quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Quinta da Extrema Edição II 2017 Branco

QUINTA DA EXTREMA EDIÇÃO II 2017 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  34,90€
ENCRUZADO, RABIGATO
COLINAS DO DOURO SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
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No meu copo está um daqueles brancos durienses que ajudam a desmontar a ideia de que os grandes vinhos da região têm necessariamente de ser tintos e que os brancos são para beber jovens. O produtor indica-o como um vinho pensado para evoluir vários anos em garrafa. E assim é. Se não contar com as boas particularidades do tempo de espera – 9 anos -, o vinho está como novo. Tendo em conta que vos estou a falar de um 2017, acho particularmente interessante o facto de todas as minhas notas continuarem a apontar para frescura, tensão e capacidade de continuar em evolução. Classifico-o como o tipo de branco que vale a pena beber com alguma atenção - e não demasiado frio -deixando-o respirar no copo e que fale connosco.
À mesa pede comida com alguma complexidade. Peixe assado, bacalhau, marisco, aves ou mesmo pratos de cogumelos estarão à altura da sua textura e acidez. Com pratos mais delicados, a sua elegância pode sobressair e com pratos com alguma gordura, a acidez ganha ainda mais sentido.
Cor amarelo citrino com tonalidade palha, mostrando ainda reflexos esverdeados e aspecto jovem, límpido e brilhante. No plano aromático compro que o tempo parece ter-lhe feito particularmente bem. Mantém um perfil muito elegante e contido, com citrinos, toranja, maçã e notas de pedra lascada, sílex, acompanhadas por nuances discretas de pastelaria e madeira. Tudo muito fino e harmonioso. Não é um vinho exuberante que procura impressionar pela intensidade aromática, a sua força está precisamente nesta subtileza e definição. Na boca mostra-se cremoso, amplo e tenso, com uma acidez muito viva que lhe dá nervo e prolonga todo o conjunto, oferecendo boa textura, mas também uma componente crocante e mineral que impede qualquer sensação de peso extra. O final é longo, persistente e surpreendentemente fresco para um branco com esta idade.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Adega de Borba Reserva 2022 Tinto

ADEGA DE BORBA RESERVA 2022 TINTO | ALENTEJO | 14% | PVP  9,99€
ALICANTE BOUSCHET, ARAGONEZ, CASTELÃO, TRINCADEIRA
ADEGA COOPERATIVA DE BORBA, CRL
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Este vinho conta com um ponto de interesse muito único: o Rótulo de Cortiça. Desde sempre o associei à Adega de Borba, como provavelmente todos os que alguma vez o beberam ou o conhecem e, apesar de ser um vinho de produção relativamente volumosa, consegue manter uma identidade muito própria. 
Não procura impressionar pela concentração ou pela presença da barrica, mas antes pelo equilíbrio entre fruta, estrutura e uma acidez que lhe garante frescura. Para além disso, é também um daqueles vinhos em que a relação entre preço e qualidade continua a ser motivo de destaque. 
À mesa tira partido da sua enorme versatilidade e proporciona companhia feliz para o borrego assado, as carnes vermelhas no forno, o entrecosto na grelha ou em pratos tradicionais alentejanos.
Cor vermelha rubi definida, concentrado, auréola luminosa, aspecto límpido e jovem. No plano aromático revela-se fino e elegante, dominando os frutos pretos maduros e alguma compota, com notas de chocolate e um subtil lado especiado resultante do estágio em madeira, fino balsâmico e leve recorte fumado. Na boca mostra-se macio, de corpo médio, com a fruta madura bem presente e uma ligeira adstringência que lhe dá estrutura e secura salivante que acaba por nos pedir comida, tanino polido, mas suficientemente firme para dar definição ao conjunto, enquanto a acidez mantém o vinho equilibrado e evita que a fruta se torne pesada. Termina com alguma elegância, deixando uma sensação a boa fruta e ligeiramente especiada. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Borgogno Barolo Riserva 2014 Tinto

BORGOGNO BAROLO RISERVA 2014 TINTO | PIEMONTE (ITA) | 14% | PVP  169€
NEBBIOLO
GIACOMO BORGOGNO & FIGLI
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Um Barolo de enorme elegância e carácter, onde a evolução começa agora a revelar toda a complexidade que o longo estágio em madeira – 6 anos - e o tempo de garrafa procuraram preservar. Não encontrei um vinho de impacto imediato, antes um vinho para se levar à mesa, dar-lhe tempo e perceber como a fruta, as especiarias, as notas balsâmicas, a acidez e o tanino vão sucessivamente aparecendo no copo, quase que por camadas temporais. Passados cerca de doze anos, está num ponto muito interessante de consumo, embora não tenha qualquer dúvida de que irá continuar o seu caminho em garrafa durante muitos mais anos. 
Um Barolo de perfil clássico, construído mais sobre a elegância, a frescura e a capacidade de envelhecimento do que sobre a concentração ou a exuberância. 
É daqueles vinhos que pedem comida com alguma estrutura, mas sem excessos. Um risotto de cogumelos, ossobuco ou carnes de caça são escolhas naturais. No nosso caso, o pairing ocorreu com o Risotto de Rabo de Boi “Rossini” com Pera Rocha no qual a acidez e os seus taninos encontraram gordura e intensidade suficientes para um momento de equilíbrio e grande prazer. 
Cor rubi com ligeiros reflexos granada, média concentração, luminoso e de aspecto límpido e hipnotizante. No plano aromático começa tímido e delicado, mas vai ganhando dimensão com algum tempo no copo, revelando cereja vermelha, frutos silvestres, flores secas, ervas aromáticas, especiarias e notas de alcaçuz, a que se juntam sugestões balsâmicas e um lado terroso muito fino e elegante. Na boca apresenta-se de entrada firme, acidez viva e muito bem integrada, tanino presente, mas já mais polidos e menos duros, com uma textura que privilegia a elegância em vez do peso e com a fruta vermelha muito bonita temperada com especiaria, notas balsâmicas e uma componente mineral e ligeiramente salgada que parece surgir apenas no final de tudo. Termina longo, fresco e persistente.

domingo, 30 de agosto de 2026

Lacourte Godbillon Mi-Pentes Premier Cru Extra Brut

LACOURTE GODBILLON MI-PENTES PREMIER CRU EXTRA BRUT BRANCO | CHAMPAGNE (FRA) | 12% | RM | PVP  68€
PINOT NOIR
LACOURTE GODBILLON
Dégorgement 11/2021
17,5

Conquista pela elegância, pela precisão e pela forma como o tempo lhe foi acrescentando novas dimensões. Encontrei-lhe a curiosidade de ter as uvas de pinot noir, que lhe dão vida, provenientes de parcelas de meia encosta - Mi-Pentes -. em Écueil, na Montagne de Reims, sendo que a sua base é da colheita de 2017, complementada por 30% de vinhos de reserva e, nesta edição, o vinho permaneceu cerca de 41 meses sobre as borras antes do dégorgement, já em novembro de 2021, com dosage muito baixo de 3 g/l. Não é 0, mas é muito próximo.
É precisamente essa combinação entre fruta, tempo e secura que mais me atraiu,  encontrando um Champagne com algum volume e sensação de riqueza, mas sem a sensação adocicada, antes com elegância através da precisão, da textura e de uma mousse delicada, deixando que o carácter do pinot noir e a evolução sobre as borras acrescentem profundidade.
Aqui fugiria um pouco ao cliché das ostras e da posposta para início de refeição. É um Champagne com estrutura e secura suficientes para acompanhar pratos principais e não apenas para servir de aperitivo ou entrada. Penso em marisco, ostras, peixe cru, carpaccios, peixe grelhado e aves, mas também em pratos onde a componente cremosa ou de forno encontre contraponto na acidez e na secura do vinho. E se for no final, só mesmo para terminar, limpa os sentidos e a alma.
Cor amarela definido e intenso, brilhante e luminoso, ainda com face jovem, bolha fina e de cordão persistente. No nariz é a componente de panificação que primeiro aparece, muito evidente e envolvente, lembrando pão acabado de cozer, brioche e notas de massa fina, até mesmo subtil fruto seco torrado, a que se juntam apontamentos de frutos citrinos e de polpa branca, alguma fruta mais madura e uma dimensão evolutiva muito bonita, com pitada floral e giz molhado, sem que o vinho perca frescura ou definição. Na boca oferece uma mousse é leve, fina e muito bem integrada, que nos invade e envolve o palato sem criar qualquer sensação de peso,  grande elegância, onde a secura se afirma de forma vincada, tornando a prova muito precisa e limpa, acidez sempre presente, firme e refrescante, prolongando a sensação de frescura e dando equilíbrio ao conjunto. A fruta aparece mais discreta, deixando que as notas de panificação e a componente mineral assumam maior protagonismo. O final é seco, persistente e muito elegante, limpando o palato de forma incrível.

sábado, 29 de agosto de 2026

Kimbrel Laurioza 2022 Tinto

KIMBREL LAURIOZA 2022 TINTO | DOURO | 12,5% | PVP  74,50€
FIELD BLEND
KIMBREL WINE COMPANY UNIP, LDA
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Se encontramos projectos no Douro que nascem com a ambição de fazer grandes quantidades de vinho, outros há cujo objectivo passa por fazer nascer precisamente o contrário. A Kimbrel, projecto duriense muito recente, pertence a este segundo grupo, apostando desde o início numa leitura mais próxima da vinha, dos seus lugares e das pequenas parcelas que compõem uma propriedade. O projecto instalou-se, em 2022, na histórica Quinta do Roncão, no Vale do Roncão, uma propriedade datada de 1851 e com cerca de 12 hectares de vinha, onde a presença de vinhas velhas e de muitas castas diferentes constitui uma das suas maiores riquezas. A produção é deliberadamente pequena e orientada para micro-lotes.
O Laurioza 2022 nasce precisamente dessa filosofia. É um field blend que mostra que a elegância também pode nascer de uma região tantas vezes associada à potência,  optando por uma extracção muito ligeira, oferecendo mais delicadeza e expressão da fruta, num relacionamento de equilíbrio entre todas as partes.
À mesa buscamos de imediato as carnes assadas, caça de pelo, cabrito, pratos de forno e cozinha tradicional duriense.
Cor vermelho rubi de média concentração, tonalidade granada, luminoso, brilhante e jovem. No plano aromático a fruta vermelha madura e vibrante mostra-se de imediato, num registo mais carnudo e menos floral e mato seco, à qual se junta a especiaria e subtil componente vegetal, balsâmicos frescos e subtil folha de eucalipto em fundo. Conquista verdadeiramente na boca, com muita elegância e energia ao mesmo tempo, volume médio, de textura mais delicada, evitando o caminho do peso e rusticidade por vezes desproporcional, revelando acidez vibrante, secura salivante que se afirma passo a passo, fruta fresca bem definida, fruto de bago, silvestre, com tanino polido, mas firme, maior profundidade e mais sedutor, resultando num belo conjunto, prazeroso, fresco e de longo final.