PINOT NOIR
LACOURTE GODBILLON
Dégorgement 11/2021
17,5
Conquista pela elegância, pela precisão e pela forma como o tempo lhe foi acrescentando novas dimensões. Encontrei-lhe a curiosidade de ter as uvas de pinot noir, que lhe dão vida, provenientes de parcelas de meia encosta - Mi-Pentes -. em Écueil, na Montagne de Reims, sendo que a sua base é da colheita de 2017, complementada por 30% de vinhos de reserva e, nesta edição, o vinho permaneceu cerca de 41 meses sobre as borras antes do dégorgement, já em novembro de 2021, com dosage muito baixo de 3 g/l. Não é 0, mas é muito próximo.
É precisamente essa combinação entre fruta, tempo e secura que mais me atraiu, encontrando um Champagne com algum volume e sensação de riqueza, mas sem a sensação adocicada, antes com elegância através da precisão, da textura e de uma mousse delicada, deixando que o carácter do pinot noir e a evolução sobre as borras acrescentem profundidade.
Aqui fugiria um pouco ao cliché das ostras e da posposta para início de refeição. É um Champagne com estrutura e secura suficientes para acompanhar pratos principais e não apenas para servir de aperitivo ou entrada. Penso em marisco, ostras, peixe cru, carpaccios, peixe grelhado e aves, mas também em pratos onde a componente cremosa ou de forno encontre contraponto na acidez e na secura do vinho. E se for no final, só mesmo para terminar, limpa os sentidos e a alma.
Cor amarela definido e intenso, brilhante e luminoso, ainda com face jovem, bolha fina e de cordão persistente. No nariz é a componente de panificação que primeiro aparece, muito evidente e envolvente, lembrando pão acabado de cozer, brioche e notas de massa fina, até mesmo subtil fruto seco torrado, a que se juntam apontamentos de frutos citrinos e de polpa branca, alguma fruta mais madura e uma dimensão evolutiva muito bonita, com pitada floral e giz molhado, sem que o vinho perca frescura ou definição. Na boca oferece uma mousse é leve, fina e muito bem integrada, que nos invade e envolve o palato sem criar qualquer sensação de peso, grande elegância, onde a secura se afirma de forma vincada, tornando a prova muito precisa e limpa, acidez sempre presente, firme e refrescante, prolongando a sensação de frescura e dando equilíbrio ao conjunto. A fruta aparece mais discreta, deixando que as notas de panificação e a componente mineral assumam maior protagonismo. O final é seco, persistente e muito elegante, limpando o palato de forma incrível.

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