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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Quinta dos Aciprestes 2025 Branco

QUINTA DOS ACIPRESTES 2025 BRANCO | DOURO | 13,5% | PVP  9,90€
RABIGATO, VIOSINHO, ARINTO  
REAL COMPANHIA VELHA
16,5

Um vinho que se afirma precisamente por não procurar ser mais do que aquilo que é e que encontra o seu lugar de forma natural. Um perfil fresco e directo, criado a partir das castas Rabigato, Viosinho e Arinto, que encontram aqui espaço para mostrar a sua componente aromática, a acidez e a frescura, preservando a sua expressão e a do terroir duriense onde nascem.
À mesa mostra bem a sua versatilidade. Mariscos, peixe grelhado e sushi são combinações naturais, mas também pratos onde exista alguma gordura ou intensidade de sabor beneficiam da sua frescura. Um bom peixe no forno, umas amêijoas à Bulhão Pato ou até uns enchidos de porco preto podem criar ligações particularmente interessantes.
Cor amarelo-citrino intenso, brilhante e luminosa, de aspecto límpido e jovem. Aromaticamente abre com notas de citrinos e fruta branca, acompanhadas por discretos apontamentos vegetais que lhe acrescentam dimensão, num conjunto limpo, fresco e bastante convidativo, sem procurar excessos de exuberância, mas revelando um perfil pronto e elegante. Na boca confirma a impressão deixada pelo aroma, oferecendo uma entrada fresca, boa textura e uma estrutura que lhe dá mais presença do que seria expectável num branco pensado para ser consumido jovem. A acidez está bem integrada, conduzindo a prova com dinamismo e deixando no final uma sensação refrescante e persistente. É um branco equilibrado, gastronómico e fácil de perceber, mas que não se limita a ser simplesmente fácil de beber.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Poeira Vinha da Torre 2018 Tinto

POEIRA VINHA DA TORRE 2018 TINTO | DOURO | 13,5 | PVP  90€
VINHAS VELHAS
JORGE MANUEL N. MOREIRA
18

O Poeira Vinha da Torre 2018 é daqueles vinhos que, para mim, pertencem à categoria dos que verdadeiramente têm na génese de tudo o que vão ser a vinha onde nascem. A vinha, plantada em 1950, em Covas do Douro, situa-se a cerca de 400 metros de altitude, com exposição norte, solos pedregosos e uma grande diversidade de castas. Uma vinha velha pela qual Jorge Moreira procurou durante anos e que encontrou, na sua filosofia do Poeira, a oportunidade de mostrar aquilo que o Douro pode fazer quando a concentração não é confundida com excesso. 
Em boa verdade, é precisamente essa contenção que mais me chamou a atenção. Longe de me impressionar pelo peso ou pela potência que o perfil duriense tantas vezes aporta, surpreendeu-me pela elegância, pela frescura e pela complexidade, deixando que a vinha e o ano se expressem com alguma liberdade. Um vinho que não precisou de levantar a voz para se fazer notar e que me deixou escapar um sorriso de satisfação de prazer mais sôfrego. 
Obrigatório que se leve para a mesa para companhia a comida com alguma estrutura, funcionando particularmente bem com carnes vermelhas grelhadas ou assadas, pratos de caça e queijos curados, mas também poderá acompanhar pratos tradicionais de sabores intensos, onde a acidez consiga limpar o palato e os taninos encontrem matéria para dialogar. 
Cor vermelho rubi intenso, média concentração, aspecto límpido e ainda jovem. Surge inicialmente mais concentrado e algo reservado a nível de aromas, pedindo tempo para se revelar apesar de aberto cerca de uma hora antes ao momento de se beber. À medida que abre no copo, surgem notas de frutos vermelhos e azuis maduros, acompanhadas por sugestões de bosque, terra húmida, ervas secas e especiarias, com o carácter da madeira presente de forma muito discreta e bem integrada, primando pelo registo mais elegante e fresco. Na boca confirma a impressão aromática, revelando um tinto de grande equilíbrio, com corpo e presença, mas sem se tornar pesado, contando com acidez no ponto que lhe dá energia e frescura, enquanto o tanino, rico e bem desenhado, contribuem para uma estrutura sólida, que suporta a fruta bem expressiva, surgindo ainda uma componente vegetal seca que lhe acrescenta tensão e complexidade. A passagem por barrica permanece no lugar certo, funcionando como complemento e não como protagonista. O final é longo, muito persistente e marcado por uma combinação particularmente feliz entre frescura, estrutura e elegância.

domingo, 16 de agosto de 2026

Isento Reserva Vinha da Fonte Santa Touriga Franca 2023 Tinto

ISENTO RESERVA VINHA DA FONTE SANTA TOURIGA FRANCA 2023 TINTO | DOURO | 14% | PVP  8,95€
TOURIGA FRANCA
SA´VINUM, LDA
16,5

Há castas que estamos habituados a encontrar quase sempre em companhia de outras, contribuindo para os lotes com o melhor das suas características. No Douro, a Touriga Franca é, seguramente, uma delas. Por isso, quando aparece sozinha, a curiosidade aumenta. 
O Isento Reserva Touriga Franca 2023 dá este protagonismo à casta, com uvas provenientes da Vinha da Fonte Santa, em Soutelo do Douro, no Cima Corgo, uma vinha situada entre os 100 e os 250 metros de altitude, em solos xistosos. Assumindo este papel principal, fui perceber um pouco melhor a sua personalidade quando não tem de dividir o palco. 
Encontrei um perfil no qual se percebe que não se procura complicar. Há fruta, há especiaria, há madeira, mas sobretudo existe equilíbrio. É um daqueles tintos que se apresenta com uma estrutura bem definida, sem deixar que o corpo ou o estágio em barrica se sobreponham à fruta. A Touriga Franca mostra aqui um lado bastante acessível, elegante e gastronómico, sendo daqueles vinhos que rapidamente me fizeram pensar mais na mesa do que propriamente na ficha técnica. 
E foi precisamente aí que o pensamento me levou: sabores que acompanhem a sua fruta e estrutura sem as esconder. Um bom cabrito assado, vitela no forno, rojões ou uma tábua de enchidos são companhias naturais. Também o vejo muito bem junto de uma cozinha de conforto, daquelas em que o molho, o forno e os temperos fazem parte da experiência e em que o copo ajuda, simplesmente, a prolongar a conversa. 
Cor vermelho rubi, com boa intensidade e concentração média, aspecto límpido, brilhante e jovem. No nariz revela um perfil marcado pela fruta madura, com ameixa e fruta preta em primeiro plano, acompanhadas por alguma compota e um lado floral discreto. Surgem ainda notas de especiarias finas e um apontamento de baunilha, com a madeira a marcar presença, mas sem dominar o conjunto. Na boca confirma a primeira impressão, mostrando um vinho estruturado, mas equilibrado, com taninos redondos, polidos, bem integrados e uma acidez que lhe dá frescura e algum dinamismo. A fruta mantém-se presente, enquanto a madeira surge novamente bem integrada, contribuindo mais para a definição do conjunto do que propriamente para lhe impor carácter. O final é persistente, elegante e envolvente, deixando uma sensação de equilíbrio que torna o vinho particularmente fácil de acompanhar à mesa.

sábado, 15 de agosto de 2026

Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997 Tinto

CASA FERREIRINHA RESERVA ESPECIAL 1997 TINTO | DOURO | 13% | PVP  350€
TOURIGA FRANCA, TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ
SOGRAPE VINHOS, SA
18

O tempo é muitas vezes o maior teste a que um grande vinho pode ser submetido, e o Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997 é um daqueles casos em que os anos acrescentaram dimensão e carácter, transformando a força e a estrutura da juventude numa expressão mais complexa, serena e de imensa finesse. 
Lançado apenas dez anos depois da vindima, esta foi uma colheita que a Casa Ferreirinha decidiu guardar até encontrar o momento certo para a apresentar e, prová-lo em 2026, quase três décadas depois da vindima, foi descobrir um vinho ainda plenamente vivo, complexo e surpreendentemente elegante. Naturalmente, estão aqui todas as marcas de uma longa evolução — a fruta já não fala sozinha, contando agora com a companhia das notas terciárias, maior profundidade e uma textura mais polida —, mas tudo surge numa harmonia que só os anos conseguem construir. Um vinho que nos chegou ao copo com a serenidade de quem já viveu muito, mas que o fez de forma gloriosa, mantendo frescura, elegância e uma extraordinária capacidade de continuar a emocionar. Um dos grandes momentos desta noite.
Não é um vinho que procure demonstrar a força da juventude, mas antes a beleza da maturidade.
Cor vermelho de tonalidade granada profunda, já com os reflexos acastanhados que denunciam a longa evolução em garrafa, mas sem sinais de perda de vivacidade. No nariz reconhecemos de imediato a sua complexidade e envolvência, com fruta madura ainda presente, agora acompanhada por notas de tabaco, especiarias, folha seca, madeira antiga e discretos apontamentos balsâmicos e terrosos. Precisamos de tempo para que os aromas abram e vão revelando novas nuances à medida que a temperatura sobe. Na boca mostra uma textura sedosa e muito elegante, com taninos completamente prontos e uma acidez que continua a dar-lhe vida e equilíbrio. A fruta surge mais contida do que num vinho jovem, cedendo espaço às notas terciárias e a uma dimensão mais profunda e complexa, mas sem perder definição. A estrutura permanece firme, embora já totalmente domesticada pelos anos, e o conjunto evolui com grande harmonia até um final longo, persistente e muito fino. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Quinta de Cidrô Sauvignon Blanc 2024 Branco

QUINTA DE CIDRÔ SAUVIGNON BLANC 2024 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  16€
SAUVIGNON BLANC
REAL COMPANHIA VELHA, SA
16,5

A casta sauvignon blanc encontrou no terroir duriense da Quinta de Cidrô um berço inesperado para mostrar uma faceta diferente da sua personalidade. Aqui parece ter encontrado condições para se afastar um pouco do perfil mais previsível da casta e revelar uma expressão própria, marcada pela frescura e pela intensidade aromática oferecendo um perfil vivo e expressivo, onde a fruta e as notas vegetais se cruzam com uma acidez que lhe dá nervo e equilíbrio.
À mesa, é precisamente esta frescura que abre caminho a diferentes possibilidades. Vais encontrar nos mariscos e no peixe uma companhia natural, mas também criará boas ligações com saladas, pratos de cozinha asiática ou preparações onde ervas aromáticas e ingredientes de perfil mais vegetal ganhem protagonismo. Um branco que pede comida, mas que também se deixa beber com facilidade num final de tarde, quando a conversa se prolonga e o copo vai ficando, naturalmente, mais vazio.
Cor amarelo citrino brilhante e com leve tonalidade esverdeada, aspecto límpido, jovem e atrativo. No plano aromático é um verdadeiro reboliço para o olfacto, com uma intensidade aromática que rapidamente prende a atenção e se dá a conhecer revelando a fruta em várias dimensões, entre notas cítricas e tropicais, acompanhadas por sugestões vegetais mais características da casta, criando um primeiro impacto muito expressivo, fresco e de boa complexidade. Revela ainda bem medida componente mineral que acrescenta outra camada ao aroma e ajuda a manter o equilíbrio e a finesse, sem deixar que a exuberância se sobreponha à elegância. Na boca continuamos o registo de elegância e finesse já sentida no nariz, mostrando-se vivo e vibrante, com uma acidez firme que percorre o palato e lhe dá nervo e dinamismo, com a fruta fresca e bem definida, acompanhada pelas notas vegetais, enquanto a estrutura mantém o conjunto equilibrado e muito refrescante. Final de boca limpo, persistente e com uma sensação de frescura que permanece depois do último gole.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Dalva Metamorfose 2017 Tinto

DALVA METAMORFOSE 2017 TINTO | DOURO | 14,5% | PVP  35€
VINHAS VELHAS (FIELD BLEND)
GRANVINHOS, LDA
18
 
O respeito absoluto pelo tempo no vinho é a filosofia basilar para a gama Metamorfose assinada pelo enólogo José Manuel Sousa Soares e da qual já haviamos bebido o incrível rosé. O tinto é proveniente de uma vinha velha situada na margem do Rio Pinhão, tendo sido engarrafado apenas em 2019 e depois estagiado cerca de sete anos em garrafa antes do seu lançamento. 
O resultado é um vinho tinto de perfil complexo, com notas de fruta madura, chocolate, especiarias e uma frescura marcante sustentada por taninos firmes e redondos. à mesa, a harmonização ideal pede pratos de idêntica intensidade e robustez estrutural, ligando na perfeição com carnes vermelhas assadas no forno, pratos tradicionais de caça e guisados ricos de confecção lenta, onde a gordura e os sucos da comida encontram equilíbrio na frescura e no tanino firme.
Cor vermelho rubi de média concentração, muito luminoso e brilhante, lágrima chorosa, aspecto límpido e escondendo com mestria os quase dez anos de caminho. No plano aromático revela casamento harmonioso entre as notas de fruta preta madura, como a ameixa, a cereja ou a amora silvestre, e as que lhe chegam pelo estágio em barrica de carvalho francês, com notas subtis de pimenta preta, cravinho e uma ligeira baunilha, oferecendo também toques discretos de cacau, chocolate negro e grão de café tostado. Muito rico e complexo continua a mostrar-se à medida que lhe vamos dando ar, aparecendo uma sensaçâo de barro de cantara com água, nuances de folha de tabaco seca, couro fino e uma ligeira nota balsâmica que conferem frescura ao conjunto. Na prova de boca encontramos expressão perfeita entre a potência do Douro e o lado elegante e temperador da longa espera em descanso até ser lançado para venda. Volumoso, cheio, denso e que preenche bem o palato, textura macia e envolvente, bela acidez, ponderada, secura fina e prolongada, salivante, com enorme frescura, fruta preta em bom plano, encontrando também o chocolate negro, as especiarias e o toque mineral terroso que se sentia no nariz. Tanino firme, mas polidos, com presença e estrutura, mas mais redondo e sedoso devido aos anos de descanso, terminando longo, limpo e elegante.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Rosés do Douro: Terroir, Castas, Perfil e 10 Vinhos a Provar

Tempos houve em que os vinhos rosés eram vistos de forma quase linear. Estavam destinados aos dias quentes de verão, servidos muito frios à beira da piscina ou em esplanadas, valorizados apenas pela sua aparente leveza e facilidade de consumo. 
No entanto, o panorama vitivinícola mundial mudou e o Douro, como todas as regiões produtoras de vinho em Portugal, aceitou o desafio de ajudar a reescrever esta história. Nesta publicação focamos no Douro, para verificar que nos últimos anos, a mais antiga região demarcada do mundo provou que o seu território não serve apenas para criar Vinhos do Porto monumentais ou tintos robustos de guarda. O Douro aprendeu a desenhar rosés ambiciosos, profundos e com uma aptidão gastronómica que rivaliza com os grandes brancos e tintos nacionais. Estes novos vinhos deixaram de ser um produto secundário para se tornarem escolhas deliberadas de viticultores e enólogos.
A grande magia começa no perfil geográfico e geológico único da região. O Douro é conhecido pelos seus verões escaldantes e invernos rigorosos. À partida, este calor intenso poderia parecer uma barreira à produção de vinhos rosés, que exigem frescura e acidez viva, contudo, a enorme diversidade de microclimas e viticultura moderna são factores determinantes no sucesso dos produtores que abandonaram as zonas baixas e escaldantes junto ao rio e subiram a encosta para ir buscar as uvas destinadas a este perfil em vinhas plantadas a altitudes elevadas, frequentemente acima dos quinhentos metros, e em parcelas com exposição solar virada a Norte. 
Por outro lado, as castas autóctones desempenham também um papel muito importante neste cenário cor-de-rosa. Ao contrário de outras regiões do mundo que dependem de variedades internacionais, o Douro recorre ao seu vastíssimo património de uvas nativas para fazer lotes únicos. A Touriga Nacional assume frequentemente o protagonismo, mas a Tinta Roriz, a Touriga Franca, a Tinto Cão ou a Bastardo, entre outras, respondem de forma afirmativa fazendo com que esta biodiversidade vinícola dote o rosé duriense de uma camada de complexidade textural e aromática que dificilmente se encontra noutras paragens.
Deste modo, os actuais rosés do Douro são verdadeiros camaleões à mesa, ultrapassando as fronteiras das harmonizações clássicas. Os exemplares mais jovens, diretos e vibrantes funcionam na perfeição com entradas leves, carpaccios de peixe, sushi e saladas mediterrânicas complexas. A sua acidez natural ajuda a limpar o palato, tornando-os também excelentes parceiros para mariscos grelhados ou pratos de cozinha asiática com ligeiro toque picante. Já quando subimos um degrau e abrimos um rosé duriense estruturado, que tenha beneficiado de um estágio em madeira, o leque culinário expande-se dramaticamente. A sua densidade e volume de boca permitem-lhe enfrentar pratos de resistência. Casam de forma soberba com pratos tradicionais portugueses como um arroz de pato bem apurado, bacalhau assado no forno ou arroz de marisco. Mostram-se igualmente capazes de acompanhar carnes brancas assadas, como porco ou aves, sem nunca perderem o lugar nem serem abafados pela comida. No final, os novos rosés do Douro afirmam-se, cada vez mais, não apenas como uma tendência passageira, mas sim como uma categoria sólida, madura e indispensável para quem procura autenticidade no copo e versatilidade no prato.
Elaboramos, por ordem alfabética, uma lista curta de 10 vinhos rosé durienses que provamos, experimentamos harmonizações, vivemos com eles estados de alma, fomos felizes e que aconselhamos.
Clica nas imagens abaixo para conheceres melhor cada vinho em novas janelas.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

O Novo Capítulo da Quinta dos Frades: Identidade Renovada, Gama Reorganizada e Aposta no Enoturismo

 
Uma das propriedades mais antigas do Douro une a herança do passado à modernidade do futuro. A Quinta dos Frades apresenta uma nova imagem e rótulos redesenhados, acompanhados por uma gama de vinhos perfeitamente estruturada para o mercado atual. Uma renovação profunda que se estende ao enoturismo, com experiências imersivas criadas para celebrar o património duriense.
 
A Quinta dos Frades, uma das propriedades mais emblemáticas e imponentes da Região Demarcada do Douro, acaba de iniciar um novo capítulo na sua longa história com uma profunda renovação estratégica da sua marca. Unindo uma herança secular e o respeito pelo seu património vitivinícola ao dinamismo do mercado atual, o produtor apresenta uma identidade visual completamente revitalizada, acompanhada por novos rótulos que trazem mais sofisticação e elegância às garrafas. Esta evolução estética reflete-se também no portefólio, que passou por uma reorganização estrutural na gama de vinhos com o objetivo de deixar bem claro os seus diferentes perfis, que vão desde referências mais frescas e acessíveis até aos topos de gama focados na expressão máxima e pura das suas vinhas centenárias. 
 
Além das novidades no copo, a casa reforça fortemente a sua aposta no enoturismo no Douro, abrindo as portas da propriedade para proporcionar experiências imersivas que celebram a sua riqueza arquitetónica, as suas paisagens marcantes e a cultura vitivinícola da região.
 
Esta nova era da Quinta dos Frades é indissociável da sua equipa técnica. Desde a vindima de 2023, o conceituado enólogo Diogo Lopes juntou-se a Anselmo Mendes na condução dos destinos vitivinícolas da propriedade. Reconhecido como um dos nomes mais brilhantes da sua geração, Diogo Lopes trouxe o seu espírito experimentalista e um foco rigoroso no estudo minucioso de cada parcela do terroir histórico da quinta. Esta sinergia na enologia foi o pilar decisivo para redesenhar o perfil dos vinhos da casa, afinando a frescura, a elegância e garantindo a máxima pureza na interpretação das vinhas velhas e centenárias que fazem a fama da propriedade.
 
A mudança estética da Quinta dos Frades vai muito além de uma simples atualização gráfica. O novo posicionamento visual foi desenhado para honrar o legado histórico da propriedade, conferindo-lhe simultaneamente uma imagem contemporânea, sofisticada e altamente competitiva. Os novos rótulos surgem mais limpos, elegantes e com uma organização visual que facilita a leitura e a identificação da marca nas prateleiras e garrafeiras. 
 
No mesmo sentido, com o objetivo de tornar o seu portefólio mais legível e segmentado, o produtor reorganizou estrategicamente a sua gama de vinhos do Douro. 
A estrutura divide-se agora de forma clara em três patamares de excelência: Frades (Gama de Entrada): desenhada para o consumo quotidiano e momentos informais de partilha; Quinta dos Frades Reserva: o equilíbrio perfeito entre a vivacidade da fruta colhida em parcelas mais jovens e a complexidade estrutural típica das vinhas velhas da casa, com um estágio equilibrado em madeira; Quinta dos Frades Vinhas Centenárias: o topo de gama incontornável da casa, agora apresentado sob a chancela de Grande Reserva. 
Abaixo as notas de prova das novidades apresentadas neste dia. 

FRADES 2024 BRANCO | DOURO | 13% | PVP  8,90€
MALVASIA FINA, GOUVEIO, RABIGATO
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
16,5
Cor amarelo citrino, aberto e luminoso, leves esverdeados, límpido e jovem. Nariz elegante e fresco, com notas de fruto citrino aliadas às de fruta de caroço, fruta de pomar, subtil pincelada floral, marca pedregosa e mineral. Boca de médio volume, textura macia, acidez vibrante, acídula, com boa secura e tensão, salivante, mostrando bem a fruta fresca, terminando longo e elegante.
 
FRADES 2023 TINTO | DOURO | 14,5% | PVP  8,90€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
16
Cor vermelho rubi de média concentração, límpido, lágrima chorosa, jovem. No plano aromático oferece a fruta vermelha e preta silvestre madura e fresca, alguma cereja e ginja, bem enleada em subtis notas de esteva, violeta e mato seco. Boca de médio corpo, vivaz e elegante, acidez no ponto, deixando brilhar a fruta, tanino polido, com final de boca longo e prazeroso.  
 
QUINTA DOS FRADES 2024 ROSÉ | DOURO | 13% | PVP  16€
TOURIGA NACIONAL
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
17,5
Cor rosa aberto, com tonalidade salmão, casca de alperce, luminoso, brilhante e cativante. Muito delicado e fino de aromas, muito limpo, com a fruta vermelha silvestre bem casada com notas florais frescas e bem medidas, com subtil recorte mineral em fundo, sempre presente. Na prova de boca continua a mostrar um registo de elegância e delicadeza notáveis, texturado, macio, médio volume, seco, vibrante e com longo final de boca.
 
FRADES RESERVA 2024 BRANCO | DOURO | 13% | PVP  16€
VIOSINHO, RABIGATO, DONZELINHO, MALVASIA FINA
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
17
Cor amarelo citrino, definido, com nuances esverdeadas, aspecto límpido, brilhante e jovem. Plano aromático rico e mais complexo, revelando a fruta citrina e os frutos de caroço bem casados, mostrando componente especiada em fundo, ligeira tostas e o vinco mineral bem evidente. Boca com um primeiro ataque mais cheio e volumoso, textura macia e com alguma cremosidade, mostrando a acção da passagem por barrica, seguida de acidez ajustada, fina, equilibrando o conjunto, oferecendo vida e prazer ao beber, terminando longo e com grande frescura.
 
QUINTA DOS FRADES RESERVA 2021 TINTO | DOURO | 14% | PVP  16€
TOURIGA FRANCA, TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, FIELD BLEND
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
17,5
Cor vermelho rubi de média concentração, auréola luminosa, aspecto límpido e de tez jovem. Elegante de aromas, revelando a fruta preta madura de forma mais exuberante e intensa, com vertente floral bonita, notas subtis de baunilha e tostados delicados, alguma folha de tabaco, especiaria fina. Grande frescura na prova de boca, com volume médio, mas com estrutura e firmeza, textura macia e aveludada, acidez fina, com secura gradual e acolhedora, fruta fresca bonita, sabor, tanino domado, conjunto uno e harmonioso, com final de boca longo e persistente.  
 
QUINTA DOS FRADES VINHAS CENTENÁRIAS GR 2017 TINTO | DOURO | 14,5% | PVP  32€
VINHAS VELHAS
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
18
Cor vermelho rubi intenso, média concentração, sem revelar a sua idade por completo, apresentando-se visualmente jovem. Nariz rico e complexo, ao mesmo tempo que se mostra fino e aristocrático, revelando a fruta preta madura muito fresca e limpa, casada na perfeição com as notas que lhe chegam pela passagem em barrica e pelo tempo de espera, componente fumada, subtil, tostados leves, especiaria fina, desafiante e conquistador. Boca de grande poderio, com estrutura e volume, cheio de energia e vida, textura sedutora, tanino encorpado e bem presente, firme, mostrando-se sem vergonha, num conjunto onde a fruta se mostra bem aninhada em cada pormenor, dando prazer a beber, antevendo potencial de continuação de guarda generosa, terminando longo e elegante.

Paralelamente às novidades engarrafadas, a Quinta dos Frades reforça o seu papel como destino obrigatório no enoturismo do Douro. A propriedade abre as portas ao público com um programa de visitas estruturado para partilhar o seu vasto património arquitetónico e histórico. Os visitantes são convidados a passear pelas imponentes vinhas velhas, localizadas numa das zonas mais privilegiadas do vale duriense, e a compreender de perto as técnicas de viticultura tradicional. As experiências culminam em provas comentadas dos novos vinhos na própria propriedade, integrando a paisagem classificada como Património Mundial da UNESCO com a degustação de vinhos de excelência.
 
Esta profunda renovação da Quinta dos Frades prova que é possível reinventar o futuro sem nunca esquecer as raízes que moldaram o passado. Com uma imagem contemporânea, uma gama de vinhos perfeitamente estruturada e uma forte abertura ao enoturismo, o produtor duriense reforça o seu posicionamento no mapa dos grandes vinhos de Portugal e convida os entusiastas a redescobrirem a sua essência.Seja através da frescura da nova gama Frades, da complexidade do Reserva ou da imponência histórica das Vinhas Centenárias, há uma história líquida à sua espera em cada garrafa.
 
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QUINTA DOS FRADES 
 
Folgosa do Douro
5110-214 ARMAMAR 
+351 254 858 241 / +351 910 129 112

sábado, 25 de julho de 2026

Soulmate 2024 Rosé

SOULMATE 2024 ROSÉ  | DOURO | 13% | PVP  16€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA, TINTA RORIZ
CORTES DO TUA WINES, LDA
17,5 
 
Nem todos os rosés são feitos apenas com o objetivo de nos refrescar nos dias de calor e este Soulmate, criado pela dupla de enólogos Duarte da Costa e Ana Almeida, é daqueles que segue um caminho diferente do habitual. Desde a imagem com que se apresenta até ao momento da abertura da garrafa, somos levados a crer que estamos perante algo mais singular e único. E assim é. Este é um vinho dono de maior complexidade e presença, que foge ao perfil óbvio e funciona incrivelmente bem à mesa. A harmonização ideal pode começar com sushi e comida japonesa, onde a sua frescura ajuda a limpar o palato entre peças de peixe mais gordo. No campo dos pratos quentes, revela-se também uma excelente escolha para peixes assados no forno, como um lombo de bacalhau confitado, ou até para mariscos grelhados na brasa.
Cor salmão brilhante e muito bonita, luminoso, aspecto límpido e sofisticado, jovem. No nariz, percebemos que não estamos perante um perfil óbvio, oferecendo uma vertente aromática intensa e desenhada com uma complexidade invulgar, onde destaco claramente as notas de framboesa verde e o toque ligeiramente silvestre da cereja amarga ou de ginja. À medida que o vinho respira no copo, abre-se espaço para uma envolvência mais madura, revelando apontamentos cítricos de casca de laranja e nuances discretas que denunciam o seu estágio em madeira, surgindo leves toques de especiarias doces e uma sensação fumada muito subtil. Na boca, toda esta promessa traduz-se numa experiência elegante e fina. O paladar é marcado por uma enorme vivacidade, conseguindo um equilíbrio perfeito entre a acidez natural e a integração discreta das notas de madeira resultantes do estágio. É um vinho tenso e estruturado, que se despede com um final longo, fresco e altamente persistente.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Evel 2025 Branco

EVEL 2025 BRANCO  | DOURO | 13% | PVP  5,49€
RABIGATO, VIOSINHO, MOSCATEL GALEGO BRANCO, FERNÃO PIRES
REAL COMPANHIA VELHA, SA
16

Encontramos um vinho que descomplica os dias quentes, num verdadeiro clássico produzido pela Real Companhia Velha no Douro, cujo nome "Evel" é um anagrama de "Leve". Aromas frutados, sem notas exuberantes ou chatas, oferecendo uma acidez estaladiça e muito refrescante. É o parceiro perfeito para mariscos, peixe grelhado, carnes brancas ou saladas de verão, embora por aqui se tenha testado em exclusivo com vários tipos de camarão e... que bem se comportou ele!
Cor citrina limpa, reflexos esverdeados brilhantes, aspecto límpido e jovem. No nariz, a experiência aromática é marcada por uma forte presença de fruta branca e notas citrinas frescas, que se cruzam harmoniosamente com nuances florais e subtis toques vegetais. Na prova de boca, este branco confirma toda a sua frescura através de uma acidez equilibrada e crocante, que preenche o palato de forma leve antes de terminar num final longo, persistente e verdadeiramente vivaz.

terça-feira, 21 de julho de 2026

D. Graça Reserva 2024 Rosé

D. GRAÇA RESERVA 2024 ROSÉ  | DOURO | 13% | PVP  8,95€
BASTARDO
VINILOURENÇO, LDA
17 

Uma das propostas mais cativantes e autênticas da região do Douro com que me cruzei nos últimos meses, ideal para quem procura fugir ao óbvio no universo dos vinhos rosé. Destaca-se, desde logo, pela ousadia de utilizar a casta Bastardo em pleno Douro Superior, embora nesta Casa não seja propriamente uma surpresa, agarrando-nos os sentidos na forma como os frutos vermelhos e uma pitada citrina se unem de forma fresca e elegante, fazendo depois xeque-mate com a sua acidez viva, bem integrada, que lhe confere uma frescura notável e uma aptidão para a mesa enorme.
Neste campo, a sua versatilidade ganha pontos e convida a momentos de partilha descontraídos ou a jantares mais estruturados. Além de harmonizar na perfeição com sabores do mar, acompanhando com mestria pratos de peixe grelhado ou mariscos variados, brilha também com a simplicidade de pizzas artesanais e saladas estivais mais complexas.
Cor rosa alperce, tonalidade salmão com subtis reflexos acobreados, límpido, muito atrativo e jovem. No nariz, revela-se elegante e fino, destacando-se as notas de fruta vermelha, como o morango e a framboesa, uma componente citrina de toranja vermelha e notas minerais de pedra molhada que lembram as primeiras chuvas de verão, num conjunto harmonioso e uno.  Na boca, mostra médio volume, textura macia e uma leve untuosidade, perfeitamente balanceada por uma acidez vibrante e sumarenta. Com notas de toranja, é um vinho seco, salivante e viciante a cada gole, envolvendo todo o palato. Dá um enorme prazer a beber, deixando um longo final de boca que fica a pedir comida.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Pingolé Tinto Cão 2025 Rosé

PINGOLÉ TINTO CÃO 2025 ROSÉ  | DOURO | 12,5% | PVP  25€
TINTO CÃO
GLAD WINE UNIPESSOAL, LDA 
18

Após surpreender tudo e todos com a precisão e a elegância do Pingolé 2023 branco e com a profundidade do Pingolé Vinhas Velhas 2023 tinto, a dupla de enólogos Décio Coutinho e Paulo Amaral dá mais um passo na sua recente caminhada com o Pingolé Tinto Cão 2025 Rosé.
Longe de ser apenas um mero elemento complementar na gama, este vinho assume-se como um ensaio sério e focado numa das castas mais desafiantes da região. Transporta a filosofia de pequena produção e exatidão técnica, que já caracterizava os seus antecessores diretos, para o universo dos vinhos rosados de perfil gastronómico.A sua acidez vibrante, a estrutura firme e a frescura cítrica — características da casta Tinto Cão — fazem deste rosé um vinho extremamente versátil à mesa. 
Afastando-se do perfil de "vinho de piscina", brilha quando acompanhado por pratos que exigem equilíbrio de gordura e vivacidade. Deixo como sugestão o arroz de marisco, as cataplanas de peixe, as amêijoas à Bulhão Pato e os peixes gordos grelhados, tais como o salmão ou o sargo.
Cor rosa aberto, muito pálido e luminoso, com tonalidade casca de alperce, reflexos salmão e um subtil acobreado, mostrando-se atraente e jovem. No nariz, fechamos os olhos e encontramos a fruta de bago vermelho, como framboesa e groselha, morango pouco maduro, alguma nêspera, citrinos vivazes e notas de pedra lascada a misturarem-se com uma presença delicada da barrica, num registo desafiante. Na boca, revela um ataque vivaz, acidulado e vibrante, a balancear o volume mais cheio e macio. Apresenta uma secura boa e em tensão, que faz trabalhar o palato na procura de comida. É um vinho sério, de desenho preciso, com prazer na prova e um longo final de boca.

domingo, 19 de julho de 2026

Vallegre 2025 Rosé

VALLEGRE 2025 ROSÉ  | DOURO | 13% | PVP  6,99€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA
VALLEGRE VINHOS DO PORTO, SA
16,5

Famoso pelos tintos e Portos seculares, o Douro demonstra a sua enorme versatilidade com vinhos como este rosé, nascido a partir das castas Touriga Nacional e Touriga Franca. Aqui encontramos, em harmonia, um conjunto que junta a frescura da altitude à vivacidade da fruta, resultando num perfil seco, redondo e com grande potencial gastronómico.
Sugiro pratos leves, frescos ou moderadamente condimentados, tais como sushi, sashimi, bivalves (como amêijoas), lagosta, peixe grelhado ou tártaro de salmão.
Cor rosa claro, aberto e luminoso, de tonalidade salmão com reflexos acobreados e aspeto límpido e jovem. No nariz, revela-se bastante expressivo e fresco, marcado por uma forte presença de notas de frutos vermelhos, onde sobressaem com clareza o morango, a framboesa e a groselha. Apresenta ainda uma pitada citrina de toranja, revelando em fundo uma leve assinatura mineral. Na boca, encontramos um rosé com volume médio, textura macia, arredondado e de acidez bem colocada. Mostra crocância e vivacidade num registo mais seco, com muito equilíbrio, prolongando-se num final de boca longo, persistente e com um ligeiro adocicado frutado.

sábado, 18 de julho de 2026

Do escritório para as vinhas do Douro: O sonho que deu vida aos vinhos Aromas do Côa

A Aromas do Cõa nasceu, oficialmente, no ano de 2022, no entanto, a sua história não se escreve apenas a partir deste ano, mas sim através do suor e da dedicação de várias gerações de uma família profundamente ligada ao mundo rural e à viticultura no coração do Douro Superior que, durante anos, se dedicou exclusivamente à produção e posterior venda das uvas, honrando os valores de sacrifício, resiliência e respeito pela terra transmitidos de avós para pais e de pais para filhos. 
Contudo, no seio da família, habitava um sonho capaz de alterar este desígnio, o sonho antigo de transformar o fruto do próprio trabalho numa marca identitária, capaz de engarrafar as emoções e as memórias daquela região.
Assim, o ponto de viragem viria a acontecer pela mão de Mário Antunes, um jovem "louco" de 36 anos - como se sentiu nessa altura - que exercia a profissão de Solicitador e que decidiu abdicar do conforto do trabalho de escritório para dar a cara por um projeto inteiramente movido pela paixão. O próprio descreve-se, com humor, como um "jovem louco", mas a sua decisão foi tudo menos um acaso. Foi o culminar de uma ligação umbilical à vinha, ao conhecimento profundo de cada parcela e à crença de que um grande vinho nasce na terra e nas raízes.
O crescimento da estrutura agrícola criou musculo e, desde 2014, num esforço de sustentação do projecto, a família investiu na consolidação do seu património e gere hoje cerca de 22 hectares de vinha, complementados por 5 hectares de olival e 4 de amendoal. Apontam ao controlo total do processo produtivo. Ao contrário de muitos projetos de produtores independentes, todos os vinhos da marca são vinificados na adega própria da família, utilizando exclusivamente uvas colhidas nos seus terrenos.
Ficamos a conhecer três dos seus vinhos. Dois brancos e um tinto. No campo dos vinhos brancos, o Aromas do Côa Branco 2023 surge como um lote tradicional do Douro Superior, plantadas em solos de xisto em Sebadelhe. O resultado é um vinho de cor límpida, com aroma elegante e uma acidez viva e refrescante na boca. Já o Aromas do Côa Edição Limitada Branco 2024 eleva a fasquia da exclusividade através de uma produção muito restrita de apenas 2000 garrafas, apresentando um lote arrojado de 90% Verdelho e 10% Rabigato que se destaca pelas notas nítidas de fruta branca, citrinos e um perfil mineral muito limpo e equilibrado. Por fim, o Aromas do Côa Tinto Superior 2023 combina 70% Touriga Nacional e 30% Touriga Franca, revelando uma textura firme, aroma intenso a frutas vermelhas e pretas com toques de especiarias, e um final longo e persistente.

AROMAS DO CÔA 2023 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  6,99€
RABIGATO, VIOSINHO, CÓDEGA DO LARINHO
QUINTA DA AFRICANA, LDA
16,5
Cor amarelo citrino de tonalidade esverdeada, brilhante, aspecto límpido e jovem. Nariz elegante, com notas de fruta citrina a assomarem frescas e bem casadas com a compoenete mineral, pedra lascada e subtil toque floral. Boca com grande verticalidade, médio volume, textura macia, vibrante na acidez, crocante, com a fruta sumarenta e fresca, muito preciso e com final de boca longo e persistente. 
Bela surrpresa e excelente relação preço - qualidade. À mesa com mariscos cozidos, peixe branco grelhado e peixinho frito do rio para lutar esta crocância.

AROMAS DO CÔA EDIÇÃO LIMITADA 2024 BRANCO | DOURO | 13,5% | PVP  8,49€
VERDELHO, RABIGATO
QUINTA DA AFRICANA, LDA
17
Cor amarelo citrino com reflexos esverdeados,  um aspeto visual límpido, brilhante e jovem. No nariz revela uma intensidade aromática cativante, dominada por notas nítidas de fruta de polpa branca e tropical frescas, com pitada citrina vivaz, envolvidas por um perfil mineral muito limpo e subtil. Na boca oferece harmonia e precisão, mostrando uma acidez viva e bem integrada que confere uma enorme frescura e vivacidade à prova, num registo de equilíbrio, fruta bonita e sumarenta, com término de boca longo e  persistente.

AROMAS DO CÔA SUPERIOR 2023 TINTO | DOURO | 13,5% | PVP  8,49€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA
QUINTA DA AFRICANA, LDA
16
Cor vermelho rubi de média concentração, embora mais denso, com bonita auréola luminosa, aspecto límpido e jovem. No plano aromático a fruta vermelha e preta desempenha o papel principal, com elegância e frescura, em perfeito casamento com notas florais bem medidas, alguma esteva e violeta, subtil especiado. Boca de médio volume, textura macia e aveludada, acidez equilibrada, boa secura, fruta sumarenta aninhada num tanino polido e pronto, prazeroso a beber e com término de boca longo e persistente.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Quinta de Cidrô 2025 Rosé

QUINTA DE CIDRÔ 2025 ROSÉ | DOURO | 13% | PVP  16€
TOURIGA NACIONAL
REAL COMPANHIA VELHA, SA
17,5

Estamos perante um exemplo evidente da evolução dos vinhos rosé do Douro rumo à máxima elegância. Nasce na altitude da Quinta de Cidrô e destaca-se por uma frescura e acidez natural únicas, adoptando um perfil moderno inspirado no estilo clássico da Provence. Leve, seco e altamente gastronómico, é escolha acertada para a mesa, brilhando ao acompanhar desde a frescura do sushi e de saladas mediterrânicas até à envolvência de pratos de marisco, massas leves ou carpaccios.
Cor rosa pálido muito límpido e brilhante, subtis reflexos salmão, atrativo e jovem. No nariz, o primeiro contacto revela-se fino, sedutor e marcado por uma intensidade aromática muito limpa, onde destaco as notas nítidas de frutas vermelhas, com maior relevo para o morango e a framboesa fresca, que surgem subtilmente envolvidas por elegantes nuances florais e com componente mineral a assomar em fundo. Na boca, a experiência confirma as expectativas de frescura criadas pelo olfato, com um ataque vivo e muito equilibrado, ancorado numa acidez cortante e mineral que dá ritmo à prova e nos faz pensar em comida, cativando por este perfil seco e focado e surpreendendo pelo bom volume e pela textura aveludada que oferece, preenchendo o palato de forma delicada antes de caminhar para um final de boca persistente, limpo e refrescante.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Guru Vinha da Calçada 2021 Branco

GURU VINHA DA CALÇADA 2021 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  80€
FIELD BLEND CASTAS INDÍGENAS
WINE & SOUL, LDA
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No coração do Douro Superior, a uns impressionantes 600 metros de altitude onde o vento fresco molda a paisagem, nasce, pelas mãos da prestigiada dupla de enólogos Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges, este branco, expressão líquida de uma autêntica relíquia histórica. As suas uvas provêm exclusivamente de uma única parcela centenária plantada em solos de transição granítica, uma assinatura geológica rara na região que confere ao vinho uma identidade única, sendo que, neste field blend se reúnem castas indígenas ancestrais como a Viosinho, a Rabigato, a Códega do Larinho e a Gouveio, que crescem em perfeita simbiose. Acabamos por estar na presença de uma das mais exclusivas joias do panorama vinícola português pois desta parcela,  após estágio paciente durante dois anos em foudres de madeira – que lhe preserva uma pureza etérea, acidez cortante e um perfil salino absolutamente inesquecível -, saem apenas 1.533 garrafas. 
À mesa somos obrigados a chamar por harmonizações perfeitas sugerindo peixes gordos assados no forno, mariscos nobres, como lavagante suado, ou pratos ricos de aves de caça e queijos curados de ovelha.Cor amarela citrina, tonalidade palha brilhante e límpida, subtis reflexos esverdeados, luminoso e jovem. No plano aromático, destaca-se pela contenção e elegância, menos óbvio e exuberante, revelando aromas a casca de limão, toranja e nectarina, pitada floral bem encostada, envolvidos por uma mineralidade profunda a pedra molhada e discretas notas de baunilha, fruto do estágio resguardado em madeira usada. Na boca, impressiona pelo equilíbrio entre cremosidade e tensão, com ataque primário sedoso e untuoso, mas logo balanceado por uma acidez vibrante e uma forte salinidade característica do solo granítico terminando longo e persistente, com tensão e muito preciso,  deixando uma sensação limpa e elegante. 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

São Luiz Colheita 2024 Rosé

SÃO LUIZ COLHEITA 2024 ROSÉ | DOURO | 12,5% | PVP  7,50€
TOURIGA NACIONAL TINTA RORIZ, DONZELINHO TINTO, TINTA DA BARCA
SOGEVINUS FINE WINES, SA
16,5

As temperaturas pedem o regresso a um rosé mais descontraído, embora sério o suficiente para conseguir boa presença à mesa e afastar-se do puro conceito de consumo à beira da piscina. Para quem é consumidor habitual deste vinho, por certo irá reparar, num primeiro contacto visual, à diferença na cor em relação a colheitas anteriores. Tonalidade salmão mais intensa, com ligeiro acobreado que parece captar mais a nossa atenção.  Todavia, o próprio perfil está um pouco diferente, expressão natural de um ano diferente e que faz com que esta colheita tenha trocado alguma da opulência e exuberância da fruta por uma tensão mineral acrescida e uma vibração cítrica mais pronunciada. Está mais direto, tenso e vertical do que o seu antecessor, o que o torna ainda mais apetecível para enfrentar os dias quentes com outra sofisticação.
Este registo mais tenso e elétrico recusa o papel de mero figurante à mesa e exige pratos que o acompanhem com destreza, como um tártaro de salmão com abacate, um belo arroz de marisco malandro ou um carpaccio de polvo bem regado com azeite. 
Cor rosa salmão intenso, com reflexos acobreados, casca de alperce, luminoso, aspecto límpido e jovem. No nariz oferece uma abordagem muito directa, limpa e fresca, com notas de fruta vermelha fresca, framboesa e morango ainda meio verde, e fruta citrina, raspa de casca de laranja e toranja, pitada floral mais subtil e componente mineral evidente. Na boca somos surpreendidos por um primeiro ataque revelador de acidez vibrante e elétrica, fazendo guarda de honra à sensação de volume, à estrutura e textura macia, com a fruta sumarenta, fruto vermelho mais acido e algum citrino mais evidente, conjunto com muita precisão e com final de boca longo, seco e convidativo ao próximo gole.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Kika 2025 Rosé

KIKA 2025 ROSÉ | DOURO | 12,5% | PVP  19,5€
TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, TOURIGA FRANCA
VAN ZELLERS & CO, LDA
17,5

Encontramos aqui mais uma belíssima opção para o combate ao calor destes dias, que foge de um perfil mais pesado normalmente associado ao Douro, apostando num registo de maior leveza, abdicando do estágio em barrica e oferecendo um registo no qual é dada primazia à pureza da fruta, cheio de texturas, muito elegante, tensão duradoura e com grande presença à mesa onde esta precisão e acidez vibrante se revelam par ideal para momentos de partilha sofisticados, harmonizando na perfeição com a frescura de ostras e mariscos, a delicadeza do sushi e do sashimi, a cremosidade de uma autêntica burrata com tomate e manjericão ou simplesmente com uma dose generosa de frutos vermelhos e pretos silvestres variados.
O nome Kika não é acidental. Curto, afectuoso, fácil de pronunciar, é um nome que se usa com quem se gosta mesmo. Uma filosofia que resume a proposta de proximidade, alegria e carácter sem pretensão deste vinho.
Cor rosa salmão intenso, luminoso, aspecto límpido, jovem e atrativo. No nariz entramos no reino da fruta vermelha madura e fresca, morango, romã e framboesa, subtil componente citrina, toranja e raspa de casca de laranja, vinco mineral em fundo.  Boca vibrante, num primeiro ataque cheio de vida, com textura crocante e de médio volume, secura fina, prolongada, fruta em bom plano e bonita, num registo sofisticado, elegante e harmonioso, preenchendo o palato com leveza e uma certa sensação salina, com longo final de boca.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Mirabilis 2023 Branco

MIRABILIS 2023 BRANCO | DOURO | 14% | PVP  58€
VINHAS VELHAS
QUINTA NOVA DE NOSSA SENHORA DO CARMO, SA
18,5

Se há um vinho capaz de fazer parar o trânsito no mundo dos brancos em Portugal, esse vinho é este Mirabilis produzido pela Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo no Douro. As uvas vêm de vinhas centenárias, com mais de 70 anos, plantadas a mais de 500 metros de altitude, num daqueles cantinhos mágicos onde o solo deixa de ser o xisto habitual do Douro e passa a ser granito puro. Um vinho minimalista, onde a madeira não esconde nada e a mineralidade do solo brilha ao máximo, com grande precisão no registo, singularidade e com potencial de guarda gigante. À mesa será escolha perfeita para impressionar num jantar especial, brilhando ao lado de pratos ricos como um peixe gordo assado no forno, um bacalhau bem regado com azeite de qualidade ou arroz de mar caldosos e cheios de sabor.
Cor amarela cítrica muito limpa e luminosa, reflexos esverdeados, aspecto límpido e mantendo-se incrivelmente jovem . No nariz, o passar dos três anos desde a colheita até ao nosso copo adicionou-lhe uma camada de complexidade extra, revelando notas iniciais de fruta branca de caroço e leves apontamentos cítricos em fusão perfeita com uma faceta floral elegante, nuances discretas de baunilha e um toque especiado que lembra o cravinho, brilhando a sua assinatura mineral com notas de pólvora e granito molhado, mostrando-se vivo e desafiante a cada momento. Na boca impressiona pelo contraste e equilíbrio, diria que viciante,  entre o volume mais sedoso e untuoso, cheio de textura e corpo,  e a sua acidez cortante, vertical e crocante que nos assalta o palato, nos dá tensão e apontamentos salinos, provocando a repetição do acto, dando prazer e terminando infinitamente longo.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Vértice Pinot Noir Bruto 2013 Branco

VÉRTICE PINOT NOIR BRUTO 2013 BRANCO | DOURO | 12% | PVP  53€
PINOT NOIR
CAVES TRANSMONTANAS, LDA 
Dégorgement 01/2024
18,5

Os grandes entusiastas dos espumantes de excepção têm hoje a sua fasquia de escolha mais elevada do que nunca, conseguindo sem ser preciso viajar até à icónica região de Champagne, encontrar bolhas de sofisticação mundial. 
Este Vértice Pinot Noir Bruto 2013 é o exemplo perfeito dessa mestria e elegância intemporal. Desenhado no coração do Douro pelas Caves Transmontanas e estagiado pacientemente até ao seu recente dégorgement, este monocasta eleva o panorama dos espumantes nacionais a um patamar de puro requinte, rivalizando com os melhores clássicos do mundo através de uma bolha finíssima, frescura cortante e uma complexidade aromática absolutamente soberba. 
À mesa, esta joia duriense revela toda a sua versatilidade gastronómica, sendo o parceiro ideal tanto para abrir as hostilidades num aperitivo sofisticado, como para brilhar ao lado de mariscos nobres, peixes gordos assados no forno ou mesmo carnes brancas bem condimentadas.
Cor rosa pálido, muito leve e brilhante, quase a roçar a casca de cebola, onde se destaca uma bolha incrivelmente fina e persistente que desenha uma coroa perfeita no topo. Impressiona pela sua complexidade aromática e mostra bem o valor do tempode estágio fugindo ao perfil mais frutado abrindo com notas ricas de panificação e brioche tostado envolvidas num fundo mineral gizoso e uns toques subtis de cereja fresca e framboesa silvestre que aparecem timidamente.Na boca é onde a magia realmente acontece. Ataque inicial muito vertical e tenso, com uma acidez cortante e super crocante que nos faz salivar de imediato. A textura da espuma é incrivelmente cremosa, criando a sensação de uma mousse leve e fresca, preenchendo a boca sem nunca pesar, mostrando perfil seco, sério, focado, mas com uma elegância e precisão notáveis. O final de boca é longo, incisivo e deixa uma sensação salina e frutada muito persistente que nos convida, quase de forma automática, ao próximo gole.