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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Kopke e Burmester Vintage 2024: Duas Leituras de um Grande Ano


Dois Vintage, o mesmo ano, dois perfis. O Kopke mais concentrado e estruturado; o Burmester mais elegante e expressivo. Ambos, porém, com aquilo que mais interessa num Vintage: frescura, equilíbrio e vislumbre de tempo pela frente.

No mundo do vinho e mais particularmente do Vinho do Porto, há anos que nos ficam na memória pelos vinhos que fazem nascer. A colheita de 2024 no Douro parece querer ser um deles quando olhamos para os Porto Vintage 2024 que aos pouco começam a ser apresentados. É o caso do lançamento conjunto dos novos Vintage da Kopke e da Burmester que vêm confirmar esta ideia de que poderemos estar perante um ano particularmente fabuloso para o Vinho do Porto. 
O inverno e a primavera amenos e chuvosos deram às vinhas boas reservas para enfrentar um verão quente e seco, enquanto as noites frescas e a descida das temperaturas durante a vindima permitiram uma maturação mais progressiva e equilibrada. O resultado foi matéria-prima com excelente sanidade e uma combinação particularmente feliz entre concentração, frescura e estrutura, ou seja, precisamente aquilo que se procura num Vintage com a ambição de guarda durante muitos anos.
Depois de alguns anos sem uma declaração clássica destas duas casas, o regresso acontece agora com dois vinhos que partem das mesmas condições de um ano vitícola muito equilibrado, mas que chegam ao copo com personalidades bem distintas.

Ambos assinados por Carlos Alves, Master Blender do Kopke Group, estes dois vinhos não procuram ser iguais, mas antes representar duas leituras diferentes do mesmo Douro, mas com a matéria-prima de vinhas com diferentes localizações. O Kopke Vintage 2024 nasce na Quinta de São Luiz, no Cima Corgo, enquanto o Burmester Vintage 2024 tem origem na Quinta do Arnozelo, no Douro Superior. São dois lugares com características próprias, diferentes altitudes, exposições e condições de maturação, e essa identidade da vinha acaba inevitavelmente por deixar a sua marca no vinho. A própria Quinta de São Luiz reúne parcelas a diferentes altitudes e exposições, enquanto o Arnozelo, situado na margem esquerda do Douro, beneficia de um microclima muito próprio do Douro Superior. Sem dúvida, uma das coisas que mais me fascinam no vinho. O mesmo ano, a mesma mão, a mesma chancela e a mesma região, mas o terroir de nascimento diferente dentro da própria região e temos filhos do mesmo ano a contar histórias diferentes.

A possibilidade de os provar lado a lado tornou este primeiro contacto particularmente interessante. Longe de procurar diferenças para saber qual é o melhor, interessou-me perceber o que cada casa fez com um ano que lhes deu matéria-prima para construir vinhos de grande profundidade e longevidade. Naturalmente, encontrei dois Vintage ainda muito jovens, mas já suficientemente expressivos para deixarem perceber a sua identidade e, sobretudo, para me fazer imaginar aquilo que poderão vir a mostrar depois de alguns anos de garrafa.

KOPKE VINTAGE PORT 2024
| PORTO | 20% | PVP 90€
VINHAS VELHAS
19
Cor rubi muito profunda, densa e carregada, lágrima chorosa, revelador de juventude. No plano aromático começa mais tímido, quase reservado, como se precisasse de tempo para revelar tudo aquilo que tem para oferecer, mas rapidamente abre no copo, mostrando fruta preta e vermelha madura, notas de especiaria e apontamentos mais profundos, entre sugestões de cacau, ervas e uma discreta componente mentolada. Um perfil rico e complexo, que ganha claramente com o tempo e com a temperatura do vinho no copo. Na boca é onde o sentimos verdadeiramente e onde ele se afirma, com carácter, revelando uma estrutura impressionante e uma densidade que lhe dá profundidade, mas sem perder a frescura que considero uma das suas maiores virtudes. A fruta surge concentrada e madura, envolvida por taninos firmes, de enorme potencial, e por uma acidez muito bem vincada que percorre toda a prova e impede que o conjunto se torne pesado. Há volume, há estrutura, há concentração, mas há também muita frescura e uma energia que nos lembra que estamos perante um vinho ainda muito jovem. O final é longo, profundo e persistente, deixando uma combinação de fruta, especiaria, frescura e estrutura que promete uma evolução muito séria em garrafa.
 
BURMESTER VINTAGE PORT 2024
| PORTO | 20% | PVP  80€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA, TINTA RORIZ, ALICANTE BOUSCHET
18,5
Cor vermelho rubi muito profunda, quase impenetrável no centro, opaco, lágrima marcada, aspecto límpido e jovem . No nariz apresenta-se desde logo mais aberto e expressivo, num registo de grande elegância, onde as notas florais surgem quase em primeiro plano, acompanhadas por fruta vermelha e preta de perfil fresco e algumas sugestões de esteva, num bouquet gracioso e delicado, que vai ganhando dimensão à medida que permanece no copo, revelando progressivamente maior profundidade. Na boca confirma o registo elegante que o aroma já deixava perceber, mostrando-se, num primeiro ataque,  fresco, envolvente e harmonioso, com uma acidez vivaz e bem marcada que lhe dá tensão, dinamismo e equilíbrio, com a fruta bem presente, acompanhada por tanino firme, ainda jovem, mas já com uma textura bastante polida. Sente-se algum calor, sobretudo no final de boca, mas sem comprometer o equilíbrio geral do vinho. É um Vintage que se mostra bonito, expressivo e muito apelativo desde já, mas que está ainda claramente no início do seu percurso. Termina fresco, longo e elegante, deixando uma sensação de harmonia que convida a voltar ao copo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Poeira Vinha da Torre 2018 Tinto

POEIRA VINHA DA TORRE 2018 TINTO | DOURO | 13,5 | PVP  90€
VINHAS VELHAS
JORGE MANUEL N. MOREIRA
18

O Poeira Vinha da Torre 2018 é daqueles vinhos que, para mim, pertencem à categoria dos que verdadeiramente têm na génese de tudo o que vão ser a vinha onde nascem. A vinha, plantada em 1950, em Covas do Douro, situa-se a cerca de 400 metros de altitude, com exposição norte, solos pedregosos e uma grande diversidade de castas. Uma vinha velha pela qual Jorge Moreira procurou durante anos e que encontrou, na sua filosofia do Poeira, a oportunidade de mostrar aquilo que o Douro pode fazer quando a concentração não é confundida com excesso. 
Em boa verdade, é precisamente essa contenção que mais me chamou a atenção. Longe de me impressionar pelo peso ou pela potência que o perfil duriense tantas vezes aporta, surpreendeu-me pela elegância, pela frescura e pela complexidade, deixando que a vinha e o ano se expressem com alguma liberdade. Um vinho que não precisou de levantar a voz para se fazer notar e que me deixou escapar um sorriso de satisfação de prazer mais sôfrego. 
Obrigatório que se leve para a mesa para companhia a comida com alguma estrutura, funcionando particularmente bem com carnes vermelhas grelhadas ou assadas, pratos de caça e queijos curados, mas também poderá acompanhar pratos tradicionais de sabores intensos, onde a acidez consiga limpar o palato e os taninos encontrem matéria para dialogar. 
Cor vermelho rubi intenso, média concentração, aspecto límpido e ainda jovem. Surge inicialmente mais concentrado e algo reservado a nível de aromas, pedindo tempo para se revelar apesar de aberto cerca de uma hora antes ao momento de se beber. À medida que abre no copo, surgem notas de frutos vermelhos e azuis maduros, acompanhadas por sugestões de bosque, terra húmida, ervas secas e especiarias, com o carácter da madeira presente de forma muito discreta e bem integrada, primando pelo registo mais elegante e fresco. Na boca confirma a impressão aromática, revelando um tinto de grande equilíbrio, com corpo e presença, mas sem se tornar pesado, contando com acidez no ponto que lhe dá energia e frescura, enquanto o tanino, rico e bem desenhado, contribuem para uma estrutura sólida, que suporta a fruta bem expressiva, surgindo ainda uma componente vegetal seca que lhe acrescenta tensão e complexidade. A passagem por barrica permanece no lugar certo, funcionando como complemento e não como protagonista. O final é longo, muito persistente e marcado por uma combinação particularmente feliz entre frescura, estrutura e elegância.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Dow's Porto Vintage 2003

DOW'S PORTO VINTAGE 2003 | PORTO | 20% | PVP  89,75€
CASTAS TRADICIONAIS DOURO
SYMINGTON FAMILY ESTATES VINHOS, LDA
19

Sei que vou estragar um bocadinho do suspense, mas começo já por dizer que este Dow's Porto Vintage 2003 estava fabuloso. Passadas mais de duas décadas desde a colheita, provar e beber este Vintage em 2026 revelou-me um vinho que atingiu uma maturidade esplêndida. Apresenta-se num perfil distintamente mais seco, austero e aristocrático — e isto apesar de 2003 ter sido um ano vitivinícola marcado por condições climatéricas extremas no Douro, com um calor intenso que o poderia ter desviado deste caminho. 
Em vez disso, encontramos agora um corpo perfeitamente cinzelado pelo tempo, que mantém uma acidez viva e uma complexidade profunda, assegurando a excelência deste momento quando nos chega ao copo.
À mesa, para levar esta experiência ainda mais alto, nada como apostar em harmonizações clássicas. O casamento ideal faz-se com um queijo Stilton ou com o nosso Queijo DOP Serra da Estrela, passando pelo chocolate negro e frutos silvestres pretos nas sobremesas. Se preferires algo mais simples, funciona de forma soberba para acompanhar uma boa conversa de fim de refeição, ao lado de frutos secos tostados como nozes e amêndoas.
Cor rubi extraordinariamente ainda profunda e opaca, com reflexos granada densos nas bordas que começam a denunciar as suas mais de duas décadas de descanso na garrafa. No nariz, a experiência aromática é intensa e complexa, desvendando camadas sucessivas que começam com notas pronunciadas de frutos pretos maduros, como amoras e ameixas secas, casadas com toques florais subtis de esteva e violetas, sendo que, à medida que o vinho respira, surgem nuances elegantes de chocolate negro, especiarias e uma discreta nota mineral. No paladar, a entrada é marcante, revelando uma estrutura encorpada, poderosa e de enorme concentração, muito fiel ao que esperava desta Casa, oferecendo um perfil mais seco e aristocrático, onde os taninos firmes e maduros se apresentam perfeitamente cinzelados e integrados. Uma acidez viva e equilibrada atravessa toda a prova, conferindo frescura à riqueza da fruta preta e do cacau. O final de boca é incrivelmente longo, persistente e focado, deixando uma assinatura oevidente de pimenta preta moída e especiarias que prolonga a sensação de sofisticação muito para além do último gole.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Os novos tintos da colheita de 2022 da Quinta da Vacaria

 
"A Quinta da Vacaria colocou no mercado os primeiros tintos da colheita de 2022, com destaque para o Reserva Tinto e o Touriga Nacional. Vinhos de maior concentração e exuberância da fruta, resultado de um ano vitivinícola marcado por temperaturas elevadas no Douro, mas mantendo a elegância, frescura e equilíbrio que reflete uma leitura contemporânea da região."
 
A Quinta da Vacaria acaba de lançar no mercado os seus primeiros vinhos tintos da colheita de 2022, destacando-se o Reserva Tinto e o monovarietal Touriga Nacional. Estas novas referências apresentam uma concentração e estrutura notáveis e uma exuberância de fruta cativante, fruto de um ano vitivinícola desafiante, definido pelas temperaturas elevadas que se fizeram sentir em toda a região do Douro. Apesar do calor intenso, o trabalho de viticultura aliado ao da enologia, permitiu preservar a elegância e a frescura características da casa, assegurando um equilíbrio distinto em cada momento da prova. Estes vinhos não são apenas um reflexo do terroir de uma das quintas mais antigas da região, mas representam também uma leitura contemporânea e sofisticada do Douro. 
O Reserva Tinto, com a sua estrutura firme, e o Touriga Nacional, com a sua pureza varietal, prometem surpreender quer entusiastas, quer apaixonados pelo vinho que procuram vinhos com grande potencial de guarda, identidade sensorial única e autêntica, assim como comportamento de excelência à mesa. 
 
QUINTA DA VACARIA RESERVA 2022 TINTO  | DOURO | 13,5% | PVP  60€
TOURIGA FRANCA, TOURIGA NACIONAL, TINTO CÃO
QUINTA DA VACARIA 1616 VINHOS, SA
17
Cor vermelho rubi intenso, concentrado e profundo, auréola luminosa, aspecto límpido e jovem. Nariz muito expressivo, revelando a fruta vermelha e preta maduras, ameixa, cereja e framboesa, pincelada floral fresca, notas da passagem por barrica integradas, cacau, especiaria fina, componente balsâmica bem medida, num registo muito fresco e elegante. Mantém o caminho da elegância na prova de boca apesar de entregar volume e estrutura de corpo, textura macia, acidez assertiva, em tensão, mostrando a fruta sumarenta e poderosa, com tanino firme, embora jovem, conjunto harmonioso, algo guloso, final de boca longo e persistente.

QUINTA DA VACARIA TOURIGA NACIONAL 2022 TINTO  | DOURO | 13,5% | PVP  85€
TOURIGA NACIONAL
QUINTA DA VACARIA 1616 VINHOS, SA
17,5
Cor vermelho rubi de média concentração, reflexos luminosos, vivos, aspecto límpido e jovem. Plano aromático de grande elegância e frescura, oferecendo a fruta vermelha e preta silvestres maduras, amora silvestre, fruto de bago, ameixa e cereja preta, toque citrino, bergamota, com notas florais bem medidas a seu lado, a violeta touriga e a esteva subtil, mostrando com finesse algum cacau, folha de tabaco seca, caixa de charuto, final fresco envolvente. Boca com estrutura e volume, textura aveludada sem se mostrar densa e incómoda graças à sua acidez vibrante e prolongada, à fruta fresca sumarenta e a um tanino polido, mas firme. Surpreende por este perfil cheio de finesse e equilíbrio, jovem, mas desde já prazeroso a beber, com término de boca longo e persistente.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Joseph Perrier Cuvée Royale Brut Vintage 2013

JOSEPH PERRIER CUVÉE ROYALE BRUT VINTAGE 2013 | CHAMPAGNE (FRA) | 12% | NM | PVP  89,90€
CHARDONNAY, PINOT NOIR
JOSEPH PERRIER
18

Os Cuvée Royale Vintage desta casa são uma homenagem de Joseph Perrirer aos anos de excepcional qualidade, sendo expressão única dos mesmos, capturando a complexidade climática dessa colheita e transformando-a em champagnes cheios de complexidade e carácter.
Casamento feliz com o Foie Gras em Cura de Flor de Sal,  Tosta de Bolo Rei e Doce de Maça fazendo brilhar a ligação pela subtileza e elegância de ambos.
Cor amarelo citrino com leves reflexos dourados, bolha finíssima, cordão persistente, aspecto luminoso e jovem. Elegante e delicado de aromas, com as notas de fruta citrina e de pomar a aparecerem em primeiro plano, tangerina, maça verde, com subtil presença floral, fruto seco em fundo, biscoito de manteiga, sempre num registo de equilíbrio, frescura e finesse. Mousse leve e envolvente na boca, mantendo o sentido de elegância apresentado no nariz, com alguma complexidade, secura vibrante, fruta e tostados de mão dada, conjunto uno, cm final de boca longo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Ferreira Porto Vintage 2018

FERREIRA PORTO VINTAGE 2018 | PORTO | 20% | PVP  87,50€
TOURIGA FRANCA, TOURIGA NACIONAL, VINHAS VELHAS, SOUSÃO
SOGRAPE VINHOS, SA
19,5

O ano de 2018 ficou marcado, na vinha duriense, pelos desafios e condições adversas com que os produtores se depararam para a produção de grandes vinhos, todavia, o Douro tem destas coisas, depois da tempestade veio a bonança, e este ano acaba também por ser marcado pela excelência na produção de Porto Vintage. Assim confiou ou suspeitou também Luís Sottomayor e o oferecido por este Ferreira Porto Vintage correspondeu, em pleno, às expectativas. Elegância e complexidade de mão dada e a grande nível, num registo de equilíbrio notável, cheio de vida, expressão do ano, seguindo a linha dos grandes Porto Vintage clássicos. Estamos perante um Porto Vintage impressionante.
A sua estrutura potente, taninos firmes e notas intensas de frutos negros e especiarias obrigam-nos a procurar companhia à mesa com sabores intensos que consigam equilibrar a sua riqueza e doçura, tais como, sobremesas à base de chocolate negro com elevada percentagem de cacau, doces que utilizem frutos silvestres ou, a icónica maridagem com o queijo Stilton, numa harmonização por contraste entre a textura cremosa, sabor salgado e mesmo picante do queijo e a doçura e tanino do vinho. Perfeito.
Cor retinta, profunda e praticamente opaca, denso, lágrima escorreita, aspecto jovem. Plano aromático de grande complexidade, revelando a fruta vermelha e preta maduras, com floral bem medido e integrado, nota de cedro fresco, folhagem, componente especiada e balsâmica a envolver o bouquet com finesse e frescura, pitada mineral, desafiante e vivo. Na boca oferece estrutura e grande volume, num balanço de grande pormenor e riqueza entre a fruta, a acidez bem colocada, os taninos mais potentes, sedutores e as notas especiadas e balsâmicas que resultam num conjunto envolvente, prazeroso e com um final de boca longo e persistente. 

domingo, 4 de janeiro de 2026

Quinta do Noval Porto Vintage 2019

QUINTA DO NOVAL PORTO VINTAGE 2019 | PORTO | 19,5% | PVP 89,90€
BLEND CASTAS TRADICIONAIS DO DOURO
QUINTA DO NOVAL VINHOS, SA
19

Impressiona pela pureza da fruta, pela sua elegância e pelo invejável potencial de guarda, expressando um casamento de luxo entre a força do Douro e a sofisticação e equilíbrio há muito assinatura dos vinhos aqui produzidos. Revelador de uma complexidade fascinante, tanto ao nível de aromas, como na prova de boca, marca pela sua actual e natural juventude e tem o condão de nos fazer brilhar o olhar quando lhe percebemos o futuro.
No momento de lhe juntar a mesa, façam-no com sobremesas à base de chocolate negro e de frutos vermelhos ou, com uma das minhas ligações preferidas, com queijos azuis intensos, como o Stilton ou Roquefort. 
Cor vermelho retinto, opaco, quase sanguíneo, nuances violáceas, denso, aspecto límpido e jovem. No nariz revela, como expressão da sua juventude, a fruta vermelha e preta maduras, frutos negros silvestres, amora, cassis e notas de ginja num registo muito definido e elegante, com especiaria fina a seu lado, pimenta rosa, alcaçuz, algum bolo de chocolate, cacau torrado, pitada floral, mentolado fresco em fundo. Boca generosa, macio, veludo envolvente e cheio, apostando no mesmo caminho de elegância e sofisticação, doce muito equilibrado, não deixando de oferecer as notas de chocolate e cacau, estrutura e poderoso, acidez vibrante, tanino firme, embora fino, conjunto envolvente e equilibrado, com final de boca longo e prazeroso.

sábado, 18 de março de 2023

Raríssimo Espumante Extra Bruto Blanc de Blancs 2006 Branco

RARÍSSIMO ESPUMANTE EXTRA BRUTO BLANC DE BLANCS 2006 BRANCO | BAIRRADA | 12,5% | PVP  89€ 
ARINTO
TOTAL WINES - VINHOS DE PORTUGAL, LDA
Dègorgement 2019
17,5

A mão experiente de Osvaldo Amado num projecto colado à sua imagem e que nos tem dado a conhecer vinhos especiais e de assinatura como é este espumante. Sente-se bem à mesa e mostra grande versatilidade na companhia, tanto de pratos mais delicados, como de sugestões mais desafiantes. Soube-nos pela vida com marisco e peixe grelhado. 
Cor amarelo intenso, tonalidade palha, aspecto límpido, bolha muito fina e e de cordão persistente. No  plano aromático mostra elegância aliada a um perfil com alguma complexidade, notas de fruto citrino, tangerina, toranja, frutos secos torrados, leve panificação, biscoitos de manteiga, cereal tostado moderado, intenso. Boca nunm registo de finesse, revelando leveza da mousse, arejada, com a bolha fina e afinada, continuando a mostrar a fruta fresca e o fruto seco tostados numa conversa equilibrada, boa secura, final longo e persistente.

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Quinta do Vale D. Maria Vintage Port 1999

QUINTA DO VALE D. MARIA VINTAGE PORT 1999 | PORTO | 20% | PVP  85€
VÁRIAS BLEND DOURO VINHAS VELHAS
LEMOS & VAN ZELLER, LDA
17,5

Provavelmente o melhor Porto Vintage de 1999 que bebi até hoje tendo a mesma sido bebida a uma distância de mais de 20 anos. Surpreende em todos os planos. Apesar de já ter perdido muita da sua coloração está com uma luminosidade e limpeza magnífica e depois, tanto no plano aromático como de boca, a elegência e vida é enorme.
Fez companhia a vários momentos à mesa. Desde um Petit Gâteau de chocolate preto até uns pedaços gulosos de queijo Stilton.
Cor vermelho de tonalidade âmbar escuro, algum alaranjado e esverdeados a sobresair no bordo do copo, muito lúminoso, límpido e cativante. No nariz mostra exuberância de aromas, licor de ameixa preta, fruto passa caramelizado, fruto seco torrado, melaço, harmonioso, mantendo uma frescura natural, especiaria exótica, pimenta rosa, alcaçuz, bancada de frutos cristalizados, desafiante, vivo, Boca com volume, textura macia, aveludada, aguardente completamente ligada, bela acidez, mais fruto seco torrado, notas leves de caramelo, rebuçado da Régua, com doce bem colocado, com estrutura, oferecendo um final de boca longo e persistente.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Quinta do Vesúvio Vintage Port 2016

QUINTA DO VESÚVIO VINTAGE PORT 2016 | PORTO | 20% | PVP  90€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA, TINTA AMARELA, SOUSÃO, ALICANTE BOUSCHET 
SYMINGTON FAMILY ESTATES VINHOS, SA
19

Nasce na Quinta do Vesúvio, sem dúvida uma das mais emblemáticas propriedades do vale do Douro, situada a montante do vale, já no Douro Superior. São os vinhedos antigos do Vesúvio, com produções muito baixas por videira, que produzem vinhos com uma tremenda concentração e estrutura, ideais para um Vintage.
O Vesúvio 2016 foi feito a partir de uma combinação de uva das vinhas do Vale da Teja, na extremidade oeste da Quinta, e que constituíram a sua estrutura principal, contribuindo com Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Amarela; com as uvas da vinha do Pombal de onde veio o Sousão para contribuir com acidez e frescura; e ainda com uvas da vinha dos Castelos com o Alicante Bouschet a dar estrutura e substância.
O resultado é fantástico.
Cor retinta, concentrado, opaco, ainda a agarrar ao copo, lágrima chorosa, aspecto jovem. Aromaticamente intenso, com a fruta preta a mostrar toda a sua magia, mirtilos, amoras silvestres, ameixa e cereja preta,  cassis, com notas de compota, o traço elegante da pimenta rosa, toque grafite, tinta da china, complexo e desafiante. Na boca revela estrutura, volume, a envolver todo o palato, com sensação de fruto azul, bela secura inicial, com a fruta muito bem definida, tanino no sitio, poderoso, num conjunto harmonioso e com um final de boca que parece não terminar.
Irá passar muito bem pelos anos vindouros, mostrar o potencial de guarda que se quer para um Vintage. Adoro-os assim, jovens, desconcertantes e apaixonantes.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Revelado o Escondido 2012 de Anibal Coutinho

A colheita de 2012 é a quarta deste vinho, de nome Escondido, produzido por Anibal Coutinho e proveniente de vinhas de família, em Pêro Pinheiro, na linha entre o DOC Colares e Lisboa. 
Vinha de influência atlântica, ainda sofrendo com os ventos salinos vindos do mar, um vinha muito baixa, ao estilo de Bordéus mas, com castas bordalesas e castas portuguesas. Menos de um hectare de vinha inicialmente plantada em 2001 com todo o trabalho envolvente a ser manual. 
Estagiado por 24 meses em barrica nova de carvalho americano e duas usadas de americano e francês. Tendo depois terminado o estágio e sido vinificado na Quinta do Gradil.
Foram produzidas 500 garrafas de 75cl e 100 garrafas Magnum (140€).

As colheitas anteriores, 2006, 2008 e 2010, também foram apresentadas com o Cozido à Portuguesa do Restaurante O Jacinto. Uma espécie de tradição que este ano se repete e que mostra bem a harmonia desta ligação vinho - comida.

ESCONDIDO 2012 TINTO | LISBOA | 13% | PVP 90€
CABERNET SAUVIGNON, TOURIGA NACIONAL, MERLOT, SYRAH, ALICANTE BOUSCHET
ANÍBAL COUTINHO
91 / 100

Cor vermelho de média intensidade, rubi bonito e de aspecto limpo. Nariz ainda marcado pelo estágio em barrica, fruta preta silvestre, notas florais, especiarias bem presentes, ligeiro cacau, elegante, intenso, com uma frescura natural que vem do próprio terroir. Na boca, apesar de jovem, demonstra estar praticamente pronto, raçudo, vivaz, mais elegante que propriamente corpulento, com boa fruta, madura, cereja preta, madeira praticamente ligada, perfil apimentado, bom vegetal em final intenso e fresco.