais bem medidas e um perfil aromático fresco em fundo muito particular, ervas aromáticas frescas. Na prova de boca reconhecemos de imediato a fruta, alperce e o pêssego bem marcados e evidentes, textura macia, com acidez vibrante, bem saliente e com boa tensão, fazendo-nos salivar, pensar em comida, muito equilibrado e com final de boca longo e persistente. 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Antão Vaz da Malhadinha 2024 Branco

ANTÃO VAZ DA MALHADINHA  2024 BRANCO | ALENTEJO | 13,5% | PVP  17€
ANTÃO VAZ
HERDADE DA MALHADINHA NOVA, SA 
17,5

A casta Antão Vaz é a casta branca rainha da região do Alentejo, sendo a mais cultivada e valorizada em zonas de terroir mais quente como a Vidigueira, Reguengos e Évora, amplamente reconhecida pela sua extrema resiliência ao calor e pela consistência das suas produções. Embora brilhe frequentemente a solo como monocasta, como este caso do Antão Vaz da Malhadinha, é historicamente remetida para blends com outras castas tradicionais alentejanas.
A curiosidade surge quando a plantamos no terroir singular da Herdade da Malhadinha Nova, em Albernoa (Baixo Alentejo), e o resultado transcende o perfil tradicional e dá origem a um vinho de uma frescura e elegância surpreendentes. O Segredo está no Solo de Xisto e no Clima.
Na Malhadinha as videiras estão plantadas em suaves encostas de solo puramente xistoso e isto obriga as suas raízes a procurar água em profundidade, o que se traduz numa mineralidade limpa e numa tensão excecional na boca. Para além disso, estamos perante uma amplitude térmica diária significativa durante a maturação o que ajuda no desenvolvimento natural das notas da fruta e ajuda a evitar perca da acidez mais vibrante.
Na mesa é um regalo quando acompanhado por pratos de peixe grelhado, marisco, saladas ricas ou de pratos de cozinha asiática.
No rótulo, a planta ornamental vulgarmente chamada Canabrás ou Canabraz, que se destaca pelas suas impressionantes umbelas florais numa tonalidade rosa-escuro ou rosa-velho, assemelhando-se a uma "nuvem" arejada sobre o jardim e daí o seu nome em inglês de Pink Cloud.
Cor amarelo citrino, brilhante e com reflexos esverdeados, aspecto límpido e denunciador da sua juventude. No nariz encontramos um perfil aromático limpo, fresco e preciso, destacando, numa primeira camada, as notas evidentes de fruta de polpa branca e de caroço, como o pêssego maduro, casada com nuances cítricas de tangerina e subtis apontamentos vegetais e, mais tarde, também discretos laivos tropicais e toda a sua carga mineral, muito elegante e presente sem ofuscar nem componente. Boca firme e com equilíbrio perfeito entre um registo mais opulento e a sua frescura vibrante, revelando corpo médio, textura ligeiramente untuosa, mas que nunca se torna pesada, graças a uma acidez marcante que conduz toda prova, deixando brilhar a fruta, o vinco mineral fresco e a sensação salivante que leva até ao final de boca longo e persistente.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Xisto Ilimitado 2021 Tinto

XISTO ILIMITADO 2021 TINTO | DOURO | 12,5% | PVP  14 €
FIELD BLEND (TOURIGA FRANCA, MALVASIA PRETA, ALICANTE BOUSCHET, TINTA RORIZ, TINTA BARROCA, TINTA AMARELA, OUTRAS)
LUIS SEABRA VINHOS, LDA
17,5

A magia e tradição do Field Blend do Douro onde, ao contrário da maioria dos vinhos actuais, nos quais, cada casta é plantada, colhida e vinificada separadamente antes do lote final, a "mistura" nasce diretamente na terra, na vinha e continua junta até chegar ao nosso copo.
Solo argilo limoso, com xisto amarelo e xisto azul e vinhas a uma altitude de cerca de 600 metros. Explica muito do que nos oferece este vinho, que se destaca por romper com o perfil tradicional e mais pesado da região focando-se na frescura, pureza da fruta e mineralidade. Afasta-se do uso da madeira nova e extrações exageradas, mostra a identidade da terra e celebra um Douro com uma frescura imensa, baixo álcool e de enorme aptidão para a mesa.
Perfeito para receituário com carne vermelha grelhada e assada no forno, pratos do dia a dia como almôndegas, pizza e hamburgers, assim como uma tábua de enchidos e fumados bem diversificados.
Cor vermelho tonalidade granada de média concentração, aspecto límpido, brilhante e jovem. Aromaticamente uma verdadeira lufada de ar fresco, revelando notas de fruta vermelha madura fresca, amora, cereja e romã, envolvida por toques florais de violeta, seguido uma segunda camada de abraço mineral, pedra lascada e chão molhado pelas primeiras chuvas no verão. Na boca, surpreende pela leveza e energia, corpo de médio volume, muito equilibrado, com uma acidez viva e integrada, tanino fino, fruta sumarenta muito bonita e fresca, alguma especiaria em final de boca, terminando longo e persistente e prazeroso. 

terça-feira, 9 de junho de 2026

Catena Alta 2022 Branco

CATENA ALTA 2022 BRANCO | MENDOZA (ARG) | 13% | PVP  29€
CHARDONNAY
BODEGA Y VIÑEDOS CATENA
17,5

Voltamos a um dos brancos mais emblemáticos da Argentina, produzido pela histórica ⁠Bodega Catena Zapata na prestigiada região de Mendoza, no Vale de Uco. Curiosamente, também havia provado a colheita de 2019, aproximadamente com o mesmo tempo de garrafa após o lançamento que este 2022 e encontrei algumas nuances de prova que me fizeram pensar no impacto do terroir e do ano em cada colheita e expressão desse ano no vinho. Encontro neste 2022 um vinho mais elétrico, enérgico, tenso e profundamente mineral, que pisca o olho ao estilo austero dos grandes brancos da Borgonha, mais maça verde e lima no nariz, mais vertical e linear na prova de boca. Aproxima-se cada vez mais do objectivo assumido e também muito mais gastronómico e versátil à mesa do que o 2019. 
Cor amarelo citrino aberto, tonalidade esverdeada com reflexos palha, aspecto límpido e jovem. No nariz oferece um abraço à pureza e a precisão da altitude com notas de fruta fresca, dominando a maça verde, a lima, a raspa de limão, leve tropical, abacaxi, flor branca e vinco mineral bem evidente surgindo as notas da passagem por barrica muito bem integradas com subtis notas de avela e baunilha. Na boca temos o transporte de toda esta energia e vivacidade, marcando o início com uma acidez cítrica cortante e vibrante que nos faz salivar de imediato, equilibrada por uma textura mineral muito distinta que faz pensar em pó de giz ou de calcário lascado, conferindo uma sensação quase crocante e tátil na sua textura. Corpo médio a ligeiramente encorpado, aportando uma cremosidade bem medida e muito elegante que suporta o regresso da maçã verde, das raspas de limão e de discretas notas de frutos secos. O final de boca é incrivelmente persistente, limpo e salino.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

AdegaMãe - Novo patamar enológico marcado pela ambição e reforço da identidade Atlântica


A AdegaMãe celebrou recentemente 15 anos de dedicação à expressão atlântica do vinho com o lançamento daquele que é um dos projetos mais ambiciosos da sua história: o AdegaMãe Branco Especial, um vinho singular, sem ano de colheita, que resulta da combinação das barricas mais expcecionais das vindimas de 2017, 2019, 2020 e 2021. Uma criação que representa a maturidade técnica e a sensibilidade enológica acumuladas ao longo de década e meia.

O momento de celebração e o lançamento deste vinho verdadeiramente único e especial, que marca a história do produtor e representa um novo patamar enológico pleno de ambição e carácter, foram motivos suficientes para ir conhecer esta novidade directamente ao seu berço e guiados pela mão do enólogo que lhe deu vida: Diogo Lopes.
O tempo é o grande protagonista deste projecto - refere Diogo Lopes -, a pedra basilar na qual todos os restantes pontos assentam. A existência de colheitas únicas e de qualidade superior ao longo dos anos, e o conhecimento acumulado de castas, de terroir, do comportamento de cada peça, a paciência, no fundo, a consolidação de toda uma aprendizagem que só pode chegar a este resultado quando o respeito pelo Tempo é preocupação maior.

Sem data de colheita, resultado da combinação das barricas mais expcecionais das vindimas de 2017, 2019, 2020 e 202, que se destacaram pela sua profundidade e carácter, algumas com estágio prolongado de até cinco anos, chega até nós um branco de perfil evolutivo e complexo, ao mesmo tempo que oferece elegância e mar, marcado por notas de frutos secos, amêndoas e madeira muito subtil e integrada, cheio de camadas que se vão conhecendo à mesmo que o vamos bebendo, sem pressas, com Tempo, oferecendo também felicidade quando à mesa, com peixes gordos, assado no forno, bacalhau confitado ou bacalhau à bras deixando ainda que chegue à presença de quaijos de pasta mole, média intensidade como um DOP Serra da Estrela.

ADEGAMÃE BRANCO ESPECIAL | LISBOA | 12,5% | PVP 95€
BLEND CASTAS BRANCAS
ADEGAMÃE - SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
19
Cor amarelo de intensa tonalidade dourada, luminoso, brilhante e límpido, cativando desde o primeiro momento. Plano aromático rico e complexo, com evidente perfil evolutivo, mas surpreendendo pela forma elegante e com notável finesse com que o oferece, mostrando em destaque o fruto seco, notas de amêndoa, barrica muito subtil e completamente integrada, assomando, de forma muito envergonhada e tímida a nota de fruta passa, frisando a todo o comprimento, em fundo, o seu lado marítimo e salgado. Boca volumosa e aportando complexidade à prova, registo untuoso e texturado em harmonia com a  sua faceta atlântica, salina, dono de acidez bem colocada, dando-lhe vida e energia, muito preciso e com término de boca longevo, de grande comprimento e elegância. 
 
ADEGAMÃE TERROIR 2018 BRANCO | LISBOA | 12% | PVP 55€
VIOSINHO, ARINTO
ADEGAMÃE - SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
18,5
Um clássico de topo do produtor pelo qual confesso natural admiração desde a primeira colheita. Complexo, sofisticado e expressão fidedigna do Terroir Atlântico, oferece um vinho branco de inverno portentoso, com volume, com a barrica integrada, com a marca do tempo sabiamente colocada, com frescura, elegância e uma presença à mesa gigante. Brilhará com um generoso robalo ou pargo assados no forno ou com o bacalhau à lagareiro.
Cor amarelo citrino, tonalidade dourada, brilhante, aspecto límpido e atraente.  Revela enorme complexidade e elegância no plano aromático, oferecendo, numa fase inicial, notas de fruta branca madura, como pera e maçã reineta, seguida de fruto citrino maduro, casca de laranja, para logo depois, nos brindar com uma camada de forte identidade atlântica, com a  componente mineral, iodados, cabeça de fósforo e salinos, quase a lembrar a brisa do mar e com o estágio em madeira de carvalho francês perfeitamente integrado e discreto, manifestando-se em subtis toques de panificação, especiarias doces, leve fruto seco e uma nota fumada muito subtil e fina que se vai mostrando à medida que o vinho respira no copo.  Na boca surpreende pelo contraste entre a textura mais opulenta e untuosa, de grande volume e um perfil incrivelmente tenso, atravessado por uma acidez vibrante, firme e cortante, revelando estrutura, com belo casamento entre as notas minerais e salinas, com a cremosidade do estágio em barrica, fruta mais contida e complexo, culminando num longo final mais seco e de elegância admirável.
 
ADEGAMÃE GOUVEIO 2024 BRANCO | LISBOA | 13% | PVP 10,45€
GOUVEIO
ADEGAMÃE - SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
17,5
Um gouveio com assinatura de mar, numa visão muito própria da casta neste terroir, de perfil gastronómico, volume de boca generoso e acidez salina vincada, para casamento feliz com pratos com alguma complexidade e gordura como uma caldeirada de peixe, choco frito com maionese de alho e coentros ou umas  línguas de bacalhau à Bulhão Pato.
Cor amarelo citrino, com reflexos esverdeados luminosos, aspecto límpido e jovem. Nariz muito expressivo, ao mesmo tempo elegante e fino, oferecendo notas de fruta de pomar madura, alguma fruta em calda, cera de abelha e mel, num registo meticuloso, sem pontas excessivas, harmonioso. Boca de médio volume, textura macia, cremosa e envolvente, assente num registo de tensão e acidez vibrante, algo salgada, feito de textura e camadas, trazendo a assinatura do Atlântico, com secura e mineralidade e longo final de boca.

O início e o fim da visita provaram que as primeiras e as últimas impressões têm sempre um lugar especial na memória. Logo à chegada, ainda com o olhar a perder-se pelas vinhas lá fora, houve tempo para despertar os sentidos com o AdegaMãe Espumante Rosé. E que belíssima surpresa! Um espumante com enorme frescura e finesse, cheio de garra e com uma bolha finíssima que abriu o apetite para as novidades que vinham de seguida. No final, para fechar com chave de ouro, a despedida fez-se com o exclusivo AdegaMãe Late Harvest 2021, um verdadeiro colheita tardia e ponto final perfeito para uma experiência que deixa saudades.
 
ADEGAMÃE ESPUMANTE EXTRA BRUTO 2018 ROSÉ | LISBOA | 11,5% | PVP 19,95€
PINOT NOIR
ADEGAMÃE - SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
17
Elaborado inteiramente com a casta Pinot Noir este espumante acaba por ser uma bela surpresa e corresponder de imediato não só ao momento de arranque como depois no continuar das primeiras entradas que chegam à mesa. 
Visualmente de cor acobreada, com reflexos salmonado e dourados, bolha muito fina e persistente, aspecto límpido e cativante. No nariz revela grande frescura aromática, com notas intensas de fruta de pomar de polpa branca, maça e pera, subtil presença de frutos vermelhos, cereja e framboesa, leve apontamento a fruto seco, ligeiro tostado, aromas de padaria, brioche, bolacha de manteiga fugindo do registo de pura fruta. Ataque de boca seco, com espuma leve e cremosa, mostrando um perfil bem sequinho, apesar da sua cremosidade e maior largura de boca, terminando longo e persistente.
 
ADEGAMÃE LATE HARVEST 2021 BRANCO | LISBOA | 11,5% | PVP 40€
PETIT MANSENG, SEMILLON
ADEGAMÃE - SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
18
O primeiro vinho doce não fortificado do produtor agradece a influência do clima atlântico, com os seus ventos marítimos e a elevada humidade matinal da região que permitiram o desenvolvimento natural do fungo Botrytis Cinerea, a famosa podridão nobre, nas uvas, desidratando os bagos e concentrando os açúcares e a acidez de forma única. 
Estamos perante um colheita tardia sério, verdadeiramente de uvas botritizadas, de elevada qualidade e com o toque salino próprio deste terroir. Há quem o sugira de imediato como companhia certeira para sobremesas à base de ovos ou frutos secos, mas um do prazer maior que tenho com estes vinhos é fazer a harmonização por contraste com queijos intensos como os azuis ou os de ovelha. Sem dúvida, um guilty pleasure.
Cor amarelo dourado intenso, aspeto límpido, brilhante e hipnotizante. Aromaticamente não engana, encontramos as notas de fruta que sofreram o processo de botritização e que nos causam de imediato um sorriso rasgado, como são as de casca de laranja cristalizada, alperce passa, figo seco, mel e subtil fumado,  com tempero salgado em fundo. Na prova de boca apresenta-se de volume médio, menos gordo e opulento do que esperava, mais equilibrado e prazeroso, com acidez vibrante, com o citrino e o mar a fazerem-se notar, fresco, elegante e com longo final de boca.