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quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Zé Manel dos Ossos - Universidade de bem comer em Coimbra

Estamos já a chegar perto do Zé Manel dos Ossos, é a primeira vez e vamos de gps na mão em direcção ao Beco do Forno. Até ao nosso destino passamos por uma série de restaurantes com esplanadas ainda vazias, mas ao fundo reparamos numa fila de pessoas em direcção a uma rua estreita que nos deu o sinal que seria ali o nosso almoço.  
A fila não é (ainda) muito numerosa, optámos por chegar cedo pois aqui não se reservam mesas e a pequena tasca é mesmo pequena e com poucos lugares sentados. Deixamos o número de pessoas e entregam-nos uma ementa para ir começando a pensar no repastado. À janela, dois panelões mostram os famosos Ossos em jeito de antecipação que vai criando um efeito pavloviano em todos os que esperam.
 
Numa espreitadela rápida ao interior confirmamos que o espaço é mesmo exíguo, mesas pequenas, bancos de madeira que não transmitem a melhor ideia de conforto, com uma decoração única, desconcertante, estando as paredes praticamente forradas a pequenos papelinhos com desenhos e dedicatórias dos clientes, feitas a partir dos toalhetes de papel das mesas, misturados com objectos com relativa antiguidade, alguns quase de colecção. Do lado direito um longo balcão que é ponto de partida para tudo o que acontece à mesa.

Quando entramos, não demorou muito tempo até sermos chamados, somos tocados pelo ambiente, percebemos que estamos num local onde muita coisa já aconteceu, onde muito estudante de Coimbra já por aqui passou, desligamos do mundo lá fora, estamos no Zé Manel dos Ossos. 

Sentados à mesa vamos àquilo que nos leva a um restaurante. A comida. Obrigatória a dose de Ossos do espinhaço, Os Ossos não são só Ossos. Com eles vem uma carne cheia de sabor, que facilmente se desprende do osso devido ao tempo de cozedura e que tem de ser comida com as mãos a ajudar.  Fica na memória a chamada de atenção a um dos convivas na nossa mesa "Ó menina! Pegue no Osso com as mãos!".
Acompanha uma batata com molho especial fabulosa. Daquelas iguarias capazes de chamar clientela mesmo se só houvesse aquele prato. 

Pedimos também as Costeletinhas de Porco com Molho Segredo e as Barriguinhas na Brasa com Molho Segredo ambos acompanhados pelo Arroz de Feijão malandro. Delicioso. Este molho segredo está presente em quase tudo, mas ninguém se importa. Haja pão no final para limpar as travessas e estará tudo bem.

No final ainda lugar ao Vomitado. Ao doce com o nome Vomitado. Não se assustem. É um doce caseiro com base em amêndoa e ovo. Delicioso, mas muito doce. Uma pequena bombinha.

No final, saímos de barriga cheia, felizes e com vontade de voltar rapidamente e partilhar a experiência com amigos.
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ZÉ MANEL DOS OSSOS

Tipo de Cozinha: Tradicional
Copos de Vinho Adequados: Não 
Vinho a Copo: Não
Estacionamento: Público afastado (Pago e não Pago)
Preço médio sem bebidas: 18€
Horários: Segunda-feira a Sábado das 12:30h às 15:00h e das . Domingo das 19:30h às 22:00h.
 
Morada: Beco do Forno, Nº 12
               3000-192 COIMBRA
         
Telefone:  +351 239 823 790

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

La Vara Handmade Burguers & Portuguese Wines - Coimbra

Quase em frente ao parque Portugal dos Pequenitos, mas a pouco passos da entrada, encontrei há pouco tempo esta hamburgeria que prometia boa carne, hamburgers caseiros com um twist americano, uma carta de vinho e cervejas artesanais. Tinha pouco tempo e a companhia também pedia a experiência, pelo que, sem demora, lá fomos.
 
Espaço luminoso, minimalista no que se refere a paredes e mesas, com todos os cuidados aos tempos de pandemia que hoje passamos. Ementa variada, mas não extensa ao ponto do exagero, com os hamburgers em destaque, mas também com outras opções american style como as asas de frango frita com molho picante ou as pork ribs.
A carta de vinhos, uma das minhas grandes curiosidades, tinha uma diversidade interessante, embora sem grandes surpresas, mas com opções de várias regiões como Bairrada, Douro, Alentejo, Vinhos Verdes e Dão. E com taxa de Rolha permitindo levar a nossa garrafa de vinho. No entanto, a minha opção recaiui nas cervejas artesanais, também com alguma possibilidade de escolha e com referências que me eram totalmente desconhecidas.
 
O serviço é rápido e atencioso, com tempo para sugestões tanto a nível do que podemos escolher para comer, como na escolha da cerveja certa para o que queremos e para as nossas mais habituais preferências. Não estamos sozinhos e isso é bom. 
Os hamburgers vêm para a mesa no ponto escolhido, embora pudesse ser mais perfeito. Sabor, textura, os mohos não se sobrepõem, há equilíbrio e há prazer ao comer. Para quase todos há opção de dois niveis e existe mesmo um que tem três. Adivinhem... o American.

Se ainda houver apetite para a sobremesa aconselho este Brownie com Gelado de Baunilha que, para além de ser em dose que dá para duas ou três pessoas, cumpre para as nossas expectativas.
Um local com preços acessíveis, para refeições que queremos sejam de fast-food, mas com algo mais que as tradicionais marcas que inundam o mercado e que não vou dizer quais são.
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LA VARA HANDMADE BURGUERS & PORTUGUESE WINES
Tipo de Cozinha: Fast Food, Americana
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo:Não
Estacionamento: Não. Existe próximo com bastante facilidade.
Horário de funcionamento: Das 12:30h às 15:00h e das 19:00h às 22:00h; Encerra à segunda-feira.
Preço Médio p/ Refeição sem vinho: 10,5€

Morada: Avenida Dr. João das Regras, Nº52 e Nº54 3040-256 COIMBRA
Telefone:  +351 917 236 984
Na net: La Vara Handmade Burguers & Portuguese Wines

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Restaurante O Açude - Coimbra

Em Coimbra, um pouco afastado do centro histórico, mas ainda assim a poucos minutos de tudo o que é importante nesta cidade, fomos encontrar o Restaurante Açude, à beira de uma via rodoviária com algum movimento, basicamente de passagem, bastante estacionamento e que engana muito bem quando se olha para ele apenas para o seu exterior.
Assim que adentramos portas percebemos que estamos no sítio certo. Espaço acolhedor, com decoração muito limpa e elegante, sem grandes flashes e especial destaque para o vinho. Somos apaixonados por um bom copo de vinho e os nossos olhos começaram a brilhar desde o primeiro momento e ao longo da refeição podiam mesmo ser confundidos com as luzinhas da árvore de natal de tanto brilharem.

Para além de uma autêntica montra de vinhos em prateleiras com vista privilegiada da mesa onde me sentei, quando chegou a carta de vinhos apeteceu-me começar a escolher de olhos fechados só para ver o que me calharia numa roleta onde só me podiam sair coisas boas.
Muito simpatia na recepção e encaminhamento à mesa, mesmo em noite de grande movimento. A reserva foi aconselhada e valeu a pena. Assim que chegámos foi só sentar e começar a escolher.
Logo de inicio as entradas vieram para a mesa a nosso pedido.

Um mix perfeito para ir picando composto por Saladinha de Orelha, Enchido e Queijo Fatiado, Manteigas com diversos sabores e um Paté de Atum bem conseguido e equilibrado.  A fazer parelha com estes o cesto com quatro tipos de pão, muito saborosos e frescos.

Após algum tempo de leitura atenta das opções na ementa,  começamos com um Bife Tártaro para acompanhar um espumante bairradino que já estava na mesa com as bolhinhas a saltar e a pedir companhia com textura.

Muito bem conseguido, fresco, sem estar demasiado "cortado" e com um tempero equilibrado, acidez no ponto e perfeito para inicio de festividade. Trocámos as voltas à etiqueta. Começamos com carne e seguimos depois para os pratos de peixe.

O Polvo à Lagareiro e a Espetada de Bacalhau à Açude foram os escolhidos. Para o copo um branco do Dão, com bastante acidez e ainda juventude para fazer frente aos pratos com mais gordura e complexidade.

Bem conseguidos quer no plano estético quer naquele que mais me interessa no sabor e confecção. Sem dúvida que destaco o ponto do bacalhau nas espetadas. cheguei a pensar que seria um risco pedir este prato pois o bacalhau poderia vir passado demais e seria aquela palha seca desagradável. Todavia, ali estava ele no ponto, ainda suculento e a brilhar como Rei.

A sobremesa continuou a fazer jus ao que até àquele momento se havia passado. O Pudim Abade de Priscos e Gelado de Citrinos não deixou ninguém desiludido 

Boa comida e uma garrafeira que não se vê todos os dias num restaurante e com preços adequados, sem exageros, fazendo com que quem queira beber vinho à refeição não se sinta enganado. Uma bela politica da casa. Aqui o vinho é muito bem tratado.
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RESTAURANTE O AÇUDE
Tipo de Cozinha: Portuguesa, Mediterrânea
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Sim.
Horário de funcionamento: Segunda-feira a Sábado: Das 10:00h – 00:00h; Domingo: Encerrado.
Preço Médio p/ Refeição: 25€

Morada: Avenida da Guarda Inglesa, Nº 63, 3040-193 COIMBRA
Telefone:  +351 239 441 638
Na net: Restaurante O Açude

domingo, 9 de fevereiro de 2020

O Inverno Sabe Tão Bem No Tacho em Coimbra

Regresso, mais do que apetecido, ao restaurante No Tacho, em Coimbra, para conhecer as novidades da ementa para os dias frios de Inverno. Passado mais de um ano após a nossa primeira visita, soube bem regressar. Em termos estéticos, quase nada parece ter mudado, espaço cuidado, aspecto clean e confortável, com aquela sensação de conforto e uma certa intimidade, mas esperavamos novidades em termos de pratos e esses estavam à nossa espera.
A ementa de inverno aposta, nesta altura, mais em pratos de tacho, sendo trazidos para a mesa assim mesmo, continuando-se todavia a apostar na qualidade do produto, na sua singularidade, na sua minuciosa procura e escolha e na construção de pratos baseados no receituário tradicional da região onde cada um nasce. Não se inventa. Apenas somos servidos com o melhor.
O Chef Vitor Oliveira continua a ser a cara desta casa e a incutir o seu cunho pessoal a tudo o que sai da cozinha. Tem de sair perfeito. Senão não vale a pena.

A verdade, é que ao comer o Arroz de Entrecosto em Vinha D'Alhos ou o Arroz de Fumeiro confesso que me senti transportado para outro tempo, para recordações do tempo dos aromas e sabores quentes familiares da minha vida e acabei mesmo por me lembrar daquela mítica cena do filme "Ratatouille" em que o rígido crítico gastronómico Anton Ego prova o prato de Remy, o pequeno ratito Chef e regressa às memórias de infância. Fabuloso. É tão bom ir a um restaurante e encontrar sabores assim, qe nos fazem recordar, que nos fazem tão bem à alma.

Da ementa provamos o Arroz de Fumeiro, o Arroz de Entrecosto em Vinha D'Alhos e o Arroz de Cabidela com Galinha do Campo. Autênticas perdições. Ficou na vontade a Chanfana à Bairrada, mas ainda conseguimos provar o Peito de Galo Celta Com Puré de Couve Flor e Cenoura, um novidade exclusiva que chega directamente da Galiza e que encaixa que nem uma luva no conceito mais quente e reconfortante da ementa para o dias mais frios.

Nas sobremesas também há novidades. O Morgado do Bussaco e o Pudim de Gemas e Vinho do Porto são a companhia perfeita para um final de refeição perfeito.
A partir do momento em que se começa é díficil resistir a tentar provar os restantes pratos, por isso, aqui o desafio é conseguir fazer por lá paragem mais do que uma vez.
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RESTAURANTE NO TACHO
Tipo de Cozinha: Portuguesa. Mediterrânea
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Com Parqueamento Pago a 500 m
Horário: Todos os dias das 12:30h às 15:30h e das 19:30h às 22:15h Excepto Domingo e Segunda-feira (Fechado)
Preço Médio p/ Refeição: 25€

Morada: Rua da Moeda Nº 20, 3000-282 COIMBRA
Telefone:  +351 911 925 961
Na net: http://www.notacho.pt/

domingo, 26 de agosto de 2018

Restaurante No Tacho - Coimbra

Percorro as ruas estreitas do centro histórico de Coimbra sempre com a mira apontada aos locais de restauração pelos quais vou passando na ânsia de encontrar poiso para almoçar. Procuro locais que desconheça, mas não procuro o preço mais baixo, quero algo que me faça aquele click e que seja a melhor relação qualidade-preço-satisfação.

Ao passar pelo No Tacho, de ementa do dia descriminada cá fora e de porta semi-cerrada, percebemos, após breve espreitadela para o interior, que seria ali o nosso almoço. Espaço cuidado, de aspecto muito clean, mas a puxar aos pequenos restaurantes de outrora, com mesas que apesar de simples e minimalistas nos chamaram de imediato e com uma sensação de conforto, charme e intimidade que ainda não tínhamos encontrado na nossa demanda.

Entrámos. Fomos recebidos com muita simpatia, ainda havia a possibilidade de escolher a mesa o que foi bom, mas fomos aconselhados a marcar mesa numa próxima ocasião. O espaço é pequeno e costumam encher muito rápido. Na ementa, com a confecção a cargo do Chef César Vieira,  basicamente pratos com ingredientes bem conhecidos do receituário português. Para além disso, foi-nos indicado que o conceito base da casa passa por trabalhar os melhores produtos nacionais sempre com os frescos do mercado local. A ementa não é gigantesca, porém a qualidade parece assegurada. O Chef Vítor de Oliveira é a cara por trás do conceito, na idealização de cada prato e na forma como cada palha é movida.

Após feito o pedido, na mesa o pão, a manteiga, as azeitonas, o azeite virgem extra Terras Dazibo e o vinagre Moura Alves. Delicioso para ir começando a picar até chegar à mesa, acabadinhos de fazer, os Bolinhos de Bacalhau. Perfeitos. Crocantes por fora, com a textura certa no interior, com os fios do bacalhau a fazerem uma teia enquanto os abria ao meio.

Também para ir picando e chegou à mesa uma Tabúa de Queijos, Enchidos e Fumados. Aqui é mesmo arrepiar caminho. Queijos tradicionais portugueses de diversas curas e origens, enchidos, alguns vindos de terras de nuestros hermanos, e entre outros, o presunto de vaca do Joaquim Arnaurd que até faz esquecer o tradicional de porco.

Depois começámos pelos pratos principais, sempre em modo partilha para ir provando tudo. Este é um dos meus conselhos se puderem e tiverem o tempo extra para isso. Peçam um ou dois pratos de cada vez, vão partilhando pois não devem perder pitada.
O Bacalhau da Islândia Confitado com Citrinos e Pimentas foi o primeiro. Bacalhau no ponto de cozedura, ainda com aquela goma e macio, numa bela ligação com os citrinos, leves, e as notas mais apimentadas.

Seguiu-se um prato que classifico como Must Taste. O Arroz do Mondego Com Peixe da Nossa Costa é de comer e chorar por mais. Mais uma vez confirmo que a qualidade do arroz faz muita diferença em qualquer prato com este ingrediente, todavia, todo o caldo e intensidade de sabor supera as expectativas. Que o diga a minha filha que num silêncio momentâneo soltou um convincente "Isto está muito bom!". 
Do peixe para a Carne. A nossa Marinhoa, uma carne de excelente qualidade em que o principal papel do Chef é conseguir não estragar um produto que por si só já brilha. Mais uma vez o ponto de cozedura está perfeito, com todos os sucos a serem aproveitados, sem grandes "mariquices" a envolver o prato. Keep it Simple.

Para terminar, o Lombinho de Porco Alentejano. Bela apresentação, dose farta e que sabor. Assim vale a pena. Sem se apresentar seco, com sabores muito equilibrados, talvez lhe coloca-se mais umas areias de sal marinho, mas isso sou eu que neste tipo de prato adoro sentir o explodir do sal em mistura com a carne.

Para sobremesa, e sempre para partilhar pois, apesar de bem almoçados, a gulodice falou primeiro, um pecaminoso Pudim de Gemas e Vinho do Porto e um pratos de Queijos mesmo para finalizar. Confesso que há muito tempo não me sentia tão satisfeito de corpo e alma com uma refeição.

Por último, tenho de destacar a enorme qualidade existente na garrafeira do restaurante. Não tem uma lista exaustiva, mas tem uma lista capaz de convencer o mais exigente. Até os vinhos dos Açores estão cá presentes e os preços do vinho a copo decididamente conseguiram afastar-me de outro tipo de bebidas.
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RESTAURANTE NO TACHO
Tipo de Cozinha: Portuguesa. Mediterrânea
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Com Parqueamento Pago a 500 m
Horário: Todos os dias das 12:30h às 15:30h e das 19:30h às 22:15h Excepto Domingo das 12:30h às 15:30h e Segunda-feira (Fechado)
Preço Médio p/ Refeição: 25€

Morada: Rua da Moeda Nº 20, 3000-282 COIMBRA
Telefone:  +351 911 925 961
Na net: http://www.notacho.pt/