segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Munda Phoenix 2018 Tinto

MUNDA PHOENIX 2018 TINTO | DÃO | 13,5% | PVP  49,90€
ALFROCHEIRO, BAGA, JAEN, TINTA RORIZ, TOURIGA NACIONAL
QUINTA DO MONDEGO - FONTES DA CUNHA C.E.G., SA
17,5

Este vinho chega ao copo com uma história que inevitavelmente faz parte daquilo que vamos beber e que, para muitos, continua com uma actualidade feroz para alguns produtores. Nascido como uma edição limitada, resultante do rescaldo dos incêndios de 2017 que atingiram a região do Dão, assume no próprio nome a ideia de renascimento e de resistência.  
Provado há pouco tempo, mostrou-se em excelente forma, com o tempo de garrafa a garantir maior integração e complexidade, mas sem retirar a frescura e a energia que continuam a marcar o conjunto. Conforme vai respirando e “abrindo as suas asas” encontramos um tinto num momento de equilíbrio particularmente feliz entre fruta, estrutura e evolução, com presença, mas sem excessos, onde a elegância acaba por falar mais alto do que a força.
À mesa pede comida com alguma estrutura, mas sem excessos. Carnes assadas, pratos de caça de menor intensidade, cogumelos ou um bom bacalhau assado são companheiros naturais para este perfil. Revela grande vocação gastronómica.
Cor vermelho rubi profunda, média concentração, com reflexos granada, brilhante e ainda sem denunciar a sua idade. No nariz começa por revelar fruta vermelha madura, sobretudo cereja, acompanhada por notas de vegetal seco, especiaria e uma dimensão balsâmica fresca e elegante,  mostrando a passagem por madeira, mas bem integrada, contribuindo mais para a complexidade do que para marcar o perfil do vinho. Surgem ainda apontamentos de tabaco e tinta da China, num conjunto que se vai abrindo progressivamente no copo e ganhando definição. Na boca confirma-se a boa forma que já no aroma se fazia antever, com primeiro ataque sedoso, fresco e com boa amplitude, mostrando uma estrutura firme, mas perfeitamente integrada, revelando a fruta mais contida e precisa, acompanhada por tanino de textura fina, mais polido e por uma acidez muito bem colocada, responsável por lhe dar vivacidade e maior dimensão. A madeira, tal como no plano aromático, aparece em segundo plano, enquanto as notas balsâmicas, especiadas e de bosque vão ganhando espaço à medida que a prova avança. O final é persistente, fresco e ligeiramente especiado, deixando uma memória de fruta vermelha madura, ervas secas e notas balsâmicas.

sábado, 22 de agosto de 2026

Quinta do Infantado Late Bottled Vintage 2018

QUINTA DO INFANTADO LATE BOTTLED VINTAGE 2018 | PORTO | 19,5% | PVP  16,95€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA, TINTA RORIZ
QUINTA DO INFANTADO - VINHOS DO PRODUTOR, LDA
Engarrafado em: 2023
17,5

Este Quinta do Infantado LBV 2018 apresentou-se em óptima forma. Provado em 2026 e perante o desafio da sobremesa de chocolate, salame de chocolate caseiro, recaiu a escolha neste Quinta do Infantado LBV 2018 que, como esperava, mostrava já algum tempo de garrafa, o suficiente apenas para lhe limar arestas e tornar o conjunto mais polido e integrado, mas sem perder a juventude que continua bem presente ao longo da prova, apresentando-se em excelente momento de forma. A fruta está menos explosiva do que estaria numa fase mais precoce, mas ganhou definição, equilíbrio e uma expressão mais composta. Ainda assim, parece melhorar com o tempo no copo, para se abrir progressivamente e revelar toda a sua complexidade.
A ligação foi de mestre, havendo um equilíbrio notável entre copo e prato, fazendo com que, naturalmente, copo após copo, nada ficasse para contar a história.
Cor vermelho rubi profundo, ainda muito carregado e denso, brilhante e sem sinais de evolução excessiva, mantendo a nota de jovialidade. No nariz revela fruta preta e vermelha madura, mas já menos explosiva do que seria provavelmente na sua juventude mais imediata. Ameixa, frutos silvestres e algumas notas especiadas surgem de forma mais composta, acompanhadas por uma dimensão ligeiramente balsâmica e sugestões de chocolate. Na boca entra cheio, envolvente e com boa concentração, mas sem se tornar pesado, com a fruta a surgir novamente em bom plano, mais polida, acompanhada por tanino firme, mas bem trabalhado e por uma acidez que dá equilíbrio e o mantém vivo. Álcool bem integrado e sem perturbar o conjunto,  que mostra presença, mas que já abandonou alguma da exuberância inicial para ganhar precisão e harmonia. O final é longo e persistente, deixando fruta madura, especiarias e chocolate numa passagem de boca que confirma a boa forma em que se encontra. Não estamos perante um LBV cansado ou excessivamente desenvolvido; pelo contrário, conserva energia, fruta e estrutura para continuar a evoluir.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Atlantis Reserva Verdelho 2020 Branco


ATLANTIS RESERVA VERDELHO 2020 BRANCO | DOP MADEIRA | 12% | PVP  29€
VERDELHO
MADEIRA WINE COMPANY, SA
17

Nasce num contexto de solos vulcânicos e influência atlântica, feito exclusivamente a partir da casta verdelho de uma parcela única na zona da Raposeira, na costa oeste da Madeira, não me escondendo desde o primeiro contacto, a sua proveniência e encontrando no estágio uma forma de ganhar dimensão sem perder sua frescura que está na sua identidade. Já com alguns anos de garrafa, é um daqueles brancos que nos pedem algum tempo no copo, algum namoro prévio ao casamento,  não se revelando apenas a fruta ou a frescura imediata, mostrando antes uma dimensão mais séria, onde a casta, o lugar e o estágio se encontram em equilíbrio.
A conversa com ele no copo é deveras interessante. A fruta já não aparece com a mesma exuberância de um branco jovem e imediato, dando lugar a uma expressão mais composta, onde a frescura continua a ter um papel decisivo, sendo precisamente aí que este Verdelho encontra o seu equilíbrio entre a passagem do tempo, a acidez que ainda lhe dá nervo e uma dimensão mais séria que o torna particularmente interessante à mesa.
Andou por maridagens de marisco de debulha e boa converseta, mas sem grandes complicações fará também companhia acertada com peixe assado, arroz de marisco, carnes brancas ou pratos onde exista alguma gordura que encontrarão na sua acidez e textura um bom contraponto. 
Cor amarelo com tonalidade dourada, luminosa, brilhante e já com sinais naturais de alguma evolução, sendo que, desde logo, mostra que já percorreu algum caminho. No nariz surge mais contido do que seria expectável mantendo a fruta bem presente, mas um pouco mais madura e integrada, acompanhada por sugestões cítricas, uma componente mineral, salina bem definida e discretas notas de evolução. A madeira não se sobrepõe, funcionando antes como uma camada adicional de complexidade. Na boca contamos com uma entrada envolvente, alguma amplitude e uma textura que o torna sério, mas é a acidez que mantém tudo no lugar. Fresco, seco e com boa tensão, vai revelando diferentes dimensões à medida que passa pelo palato, terminando longo, mineral e com boa persistência.
Não é o vinho que provavelmente encontraria na sua juventude. É outra coisa, e talvez seja precisamente aí que reside o seu interesse. A fruta perdeu algum protagonismo, ganhou complexidade e o conjunto mostra hoje uma maior integração. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Quinta dos Aciprestes 2025 Branco

QUINTA DOS ACIPRESTES 2025 BRANCO | DOURO | 13,5% | PVP  9,90€
RABIGATO, VIOSINHO, ARINTO  
REAL COMPANHIA VELHA
16,5

Um vinho que se afirma precisamente por não procurar ser mais do que aquilo que é e que encontra o seu lugar de forma natural. Um perfil fresco e directo, criado a partir das castas Rabigato, Viosinho e Arinto, que encontram aqui espaço para mostrar a sua componente aromática, a acidez e a frescura, preservando a sua expressão e a do terroir duriense onde nascem.
À mesa mostra bem a sua versatilidade. Mariscos, peixe grelhado e sushi são combinações naturais, mas também pratos onde exista alguma gordura ou intensidade de sabor beneficiam da sua frescura. Um bom peixe no forno, umas amêijoas à Bulhão Pato ou até uns enchidos de porco preto podem criar ligações particularmente interessantes.
Cor amarelo-citrino intenso, brilhante e luminosa, de aspecto límpido e jovem. Aromaticamente abre com notas de citrinos e fruta branca, acompanhadas por discretos apontamentos vegetais que lhe acrescentam dimensão, num conjunto limpo, fresco e bastante convidativo, sem procurar excessos de exuberância, mas revelando um perfil pronto e elegante. Na boca confirma a impressão deixada pelo aroma, oferecendo uma entrada fresca, boa textura e uma estrutura que lhe dá mais presença do que seria expectável num branco pensado para ser consumido jovem. A acidez está bem integrada, conduzindo a prova com dinamismo e deixando no final uma sensação refrescante e persistente. É um branco equilibrado, gastronómico e fácil de perceber, mas que não se limita a ser simplesmente fácil de beber.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Poeira Vinha da Torre 2018 Tinto

POEIRA VINHA DA TORRE 2018 TINTO | DOURO | 13,5 | PVP  90€
VINHAS VELHAS
JORGE MANUEL N. MOREIRA
18

O Poeira Vinha da Torre 2018 é daqueles vinhos que, para mim, pertencem à categoria dos que verdadeiramente têm na génese de tudo o que vão ser a vinha onde nascem. A vinha, plantada em 1950, em Covas do Douro, situa-se a cerca de 400 metros de altitude, com exposição norte, solos pedregosos e uma grande diversidade de castas. Uma vinha velha pela qual Jorge Moreira procurou durante anos e que encontrou, na sua filosofia do Poeira, a oportunidade de mostrar aquilo que o Douro pode fazer quando a concentração não é confundida com excesso. 
Em boa verdade, é precisamente essa contenção que mais me chamou a atenção. Longe de me impressionar pelo peso ou pela potência que o perfil duriense tantas vezes aporta, surpreendeu-me pela elegância, pela frescura e pela complexidade, deixando que a vinha e o ano se expressem com alguma liberdade. Um vinho que não precisou de levantar a voz para se fazer notar e que me deixou escapar um sorriso de satisfação de prazer mais sôfrego. 
Obrigatório que se leve para a mesa para companhia a comida com alguma estrutura, funcionando particularmente bem com carnes vermelhas grelhadas ou assadas, pratos de caça e queijos curados, mas também poderá acompanhar pratos tradicionais de sabores intensos, onde a acidez consiga limpar o palato e os taninos encontrem matéria para dialogar. 
Cor vermelho rubi intenso, média concentração, aspecto límpido e ainda jovem. Surge inicialmente mais concentrado e algo reservado a nível de aromas, pedindo tempo para se revelar apesar de aberto cerca de uma hora antes ao momento de se beber. À medida que abre no copo, surgem notas de frutos vermelhos e azuis maduros, acompanhadas por sugestões de bosque, terra húmida, ervas secas e especiarias, com o carácter da madeira presente de forma muito discreta e bem integrada, primando pelo registo mais elegante e fresco. Na boca confirma a impressão aromática, revelando um tinto de grande equilíbrio, com corpo e presença, mas sem se tornar pesado, contando com acidez no ponto que lhe dá energia e frescura, enquanto o tanino, rico e bem desenhado, contribuem para uma estrutura sólida, que suporta a fruta bem expressiva, surgindo ainda uma componente vegetal seca que lhe acrescenta tensão e complexidade. A passagem por barrica permanece no lugar certo, funcionando como complemento e não como protagonista. O final é longo, muito persistente e marcado por uma combinação particularmente feliz entre frescura, estrutura e elegância.