quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Malhadinha 2024 Branco

MALHADINHA 2024 BRANCO | ALENTEJO | 13,5% | PVP  30€
ARINTO, VIOSINHO, ALVARINHO, VIOGNIER, CHARDONNAY
HERDADE DA MALHADINHA NOVA, SA 
17,5

Conquistou-me pelo equilíbrio entre fruta, frescura e uma barrica discreta, que acrescenta complexidade sem retirar protagonismo à elegância do conjunto. Com volume, textura cremosa e uma acidez que mantém tudo no lugar, é um branco com clara vocação gastronómica, que pede mesa e bons produtos. 
Vejo-o a acompanhar na perfeição um peixe nobre no forno ou um prato de bacalhau, onde a sua estrutura e frescura poderão brilhar. Um vinho que deixa vontade de continuar à mesa com ele no copo.
Cor amarelo citrino intenso, brilhante e com ligeiras nuances esverdeadas, aspecto límpido e jovem. O nariz recebe-nos de forma elegante e fresca, antecipando alguma complexidade aromática ao revelar notas de fruta de polpa branca, maça verde, pêssego e melão, e notas florais subtis a seu lado, com a passagem por barrica a surgir num plano discreto, integrada, sem se sobrepor à fruta, com subtil tostado e especiaria  a compor o bouquet. Na boca, revela volume e estrutura, oferecendo textura cremosa e sedutora que se vê amparada por uma acidez que mantém o conjunto fresco e elegante, onde a fruta continua a brilhar e a passagem por barrica é um pormenor que lhe garante maior amplitude e presença sem comprometer a harmonia, terminando com longo final de boca que nos impele ao copo seguinte.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Smith Woodhouse Madalena Vintage Port 1995

SMITH WOODHOUSE MADALENA VINTAGE PORT 1995 | PORTO | 20% | PVP  60€
VINHAS VELHAS, TOURIGA FRANCA
SMITH WOODHOUSE & CA, LDA
18

Teve o condão de despertar a minha curiosidade pela forma como fui surpreendido pela sua imensa juventude, elegância e frescura. Num belo momento de forma e não esquecendo o facto de ser de um ano terminado em 5, fui à procura de mais informação acerca do que acabara de beber.
Porto Vintage de quinta única (Single Quinta Vintage), proveniente da Quinta da Madalena, situada no vale do Rio Torto, no Douro. A casa Smith Woodhouse, fundada em 1784 e adquirida pela família Symington em 1970, tem uma ligação histórica a esta zona e é conhecida pela produção de uvas para vinhos do Porto de grande concentração e qualidade.
A combinação clássica com queijo azul, como o Stilton, continua a ser uma excelente opção e uma das que lhe serviu de companhia. Delicioso. O sal e a intensidade do queijo contrastam com a doçura e a concentração do vinho. A sobremesa de chocolate negro de elevada percentagem de cacau também será uma opção, mas com o queijo é do outro mundo.
Cor vermelho rubi intenso, com subtis reflexos alaranjados, ainda com concentração evidente, límpido e cativante. No nariz continua a oferecer a fruta vermelha e preta em bom plano, fresca, com especiaria exótica bem ligada, casada com notas de cacau, fruta passa em fundo, ainda que discreta, leve mentolado, perfil elegante. Registo delicado e de grande finesse na prova de boca, textura macia, sedutora, mostrando grande equilíbrio na sensação de doçura, bela acidez, oferecendo a fruta bonita, límpida e jovem, tanino polido, conjunto prazeroso e ligado, sem se mostrar denso em excesso e com final de boca longo.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Murganheira Vintage Bruto 2016 Branco

MURGANHEIRA VINTAGE BRUTO 2016 BRANCO | TÁVORA-VAROSA | 13,5% | PVP  34,90€
PINOT NOIR
SOCIEDADE AGRÍCOLA E COMERCIAL DO VAROSA, SA
18,5
 
Um dos espumantes portugueses que me deixam sempre com vontade de voltar a abrir uma garrafa. Impressiona pela elegância, pela finesse e pela forma como consegue ser complexo sem perder a delicadeza, mantendo uma frescura que lhe dá vida e prolonga o prazer de cada gole. 
O Vintage 2016 voltou a confirmar e a reforçar essa impressão, mostrando um equilíbrio que aprecio particularmente entre a fruta, as notas de panificação e uma bolha finíssima, quase sedosa. Mas o que mais valorizo neste espumante é não ficar limitado ao momento do brinde. Gosto de o levar para a mesa, de o ver acompanhar a refeição e de descobrir como a sua estrutura e vivacidade podem dar outra dimensão a diferentes pratos. 
É um daqueles vinhos a que recorro com confiança, não por hábito ou comodidade, mas porque, colheita após colheita, continua a dar-me razões para o admirar. E isso, para mim, diz muito sobre um grande espumante.
Cor amarelo citrino, com um subtil reflexo rosado, praticamente impercetível e menos evidente do que no Vintage 2013, bastante luminoso e dono de bolha finíssima e um cordão persistente. No plano aromático, revela um ponto de equilíbrio notável entre as notas de fruta e de panificação, oferecendo com grande finesse notas de maçã, pera e marmelo, em destaque, acompanhados por citrino fresco, um apontamento contido de fruto vermelho, notas de panificação e brioche, fruto seco levemente tostado e uma componente amanteigada ligada à pastelaria. Um conjunto complexo e elegante, onde tudo parece estar no seu devido lugar. Na boca, marca presença com uma mousse leve e uma bolha finíssima, envolvente, sustentada por uma acidez vibrante e vivaz, que nos vai secando a boca de forma gradual e sem pressas, revelando um conjunto harmonioso, com uma textura delicada e uma frescura que prolonga a experiência até ao final de boca longo e muito prazeroso.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Quinta do Gradil Chardonnay 2016 Branco

QUINTA DO GRADIL CHARDONNAY 2016 BRANCO | LISBOA | 13,5% | PVP  8,99€
CHARDONNAY
QUINTA DO GRADIL SOC VITIVÍNICOLA, SA
16,5

Existem vinhos brancos que, com o passar dos anos, nos mostram que a idade pode ser muito mais do que uma simples mudança de cor ou o aparecimento de notas terciárias. Estamos perante um desses casos. À vista, não esconde o tempo que leva em garrafa, mas basta aproximar o copo para perceber que ainda tem muito para dar. A fruta citrina e de polpa amarela, as notas de fruto seco, o mel e a cera de abelha convivem com uma frescura surpreendente, sustentada por uma acidez que o mantém cheio de vida e apetecível. É também essa combinação entre evolução, textura e vivacidade que abre boas possibilidades à mesa e me fez pensar num peixe assado no forno, num robalo com legumes ou até num queijo de pasta mole com ligeira cura como o nosso DOP Serra da Estrela. Afinal, um branco com esta idade não merece apenas ser aberto por curiosidade, mas merece sentar-se à mesa e fazer parte da refeição.
Cor amarelo intenso, com tonalidade alaranjada, brilhante, de aspecto límpido e sem esconder a sua idade. No nariz, porém, contraria a idade que aparenta visualmente, com a fruta citrina em destaque, notas de casca de laranja e toranja, e fruta de polpa amarela, algum fruto seco, amêndoa torrada, uma subtil nota de mel e cera de abelha, além de alguma especiaria exótica. Um traço mineral felizmente presente envolve o conjunto e suscita frescura. Na boca, surpreende pela frescura e vivacidade, mostrando desde logo uma acidez vibrante, duradoura e cheia de vida. Apresenta uma estrutura elegante e equilibrada, com boa integração do tempo e de cada componente, oferecendo uma textura macia e envolvente. A fruta revela uma evolução muito bem conseguida, mantendo firmeza e delicadeza, num conjunto que termina longo e prazeroso.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Aliança Garrafeira 1994 Tinto

ALIANÇA GARRAFEIRA 1994 TINTO | BAIRRADA | 12% | PVP  25€
BAGA, TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, CASTELÃO
CAVES ALIANÇA, SA
17

Abrir um vinho com mais de 30 anos é sempre um exercício de curiosidade e entusiasmo doentio no sentido de perceber o que o tempo fez, o que conseguiu preservar e se ainda há vida para além das marcas da idade. Neste clássico bairradino passaram mais de três décadas e, sem dúvida, a idade está lá, bem visível na tonalidade acastanhada e nos reflexos alaranjados, mas seria um erro ficar apenas com essa primeira impressão. A fruta continua a marcar presença e damos de cara com um registo terciário harmonioso e subtil, surpreendendo ainda com uma vitalidade que dificilmente se espera de uma garrafa desta idade. Impressionante.
Quando o retirei da garrafeira, votado ao esquecimento por muitos anos, foi com o objectivo de o casar com um ensopado de borrego de receita tradicional alentejana. Bairrada e Alentejo bem juntos. Um dos grandes encontros à minha mesa.
Cor vermelha com a marca dos anos já presente, tonalidade acastanhada e reflexos laranja, límpido, não escondendo a idade avançada. No nariz a fruta preta aparece ainda presente, macerada, mas com frescura surpreendente nesta fase da sua vida, muito bem ligada às notas de terciarias, sem mostra de iodados, destacando-se mais as notas de bosque, especiados, balsâmicos, tudo muito harmonioso e subtil. Na boca não desilude, cheio de vida -incrível-, percebe-se a sua estrutura, volume médio, acidez vibrante, prolongada, secando o palato, tanino polido, mas firme, belo conjunto e grande final de boca. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Adega de Favaios: Novos Brancos e Clarete, Novas Pistas Sobre o Douro de Altitude

Quando se fala de Favaios, é quase inevitável que se pense em Moscatel, mas a história desta zona do Douro não se fica por aí, e os vinhos brancos têm vindo a ganhar espaço, mostrando que o planalto tem argumentos próprios para dar cartas num território onde a frescura é cada vez mais importante.
Esse é o caminho que a Adega de Favaios decidiu continuar a explorar na marca Casa Velha, agora com novas referências que procuram mostrar o potencial de diferentes castas. Entre elas está a Viosinho, uma variedade que a adega quer afirmar pela vivacidade e elegância, mas também revelando espaço para recuperar castas antigas, como a Samarrinho, numa tentativa de encontrar respostas para os desafios que as alterações climáticas colocam à vinha.
A altitude ajuda a perceber bem esta aposta. Com vinhas acima dos 500 metros, temperaturas médias mais baixas e uma precipitação superior à de muitas outras zonas durienses, Favaios reúne condições particulares para preservar a acidez das uvas e dar origem a brancos frescos e equilibrados. Não é uma garantia automática de bons vinhos, claro, mas é um ponto de partida interessante quando se procuram outras leituras do Douro.
As quatro novidades que se seguem são, por isso, mais do que novos rótulos para acrescentar à lista. São quatro oportunidades para perceber o que a Adega de Favaios está a fazer com as castas e com as condições particulares do seu planalto e para descobrir até onde podem ir os brancos desta zona privilegiada em Altitude no Douro.
 
CASA VELHA SAMARRINHO 2025 BRANCO 
| DOURO | 11% | PVP  11€
SAMARRINHO
ADEGA COOPERATIVA DE FAVAIOS, CRL
16
Cor amarelo citrino aberto, pálido,  ligeiros reflexos esverdeados, aspecto límpido e jovem. No nariz as notas de futa tropical e de fruta de caroço entrelaçam-se, componente vegetal saliente, traço mineral que percorre o conjunto. Na boca, confirma-se a identidade revelada no nariz. A acidez é fina, vivaz e de recorte citrino, enquanto a veia vegetal mantém presença e dá personalidade ao conjunto. A textura macia, aliada ao sabor e à boa integração dos elementos, contribui para uma prova muito afinada e harmoniosa. O final é longo e persistente.
 
CASA VELHA VIOSINHO 2025 BRANCO 
| DOURO | 12% | PVP  7€
VIOSINHO
ADEGA COOPERATIVA DE FAVAIOS, CRL
17
Cor amarelo citrino, aberto e luminoso, com esverdeados leves, aspecto límpido e jovem. Nariz intenso e exuberante, notas de fruta citrina, lima, fruto de pomar e polpa amarela, toque floral, a acrescentar subtileza, enquanto as notas de pedra, sílex e pederneira dão ao conjunto um recorte mineral vincado e particularmente interessante. Na boca, mostra-se seco, acídulo e vivaz, com uma acidez vibrante que prolonga a frescura do perfil citrino, ganhando aqui o toque mineral outra dimensão, evocando pedra lascada, num conjunto bem desenhado, preciso e sem dispersões, traço firme terminando longo, persistente e fiel à identidade da casta e do terroir.
 
CASA VELHA GOUVEIO 2025 BRANCO 
| DOURO | 12% | PVP  7€
GOUVEIO
ADEGA COOPERATIVA DE FAVAIOS, CRL
16,5

Cor amarelo citrino luminoso, aberto e luminoso, subtil esverdeado, aspecto límpido e jovem. O nariz revela boa intensidade aromática, com a fruta tropical madura a encontrar um bom contraponto num registo floral perfumado, onde sobressaem as flores brancas e a camomila. Surgem ainda apontamentos de tisana, vegetal seco e um recorte mineral que acrescenta profundidade ao conjunto. Na boca, mostra leveza e textura macia, sem perder vivacidade, dono de acidez vibrante e persistente, mantendo a fruta em bom plano e contribuindo para uma prova equilibrada e cheia de frescura, com final de boca longa e persistente.
 
CASA VELHA CLARETE 2025 TINTO 
| DOURO | 13% | PVP  10€
TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, TINTA BARROCA
ADEGA COOPERATIVA DE FAVAIOS, CRL
17
Cor vermelho rubi de média concentração, luminioso e brilhante, aspecto límpido e atraente. Nariz de perfil elegante, revela notas de frutos vermelhos, acompanhadas por apontamentos de floresta e subtis notas especiadas, muito fresco limpo. Na boca, apresenta corpo leve e taninos muito suaves, num conjunto elegante e fresco, agora mais afinado do que na colheita anterior, destacando-se uma maior harmonia entre os elementos, fruta, volume, acidez e álcool, privilegia a frescura e o equilíbrio, sem perder personalidade. Longo final de boca e apetência natural para ir à mesa.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Frei Gigante 2024 Branco

FREI GIGANTE 2024 BRANCO | DO PICO | 12% | PVP  19,90€
ARINTO DOS AÇORES, VERDELHO, TERRANTEZ DO PICO
COOPERATIVA VITIVINÍCOLA DA ILHA DO PICO
17
Beber um branco dos Açores é, muitas vezes, trazer um pouco do Atlântico para o copo. O Frei Gigante, produzido pela Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico, é um desses vinhos que nos fazem pensar na proximidade do mar e na personalidade das vinhas açorianas. 
As castas Arinto dos Açores, Terrantez do Pico e Verdelho dá-lhe vida, mas o terroir Atlântico garante-lhe alma num perfil em que a fruta e a frescura se cruzam com aquela identidade marítima que tão bem acompanha a cozinha do arquipélago. Um branco que pede mesa, boa companhia e, de preferência, qualquer coisa vinda do mar. 
A frescura e a acidez tornam-no uma escolha natural para peixe grelhado, lapas, cracas, amêijoas ou polvo à lagareiro , mas a cozinha de tempo e sabor como uma caldeirada de peixe, em que a componente salina do vinho pode acompanhar os sabores marítimos do prato sem os sobrepor será sempre um casamento feliz. Para uma combinação mais simples e imediata, uma boa conserva de atum, servida com pão tostado e azeite, faz igualmente sentido. 
Cor amarelo citrino com subtis esverdeados, aspecto límpido e jovem. Perfil aromático que nos carrega para o terroir onde nasce, centrado nos citrinos e na boa fruta tropical, limão, toranja e maracujá, aliado a um fundo que evoca a brisa marítima e a mineralidade dos solos vulcânicos. A prova de boca reforça o perfil atlântico, onde a vivacidade e a ligação ao lugar assumem protagonismo, num registo elegante, com acidez vibrante, salgada e com tensão, garantindo energia e frescura num corpo sem curvas apertadas, harmonioso e com término de boca longo e persistente.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Intus 2023 Branco

INTUS 2023 BRANCO | ALENTEJO | 12,5% | PVP  14,90€
VINHAS VELHAS
HAMILTON REIS, UNIPESSOAL, LDA
17

O Alentejo também se faz de vinhos que procuram menos volume, menos complicações e mais frescura. Sem dúvida, uma das primeiras conclusões que retiro ao provar este branco saído do projecto pessoal de Hamilton Reis na Vidigueira. Um branco de face elegante e fresca, no qual a fruta não aparece logo escarrapachada, mas que vai aparecendo e mostrado a sua graça e bom entendimento com os restantes componentes, não sobressaindo, mas fazendo parte. 
Esta elegância e frescura faz o caminho completo da prova e acaba por chamar a comida para perto. Um bom parceiro para ter no copo quando no prato houver peixe grelhado, um robalo ao sal, amêijoas à Bulhão Pato ou saladas frias com carnes brancas. 
Cor amarelo citrino intenso, tonalidade palha, aspecto límpido e jovem. Plano aromático elegante e delicado, revelando a fruta de caroço e citrina maduras e frescas num belo casamento com notas de flor branca, camomila, e discreto toque vegetal e ligeiramente terroso. Abre aos poucos, não nos quer dar tudo de uma só vez. Na boca destaque para um primeiro ataque macio, cremoso e sedutor, seguido de acidez vibrante, com tensão e prolongamento, mostrando um lado regulador, equilibrando o conjunto, dando profundidade à prova, num registo descomplicado, sem ir à procura de exuberância ou concentração excessiva, bem afinado, com final de boca longo e gastronómico.

sábado, 10 de outubro de 2026

Hugo Mendes 2023 Rosé

HUGO MENDES 2023 ROSÉ | TEJO | 12,5% | PVP  19,90€
TOURIGA NACIONAL
VOLÁTIL & EXÓTICO UNIPESSOAL, LDA 
17,5

Sabemos bem que nem todos os rosés nascem para acompanhar tardes de calor ou para serem bebidos sem pensar muito no que está no copo. E sabemos bem que nem todos são feitos com potencial de guarda como objectivo. O rosé que aqui encontrei é daqueles que merecem lugar à mesa e daqueles cujo tempo de garrafa trouxe camadas inesperadas. A Touriga Nacional aparece numa interpretação fresca e delicada, com estrutura suficiente para não ficar pela fruta, mas um pouco contrária ao que habitualmente encontramos. Dono de acidez vibrante e textura quase mordiscável, acaba por nos garantir uma entrada nos dias mais frescos sem sentir uma saudade imediata dos mais quentes.
À mesa, este registo mais vibrante, seco e fresco abre caminho a várias combinações como o peixe grelhado, o polvo, sushi, ceviches e marisco.  As refeições e petiscos à base de conservas de peixe também serão motivos de alegria.
Cor rosa salmão aberto e luminoso, reflexos acobreados, límpido e aspecto jovem. Elegante e fino no plano aromático, com a fruta vermelha fresca, romã, framboesa e melancia, com toque de fruta citrina evidente, bem aninhadas em notas florais subtis e leve componente mineral e terrosa. Boca vivaz, médio volume, textura firme, crocante, com acidez vibrante, perfil seco, tenso, novamente com a fruta fresca e bom plano, sem excessos, preciso e equilibrado, com longo e prazeroso final de boca.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Guru 2024 Branco

GURU 2024 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  36€
VIOSINHO, RABIGATO, CÓDEGA DO LARINHO, GOUVEIO
WINE & SOUL, LDA
18

Este é um dos brancos que, desde a primeira colheita, me fez olhar para o Douro para lá dos tintos. Já existiam outros bons exemplos, mas o Guru veio reforçar essa ideia. Este é a mais recente colheita no mercado e revela, sem grande surpresa, todo o ímpeto que a boa juventude traz consigo, mas ao mesmo tempo oferece um equilíbrio e uma elegância notáveis, confirmando que desde o primeiro momento está pronto a dar prazer a beber, sem esconder o potencial de guarda enorme que insiste em conformar de cada vez que levamos o copo à boca.
Dono de comportamento gigante quando à mesa e a acompanhar, entre outras opções, um bom peixe assado, o pregado grelhado ou pratos de marisco com complexidade e sabores mais intensos. Um arroz cremoso de lavagante, uma massada de peixe ou um risoto de cogumelos são opções ideais para dias mais outonais.
Cor amarelo citrino intenso, com esverdeados leves, luminoso, límpido e jovem. Plano aromático elegante, onde as notas de flores brancas se entrelaçam com as de fruta,  lima, toranja e pêssego branco, acompanhados por fina componente mineral, sílex, e traço vegetal subtil que se vai mostrando à medida que o vinho vai abrindo no copo. Na boca revela, desde o primeiro momento,  o papel central que a acidez assume no conjunto, conferindo tensão e vivacidade ao registo de textura macia, algum volume e boa estrutura. A fruta citrina mostra-se fresca e sumarenta, contribuindo para o lado mais seco e fresco do vinho, sem afectar o jogo de equilíbrio que vamos assistindo desde o início da prova.  A incrível subtileza e integração da passagem por madeira quase nos leva a esquecer dela, mas está lá no garante de lagura e profundidade, assim com uma natural complexidade. Termina longo e trazendo a fruta citrina novamente ao palco. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Adega Regional de Colares: Seis Vinhos, Uma Identidade Que Resiste


Colares continua a provar que a tradição também pode ganhar novas formas. Fui conhecer as mais recentes propostas da Adega Regional de Colares e encontrei seis vinhos que percorrem diferentes caminhos, mas que têm em comum uma coisa difícil de replicar: a identidade de um território moldado pela areia, pelo Atlântico e pela história.

Entre o Atlântico e a Serra de Sintra, num terroir onde a influência marítima se sente na vinha e se prolonga no copo, sobrevivem algumas das vinhas mais singulares do País, plantadas em solos de areia onde as raízes das videiras conseguem descer em profundidade à procura de humidade e de solo para além da areia. Poucas regiões vitivinícolas portuguesas têm uma identidade tão marcada pelo lugar onde nascem como Colares e, é neste cenário muito particular que se construiu a história dos Vinhos de Colares e, sobretudo, a resistência de castas como o Ramisco e a Malvasia de Colares.
Fundada em 1931, a Adega Regional de Colares nasceu precisamente com a missão de juntar produtores e preservar este património vitivinícola. Ao longo de décadas, tornou-se uma das principais guardiãs da denominação e de uma forma de fazer vinho que, apesar das dificuldades e da redução da área de vinha a que foi sujeita, continua a distinguir Colares de qualquer outra região portuguesa.
Hoje, entrar na Adega Regional de Colares é também encontrar diferentes maneiras de interpretar este território. De um lado, vinhos mais acessíveis e de perfil conscensual; do outro, os Arenae, onde as vinhas de areia, o pé-franco e as castas tradicionais ganham outra dimensão. É precisamente essa diversidade que estas novas colheitas ajudam a mostrar, com seis vinhos que vão do Chão Rijo aos Arenae, passando por brancos, rosés, tintos e um clarete que recupera uma expressão muito própria da região.
 
CHÃO RIJO 2019 TINTO | LISBOA | 12% | PVP  6,50€
CASTELÃO, TINTA RORIZ
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
16.5
Cor vermelho rubi de média concentração, luminoso, aspecto límpido e jovem. No nariz mostra fruta vermelha madura, ameixa e cereja, acompanhadas por notas subtis de ervas secas, ligeiro tostado e uma discreta componente balsâmica. Na boca revela uma estrutura de corpo médio, com a fruta a regressar logo de início acompanhada por uma sensação mineral, registo leve,  com uma acidez muito bem colocada que mantém o conjunto vivo, tanino já polido num conjunto que privilegia equilíbrio e frescura em vez de concentração, beneficiando claramente do tempo que passou até chegar ao copo e com um final seco e persistente. 
Brilha quando chega à mesa carnes vermelhas como porco preto, secretos grelhados, entrecosto, pratos de caça de menor intensidade ou um belo arroz de pato. 
 
CHÃO RIJO 2025 BRANCO | LISBOA | 11,5% | PVP  6,50€
MALVASIA, GALEGO DOURADO, JAMPAL, FERNÃO PIRES
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
16,5
Cor amarelo limão brilhante, aberto e luminoso, aspecto límpido, jovem e atrativo. Revela um perfil aromático fresco e expressivo, com incidência na fruta, com lima, limão, maçã verde e fruta de polpa branca, acompanhadas por discretas notas florais e uma sugestão mineral, aqui mais presente que no tinto. Na boca não engana e apresenta boa frescura, acidez firme, acutilante e uma sensação ligeiramente salina que lhe dá personalidade e vínculo ao terroir, num conjunto leve, directo e equilibrado, terminando fresco e com uma agradável persistência citrina.
Muito fácil de levar para companhia com comida com ligações vencedoras quando com peixe grelhado, marisco, saladas, ceviches, sushi e pratos de cozinha asiática.

CHÃO RIJO 2025 ROSÉ
| LISBOA | 12% | PVP  6,80€
CASTELÃO
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
17
Cor rosa salmão com reflexos acobreados, brilhante e atrativo, aspecto límpido e jovem. Aromaticamente fresco e delicado, dominado por morango, framboesa e outras pequenas bagas vermelhas, acompanhadas por discretas notas florais e a subtil nuance salina que lhe confere uma dimensão extra. Na boca confirma a leveza aromática, com acidez bem pontuada e vibrante, perfil fresco, mais seco e de textura macia. A componente mineral e a ligeira salinidade adicionam comprimento e um carácter atlântico evidente num final de boca longo e seco.
À mesa pensei logo nele para sardinhas assadas, peixe grelhado, marisco de concha, sushi e cozinha oriental. Um piscar de olho também às conservas de peixe de sardinha e cavala.
A novidade que acrescenta uma terceira leitura à gama e leva para um registo mais descontraído a influência atlântica de Colares. É um rosé de Castelão cheio de frescura e sem complicações, mas sem abdicar daquele toque salino, acidez vibrante e com grande presença à mesa. Espero que se continue com ele nas próximas colheitas.

ARENAE MALVASIA 2023 BRANCO | COLARES | 12% | PVP  22,60€
MALVASIA DE COLARES
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
18
Cor amarela citrina, aberta e com pouca densidade, luminoso, brilhante, límpido e jovem.  No plano aromático revela a complexidade e riqueza esperada, agarrando-nos num registo e muita frescura e elegância onde a fruta citrina se cruza com notas de maçã cozida, ervas aromáticas, subtil anisado, mel e cera de abelha, surgindo, depois a acompanhar, nuances mais salinas e minerais. Na boca revela-se seco e fresco em volume médio, com uma acidez muito presente e uma interessante sensação agridoce que lhe dá profundidade, juntando-se à componente atlântica, bem marcada, prolongando-se num final de boca onde a mineralidade, a salinidade e uma ligeira sensação iodada ganham protagonismo. 
À mesa pedimos MAR, percebes, cracas, lapas, marisco de concha, peixe grelhado, arroz de marisco e ostras só com a sua água.
 
ARENAE RAMISCO 2017 TINTO | COLARES | 12% | PVP  25,50€
RAMISCO
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
18,5
Cor vermelho rubi com subtil nota evolução, média concentração, ainda com boa densidade e luminosidade, límpido e ainda assim jovem. Plano aromático profundo e que nos leva de imediato para Colares, com as notas de ginja, fruta vermelha madura, alguma erva seca, cedro e discretas e bem integradas notas balsâmicas, a que se junta a assinatura atlântica tão característica. Na boca revela estar num grande momento, mostrando-se seco, austero e elegante, com taninos firmes, mas muito mais polidos do que seriam num Ramisco jovem, onde a acidez é uma das suas grandes virtudes, trazendo tensão e frescura a um conjunto de grande identidade, onde a marca salina e mineral se mostra persistente num final é longo, seco e prazeroso.
O cabrito saloio assado no forno, o borrego, a caça de pele, cogumelos e pratos de forno. Está a entrar o outono na Serra, na cozinha e na mesa. 

 
ARENAE CLARETE 2025 TINTO
| LISBOA | 11% | PVP  16,90€
RAMISCO, MOLAR
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
18
Cor vermelho rubi intenso, pouco concentrado, luminoso e brilhante, aspecto límpido e jovem. Plano aromático fresco e expressivo, com fruta vermelha de perfil delicado, cereja, romã e ginja, apontamentos florais bem medidos, subtil componente salina, com presença de pinhal, pinhão e leve componente vegetal que lhe acrescentam identidade, sem nunca perder elegância. Na boca é onde mais surpreende com um primeiro ataque de vivacidade, frescura e leveza,  para depois nos abraçar com uma acidez deliciosa que lhe dá tensão e energia, oferecendo a fruta bem definida e taninos finos, discretos e perfeitamente integrados, textura sedosa, embora trincável, sem o peso ou a concentração que normalmente associamos a um tinto, enquanto o final, fresco e persistente, confirma um vinho pensado mais para a elegância e para a mesa do que para a força. Longe de ser simples, um encontro feliz onde a austeridade potencial do Ramisco encontra na Molar a suavidade e a fruta necessárias para construir um conjunto muito equilibrado e surpreendentemente gastronómico. (Clica no link para publicação dedicada)
 
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ADEGA REGIONAL DE COLARES 

Morada: Alameda Coronel Linhares de Lima, 32, 
               2705-351 COLARES

Horário: Segunda-feira a sábado, 09h00–13h00 e 14h00–18h00. Encerra aos domingos e feriados nacionais e municipais.
 
Telefone: +351 219 291 210
Estacionamento: Gratuito

Visitas e provas: É possível fazer uma visita sem guia ao edifício principal do século XIX, acompanhada de uma prova informal na loja. A reserva é recomendada e o mínimo é de duas pessoas. Seguir este link para mais informações, preços sempre actualizados e reservas.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Armán Finca Os Loureiros Edición Limitada 2021 Branco

ARMÁN FINCA OS LOUREIROS EDICIÓN LIMITADA 2021 BRANCO | DO RIBEIRO (ESP) | 13% | PVP  29€
TREIXADURA
BODEGAS CASAL DE ARMA'N, SL
17,5

Daqueles brancos que me despertou a atenção logo pelo primeiro contacto, mostrando a Treixadura com uma dimensão que vai muito além da fruta e da frescura, revelando volume, textura e uma interessante complexidade trazida pelo estágio em madeira e sobre as borras. 
Gostei particularmente da forma como tudo se conjuga sem que a madeira tome conta do vinho, havendo profundidade e uma dimensão mais gorda, mas também equilíbrio e frescura, num branco que pede tempo no copo e, sobretudo, pede mesa.
Fez com que pensasse em pratos com algum peso e onde existisse matéria suficiente para acompanhar o seu volume e textura. Um bom peixe assado, um bacalhau no forno ou um arroz de marisco bem feito, mas também com polvo assado ou uma ave assada com algum molho. Vai correr bem de certeza.  
Cor amarela intensa e definida, tonalidade palha, brilhante, aspecto límpido e ainda jovem. No plano aromático mostra boa intensidade e definição, rico, mas elegante e fino ,começando por fruta de polpa madura, como pera, maçã e sugestões de pêssego, a que se juntam notas cítricas maduras, um pouco evoluídas e recorte mineral evidente. A madeira surge bem integrada, aportando apontamentos subtis de baunilha e especiaria, acompanhados por uma pitada de pastelaria, revelando ainda uma componente floral discreta. Com o tempo no copo parece ganhar dimensão e profundidade. Boca num plano de prova superior ao nariz, com um primeiro ataque vivaço e a mostrar acidez com tensão e prolongamento, mas cremoso e estruturado, textura macia - um dos seus pontos fortes-, com a componente de fruta a surgir novamente bem definida, acompanhada por notas de especiaria e uma madeira que se mantém integrada. Há volume e alguma untuosidade, mas sem perder a frescura necessária para que o conjunto não se torne pesado. Termina longo e com boa persistência.

domingo, 4 de outubro de 2026

D. Graça Espumante Bruto Tinto Cão 2020 Rosé

D. GRAÇA ESPUMANTE BRUTO TINTO CÃO 2020 ROSÉ  | DOURO | 12,5% | PVP  17,95€
TINTO CÃO
VINILOURENÇO, LDA
Dégorgement 08/2024
17 

A casta Tinto Cão é uma das castas mais interessantes e menos consensuais do Douro, sobretudo quando sai dos lugares mais previsíveis e habituais. Neste caso, a Vinilourenço leva-a um pouco mais longe, criando um espumante tinto bruto, numa interpretação pouco habitual que preserva a identidade da casta sem esconder a sua personalidade. Em rosé tranquilo já começamos a vê-la com o destaque que merece e com belíssimos resultados, mas em rosé espumante é raro. O resultado convence, ganhando leveza e frescura através da bolha, fugindo um pouco ao perfil habitual dos espumantes, com grande apetência gastronómica e que merece ser descoberto.
A acidez e a estrutura tânica permitem acompanhá-lo com bacalhau, polvo assado, arroz de forno, carnes brancas mais condimentadas ou mesmo uma bela sardinhada de final de verão. Se há alguma gordura ou molho a equilibrar claramente será uma escolha acertada.
Cor amarela com tonalidade casca de alperce, subtis acobreados, luminoso e brilhante, aspecto límpido com bolha fina e cordão persistente. No plano aromático começa fresco e expressivo, com fruta vermelha num perfil delicado, onde surgem notas de morango, framboesa e frutos silvestres, acompanhadas por um discreto lado floral, revelando nuances mais finas de panificação e brioche, muito bem integradas na componente frutada, sem que esta perca a sua vivacidade. Encontro-lhe ainda uma subtil sugestão mineral e citrina que contribuem para a sensação de frescura que oferece. Na boca mostra-se seco, fresco e cremoso, com acidez bem presente e uma mousse fina que percorre o palato sem se sobrepor ao conjunto, reaparecendo a fruta vermelha com boa definição, acompanhada por uma ligeira sensação mineral e novamente por apontamentos de pão e brioche. Revela bela tensão final, equilíbrio, elegância e generosa persistência. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Dalva Late Bottled Vintage Port 2019

DALVA LATE BOTTLED VINTAGE 2019  | PORTO | 20% | PVP  14,50€
CASTAS TRADICIONAIS DOURO
GRANVINHOS, LDA
17

Um LBV (Late Bottled Vintage) apostado sobretudo na fruta e numa estrutura suficientemente firme para não deixar que a doçura domine o conjunto, ainda numa dimensão relativamente jovem, mas já com o tempo necessário para se apresentar mais polido e pronto a beber. Surpreendeu-me pela sua frescura e uma relação qualidade-preço feliz.
Estamos perante um Porto que funciona muito bem com queijos de pasta dura e cura prolongada ou ainda com queijos azuis, o Blue Stilton – o meu pairing de eleição-, mas também com sobremesas onde o chocolate negro tenha papel de destaque. Eu experimentaria ainda com uma sobremesa de frutos vermelhos pouco doce, permitindo que a boa fruta do LBV dialogue com o prato sem criar um conjunto excessivamente pesado.
Cor vermelho rubi profundo e opaco, auréola luminosa de tonalidade violácea, límpido e de aspecto muito jovem. Expressivo no plano aromático, onde a fruta preta e vermelha madura se cruza com sugestões de frutos silvestres,  framboesa, ameixa e amora silvestre, subtil floral bem encaixado num evidente e interessante lado mentolado e balsâmico, revelando ainda, à medida que se habitua ao copo, notas de especiarias, sobretudo pimenta e algumas nuances de alcaçuz, com um discreto fundo de cacau/chocolate negro. Na boca continua em evidência este perfil baseado em frescura e grande equilíbrio, não deixando de mostrar bom corpo e envolvência, com a fruta novamente em primeiro plano, casada com a componente especiada que lhe acrescenta alguma complexidade, traço de cacau negro em final, com tanino polido, mas firme, textura macia, terminando com boa persistência,  deixando a fruta e um cacau subtil em fundo a brincar com o nosso palato.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Buçaco Rosado Reservado 2020 Rosé

BUÇACO ROSADO RESERVADO 2020 ROSÉ | IVV | 13% | PVP  69€
BAGA
ALEXANDRE DE ALMEIDA PROD E COM DE VINHOS, SOC UNIP, LDA
18

Quando se fala dos vinhos Buçaco, temos de ter em conta que estamos perante um território diferente, onde a tradição e a capacidade de envelhecimento contam tanto como a própria colheita. E a história ou será mais Estória também conta. Criado para a adega do Palace Hotel-Bussaco, este rosé segue a tradição dos vinhos Buçaco, pensados desde a origem para acompanhar a gastronomia do hotel e envelhecer com dignidade em garrafa. O Reservado Rosé mantém esse propósito, apresentando-se como um vinho de mesa sério e gastronómico, longe do perfil imediato e descontraído que normalmente associamos à categoria dos rosés. É um rosé que apetece agora que as temperaturas baixam, diria um rosé de inverno com grande presença no verão, se for para o levar à mesa. Estejam preparados para um rosé com estrutura, acidez, secura e, repito, uma dimensão gastronómica que o coloca de forma certeira na companhia de comida.  A idade? Apenas um número.
Cor salmão intenso, com tonalidade acobreada, sinal de alguma evolução, aspecto límpido e atrativo. No nariz começa por se mostrar um pouco contido, quase como uma face séria e fria,  onde a fruta vermelha surge subtilmente acompanhada por notas florais, vinco mineral e um discreto, mas presente, lado terroso. Com o tempo no copo fica mais evidente uma componente de ervas secas e especiaria, acrescentando-lhe complexidade e profundidade. A boca confirma essa percepção aromática. Seguimos num registo seco, tenso e com uma acidez muito viva, mostrando uma estrutura pouco habitual num rosé português, mas perfeitamente integrada, com textura, profundidade e uma frescura que lhe dá enorme equilíbrio, deixando a fruta marcar presença, embora mais contida, sempre enquadrada pela acidez e por uma componente mineral que prolonga a prova. Há aqui uma nota de evolução em garrafa que, sem dúvida, lhe trouxe maior integração e alguma suavidade ao conjunto, mas sem retirar o nervo e a identidade do vinho. Termina longo, fresco e muito gastronómico, deixando uma excelente impressão.