sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Arenae Clarete 2025 Tinto

ARENAE CLARETE 2025 TINTO | LISBOA | 11% | PVP  16,90€
RAMISCO, MOLAR
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
18

Há vinhos que quando nos chegam ao copo trazem consigo mais do que uma região, uma vinha com esta ou aquela particularidade ou esta e aquela casta: trazem também uma memória. O Arenae Clarete 2025 recupera uma antiga forma de fazer vinho em Colares, com a designação de “Monda”, quando a Molar, vindimada mais cedo, ajudava a suavizar a austeridade do Ramisco, e permitia obter vinhos mais leves e prontos a beber. Hoje, essa combinação regressa numa interpretação deliberadamente mais delicada, nascida das vinhas de areia e da influência atlântica, onde frescura, fruta e elegância se sobrepõem à extração e à estrutura. 

"O espanto é o princípio da filosofia."
Platão, Teeteto, 155d

Provei-o com particular entusiasmo e confesso que foi uma agradável surpresa, com a sua pitada de fora da caixa, uma verdadeira lufada de ar fresco até no que habitualmente se encontra vindo da Adega Regional de Colares. Um Clarete que olha para uma tradição praticamente esquecida para propor uma leitura diferente, mais descontraída e muito gastronómica, do terroir de Colares.
No fundo, um tinto perfeito para este verão mais quentinho — até aqui em Sintra —, que dá nova vida a uma antiga tradição dos agricultores e produtores de vinho desta região e que, à mesa, é assustadoramente bom.
Traga para companhia uma bela sardinhada, umas latinhas de conserva, a carne vermelha grelhada ou até o Leitão de Negrais sem abusar do molho.
São cerca de 1000 e poucas garrafas e eu já abasteci.
Cor vermelho rubi intenso, pouco concentrado, luminoso e brilhante, aspecto límpido e jovem. Plano aromático fresco e expressivo, com fruta vermelha de perfil delicado, cereja, romã e ginja, apontamentos florais bem medidos, subtil componente salina, com presença de pinhal, pinhão e leve componente vegetal que lhe acrescentam identidade, sem nunca perder elegância. Na boca é onde mais surpreende com um primeiro ataque de vivacidade, frescura e leveza,  para depois nos abraçar com uma acidez deliciosa que lhe dá tensão e energia, oferecendo a fruta bem definida e taninos finos, discretos e perfeitamente integrados, textura sedosa, embora trincável, sem o peso ou a concentração que normalmente associamos a um tinto, enquanto o final, fresco e persistente, confirma um vinho pensado mais para a elegância e para a mesa do que para a força. Longe de ser simples, um encontro feliz onde a austeridade potencial do Ramisco encontra na Molar a suavidade e a fruta necessárias para construir um conjunto muito equilibrado e surpreendentemente gastronómico.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Valle Pradinhos Tinta-Gorda 2023 Tinto

VALLE PRADINHOS TINTA-GORDA 2023 TINTO | TRÁS-OS-MONTES | 12,5% | PVP  28,90€
TINTA-GORDA
CASAL DE VALLE PRADINHOS - MARIA ANTÓNIA PINTO DE AZEVEDO MASCARENHAS
17,5

Existem castas que, por serem menos conhecidas, despertam uma curiosidade especial quando chegam ao copo. É o caso da Tinta Gorda, uma variedade tradicional de Trás-os-Montes que encontra aqui uma interpretação elegante e muito própria, numa expressão bastante diferente do perfil mais musculado que por vezes associamos aos tintos transmontanos, num registo fresco e equilibrado, onde a fruta e a expressão do território assumem, claramente, protagonismo, apoiadas por um estágio em barrica que acrescenta complexidade sem se sobrepor à identidade da casta. 
Um vinho que vale a pena descobrir sem preconceitos, sobretudo à mesa, onde a sua frescura e estrutura prometem acompanhar com naturalidade uma cozinha de sabores e alguma tradição como os pratos de forno, carnes assadas ou em companhia da cozinha italiana com carne e sabores intensos.
Cor vermelho-púrpura de média concentração, mais aberta e luminosa e de tonalidade pouco carregada, aspecto límpido e jovem. No plano aromático nariz surge delicado e fresco, com fruta vermelha e silvestre bem definida, fruta de bago silvestre, acompanhada por apontamentos de ervas e uma discreta, mas desafiante dimensão balsâmica e mineral. Na boca confirma essa expressão mais fina, com boa frescura e uma estrutura assente em tanino fino e presente, mas polido e de textura sedosa. A fruta mantém-se limpa e precisa, sumarenta, enquanto a madeira surge bem integrada, acrescentando complexidade sem dominar o conjunto. Termina longo, fresco e persistente, com uma elegância que se vai afirmando ao longo da prova.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Várzea da Pedra Branco Macerado 2023 Branco

VÁRZEA DA PEDRA BRANCO MACERADO 2023 BRANCO | IVV | 12,5% | PVP  11,49€
VINHAS VELHAS, ALICANTE BRANCO, ARINTO, FERNÃO PIRES, MALVASIA-REI, MOSCATEL GRAÚDO, SEARA-NOVA, MOSCATEL GRAÚDO, SEARA-NOVA, VIOSINHO, VITAL
QUINTA VÁRZEA DA PEDRA, LDA
17,5

Confesso que cada vez me dá mais prazer beber brancos com este perfil, longe do branco convencional, esquecendo a cor no copo e apreciando um jogo de aromas rico e desafiador, enquanto, na boca, há estrutura, acidez vibrante, secura salivante e sensação tânica que nos leva a querer puxar por comida quase de imediato. 
Versátil e prazeroso, consegue fazer maridagens de sucesso com tártaros de peixe ou carne, peixe frito, carnes grelhadas e queijos com algum tempo de cura e de média intensidade. 
Cor amarelo intenso, reflexos dourados, aspecto límpido, atraente e, neste caso, contrário à idade do vinho. Nariz de perfil levemente evolutivo, fruta de caroço e citrina com tempo, casca de citrino, toranja e laranja, floral, camomila, cera de abelha, faceta salina e mineral, num contínuo passo elegante e fresco. Boca com primeiro ataque cheio de fruta citrina, a secar de imediato o palato, laranja e toranja, cheio de energia e equilíbrio, boa tensão, sensação tânica, envolvente, harmonioso, dá prazer ao beber e a levá-lo à mesa, final de boca longo e guloso.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Le Volte Dell'Ornellaia 2023 Tinto

LE VOLTE DELL'ORNELLAIA 2023 TINTO | TOSCANIA (ITA) | 13,5% | PVP  25€
CABERNET SAUVIGNON, MERLOT, PETIT VERDOT
ORNELLAIA, SRL
17

Um vinho cujo nome tem o poder de criar expectativas que se apresenta num registo mais descontraído, procurando equilibrar fruta, estrutura e frescura num tinto feito para ser apreciado sem grandes formalidades. A conjugação de Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot resulta num vinho versátil e gastronómico, que tanto acompanha uma boa refeição como se deixa beber simplesmente à conversa. Um daqueles tintos que não precisa de uma ocasião especial para fazer sentido e que nos deixa sempre sossegados em relação ao que vamos encontrar.
À mesa, naturalmente, mostra a sua versatilidade junto de carnes grelhadas, massas, pizzas e pratos de cozinha italiana, onde a fruta e a frescura encontram facilmente espaço para acompanhar a refeição.
Cor vermelho rubi intenso, brilhante e profunda, límpido e de expressão jovem e apelativa. No nariz, mostra-se muito franco e convidativo, com a fruta vermelha e preta madura em primeiro plano, onde surgem notas de cereja, ameixa e frutos silvestres, acompanhadas por discretos apontamentos florais e especiados. A madeira aparece bem integrada, acrescentando alguma complexidade sem retirar protagonismo à fruta e mantendo o conjunto equilibrado e elegante. Na boca confirma as expectativas, com uma entrada fresca e envolvente, com uma estrutura bem doseada e taninos de textura polida que tornam a prova fácil e agradável. A fruta regressa bem definida, acompanhada por uma acidez que lhe dá dinamismo e evita qualquer sensação de peso. Termina equilibrado, com longa persistência e um lado ligeiramente especiado que permanece no palato por algum tempo.

Quinta do Sampayo 2025 Branco

QUINTA DO SAMPAYO 2025 BRANCO | TEJO | 12% | PVP  12€
FERNÃO PIRES, ARINTO
QUINTA DO SAMPAYO - AGROSEBER, SA
16,5

Despertou-me, desde o primeiro momento, grande curiosidade por ser o primeiro vinho desta casa em que a ânfora é utilizada no estágio, juntando esta novidade à expressividade aromática da Fernão Pires e à frescura da Arinto. Um branco que, mesmo antes de abrir a garrafa, me deixou antever uma procura de frescura e leveza, mas também algo mais, possivelmente uma dimensão extra que a utilização da ânfora lhe poderia acrescentar. 
Já no copo, facilmente constatamos que essa opção trouxe uma dimensão diferente ao conjunto, acrescentando interesse e alguma profundidade sem esconder aquilo que mais importa: a identidade das castas e a frescura que se espera de um branco feito para a mesa. 
Sem dúvida, é precisamente aí que me parece ganhar ainda maior graça, acompanhando a refeição com a mesma naturalidade com que convida a mais um copo. À mesa, a frescura e a leveza deste branco pedem pratos igualmente delicados, encontrando nos peixes grelhados, mariscos e saladas uma companhia natural. 
Cor amarela citrina, leve tonalidade palha, aberta, com um discreto laivo esverdeado, luminoso, límpido e jovem. No nariz revela boa intensidade aromática, embora um pouco tímido no inicio, com a fruta fresca de pomar e citrina a assumir o protagonismo, acompanhada por notas florais e subtil presença mineral que lhe confere vivacidade e maior complexidade. Na boca mostra-se fresco, leve e equilibrado, de médio volume, com uma acidez bem definida que percorre o palato e lhe dá dinamismo, com prolongamento e tensão, mantendo-se presente a fruta, acompanhada por uma textura que lhe acrescenta alguma dimensão e evita que a leveza se confunda com simplicidade. Final de boca longo (muito longo), fresco e elegante.