segunda-feira, 13 de julho de 2026

Domäne Serrig Vogelsang Kabinett 2021 Branco

DOMÄNE SERRIG VOGELSANG KABINETT 2021 BRANCO | MOSEL (GER) | 9,5% | PVP  105,90€
RIESLING
DOMANE SERRIG
18,5

Há vinhos que se compram pela história, sem os conhecermos e outros que só nos conquistam quando pela primeira vez nos cai no copo . Quando soube que o icónico produtor Markus Molitor tinha assumido as rédeas da histórica propriedade Domäne Serrig, uma jóia fundada pelo Kaiser Guilherme II em 1904 no vale do Saar, a minha curiosidade disparou e a oportunidade de o fazer chegar à mesa num jantar temático foi gatilho suficiente para que o momento tivesse lugar. Apesar de nascido num ano fresco e clássico, este não me pareceu um Kabinett comum. O que me fascinou nele foi um estado de equilíbrio quase impossível entre uma subtil doçura frutada deliciosa, mas que imediatamente é dominada por uma acidez elétrica e uma mineralidade salina tão profundas que o vinho parece levitar na boca de forma a nos prender a atenção do primeiro ao último segundo. 
À mesa esta salinidade crua leva-me de imediato para um casamento com o mar, umas vieiras salteadas na manteiga ou a acompanhar a frescura cítrica de um ceviche de robalo, mas também penso da cozinha asiática e num caril tailandês aromático, com leite de coco no qual a ligeira doçura do vinho acalma o picante, enquanto as notas cítricas dão vida aos sabores orientais.
Cor amarelo citrino muito aberto e luminoso, reflexos esverdeados brilhantes, aspecto límpido e jovem. No nariz, a primeira impressão é de uma pureza quase cirúrgica, muito contido, não mostrando fruta primária de forma exuberante e evidente, revelando antes uma mineralidade fumada avassaladora, que evoca pedra lascada, pólvora e a ardósia molhada. À medida que o vinho respira, começam a emergir notas cítricas vibrantes de lima e toranja, acompanhadas por nuances subtis de maçã verde, pêssego e um delicado toque de flor branca, mantendo um registo muito elegante e fino. Na boca, a experiência atinge outro patamar com um primeiro ataque incrivelmente leve, mas longe de mostrar qualquer tipo de fragilidade ou falta de tensão, oferecendo a doçura natural da uva, que não se sobrepõe em momento algum, surgindo perfeitamente integrada e quase camuflada por uma acidez elétrica e cortante, que nos faz salivar instantaneamente, acompanhando a pegada salina e mineral profunda do seu perfil, onde a fruta cítrica fresca serve de fio condutor e nos conduz  a um final de boca incrivelmente longo, limpo e focado.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Rosa Santos Família Serra de S. Mamede 2022 Branco

ROSA SANTOS FAMÍLIA SERRA DE S. MAMEDE 2022 BRANCO | ALENTEJO | 12,5% | PVP  44€
VINHAS VELHAS
SOCIEDADE AGRÍCOLA JORGE ROSA SANTOS E FILHOS
18

Uma verdadeira homenagem à viticultura de altitude do Alentejo com berço a cerca de 540 metros na Serra de S. Mamede, num ecossistema único moldado por solos graníticos e um microclima fresco. As vinhas velhas, com idades entre os 60 e os 80 anos, plantadas no tradicional sistema de field blend, assumem papel principal no resultado deste vinho, com diversas castas autóctones que convivem na mesma parcela e que são colhidas em simultâneo, resultando num branco incrivelmente complexo e texturado, dono de acidez vibrante e um final marcadamente salino. À mesa, sugiro como parceiro ideal harmonizá-lo com peixes gordos assados no forno, marisco rico ou pratos de aves com texturas cremosas.
Cor amarelo intenso, tonalidade palha brilhante e límpida, joviais reflexos esverdeados. No nariz oferece um bouquet aromático de enorme complexidade e elegância, onde sobressaem notas limpas de citrinos maduros e subtis toques de marmelo, aliadas a uma envolvente camada silvestre, de campo, que evoca erva seca e flores do campo, tudo isto assente num fundo mineral mais profundo e austero, com nuances de sílex e pedra molhada que espelham com pureza o solo granítico de onde provém. Na boca, este branco impressiona pela sua textura densa, sofisticada e pelo volume generoso, mas que se mantém sempre preciso e focado, elegante, com a acidez a operar como grande motor do conjunto, apresentando-se suculenta, vibrante e incrivelmente crocante, equilibrando na perfeição a estrutura do vinho, revelando uma belíssima tensão salina e conduzindo a um final de boca de longa duração e persistência.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Pêra-Manca 2023 Branco

PÊRA-MANCA 2023 BRANCO | ALENTEJO | 13% | PVP  60€
ARINTO, ANTÃO VAZ
FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ALMEIDA
18

No universo dos grandes vinhos portugueses, poucas marcas carregam o peso histórico, o prestígio e a mística da Adega Cartuxa, cujas referências no seu portefólio são reconhecidas mundialmente. O lançamento do Pêra-Manca Branco 2023 surge como a mais recente prova dessa excelência intemporal. 
Nascido no coração do Alentejo, em Évora, este bivarietal de Antão Vaz e Arinto surpreendeu as expectativas ao apresentar uma frescura invulgar, uma acidez tensa e vibrante e uma mineralidade puríssima, sem nunca perder a cremosidade e a estrutura aristocrática que definem o seu ADN. 
Longe de ser apenas um vinho de contemplação ou guarda para um dia especial, reconheço nesta colheita o prazer que garante desde já ao beber e revela-se como um verdadeiro camaleão gastronómico, exigindo pratos à sua altura para brilhar em pleno. 
Para harmonizar com a sua textura rica e o seu final longo e focado, a mesa ideal pede a untuosidade de peixes gordos no forno, como um lombo de bacalhau à lagareiro ou um robalo de mar assado com ervas aromáticas, funcionando também de forma soberba com a opulência de mariscos ricos, como lavagante suado ou carabineiros grelhados, e queijos de ovelha de cura média, onde o equilíbrio entre a sua gordura e a vivacidade do vinho criará um momento memorável.
Cor citrina brilhante, com reflexos palha luminosos, aspeto límpido e jovem. No nariz, a percepção inicial destaca-se pela contenção e elegância, afastando-se de exuberâncias exageradas e fáceis, revelando, à medida que lhe vamos dando tempo,  um bouquet complexo assente em notas de fruta de caroço e polpa branca, como a maçã verde e a pera rocha, envolvidas por subtis apontamentos de casca de tangerina, pólvora e um fundo fumado muito discreto e bem integrado, fruto da sua passagem por madeira. Na boca, a entrada é surpreendentemente tensa e focada, sobressaindo uma acidez cítrica muito viva e vibrante que corta a natural untuosidade do conjunto, conferindo-lhe uma frescura invulgar para o perfil clássico da região. Mostra-se pronto para o momento, revelando, pouco a pouco, a natureza de um corpo de médio-grande volume, sustentado por uma textura cremosa que preenche o palato com grande precisão e amplitude e com uma mineralidade salina quase mastigável que acompanha toda a prova, conferindo-lhe assim uma enorme verticalidade. O final de boca é seco, elegante e imensamente persistente.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Grande Druida Parcela Original 2022 Branco

GRANDE DRUIDA PARCELA ORIGINAL 2022 BRANCO | DÃO | 12% | PVP  44€
ENCRUZADO
C20, LDA
18,5

Esta é uma colheita especial. Marca a décima vindima que o produtor realiza com estas uvas excecionais, provenientes de uma vinha única situada a 500 metros de altitude, onde os solos de granito azul cobertos por uma camada de argila conferem às uvas uma mineralidade e uma tensão ímpares, consolidando uma filosofia de intervenção mínima através de uma fermentação lenta com leveduras indígenas e um estágio de 10 meses em barricas de carvalho francês. O resultado oferece um perfil estruturado, com notas complexas de sílex, tomilho e pólvora, exibindo uma acidez vibrante e uma textura sedutora que garantem um potencial de guarda fora de série. 
À mesa, a sua enorme frescura e complexidade exigem pratos à altura, sendo o par perfeito para peixes gordos assados no forno (como robalo ou corvina), um tradicional bacalhau à lagareiro, carnes brancas estruturadas ou um cremoso Queijo DOP Serra da Estrela.
Cor amarela citrina, muito brilhante e aberta, de reflexos esverdeados, aspecto límpido e jovem. No nariz, a abordagem é dominada por uma enorme sofisticação e contenção inicial, onde o perfil frutado não se sobrepõe à pureza e à forte identidade do lugar, deixando que sobressaiam os aromas limpos e profundos a pólvora e sílex, que nos remetem de imediato para a matriz da pedra granítica, muito bem ladeados por nuances herbáceas de tomilho e vegetal seco,  abrindo, mais tarde, as notas delicadas de casca de toranja, maçã verde e uma subtil sugestão de pastelaria fina e fumo, denunciando uma integração da barrica de carvalho francês absolutamente cirúrgica. Na boca, a entrada é ampla e revestida por uma cremosidade sedutora, mas que é imediatamente dominada e recortada por uma acidez vibrante, elétrica e profundamente salina, existindo um equilíbrio notável entre a textura gorda herdada do estágio e a tensão cortante do Dão, preenchendo o palato com imenso carácter e prolongamento de final de boca incrivelmente longo, muito focado e deixando uma persistência mineral e citrina que convida de pronto ao próximo gole.

terça-feira, 7 de julho de 2026

À Mesa com o Tejo: A experiência sofisticada do Bonança na Doca de Belém


Peixe fresco, esplanada, vista panorâmica e o Tejo como testemunha. O restaurante Bonança atracou na Doca de Belém e transformou a histórica Associação Naval de Lisboa num ponto de encontro mais sofisticado no qual se pode encontrar o equilíbrio perfeito entre pratos de autor, ambiente descontraído e uma lufada de ar fresco para os amantes da boa mesa à beira Rio.

Se a pressa e o reboliço turístico costumam ditar o ritmo de Belém, o Bonança surge como o antídoto perfeito. Esqueçe as filas intermináveis e o barulho dos elétricos. Aqui, o ritmo é outro: é o das marés, o do bater suave dos barcos na doca e o do tilintar dos copos que celebram o início de uma refeição sem pressas. 
Instalado no edifício da Associação Náutica mais antiga da Península Ibérica, o espaço conseguiu a proeza de honrar o peso da história sem se deixar ficar preso ao passado. O resultado? Uma atmosfera que equilibra uma elegância contemporânea com aquela descontração desarmante de quem tem o pé na areia ou, neste caso, o olhar fixo no rio.

Ao cruzar a porta de entrada, após passar pela esplanada, percebemos imediatamente que a viagem começa muito antes dos pratos chegarem à mesa. O restaurante aproveita a escala monumental do edifício histórico, distribuindo-se por dois pisos repletos de contrastes. O rés-do-chão acolhe-nos com a amplitude do antigo hangar e estaleiro de barcos do clube naval, sendo dominado pelo imponente mural de 1940, assinado por Miguel Barrias, que foi meticulosamente restaurado para servir de eixo visual a quem entra. Já a subida ao primeiro andar revela o verdadeiro segredo e a dualidade do espaço. 

É ali que se esconde a mítica sala antiga dos sócios, mantida praticamente sem alterações, envolta em tons de azul-escuro profundos que preservam as madeiras originais, os quadros históricos e o ambiente rústico de uma autêntica cápsula do tempo. A contrastar lado a lado com esta memória intocável, o novo primeiro piso abre-se em espaço e luz funcionando como um mezanino suspenso com uma varanda aberta e vista privilegiada para o Tejo. 

A esplanada, estrategicamente posicionada, serve de camarote de primeira fila para ver o Padrão dos Descobrimentos e o recorte da Ponte 25 de Abril ao fundo.

Mas vamos ao que realmente importa nesta nossa história: a mesa. O Bonança não se apoia apenas na sua localização privilegiada para conquistar o cliente. A verdadeira viagem faz-se através da ementa, uma autêntica ode ao Atlântico e à nossa costa que ganha vida pelas mãos e criatividade do chef Pedro Amendolas. Na cozinha, a liderança do chef reflete um respeito absoluto pela matéria-prima. A frescura do marisco salta imediatamente à vista, mas é o toque contemporâneo da sua equipa que rouba as atenções, provando que o rigor da alta gastronomia não precisa de ser cinzento ou formal demais.
 
Sob a mão precisa do Chef Pedro Amendolas, os pratos tradicionais são elevados a um nível de sofisticação invulgar. Na nossa visita tivemos oportunidade de, numa primeira parte e em modo partilha, várias opções de entrada, como o saboroso e suculento Pica-Pau, o clássico Ameijoas à Bulhão Pato, a vibrante Crudo de Lírio dos Açores, com água de tomate, uva e pinhão e o fresco Carpaccio de Atum Rabilho, com um creme de rábano, alcaparras fritas e azeite aromatizado de pimentos. 
 
Tradição e criatividade. Há técnica, há assinatura de autor, mas acima de tudo há sabor português puro, sem camuflagens escusadas. Numa segunda fase, escolhemos a Tranche de Peixe do Dia Grelhado – Robalo – com legumes assados que trouxe à mesa o peixe inteiro para partilha pelos comensais. A frescura do Robalo e o ponto na grelha fizeram magia. Era preciso algo mais?
 
Na parte mais doce da refeição lugar a duas sobremesas completamente inesperadas, mas também quisemos arriscar. Em primeiro lugar a Mousse de Matcha, Figo Fumado e Amêndoas e depois, o arrojado Pudim Abade de Priscos, Merengue, Frutos Vermelhos e Hibiscus que é uma maravilha e se come sem olhar para trás.
 
A experiência gastronómica ganha ainda mais força quando estendemos o olhar para o copo. A pensar nos finais de tarde que convidam a prolongar a partilha, a carta de cocktails - desenhada pelo Chef de Bar Filipe Ventura - propõe um mergulho em sabores inovadores e curados ao detalhe. 
 
Desde reinterpretações de clássicos a criações de autor que casam na perfeição com a brisa salgada, onde cada bebida é pensada para ser o par ideal, quer para abrir o apetite antes da refeição, quer para desfrutar na varanda enquanto vê o sol esconder-se no horizonte ou, como no nosso caso, para fazer uma pausa entre as entradas e o prato principal. As escolhas recaíram sobre o Atlântico Noir, que é uma excelente alternativa ao meu preferido Negroni embora menos intenso e no best Seller da casa, mais doce, mas com frescura incrível. 
 
Seja para um almoço de negócios que se quer produtivo, mas inspirador, ou para um final de tarde em que o casaco já começa a fazer falta, mas a conversa flui melhor do que nunca, o Bonança cumpre o que promete. É um porto seguro para os amantes da boa mesa que não abdicam da sofisticação, mas que dispensam qualquer tipo de pretensiosismo. Em suma: uma lufada de ar fresco nesta Lisboa à beira-rio.

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BONANÇA - ASSOCIAÇÃO NAVAL DE LISBOA

Tipo de Cozinha: Cozinha Portuguesa Contemporânea
Na Cozinha: Chef Pedro Amendola
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Gratuito no Parque da Estação Fluvial de Belém ou facilitado a partir das 20:00h no parque interior da Marina (com acesso pela Estação Fluvial de Belém).
Preço médio sem bebidas: Carta: 25€ a 50€; Menu Executivo: 24€ (inclui couvert, prato, bebida e café).
Horários: De segunda-feira a quinta-feira das 12:00h às 00:00h; de sexta-feira a sábado das 12:00h às 02:00h; ao domingo das 12:00h às 16:00h
 
Morada: ANL - Doca de Belém 
                1400-038 LISBOA
         
Telefone:  +351 916 884 669

segunda-feira, 6 de julho de 2026

São Luiz Colheita 2024 Rosé

SÃO LUIZ COLHEITA 2024 ROSÉ | DOURO | 12,5% | PVP  7,50€
TOURIGA NACIONAL TINTA RORIZ, DONZELINHO TINTO, TINTA DA BARCA
SOGEVINUS FINE WINES, SA
16,5

As temperaturas pedem o regresso a um rosé mais descontraído, embora sério o suficiente para conseguir boa presença à mesa e afastar-se do puro conceito de consumo à beira da piscina. Para quem é consumidor habitual deste vinho, por certo irá reparar, num primeiro contacto visual, à diferença na cor em relação a colheitas anteriores. Tonalidade salmão mais intensa, com ligeiro acobreado que parece captar mais a nossa atenção.  Todavia, o próprio perfil está um pouco diferente, expressão natural de um ano diferente e que faz com que esta colheita tenha trocado alguma da opulência e exuberância da fruta por uma tensão mineral acrescida e uma vibração cítrica mais pronunciada. Está mais direto, tenso e vertical do que o seu antecessor, o que o torna ainda mais apetecível para enfrentar os dias quentes com outra sofisticação.
Este registo mais tenso e elétrico recusa o papel de mero figurante à mesa e exige pratos que o acompanhem com destreza, como um tártaro de salmão com abacate, um belo arroz de marisco malandro ou um carpaccio de polvo bem regado com azeite. 
Cor rosa salmão intenso, com reflexos acobreados, casca de alperce, luminoso, aspecto límpido e jovem. No nariz oferece uma abordagem muito directa, limpa e fresca, com notas de fruta vermelha fresca, framboesa e morango ainda meio verde, e fruta citrina, raspa de casca de laranja e toranja, pitada floral mais subtil e componente mineral evidente. Na boca somos surpreendidos por um primeiro ataque revelador de acidez vibrante e elétrica, fazendo guarda de honra à sensação de volume, à estrutura e textura macia, com a fruta sumarenta, fruto vermelho mais acido e algum citrino mais evidente, conjunto com muita precisão e com final de boca longo, seco e convidativo ao próximo gole.

domingo, 5 de julho de 2026

Crista Lusitana Piara 2020 Tinto

CRISTA LUSITANA PIARA 2020 TINTO | ALENTEJO | 14,5% | PVP  9,80€
ALICANTE BOUSCHET, TOURIGA NACIONAL, PETIT VERDOT
CRISTA LUSITANA, LDA
14

Uma nova referência aqui no Comer, Beber e Lazer com um vinho da região do Alentejo, de um produtor com as suas vinhas localizadas em Veiros, no concelho de Estremoz. Casa de produção familiar fundada pelos irmãos Domingos e Ana Prates que juntaram duas paixões sob o mesmo teto: a criação de cavalos Puro Sangue Lusitano e a produção de vinho. 
No copo temos um vinho com a presença herbácea bem vincada, folha de tomateiro e pimento verde, com a fruta a perder protagonismo à medida que o vamos bebendo. No prato, equilibra perfeitamente pratos com alguma gordura ou acidez, como molhos de tomate caseiros, estufados com ervas aromáticas ou carnes grelhadas.
Cor vermelho rubi de média concentração, auréola luminosa, aspecto límpido e jovem. No plano aromático encontramos, numa primeira fase, a fruta preta madura exuberante e em destaque, algum calor a sobressair, licorice, com notas especiadas evidentes, vinco vegetal, verde, folha de tomateiro, que vai tomando conta do bouquet à medida que o tempo passa. Boca de médio porte, textura macia, com ataque vegetal que domina o conjunto, novamente a folha de tomateiro, herbáceo, secura salivante, com amargo final mais vincado, terminando longo e persistente.

sábado, 4 de julho de 2026

Anselmo Mendes Contacto 2024 Branco

ANSELMO MENDES CONTACTO 2024 BRANCO | VINHOS VERDES | 12,5% | PVP  9€
ALVARINHO
ANSELMO MENDES VINHOS, LDA
17,5
 
Um dos vinhos de referência da região dos Vinhos Verdes amplamente reconhecido pela sua excelente consistência de colheita para colheita, frescura e perfil gastronómico apurado. Costuma marcar presença assídua cá por casa, quase sempre passado um ano após o lançamento, dando-lhe algum tempo extra de garrafa e assim despertando um vinho que continua a mostrar toda a vivacidade e juventude voraz, mas com as arestas devidamente arrumadas.
À mesa surge com frequência (bem) associado à presença de marisco e peixe grelhado, olhando também para a cozinha asiática como opção vencedora.
Cor amarelo citrino intenso, reflexos esverdeados, brilhante, aspecto límpido e jovem. No plano aromático apresenta-se elegante e fresco, com notas de fruta tropical, fruta de pomar e citrinos maduros bem ligados, vertente mineral vincada, salino e fresco. Boca de volume médio, textura macia e fina cremosidade, acidez crocante, envolvente, mostrando a fruta sumarenta, boa tensão, prolongada e cativante, registo mui preciso, com término de boca longo e persistente.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Herdade Aldeia de Cima Reserva 2024 Branco

HERDADE ALDEIA DE CIMA RESERVA 2024 BRANCO | ALENTEJO | 13% | PVP  17,50€
ANTÃO VAZ, ALVARINHO, ARINTO
HERDADE ALDEIA DE CIMA DO MENDRO, LDA
17,5

O microclima único da Serra do Mendro, no Alentejo, é berço de eleição para este branco que mostra bem a autenticidade e sofisticação deste terroir de altitude aliado a uma das maiores curiosidades na sua produção no processo de vinificação e estágio diferenciado. De forma resumida, enquanto a casta Antão Vaz estagia em balseiros de carvalho francês para ganhar estrutura e complexidade, o Alvarinho e o Arinto evoluem em depósitos de cimento Nico Velo, um detalhe técnico que lapida a textura do lote sem mascarar a pureza da fruta. O resultado é um branco de perfil seco, untuoso e marcadamente mineral, enriquecido por discretas notas fumadas e nuances salinas. 
À mesa, a sugestão para parceiro gastronómico ideal deve ter em conta os pratos de peixe gordo assado no forno, mariscos ricos ou queijos de ovelha curados. É daqueles com potencial de guarda enorme.
Cor amarelo citrino com reflexos esverdeados, aspecto límpido e jovem. No plano aromático mostra-se elegante e com vinco evidente mineral, de pedra lascada, oferecendo num segundo impacto as notas de fruta madura e fresca, citrinos bem casados com fruta de pomar, polpa branca e amarela,  barrica muito discreta e integrada, sem com o lado mineral a sobressair no conjunto. Boca num registo de equilíbrio entre o lado mais untuoso, corpulento e macio de textura e a vertente vibrante da sua acidez, com tensão e prolongamento, fruta citrina e de caroço, envolvente e energético, com final de boca com belo e longo comprimento.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Kika 2025 Rosé

KIKA 2025 ROSÉ | DOURO | 12,5% | PVP  19,5€
TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, TOURIGA FRANCA
VAN ZELLERS & CO, LDA
17,5

Encontramos aqui mais uma belíssima opção para o combate ao calor destes dias, que foge de um perfil mais pesado normalmente associado ao Douro, apostando num registo de maior leveza, abdicando do estágio em barrica e oferecendo um registo no qual é dada primazia à pureza da fruta, cheio de texturas, muito elegante, tensão duradoura e com grande presença à mesa onde esta precisão e acidez vibrante se revelam par ideal para momentos de partilha sofisticados, harmonizando na perfeição com a frescura de ostras e mariscos, a delicadeza do sushi e do sashimi, a cremosidade de uma autêntica burrata com tomate e manjericão ou simplesmente com uma dose generosa de frutos vermelhos e pretos silvestres variados.
O nome Kika não é acidental. Curto, afectuoso, fácil de pronunciar, é um nome que se usa com quem se gosta mesmo. Uma filosofia que resume a proposta de proximidade, alegria e carácter sem pretensão deste vinho.
Cor rosa salmão intenso, luminoso, aspecto límpido, jovem e atrativo. No nariz entramos no reino da fruta vermelha madura e fresca, morango, romã e framboesa, subtil componente citrina, toranja e raspa de casca de laranja, vinco mineral em fundo.  Boca vibrante, num primeiro ataque cheio de vida, com textura crocante e de médio volume, secura fina, prolongada, fruta em bom plano e bonita, num registo sofisticado, elegante e harmonioso, preenchendo o palato com leveza e uma certa sensação salina, com longo final de boca.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Mirabilis 2023 Branco

MIRABILIS 2023 BRANCO | DOURO | 14% | PVP  58€
VINHAS VELHAS
QUINTA NOVA DE NOSSA SENHORA DO CARMO, SA
18,5

Se há um vinho capaz de fazer parar o trânsito no mundo dos brancos em Portugal, esse vinho é este Mirabilis produzido pela Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo no Douro. As uvas vêm de vinhas centenárias, com mais de 70 anos, plantadas a mais de 500 metros de altitude, num daqueles cantinhos mágicos onde o solo deixa de ser o xisto habitual do Douro e passa a ser granito puro. Um vinho minimalista, onde a madeira não esconde nada e a mineralidade do solo brilha ao máximo, com grande precisão no registo, singularidade e com potencial de guarda gigante. À mesa será escolha perfeita para impressionar num jantar especial, brilhando ao lado de pratos ricos como um peixe gordo assado no forno, um bacalhau bem regado com azeite de qualidade ou arroz de mar caldosos e cheios de sabor.
Cor amarela cítrica muito limpa e luminosa, reflexos esverdeados, aspecto límpido e mantendo-se incrivelmente jovem . No nariz, o passar dos três anos desde a colheita até ao nosso copo adicionou-lhe uma camada de complexidade extra, revelando notas iniciais de fruta branca de caroço e leves apontamentos cítricos em fusão perfeita com uma faceta floral elegante, nuances discretas de baunilha e um toque especiado que lembra o cravinho, brilhando a sua assinatura mineral com notas de pólvora e granito molhado, mostrando-se vivo e desafiante a cada momento. Na boca impressiona pelo contraste e equilíbrio, diria que viciante,  entre o volume mais sedoso e untuoso, cheio de textura e corpo,  e a sua acidez cortante, vertical e crocante que nos assalta o palato, nos dá tensão e apontamentos salinos, provocando a repetição do acto, dando prazer e terminando infinitamente longo.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Quinta do Quetzal Arte 2024 Branco

QUINTA DO QUETZAL ARTE 2024 BRANCO | ALENTEJO | 12,5% | PVP  19,60€
ANTÃO VAZ, ARINTO, ROUPEIRO
QUINTA DO QUETZAL SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
17

Uma das grandes particularidades deste vinho e motivo desbloqueador de conversa com amigos, reside na sua simbiose com a cultura, ostentando um rótulo exclusivo assinado pelo artista belga Kasper Bosmans, inspirado na obra Under the Mountain criada para a propriedade. 
No copo temos um branco com estrutura texturada e envolvente que destaca o registo habitual de crocância e nota de frescura citrina, mantendo a vivacidade aromática bem presente. À mesa, assume um perfil gastronómico por excelência, revelando-se a harmonização ideal para acompanhar mariscos ricos, peixes grelhados no carvão e saladas de verão com alguma complexidade.
Cor amarelo citrino intenso e definido, leve tonalidade palha e reflexos esverdeados, aspecto límpido e de tez jovem. Nariz exuberante, com a fruta de polpa amarela madura numa primeira camada, fruta tropical e pitada citrina a complementar, componente floral bem medida, flores brancas, notas da passagem por barrica bem integradas, com vinco mineral, pedra lascada. Boca de médio volume, textura macia, fruta sumarenta, damasco, pêssego, alperce, acidez vibrante, com prolongamento e amplitude, largo, envolvente, com longo final de boca.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Marias da Malhadinha Vinhas Velhas 2022 Branco

MARIAS DA MALHADINHA VINHAS VELHAS 2022 BRANCO | ALENTEJO | 13,5% | PVP  65€
MANTEÚDO, ALICANTE BRANCO, ROUPEIRO, DIAGALVES
HERDADE DA MALHADINHA NOVA, SA 
18

Apenas vê a luz do dia em anos de colheita de excepcional qualidade e são sempre produzidas muito poucas garrafas deste que é o topo de gama da Herdade da Malhadinha Nova. Nasce no cenário único do Vale Travessos, onde as vinhas velhas centenárias guardam um património genético raro de castas autóctones misturadas, como a Manteúdo, a Alicante Branco, a Roupeiro, a Diagalves e a Olho de Lebre que vão desafiando o clima quente da planície alentejana, aliando a idade destas videiras e o estágio de dez meses em barricas de carvalho francês com bâtonnage à produção de um vinho com identidade singular.
O contra-rótulo deste vinho ajuda-nos a compreender o curioso nome do vinho. Uma homenagem. Não só aos Marias da Malhadinha, aos seus Marias mais novos, como aos seus antecessores, mas também a todos os outros Marias que contribuíram para que este nome se tornasse um símbolo em Portugal.
No copo, revela um comportamento notável, agarrando-nos numa viagem sensorial que se inicia com marcada austeridade mineral, rapidamente dando lugar às notas de fruta madura, evoluindo para uma boca untuosa, com uma acidez vibrante e fresca que lhe assegura um final longo e persistente. À mesa é parceiro ideal para pratos ricos de peixe no forno, mariscos expressivos, arroz de marisco ou carnes brancas delicadamente condimentadas. No nosso prato esteve um arroz de tamboril com camarão, rico, caldoso, criando um casamento feliz e memorável.
Cor amarelo citrino, com leve tonalidade palha, ainda com reflexos esverdeados, límpido e surpreendentemente jovem. No nariz mostra-se delicado e um pouco tímido a início de conversa, mostrando um lado mais austero, com subtis notas de pólvora, giz e uma forte assinatura mineral, dando lugar, à medida que o vinho respira e ganha temperatura, ao despertar aromático mais exuberante, onde aparecem as notas de fruta de caroço bem limpa, ligeiros apontamentos vegetais que lembram espargos frescos e uma delicada envolvência das notas derivadas da sua passagem por barrica. Na boca continuamos em crescendo, com uma entrada que impressiona pelo contraste entre a textura rica, untuosa e cremosa e uma acidez cortante e elétrica que enchem de vida todo o conjunto, revelando um registo de grande precisão, focado e onde a fruta e a mineralidade se estendem num final de boca tenso, salivante e de grande persistência.

domingo, 28 de junho de 2026

Viña Tondonia Gran Reserva 2011 Rosé

VIÑA TONDONIA GRAN RESERVA 2011 ROSÉ | RIOJA (ESP) | 12,5% | PVP  255€
GARNACHA, TEMPRANILLO, VIURA
R LOPEZ HEREDIA VINA TONDONIA, SA
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O desafio lançado por um Amigo para tema de mais um jantar e partilha de algumas garrafas foi que se escolhesse um vinho especial, daqueles que só se abrem em momento de vénia e que tivesse uma história para contar. A melhor história levaria como "prémio" uma garrafa oferecida por si. Esta foi a minha escolha para este momento, mas não ganhei a melhor história. 
Autêntico ícone vínico que desafia todas as convenções do que um vinho rosé pode e deve ser, sendo submetido a um processo de repouso extremo e meticuloso de mais de quatro anos em barricas muito antigas de carvalho americano, seguido por um longo repouso em garrafa até ser finalmente colocado à venda. Produzido pela emblemática e secular casa Bodegas R. López de Heredia, nasce no coração de Rioja Alta, em Espanha, a partir de uvas selecionadas da histórica vinha de Tondonia, plantada nas margens do Rio Ebro, cujo lote de castas une as tintas Garnacha e Tempranillo à branca Viura e onde o solo argilo-calcário confere uma mineralidade única. 
Um verdadeiro gigante na prova, surpreendendo os sentidos com uma complexidade oxidativa refinada, notas de frutos secos, especiarias e uma acidez vibrante que contrasta com a sua estrutura imponente.  Muito longe de ser um rosé casual de verão e de piscina, exige uma harmonização gastronómica à altura, tendo brilhado intensamente ao lado de uma travessa monumental onde o bacalhau e o polvo à lagareiro se juntaram para o receber. Magnifico vinho e momento à mesa.
Cor vermelha tonalidade casca de cebola profunda, com reflexos acobreados e alaranjados, aspecto límpido, brilhante e hipnotizante. No nariz revela uma complexidade extraordinária e magnética, afastando-se de imediato das notas puramente frutadas dos rosés mais convencionais com o primeiro impacto a ser marcado por um perfil evolutivo, onde sobressaem subtis notas oxidativas de frutos secos, como amêndoa torrada e avelã, combinadas com nuances de especiarias doces como a canela e a noz-moscada, libertando, à medida que ganha tempo, aromas delicados de pétalas de rosa murchas, casca de laranja cristalizada e marmelo, envolvidos por um fundo complexo de cogumelos frescos, folha de tabaco seco e notas de madeira antiga e leve baunilhado. 
Na boca surge com uma imponência surpreendente, revelando a sua secura de perfil apoiada em boa estrutura, dotado de uma textura sedosa e envolvente, lado a lado com acidez vibrante e incisiva, atravessando a prova com uma frescura citrina quase cortante que equilibra na perfeição o registo mais maduro, com frutos vermelhos desidratados, notas salinas e um toque mineral, quase a giz, que combina na perfeição com as nuances balsâmicas e de frutos secos já anunciadas no nariz. Final de boca incrivelmente longo e persistente, deixando uma ligeira adstringência finíssima que convida a continuar quer no copo, quer no prato.

sábado, 27 de junho de 2026

Casa de Santar Vinha dos Amores Alfrocheiro 2023 Tinto

CASA DE SANTAR VINHA DOS AMORES ALFROCHEIRO 2023 TINTO | DÃO | 13,5% | PVP  30€
ALFROCHEIRO
GLOBAL WINES, SA
17,5

Nasce no Alto dos Amores, uma das zonas mais emblemáticas da Vinha dos Amores, e onde se verificam características geológicas e microclimáticas muito particulares que potenciam a máxima expressão da casta Alfrocheiro. Destaco-lhe o grande equilíbrio entre a elegância natural da casta e a complexidade conferida pelo seu estágio em barricas de carvalho francês, resultando num perfil fresco, com taninos finos e marcantes notas de frutos silvestres e pinhal, revelando aptidão gastronómica notável e parceiro ideal para pratos ricos e cheios, como o polvo à lagareiro, risoto de cogumelos ou receituário com carne de caça de peço.
Cor vermelho rubi de média concentração, menos denso, mais luminoso, aspecto límpido, jovem e cativante. No plano aromático somos remetidos para um perfil rico e intenso de aromas, com a fruta silvestre em destaque, madura e fresca, pitada vegetal e bem medida componente especiada, subtil nota de bosque, envolvente, mostrando elegância e delicadeza à medida que o tempo no copo se espaça. Boca de médio volume, registo elegante e fresco, textura macia, acidez fina e prolongada, leve secura, tanino polido e sedutor, fruta bonita, conjunto harmonioso, com longo final de boca.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Kopke Porto Colheita 2005

KOPKE PORTO COLHEITA 2005 | PORTO | 20% | PVP  42€
BLEND CASTAS DOURO
SOGEVINUS FINE WINES, SA
ENGARRAFADO EM 2025  
18,5

Ano de colheita terminado em 5 é sempre motivo de alguma excitação extra anterior à abertura e prova de um Vinho do Porto. É um número mágico que carrega consigo uma mística muito especial, frequentemente associada à produção de colheitas lendárias e que assenta em dois motivos principais: a coincidência climática e histórica e a reconhecida Regra dos 5 Anos que dita o ritmo dos Tawnies de Idade.
Em termos vitivinícolas, 2005 no Douro é recordado como um dos anos mais extremos, desafiantes e, em última análise, gratificantes da história moderna da região. Ficou marcado na memória dos viticultores por uma seca extrema e prolongada, que testou a resiliência das videiras a limites quase nunca vistos. Deste modo, o Vinho do Porto viveu um cenário curioso pois 2000 e 2003 tinham sido declarações Vintage massivas e clássicas no mercado, fazendo com que poucas casas avançassem com uma declaração geral de Vintage Clássico em 2005. Assim, o brilho deste ano encontra-se precisamente nos Porto Colheita como é este da Kopke.
Exuberante e de extrema riqueza para os sentidos, beneficia ainda do engarrafamento recente que lhe conferiu uma frescura surpreendente, uma vivacidade cítrica e uma energia vibrante que contrastam magnificamente com as suas notas maduras de frutos secos e especiarias exóticas. A ligação à mesa será certeira escolhendo sobremesas à base de caramelo, frutos secos e especiarias ou, numa aproximação por contraste, com queijos de média intensidade. 
Cor âmbar definido, nuances acobreadas com pitada avermelhada, subtis reflexos alaranjados nas bordas do copo, luminoso, profundo e brilhante. Plano aromático complexo e sofisticado, sobressaindo a envolvência dos frutos secos, onde as passas de uva e os figos secos se entrelaçam com nuances de noz e avelã torrada, tudo isto acompanhado por notas elegantes de especiarias doces, como a canela e a baunilha. Na boca, revela toda a sua magia, com textura sedosa, aveludada e cheia, preenchendo o palato com uma doçura rica e equilibrada de fruta cristalizada e caramelo, sem sucumbir à densidade exagerada, mas com uma frescura e finesse notáveis, muito por meio da vertente cítrica arrebatadora, acidez vibrante que corta a doçura e estende o final de boca de forma quase infinita.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Informal Bruto NV Rosé

INFORMAL BRUTO NV ROSÉ | BAIRRADA | 12,5% | PVP  15,90 €
BAGA
LUÍS PATO UNIPESSOAL, LDA
16,5

Nasce na região da Bairrada, pelas mãos do Senhor Baga, elaborado a partir do mosto de lágrima da casta Baga proveniente da icónica Vinha Pan, uma das parcelas mais nobres e celebradas do produtor. É um exemplo perfeito de como a irreverência e a qualidade podem coexistir na mesma garrafa, ao mesmo tempo desafiando o classicismo dos espumantes tradicionais com uma desconcertante aura de descontração. 
A irreverência de Luís Pato é desde logo reconhecida pela escolha da cápsula metálica (vulgo carica) como vedante em vez da tradicional rolha de cortiça e muselet que, para além de ajudar no reforço da ideia de informalidade garante uma evolução controlada e preserva a pureza absoluta da fruta durante o estágio em cave. Quando cai no copo surpreende logo pela sua cor viva e pela complexidade aromática que nos remetem para morango, framboesa, hibisco, fumados e notas de pastelaria, registo seco, gastronómico e com um final de boca com travo a casca de  laranja ralada e uma acidez vibrante.
Cor rosa salmão aberta, nuances acobreadas, intenso, vivo, atraente, com bolha fina, muito persistente. No nariz, o primeiro impacto revela uma frescura desconcertante e limpa, onde sobressaem os aromas primários e vibrantes da casta Baga, com destaque para os frutos vermelhos silvestres, como a framboesa e o morango maduro, envolvidos por discretas notas florais de hibisco e, à medida que o vai abrindo, a complexidade do estágio em cave começa a desenhar-se, libertando subtis apontamentos de panificação, brioche e uma levíssima nota de pastelaria envolvida num toque fumado que se estranha e depois entranha. Na boca encontramos uma estrutura séria, firme e de enorme carácter gastronómico, com acidez, cortante, mas que surge perfeitamente integrada numa textura cremosa e envolvente, com a fruta a manter o seu lugar, com o final de boca mais tenso, longo e incrivelmente refrescante.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Prunotto Occhetti 2023 Tinto

PRUNOTTO OCCHETTI 2023 TINTO | PIEMONTE-LANGUE (ITA) | 14% | PVP  21 €
NEBBIOLO
PRUNOTTO, SRL
17,5

Cada vez mais apaixonado pelos tintos italianos e por este perfil elegante e fresco que facilmente se consigo encontrar numa gama de preço não proibitiva. Este nasce na conceituada casa Prunotto, com a chancela da família Antinori, e produzido desde a década de 1970. A casta Nebbiolo, que lhe dá vida, provêm exclusivamente da emblemática vinha Occhetti, situada nas encostas ensolaradas de Monteu Roero, na região do Piemonte, cujo solo composto por areias pouco profundas de origem marinha, intercaladas com cascalho, argila e calcário. 
Isto acaba por explicar o que depois encontro no copo, que se traduz numa frescura vibrante, elegância singular e em taninos excecionalmente sedosos e aveludados. No momento de ir à mesa não consigo deixar de pensar em pratos da cozinha italiana como uma gulosa massa fresca recheada com ragú de carne, fazendo mira também para assados de carne no forno ou carnes grelhadas com alguma gordura.
Cor vermelho rubi de média concentração, mais abrto e luminoso, subtis reflexos granada, límpido de aspecto e de coloração jovem. Plano aromático marcadamente perfumado e sedutor, que se inicia de imediato com notas florais intensas a evocar pétalas de rosa vermelha e violeta frescas, complementado, logo de seguida, pela fruta que sobressai com nitidez através de aromas a framboesas, cerejas e geleia de amora, evoluindo, à medida que o vinho respira, para camadas adicionais complexas de alcaçuz, especiarias doces como a canela e leve componente terrosa que acrescentam imensa definição e frescura ao conjunto. Na boca, o primeiro ataque impressiona pela sua harmonia, frescura e vivacidade, mostrando-se um tinto de corpo médio-alto, mas fino e elegante, com tanino firme e volumoso, embora polido e surpreendentemente aveludado, enquanto a fruta vermelha limpa e a acidez equilibrada mantêm o palato focado e sumarento, culminando num final longo, limpo e muito persistente. 

terça-feira, 23 de junho de 2026

Do Alentejo aos Açores: O Minimalismo e a Pureza da Nova Marca "Local" da PL Wines


A PL Wines inaugura um capítulo totalmente familiar com o novo projeto LOCAL, uma coleção exclusiva de vinhos de intervenção mínima desenhados para serem o espelho absoluto e sem filtros dos terroirs mais identitários de Portugal. Mais do que uma marca, é um regresso à essência mais pura da terra, que abdica do artifício na adega para deixar que os solos do Alentejo, do Dão e dos Açores falem por si em cada garrafa.

O enólogo Paulo Laureano surge como capitão de equipa da "nova" PL Wines, agora num formato totalmente familiar que decidiu virar a página e lançar um projeto inovador e que promete mexer com o panorama do vinho em Portugal. 
A ideia central da Wine & Nature, a casa-mãe deste novo rumo, é simples de explicar no papel, mas de grande exigência na adega onde, a prática de uma enologia de intervenção mínima,  na qual o homem dá um passo atrás para que o microclima e a identidade geográfica de cada vinha brilhe sem filtro é nota de grande coragem e compromisso. O resultado desta filosofia traduz-se numa coleção que estreia com quatro referências de produção muito limitada e que foram apresentadas recentemente em prova e harmonização com a cozinha de Vitor Sobral no seu mais recente restaurante em Lisboa, o Carvoaria.
A viagem começa, com grande ousadia, num saltinho que atravessa o Atlântico em direção à Ilha do Pico. É lá que nasce o Local Pico Vinha Mãe, um branco vulcânico notável, vindo diretamente da icónica zona do Lagido, onde impera a matriz de basalto e uma salinidade marítima quase cortante. A ligação no prato acontece também com mar, mas em conserva, com Petingas de conserva Fausto e patê de sardinha.  Sabores de Santo António idealizados pelo Chef e com aconchego certeiro. 
Depois regressamos ao continente, a terra firme com o Local Alentejo, desenhado a partir de vinhas selecionadas na zona de Évora, que traz para o copo a tipicidade e o calor característicos da região, mas com um equilíbrio refinado. No prato a sugestão brinca entre o mar e a serra, com Chochos com tinta, favas, enchidos regionais e coentros. Casamento incrivel e desafiante, porém viciante e de grande conforto.
 
Rumamos, logo depois, a norte e à altitude com o Local Dão, um tinto que agarra a frescura natural e a elegância clássica dos solos graníticos daquela região demarcada. Junta-se à mesa com mestria ao Arroz de Bochechas de Porco, alho francês, nabo amêndoa e tomilho limão. Uma harmonização com muita elegância e leveza.
O grande abanão, contudo, surge quando voltamos a atravessar o Atlântico de regresso à Ilha do Pico para fechar com chave de ouro. A PL Wines resgatou uma verdadeira relíquia em parceria com a cooperativa da Ilha e revela o Local Pico Licoroso 20 anos, com berço na mítica colheita de 2006. Duas décadas de envelhecimento que mostraram o potencial infinito deste terroir. No prato também houve lugar à surpresa numa, talvez inusitada, parceria entre o vinho e o Crocante de creme de ovos, maçã e framboesas que se revelou momento de merecida felicidade.
 
Com esta gama, Paulo Laureano prova que a sofisticação não precisa de maquilhagem e que o futuro do vinho passa por respeitar, ao milímetro, o lugar de onde ele nasce.
Ainda oportunidade para um saltinho até à Vidigueira, para conhecer o novo Paulo Laureano Antão Vaz 2022, produzido a partir de vinhas da zona demarcada da Vidigueira, onde a casta encontra nos solos de xisto uma das suas expressões mais distintivas, com fermentação em barricas de carvalho francês de 500 litros onde estagiou durante vários meses e permaneceu ainda mais 36 meses em garrafa antes do lançamento. Um grande branco no nosso copo, muito preciso e definido, harmonioso, onde fruta, textura, frescura e mineralidade jogam em perfeito equilíbrio e com notável elegância.

LOCAL PICO TERRA MÃE 2022 BRANCO
| AÇORES - DO PICO | 12,5% | PVP  41€
VERDELHO, ARINTO, BOAL, TERRANTEZ
WINE & NATURE, LDA
18
Cor amarelo citrino, intenso, reflexos esverdeados, aspecto límpido e ainda jovem.  Plano aromático rico e elegante, com notas de fruta de pomar madura, fruta de polpa amarela, sem esconder o seu berço nas notas mais salinas e marítimas, componente iodada, pedra lascada, grande amplitude aromática que vai evoluindo com o tempo de copo. Boca de médio corpo, cheio de texturas e com um primeiro ataque vibrante de secura e acidez, para depois lhe encontrarmos alguma untuosidade num equilíbrio de mais conforto, vertente salgada, fruta sumarenta, sabor e lugar, final de boca longo, fino e profundo.

ANTÃO VAZ BY PAULO LAUREANO 2022 BRANCO | ALENTEJO | 13% | PVP  25€
ANTÃO VAZ
PL WINES, LDA
18
Cor amarelo citrino intenso, definido, leve tonalidade palha e reflexos esverdeados, aspecto límpido e cativante. Nariz exuberante e complexo, com notas de fruta de caroço, polpa amarela, tropical bem medido e pitada citrina fresca, casca de laranja, com componente floral bem medida, flores brancas, vinco mineral bem presente e com a presença da barrica completamente integrada, conferindo mais amplitude e riqueza ao perfil do que intromissão numa linha de frescura e elegância bem definida. Boca com largura e profundidade, textura macia e cremosa com acidez vibrante e com prolongamento fino a seu lado, registo fresco da fruta, citrinos em destaque, novamente a laranja com presença evidente, leve tropical, carga mineral, ligeiro travo amargo, toranja, final de boca longo e persistente.

LOCAL ALENTEJO 2019 TINTO
| ALENTEJO | 14,5% | PVP  17,60€
ALICANTE BOUSCHET, ARAGONEZ, TRINCADEIRA, CABERNET SAUVIGNON
WINE & NATURE, LDA
17
Cor vermelho rubi de média concentração, auréola luminosa, lágrima escorreita, aspecto límpido e jovem. No nariz revela notas de fruta preta madura, ligeira compota de frutos silvestres, componente adicionada pela passagem por barrica bem integrada, com algum cacau, especiarias, caixa de charuto, tostado fino, complexo e rico. Na boca temos um Alentejo com mais calor, mas de grande equilíbrio, textura macia, aveludada, com tanino polido, mas fino e presente, secura equilibradora, adicionando tensão e vibrância ao registo, término de boca longo e persistente.

LOCAL DÃO 2021 TINTO | DÃO | 13,5% | PVP  22,50€
TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, ALFROCHEIRO, JAEN
WINE & NATURE, LDA
17,5
Cor vermelho rubi intenso, média concentração, com reflexos luminosos, aspecto límpido e de aparência jovem. No nariz apresenta-se com elegância e frescura natural, com a fruta muito bonita, fruto vermelho e preto silvestre, fruto azul, com o lado mais de floresta, bosque bem presente, componente especiada, chocolate negro, café verde, nota vegetal e face granítica à mostra. Boca de médio volume, com estrutura, mas de apresentação fina e elegante, textura macia, secura convidativa, fruta fresca e saborosa, tanino firme, embora pronto, profundo, persistente e com término de boca longo, sedutor e prazeroso.

LOCAL PICO 20 ANOS LICOROSO
| AÇORES - DO PICO | 16,5% | PVP  300€
VERDELHO, ARINTO
WINE & NATURE, LDA
18,5
Cor âmbar jovem, tonalidade esverdeada e acastanhada com reflexos dourados vivos, luminosos, aspecto límpido e atrativo. Nariz de complexidade e riqueza notáveis, com um bouquet olfativo que passa pelas notas de frutos secos, amêndoas, avelãs, figo, torrados subtis, mel, bolo de mel, salgados evidentes, iodo, muita especiaria, caixa de charuto e balsâmicos envolventes. Na boca surge num equilíbrio entre maior untuosidade, maior volume de corpo, textura macia e uma acidez vibrante, finesse, elegância distinta e salinidade marcante. Registo muito fino, persistência, prazer a beber, doce bem medido e um final de boca que parece não ter fim. 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Vértice Pinot Noir Bruto 2013 Branco

VÉRTICE PINOT NOIR BRUTO 2013 BRANCO | DOURO | 12% | PVP  53€
PINOT NOIR
CAVES TRANSMONTANAS, LDA 
Dégorgement 01/2024
18,5

Os grandes entusiastas dos espumantes de excepção têm hoje a sua fasquia de escolha mais elevada do que nunca, conseguindo sem ser preciso viajar até à icónica região de Champagne, encontrar bolhas de sofisticação mundial. 
Este Vértice Pinot Noir Bruto 2013 é o exemplo perfeito dessa mestria e elegância intemporal. Desenhado no coração do Douro pelas Caves Transmontanas e estagiado pacientemente até ao seu recente dégorgement, este monocasta eleva o panorama dos espumantes nacionais a um patamar de puro requinte, rivalizando com os melhores clássicos do mundo através de uma bolha finíssima, frescura cortante e uma complexidade aromática absolutamente soberba. 
À mesa, esta joia duriense revela toda a sua versatilidade gastronómica, sendo o parceiro ideal tanto para abrir as hostilidades num aperitivo sofisticado, como para brilhar ao lado de mariscos nobres, peixes gordos assados no forno ou mesmo carnes brancas bem condimentadas.
Cor rosa pálido, muito leve e brilhante, quase a roçar a casca de cebola, onde se destaca uma bolha incrivelmente fina e persistente que desenha uma coroa perfeita no topo. Impressiona pela sua complexidade aromática e mostra bem o valor do tempode estágio fugindo ao perfil mais frutado abrindo com notas ricas de panificação e brioche tostado envolvidas num fundo mineral gizoso e uns toques subtis de cereja fresca e framboesa silvestre que aparecem timidamente.Na boca é onde a magia realmente acontece. Ataque inicial muito vertical e tenso, com uma acidez cortante e super crocante que nos faz salivar de imediato. A textura da espuma é incrivelmente cremosa, criando a sensação de uma mousse leve e fresca, preenchendo a boca sem nunca pesar, mostrando perfil seco, sério, focado, mas com uma elegância e precisão notáveis. O final de boca é longo, incisivo e deixa uma sensação salina e frutada muito persistente que nos convida, quase de forma automática, ao próximo gole. 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Trilogia Glad Wine | Frescura, Elegância e Precisão em Branco, Tinto e Rosé

Ao fazer vinho no Douro há que conseguir gerir um legado de séculos e, ao mesmo tempo,  colar esse selo de autenticidade em cada garrafa produzida sem desvirtuar o seu berço de nascimento para se conseguir ter sucesso e sair do anonimato ao qual muitos novos produtores são votados.
O desafio actual reside na capacidade de traduzir esse terroir para o palato do consumidor moderno sem perder a identidade e o rigor técnico. Ao mesmo tempo, produzir referências distintas, mas que partilhem de uma mesma filosofia muito simples e actual: levar a sofisticação do Douro a novos públicos, de forma descomplicada, mas com vincada assinatura técnica.
É precisamente nessa linha ténue, entre a precisão enológica e o prazer imediato, que se posiciona a nova gama de colheitas da Glad Wine. Assinada pela dupla de enólogos Paulo Amaral e Décio Coutinho, esta trilogia — composta por um Branco, um Rosé e um Tinto — chega ao mercado com o selo de quem conhece profundamente a vinha, mas desenhada para simplificar o ato de beber.
O consumidor, que procura uma escolha segura e gastronómica, encontra nestes vinhos frescura, fruta limpa e uma aptidão natural para a mesa. Já para os profissionais do setor e enófilos mais exigentes, o interesse reside no detalhe e no lote: ma frescura analítica e aromática do lote de Arinto, Rabigato e Viosinho no Branco; na gestão inteligente da acidez e o estágio criterioso em barrica que eleva o Rosé a um patamar superior de complexidade; e na extração equilibrada do Tinto, focado na estrutura e na pureza varietal. 
 
GLAD WINE 2025 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  8€
RABIGATO, VIOSINHO, MALVASIA FINA
GLAD WINE UNIPESSOAL, LDA
17
Feito com uvas de vinha na zona de Medrões, em Santa Marta de Panaguião, uma parcela a cerca de 500 metros de altitude , com um microclima entourado pela Serra do Marão e que lhe confere características muito particulares. Um branco num registo muito fresco, acidez vincada e preparado para o calor do verão. Bela relação preço-qualidade-satisfação. 
Cor amarelo citrino, aberto, reflexos esverdeados, límpido e jovem. Nariz marcado pela faceta mais mineral, sílex lascado, algum fosforo, faísca, atraente, aparecendo depois o lado mais citrino, limonado e floral. Boca dona de grande frescura, perfil vibrante, acidez vincada, com prolongamento, tensão, acídulo, boa secura, sumarento e com sabor, longo final de boca.
 
GLAD WINE 2025 ROSÉ | DOURO | 12,5% | PVP  8€
TOURIGA NACIONAL, TINTO CÃO
GLAD WINE UNIPESSOAL, LDA
16,5
Apenas a lágrima deste blend e trabalho da cor durante o processo de prensagem do mosto resulta num perfil muito delicado no nariz, mantendo o vinco mineral do branco, mostrando garra e vivacidade na boca. Descomplexado, mas sério e pronto para fazer companhia à mesa.
Cor rosa-claro aberto e luminoso, aspecto límpido, jovem e cativante. Nariz delicado, fugindo de exuberância desnecessária, elegante, com a fruta vermelha a mostrar-se bem ligada com notas de nectarina e nêspera, pincelada floral e vinco mineral assumido.  Boca com entrada vibrante, a mostrar vivaz, com textura e óptimo prolongamento, fruta vermelha, framboesa, tenso, harmonioso e com término de bica longo e prazeroso.
 
GLAD WINE 2025 TINTO | DOURO | 13,5% | PVP  8€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA, TINTA RORIZ
GLAD WINE UNIPESSOAL, LDA
17
Particularmente jovem, mas onde se encontra potencial imenso, com estrutura e complexidade inesperada e com lugar a pensar na guarda de alguma garrafa para abrir na temporada outono-inverno.  Focado na pureza da fruta e longe do perfil de alguns tintos do Douro excessivamente pesados ou carregados de madeira, privilegia a elegância e a prontidão para beber de imediato.
Cor vermelho de tonalidade violeta escuro, granada intenso, média concentração, límpido e jovem.  Muita fruta quer no nariz quer na prova de boca, expressiva, cereja, amora, ameixa, morango, fruta silvestre, um registo fresco, com nota bem medida de esteva, não deixando de apresentar a componente mineral que se encontra alinhada a toda a gama. Boca com entrada vibrante, fluida e sumarenta, estrutura e complexidade bem presente, textura macia, com tanino fino, polido e muito bem integrados, revelando acidez bem colocada, vivaz, com prolongamento e secura fina e salivante, final de boca longo e prazeroso, num convite à continuação da experiência.

Gama que se apresenta como uma lufada de ar fresco no Douro, até pela sua imagem completamente disrruptiva, e que assenta em três grandes pilares. Primeiro, a identidade: o Branco, o Rosé e o Tinto partilham a mesma matriz de altitude, com uma acidez super viva e um toque mineral que dá uma pica e uma tensão na boca difíceis de encontrar nesta gama. Em segundo, zero artifícios,  sem os aromas explosivos ou demasiado "bonitos", encontramos a mineralidade do branco, a pureza do rosé e a fruta limpa do tinto sem a marca da madeira. Tudo focado na elegância. Para fechar, o preço. Por cerca de 8 €, este trio entrega uma qualidade e uma onda "descomplexada, mas séria" que costuma custar bem mais.