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sábado, 1 de agosto de 2026

Vilar Torpim 2024 Branco

VILAR TORPIM 2024 BRANCO | BEIRA INTEROR | 12,5% | PVP  11€
SÍRIA, FONTE CAL, ARINTO
AGROCARDO, SA 
16
 
Um vinho bem representativo do perfil fresco e vibrante dos vinhos brancos das Beiras. Jovem, equilibrado e de expressão aromática limpa, privilegia a fruta e a acidez, resultando num conjunto leve e muito agradável, ideal para momentos descontraídos à mesa ou como aperitivo, embora a sua frescura o potencie como excelente acompanhamento para peixes e mariscos, saladas, carnes brancas e pratos de inspiração mediterrânica.
De cor citrina clara e brilhante, com reflexos esverdeados, apresenta-se límpido, revelando desde logo a sua juventude. No nariz evidencia uma expressão aromática fresca e envolvente, marcada por delicadas notas florais, frutos cítricos e sugestões de maçã verde, complementadas por um subtil apontamento mineral que reforça a sua elegância. Em boca confirma as expectativas criadas pelo aroma, revelando-se leve, equilibrado e sustentado por uma acidez viva que imprime grande frescura ao conjunto. A boa harmonia entre fruta, mineralidade e acidez confere-lhe dinamismo e precisão, prolongando-se num final persistente, limpo e muito refrescante.

Moët & Chandon Grand Vintage Extra Brut 2013 Branco

MOËT & CHANDON GRAND VINTAGE EXTRA BRUT 2013 BRANCO | CHAMPAGNE (FRA) | 12,5% | NM | PVP  73,50€
CHARDONNAY, PINOT NOIR, MEUNIER
CHAMPAGNE MOËT & CHANDON
Dégorgement 03/2021
18

Para todos os momentos encontramos um champagne. Há champanhes que celebram o momento e outros que convidam a apreciá-lo com mais calma. Este Moët & Chandon Grand Vintage Extra Brut 2013 pertence claramente ao segundo grupo. Com um perfil elegante, fresco e equilibrado, revela a identidade da colheita que lhe deu origem e mostra-se especialmente à vontade à mesa, onde a sua versatilidade faz toda a diferença.
É uma excelente companhia para ostras, mariscos, crustáceos e peixes de carne firme, mas também acompanha muito bem aves assadas e queijos de pasta mole de intensidade moderada. Um champanhe pensado para ser saboreado sem pressas, sempre em boa companhia.
Cor amarelo citrino intenso, com subtis reflexos dourados luminosos, atravessada por uma bolha fina e persistente que evidencia a sua elegância. No aroma, revela uma expressão rica e bem definida, onde surgem notas de maçã madura, pera, frutos secos, castanha assada e um delicado toque de mel e flores, acompanhados por uma subtil componente mineral. Na boca confirma a elegância e frescura que dele esperava, com uma acidez viva e bem integrada, textura cremosa e um equilíbrio notável entre intensidade e finesse. O final é longo, preciso e marcado por uma agradável sensação de frescura.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Dalva Metamorfose 2017 Tinto

DALVA METAMORFOSE 2017 TINTO | DOURO | 14,5% | PVP  35€
VINHAS VELHAS (FIELD BLEND)
GRANVINHOS, LDA
18
 
O respeito absoluto pelo tempo no vinho é a filosofia basilar para a gama Metamorfose assinada pelo enólogo José Manuel Sousa Soares e da qual já haviamos bebido o incrível rosé. O tinto é proveniente de uma vinha velha situada na margem do Rio Pinhão, tendo sido engarrafado apenas em 2019 e depois estagiado cerca de sete anos em garrafa antes do seu lançamento. 
O resultado é um vinho tinto de perfil complexo, com notas de fruta madura, chocolate, especiarias e uma frescura marcante sustentada por taninos firmes e redondos. à mesa, a harmonização ideal pede pratos de idêntica intensidade e robustez estrutural, ligando na perfeição com carnes vermelhas assadas no forno, pratos tradicionais de caça e guisados ricos de confecção lenta, onde a gordura e os sucos da comida encontram equilíbrio na frescura e no tanino firme.
Cor vermelho rubi de média concentração, muito luminoso e brilhante, lágrima chorosa, aspecto límpido e escondendo com mestria os quase dez anos de caminho. No plano aromático revela casamento harmonioso entre as notas de fruta preta madura, como a ameixa, a cereja ou a amora silvestre, e as que lhe chegam pelo estágio em barrica de carvalho francês, com notas subtis de pimenta preta, cravinho e uma ligeira baunilha, oferecendo também toques discretos de cacau, chocolate negro e grão de café tostado. Muito rico e complexo continua a mostrar-se à medida que lhe vamos dando ar, aparecendo uma sensaçâo de barro de cantara com água, nuances de folha de tabaco seca, couro fino e uma ligeira nota balsâmica que conferem frescura ao conjunto. Na prova de boca encontramos expressão perfeita entre a potência do Douro e o lado elegante e temperador da longa espera em descanso até ser lançado para venda. Volumoso, cheio, denso e que preenche bem o palato, textura macia e envolvente, bela acidez, ponderada, secura fina e prolongada, salivante, com enorme frescura, fruta preta em bom plano, encontrando também o chocolate negro, as especiarias e o toque mineral terroso que se sentia no nariz. Tanino firme, mas polidos, com presença e estrutura, mas mais redondo e sedoso devido aos anos de descanso, terminando longo, limpo e elegante.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Rosés do Douro: Terroir, Castas, Perfil e 10 Vinhos a Provar

Tempos houve em que os vinhos rosés eram vistos de forma quase linear. Estavam destinados aos dias quentes de verão, servidos muito frios à beira da piscina ou em esplanadas, valorizados apenas pela sua aparente leveza e facilidade de consumo. 
No entanto, o panorama vitivinícola mundial mudou e o Douro, como todas as regiões produtoras de vinho em Portugal, aceitou o desafio de ajudar a reescrever esta história. Nesta publicação focamos no Douro, para verificar que nos últimos anos, a mais antiga região demarcada do mundo provou que o seu território não serve apenas para criar Vinhos do Porto monumentais ou tintos robustos de guarda. O Douro aprendeu a desenhar rosés ambiciosos, profundos e com uma aptidão gastronómica que rivaliza com os grandes brancos e tintos nacionais. Estes novos vinhos deixaram de ser um produto secundário para se tornarem escolhas deliberadas de viticultores e enólogos.
A grande magia começa no perfil geográfico e geológico único da região. O Douro é conhecido pelos seus verões escaldantes e invernos rigorosos. À partida, este calor intenso poderia parecer uma barreira à produção de vinhos rosés, que exigem frescura e acidez viva, contudo, a enorme diversidade de microclimas e viticultura moderna são factores determinantes no sucesso dos produtores que abandonaram as zonas baixas e escaldantes junto ao rio e subiram a encosta para ir buscar as uvas destinadas a este perfil em vinhas plantadas a altitudes elevadas, frequentemente acima dos quinhentos metros, e em parcelas com exposição solar virada a Norte. 
Por outro lado, as castas autóctones desempenham também um papel muito importante neste cenário cor-de-rosa. Ao contrário de outras regiões do mundo que dependem de variedades internacionais, o Douro recorre ao seu vastíssimo património de uvas nativas para fazer lotes únicos. A Touriga Nacional assume frequentemente o protagonismo, mas a Tinta Roriz, a Touriga Franca, a Tinto Cão ou a Bastardo, entre outras, respondem de forma afirmativa fazendo com que esta biodiversidade vinícola dote o rosé duriense de uma camada de complexidade textural e aromática que dificilmente se encontra noutras paragens.
Deste modo, os actuais rosés do Douro são verdadeiros camaleões à mesa, ultrapassando as fronteiras das harmonizações clássicas. Os exemplares mais jovens, diretos e vibrantes funcionam na perfeição com entradas leves, carpaccios de peixe, sushi e saladas mediterrânicas complexas. A sua acidez natural ajuda a limpar o palato, tornando-os também excelentes parceiros para mariscos grelhados ou pratos de cozinha asiática com ligeiro toque picante. Já quando subimos um degrau e abrimos um rosé duriense estruturado, que tenha beneficiado de um estágio em madeira, o leque culinário expande-se dramaticamente. A sua densidade e volume de boca permitem-lhe enfrentar pratos de resistência. Casam de forma soberba com pratos tradicionais portugueses como um arroz de pato bem apurado, bacalhau assado no forno ou arroz de marisco. Mostram-se igualmente capazes de acompanhar carnes brancas assadas, como porco ou aves, sem nunca perderem o lugar nem serem abafados pela comida. No final, os novos rosés do Douro afirmam-se, cada vez mais, não apenas como uma tendência passageira, mas sim como uma categoria sólida, madura e indispensável para quem procura autenticidade no copo e versatilidade no prato.
Elaboramos, por ordem alfabética, uma lista curta de 10 vinhos rosé durienses que provamos, experimentamos harmonizações, vivemos com eles estados de alma, fomos felizes e que aconselhamos.
Clica nas imagens abaixo para conheceres melhor cada vinho em novas janelas.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

O Novo Capítulo da Quinta dos Frades: Identidade Renovada, Gama Reorganizada e Aposta no Enoturismo

 
Uma das propriedades mais antigas do Douro une a herança do passado à modernidade do futuro. A Quinta dos Frades apresenta uma nova imagem e rótulos redesenhados, acompanhados por uma gama de vinhos perfeitamente estruturada para o mercado atual. Uma renovação profunda que se estende ao enoturismo, com experiências imersivas criadas para celebrar o património duriense.
 
A Quinta dos Frades, uma das propriedades mais emblemáticas e imponentes da Região Demarcada do Douro, acaba de iniciar um novo capítulo na sua longa história com uma profunda renovação estratégica da sua marca. Unindo uma herança secular e o respeito pelo seu património vitivinícola ao dinamismo do mercado atual, o produtor apresenta uma identidade visual completamente revitalizada, acompanhada por novos rótulos que trazem mais sofisticação e elegância às garrafas. Esta evolução estética reflete-se também no portefólio, que passou por uma reorganização estrutural na gama de vinhos com o objetivo de deixar bem claro os seus diferentes perfis, que vão desde referências mais frescas e acessíveis até aos topos de gama focados na expressão máxima e pura das suas vinhas centenárias. 
 
Além das novidades no copo, a casa reforça fortemente a sua aposta no enoturismo no Douro, abrindo as portas da propriedade para proporcionar experiências imersivas que celebram a sua riqueza arquitetónica, as suas paisagens marcantes e a cultura vitivinícola da região.
 
Esta nova era da Quinta dos Frades é indissociável da sua equipa técnica. Desde a vindima de 2023, o conceituado enólogo Diogo Lopes juntou-se a Anselmo Mendes na condução dos destinos vitivinícolas da propriedade. Reconhecido como um dos nomes mais brilhantes da sua geração, Diogo Lopes trouxe o seu espírito experimentalista e um foco rigoroso no estudo minucioso de cada parcela do terroir histórico da quinta. Esta sinergia na enologia foi o pilar decisivo para redesenhar o perfil dos vinhos da casa, afinando a frescura, a elegância e garantindo a máxima pureza na interpretação das vinhas velhas e centenárias que fazem a fama da propriedade.
 
A mudança estética da Quinta dos Frades vai muito além de uma simples atualização gráfica. O novo posicionamento visual foi desenhado para honrar o legado histórico da propriedade, conferindo-lhe simultaneamente uma imagem contemporânea, sofisticada e altamente competitiva. Os novos rótulos surgem mais limpos, elegantes e com uma organização visual que facilita a leitura e a identificação da marca nas prateleiras e garrafeiras. 
 
No mesmo sentido, com o objetivo de tornar o seu portefólio mais legível e segmentado, o produtor reorganizou estrategicamente a sua gama de vinhos do Douro. 
A estrutura divide-se agora de forma clara em três patamares de excelência: Frades (Gama de Entrada): desenhada para o consumo quotidiano e momentos informais de partilha; Quinta dos Frades Reserva: o equilíbrio perfeito entre a vivacidade da fruta colhida em parcelas mais jovens e a complexidade estrutural típica das vinhas velhas da casa, com um estágio equilibrado em madeira; Quinta dos Frades Vinhas Centenárias: o topo de gama incontornável da casa, agora apresentado sob a chancela de Grande Reserva. 
Abaixo as notas de prova das novidades apresentadas neste dia. 

FRADES 2024 BRANCO | DOURO | 13% | PVP  8,90€
MALVASIA FINA, GOUVEIO, RABIGATO
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
16,5
Cor amarelo citrino, aberto e luminoso, leves esverdeados, límpido e jovem. Nariz elegante e fresco, com notas de fruto citrino aliadas às de fruta de caroço, fruta de pomar, subtil pincelada floral, marca pedregosa e mineral. Boca de médio volume, textura macia, acidez vibrante, acídula, com boa secura e tensão, salivante, mostrando bem a fruta fresca, terminando longo e elegante.
 
FRADES 2023 TINTO | DOURO | 14,5% | PVP  8,90€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
16
Cor vermelho rubi de média concentração, límpido, lágrima chorosa, jovem. No plano aromático oferece a fruta vermelha e preta silvestre madura e fresca, alguma cereja e ginja, bem enleada em subtis notas de esteva, violeta e mato seco. Boca de médio corpo, vivaz e elegante, acidez no ponto, deixando brilhar a fruta, tanino polido, com final de boca longo e prazeroso.  
 
QUINTA DOS FRADES 2024 ROSÉ | DOURO | 13% | PVP  16€
TOURIGA NACIONAL
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
17,5
Cor rosa aberto, com tonalidade salmão, casca de alperce, luminoso, brilhante e cativante. Muito delicado e fino de aromas, muito limpo, com a fruta vermelha silvestre bem casada com notas florais frescas e bem medidas, com subtil recorte mineral em fundo, sempre presente. Na prova de boca continua a mostrar um registo de elegância e delicadeza notáveis, texturado, macio, médio volume, seco, vibrante e com longo final de boca.
 
FRADES RESERVA 2024 BRANCO | DOURO | 13% | PVP  16€
VIOSINHO, RABIGATO, DONZELINHO, MALVASIA FINA
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
17
Cor amarelo citrino, definido, com nuances esverdeadas, aspecto límpido, brilhante e jovem. Plano aromático rico e mais complexo, revelando a fruta citrina e os frutos de caroço bem casados, mostrando componente especiada em fundo, ligeira tostas e o vinco mineral bem evidente. Boca com um primeiro ataque mais cheio e volumoso, textura macia e com alguma cremosidade, mostrando a acção da passagem por barrica, seguida de acidez ajustada, fina, equilibrando o conjunto, oferecendo vida e prazer ao beber, terminando longo e com grande frescura.
 
QUINTA DOS FRADES RESERVA 2021 TINTO | DOURO | 14% | PVP  16€
TOURIGA FRANCA, TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, FIELD BLEND
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
17,5
Cor vermelho rubi de média concentração, auréola luminosa, aspecto límpido e de tez jovem. Elegante de aromas, revelando a fruta preta madura de forma mais exuberante e intensa, com vertente floral bonita, notas subtis de baunilha e tostados delicados, alguma folha de tabaco, especiaria fina. Grande frescura na prova de boca, com volume médio, mas com estrutura e firmeza, textura macia e aveludada, acidez fina, com secura gradual e acolhedora, fruta fresca bonita, sabor, tanino domado, conjunto uno e harmonioso, com final de boca longo e persistente.  
 
QUINTA DOS FRADES VINHAS CENTENÁRIAS GR 2017 TINTO | DOURO | 14,5% | PVP  32€
VINHAS VELHAS
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
18
Cor vermelho rubi intenso, média concentração, sem revelar a sua idade por completo, apresentando-se visualmente jovem. Nariz rico e complexo, ao mesmo tempo que se mostra fino e aristocrático, revelando a fruta preta madura muito fresca e limpa, casada na perfeição com as notas que lhe chegam pela passagem em barrica e pelo tempo de espera, componente fumada, subtil, tostados leves, especiaria fina, desafiante e conquistador. Boca de grande poderio, com estrutura e volume, cheio de energia e vida, textura sedutora, tanino encorpado e bem presente, firme, mostrando-se sem vergonha, num conjunto onde a fruta se mostra bem aninhada em cada pormenor, dando prazer a beber, antevendo potencial de continuação de guarda generosa, terminando longo e elegante.

Paralelamente às novidades engarrafadas, a Quinta dos Frades reforça o seu papel como destino obrigatório no enoturismo do Douro. A propriedade abre as portas ao público com um programa de visitas estruturado para partilhar o seu vasto património arquitetónico e histórico. Os visitantes são convidados a passear pelas imponentes vinhas velhas, localizadas numa das zonas mais privilegiadas do vale duriense, e a compreender de perto as técnicas de viticultura tradicional. As experiências culminam em provas comentadas dos novos vinhos na própria propriedade, integrando a paisagem classificada como Património Mundial da UNESCO com a degustação de vinhos de excelência.
 
Esta profunda renovação da Quinta dos Frades prova que é possível reinventar o futuro sem nunca esquecer as raízes que moldaram o passado. Com uma imagem contemporânea, uma gama de vinhos perfeitamente estruturada e uma forte abertura ao enoturismo, o produtor duriense reforça o seu posicionamento no mapa dos grandes vinhos de Portugal e convida os entusiastas a redescobrirem a sua essência.Seja através da frescura da nova gama Frades, da complexidade do Reserva ou da imponência histórica das Vinhas Centenárias, há uma história líquida à sua espera em cada garrafa.
 
_______________________________________________
QUINTA DOS FRADES 
 
Folgosa do Douro
5110-214 ARMAMAR 
+351 254 858 241 / +351 910 129 112

sábado, 25 de julho de 2026

Soulmate 2024 Rosé

SOULMATE 2024 ROSÉ  | DOURO | 13% | PVP  16€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA, TINTA RORIZ
CORTES DO TUA WINES, LDA
17,5 
 
Nem todos os rosés são feitos apenas com o objetivo de nos refrescar nos dias de calor e este Soulmate, criado pela dupla de enólogos Duarte da Costa e Ana Almeida, é daqueles que segue um caminho diferente do habitual. Desde a imagem com que se apresenta até ao momento da abertura da garrafa, somos levados a crer que estamos perante algo mais singular e único. E assim é. Este é um vinho dono de maior complexidade e presença, que foge ao perfil óbvio e funciona incrivelmente bem à mesa. A harmonização ideal pode começar com sushi e comida japonesa, onde a sua frescura ajuda a limpar o palato entre peças de peixe mais gordo. No campo dos pratos quentes, revela-se também uma excelente escolha para peixes assados no forno, como um lombo de bacalhau confitado, ou até para mariscos grelhados na brasa.
Cor salmão brilhante e muito bonita, luminoso, aspecto límpido e sofisticado, jovem. No nariz, percebemos que não estamos perante um perfil óbvio, oferecendo uma vertente aromática intensa e desenhada com uma complexidade invulgar, onde destaco claramente as notas de framboesa verde e o toque ligeiramente silvestre da cereja amarga ou de ginja. À medida que o vinho respira no copo, abre-se espaço para uma envolvência mais madura, revelando apontamentos cítricos de casca de laranja e nuances discretas que denunciam o seu estágio em madeira, surgindo leves toques de especiarias doces e uma sensação fumada muito subtil. Na boca, toda esta promessa traduz-se numa experiência elegante e fina. O paladar é marcado por uma enorme vivacidade, conseguindo um equilíbrio perfeito entre a acidez natural e a integração discreta das notas de madeira resultantes do estágio. É um vinho tenso e estruturado, que se despede com um final longo, fresco e altamente persistente.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Evel 2025 Branco

EVEL 2025 BRANCO  | DOURO | 13% | PVP  5,49€
RABIGATO, VIOSINHO, MOSCATEL GALEGO BRANCO, FERNÃO PIRES
REAL COMPANHIA VELHA, SA
16

Encontramos um vinho que descomplica os dias quentes, num verdadeiro clássico produzido pela Real Companhia Velha no Douro, cujo nome "Evel" é um anagrama de "Leve". Aromas frutados, sem notas exuberantes ou chatas, oferecendo uma acidez estaladiça e muito refrescante. É o parceiro perfeito para mariscos, peixe grelhado, carnes brancas ou saladas de verão, embora por aqui se tenha testado em exclusivo com vários tipos de camarão e... que bem se comportou ele!
Cor citrina limpa, reflexos esverdeados brilhantes, aspecto límpido e jovem. No nariz, a experiência aromática é marcada por uma forte presença de fruta branca e notas citrinas frescas, que se cruzam harmoniosamente com nuances florais e subtis toques vegetais. Na prova de boca, este branco confirma toda a sua frescura através de uma acidez equilibrada e crocante, que preenche o palato de forma leve antes de terminar num final longo, persistente e verdadeiramente vivaz.

terça-feira, 21 de julho de 2026

D. Graça Reserva 2024 Rosé

D. GRAÇA RESERVA 2024 ROSÉ  | DOURO | 13% | PVP  8,95€
BASTARDO
VINILOURENÇO, LDA
17 

Uma das propostas mais cativantes e autênticas da região do Douro com que me cruzei nos últimos meses, ideal para quem procura fugir ao óbvio no universo dos vinhos rosé. Destaca-se, desde logo, pela ousadia de utilizar a casta Bastardo em pleno Douro Superior, embora nesta Casa não seja propriamente uma surpresa, agarrando-nos os sentidos na forma como os frutos vermelhos e uma pitada citrina se unem de forma fresca e elegante, fazendo depois xeque-mate com a sua acidez viva, bem integrada, que lhe confere uma frescura notável e uma aptidão para a mesa enorme.
Neste campo, a sua versatilidade ganha pontos e convida a momentos de partilha descontraídos ou a jantares mais estruturados. Além de harmonizar na perfeição com sabores do mar, acompanhando com mestria pratos de peixe grelhado ou mariscos variados, brilha também com a simplicidade de pizzas artesanais e saladas estivais mais complexas.
Cor rosa alperce, tonalidade salmão com subtis reflexos acobreados, límpido, muito atrativo e jovem. No nariz, revela-se elegante e fino, destacando-se as notas de fruta vermelha, como o morango e a framboesa, uma componente citrina de toranja vermelha e notas minerais de pedra molhada que lembram as primeiras chuvas de verão, num conjunto harmonioso e uno.  Na boca, mostra médio volume, textura macia e uma leve untuosidade, perfeitamente balanceada por uma acidez vibrante e sumarenta. Com notas de toranja, é um vinho seco, salivante e viciante a cada gole, envolvendo todo o palato. Dá um enorme prazer a beber, deixando um longo final de boca que fica a pedir comida.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Pingolé Tinto Cão 2025 Rosé

PINGOLÉ TINTO CÃO 2025 ROSÉ  | DOURO | 12,5% | PVP  25€
TINTO CÃO
GLAD WINE UNIPESSOAL, LDA 
18

Após surpreender tudo e todos com a precisão e a elegância do Pingolé 2023 branco e com a profundidade do Pingolé Vinhas Velhas 2023 tinto, a dupla de enólogos Décio Coutinho e Paulo Amaral dá mais um passo na sua recente caminhada com o Pingolé Tinto Cão 2025 Rosé.
Longe de ser apenas um mero elemento complementar na gama, este vinho assume-se como um ensaio sério e focado numa das castas mais desafiantes da região. Transporta a filosofia de pequena produção e exatidão técnica, que já caracterizava os seus antecessores diretos, para o universo dos vinhos rosados de perfil gastronómico.A sua acidez vibrante, a estrutura firme e a frescura cítrica — características da casta Tinto Cão — fazem deste rosé um vinho extremamente versátil à mesa. 
Afastando-se do perfil de "vinho de piscina", brilha quando acompanhado por pratos que exigem equilíbrio de gordura e vivacidade. Deixo como sugestão o arroz de marisco, as cataplanas de peixe, as amêijoas à Bulhão Pato e os peixes gordos grelhados, tais como o salmão ou o sargo.
Cor rosa aberto, muito pálido e luminoso, com tonalidade casca de alperce, reflexos salmão e um subtil acobreado, mostrando-se atraente e jovem. No nariz, fechamos os olhos e encontramos a fruta de bago vermelho, como framboesa e groselha, morango pouco maduro, alguma nêspera, citrinos vivazes e notas de pedra lascada a misturarem-se com uma presença delicada da barrica, num registo desafiante. Na boca, revela um ataque vivaz, acidulado e vibrante, a balancear o volume mais cheio e macio. Apresenta uma secura boa e em tensão, que faz trabalhar o palato na procura de comida. É um vinho sério, de desenho preciso, com prazer na prova e um longo final de boca.

domingo, 19 de julho de 2026

Vallegre 2025 Rosé

VALLEGRE 2025 ROSÉ  | DOURO | 13% | PVP  6,99€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA
VALLEGRE VINHOS DO PORTO, SA
16,5

Famoso pelos tintos e Portos seculares, o Douro demonstra a sua enorme versatilidade com vinhos como este rosé, nascido a partir das castas Touriga Nacional e Touriga Franca. Aqui encontramos, em harmonia, um conjunto que junta a frescura da altitude à vivacidade da fruta, resultando num perfil seco, redondo e com grande potencial gastronómico.
Sugiro pratos leves, frescos ou moderadamente condimentados, tais como sushi, sashimi, bivalves (como amêijoas), lagosta, peixe grelhado ou tártaro de salmão.
Cor rosa claro, aberto e luminoso, de tonalidade salmão com reflexos acobreados e aspeto límpido e jovem. No nariz, revela-se bastante expressivo e fresco, marcado por uma forte presença de notas de frutos vermelhos, onde sobressaem com clareza o morango, a framboesa e a groselha. Apresenta ainda uma pitada citrina de toranja, revelando em fundo uma leve assinatura mineral. Na boca, encontramos um rosé com volume médio, textura macia, arredondado e de acidez bem colocada. Mostra crocância e vivacidade num registo mais seco, com muito equilíbrio, prolongando-se num final de boca longo, persistente e com um ligeiro adocicado frutado.

sábado, 18 de julho de 2026

Do escritório para as vinhas do Douro: O sonho que deu vida aos vinhos Aromas do Côa

A Aromas do Cõa nasceu, oficialmente, no ano de 2022, no entanto, a sua história não se escreve apenas a partir deste ano, mas sim através do suor e da dedicação de várias gerações de uma família profundamente ligada ao mundo rural e à viticultura no coração do Douro Superior que, durante anos, se dedicou exclusivamente à produção e posterior venda das uvas, honrando os valores de sacrifício, resiliência e respeito pela terra transmitidos de avós para pais e de pais para filhos. 
Contudo, no seio da família, habitava um sonho capaz de alterar este desígnio, o sonho antigo de transformar o fruto do próprio trabalho numa marca identitária, capaz de engarrafar as emoções e as memórias daquela região.
Assim, o ponto de viragem viria a acontecer pela mão de Mário Antunes, um jovem "louco" de 36 anos - como se sentiu nessa altura - que exercia a profissão de Solicitador e que decidiu abdicar do conforto do trabalho de escritório para dar a cara por um projeto inteiramente movido pela paixão. O próprio descreve-se, com humor, como um "jovem louco", mas a sua decisão foi tudo menos um acaso. Foi o culminar de uma ligação umbilical à vinha, ao conhecimento profundo de cada parcela e à crença de que um grande vinho nasce na terra e nas raízes.
O crescimento da estrutura agrícola criou musculo e, desde 2014, num esforço de sustentação do projecto, a família investiu na consolidação do seu património e gere hoje cerca de 22 hectares de vinha, complementados por 5 hectares de olival e 4 de amendoal. Apontam ao controlo total do processo produtivo. Ao contrário de muitos projetos de produtores independentes, todos os vinhos da marca são vinificados na adega própria da família, utilizando exclusivamente uvas colhidas nos seus terrenos.
Ficamos a conhecer três dos seus vinhos. Dois brancos e um tinto. No campo dos vinhos brancos, o Aromas do Côa Branco 2023 surge como um lote tradicional do Douro Superior, plantadas em solos de xisto em Sebadelhe. O resultado é um vinho de cor límpida, com aroma elegante e uma acidez viva e refrescante na boca. Já o Aromas do Côa Edição Limitada Branco 2024 eleva a fasquia da exclusividade através de uma produção muito restrita de apenas 2000 garrafas, apresentando um lote arrojado de 90% Verdelho e 10% Rabigato que se destaca pelas notas nítidas de fruta branca, citrinos e um perfil mineral muito limpo e equilibrado. Por fim, o Aromas do Côa Tinto Superior 2023 combina 70% Touriga Nacional e 30% Touriga Franca, revelando uma textura firme, aroma intenso a frutas vermelhas e pretas com toques de especiarias, e um final longo e persistente.

AROMAS DO CÔA 2023 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  6,99€
RABIGATO, VIOSINHO, CÓDEGA DO LARINHO
QUINTA DA AFRICANA, LDA
16,5
Cor amarelo citrino de tonalidade esverdeada, brilhante, aspecto límpido e jovem. Nariz elegante, com notas de fruta citrina a assomarem frescas e bem casadas com a compoenete mineral, pedra lascada e subtil toque floral. Boca com grande verticalidade, médio volume, textura macia, vibrante na acidez, crocante, com a fruta sumarenta e fresca, muito preciso e com final de boca longo e persistente. 
Bela surrpresa e excelente relação preço - qualidade. À mesa com mariscos cozidos, peixe branco grelhado e peixinho frito do rio para lutar esta crocância.

AROMAS DO CÔA EDIÇÃO LIMITADA 2024 BRANCO | DOURO | 13,5% | PVP  8,49€
VERDELHO, RABIGATO
QUINTA DA AFRICANA, LDA
17
Cor amarelo citrino com reflexos esverdeados,  um aspeto visual límpido, brilhante e jovem. No nariz revela uma intensidade aromática cativante, dominada por notas nítidas de fruta de polpa branca e tropical frescas, com pitada citrina vivaz, envolvidas por um perfil mineral muito limpo e subtil. Na boca oferece harmonia e precisão, mostrando uma acidez viva e bem integrada que confere uma enorme frescura e vivacidade à prova, num registo de equilíbrio, fruta bonita e sumarenta, com término de boca longo e  persistente.

AROMAS DO CÔA SUPERIOR 2023 TINTO | DOURO | 13,5% | PVP  8,49€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA
QUINTA DA AFRICANA, LDA
16
Cor vermelho rubi de média concentração, embora mais denso, com bonita auréola luminosa, aspecto límpido e jovem. No plano aromático a fruta vermelha e preta desempenha o papel principal, com elegância e frescura, em perfeito casamento com notas florais bem medidas, alguma esteva e violeta, subtil especiado. Boca de médio volume, textura macia e aveludada, acidez equilibrada, boa secura, fruta sumarenta aninhada num tanino polido e pronto, prazeroso a beber e com término de boca longo e persistente.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Quinta de Cidrô 2025 Rosé

QUINTA DE CIDRÔ 2025 ROSÉ | DOURO | 13% | PVP  16€
TOURIGA NACIONAL
REAL COMPANHIA VELHA, SA
17,5

Estamos perante um exemplo evidente da evolução dos vinhos rosé do Douro rumo à máxima elegância. Nasce na altitude da Quinta de Cidrô e destaca-se por uma frescura e acidez natural únicas, adoptando um perfil moderno inspirado no estilo clássico da Provence. Leve, seco e altamente gastronómico, é escolha acertada para a mesa, brilhando ao acompanhar desde a frescura do sushi e de saladas mediterrânicas até à envolvência de pratos de marisco, massas leves ou carpaccios.
Cor rosa pálido muito límpido e brilhante, subtis reflexos salmão, atrativo e jovem. No nariz, o primeiro contacto revela-se fino, sedutor e marcado por uma intensidade aromática muito limpa, onde destaco as notas nítidas de frutas vermelhas, com maior relevo para o morango e a framboesa fresca, que surgem subtilmente envolvidas por elegantes nuances florais e com componente mineral a assomar em fundo. Na boca, a experiência confirma as expectativas de frescura criadas pelo olfato, com um ataque vivo e muito equilibrado, ancorado numa acidez cortante e mineral que dá ritmo à prova e nos faz pensar em comida, cativando por este perfil seco e focado e surpreendendo pelo bom volume e pela textura aveludada que oferece, preenchendo o palato de forma delicada antes de caminhar para um final de boca persistente, limpo e refrescante.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Dow's Porto Vintage 2003

DOW'S PORTO VINTAGE 2003 | PORTO | 20% | PVP  89,75€
CASTAS TRADICIONAIS DOURO
SYMINGTON FAMILY ESTATES VINHOS, LDA
19

Sei que vou estragar um bocadinho do suspense, mas começo já por dizer que este Dow's Porto Vintage 2003 estava fabuloso. Passadas mais de duas décadas desde a colheita, provar e beber este Vintage em 2026 revelou-me um vinho que atingiu uma maturidade esplêndida. Apresenta-se num perfil distintamente mais seco, austero e aristocrático — e isto apesar de 2003 ter sido um ano vitivinícola marcado por condições climatéricas extremas no Douro, com um calor intenso que o poderia ter desviado deste caminho. 
Em vez disso, encontramos agora um corpo perfeitamente cinzelado pelo tempo, que mantém uma acidez viva e uma complexidade profunda, assegurando a excelência deste momento quando nos chega ao copo.
À mesa, para levar esta experiência ainda mais alto, nada como apostar em harmonizações clássicas. O casamento ideal faz-se com um queijo Stilton ou com o nosso Queijo DOP Serra da Estrela, passando pelo chocolate negro e frutos silvestres pretos nas sobremesas. Se preferires algo mais simples, funciona de forma soberba para acompanhar uma boa conversa de fim de refeição, ao lado de frutos secos tostados como nozes e amêndoas.
Cor rubi extraordinariamente ainda profunda e opaca, com reflexos granada densos nas bordas que começam a denunciar as suas mais de duas décadas de descanso na garrafa. No nariz, a experiência aromática é intensa e complexa, desvendando camadas sucessivas que começam com notas pronunciadas de frutos pretos maduros, como amoras e ameixas secas, casadas com toques florais subtis de esteva e violetas, sendo que, à medida que o vinho respira, surgem nuances elegantes de chocolate negro, especiarias e uma discreta nota mineral. No paladar, a entrada é marcante, revelando uma estrutura encorpada, poderosa e de enorme concentração, muito fiel ao que esperava desta Casa, oferecendo um perfil mais seco e aristocrático, onde os taninos firmes e maduros se apresentam perfeitamente cinzelados e integrados. Uma acidez viva e equilibrada atravessa toda a prova, conferindo frescura à riqueza da fruta preta e do cacau. O final de boca é incrivelmente longo, persistente e focado, deixando uma assinatura oevidente de pimenta preta moída e especiarias que prolonga a sensação de sofisticação muito para além do último gole.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Guru Vinha da Calçada 2021 Branco

GURU VINHA DA CALÇADA 2021 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  80€
FIELD BLEND CASTAS INDÍGENAS
WINE & SOUL, LDA
19

No coração do Douro Superior, a uns impressionantes 600 metros de altitude onde o vento fresco molda a paisagem, nasce, pelas mãos da prestigiada dupla de enólogos Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges, este branco, expressão líquida de uma autêntica relíquia histórica. As suas uvas provêm exclusivamente de uma única parcela centenária plantada em solos de transição granítica, uma assinatura geológica rara na região que confere ao vinho uma identidade única, sendo que, neste field blend se reúnem castas indígenas ancestrais como a Viosinho, a Rabigato, a Códega do Larinho e a Gouveio, que crescem em perfeita simbiose. Acabamos por estar na presença de uma das mais exclusivas joias do panorama vinícola português pois desta parcela,  após estágio paciente durante dois anos em foudres de madeira – que lhe preserva uma pureza etérea, acidez cortante e um perfil salino absolutamente inesquecível -, saem apenas 1.533 garrafas. 
À mesa somos obrigados a chamar por harmonizações perfeitas sugerindo peixes gordos assados no forno, mariscos nobres, como lavagante suado, ou pratos ricos de aves de caça e queijos curados de ovelha.Cor amarela citrina, tonalidade palha brilhante e límpida, subtis reflexos esverdeados, luminoso e jovem. No plano aromático, destaca-se pela contenção e elegância, menos óbvio e exuberante, revelando aromas a casca de limão, toranja e nectarina, pitada floral bem encostada, envolvidos por uma mineralidade profunda a pedra molhada e discretas notas de baunilha, fruto do estágio resguardado em madeira usada. Na boca, impressiona pelo equilíbrio entre cremosidade e tensão, com ataque primário sedoso e untuoso, mas logo balanceado por uma acidez vibrante e uma forte salinidade característica do solo granítico terminando longo e persistente, com tensão e muito preciso,  deixando uma sensação limpa e elegante. 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Domäne Serrig Vogelsang Kabinett 2021 Branco

DOMÄNE SERRIG VOGELSANG KABINETT 2021 BRANCO | MOSEL (GER) | 9,5% | PVP  105,90€
RIESLING
DOMANE SERRIG
18,5

Há vinhos que se compram pela história, sem os conhecermos e outros que só nos conquistam quando pela primeira vez nos cai no copo . Quando soube que o icónico produtor Markus Molitor tinha assumido as rédeas da histórica propriedade Domäne Serrig, uma jóia fundada pelo Kaiser Guilherme II em 1904 no vale do Saar, a minha curiosidade disparou e a oportunidade de o fazer chegar à mesa num jantar temático foi gatilho suficiente para que o momento tivesse lugar. Apesar de nascido num ano fresco e clássico, este não me pareceu um Kabinett comum. O que me fascinou nele foi um estado de equilíbrio quase impossível entre uma subtil doçura frutada deliciosa, mas que imediatamente é dominada por uma acidez elétrica e uma mineralidade salina tão profundas que o vinho parece levitar na boca de forma a nos prender a atenção do primeiro ao último segundo. 
À mesa esta salinidade crua leva-me de imediato para um casamento com o mar, umas vieiras salteadas na manteiga ou a acompanhar a frescura cítrica de um ceviche de robalo, mas também penso da cozinha asiática e num caril tailandês aromático, com leite de coco no qual a ligeira doçura do vinho acalma o picante, enquanto as notas cítricas dão vida aos sabores orientais.
Cor amarelo citrino muito aberto e luminoso, reflexos esverdeados brilhantes, aspecto límpido e jovem. No nariz, a primeira impressão é de uma pureza quase cirúrgica, muito contido, não mostrando fruta primária de forma exuberante e evidente, revelando antes uma mineralidade fumada avassaladora, que evoca pedra lascada, pólvora e a ardósia molhada. À medida que o vinho respira, começam a emergir notas cítricas vibrantes de lima e toranja, acompanhadas por nuances subtis de maçã verde, pêssego e um delicado toque de flor branca, mantendo um registo muito elegante e fino. Na boca, a experiência atinge outro patamar com um primeiro ataque incrivelmente leve, mas longe de mostrar qualquer tipo de fragilidade ou falta de tensão, oferecendo a doçura natural da uva, que não se sobrepõe em momento algum, surgindo perfeitamente integrada e quase camuflada por uma acidez elétrica e cortante, que nos faz salivar instantaneamente, acompanhando a pegada salina e mineral profunda do seu perfil, onde a fruta cítrica fresca serve de fio condutor e nos conduz  a um final de boca incrivelmente longo, limpo e focado.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Rosa Santos Família Serra de S. Mamede 2022 Branco

ROSA SANTOS FAMÍLIA SERRA DE S. MAMEDE 2022 BRANCO | ALENTEJO | 12,5% | PVP  44€
VINHAS VELHAS
SOCIEDADE AGRÍCOLA JORGE ROSA SANTOS E FILHOS
18

Uma verdadeira homenagem à viticultura de altitude do Alentejo com berço a cerca de 540 metros na Serra de S. Mamede, num ecossistema único moldado por solos graníticos e um microclima fresco. As vinhas velhas, com idades entre os 60 e os 80 anos, plantadas no tradicional sistema de field blend, assumem papel principal no resultado deste vinho, com diversas castas autóctones que convivem na mesma parcela e que são colhidas em simultâneo, resultando num branco incrivelmente complexo e texturado, dono de acidez vibrante e um final marcadamente salino. À mesa, sugiro como parceiro ideal harmonizá-lo com peixes gordos assados no forno, marisco rico ou pratos de aves com texturas cremosas.
Cor amarelo intenso, tonalidade palha brilhante e límpida, joviais reflexos esverdeados. No nariz oferece um bouquet aromático de enorme complexidade e elegância, onde sobressaem notas limpas de citrinos maduros e subtis toques de marmelo, aliadas a uma envolvente camada silvestre, de campo, que evoca erva seca e flores do campo, tudo isto assente num fundo mineral mais profundo e austero, com nuances de sílex e pedra molhada que espelham com pureza o solo granítico de onde provém. Na boca, este branco impressiona pela sua textura densa, sofisticada e pelo volume generoso, mas que se mantém sempre preciso e focado, elegante, com a acidez a operar como grande motor do conjunto, apresentando-se suculenta, vibrante e incrivelmente crocante, equilibrando na perfeição a estrutura do vinho, revelando uma belíssima tensão salina e conduzindo a um final de boca de longa duração e persistência.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Pêra-Manca 2023 Branco

PÊRA-MANCA 2023 BRANCO | ALENTEJO | 13% | PVP  60€
ARINTO, ANTÃO VAZ
FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ALMEIDA
18

No universo dos grandes vinhos portugueses, poucas marcas carregam o peso histórico, o prestígio e a mística da Adega Cartuxa, cujas referências no seu portefólio são reconhecidas mundialmente. O lançamento do Pêra-Manca Branco 2023 surge como a mais recente prova dessa excelência intemporal. 
Nascido no coração do Alentejo, em Évora, este bivarietal de Antão Vaz e Arinto surpreendeu as expectativas ao apresentar uma frescura invulgar, uma acidez tensa e vibrante e uma mineralidade puríssima, sem nunca perder a cremosidade e a estrutura aristocrática que definem o seu ADN. 
Longe de ser apenas um vinho de contemplação ou guarda para um dia especial, reconheço nesta colheita o prazer que garante desde já ao beber e revela-se como um verdadeiro camaleão gastronómico, exigindo pratos à sua altura para brilhar em pleno. 
Para harmonizar com a sua textura rica e o seu final longo e focado, a mesa ideal pede a untuosidade de peixes gordos no forno, como um lombo de bacalhau à lagareiro ou um robalo de mar assado com ervas aromáticas, funcionando também de forma soberba com a opulência de mariscos ricos, como lavagante suado ou carabineiros grelhados, e queijos de ovelha de cura média, onde o equilíbrio entre a sua gordura e a vivacidade do vinho criará um momento memorável.
Cor citrina brilhante, com reflexos palha luminosos, aspeto límpido e jovem. No nariz, a percepção inicial destaca-se pela contenção e elegância, afastando-se de exuberâncias exageradas e fáceis, revelando, à medida que lhe vamos dando tempo,  um bouquet complexo assente em notas de fruta de caroço e polpa branca, como a maçã verde e a pera rocha, envolvidas por subtis apontamentos de casca de tangerina, pólvora e um fundo fumado muito discreto e bem integrado, fruto da sua passagem por madeira. Na boca, a entrada é surpreendentemente tensa e focada, sobressaindo uma acidez cítrica muito viva e vibrante que corta a natural untuosidade do conjunto, conferindo-lhe uma frescura invulgar para o perfil clássico da região. Mostra-se pronto para o momento, revelando, pouco a pouco, a natureza de um corpo de médio-grande volume, sustentado por uma textura cremosa que preenche o palato com grande precisão e amplitude e com uma mineralidade salina quase mastigável que acompanha toda a prova, conferindo-lhe assim uma enorme verticalidade. O final de boca é seco, elegante e imensamente persistente.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Grande Druida Parcela Original 2022 Branco

GRANDE DRUIDA PARCELA ORIGINAL 2022 BRANCO | DÃO | 12% | PVP  44€
ENCRUZADO
C20, LDA
18,5

Esta é uma colheita especial. Marca a décima vindima que o produtor realiza com estas uvas excecionais, provenientes de uma vinha única situada a 500 metros de altitude, onde os solos de granito azul cobertos por uma camada de argila conferem às uvas uma mineralidade e uma tensão ímpares, consolidando uma filosofia de intervenção mínima através de uma fermentação lenta com leveduras indígenas e um estágio de 10 meses em barricas de carvalho francês. O resultado oferece um perfil estruturado, com notas complexas de sílex, tomilho e pólvora, exibindo uma acidez vibrante e uma textura sedutora que garantem um potencial de guarda fora de série. 
À mesa, a sua enorme frescura e complexidade exigem pratos à altura, sendo o par perfeito para peixes gordos assados no forno (como robalo ou corvina), um tradicional bacalhau à lagareiro, carnes brancas estruturadas ou um cremoso Queijo DOP Serra da Estrela.
Cor amarela citrina, muito brilhante e aberta, de reflexos esverdeados, aspecto límpido e jovem. No nariz, a abordagem é dominada por uma enorme sofisticação e contenção inicial, onde o perfil frutado não se sobrepõe à pureza e à forte identidade do lugar, deixando que sobressaiam os aromas limpos e profundos a pólvora e sílex, que nos remetem de imediato para a matriz da pedra granítica, muito bem ladeados por nuances herbáceas de tomilho e vegetal seco,  abrindo, mais tarde, as notas delicadas de casca de toranja, maçã verde e uma subtil sugestão de pastelaria fina e fumo, denunciando uma integração da barrica de carvalho francês absolutamente cirúrgica. Na boca, a entrada é ampla e revestida por uma cremosidade sedutora, mas que é imediatamente dominada e recortada por uma acidez vibrante, elétrica e profundamente salina, existindo um equilíbrio notável entre a textura gorda herdada do estágio e a tensão cortante do Dão, preenchendo o palato com imenso carácter e prolongamento de final de boca incrivelmente longo, muito focado e deixando uma persistência mineral e citrina que convida de pronto ao próximo gole.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

São Luiz Colheita 2024 Rosé

SÃO LUIZ COLHEITA 2024 ROSÉ | DOURO | 12,5% | PVP  7,50€
TOURIGA NACIONAL TINTA RORIZ, DONZELINHO TINTO, TINTA DA BARCA
SOGEVINUS FINE WINES, SA
16,5

As temperaturas pedem o regresso a um rosé mais descontraído, embora sério o suficiente para conseguir boa presença à mesa e afastar-se do puro conceito de consumo à beira da piscina. Para quem é consumidor habitual deste vinho, por certo irá reparar, num primeiro contacto visual, à diferença na cor em relação a colheitas anteriores. Tonalidade salmão mais intensa, com ligeiro acobreado que parece captar mais a nossa atenção.  Todavia, o próprio perfil está um pouco diferente, expressão natural de um ano diferente e que faz com que esta colheita tenha trocado alguma da opulência e exuberância da fruta por uma tensão mineral acrescida e uma vibração cítrica mais pronunciada. Está mais direto, tenso e vertical do que o seu antecessor, o que o torna ainda mais apetecível para enfrentar os dias quentes com outra sofisticação.
Este registo mais tenso e elétrico recusa o papel de mero figurante à mesa e exige pratos que o acompanhem com destreza, como um tártaro de salmão com abacate, um belo arroz de marisco malandro ou um carpaccio de polvo bem regado com azeite. 
Cor rosa salmão intenso, com reflexos acobreados, casca de alperce, luminoso, aspecto límpido e jovem. No nariz oferece uma abordagem muito directa, limpa e fresca, com notas de fruta vermelha fresca, framboesa e morango ainda meio verde, e fruta citrina, raspa de casca de laranja e toranja, pitada floral mais subtil e componente mineral evidente. Na boca somos surpreendidos por um primeiro ataque revelador de acidez vibrante e elétrica, fazendo guarda de honra à sensação de volume, à estrutura e textura macia, com a fruta sumarenta, fruto vermelho mais acido e algum citrino mais evidente, conjunto com muita precisão e com final de boca longo, seco e convidativo ao próximo gole.

domingo, 5 de julho de 2026

Crista Lusitana Piara 2020 Tinto

CRISTA LUSITANA PIARA 2020 TINTO | ALENTEJO | 14,5% | PVP  9,80€
ALICANTE BOUSCHET, TOURIGA NACIONAL, PETIT VERDOT
CRISTA LUSITANA, LDA
14

Uma nova referência aqui no Comer, Beber e Lazer com um vinho da região do Alentejo, de um produtor com as suas vinhas localizadas em Veiros, no concelho de Estremoz. Casa de produção familiar fundada pelos irmãos Domingos e Ana Prates que juntaram duas paixões sob o mesmo teto: a criação de cavalos Puro Sangue Lusitano e a produção de vinho. 
No copo temos um vinho com a presença herbácea bem vincada, folha de tomateiro e pimento verde, com a fruta a perder protagonismo à medida que o vamos bebendo. No prato, equilibra perfeitamente pratos com alguma gordura ou acidez, como molhos de tomate caseiros, estufados com ervas aromáticas ou carnes grelhadas.
Cor vermelho rubi de média concentração, auréola luminosa, aspecto límpido e jovem. No plano aromático encontramos, numa primeira fase, a fruta preta madura exuberante e em destaque, algum calor a sobressair, licorice, com notas especiadas evidentes, vinco vegetal, verde, folha de tomateiro, que vai tomando conta do bouquet à medida que o tempo passa. Boca de médio porte, textura macia, com ataque vegetal que domina o conjunto, novamente a folha de tomateiro, herbáceo, secura salivante, com amargo final mais vincado, terminando longo e persistente.