Peixe fresco, esplanada, vista panorâmica e o Tejo como testemunha. O restaurante Bonança atracou na Doca de Belém e transformou a histórica Associação Naval de Lisboa num ponto de encontro mais sofisticado no qual se pode encontrar o equilíbrio perfeito entre pratos de autor, ambiente descontraído e uma lufada de ar fresco para os amantes da boa mesa à beira Rio.
Se a pressa e o reboliço turístico costumam ditar o ritmo de Belém, o Bonança surge como o antídoto perfeito. Esqueçe as filas intermináveis e o barulho dos elétricos. Aqui, o ritmo é outro: é o das marés, o do bater suave dos barcos na doca e o do tilintar dos copos que celebram o início de uma refeição sem pressas.
Instalado no edifício da Associação Náutica mais antiga da Península Ibérica, o espaço conseguiu a proeza de honrar o peso da história sem se deixar ficar preso ao passado. O resultado? Uma atmosfera que equilibra uma elegância contemporânea com aquela descontração desarmante de quem tem o pé na areia ou, neste caso, o olhar fixo no rio.
Ao cruzar a porta de entrada, após passar pela esplanada, percebemos imediatamente que a viagem começa muito antes dos pratos chegarem à mesa. O restaurante aproveita a escala monumental do edifício histórico, distribuindo-se por dois pisos repletos de contrastes. O rés-do-chão acolhe-nos com a amplitude do antigo hangar e estaleiro de barcos do clube naval, sendo dominado pelo imponente mural de 1940, assinado por Miguel Barrias, que foi meticulosamente restaurado para servir de eixo visual a quem entra. Já a subida ao primeiro andar revela o verdadeiro segredo e a dualidade do espaço.
É ali que se esconde a mítica sala antiga dos sócios, mantida praticamente sem alterações, envolta em tons de azul-escuro profundos que preservam as madeiras originais, os quadros históricos e o ambiente rústico de uma autêntica cápsula do tempo. A contrastar lado a lado com esta memória intocável, o novo primeiro piso abre-se em espaço e luz funcionando como um mezanino suspenso com uma varanda aberta e vista privilegiada para o Tejo.
A esplanada, estrategicamente posicionada, serve de camarote de primeira fila para ver o Padrão dos Descobrimentos e o recorte da Ponte 25 de Abril ao fundo.
Mas vamos ao que realmente importa nesta nossa história: a mesa. O Bonança não se apoia apenas na sua localização privilegiada para conquistar o cliente. A verdadeira viagem faz-se através da ementa, uma autêntica ode ao Atlântico e à nossa costa que ganha vida pelas mãos e criatividade do chef Pedro Amendolas. Na cozinha, a liderança do chef reflete um respeito absoluto pela matéria-prima. A frescura do marisco salta imediatamente à vista, mas é o toque contemporâneo da sua equipa que rouba as atenções, provando que o rigor da alta gastronomia não precisa de ser cinzento ou formal demais.
Sob a mão precisa do Chef Pedro Amendolas, os pratos tradicionais são elevados a um nível de sofisticação invulgar. Na nossa visita tivemos oportunidade de, numa primeira parte e em modo partilha, várias opções de entrada, como o saboroso e suculento Pica-Pau, o clássico Ameijoas à Bulhão Pato, a vibrante Crudo de Lírio dos Açores, com água de tomate, uva e pinhão e o fresco Carpaccio de Atum Rabilho, com um creme de rábano, alcaparras fritas e azeite aromatizado de pimentos.
Tradição e criatividade. Há técnica, há assinatura de autor, mas acima de tudo há sabor português puro, sem camuflagens escusadas. Numa segunda fase, escolhemos a Tranche de Peixe do Dia Grelhado – Robalo – com legumes assados que trouxe à mesa o peixe inteiro para partilha pelos comensais. A frescura do Robalo e o ponto na grelha fizeram magia. Era preciso algo mais?
Na parte mais doce da refeição lugar a duas sobremesas completamente inesperadas, mas também quisemos arriscar. Em primeiro lugar a Mousse de Matcha, Figo Fumado e Amêndoas e depois, o arrojado Pudim Abade de Priscos, Merengue, Frutos Vermelhos e Hibiscus que é uma maravilha e se come sem olhar para trás.A experiência gastronómica ganha ainda mais força quando estendemos o olhar para o copo. A pensar nos finais de tarde que convidam a prolongar a partilha, a carta de cocktails - desenhada pelo Chef de Bar Filipe Ventura - propõe um mergulho em sabores inovadores e curados ao detalhe.
Desde reinterpretações de clássicos a criações de autor que casam na perfeição com a brisa salgada, onde cada bebida é pensada para ser o par ideal, quer para abrir o apetite antes da refeição, quer para desfrutar na varanda enquanto vê o sol esconder-se no horizonte ou, como no nosso caso, para fazer uma pausa entre as entradas e o prato principal. As escolhas recaíram sobre o Atlântico Noir, que é uma excelente alternativa ao meu preferido Negroni embora menos intenso e no best Seller da casa, mais doce, mas com frescura incrível.
Seja para um almoço de negócios que se quer produtivo, mas inspirador, ou para um final de tarde em que o casaco já começa a fazer falta, mas a conversa flui melhor do que nunca, o Bonança cumpre o que promete. É um porto seguro para os amantes da boa mesa que não abdicam da sofisticação, mas que dispensam qualquer tipo de pretensiosismo. Em suma: uma lufada de ar fresco nesta Lisboa à beira-rio.
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BONANÇA - ASSOCIAÇÃO NAVAL DE LISBOA
Tipo de Cozinha: Cozinha Portuguesa Contemporânea
Na Cozinha: Chef Pedro Amendola
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Gratuito no Parque da Estação Fluvial de Belém ou facilitado a partir das 20:00h no parque interior da Marina (com acesso pela Estação Fluvial de Belém).
Preço médio sem bebidas: Carta: 25€ a 50€; Menu Executivo: 24€ (inclui couvert, prato, bebida e café).
Horários: De segunda-feira a quinta-feira das 12:00h às 00:00h; de sexta-feira a sábado das 12:00h às 02:00h; ao domingo das 12:00h às 16:00h
Morada: ANL - Doca de Belém
1400-038 LISBOA
Telefone: +351 916 884 669

















