domingo, 25 de outubro de 2026

Quinta de Cidrô Gewurztraminer 2024 Branco

QUINTA DE CIDRÔ GEWURZTRAMINER 2024 BRANCO | DOURO | 13,5% | PVP  18,90€
GEWURZTRAMINER
REAL COMPANHIA VELHA, SA
16,5

Esta é uma casta de consenso difícil, cuja exuberância aromática tem o costume de afastar possíveis adeptos, mas que no terroir da Quinta de Cidrô parece ganhar outros argumentos que me despertam a curiosidade.
A casta cumpre aquilo que dela esperava no plano aromático, com rosas e lichias bem definidas, mas o vinho ganha interesse pela componente mineral e, sobretudo, por uma acidez vibrante e tensa que lhe confere frescura e uma expressão mais firme do que é habitual nesta variedade. 
Apostaria nele para a mesa com cozinha asiática, sobretudo pratos de inspiração tailandesa, sushi ou ceviche. 
Cor amarelo citrina, aberta, luminoso, nuances esverdeadas, aspeto límpido e muito jovem. No nariz, surgem bem vincados os aromas a rosas e lichias, num perfil clássico da casta, como seria de esperar, mas com uma marca mineral que lhe acrescenta identidade e deixa perceber a influência do terroir em que nasce. Perfumado e distinto, confirma na boca as notas florais e de lichia, embora seja a acidez vibrante e tensa a assumir o protagonismo. Seco e com uma expressão mais firme, quase bruta, do que habitualmente associamos à Gewürztraminer, surpreende pela frescura e termina longo, com uma persistência que convida a voltar ao copo.

sábado, 24 de outubro de 2026

Cazé-Thibaut Jossias Extra Brut 2020 Branco

CAZÉ-THIBAUT JOSSIAS EXTRA BRUT 2020 BRANCO | CHAMPAGNE (FRA) | 12,5% | RM | PVP  65€
PINOT NOIR
EARL CAZE THIBAUT
Dégorgement 02/2025
17,5

Este Champagne chegou-me pela recomendação de um amigo e foi uma daquelas descobertas que dão ainda mais prazer a este mundo do vinho. Nascido em berço de vigneron, em Vandières, na Vallée de la Marne, a partir de Pinot Noir, revela uma expressão de parcela que conjuga fruta, frescura e mineralidade num conjunto prazeroso e elegante.
À mesa, a sua vivacidade e estrutura fazem dele uma boa companhia para ostras, mariscos ou peças de sashimi, mas também serviu de boa parelha para bom presunto, salada de polvo e de ovas bem temperadas. 
Cor amarela intenso, tonalidade dourada clara, com reflexos ligeiramente acobreados, aspecto límpido , bolha extremamente fina, cordão fluído e persistente. No plano aromático encontramos, de forma nítida, notas de frutos vermelhos frescos como a groselha e a framboesa, evoluindo para toques de citrinos maduros, flores secas e nuances de frutos pretos, aparecendo, à medida que abre no copo, subtis notas de especiaria, num plano muito fino e integrado e sem nunca mascarar a fruta.  Surpreende na prova de boca, revelando um registo vibrante e enérgico, de grande tensão e foco, pureza mineral, onde a acidez firme conduz a fruta vermelha pelo palato, com mousse leve e envolvente, terminando longo, seco e com o lado salino e mineral vincado.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Soc. Vin. de Palmela Botelharia Moscatel de Setúbal 1996

SOC. VIN. DE PALMELA BOTELHARIA MOSCATEL DE SETÚBAL 1996 | PENÍNSULA DE SETÚBAL | 17% | PVP  48€
MOSCATEL
SVP, SA
17

Gosto de Moscatéis de Setúbal mais antigos, onde a passagem do tempo deixe marca e o lado mais exuberante e excessivo não esteja tão presente. Aqui não é a concentração que mais me conquista, mas a elegância e o equilíbrio, fazendo neste vinho toda a diferença, com uma doçura equilibrada, sem o peso ou a densidade que por vezes encontramos neste estilo. Um Moscatel que conjuga riqueza aromática e delicadeza, merecendo, por isso, toda a minha atenção. Faz agora 30 anos. Parabéns.
À mesa, acompanharia muito bem uma torta de Azeitão ou doces conventuais à base de ovos e amêndoa. Numa aproximação mais sôfrega também mereça ser apreciado sozinho, com tempo e atenção.
Cor âmbar jovem, tonalidade caramelizada, ligeiramente turvo, embora brilhante. Rico e complexo no plano aromático, destacando as notas clássicas presentes neste tipo de vinho como casca de laranja, flor de laranjeira, algum melaço e frutos passa, envolvente e desafiante. Na boca, a doçura está bem integrada, sem tornar o conjunto pesado ou se mostrar excessivamente denso, primando pela elegância e o equilíbrio que mais me agradam, dando ao vinho uma delicadeza que valorizo particularmente. Dono de final de boca longo e duradouro.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Malhadinha 2024 Branco

MALHADINHA 2024 BRANCO | ALENTEJO | 13,5% | PVP  30€
ARINTO, VIOSINHO, ALVARINHO, VIOGNIER, CHARDONNAY
HERDADE DA MALHADINHA NOVA, SA 
17,5

Conquistou-me pelo equilíbrio entre fruta, frescura e uma barrica discreta, que acrescenta complexidade sem retirar protagonismo à elegância do conjunto. Com volume, textura cremosa e uma acidez que mantém tudo no lugar, é um branco com clara vocação gastronómica, que pede mesa e bons produtos. 
Vejo-o a acompanhar na perfeição um peixe nobre no forno ou um prato de bacalhau, onde a sua estrutura e frescura poderão brilhar. Um vinho que deixa vontade de continuar à mesa com ele no copo.
Cor amarelo citrino intenso, brilhante e com ligeiras nuances esverdeadas, aspecto límpido e jovem. O nariz recebe-nos de forma elegante e fresca, antecipando alguma complexidade aromática ao revelar notas de fruta de polpa branca, maça verde, pêssego e melão, e notas florais subtis a seu lado, com a passagem por barrica a surgir num plano discreto, integrada, sem se sobrepor à fruta, com subtil tostado e especiaria  a compor o bouquet. Na boca, revela volume e estrutura, oferecendo textura cremosa e sedutora que se vê amparada por uma acidez que mantém o conjunto fresco e elegante, onde a fruta continua a brilhar e a passagem por barrica é um pormenor que lhe garante maior amplitude e presença sem comprometer a harmonia, terminando com longo final de boca que nos impele ao copo seguinte.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Smith Woodhouse Madalena Vintage Port 1995

SMITH WOODHOUSE MADALENA VINTAGE PORT 1995 | PORTO | 20% | PVP  60€
VINHAS VELHAS, TOURIGA FRANCA
SMITH WOODHOUSE & CA, LDA
18

Teve o condão de despertar a minha curiosidade pela forma como fui surpreendido pela sua imensa juventude, elegância e frescura. Num belo momento de forma e não esquecendo o facto de ser de um ano terminado em 5, fui à procura de mais informação acerca do que acabara de beber.
Porto Vintage de quinta única (Single Quinta Vintage), proveniente da Quinta da Madalena, situada no vale do Rio Torto, no Douro. A casa Smith Woodhouse, fundada em 1784 e adquirida pela família Symington em 1970, tem uma ligação histórica a esta zona e é conhecida pela produção de uvas para vinhos do Porto de grande concentração e qualidade.
A combinação clássica com queijo azul, como o Stilton, continua a ser uma excelente opção e uma das que lhe serviu de companhia. Delicioso. O sal e a intensidade do queijo contrastam com a doçura e a concentração do vinho. A sobremesa de chocolate negro de elevada percentagem de cacau também será uma opção, mas com o queijo é do outro mundo.
Cor vermelho rubi intenso, com subtis reflexos alaranjados, ainda com concentração evidente, límpido e cativante. No nariz continua a oferecer a fruta vermelha e preta em bom plano, fresca, com especiaria exótica bem ligada, casada com notas de cacau, fruta passa em fundo, ainda que discreta, leve mentolado, perfil elegante. Registo delicado e de grande finesse na prova de boca, textura macia, sedutora, mostrando grande equilíbrio na sensação de doçura, bela acidez, oferecendo a fruta bonita, límpida e jovem, tanino polido, conjunto prazeroso e ligado, sem se mostrar denso em excesso e com final de boca longo.