quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Aliança Particular Vinha da Rigodeira Reserva Brut Nature 2022 Branco

ALIANÇA PARTICULAR VINHA DA RIGODEIRA RESERVA BRUT NATURE 2022 BRANCO  | BAIRRADA | 12,5% | PVP  16€
FIELD BLEND, BAGA, CHARDONNAY, PINOT NOIR
ALIANÇA VINHOS DE PORTUGAL, LDA
17,5

Há regressos que despertam inevitavelmente a curiosidade dos apreciadores, sobretudo quando recuperam nomes com história. É precisamente isso que acontece com o Aliança Particular, uma referência que volta ao mercado renovada, agora com uma identidade claramente focada na origem. 
O novo Aliança Particular – Vinha da Rigodeira 2022 assinala o regresso deste espumante emblemático sob um conceito single vineyard, colocando a histórica Vinha da Rigodeira, na Bairrada, no centro da sua expressão. Esta aposta numa única vinha não será apenas um exercício de estilo, mas mais uma forma de dar voz ao terroir e de mostrar como a conjugação das castas Baga, Chardonnay e Pinot Noir, trabalhadas em conjunto e complementadas por um estágio mínimo de 36 meses sobre borras, pode traduzir-se num espumante de perfil elegante, complexo e gastronómico.  
À mesa revela mais a sua personalidade e aptidão gastronómica.. Da delicadeza dos mariscos aos pratos de peixe e carnes brancas, acompanha cada garfada com frescura e precisão, mas é ao lado do icónico leitão da Bairrada que irá encontrar o seu lugar mais genuíno.  
Cor amarelo-citrina, brilhante e luminosa, apresenta uma bolha fina e persistente que reforça a elegância do conjunto, revelando desde o primeiro olhar um espumante de perfil elegante e grande frescura. No nariz, mostra-se expressivo e refinado, onde as notas de fruta de pomar, com sugestões de pera e pêssego, se entrelaçam com apontamentos cítricos e uma delicada componente floral. O prolongado estágio sobre borras revela-se de forma subtil através de elegantes notas de padaria, pão acabado de cozer, pastelaria e um discreto toque tostado, conferindo maior profundidade e complexidade aromática. Na boca, a mousse surge leve, fina e arejada, envolvendo o palato com grande delicadeza. A frescura e a acidez bem vincadas imprimem tensão e dinamismo ao conjunto, enquanto a textura cremosa equilibra a vivacidade do vinho. O perfil Brut Nature, que tanto adoro, evidencia-se numa secura precisa, que limpa o palato e prolonga a prova num final longo, elegante e persistente, deixando a vontade de regressar ao copo quase de forma imediata.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

The Legacy of Krohn: Crónica de uma Masterclass Fora de Série


Beber a própria História é um privilégio reservado a poucos. Na sexta edição das Provas Fora de Série, a Port & Friends e a WineStone abriram os arquivos secretos da mítica casa Wiese & Krohn. 
Uma viagem por uma prova vertical memorável onde brilharam colheitas lendárias como as de 1961, 1966, 1970 e o raríssimo e centenário Colheita de 1900

Há eventos que ultrapassam a barreira de uma simples prova de vinhos para se tornarem verdadeiras viagens no tempo, e a masterclass The Legacy of Krohn foi, sem qualquer dúvida, um deles. 
Organizado pela Port & Friends no ambiente acolhedor do Restaurante 3 Pipos, em Tondela, este encontro único não serviu apenas para celebrar e reforçar o renascimento de uma das casas mais históricas de Vinho do Porto - agora sob a asa do WineStone Group -,mas também para abrir as portas de uma biblioteca líquida que poucos têm o privilégio de conhecer. 
 
Embora estivesse prevista a presença de David Baverstock, que infelizmente não pôde participar por motivos pessoais, a condução desta experiência ficou nas mãos da enóloga Mafalda Bahia Machado e de André Lindo, o mentor e fundador da Port & Friends. Cruzando a precisão técnica da enologia com o entusiasmo contagiante de quem transformou a paixão pelo Vinho do Porto num projeto internacional de partilha, a dupla desafiou os presentes a recuar décadas através de stocks históricos e relíquias raras, culminando no momento quase sagrado de provar um mítico e centenário 1900 Reserva Particular. 
O grande ponto de destaque do evento foi, sem dúvida, a impressionante prova vertical de vinhos do Porto Colheita (Single Harvest Tawnies), que cobriu um arco temporal fascinante entre as colheitas de 1985 e o início do século passado. Pelo caminho, a vertical ganhou uma enorme tração e admiração global ao revelar a grandiosidade de anos excecionais: o equilíbrio soberbo do Colheita 1970, a enorme profundidade estrutural do imponente Colheita 1966 e a impressionante complexidade aromática do histórico Colheita 1961, três referências que exemplificam na perfeição o apogeu do envelhecimento em casco. No entanto, o momento mais alto e emotivo da sessão aconteceu com a prova do raríssimo Krohn Colheita de 1900. Provar um vinho com mais de um século de vida, que preserva uma vivacidade, acidez e energia inacreditáveis, foi uma experiência sublime que demonstrou a imortalidade do Douro.
 
Nas linhas que se seguem, partilho a crónica de uma Masterclass memorável e as notas de prova de todos os vinhos provados dando luz a um momento onde a história e o tempo se fundiram no copo, transformando esta verdadeira aula numa experiência que guardarei na memória e no palato para sempre.

KROHN PORTO VINTAGE 1985 | PORTO | 20% | PVP 125€
SWIESE & KROHN SUCRS, SA
ENGARRAFADO EM 1987  
17
Cor vermelho desvanecida, quase sem cor, tonalidade casca de cebola, demonstrando já a sua longa idade. Nariz limpo e fresco como maior nota de destaque, com notas de fruta vermelha ainda presente, ligeiro herbáceo e floral em fundo. Boca também em sentido descendente, embora não deixando de mostrar alguma fruta vermelha e especiaria exótica bem casada, doçura no ponto, com final médio-longo e ainda com vivacidade. 

KROHN PORTO VINTAGE 1970 | PORTO | 21% | PVP 259€
WIESE & KROHN SUCRS, SA
ENGARRAFADO EM 1972  
17,5 
Cor vermelho aberto, desvanecido, embora mais concentrado que o anterior, tonalidade tijolada, mostrando idade avançada. Plano aromático rico e complexo, revelando ainda boa componente frutada, fruta vermelha de bago, fruta passa, especiaria marroquina, subtil presença de fruto seco. Na prova de boca apresenta-se com elegância e frescura, num registo mbem reais seco, doçura equilibrada e bem cortada por acidez vivaz, oferecendo um final prazeroso e longo. Um ano clássico bem representado.

KROHN PORTO VINTAGE 1963 | PORTO | 21% | PVP  66€
WIESE & KROHN SUCRS, SA
ENGARRAFADO EM 1965  
18
No plano visual surge como o de maior concentração de cor entre os Porto Vintage em prova, com avermelhados mais vivos, tonalidade casca de cebola e ligeiro tijolado. Aromaticamente limpo, elegante e fino, oferecendo ainda notas de fruta vermelha num enlace equilibrado com a componente de terciários, fruto seco e muita especiaria. Mantém o registo de elegância quando chegamos à prova de boca, num perfil de médio volume, secura bem medida, doce equilibrado, com a fruta fresca a dar um ar da sua graça, num conjunto onde acaba por sobressair o tempero da especiaria e alguma presença de torrefação, terminando longo e prazeroso.

KROHN PORTO VINTAGE 1931 | PORTO | 20% | PVP  750€ a 1500€
WIESE & KROHN SUCRS, SA
ENGARRAFADO EM 1933  
18,5
Um privilégio poder provar este Porto Vintage, de um ano histórico e extremamente raro, que se mostrou ainda em boa forma, demonstrando que, quando bem conservados, os Porto Vintage conseguem desafiar o tempo de uma forma quase desconcertante. Curioso que, em prova cega, dificilmente seria uma escolha consensual. A sua evolução poderia conduzir-nos para outro estilo de Vinho do Porto, algo perfeitamente compreensível quando estamos perante um vinho com quase um século de vida. Na cor praticamente não temos a presença de avermelhados, sobressaindo a tonalidade amarela matizada por esverdeados e acastanhados evidentes, pouca concentração, luminoso e cativante. Grande complexidade aromática, com uma vertente especiada bem assumida, onde a fruta fresca surge naturalmente mais desvanecida, dando lugar a apontamentos de fruta passa e frutos secos, envolvidos por elegantes notas de casca de laranja cristalizada, figo seco, café, cacau, folha de tabaco seca e madeira nobre perfeitamente integrada. O conjunto revela-se harmonioso, profundo e de grande finesse. Na boca revela elegância impressionante para idade, tendo o tempo moldado o vinho sem lhe retirar vida, oferecendo textura sedosa e envolvente, sustentada por uma acidez perfeitamente integrada que lhe confere frescura e equilíbrio. A fruta passa e os frutos secos voltam a marcar presença, acompanhados por delicadas notas especiadas e um subtil amargor que lhe acrescenta profundidade. Apesar da idade, mantém notável precisão, harmonia e persistência, terminando num final muito longo e refinado.
Uma particularidade interessante deste Krohn Porto Vintage 1931 é o facto de ter sido produzido numa fase marcante da história da casa, quando Edmundo Falcão Carneiro já integrava a sociedade, mas ainda antes de a família Falcão Carneiro assumir o controlo total da empresa, mantendo-se, contudo, a designação dos seus fundadores noruegueses. 

KROHN PORTO COLHEITA BRANCO SECO 1925  | PORTO | 20% | PVP  700€ a 1000€
WIESE & KROHN SUCRS, SA
ENGARRAFADO EM -  
17
Cor âmbar jovem, com tonalidade esverdeada e reflexos acobreados, apresentando-se luminoso, denso e de grande presença visual. No nariz revela uma complexidade marcada pela idade, embora com alguma rusticidade inicial e ligeiramente sujo, onde uma componente mais evoluída surge acompanhada por fruta passa e outros apontamentos de frutos secos, num registo onde o tempo se faz sentir sem retirar identidade ao vinho.
Na boca é surpreendentemente vibrante e cheio de vida. Mostra-se muito seco, com uma acidez notável e uma tensão pouco habitual para a sua idade, revelando grande equilíbrio entre concentração e frescura. As notas cítricas trazem precisão ao conjunto, enquanto um ligeiro amargor final acrescenta personalidade e profundidade. Termina longo, persistente e com uma energia que contrasta de forma fascinante com os quase cem anos de história que carrega. 

KROHN PORTO COLHEITA 1983 | PORTO | 20% | PVP  148€
QUINTA AND VINEYARD BOTTLERS  VINHOS, SA 
ENGARRAFADO EM 2024  
18
Cor âmbar definida, de média concentração, com uma auréola luminosa onde surgem subtis reflexos acobreados e esverdeados, aspecto límpido e muito atrativo no copo, revelando desde logo uma evolução elegante e bem preservada.No nariz mostra-se limpo, fino e complexo, com uma componente de fruto seco levemente torrado, notas de madeira avinhada, mel, casca de laranja e uma especiaria exótica delicada. Um conjunto rico e harmonioso, onde a maturidade surge perfeitamente integrada, sem perder frescura nem vivacidade. Impressiona pela elegância e pela forma como conjuga profundidade com leveza. Na boca revela uma notável sensação de vida e equilíbrio, oferecendo uma acidez vibrante, concentração muito bem medida e uma ligeira presença alcoólica que, embora percetível, não condiciona o conjunto. Tudo surge muito arrumado e preciso, com uma textura elegante, onde regressam as notas de fruto seco e fruta passa,  terminando longo, prazeroso e com uma persistência que confirma a qualidade da evolução.

KROHN PORTO COLHEITA 1970 | PORTO | 20% | PVP  249€
QUINTA AND VINEYARD BOTTLERS  VINHOS, SA 
ENGARRAFADO EM 2024  
18,5
Cor âmbar definida, com leves reflexos esverdeados, brilhante e límpida, revelando uma evolução marcada pelo tempo, mas ainda com grande elegância visual. No nariz apresenta inicialmente um perfil mais fechado e reservado, quase tímido, necessitando de algum tempo de respiração para revelar toda a sua dimensão. Com o tempo no copo, abre de forma progressiva, mostrando notas de fruto seco, fruta passa, especiaria exótica, melaço e uma delicada componente citrina, onde surge a casca de laranja, oferecendo um conjunto vivaz, complexo e elegante, onde a profundidade da idade convive com uma surpreendente sensação de frescura. Na boca revela uma elegância notável, com um registo mais seco e muito preciso, dono de volume mais generoso, textura envolvente e uma doçura muito bem integrada, contribuindo para um equilíbrio exemplar. As notas de especiaria e fruta seca regressam em harmonia, num perfil exuberante, mas nunca pesado ou excessivo. Termina longo, refinado e persistente, deixando uma sensação de grande equilíbrio e sofisticação.
Em comparação com o Krohn 1983 é interessa, engarrafado no mesmo ano, este 1970 parece mais profundo, mais contemplativo e mais complexo, enquanto o 1983 parece mais imediato, fresco e preciso. O 1970 parece ter uma camada extra de evolução sem perder a energia que o mantém vivo.

KROHN PORTO COLHEITA 1966 | PORTO | 20% | PVP  350€ a 500€
WIESE & KROHN SUCRS, LD
ENGARRAFADO EM 2007  
18
O ano ficou marcado na memória coletiva portuguesa por um acontecimento desportivo que ultrapassou fronteiras: a participação da seleção nacional no Campeonato do Mundo de Futebol, em Inglaterra, onde Portugal alcançou um histórico terceiro lugar, liderado pela genialidade de Eusébio e por uma geração que deixou uma marca inesquecível no futebol mundial. Poucos dias após o término do evento a vindima de onde nasceria este Krohn Colheita Tawny 1966, um vinho que, tal como as grandes memórias, ganhou dimensão com o passar do tempo. Mais de cinco décadas de evolução que lhe permitiram transportar consigo não apenas a história de uma vindima, mas também a passagem de diferentes épocas e gerações.
Cor âmbar definida, embora com alguma perda de brilho e ligeira turbidez, revelando a idade e a evolução prolongada do vinho. No nariz apresenta um perfil onde a fruta mantém maior protagonismo relativamente às notas mais terciárias de frutos secos e evolução, mostrando-se mais rico e opulento, com uma expressão aromática marcada pela maturidade da fruta e por uma concentração evidente, embora a componente olfativa se apresente menos exuberante e mais caída face ao que viria a revelar em boca. Na boca dá uma verdadeira reviravolta. Surge poderoso, envolvente e surpreendentemente harmonioso, mostrando uma integração exemplar entre álcool, fruta e acidez. Revela riqueza, complexidade e uma bela frescura, com uma textura elegante e uma persistência longa e muito prazerosa. 
A prova de boca supera claramente a expectativa criada pelo aroma, conquistando pela força, equilíbrio e capacidade de envolvimento.


KROHN PORTO COLHEITA 1961 | PORTO | 20% | PVP 450€ a 600€
WIESE & KROHN SUCRS, LDA
ENGARRAFADO EM 2007  
19,5
Esta uma das referências mais emblemáticas da Casa, entrando num território de grande raridade e maturidade. A colheita de 1961 é historicamente reconhecida como um ano muito quente e seco no Douro, originando vinhos de grande concentração, fruta madura e estrutura. Estamos perante um vinho que atravessou décadas em madeira antes de ser engarrafado em 2007 e que,  mais do que a idade, impressiona a forma como o tempo foi construindo a sua identidade: camadas de complexidade, elegância e profundidade, num equilíbrio onde a maturidade não substitui a frescura, mas acrescenta dimensão. Transporta consigo mais de seis décadas de história, revelando no copo a expressão de uma grande vindima e a capacidade dos grandes Colheitas em desafiar o passar dos anos.
Cor âmbar definida, com uma impressionante presença de reflexos esverdeados e acastanhados, revelando uma evolução profunda, mas ainda com grande luminosidade, apresentando uma auréola brilhante, média concentração, aspecto límpido e muito cativante no copo. No nariz revela uma complexidade extraordinária, mostrando-se rico, profundo e muito expressivo. Surgem delicadas notas torradas, bolo inglês, frutos secos, noz e amêndoa, fruta passa, casca de laranja cristalizada, especiaria fina, caramelo subtil e ligeiras nuances de madeira avinhada. A componente mentolada e fresca em fundo acrescenta vivacidade ao conjunto, enquanto apontamentos mais terciários de tabaco, caixa de charutos e chá preto conferem ainda maior profundidade e sofisticação. Um perfil aromático de enorme elegância, onde a maturidade está perfeitamente integrada e o tempo surge como elemento de construção, acrescentando camadas de complexidade sem perder frescura. Na boca confirma todas as expectativas criadas na prova olfativa, apresentando uma elegância notável e uma personalidade muito própria, alicerçado num perfil mais seco, com volume de média densidade, firmeza e uma estrutura surpreendente, onde surge uma componente tânica ainda presente e muito bem integrada. A acidez mantém o vinho vivo e preciso, prolongando o final de boca de forma notável. Um Colheita Tawny de enorme classe, pela combinação extraordinária entre profundidade, frescura, equilíbrio e capacidade de emocionar.

KROHN PORTO COLHEITA RESERVA PARTICULAR 1900 | PORTO | 20% | PVP 1200€ a 1600€
WIESE & KROHN SUCRS, LDA
ENGARRAFADO EM 1980  
19
Há vinhos que deixam de ser apenas uma expressão de uma vindima e passam a ser testemunhos de uma época. O Krohn Colheita Reserva Particular 1900 pertence a essa categoria rara, um vinho nascido há mais de um século, atravessando gerações e preservando no copo a memória de um tempo que já não existe. Ter a oportunidade de provar um vinho com esta idade é, por si só, um privilégio. Mais do que uma simples prova, representa um encontro com a história, com o saber acumulado de várias gerações e com a capacidade extraordinária de um grande Vinho do Porto resistir ao passar do tempo. Cada aroma, cada textura e cada detalhe revelado no copo tornam-se parte de uma experiência única, impossível de repetir exatamente da mesma forma. Engarrafado em 1980, depois de uma longa evolução em madeira, chega ao meu copo como uma verdadeira cápsula do tempo. 
Cor âmbar profunda e definida, com tonalidades acastanhadas e reflexos esverdeados muito nítidos, revelando uma evolução extraordinária, mas mantendo uma luminosidade e uma limpeza impressionantes. Brilhante e visualmente muito cativante, transmitindo desde logo a sensação de um vinho que atravessou mais de um século com uma preservação notável. No nariz revela uma frescura e uma juventude absolutamente surpreendentes para os seus 126 anos de vida. Aroma de enorme complexidade e riqueza, onde surgem notas de fruta passa, tâmaras, frutos secos, subtis apontamentos torrados, casca de laranja, mel, melaço e uma especiaria exótica delicada. A profundidade trazida pelo tempo aparece em camadas sucessivas, com nuances de madeira nobre e uma elegância difícil de encontrar, mas sempre acompanhada por uma extraordinária sensação de vivacidade. Um perfil aromático longo, rico e fascinante. Na boca revela toda a sua grandeza. Apresenta volume e estrutura, com uma riqueza notável, mas sem perder precisão ou equilíbrio, revelando acidez vibrante que funciona como elemento fundamental para manter o vinho vivo, enquanto o registo mais seco e fino lhe confere uma elegância extraordinária. A doçura surge perfeitamente doseada, integrada e harmoniosa, contribuindo para uma textura envolvente e sedutora, aparecendo ainda uma subtil nota de "vinagrinho", acrescentando complexidade e tensão ao conjunto. Termina longo, profundo e glorioso, deixando uma persistência que confirma a dimensão excecional de um Colheita verdadeiramente histórico.

A principal conclusão que retiro desta prova histórica é a consolidação indiscutível da Krohn como uma das maiores referências mundiais na categoria de Colheitas, evidenciando uma capacidade única de manter a frescura ao longo de décadas de estágio. O evento deixou ainda bem claro que o legado da Krohn está mais vivo do que nunca. A nova etapa sob a chancela da WineStone assegura que este património imaterial e cultural continuará salvaguardado, demonstrando que a equipa de enologia sabe exatamente como equilibrar o respeito pela herança secular com a inovação necessária para os desafios do futuro.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Casa de Sabicos Joaquim Madeira 2006 Branco

CASA DE SABICOS JOAQUIM MADEIRA 2006 BRANCO | ALENTEJO | 14% | PVP  40€*
ANTÃO VAZ, ARINTO, CHARDONNAY
CASA AGRÍCOLA SANTANA RAMALHO, LDA
16,5

O ano de 2026 tem-me levado à abertura de vinhos com uma década ou mais de garrafa. Não por uma questão de celebração, mas sobretudo pela curiosidade de perceber o que o tempo pode revelar em vinhos que, muitas vezes, não foram pensados para uma guarda tão prolongada. 
Este Casa de Sabicos enquadra-se perfeitamente nesse propósito. Não procura impressionar pela exuberância nem pela força, conquista pela serenidade com que revela cada aroma, cada textura e cada detalhe acumulado ao longo dos anos. É um branco que pede tempo no copo, convida à conversa e recompensa quem resiste à tentação de o desvendar à pressa.
A evolução é evidente, mas longe de representar um sinal de declínio, traduz-se numa identidade mais rica e cativante. Os aromas evocam memórias de frutos secos, casca de laranja e delicadas notas de pastelaria, enquanto a boca surpreende pela frescura que ainda conserva, sustentada por uma acidez viva e um equilíbrio que lhe confere elegância do princípio ao fim. É precisamente este contraste entre maturidade e vivacidade que torna a prova tão envolvente e memorável.
À mesa, merece pratos preparados com o mesmo respeito que demonstra no copo. Bacalhau assado, peixes de forno, marisco, arrozes ricos ou aves de carne branca encontram neste vinho um parceiro natural, capaz de valorizar os sabores sem nunca os dominar. 
Cor amarela de tonalidade âmbar, aberta, luminosa, límpida e sem esconder a idade já avançada. Impressiona na componente aromática, com notas sedutoras, mas elegantes, de frutos secos, casca de laranja desidratada, bolo de laranja e subtis apontamentos de pastelaria, sempre num registo de equilíbrio e elegância, desafiando os sentidos e prendendo a atenção.
Na boca revela ainda uma vivacidade notável, acidez saliente, subtil tensão e bom comprimento. Apresenta corpo de médio volume, textura macia, citrinos em fundo e amêndoa seca, num registo sedutor e equilibrado, culminando num final de boca médio-longo.

*valor encontrado em garrafeiras embora sem stock.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Kühling-Gillot Hipping Riesling GG Trocken 2021 Branco

KÜHLING-GILLOT HIPPING RIESLING GG TROCKEN 2021 BRANCO | RHEINHESSEN-NIERSTEIN (GER) | 12,5% | PVP  67,95€
RIESLING
SPANIER-GILLOT, GbR
17,5

A icónica encosta do Roter Hang, em Rheinhessen, serve de berço para este vinho branco de topo, concebido sob preceitos biodinâmicos por Carolin Spanier-Gillot e Hans Oliver Spanier. Este Grosses Gewächs (GG), designação de significado similar ao Grand Cru, mostra-se de perfil seco e reflete bem a pureza da colheita de 2021 através de uma acidez vibrante, que sustenta uma textura mais densa e inesperada, mas profundamente salina, típica dos solos de ardósia vermelha. É um vinho tenso e de enorme precisão, talhado para evoluir por muitos anos na garrafa e para desafiar a mesa. 
Como parceiro gastronómico, a sua estrutura concentrada exige pratos com corpo e frescura idênticos. O casamento perfeito faz-se com produto de mar, como um robalo assado com molho de manteiga e limão ou carabineiros grelhados, cuja doçura natural equilibra o perfil salino do Riesling. A sua acidez cortante faz com que seja também óptima escolha para harmonizar com a cremosidade especiada de um caril tailandês de lagosta.
Cor amarelo intenso, tonalidade palha brilhante e límpida, com reflexos luminosos e aspecto jovem. No nariz, à medida que o vinho respira,  somos invadidos por uma narrativa aromática complexa e entusiasmante, oferecendo, num primeiro momento, a fruta amarela madura, lembrando notas de damasco e maçã, que rapidamente se funde com subtis apontamentos de casca de laranja amarga e nuances herbáceas,  assumindo depois a assinatura do solo o protagonismo, revelando um fundo marcadamente mineral, salino e com aquele toque fumado e com ligeiro petrolado a mostrar-se já em fundo elegante e fresco. Na boca ganha uma nova dimensão através de uma entrada concentrada e densa, onde o corpo texturado é conduzido por uma acidez vibrante e crocante,  que parece estalar na boca, sempre num registo de equilíbrio tenso entre a frescura e a estrutura, de enorme pureza e precisão, culminando num final de boca longo, profundamente salino e com uma persistência quase picante.

sábado, 1 de agosto de 2026

Vilar Torpim 2024 Branco

VILAR TORPIM 2024 BRANCO | BEIRA INTEROR | 12,5% | PVP  11€
SÍRIA, FONTE CAL, ARINTO
AGROCARDO, SA 
16
 
Um vinho bem representativo do perfil fresco e vibrante dos vinhos brancos das Beiras. Jovem, equilibrado e de expressão aromática limpa, privilegia a fruta e a acidez, resultando num conjunto leve e muito agradável, ideal para momentos descontraídos à mesa ou como aperitivo, embora a sua frescura o potencie como excelente acompanhamento para peixes e mariscos, saladas, carnes brancas e pratos de inspiração mediterrânica.
De cor citrina clara e brilhante, com reflexos esverdeados, apresenta-se límpido, revelando desde logo a sua juventude. No nariz evidencia uma expressão aromática fresca e envolvente, marcada por delicadas notas florais, frutos cítricos e sugestões de maçã verde, complementadas por um subtil apontamento mineral que reforça a sua elegância. Em boca confirma as expectativas criadas pelo aroma, revelando-se leve, equilibrado e sustentado por uma acidez viva que imprime grande frescura ao conjunto. A boa harmonia entre fruta, mineralidade e acidez confere-lhe dinamismo e precisão, prolongando-se num final persistente, limpo e muito refrescante.