GARNACHA, TEMPRANILLO, VIURA
R LOPEZ HEREDIA VINA TONDONIA, SA
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O desafio lançado por um Amigo para tema de mais um jantar e partilha de algumas garrafas foi que se escolhesse um vinho especial, daqueles que só se abrem em momento de vénia e que tivesse uma história para contar. A melhor história levaria como "prémio" uma garrafa oferecida por si. Esta foi a minha escolha para este momento, mas não ganhei a melhor história.
Autêntico ícone vínico que desafia todas as convenções do que um vinho rosé pode e deve ser, é submetido a um processo de repouso extremo e meticuloso de mais de quatro anos em barricas muito antigas de carvalho americano, seguido por um longo repouso em garrafa até ser finalmente colocado à venda. Produzido pela emblemática e secular casa Bodegas R. López de Heredia, nasce no coração de Rioja Alta, em Espanha, a partir de uvas selecionadas da histórica vinha de Tondonia, plantada nas margens do Rio Ebro, cujo lote de castas une as tintas Garnacha e Tempranillo à branca Viura e onde o solo argilo-calcário confere uma mineralidade única.
Um verdadeiro gigante na prova, surpreendendo os sentidos com uma complexidade oxidativa refinada, notas de frutos secos, especiarias e uma acidez vibrante que contrasta com a sua estrutura imponente. Muito longe de ser um rosé casual de verão e de piscina, exige uma harmonização gastronómica à altura, tendo brilhado intensamente ao lado de uma travessa monumental onde o bacalhau e o polvo à lagareiro se juntaram para o receber. Magnifico vinho e momento à mesa.
Cor vermelha tonalidade casca de cebola profunda, com reflexos acobreados e alaranjados, aspecto límpido, brilhante e hipnotizante. No nariz revela uma complexidade extraordinária e magnética, afastando-se de imediato das notas puramente frutadas dos rosés mais convencionais com o primeiro impacto a ser marcado por um perfil evolutivo, onde sobressaem subtis notas oxidativas de frutos secos, como amêndoa torrada e avelã, combinadas com nuances de especiarias doces como a canela e a noz-moscada, libertando, à medida que ganha tempo, aromas delicados de pétalas de rosa murchas, casca de laranja cristalizada e marmelo, envolvidos por um fundo complexo de cogumelos frescos, folha de tabaco seco e notas de madeira antiga e leve baunilhado.
Na boca surge com uma imponência surpreendente, revelando a sua secura de perfil apoiada em boa estrutura, dotado de uma textura sedosa e envolvente, lado a lado com acidez vibrante e incisiva, atravessando a prova com uma frescura citrina quase cortante que equilibra na perfeição o registo mais maduro, com frutos vermelhos desidratados, notas salinas e um toque mineral, quase a giz, que combina na perfeição com as nuances balsâmicas e de frutos secos já anunciadas no nariz. Final de boca incrivelmente longo e persistente, deixando uma ligeira adstringência finíssima que convida a continuar quer no copo, quer no prato.




