terça-feira, 31 de agosto de 2021

Taboadella Jaen Reserva 2019 Tinto

TABOADELLA JAEN RESERVA 2019 TINTO | DÃO | 13,5% | PVP  15,99€
JAEN
TABOADELLA, SA
17

Um Jaen muito sério que me impressiou pela sua frescura e elegância com que se apresentou desde o primeiro momento até à última gota. Firme, sem pontas soltas e a revelar potencial para alguns bons anos de guarda. 
Cor vermelho rubi intenso de média concentração, tonalidade levemente granada, aspecto limpo e jovem. No nariz somos arrebatados pelos aromas frescos e elegantes da fruta preta e azul, fruto de baga, como o mirtilo ou a amora silvestre, pontuando também notas de framboesa, groselha e com a companhia bem medida de traço de turfa, resina, cedro, alguma pimenta branca, complexo e desafiante. Boca texturada, mordiscável, com a fruta, mais uma vez, bem fresca e marcada, fruta preta e de baga, com acidez, com frescura, secura quanto baste, no ponto, tanino firme, ligeiro vegetal pós primeira impressão da fruta, término longo e persistente.
Toda esta frescura me leva para os pratos cheios de complexidade e sabor que fazem parte da gastronomia desta região, para os assados no forno e naturalmente para os pratos de carne.

domingo, 29 de agosto de 2021

Arrepiado Tradição 2017 Tinto

ARREPIADO TRADIÇÃO 2017 TINTO | ALENTEJO | 14,5% | PVP  29,90€
TOURIGA NACIONAL
ARREPIADO WINE & TOURISM, LDA
17,5

A Herdade do Arrepiado Velho, não me canso de o dizer, tem dos rótulos mais bonitos que podemos encontrar em Portugal. Não queiram saber o que custa deitar a garrafa fora. A verdade é que o que está lá dentro, o vinho, também não se deixa ficar atrás. Este Touriga Nacional mostra bem o bom trabalho que aqui se tem feito. Perfil fresco, harmonioso, apostando na qualidade da matéria prima, mostrando a fruta madura e fresca, sedutor e com potencial gastronómico.
Cor vermelho granada concentrado, com tonalidade violeta definida, aspecto límpido e jovem. No plano aromático o fruto preto maduro revela-se num plano maduro e fresco, cativante e envolvente, lado a lado com as notas perfumada das violetas, num equilíbrio seguro, notas vindas do estágio em barrica bem ligadas, alguma baunilha, especiaria e um fundo balsâmico refrescante, caixa de tabaco e alguma hortelã. Na boca mostra garra, cheio de vida e ainda a mostrar-se jovem, gordo e opulento, macio, tanino presente, sem se mostrar agressivo, mas a marcar a sua presença em conjunto com a boa fruta, fresca, sumarenta, num conjunto com equilibrio, especiaria e notas de cacau bem colocadas e com final de boca longo e persistente.
Acompanhou com mestria diversos pratos do receituário alentejano com base na carne de porco e nos seus sabores complexos e ricos.

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Quinta da Arrancada Reserva 2019 Branco

QUINTA DA ARRANCADA RESERVA 2019 BRANCO | BEIRA INTERIOR | 14% | PVP  5,89€
FERNÃO PIRES, ARINTO  
PAULO LALANDA - PJRL
16

A curiosidade de voltar a beber um vinho que já não provava há imenso tempo, levou-me a escolhê-lo de uma lista bem constituída com diversas referências da Beira Interior. A Quinta da Arrancada é uma pequena propriedade situada a sul da Serra da Gardunha onde, desde 1974, ano a partir do qual os actuais donos passaram a conduzir o seu destino, se produz essencialmente vinho branco e tinto. 
Visualmente de cor amarelo citrino com reflexos e tonalidades esverdeadas, aspecto límpido e jovem. No nariz marcam as notas de fruta citrina e de fruta de caroço, lima, toranja, ameixa amarela e alperce, com um interessante pano de fundo mineral, pedra lascada e perfil fresco. Boca com algum corpo, untuosidade bem medida, com acidez bem colocada, acídula e citrina, apresentando novamente a fruta num plano de destaque, sumarenta e fresca, num conjunto equilibrado e com final de boca longo.
Fez companhia, sem mácula, às entradas de queijo de média intensidade e enchidos de qualidade, não se atrapalhando depois com a carne de porco Duroc, ligeiramente temperada e cozinhada na pedra.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Hasso 2019 Branco

HASSO 2019 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  7€
VIOSINHO, RABIGATO, ARINTO, GOUVEIO 
KRANEMANN ESTATES, LDA
16,5

Regressamos ao Hasso com a colheita de 2019 que, em resultado da alteração do blend de castas utilizadas na anterior e primeira colheita, surge agora mais afinado, com a tez mais mineral e, sem dúvida, um patamar acima do 2018. Saiu a casta Fernão Pires, introduziram-se o Arinto e o Rabigato. Manteve o lado descontraído, mas agora mais expressivo da região onde nasce. 
Cor amarelo citrino aberto, tonalidade esverdeada evidente, aspecto jovem, límpido e brilhante. Aromas a fruta fresca, muita fruta de pomar, maças frescas acabadas de cortar, citrinos e leve floral a companhar, traço salino, pedra partida, fresco. Na boca brilha a fruta madura e fresca conjungada com uma acidez fina, elegante, que seca levemente o palato, que nos deixa sentir alguma untuosidade e boa largura de boca, mostrando leveza no conjunto, equílibrio e terminando longo e persistente. 
Encaixa na perfeição no conceito de vinho para o verão com o seu ar descontraído e a sua versatilidade na ligação à mesa com pratos mais habituais da época baseados em peixe, saladas, massas, receituário italiano e petiscada variada.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

1900, 1908 e 1927: Os Porto Very Old Tawny Raros e Antigos da Real Companhia Velha

No ano em que celebra 265 anos e a relativa pouca distância do 10 de Setembro, dia efectivo do aniversário, a Real Companhia Velha apresentou uma coleção de três Vinhos do Porto das colheitas de  1900, 1908 e 1927. Do final do século XIX e início do século XX, representam as melhores Colheitas daquele período, envelhecidos com grande devoção e meticuloso cuidado nas suas centenárias caves de Vila Nova de Gaia. Foi lançada numa belíssima embalagem com três garrafas de 200 ml, numa edição limitada a 500 unidades e com um preço de venda ao público de 2500 euros.
Apesar de ainda condicionada pelas regras impostas devido ao actual estado de pandemia, a Real Companhia Velha não quis deixar de fazer uma apresentação e prova dos mesmos que revelaram tratar-se de Portos de excepcional qualidade,  autênticas pedras preciosas para qualquer apaixonado de Vinho do Porto.
 
Antes de passar à nota de prova de cada um deles e dada a raridade e história que vinhos desta magnitude trazem consigo é obrigatório contextualizá-los devidamente no tempo. O ano de 1900 foi considerado como um ano de produção generosa, mas com qualidade, há relato que a vindima desse ano terá começado no final de Setembro, com um clima de feição após alguns dias de chuva. Este 1900 reflete bem as características do ano, que produziu vinhos descritos como delicados e harmoniosos, apesar de terem menos cor e menos estrutura do que os dos anos clássicos. 
O ano de 1908 trás consigo a reputação de ter produzido vinhos de qualidade, tendo beneficiado de um inverno frio, uma primavera amena e um excelente verão, com altas temperaturas no momento da vindima, a acontecer em finais de Setembro. 
Quanto ao ano de 1927 reconhecemo-lo como um dos melhores do século. Produziu vinhos com cores profundas e de alta concentração. Relata a história que as chuvas, no final de Setembro, foram extremamente benéficas para o afinar da maturação e que a vindima terá ocorrido tardiamente para a época, no início de Outubro, em excelentes condições climatéricas, com temperaturas altas, que terão contribuído para uma perfeita maturação das uvas. Um Porto formidável e, provavelmente, um dos mais distintos de todo o espólio de Vinhos do Porto muito velhos.
 
REAL COMPANHIA VELHA VERY OLD TAWNY PORT 1900
REAL COMPANHIA VELHA
19
Cor âmbar definida, com tonalidade aloirada, ligeiro esverdeado e acastanhado, bonita auréola, aspecto límpido. Aromaticamente complexo e elegante, com notas de fruta passificada, uva, alperce, figo, fruto seco, pinhão, alguma percepção de resina, fruto seco torrado, avelã e noz, madeira velha, profundo e desafiante, com aquela nota de vinagrinho subtil que lhe dá tanta vida. Na boca mostra corpo e volume, com uma cremosidade envolvente, textura melada, bem temperado pela sua acidez vivaz, mostrando-se elegante, com finess, harmonioso, com o adocicado em medida de excelência, rico, longo no final, marcando pela sua frescura, elegância e nobreza.
 
REAL COMPANHIA VELHA VERY OLD PORT 1908 
REAL COMPANHIA VELHA
19
Cor âmbar escuro e definido, com tonalidade esverdeada nítida, aspecto límpido e brilhante. No nariz surge com notas mais voluptuosas, com o fruto seco numa primeira camada, seguindo-se múltiplas camadas onde aparecem as notas de fruta passa, o toque de melaço, algum caramelo e o tão querido vinagrinho a puxar pela vida e essência do néctar. Rico, complexo e profundo. No palato revela também mais corpulência e estrutura, ligeiramente mais gordo, com uma vitalidade extraordinária, detentor de acidez fina, elegante, muito rico e aveludado ao toque, com subtis notas de caramelo, contando com um final de boca persistente, longo, jovial e guloso.
 
REAL COMPANHIA VELHA VERY OLD PORT 1927
REAL COMPANHIA VELHA
19,5
Cor âmbar intenso, com tonalidade mais fechada e densa, esverdeados no bordo do copo, aspecto límpido e cativante. No plano aromático destaque para o equílibrio do bouquet, rico e desafiante, no qual a fruta passa e o fruto seco convivem de forma perfeita, notas de melaço e caramelo bem medidas, ligeiro verniz, sem dúvida o mais fresco dos três, com uma finess extraordinária. Boca com densidade, volume, expressivo, mostrando também uma vivacidade de excelência para a sua idade, revelando o fruto seco, as notas de caramelo, um verniz bom, numa textura que nos prende e agarra, aveludado,  harmonioso, uno e com um final distinto. Memorável, sem dúvida.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Quinta das Bágeiras 2019 Branco

QUINTA DAS BÁGEIRAS 2019 BRANCO | BAIRRADA | 13% | PVP  5,60€
MARIA GOMES, BICAL
MÁRIO SÉRGIO ALVES NUNO
16,5

Em equipa que ganha não se mexe e esta colheita manteve o lote de castas também já utilizadas na colheita anterior. Continua a ser um dos meus brancos de referêncua para esta gama de preço, embora este ano surja com um perfil um pouco mais floral do que em anos anteriores. Mantém, no entanto, a silhueta elegante e fresca aliada à sua fruta de grande qualidade.
Cor amarelo citrino com reflexos esverdeados, aspecto límpido e jovem. No nariz destaque para as notas de fruta de caroço, citrino mais adocicado, perfume floral, marca salina, elegante e fresco. Boca com textura interessante, boa cremosidade, nada em demasia, bem balanceada por uma acidez fina e precisa, mostrando mais uma vez a fruta num plano sumarento, com muita elegância, boa profundidade e final de boca longo. 
Gosto dele a acompanhar pratos de peixe, principalmente peixe frito e acompanhamentos com complexidade. Um Sável com açorda de ovas com bastante coentro e um fio de azeite é, desde há muito, o devaneio que lhe junto pelo menos uma vez por ano.

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Dory 2020 Rosé

DORY 2020 ROSÉ | LISBOA | 12,5% | PVP  4,99€
TOURIGA NACIONAL, PINOT NOIR
ADEGAMÃE - SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
16,5

O primeiro Dory rosé chegou este ano às prateleiras e podemos afirmar que começou muito bem. Da colheita de 2020, um blend com as castas Touriga Nacional e Pinot Noir, mostrando a fruta e uma faceta mais vegetal num patamar de elegância elevado, leveza e frescura lado a lado e sem se esconder quando levado à mesa.
Cor rosa pálido, tonalidade salmonada, aberto, limpido e brilhante. Aromas elegantes, fruta vermelha mandura, alguma notas de alperce, nespera, seguida de leves notas vegetais a temperar o conjunto, tez fresca e salina. Boca com fina textura, acidez equilibrada e fina, aparecendo novamente uma fruta vermelha bem fresca, um morango não muito maduro, ainda com aquele toque mais acídulo, conjunto harmonioso e com bom comprimento no final de boca.
Facilmente se bebeam umas garrafas só acompanhadas de boa conversa e companhia num dia de calor, mas não seria justo chamar a atenção para a sua acidez composta que fará a delicia de uma salada de verão, uma entradas sem grande complexidade ou uma taça de morangos com uma colherada de chantily. Atrevam-se!

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Encostas de Penalva 2004 Branco

ENCOSTAS DE PENALVA 2004 BRANCO | DÃO | 12,5% | PVP  2,90€
MALVAZIA FINA, ENCRUZADO, RABO DE OVELHA 
ADEGA COOPERATIVA DE PENALVA DO CASTELO, CRL
15
 
Às vezes são estas boas surpresas que nos colocam no rosto o sorriso menos esperado. Já com alguns anos na garrafeira, a curiosidade suplantou o receio, e fez com que fosse para a mesa. Rolha impecável, sem aromas estranho na sua abertura, a abrir a passo e a mostrar que ainda se podia contar com ele. Um vinho cujo parente mais recente custa até 3€ e que não sei se terá a longevidade deste. 
Cor amarelo de tonalidade dourada, não excessivamente carregada, aspecto límpido e a revelar alguma da idade que já carrega. No nariz surpreende e, apesar de mostrar notas da sua idade, encontra-se num bom momento revelando notas de fruta amarela madura, laranja de inverno, notas de algum fruto seco, melaço, fruta passa, alperce, encondendo as notas mais iodadas, que estão lá, mas num patamar muito baixo para serem sequer incomodativas. Na boca é onde se apresenta mais jovem, com um balanço muito bom entre a sua untuosidade, notas de fruta e uma acidez firme e muito bem colocada no suporte ao conjunto. O final de boca é longo e persitente.
Gostaria de o beber casado a acompanhar um peixe assado no forno, sendo que não se portou nada mal com um prato de mão de vaca com grão e, mais tarde, com uma fatia de Queijo da Serra e uma fatia de pão.

La Vara Handmade Burguers & Portuguese Wines - Coimbra

Quase em frente ao parque Portugal dos Pequenitos, mas a pouco passos da entrada, encontrei há pouco tempo esta hamburgeria que prometia boa carne, hamburgers caseiros com um twist americano, uma carta de vinho e cervejas artesanais. Tinha pouco tempo e a companhia também pedia a experiência, pelo que, sem demora, lá fomos.
 
Espaço luminoso, minimalista no que se refere a paredes e mesas, com todos os cuidados aos tempos de pandemia que hoje passamos. Ementa variada, mas não extensa ao ponto do exagero, com os hamburgers em destaque, mas também com outras opções american style como as asas de frango frita com molho picante ou as pork ribs.
A carta de vinhos, uma das minhas grandes curiosidades, tinha uma diversidade interessante, embora sem grandes surpresas, mas com opções de várias regiões como Bairrada, Douro, Alentejo, Vinhos Verdes e Dão. E com taxa de Rolha permitindo levar a nossa garrafa de vinho. No entanto, a minha opção recaiui nas cervejas artesanais, também com alguma possibilidade de escolha e com referências que me eram totalmente desconhecidas.
 
O serviço é rápido e atencioso, com tempo para sugestões tanto a nível do que podemos escolher para comer, como na escolha da cerveja certa para o que queremos e para as nossas mais habituais preferências. Não estamos sozinhos e isso é bom. 
Os hamburgers vêm para a mesa no ponto escolhido, embora pudesse ser mais perfeito. Sabor, textura, os mohos não se sobrepõem, há equilíbrio e há prazer ao comer. Para quase todos há opção de dois niveis e existe mesmo um que tem três. Adivinhem... o American.

Se ainda houver apetite para a sobremesa aconselho este Brownie com Gelado de Baunilha que, para além de ser em dose que dá para duas ou três pessoas, cumpre para as nossas expectativas.
Um local com preços acessíveis, para refeições que queremos sejam de fast-food, mas com algo mais que as tradicionais marcas que inundam o mercado e que não vou dizer quais são.
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LA VARA HANDMADE BURGUERS & PORTUGUESE WINES
Tipo de Cozinha: Fast Food, Americana
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo:Não
Estacionamento: Não. Existe próximo com bastante facilidade.
Horário de funcionamento: Das 12:30h às 15:00h e das 19:00h às 22:00h; Encerra à segunda-feira.
Preço Médio p/ Refeição sem vinho: 10,5€

Morada: Avenida Dr. João das Regras, Nº52 e Nº54 3040-256 COIMBRA
Telefone:  +351 917 236 984
Na net: La Vara Handmade Burguers & Portuguese Wines

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Grainha Reserva 2019 Branco

GRAINHA RESERVA 2019 BRANCO | DOURO | 13,5% | PVP  14,50€
VIOSINHO, GOUVEIO, RABIGATO 
QUINTA NOVA NOSSA SENHORA DO CARMO, SA
17,5
 
Um belo exemplar duriense, muito rectilíneo, mostrando a fruta e as notas vindas do estágio em barrica num casamento muito bem definido, muito harmónico, sendo depois na boca a sua frescura e acidez salivante aliadas à fruta de qualidade que nos cativam e nos agarram a ele.
Cor amarelo citrino intenso, tonalidade aberta com laivos esverdeados, aspecto límpido e jovem. Aromas elegantes com notas bem medidas de fruto citrino, fruto tropical e fruta de polpa amarela madura, lima, bergamota, ameixa, maça e abacaxi, com singelo floral, alguma baunilha em fundo, carga mineral bem presente. Boca com corpo e volume, alguma untuosidade e boa largura, acidez acutilante, activa, a secar o palato, novamente contando com muita fruta fresca, bonita, barrica bem ligada, equilibrado, com final de boca longo, persistente e com secura saborosa.
É um branco com algum corpo,estrutura e muito boa acidez pelo que as melhores ligações serão com peixe com mais complexidade e gordura, um lombo de bacalhau grelhado, polvo com bastante azeite, salmão ou peixes assados no forno.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

São Domingos Garrafeira e Quinta de S. Lourenço: As Novidades das Caves São Domingos

As Caves São Domingos lançaram recentemente dois tintos completamente diferentes e distintos e cuja data de colheita, o ano de 2016, partilham em comum. O palco para esta apresentação de verão foi a esplanada do magnifico Darwin´s Café com Belém e o Tejo como cenário numa tarde de calor que traria, mais tarde, também uma (ou duas) tacinhas do seu espumante de topo, o São Domingos Elpídio Bruto comemorativo dos seus 80 anos e com um estágio em caves por 48 meses. É obra!. 
O Quinta de S. Lourenço Single Estate é oriundo de uma propriedade clássica com o mesmo nome, que está sob responsabilidade das Caves São Domingos desde 2004, e onde as castas Baga e Touriga Nacional que compõem este vinho encontram o terroir adequado para óptimas maturações. O vinho teve um estágio de cerca de 18 meses em barricas de carvalho francês usadas, a que se seguiu um estágio em garrafa durante quase 2 anos. 
O São Domingos Garrafeira, que dispensa grande apresentações, alia a Touriga Nacional às castas internacionais Cabernet Sauvignon e Merlot, criando um vinho que não disfarça o ADN da região e que, para espanto de muitos, não conta com a casta Baga na sua composição. Estagia 12 meses em barricas de carvalho francês e americano, após o qual teve um estágio em garrafa superior a 2 anos.
Conheca ambos os vinhos já a seguir.
 
QUINTA DE S. LOURENÇO SINGLE ESTATE 2016 TINTO | BAIRRADA | 13,5% | PVP 12€
BAGA, TOURIGA NACIONAL
CAVES DO SOLAR DE SÃO DOMINGOS, SA
17
 
Cor vermelho intenso, tonalidade aberta, aspecto límpido e jovem. No nariz revela, com elegância, a fruta vermelha e preta, bastante fruta de bagas, com as notas vinda do estágio em barrica bem ligadas, leve tostado, singelo cacau, floral bem medido, com um refrescante mentolado, desafiante e complexo. Boca com estrutura e volume, acidez acutilante, mais seco, salivante, a puxar por comida, com a fruta vermelha muito bem colocada, fresca e distinta, revelando também nesta fase algum cacau, alguma especiaria, terminando longo e muito preciso.
Queremos contar com ele à mesa, se durante este verão baixando-lhe um pouco a temperatura, casando-o com carnes vermelhas grelhadas, mal passada e com queijos de pasta mole, mais gordos e complexos. 
 
SÃO DOMINGOS GARRAFEIRA 2016 TINTO | BAIRRADA | 14% | PVP 19€
TOURIGA NACIONAL, CABERNET SAUVIGNON, MERLOT
CAVES DO SOLAR DE SÃO DOMINGOS, SA
17,5
 
Cor vermelho rubi de média concentração, tonalidade mais aberta e viva no bordo do copo, aspecto límpido e jovem. No plano aromático destaque para as notas de fruta preta madura bem ligada com pincelada floral da Touriga Nacional a evidenciar-se, tostados leves, pimenta fresca, um toque leve vegetal, bem medido, casca de laranja, fresco e envolvente. Grande dimensão de boca, com amplitude extensa, untuoso, macio e envolvente revelando fruta madura, sumarenta, num conjunto todo ele em harmonia, uno, muito sedutor, com final de boca longo e persistente.  
Um vinho que faz parte das minhas memórias à mesa com pratos poderosos, assados no forno, guisados e que quando com mais idade perfeitos para o borrego mais especiado à marroquino. 

Dois vinhos de grande qualidade, dando um prazer imenso a quem os beber desde já e mostrando também serem opções de guarda para muitos e longos anos.

domingo, 15 de agosto de 2021

Quinta da Boa Esperança Atlântico 2020 Rosé

QUINTA DA BOA ESPERANÇA ATLÂNTICO 2020 ROSÉ | LISBOA | 12,5% | PVP 12,50€
TOURIGA NACIONAL, SYRAH, CASTELÃO
SOCIEDADE AGRÍCOLA DA GAMA, LDA
17
 
Os rosés. Ai os rosés. Mais um do qual não posso deixar de afirmar que me encantou principalmente pela sua leveza e elegância, ao mesmo tempo que nos dá aquela boa sensação que temos de lhe juntar também comida. Com este calor é uma das minhas sugestões para fazer baixar a temperatura.
Cor salmonada aberta, pouca concentração, tonalidade rosa muito leve, aspecto límpido e brilhante. Aromas finos e elegantes, fruta vermelha muito limpa e definida, morango e framboesa, toque floral, carga salina, maritima, fresco. Boca com ligeiro volume, cremosidade e envolvência, com acidez bem colocada, acutilante, com a fruta vermelha num plano muito fino, a secar levemente o palato e com final de boca longo.
Visualmente muito atrativo e cativante é capaz de puxar primeiro pelo seu look e imaginar-se a bebe-lo apenas à beira mar ou piscina, todavia é também rosé para fazer companhia à mesa, com pratos de cozinha oriental, cozinha italiana com alguma complexidade adicional ou saladas com alguma estrutura.

sábado, 14 de agosto de 2021

Freixo Sauvignon Blanc 2020 Branco

FREIXO SAUVIGON BLANC 2020 BRANCO | ALENTEJO | 13% | PVP 9,90€
SAUVIGNON BLANC
HERDADE DO FREIXO II, SA
17

Produzir bom Sauvignon Blanc em Portugal não é tarefa fácil, as condições de terroir, dizem os sabedores, não são as ideais e parece que também nos falta algum conhecimento. No entanto, vou percebendo que, cada vez mais, têm surgido exemplares que vale a pena conhecer. Este é um deles. Não prima pela exuberância desmesurada dos descritores, mas estão lá e de forma muito elegante e precisa, exclamando em voz alta que estamos a beber um sauvignon blanc.  
Cor amarelo citrino, aberto, com tonalidade esverdeada nitida, aspecto límpido e jovem. No plano aromático mostra muita fruta, notas de maracujá,alguma manga, lima, maça verde, toque vegetal bem medido, pimento verde e relva cortada,boa carga mineral, pedra partida, fresco. Boca elegante, textura um pouco mais mordiscável com a mão equilibradora da sua acidez fina, cheia de fruta sumarenta, num equilibrio entre o ligeiramente untuoso e uma secura leve, mas prolongada, terminando longo e finura.
Acredito que esta seja a altura ideal para o beber pois a sua ligação aos pratos de marisco, saladas com maior ou menor complexidade, grelhados de carnes brancas e cozinha asiática será, com toda a certeza, acertada.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Herdade Grande Amphora 2019 Tinto

HERDADE GRANDE AMPHORA 2019 TINTO | ALENTEJO | 14% | PVP 25€
TINTA CAIADA, TINTA GROSSA, TOURIGA FRANCA
HERDADE GRANDE - ANTÓNIO MANUEL LANÇA
17,5

Quem, pelas mais diversas razões, continua afastado e sem conhecer os vinhos de talha não tem a noção do que está a perder. Cada vez mais têm um cantinho reservado na minha garrafeira, embora, também pelas mais diversas razões, não as consiga fazer lá parar durante muito tempo. 
Este talha tinto é uma verdadeira gulodice, não que seja um vinho doce, nada disso, bem pelo contrário, mas porque nos dá um prazer imenso a beber, tem um potencial enorme na ligação à mesa e porque desaparece num ápice. 
Visualmente de cor vermelho com reflexos rubi abertos, média concentração, cativante, aspecto limpo e jovem. Aromas onde a fruta vermelha madura e fresca se junta num feliz casamento com as notas mais terrosas do seu bouquet, com especiados bem ligados, pimentas, fino e elegante. Na boca mostra algum corpo, não sendo um vinho de volume em demasia, que na verdade também não seria o pretendido, mas revelando boa secura, alguma rusticidade, acidez no ponto, juntando-se a fruta num plano sumarento, cativante, primando pela leveza e elegância que um vinho de ter. Termina longo e sempre num registo muito fino e apetecível.
Cai com estrondo na mesa e mostra aptência diversificada para pratos de cariz regional, com complexidade e sabores alentejanos.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Grainha Reserva 2019 Tinto

GRAINHA RESERVA 2019 TINTO | DOURO | 14% | PVP  14,50€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA, TINTA RORIZ 
QUINTA NOVA NOSSA SENHORA DO CARMO, SA
17,5
 
Que belo vinho! Abri a garrafa com alguma antecedência, confesso não propositada, mas que lhe deu algum tempo para se habituar ao contacto directo com o ar. Fez-lhe muito bem. Encontrei um Douro sedutor, que me agarrou desde logo com a sua frescura e elegância, a sua fruta no ponto e a sua complexidade. Deixei-me ir e quando fui para o último copo, fitei a garrafa sem medos e exclamei: "Que belo vinho!".
Cor vermelho intenso de média concentração, mais denso no centro, apresentando notas violeta escuras, aspecto límpido e jovem. Nariz com a esperada fruta vermelha e preta madura, revelando-a fresca e bem definida, casada com florais retemperadores, notas especiadas, um balsâmico envolvente e um respirante fundo de ervas aromáticas, elegante e fino. Boca com volume e corpo, textura macia, sedutora, ficamos a mastigá-lo e a saboreá-lo por momentos, mostra tanino polido, mas com garra e tensão, a querer mais, de bem com a fruta madura, no ponto, ligeiro toque vegetal e especiado, término de boca longo e persistente.
Sente-se à vontade quando à mesa com pratos mais complexos, pratos de caça e com carnes vermelhas a mostrar ainda sua cor original.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

ACL Tinta Roriz 2018 Tinto

ACL TINTA RORIZ 2018 TINTO | LISBOA | 14% | PVP  2,99€
TINTA RORIZ 
ADEGA COOPERATIVA DA LABRUGEIRA, CRL
14
 
A casta Tinta Roriz é uma das que conta com maior reconhecimento na Região de Vinhos de Lisboa e tem um papel de destaque nos vinhos da Adega Cooperativa da Labrugeira, concelho de Alenquer, principalmente nos blends, mas aqui com apresentação a solo num vinho onde a fruta assume o maior destaque.
Cor vermelho de média concentração, tonalidade aberta, aspecto límpido e jovem. No nariz a fruta vermelha e preta silvestre assume o comando, morango, cereja e amora, mostra-se a fruta vermelha e preta madura, ameixa, cereja e alguma amora, muito directo e com boa amplitude. Na boca revela corpo médio, novamente mostrando-se a fruta vermelha bem sumarenta, tanino polido e pronto, harmonioso, sem pontas soltas e com final de boca médio.
Uma boa opção nessa gama de preço que não tem qualquer dificuldade em juntar-se a carnes vermelhas grelhadas e a pratos de origem italiana, como massas ou pizzas.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Tyto Alba Vinhas Protegidas 2017 Tinto

TYTO ALBA VINHAS PROTEGIDAS 2017 TINTO | TEJO | 14% | PVP  6,99€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA, ALICANTE BOUSCHET 
COMPANHIA DAS LEZÍRIAS, SA
16,5
 
No mercado, este Tyto Alba revela-se uma opção segura nos tintos desta gama de preço. Um perfil pronto a beber com prazer, com a fruta no momento muito bom, sem se mostrar em demasia no grau de maturação, mas mostrando-se o suficiente para nos agarrar, frescura no seu todo e pleno de equilíbrio.
Cor vermelho rubi intenso, média concentração, tonalidade granada, aspecto límpido e jovem. No nariz mostra-se, em primeiro plano, a fruta vermelha e preta madura, muito definida, frutos silvestres, ao de leve notas perfumadas, notas de alguma compota, sem excessos, toque de laranja, perfil fresco. Boca de médio volume, textura macia e cremosa, boa envolvência da fruta vermelha, sumarenta, com secura equilibrada, tanino polido e pronto, a chamar a beber desde já. O final de boca mostra-se longo e persistente.
À mesa juntem-lhe a carne vermelha, pratos de caça, receituário com alguma complexidade. Não deixará nenhum deles mal visto com a companhia.

sábado, 7 de agosto de 2021

Dory 2020 Branco

DORY 2020 BRANCO | LISBOA | 13% | PVP  4,99€
VIOSINHO, ALVARINHO, ARINTO, SAUVIGNON BLANC
ADEGAMÃE - SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
16,5

Passados 10 anos após o lançamento do seu primeiro vinho, a Adegamãe inicia agora o processo de lançamento da nova rotulagem. Nova garrafa, nova imagem, manteve-se o pescador no seu dory, mostra-se mais elegante. O vinho esse continua com o mesmo perfil, a mesma fórmula com as casta já utilizadas na colheita anterior e a mesma segurança num branco abaixo dos 5€.
Cor amarelo citrino, aberto, tonalidade esverdeada, aspecto jovem e límpido. No plano aromático destaque para o feliz casamento entre as notas de fruta citrina e de fruto tropical, maduro e fresco, bem temperado por algum vegetal discreto, mas suficiente para lhe dar mais finess, leves notas de pedra lascada em fundo. Boca com volume médio, com alguma untuosidade, mostrando uma acidez no ponto, conjunto harmonioso, com uma fruta fresca, sumarenta, saborosa, brilhando pelo seu todo e terminando longo e elegante.
Continua a ser um daqueles que não engana. Um vinho que se bebe com um prazer imenso, muito ágil na ligação à comida, embora se prefira a ligação natural ao peixe e mariscos com pouca vestimenta, mostrando ainda um potencial de guarda bem interessante.