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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Carvalhas 2020 Branco

CARVALHAS 2020 BRANCO | DOURO | 13% | PVP  29,90€
GOUVEIO, VIOSINHO
REAL COMPANHIA VELHA, SA
18

Passados já seis anos após a colheita fui recentemente surpreendido pela forma como o tempo assentou neste branco da Real Companhia Velha. Mantém uma expressão luminosa, fresca e muito viva, mas já revela uma complexidade que vai mais além da fruta primária. A nota da passagem pela barrica, bem presente no seu percurso, aparece agora perfeitamente integrada, enquanto a acidez continua a dar-lhe nervo e equilíbrio. Um branco duriense que mostra como algumas referências ganham ainda mais interesse quando deixadas evoluir em garrafa e descobrimos que nem perderam a identidade nem a frescura que lhes deram origem.
À mesa brilha. Poderia ficar somente por esta afirmação, mas acrescento que estamos perante um daqueles brancos que permitem alguma latitude no prato. Peixe assado no forno, robalo ou dourada grelhados, mariscos, arroz de tamboril ou mesmo um bacalhau de preparação mais simples serão boas companhias. 
Cor amarela citrino definido, luminosa e brilhante, nuances esverdeadas, aspecto límpido e ainda pouco demonstrador da sua idade. No nariz surge exuberante e vivaz, dominado pelo fruto citrino e de pomar, com notas de pêssego, limão e mel, acompanhadas por pimenta branca e uma sugestão mineral de pedra lascada. A barrica, que faz parte do perfil deste vinho, está agora muito bem integrada, presente, mas sem se impor, contribuindo mais para a complexidade do conjunto do que para uma marca evidente de madeira. É um nariz rico, complexo e muito expressivo.
Em boca revela volume e corpo, mas mantém uma elegância que impede que o conjunto se torne pesado, mostrando uma bela textura e uma presença subtil da barrica, com entrada com pés de veludo, quase sedoso, mas rapidamente ganha tensão através de uma acidez crocante, vibrante e cheia de nervo, mostrando-se envolvente, com prolongamento e uma persistência muito convincente, terminando longo e fresco. Um branco que aos seis anos demonstra uma evolução muito equilibrada, conservando fruta, frescura e vivacidade enquanto acrescenta complexidade e profundidade. Grande final.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Atlantis Reserva Verdelho 2020 Branco


ATLANTIS RESERVA VERDELHO 2020 BRANCO | DOP MADEIRA | 12% | PVP  29€
VERDELHO
MADEIRA WINE COMPANY, SA
17

Nasce num contexto de solos vulcânicos e influência atlântica, feito exclusivamente a partir da casta verdelho de uma parcela única na zona da Raposeira, na costa oeste da Madeira, não me escondendo desde o primeiro contacto, a sua proveniência e encontrando no estágio uma forma de ganhar dimensão sem perder sua frescura que está na sua identidade. Já com alguns anos de garrafa, é um daqueles brancos que nos pedem algum tempo no copo, algum namoro prévio ao casamento,  não se revelando apenas a fruta ou a frescura imediata, mostrando antes uma dimensão mais séria, onde a casta, o lugar e o estágio se encontram em equilíbrio.
A conversa com ele no copo é deveras interessante. A fruta já não aparece com a mesma exuberância de um branco jovem e imediato, dando lugar a uma expressão mais composta, onde a frescura continua a ter um papel decisivo, sendo precisamente aí que este Verdelho encontra o seu equilíbrio entre a passagem do tempo, a acidez que ainda lhe dá nervo e uma dimensão mais séria que o torna particularmente interessante à mesa.
Andou por maridagens de marisco de debulha e boa converseta, mas sem grandes complicações fará também companhia acertada com peixe assado, arroz de marisco, carnes brancas ou pratos onde exista alguma gordura que encontrarão na sua acidez e textura um bom contraponto. 
Cor amarelo com tonalidade dourada, luminosa, brilhante e já com sinais naturais de alguma evolução, sendo que, desde logo, mostra que já percorreu algum caminho. No nariz surge mais contido do que seria expectável mantendo a fruta bem presente, mas um pouco mais madura e integrada, acompanhada por sugestões cítricas, uma componente mineral, salina bem definida e discretas notas de evolução. A madeira não se sobrepõe, funcionando antes como uma camada adicional de complexidade. Na boca contamos com uma entrada envolvente, alguma amplitude e uma textura que o torna sério, mas é a acidez que mantém tudo no lugar. Fresco, seco e com boa tensão, vai revelando diferentes dimensões à medida que passa pelo palato, terminando longo, mineral e com boa persistência.
Não é o vinho que provavelmente encontraria na sua juventude. É outra coisa, e talvez seja precisamente aí que reside o seu interesse. A fruta perdeu algum protagonismo, ganhou complexidade e o conjunto mostra hoje uma maior integração. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Valle Pradinhos Tinta-Gorda 2023 Tinto

VALLE PRADINHOS TINTA-GORDA 2023 TINTO | TRÁS-OS-MONTES | 12,5% | PVP  28,90€
TINTA-GORDA
CASAL DE VALLE PRADINHOS - MARIA ANTÓNIA PINTO DE AZEVEDO MASCARENHAS
17,5

Existem castas que, por serem menos conhecidas, despertam uma curiosidade especial quando chegam ao copo. É o caso da Tinta Gorda, uma variedade tradicional de Trás-os-Montes que encontra aqui uma interpretação elegante e muito própria, numa expressão bastante diferente do perfil mais musculado que por vezes associamos aos tintos transmontanos, num registo fresco e equilibrado, onde a fruta e a expressão do território assumem, claramente, protagonismo, apoiadas por um estágio em barrica que acrescenta complexidade sem se sobrepor à identidade da casta. 
Um vinho que vale a pena descobrir sem preconceitos, sobretudo à mesa, onde a sua frescura e estrutura prometem acompanhar com naturalidade uma cozinha de sabores e alguma tradição como os pratos de forno, carnes assadas ou em companhia da cozinha italiana com carne e sabores intensos.
Cor vermelho-púrpura de média concentração, mais aberta e luminosa e de tonalidade pouco carregada, aspecto límpido e jovem. No plano aromático nariz surge delicado e fresco, com fruta vermelha e silvestre bem definida, fruta de bago silvestre, acompanhada por apontamentos de ervas e uma discreta, mas desafiante dimensão balsâmica e mineral. Na boca confirma essa expressão mais fina, com boa frescura e uma estrutura assente em tanino fino e presente, mas polido e de textura sedosa. A fruta mantém-se limpa e precisa, sumarenta, enquanto a madeira surge bem integrada, acrescentando complexidade sem dominar o conjunto. Termina longo, fresco e persistente, com uma elegância que se vai afirmando ao longo da prova.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Le Volte Dell'Ornellaia 2023 Tinto

LE VOLTE DELL'ORNELLAIA 2023 TINTO | TOSCANIA (ITA) | 13,5% | PVP  25€
CABERNET SAUVIGNON, MERLOT, PETIT VERDOT
ORNELLAIA, SRL
17

Um vinho cujo nome tem o poder de criar expectativas que se apresenta num registo mais descontraído, procurando equilibrar fruta, estrutura e frescura num tinto feito para ser apreciado sem grandes formalidades. A conjugação de Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot resulta num vinho versátil e gastronómico, que tanto acompanha uma boa refeição como se deixa beber simplesmente à conversa. Um daqueles tintos que não precisa de uma ocasião especial para fazer sentido e que nos deixa sempre sossegados em relação ao que vamos encontrar.
À mesa, naturalmente, mostra a sua versatilidade junto de carnes grelhadas, massas, pizzas e pratos de cozinha italiana, onde a fruta e a frescura encontram facilmente espaço para acompanhar a refeição.
Cor vermelho rubi intenso, brilhante e profunda, límpido e de expressão jovem e apelativa. No nariz, mostra-se muito franco e convidativo, com a fruta vermelha e preta madura em primeiro plano, onde surgem notas de cereja, ameixa e frutos silvestres, acompanhadas por discretos apontamentos florais e especiados. A madeira aparece bem integrada, acrescentando alguma complexidade sem retirar protagonismo à fruta e mantendo o conjunto equilibrado e elegante. Na boca confirma as expectativas, com uma entrada fresca e envolvente, com uma estrutura bem doseada e taninos de textura polida que tornam a prova fácil e agradável. A fruta regressa bem definida, acompanhada por uma acidez que lhe dá dinamismo e evita qualquer sensação de peso. Termina equilibrado, com longa persistência e um lado ligeiramente especiado que permanece no palato por algum tempo.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Pingolé Tinto Cão 2025 Rosé

PINGOLÉ TINTO CÃO 2025 ROSÉ  | DOURO | 12,5% | PVP  25€
TINTO CÃO
GLAD WINE UNIPESSOAL, LDA 
18

Após surpreender tudo e todos com a precisão e a elegância do Pingolé 2023 branco e com a profundidade do Pingolé Vinhas Velhas 2023 tinto, a dupla de enólogos Décio Coutinho e Paulo Amaral dá mais um passo na sua recente caminhada com o Pingolé Tinto Cão 2025 Rosé.
Longe de ser apenas um mero elemento complementar na gama, este vinho assume-se como um ensaio sério e focado numa das castas mais desafiantes da região. Transporta a filosofia de pequena produção e exatidão técnica, que já caracterizava os seus antecessores diretos, para o universo dos vinhos rosados de perfil gastronómico.A sua acidez vibrante, a estrutura firme e a frescura cítrica — características da casta Tinto Cão — fazem deste rosé um vinho extremamente versátil à mesa. 
Afastando-se do perfil de "vinho de piscina", brilha quando acompanhado por pratos que exigem equilíbrio de gordura e vivacidade. Deixo como sugestão o arroz de marisco, as cataplanas de peixe, as amêijoas à Bulhão Pato e os peixes gordos grelhados, tais como o salmão ou o sargo.
Cor rosa aberto, muito pálido e luminoso, com tonalidade casca de alperce, reflexos salmão e um subtil acobreado, mostrando-se atraente e jovem. No nariz, fechamos os olhos e encontramos a fruta de bago vermelho, como framboesa e groselha, morango pouco maduro, alguma nêspera, citrinos vivazes e notas de pedra lascada a misturarem-se com uma presença delicada da barrica, num registo desafiante. Na boca, revela um ataque vivaz, acidulado e vibrante, a balancear o volume mais cheio e macio. Apresenta uma secura boa e em tensão, que faz trabalhar o palato na procura de comida. É um vinho sério, de desenho preciso, com prazer na prova e um longo final de boca.

sábado, 27 de junho de 2026

Casa de Santar Vinha dos Amores Alfrocheiro 2023 Tinto

CASA DE SANTAR VINHA DOS AMORES ALFROCHEIRO 2023 TINTO | DÃO | 13,5% | PVP  30€
ALFROCHEIRO
GLOBAL WINES, SA
17,5

Nasce no Alto dos Amores, uma das zonas mais emblemáticas da Vinha dos Amores, e onde se verificam características geológicas e microclimáticas muito particulares que potenciam a máxima expressão da casta Alfrocheiro. Destaco-lhe o grande equilíbrio entre a elegância natural da casta e a complexidade conferida pelo seu estágio em barricas de carvalho francês, resultando num perfil fresco, com taninos finos e marcantes notas de frutos silvestres e pinhal, revelando aptidão gastronómica notável e parceiro ideal para pratos ricos e cheios, como o polvo à lagareiro, risoto de cogumelos ou receituário com carne de caça de peço.
Cor vermelho rubi de média concentração, menos denso, mais luminoso, aspecto límpido, jovem e cativante. No plano aromático somos remetidos para um perfil rico e intenso de aromas, com a fruta silvestre em destaque, madura e fresca, pitada vegetal e bem medida componente especiada, subtil nota de bosque, envolvente, mostrando elegância e delicadeza à medida que o tempo no copo se espaça. Boca de médio volume, registo elegante e fresco, textura macia, acidez fina e prolongada, leve secura, tanino polido e sedutor, fruta bonita, conjunto harmonioso, com longo final de boca.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Catena Alta 2022 Branco

CATENA ALTA 2022 BRANCO | MENDOZA (ARG) | 13% | PVP  29€
CHARDONNAY
BODEGA Y VIÑEDOS CATENA
17,5

Voltamos a um dos brancos mais emblemáticos da Argentina, produzido pela histórica ⁠Bodega Catena Zapata na prestigiada região de Mendoza, no Vale de Uco. Curiosamente, também havia provado a colheita de 2019, aproximadamente com o mesmo tempo de garrafa após o lançamento que este 2022 e encontrei algumas nuances de prova que me fizeram pensar no impacto do terroir e do ano em cada colheita e expressão desse ano no vinho. Encontro neste 2022 um vinho mais elétrico, enérgico, tenso e profundamente mineral, que pisca o olho ao estilo austero dos grandes brancos da Borgonha, mais maça verde e lima no nariz, mais vertical e linear na prova de boca. Aproxima-se cada vez mais do objectivo assumido e também muito mais gastronómico e versátil à mesa do que o 2019. 
Cor amarelo citrino aberto, tonalidade esverdeada com reflexos palha, aspecto límpido e jovem. No nariz oferece um abraço à pureza e a precisão da altitude com notas de fruta fresca, dominando a maça verde, a lima, a raspa de limão, leve tropical, abacaxi, flor branca e vinco mineral bem evidente surgindo as notas da passagem por barrica muito bem integradas com subtis notas de avela e baunilha. Na boca temos o transporte de toda esta energia e vivacidade, marcando o início com uma acidez cítrica cortante e vibrante que nos faz salivar de imediato, equilibrada por uma textura mineral muito distinta que faz pensar em pó de giz ou de calcário lascado, conferindo uma sensação quase crocante e tátil na sua textura. Corpo médio a ligeiramente encorpado, aportando uma cremosidade bem medida e muito elegante que suporta o regresso da maçã verde, das raspas de limão e de discretas notas de frutos secos. O final de boca é incrivelmente persistente, limpo e salino.

domingo, 10 de maio de 2026

Pinhal da Torre Syrah 2013 Tinto

PINHAL DA TORRE SYRAH 2013 TINTO | TEJO | 14% | PVP  28€
SYRAH
PINHAL DA TORRE, VINHOS, SA
17,5
 
Voltar a este Syrah passados 10 anos após o meu último contacto com ele fez com que um sorriso rasgado surgisse de forma involuntária, mas deliciosa, pois reforçou a minha opinião de que nesta Casa nascem dos melhores vinhos em Portugal desta casta.
Será surpresa para alguns, todavia, é em terras de Alpiarça, região Tejo em ambiente de tradição familiar, que nasce e se cria. Encontra-se num momento de forma pleno de elegância e finesse, com a fruta preta muito bonita, fresca e completamente integrada com as notas da sua passagem por barrica. Oferece um equilíbrio notável e uma aptidão para a mesa de excelência. Podia ter continuado na garrafeira por mais 10 anos.
Cor vermelho rubi de média concentração, ainda com pouca nota do tempo, apenas menos densidade, mantendo aspecto límpido e bem jovem. No nariz destaque para a elegância e delicadeza com que se apresenta, a fruta preta continua toda cá, muito fresca e airosa, com leve tostado e notas de cacau completamente integradas, balsâmico fresco, mentolado em fundo, especiaria em tempero final. Na boca mantém o registo de finesse, embora se revele com estrutura e volume, deixando brilhar uma fruta sumarenta e cheia de sabor, bela acidez, no ponto, a permitir a chamada ao prato, deixando que o tanino polido e mais sedutor nos leve até ao final, longo, persistente e elegante.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Quinta da Serradinha 1999 Tinto

QUINTA DA SERRADINHA 1999 TINTO | ESTREMADURA | 12% | PVP  26€
BAGA, OUTRAS
ANTÓNIO MARQUES DA CRUZ
17

Enquanto o borrego tomava o seu preparo no forno e inundava o ar com os seus aromas apelativos, também já eu, em plena garrafeira, procurava algo que lhe fizesse companhia acertada no copo. Tenho para mim que a Baga, com algum tempo de descanso em garrafa, garante a melhor maridagem neste encontro. Assim tem sido, pelo que a tentação de repetir o feito está sempre presente. 
A escolha recaiu neste Baga, 75% do lote, com 30 meses de estágio em barricas usadas de carvalho francês de 300 litros, seguido de um longo período de repouso em garrafa antes de ser comercializado. 
A caricia do tempo está presente, oferecendo um registo mais polido, fruta mais escondida e notas terciárias acomchegadas. Revela ainda uma vivacidade destemida, a fruta (ginja fresca) presente secura salivante a puxar pelo que vem no prato. Que companhia tão bem escolhida. 
Cor vermelho ainda com reflexos rubi, alaranjados luminosos, média concentraçäo, revelador da sua idade. No nariz, elegante e fresco, apresenta-se com muita fruta preta , fruto de bagas, notas licoradas, ginja, especiados finos, algum cedro, mato seco, componente mineral. Boca de médio porte, textura macia, polida pelo tempo, acidez vivaz, ginja fresca, persistente, longo, tanino ainda firme, embora polido, final persistente e longo.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Prunotto Costamiòle Riserva 2018 Tinto

PRUNOTTO COSTAMIÒLE RISERVA 2018 TINTO | NIZZA DOCG (ITA) | 14,5% | PVP 29€
BARBERA
PRUNOTTO, SRL
17,5

A excelência da casta Barbera produzida na sub-região de Nizza, conhecida pelas suas condições ideais de exposição solar e solos de calcário e argila. Um tinto sofisticado e vibrante que nos oferece um jogo de equilíbrio entre a potência da fruta negra e do carvalho com a frescura vibrante e típica deste terroir, tornando-o um vinho gastronómico por excelência principalmente com pratos robustos, como carnes assadas no forno, caça de pelo, massas com ragù de carne e queijos curados.
Cor vermelho rubi de média concentração, bonito e cativante núcleo mais luminoso, aspecto límpido e jovem. Plano aromático intenso e complexo, brilhando as notas de fruta preta como a ameixa, e a cereja, pincelada floral, violetas, pitada de alcaçuz e baunilha, assim como fino apontamento de cacau e couro que a passagem por barrica lhe atribuiu, com subtil terroso fresco em fundo. Na boa estamos perante um vinho encorpado, rico e envolvente, textura macia e aveludada, com acidez equilibrada, boa persistência, tanino macio, mas firme, com a fruta num patamar de frescura notável, muito harmonioso, sedutor, final de boca longo e persistente.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Quinta de Pancas Reserva Especial 2003 Tinto

QUINTA DE PANCAS RESERVA ESPECIAL 2003 TINTO | ESTREMADURA | 14,5% | PVP  29€
TOURIGA NACIONAL, CABERNET SAUVIGNON, PETIT VERDOT
QUINTA DE PANCAS VINHOS, SA
16,5

Um dos produtores clássicos da região de Lisboa, neste ano ainda Estremadura, que tinha neste Reserva Especial um dos expoentes máximos da sua produção vitivinícola. Mais de duas décadas após o ano de colheita aparece ainda em boa forma, embora conte as notas terciárias a marcarem em demasia toda a prova. Poderia ter continuado de boa saúde na garrafa, mas o registo seria sempre este. 
O casamento à mesa vai direitinho para assados de carne no forno, cabrito e borrego, receituário de tacho, de longas horas ao lume, sempre com carnes feitas, com carnes com sabor intenso.
Cor vermelho de média concentração, alaranjados e acastanhados luminosos, aspecto límpido, com nota de alguma idade. No nariz destaque para a fruta preta madura, alguma maceração, barrica bem integrada, nota de couro, cera de sapateiro, bouquet harmonioso, fresco, com subtil vegetal, caixa de charutos, folha de tabaco seca, balsâmico fresco. Boca vivaz, pujante, acidez vibrante, seco, sabor marcado pela fruta preta mais licorada e notas especiadas, notas terciárias, seco, tanino firme, mas polido, com longo final de boca.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Boa-Vista Tinto Cão 2014 Tinto

BOA-VISTA TINTO CÃO 2014 TINTO | DOURO | 14% | PVP  28€
TINTO CÃO
LIMA & SMITH, LDA
17

Uva de pele Grossa, cachos muito compactos e de pequeno rendimento, a casta Tinto Cão teve aqui o destaque merecido, no universo das castas tradicionais mais antigas do Douro e no terroir da Quinta da Boavista, algo que só voltaria a acontecer na colheita de 2016 ainda pelas mãos de Rui Cunha na enologia.
Passado mais de uma década do ano da colheita, encontramos nele a reconhecida capacidade de resistência ao tempo, expressando bem o Douro, com um lado rústico que parece ser perfil e, embora mostre um pouco em excesso o seu ado mais quente, encontra-se em forma e recomendo que se beba.
À mesa temos de ir para comida mais poderosa, assados no forno ou de tacho, carnes vermelhas, caça, javali no pote.
Cor vermelho granada de média concentração, com leves alaranjados, aspecto límpido, mas a necessitar de decantação ou a servir com cuidado devido à possibilidade de sedimento.  No plano aromático continua a mostrar a fruta preta madura, com alguma notas de fruta preta passa, toque fumado, especiaria integrada, componente terrosa, caixa de charuto, balsâmico fresco. Na boca revela ainda figura jovem, vivaço,  com volume e boa estrutura, ligeiro grão embora de textura macia e acetinada, com acidez equilibrada, secura prolongada, fruta com toque licorado, tanino polido, presente, num conjunto harmónico e com término de boca longo e persistente.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Muxagat Os Xistos Altos 2022 Branco

MUXAGAT OS XISTOS ALTOS 2022 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  30€
RABIGATO
MUXAGAT VINHOS, LDA
18

Façam o favor de não me atirar já pedras. Concordo que ainda poderia ter sido cedo para o abrir, que ainda está muito jovem e que com alguns anos de guarda é que este vinho normalmente se mostra na sua plenitude. Tudo certo. Mas após o abrir não chorei nenhuma lágrima, um branco extraordinário, num registo mais nervoso, a palpitar de vida e dono de uma elegância notável. 
Aconchegou-se de fininho ao bacalhau cozido, não o tapando e deixando que beneficiem ambos da parceria. 
Visualmente de aspecto límpido e jovem, de cor citrina com tonalidade palha brilhante e luminoso. Plano aromático pautado pela elegância do perfil, revelando notas de fruta de pomar de polpa branca madura, com notas de flor branca a complementar, pitada de fumo, mato seco, pimenta branca, linha mineral em fundo. Passagem pela barrica é discreta e está bem integrada. Volume e estrutura de boca, corpo largo e envolvente, macio de textura, acidez vibrante, com nervo e bom prolongamento, a envolver a fruta sumarenta, conduzindo a prova num registo de equilíbrio e grande personalidade até um final prolongado e persistente.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Val Di Suga Brunello di Montalcino 2019 Tinto

VAL DI SUGA BRUNELLO DI MONTALCINO 2019 TINTO | TOSCANIA (ITA) | 14% | PVP  29€
SANGIOVESE
VAL DI SUGA SOCIETÀ AGRICOLA A R.L.
17
 
Este tinto traz a curiosidade de ser um blend com uvas provenientes das três principais áreas históricas de Montalcino, a saber,  das vinhas Vigna del Lago, no Nordeste, Poggio al Granchio, no Sudeste, e Vigna Spuntali, também no Sudoeste de Montalcino, naturalmente possuidoras de características geoclimáticas distintas devido às suas diferentes encostas e altitudes, garantindo assim um equilíbrio perfeito entre frescura, elegância, estrutura e corpo. Com efeito, é neste ponto de equilíbrio que mais entusiasma e cativa, sendo sedutor o bastante para nos agradar de imediato, como continuará a proporcionar bom nível de satisfação com anos de guarda adicionais.
Cor vermelho rubi de média concentração, tonalidade granada, brilhante, aspecto límpido e jovem. No plano aromático revela-se com boa intensidade, num registo rico e complexo, aromas frutados em primeiro plano, fruta vermelha e preta maduras, cereja, framboesa, amora silvestre e mirtilo, bem casada com notas perfumadas florais, violetas, traço terroso a acompanhar, cacau, folha de tabaco, especiaria fina, canela, com envolvente fresca e vivaz. Boca com estrutura e volume, envolvente, textura macia e aveludada, mostra-se a fruta mais sumarenta e suculenta, acidez bem colocada, vibrante, a secar o palato de forma gradual, tanino firme e algo sedutor, componente especiada integrada, final de boca longo e persistente.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Monte das Bagas de Ouro Reserva 2022 Branco

MONTE DAS BAGAS DE OURO RESERVA 2022 BRANCO | ALENTEJO | 13,5% | PVP  29€
ANTÃO VAZ
ADEGA DO MONTADO PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE VINHO, LDA
17,5

Uma das castas brancas mais emblemáticas do Alentejo, conhecida por produzir vinhos mais frescos, mas estruturados e envolventes, serviu de inspiração para o nascimento deste vinho reserva que confirma a expressividade da variedade em terroir alentejano e que junta ao seu carácter único a dimensão, complexidade e estrutura que o estágio de 6 meses em barricas de carvalho húngaro confere. 
Notável comportamento quando à mesa lhe apresentam pratos de peixe, marisco e carnes brancas, tendo igualmente grande potencial de guarda para visitas futuras. 
Cor amarelo citrino intenso, tonalidade palha, luminoso, límpido e atrativo. No plano aromático mostra, com alguma exuberância, a fruta tropical e de pomar de polpa amarela maduras, como o abacaxi, o pêssego ou a ameixa amarela, com boa companhia floral, flor branca, camada especiada bem integrada, pimenta branca, registo harmonioso e vivaz. Na boca não esconde aquela cremosidade e maior dimensão dada pela passagem por barrica, mas revela-a com finesse e elegância, acidez bem colocada, com a fruta fresca ali ao lado, caindo um pouco da especiaria sentida no nariz e resultando num perfil bem desenhado e equilibrado, com término de boca longo e persistente.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Quinta dos Termos O Pecado 2022 Tinto

QUINTA DOS TERMOS O PECADO 2022 TINTO | BEIRA INTERIOR | 13,5% | PVP  25,99€
SANGIOVESE
QUINTA DOS TERMOS, LDA 
17,5 

A casta Sangiovese, variedade de uva tinta mais emblemática e plantada de Itália, sendo a protagonista dos vinhos icónicos da região da Toscana, tem pouca presença em Portugal, quer seja em monovarietal, quer seja em blend, pelo que, quando nos deparamos com um exemplar urge a necessidade de o provar. 
Este nasce no berço da região da Beira Interior, no sopé da Serra da Estrela, onde a plantação de uma casta como esta é um pecado assumido pelo produtor, não tendo conseguido resistir à tentação. Mais do que pecado, uma benção, pois conseguimos encontrar nele pontos de expressão original da casta num perfeito casamento com o terroir desta região tão particular. Acima de tudo, dá um prazer imenso a beber, pela frescura e elegância da sua fruta e de todo o perfil, mas também pela forma como se agiganta quando lhe mostramos a comida regional. Está novo, mas recomenda-se.
Cor vermelho rubi de média concentração, mais aberto e luminoso, revelando menor concentração, aspecto límpido e jovem. No plano aromático não podia faltar a fruta vermelha madura, fruta de bosque, silvestre, ameixa vermelha, morango, ginja, amora silvestre, cassis, com notas especiadas e algum herbáceo seco bem integrado, num registo de elegância e muita frescura.  Na prova de boca agarra-nos desde logo pela sua finesse e frescura, acidez vibrante, com tensão suficiente para nos fazer salivar, contando com a fruta vermelha sumarenta e vivaz a seu lado, textura macia e tanino firme, num conjunto uno, que dá prazer a beber e com final de boca longo e persistente.

sábado, 29 de novembro de 2025

Caprichado - Vinhos com Cuidado, Dedicação e um Toque de Originalidade

A Caprichado Wines é o sonho realizado de um jovem casal que comunga da mesma paixão pelo vinho e pela produção do néctar com a sua assinatura.  Patrícia Morgadito e João Lacerda Moreira concretizaram este sonho com o nascimento da marca Caprichado, sendo o primeiro filho desta relação nascido da colheita de 2020, procurando refletir a sua filosofia e objectivo de fazer nascer vinhos com cuidado, dedicação e um toque de originalidade, de querer fazer diferente, mas com sentido. Unir elegância e autenticidade, mantendo uma ligação às formas naturais da vinha e à tradição local duriense. É um projecto de produção reduzida, normalmente definido como pequeno produtor ou de produção de vinhos de autor e apenas conta ainda com o Caprichado branco e tinto. 
O meu primeiro contacto com a marca é recente, apenas com os vinhos da colheita de 2022 -o tinto-, e 2023 -o branco-, as mais recentes no mercado, mas causou, desde logo, impacto suficiente para querer conhecer mais e continuar a acompanhar o projecto. 
Ainda sem abrir as garrafas e já perdia algum tempo a apreciar a sua rotulagem. Diferente, atrativa, num conceito visual inspirado no movimento Art Nouveau, com formas orgânicas que remetem às vinhas, transmitindo, desde logo, um toque de personalidade, sofisticação e modernidade considerando a paleta actualmente habitual com que nos brindam a maioria das garrafas de vinho. Cores suaves, relevos e acabamentos brilhantes que são motivo para começar a falar do vinho. Todavia, costuma dizer-se que o importante não é a aparência exterior, mas o interior. E aqui há motivos para sustentar e cimentar a primeira impressão. 
O Caprichado tinto, aberto cerca de meia hora antes do consumo, segue a receita antiga na região de produção de vinhos de Field Blend, isto é, o blend nasce já na própria vinha e não na adega. Segue ainda o trabalho em lagar, a tradicional pisa a pé e depois estagia por dois anos em barrica. Traz consigo uma elegância e frescura naturais notáveis, num registo alegre e de grande equilíbrio.
As castas brancas tradicionais no Douro, Viosinho, Gouveio e Códega do Larinho dão vida a um branco mais tímido e delicado de aromas, com a passagem por barrica de carvalho francês por 16 meses a deixar a sua pegada bem integrada, mostrando-se depois, na boca, com maior volume e untuosidade, balanceada por acidez vibrante e prolongada, fazendo dele uma bela escolha como branco de inverno e escolha acertada para um cachaço de bacalhau confitado em azeite, louro fresco e pimenta.

CAPRICHADO 2023 BRANCO | DOURO | 13% | PVP  30€
VIOSINHO, GOUVEIO, CÓDEGA DO LARINHO
JOÃO AUGUSTO DE LACERDA LEITE MOREIRA
17
Cor amarelo citrino, tonalidade esverdeada, aspecto límpido, atraente e jovem. Plano aromático mais delicado e contido a início de conversa, mas nunca mostrando exuberância exagerada, preferindo um registo mais elegante com que apresenta a fruta citrina e futa de polpa amarela maduras, pincelada floral, leve tosta, pitada de pimenta branca, conforto. Boca de médio volume e estrutura, textura macia, com untuosidade envolvente, acidez vibrante, balanceadora, juntando-se à fruta fresca, conjunto harmonioso e com final de boca longo e envolvente.

CAPRICHADO 2022 TINTO | DOURO | 14% | PVP  30€
FIELD BLEND CASTAS TRADICIONAIS
JOÃO AUGUSTO DE LACERDA LEITE MOREIRA
17,5
Cor vermelho rubi intenso, média concentração, aspecto límpido e jovem. No nariz mostra desde logo complexidade ao mesmo tempo que oferece elegância e frescura, com a fruta vermelha e preta madura muito fresca e bem abraçada pela notas da passagem por barrica, nota baunilhada, fumados, terrosos frescos, especiarias exóticas. Boca com volume e estrutura, texturado, ligeiro grão, mordiscável e secura vivaz, prolongada, com nervo, fruta pomposa, tanino sedutor, conjunto harmonioso, vai agarrando o palato, e termina longo, longo, longo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Kompassus Private Collection 2017 Branco

KOMPASSUS PRIVATE COLLECTION 2017 BRANCO | BAIRRADA | 12% | PVP  29,90€
ARINTO, CERCIAL
KOMPASSUS VINHOS, LDA
18

Oferece um ponto de equilíbrio fantástico, notável harmonia entre a sua face mais complexa em contraponto com a sua vertente mais elegante, conquistando pelo conjunto, pelo registo intenso, rico e estruturado, pincelado pela sua acidez vibrante e barrica subtilmente colocada. Garantia de prazer imenso ao beber e ao juntá-lo com pratos de peixe igualmente ricos e cheios de sabor, como uma massada de peixe, uma caldeirada de peixe e marisco ou mesmo como parceria para queijos de pasta mole e de intensidade moderada.
Cor amarelo intenso e definido, leve tonalidade palha, aspecto límpido e jovem. Plano aromático exuberante, no qual a fruta deambula entre as notas mais citrinas, bergamota, e a notas de polpa branca e de polpa amarela mais verde, maça e ameixa, presença de notas da passagem por barrica leves e subtis, fumado fino, algum mel, lado salino, pedra lascada, desafiador. Boca com estrutura e volume, bem balanceada pela sua acidez vibrante, com o complemento da fruta, num registo de leveza a superar o maior volume e gordurinha presente, barrica superiormente integrada, tudo muito preciso e bonito, prazeroso, final de boca longo.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Falcoaria Colheita Tardia 2016 Branco

FALCOARIA COLHEITA TARDIA 2016 BRANCO | TEJO | 13% | PVP  29€
VIOGNIER, FERNÃO PIRES
CASAL BRANCO SOCIEDADE VINHOS, SA
17,5

A região Tejo continua a surpreender com os bons exemplares de colheita tardia com que nos consegue brindar. O terroir desempenha um papel determinante, principalmente nas zonas de produção como a Charneca ou Campo, mais próximas ao Rio, temperaturas que favorecem um amadurecimento da uva de forma mais uniforme, os nevoeiros matinais e o complemento das castas. 
Este nasce na zona de produção da Charneca, em solos arenosos, e é um exemplar que dignifica a região. Na sua composição a Fernão Pires de uma vinha com mais de 70 anos de idade e a Viogner de vinhas com pouco mais de 15 anos. O resultado é de aplauso. 
Cor âmbar mais escuro e definido, reflexos dourados, aspecto límpido e cativante. Plano aromático rico e complexo, exuberante, com notas de fruta passa, alperce, pêssego, casca de laranja desidratada, algum figo seco em fundo, perfumado de flor branca, desafiador. Na boca mostra-se volumoso e com alguma densidade, continuado a prova a sua boa estrutura e riqueza, textura macia, acetinada, com acidez vivaz, equilibrando um conjunto mais doce e poderoso com alicerce na fruta já sentido no nariz, incrível como termina elegante, longo e fresco.

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Dangin-Fays Brut NV

DANGIN-FAYS BRUT NV| CHAMPAGNE (FRA) | 12% | NM | PVP  25,90€
PINOT NOIR
PAUL DANGIN ET FILS
16,5

A prestigiada casa familiar Paul Dangin & Fils, na qual a casta Pinot Noir é dominante nas suas vinhas e vinhos, produz este champagne bruto que, embora oferecendo equilíbrio entre a frescura vibrante dos citrinos e a complexidade de notas florais e de pastelaria, assim como bolha fina e espuma envolvente, não conseguiu surpreender ou deixar muito mais memória para além do momento inicial de refeição fresco e descontraído.
Um exemplar bem feito, mas do qual esperava algo mais no intuito de justificar uma boa compra com relação preço-qualidade interessante.
Cor amarelo pálido e de parca intensidade, aspecto límpido e jovem, com bolha muito fina, viva e persistente que forma uma coroa elegante. No nariz, revela um perfil aromático limpo e fresco, onde sobressaem notas de frutos de pomar, como a maçã verde e a pera sumarenta, perfeitamente integradas com nuances de frutos cítricos e subtis toques florais e de pastelaria. Na boca, a entrada é direta e fresca, evoluindo lentamente para uma textura mais cremosa e de corpo médio, . O final de boca mostra-se muito equilibrado, boa secura, ligeiro toque de fruto seco, com final longo e persistente.