segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Quinta do Gradil Chardonnay 2016 Branco

QUINTA DO GRADIL CHARDONNAY 2016 BRANCO | LISBOA | 13,5% | PVP  8,99€
CHARDONNAY
QUINTA DO GRADIL SOC VITIVÍNICOLA, SA
16,5

Existem vinhos brancos que, com o passar dos anos, nos mostram que a idade pode ser muito mais do que uma simples mudança de cor ou o aparecimento de notas terciárias. Estamos perante um desses casos. À vista, não esconde o tempo que leva em garrafa, mas basta aproximar o copo para perceber que ainda tem muito para dar. A fruta citrina e de polpa amarela, as notas de fruto seco, o mel e a cera de abelha convivem com uma frescura surpreendente, sustentada por uma acidez que o mantém cheio de vida e apetecível. É também essa combinação entre evolução, textura e vivacidade que abre boas possibilidades à mesa e me fez pensar num peixe assado no forno, num robalo com legumes ou até num queijo de pasta mole com ligeira cura como o nosso DOP Serra da Estrela. Afinal, um branco com esta idade não merece apenas ser aberto por curiosidade, mas merece sentar-se à mesa e fazer parte da refeição.
Cor amarelo intenso, com tonalidade alaranjada, brilhante, de aspecto límpido e sem esconder a sua idade. No nariz, porém, contraria a idade que aparenta visualmente, com a fruta citrina em destaque, notas de casca de laranja e toranja, e fruta de polpa amarela, algum fruto seco, amêndoa torrada, uma subtil nota de mel e cera de abelha, além de alguma especiaria exótica. Um traço mineral felizmente presente envolve o conjunto e suscita frescura. Na boca, surpreende pela frescura e vivacidade, mostrando desde logo uma acidez vibrante, duradoura e cheia de vida. Apresenta uma estrutura elegante e equilibrada, com boa integração do tempo e de cada componente, oferecendo uma textura macia e envolvente. A fruta revela uma evolução muito bem conseguida, mantendo firmeza e delicadeza, num conjunto que termina longo e prazeroso.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Aliança Garrafeira 1994 Tinto

ALIANÇA GARRAFEIRA 1994 TINTO | BAIRRADA | 12% | PVP  25€
BAGA, TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, CASTELÃO
CAVES ALIANÇA, SA
17

Abrir um vinho com mais de 30 anos é sempre um exercício de curiosidade e entusiasmo doentio no sentido de perceber o que o tempo fez, o que conseguiu preservar e se ainda há vida para além das marcas da idade. Neste clássico bairradino passaram mais de três décadas e, sem dúvida, a idade está lá, bem visível na tonalidade acastanhada e nos reflexos alaranjados, mas seria um erro ficar apenas com essa primeira impressão. A fruta continua a marcar presença e damos de cara com um registo terciário harmonioso e subtil, surpreendendo ainda com uma vitalidade que dificilmente se espera de uma garrafa desta idade. Impressionante.
Quando o retirei da garrafeira, votado ao esquecimento por muitos anos, foi com o objectivo de o casar com um ensopado de borrego de receita tradicional alentejana. Bairrada e Alentejo bem juntos. Um dos grandes encontros à minha mesa.
Cor vermelha com a marca dos anos já presente, tonalidade acastanhada e reflexos laranja, límpido, não escondendo a idade avançada. No nariz a fruta preta aparece ainda presente, macerada, mas com frescura surpreendente nesta fase da sua vida, muito bem ligada às notas de terciarias, sem mostra de iodados, destacando-se mais as notas de bosque, especiados, balsâmicos, tudo muito harmonioso e subtil. Na boca não desilude, cheio de vida -incrível-, percebe-se a sua estrutura, volume médio, acidez vibrante, prolongada, secando o palato, tanino polido, mas firme, belo conjunto e grande final de boca. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Adega de Favaios: Novos Brancos e Clarete, Novas Pistas Sobre o Douro de Altitude

Quando se fala de Favaios, é quase inevitável que se pense em Moscatel, mas a história desta zona do Douro não se fica por aí, e os vinhos brancos têm vindo a ganhar espaço, mostrando que o planalto tem argumentos próprios para dar cartas num território onde a frescura é cada vez mais importante.
Esse é o caminho que a Adega de Favaios decidiu continuar a explorar na marca Casa Velha, agora com novas referências que procuram mostrar o potencial de diferentes castas. Entre elas está a Viosinho, uma variedade que a adega quer afirmar pela vivacidade e elegância, mas também revelando espaço para recuperar castas antigas, como a Samarrinho, numa tentativa de encontrar respostas para os desafios que as alterações climáticas colocam à vinha.
A altitude ajuda a perceber bem esta aposta. Com vinhas acima dos 500 metros, temperaturas médias mais baixas e uma precipitação superior à de muitas outras zonas durienses, Favaios reúne condições particulares para preservar a acidez das uvas e dar origem a brancos frescos e equilibrados. Não é uma garantia automática de bons vinhos, claro, mas é um ponto de partida interessante quando se procuram outras leituras do Douro.
As quatro novidades que se seguem são, por isso, mais do que novos rótulos para acrescentar à lista. São quatro oportunidades para perceber o que a Adega de Favaios está a fazer com as castas e com as condições particulares do seu planalto e para descobrir até onde podem ir os brancos desta zona privilegiada em Altitude no Douro.
 
CASA VELHA SAMARRINHO 2025 BRANCO 
| DOURO | 11% | PVP  11€
SAMARRINHO
ADEGA COOPERATIVA DE FAVAIOS, CRL
16
Cor amarelo citrino aberto, pálido,  ligeiros reflexos esverdeados, aspecto límpido e jovem. No nariz as notas de futa tropical e de fruta de caroço entrelaçam-se, componente vegetal saliente, traço mineral que percorre o conjunto. Na boca, confirma-se a identidade revelada no nariz. A acidez é fina, vivaz e de recorte citrino, enquanto a veia vegetal mantém presença e dá personalidade ao conjunto. A textura macia, aliada ao sabor e à boa integração dos elementos, contribui para uma prova muito afinada e harmoniosa. O final é longo e persistente.
 
CASA VELHA VIOSINHO 2025 BRANCO 
| DOURO | 12% | PVP  7€
VIOSINHO
ADEGA COOPERATIVA DE FAVAIOS, CRL
17
Cor amarelo citrino, aberto e luminoso, com esverdeados leves, aspecto límpido e jovem. Nariz intenso e exuberante, notas de fruta citrina, lima, fruto de pomar e polpa amarela, toque floral, a acrescentar subtileza, enquanto as notas de pedra, sílex e pederneira dão ao conjunto um recorte mineral vincado e particularmente interessante. Na boca, mostra-se seco, acídulo e vivaz, com uma acidez vibrante que prolonga a frescura do perfil citrino, ganhando aqui o toque mineral outra dimensão, evocando pedra lascada, num conjunto bem desenhado, preciso e sem dispersões, traço firme terminando longo, persistente e fiel à identidade da casta e do terroir.
 
CASA VELHA GOUVEIO 2025 BRANCO 
| DOURO | 12% | PVP  7€
GOUVEIO
ADEGA COOPERATIVA DE FAVAIOS, CRL
16,5

Cor amarelo citrino luminoso, aberto e luminoso, subtil esverdeado, aspecto límpido e jovem. O nariz revela boa intensidade aromática, com a fruta tropical madura a encontrar um bom contraponto num registo floral perfumado, onde sobressaem as flores brancas e a camomila. Surgem ainda apontamentos de tisana, vegetal seco e um recorte mineral que acrescenta profundidade ao conjunto. Na boca, mostra leveza e textura macia, sem perder vivacidade, dono de acidez vibrante e persistente, mantendo a fruta em bom plano e contribuindo para uma prova equilibrada e cheia de frescura, com final de boca longa e persistente.
 
CASA VELHA CLARETE 2025 TINTO 
| DOURO | 13% | PVP  10€
TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, TINTA BARROCA
ADEGA COOPERATIVA DE FAVAIOS, CRL
17
Cor vermelho rubi de média concentração, luminioso e brilhante, aspecto límpido e atraente. Nariz de perfil elegante, revela notas de frutos vermelhos, acompanhadas por apontamentos de floresta e subtis notas especiadas, muito fresco limpo. Na boca, apresenta corpo leve e taninos muito suaves, num conjunto elegante e fresco, agora mais afinado do que na colheita anterior, destacando-se uma maior harmonia entre os elementos, fruta, volume, acidez e álcool, privilegia a frescura e o equilíbrio, sem perder personalidade. Longo final de boca e apetência natural para ir à mesa.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Frei Gigante 2024 Branco

FREI GIGANTE 2024 BRANCO | DO PICO | 12% | PVP  19,90€
ARINTO DOS AÇORES, VERDELHO, TERRANTEZ DO PICO
COOPERATIVA VITIVINÍCOLA DA ILHA DO PICO
17
Beber um branco dos Açores é, muitas vezes, trazer um pouco do Atlântico para o copo. O Frei Gigante, produzido pela Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico, é um desses vinhos que nos fazem pensar na proximidade do mar e na personalidade das vinhas açorianas. 
As castas Arinto dos Açores, Terrantez do Pico e Verdelho dá-lhe vida, mas o terroir Atlântico garante-lhe alma num perfil em que a fruta e a frescura se cruzam com aquela identidade marítima que tão bem acompanha a cozinha do arquipélago. Um branco que pede mesa, boa companhia e, de preferência, qualquer coisa vinda do mar. 
A frescura e a acidez tornam-no uma escolha natural para peixe grelhado, lapas, cracas, amêijoas ou polvo à lagareiro , mas a cozinha de tempo e sabor como uma caldeirada de peixe, em que a componente salina do vinho pode acompanhar os sabores marítimos do prato sem os sobrepor será sempre um casamento feliz. Para uma combinação mais simples e imediata, uma boa conserva de atum, servida com pão tostado e azeite, faz igualmente sentido. 
Cor amarelo citrino com subtis esverdeados, aspecto límpido e jovem. Perfil aromático que nos carrega para o terroir onde nasce, centrado nos citrinos e na boa fruta tropical, limão, toranja e maracujá, aliado a um fundo que evoca a brisa marítima e a mineralidade dos solos vulcânicos. A prova de boca reforça o perfil atlântico, onde a vivacidade e a ligação ao lugar assumem protagonismo, num registo elegante, com acidez vibrante, salgada e com tensão, garantindo energia e frescura num corpo sem curvas apertadas, harmonioso e com término de boca longo e persistente.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Intus 2023 Branco

INTUS 2023 BRANCO | ALENTEJO | 12,5% | PVP  14,90€
VINHAS VELHAS
HAMILTON REIS, UNIPESSOAL, LDA
17

O Alentejo também se faz de vinhos que procuram menos volume, menos complicações e mais frescura. Sem dúvida, uma das primeiras conclusões que retiro ao provar este branco saído do projecto pessoal de Hamilton Reis na Vidigueira. Um branco de face elegante e fresca, no qual a fruta não aparece logo escarrapachada, mas que vai aparecendo e mostrado a sua graça e bom entendimento com os restantes componentes, não sobressaindo, mas fazendo parte. 
Esta elegância e frescura faz o caminho completo da prova e acaba por chamar a comida para perto. Um bom parceiro para ter no copo quando no prato houver peixe grelhado, um robalo ao sal, amêijoas à Bulhão Pato ou saladas frias com carnes brancas. 
Cor amarelo citrino intenso, tonalidade palha, aspecto límpido e jovem. Plano aromático elegante e delicado, revelando a fruta de caroço e citrina maduras e frescas num belo casamento com notas de flor branca, camomila, e discreto toque vegetal e ligeiramente terroso. Abre aos poucos, não nos quer dar tudo de uma só vez. Na boca destaque para um primeiro ataque macio, cremoso e sedutor, seguido de acidez vibrante, com tensão e prolongamento, mostrando um lado regulador, equilibrando o conjunto, dando profundidade à prova, num registo descomplicado, sem ir à procura de exuberância ou concentração excessiva, bem afinado, com final de boca longo e gastronómico.