terça-feira, 21 de julho de 2026

D. Graça Reserva 2024 Rosé

D. GRAÇA RESERVA 2024 ROSÉ  | DOURO | 13% | PVP  8,95€
BASTARDO
VINILOURENÇO, LDA
17 

Uma das propostas mais cativantes e autênticas da região do Douro com que me cruzei nos últimos meses, ideal para quem procura fugir ao óbvio no universo dos vinhos rosé. Destaca-se, desde logo, pela ousadia de utilizar a casta Bastardo em pleno Douro Superior, embora nesta Casa não seja propriamente uma surpresa, agarrando-nos os sentidos na forma como os frutos vermelhos e uma pitada citrina se unem de forma fresca e elegante, fazendo depois xeque-mate com a sua acidez viva, bem integrada, que lhe confere uma frescura notável e uma aptidão para a mesa enorme.
Neste campo, a sua versatilidade ganha pontos e convida a momentos de partilha descontraídos ou a jantares mais estruturados. Além de harmonizar na perfeição com sabores do mar, acompanhando com mestria pratos de peixe grelhado ou mariscos variados, brilha também com a simplicidade de pizzas artesanais e saladas estivais mais complexas.
Cor rosa alperce, tonalidade salmão com subtis reflexos acobreados, límpido, muito atrativo e jovem. No nariz, revela-se elegante e fino, destacando-se as notas de fruta vermelha, como o morango e a framboesa, uma componente citrina de toranja vermelha e notas minerais de pedra molhada que lembram as primeiras chuvas de verão, num conjunto harmonioso e uno.  Na boca, mostra médio volume, textura macia e uma leve untuosidade, perfeitamente balanceada por uma acidez vibrante e sumarenta. Com notas de toranja, é um vinho seco, salivante e viciante a cada gole, envolvendo todo o palato. Dá um enorme prazer a beber, deixando um longo final de boca que fica a pedir comida.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Pingolé Tinto Cão 2025 Rosé

PINGOLÉ TINTO CÃO 2025 ROSÉ  | DOURO | 12,5% | PVP  25€
TINTO CÃO
GLAD WINE UNIPESSOAL, LDA 
18

Após surpreender tudo e todos com a precisão e a elegância do Pingolé 2023 branco e com a profundidade do Pingolé Vinhas Velhas 2023 tinto, a dupla de enólogos Décio Coutinho e Paulo Amaral dá mais um passo na sua recente caminhada com o Pingolé Tinto Cão 2025 Rosé.
Longe de ser apenas um mero elemento complementar na gama, este vinho assume-se como um ensaio sério e focado numa das castas mais desafiantes da região. Transporta a filosofia de pequena produção e exatidão técnica, que já caracterizava os seus antecessores diretos, para o universo dos vinhos rosados de perfil gastronómico.A sua acidez vibrante, a estrutura firme e a frescura cítrica — características da casta Tinto Cão — fazem deste rosé um vinho extremamente versátil à mesa. 
Afastando-se do perfil de "vinho de piscina", brilha quando acompanhado por pratos que exigem equilíbrio de gordura e vivacidade. Deixo como sugestão o arroz de marisco, as cataplanas de peixe, as amêijoas à Bulhão Pato e os peixes gordos grelhados, tais como o salmão ou o sargo.
Cor rosa aberto, muito pálido e luminoso, com tonalidade casca de alperce, reflexos salmão e um subtil acobreado, mostrando-se atraente e jovem. No nariz, fechamos os olhos e encontramos a fruta de bago vermelho, como framboesa e groselha, morango pouco maduro, alguma nêspera, citrinos vivazes e notas de pedra lascada a misturarem-se com uma presença delicada da barrica, num registo desafiante. Na boca, revela um ataque vivaz, acidulado e vibrante, a balancear o volume mais cheio e macio. Apresenta uma secura boa e em tensão, que faz trabalhar o palato na procura de comida. É um vinho sério, de desenho preciso, com prazer na prova e um longo final de boca.

domingo, 19 de julho de 2026

Vallegre 2025 Rosé

VALLEGRE 2025 ROSÉ  | DOURO | 13% | PVP  6,99€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA
VALLEGRE VINHOS DO PORTO, SA
16,5

Famoso pelos tintos e Portos seculares, o Douro demonstra a sua enorme versatilidade com vinhos como este rosé, nascido a partir das castas Touriga Nacional e Touriga Franca. Aqui encontramos, em harmonia, um conjunto que junta a frescura da altitude à vivacidade da fruta, resultando num perfil seco, redondo e com grande potencial gastronómico.
Sugiro pratos leves, frescos ou moderadamente condimentados, tais como sushi, sashimi, bivalves (como amêijoas), lagosta, peixe grelhado ou tártaro de salmão.
Cor rosa claro, aberto e luminoso, de tonalidade salmão com reflexos acobreados e aspeto límpido e jovem. No nariz, revela-se bastante expressivo e fresco, marcado por uma forte presença de notas de frutos vermelhos, onde sobressaem com clareza o morango, a framboesa e a groselha. Apresenta ainda uma pitada citrina de toranja, revelando em fundo uma leve assinatura mineral. Na boca, encontramos um rosé com volume médio, textura macia, arredondado e de acidez bem colocada. Mostra crocância e vivacidade num registo mais seco, com muito equilíbrio, prolongando-se num final de boca longo, persistente e com um ligeiro adocicado frutado.

sábado, 18 de julho de 2026

Do escritório para as vinhas do Douro: O sonho que deu vida aos vinhos Aromas do Côa

A Aromas do Cõa nasceu, oficialmente, no ano de 2022, no entanto, a sua história não se escreve apenas a partir deste ano, mas sim através do suor e da dedicação de várias gerações de uma família profundamente ligada ao mundo rural e à viticultura no coração do Douro Superior que, durante anos, se dedicou exclusivamente à produção e posterior venda das uvas, honrando os valores de sacrifício, resiliência e respeito pela terra transmitidos de avós para pais e de pais para filhos. 
Contudo, no seio da família, habitava um sonho capaz de alterar este desígnio, o sonho antigo de transformar o fruto do próprio trabalho numa marca identitária, capaz de engarrafar as emoções e as memórias daquela região.
Assim, o ponto de viragem viria a acontecer pela mão de Mário Antunes, um jovem "louco" de 36 anos - como se sentiu nessa altura - que exercia a profissão de Solicitador e que decidiu abdicar do conforto do trabalho de escritório para dar a cara por um projeto inteiramente movido pela paixão. O próprio descreve-se, com humor, como um "jovem louco", mas a sua decisão foi tudo menos um acaso. Foi o culminar de uma ligação umbilical à vinha, ao conhecimento profundo de cada parcela e à crença de que um grande vinho nasce na terra e nas raízes.
O crescimento da estrutura agrícola criou musculo e, desde 2014, num esforço de sustentação do projecto, a família investiu na consolidação do seu património e gere hoje cerca de 22 hectares de vinha, complementados por 5 hectares de olival e 4 de amendoal. Apontam ao controlo total do processo produtivo. Ao contrário de muitos projetos de produtores independentes, todos os vinhos da marca são vinificados na adega própria da família, utilizando exclusivamente uvas colhidas nos seus terrenos.
Ficamos a conhecer três dos seus vinhos. Dois brancos e um tinto. No campo dos vinhos brancos, o Aromas do Côa Branco 2023 surge como um lote tradicional do Douro Superior, plantadas em solos de xisto em Sebadelhe. O resultado é um vinho de cor límpida, com aroma elegante e uma acidez viva e refrescante na boca. Já o Aromas do Côa Edição Limitada Branco 2024 eleva a fasquia da exclusividade através de uma produção muito restrita de apenas 2000 garrafas, apresentando um lote arrojado de 90% Verdelho e 10% Rabigato que se destaca pelas notas nítidas de fruta branca, citrinos e um perfil mineral muito limpo e equilibrado. Por fim, o Aromas do Côa Tinto Superior 2023 combina 70% Touriga Nacional e 30% Touriga Franca, revelando uma textura firme, aroma intenso a frutas vermelhas e pretas com toques de especiarias, e um final longo e persistente.

AROMAS DO CÔA 2023 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  6,99€
RABIGATO, VIOSINHO, CÓDEGA DO LARINHO
QUINTA DA AFRICANA, LDA
16,5
Cor amarelo citrino de tonalidade esverdeada, brilhante, aspecto límpido e jovem. Nariz elegante, com notas de fruta citrina a assomarem frescas e bem casadas com a compoenete mineral, pedra lascada e subtil toque floral. Boca com grande verticalidade, médio volume, textura macia, vibrante na acidez, crocante, com a fruta sumarenta e fresca, muito preciso e com final de boca longo e persistente. 
Bela surrpresa e excelente relação preço - qualidade. À mesa com mariscos cozidos, peixe branco grelhado e peixinho frito do rio para lutar esta crocância.

AROMAS DO CÔA EDIÇÃO LIMITADA 2024 BRANCO | DOURO | 13,5% | PVP  8,49€
VERDELHO, RABIGATO
QUINTA DA AFRICANA, LDA
17
Cor amarelo citrino com reflexos esverdeados,  um aspeto visual límpido, brilhante e jovem. No nariz revela uma intensidade aromática cativante, dominada por notas nítidas de fruta de polpa branca e tropical frescas, com pitada citrina vivaz, envolvidas por um perfil mineral muito limpo e subtil. Na boca oferece harmonia e precisão, mostrando uma acidez viva e bem integrada que confere uma enorme frescura e vivacidade à prova, num registo de equilíbrio, fruta bonita e sumarenta, com término de boca longo e  persistente.

AROMAS DO CÔA SUPERIOR 2023 TINTO | DOURO | 13,5% | PVP  8,49€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA
QUINTA DA AFRICANA, LDA
16
Cor vermelho rubi de média concentração, embora mais denso, com bonita auréola luminosa, aspecto límpido e jovem. No plano aromático a fruta vermelha e preta desempenha o papel principal, com elegância e frescura, em perfeito casamento com notas florais bem medidas, alguma esteva e violeta, subtil especiado. Boca de médio volume, textura macia e aveludada, acidez equilibrada, boa secura, fruta sumarenta aninhada num tanino polido e pronto, prazeroso a beber e com término de boca longo e persistente.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Quinta de Cidrô 2025 Rosé

QUINTA DE CIDRÔ 2025 ROSÉ | DOURO | 13% | PVP  16€
TOURIGA NACIONAL
REAL COMPANHIA VELHA, SA
17,5

Estamos perante um exemplo evidente da evolução dos vinhos rosé do Douro rumo à máxima elegância. Nasce na altitude da Quinta de Cidrô e destaca-se por uma frescura e acidez natural únicas, adoptando um perfil moderno inspirado no estilo clássico da Provence. Leve, seco e altamente gastronómico, é escolha acertada para a mesa, brilhando ao acompanhar desde a frescura do sushi e de saladas mediterrânicas até à envolvência de pratos de marisco, massas leves ou carpaccios.
Cor rosa pálido muito límpido e brilhante, subtis reflexos salmão, atrativo e jovem. No nariz, o primeiro contacto revela-se fino, sedutor e marcado por uma intensidade aromática muito limpa, onde destaco as notas nítidas de frutas vermelhas, com maior relevo para o morango e a framboesa fresca, que surgem subtilmente envolvidas por elegantes nuances florais e com componente mineral a assomar em fundo. Na boca, a experiência confirma as expectativas de frescura criadas pelo olfato, com um ataque vivo e muito equilibrado, ancorado numa acidez cortante e mineral que dá ritmo à prova e nos faz pensar em comida, cativando por este perfil seco e focado e surpreendendo pelo bom volume e pela textura aveludada que oferece, preenchendo o palato de forma delicada antes de caminhar para um final de boca persistente, limpo e refrescante.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Dow's Porto Vintage 2003

DOW'S PORTO VINTAGE 2003 | PORTO | 20% | PVP  89,75€
CASTAS TRADICIONAIS DOURO
SYMINGTON FAMILY ESTATES VINHOS, LDA
19

Sei que vou estragar um bocadinho do suspense, mas começo já por dizer que este Dow's Porto Vintage 2003 estava fabuloso. Passadas mais de duas décadas desde a colheita, provar e beber este Vintage em 2026 revelou-me um vinho que atingiu uma maturidade esplêndida. Apresenta-se num perfil distintamente mais seco, austero e aristocrático — e isto apesar de 2003 ter sido um ano vitivinícola marcado por condições climatéricas extremas no Douro, com um calor intenso que o poderia ter desviado deste caminho. 
Em vez disso, encontramos agora um corpo perfeitamente cinzelado pelo tempo, que mantém uma acidez viva e uma complexidade profunda, assegurando a excelência deste momento quando nos chega ao copo.
À mesa, para levar esta experiência ainda mais alto, nada como apostar em harmonizações clássicas. O casamento ideal faz-se com um queijo Stilton ou com o nosso Queijo DOP Serra da Estrela, passando pelo chocolate negro e frutos silvestres pretos nas sobremesas. Se preferires algo mais simples, funciona de forma soberba para acompanhar uma boa conversa de fim de refeição, ao lado de frutos secos tostados como nozes e amêndoas.
Cor rubi extraordinariamente ainda profunda e opaca, com reflexos granada densos nas bordas que começam a denunciar as suas mais de duas décadas de descanso na garrafa. No nariz, a experiência aromática é intensa e complexa, desvendando camadas sucessivas que começam com notas pronunciadas de frutos pretos maduros, como amoras e ameixas secas, casadas com toques florais subtis de esteva e violetas, sendo que, à medida que o vinho respira, surgem nuances elegantes de chocolate negro, especiarias e uma discreta nota mineral. No paladar, a entrada é marcante, revelando uma estrutura encorpada, poderosa e de enorme concentração, muito fiel ao que esperava desta Casa, oferecendo um perfil mais seco e aristocrático, onde os taninos firmes e maduros se apresentam perfeitamente cinzelados e integrados. Uma acidez viva e equilibrada atravessa toda a prova, conferindo frescura à riqueza da fruta preta e do cacau. O final de boca é incrivelmente longo, persistente e focado, deixando uma assinatura oevidente de pimenta preta moída e especiarias que prolonga a sensação de sofisticação muito para além do último gole.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Guru Vinha da Calçada 2021 Branco

GURU VINHA DA CALÇADA 2021 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  80€
FIELD BLEND CASTAS INDÍGENAS
WINE & SOUL, LDA
19

No coração do Douro Superior, a uns impressionantes 600 metros de altitude onde o vento fresco molda a paisagem, nasce, pelas mãos da prestigiada dupla de enólogos Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges, este branco, expressão líquida de uma autêntica relíquia histórica. As suas uvas provêm exclusivamente de uma única parcela centenária plantada em solos de transição granítica, uma assinatura geológica rara na região que confere ao vinho uma identidade única, sendo que, neste field blend se reúnem castas indígenas ancestrais como a Viosinho, a Rabigato, a Códega do Larinho e a Gouveio, que crescem em perfeita simbiose. Acabamos por estar na presença de uma das mais exclusivas joias do panorama vinícola português pois desta parcela,  após estágio paciente durante dois anos em foudres de madeira – que lhe preserva uma pureza etérea, acidez cortante e um perfil salino absolutamente inesquecível -, saem apenas 1.533 garrafas. 
À mesa somos obrigados a chamar por harmonizações perfeitas sugerindo peixes gordos assados no forno, mariscos nobres, como lavagante suado, ou pratos ricos de aves de caça e queijos curados de ovelha.Cor amarela citrina, tonalidade palha brilhante e límpida, subtis reflexos esverdeados, luminoso e jovem. No plano aromático, destaca-se pela contenção e elegância, menos óbvio e exuberante, revelando aromas a casca de limão, toranja e nectarina, pitada floral bem encostada, envolvidos por uma mineralidade profunda a pedra molhada e discretas notas de baunilha, fruto do estágio resguardado em madeira usada. Na boca, impressiona pelo equilíbrio entre cremosidade e tensão, com ataque primário sedoso e untuoso, mas logo balanceado por uma acidez vibrante e uma forte salinidade característica do solo granítico terminando longo e persistente, com tensão e muito preciso,  deixando uma sensação limpa e elegante. 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Domäne Serrig Vogelsang Kabinett 2021 Branco

DOMÄNE SERRIG VOGELSANG KABINETT 2021 BRANCO | MOSEL (GER) | 9,5% | PVP  105,90€
RIESLING
DOMANE SERRIG
18,5

Há vinhos que se compram pela história, sem os conhecermos e outros que só nos conquistam quando pela primeira vez nos cai no copo . Quando soube que o icónico produtor Markus Molitor tinha assumido as rédeas da histórica propriedade Domäne Serrig, uma jóia fundada pelo Kaiser Guilherme II em 1904 no vale do Saar, a minha curiosidade disparou e a oportunidade de o fazer chegar à mesa num jantar temático foi gatilho suficiente para que o momento tivesse lugar. Apesar de nascido num ano fresco e clássico, este não me pareceu um Kabinett comum. O que me fascinou nele foi um estado de equilíbrio quase impossível entre uma subtil doçura frutada deliciosa, mas que imediatamente é dominada por uma acidez elétrica e uma mineralidade salina tão profundas que o vinho parece levitar na boca de forma a nos prender a atenção do primeiro ao último segundo. 
À mesa esta salinidade crua leva-me de imediato para um casamento com o mar, umas vieiras salteadas na manteiga ou a acompanhar a frescura cítrica de um ceviche de robalo, mas também penso da cozinha asiática e num caril tailandês aromático, com leite de coco no qual a ligeira doçura do vinho acalma o picante, enquanto as notas cítricas dão vida aos sabores orientais.
Cor amarelo citrino muito aberto e luminoso, reflexos esverdeados brilhantes, aspecto límpido e jovem. No nariz, a primeira impressão é de uma pureza quase cirúrgica, muito contido, não mostrando fruta primária de forma exuberante e evidente, revelando antes uma mineralidade fumada avassaladora, que evoca pedra lascada, pólvora e a ardósia molhada. À medida que o vinho respira, começam a emergir notas cítricas vibrantes de lima e toranja, acompanhadas por nuances subtis de maçã verde, pêssego e um delicado toque de flor branca, mantendo um registo muito elegante e fino. Na boca, a experiência atinge outro patamar com um primeiro ataque incrivelmente leve, mas longe de mostrar qualquer tipo de fragilidade ou falta de tensão, oferecendo a doçura natural da uva, que não se sobrepõe em momento algum, surgindo perfeitamente integrada e quase camuflada por uma acidez elétrica e cortante, que nos faz salivar instantaneamente, acompanhando a pegada salina e mineral profunda do seu perfil, onde a fruta cítrica fresca serve de fio condutor e nos conduz  a um final de boca incrivelmente longo, limpo e focado.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Rosa Santos Família Serra de S. Mamede 2022 Branco

ROSA SANTOS FAMÍLIA SERRA DE S. MAMEDE 2022 BRANCO | ALENTEJO | 12,5% | PVP  44€
VINHAS VELHAS
SOCIEDADE AGRÍCOLA JORGE ROSA SANTOS E FILHOS
18

Uma verdadeira homenagem à viticultura de altitude do Alentejo com berço a cerca de 540 metros na Serra de S. Mamede, num ecossistema único moldado por solos graníticos e um microclima fresco. As vinhas velhas, com idades entre os 60 e os 80 anos, plantadas no tradicional sistema de field blend, assumem papel principal no resultado deste vinho, com diversas castas autóctones que convivem na mesma parcela e que são colhidas em simultâneo, resultando num branco incrivelmente complexo e texturado, dono de acidez vibrante e um final marcadamente salino. À mesa, sugiro como parceiro ideal harmonizá-lo com peixes gordos assados no forno, marisco rico ou pratos de aves com texturas cremosas.
Cor amarelo intenso, tonalidade palha brilhante e límpida, joviais reflexos esverdeados. No nariz oferece um bouquet aromático de enorme complexidade e elegância, onde sobressaem notas limpas de citrinos maduros e subtis toques de marmelo, aliadas a uma envolvente camada silvestre, de campo, que evoca erva seca e flores do campo, tudo isto assente num fundo mineral mais profundo e austero, com nuances de sílex e pedra molhada que espelham com pureza o solo granítico de onde provém. Na boca, este branco impressiona pela sua textura densa, sofisticada e pelo volume generoso, mas que se mantém sempre preciso e focado, elegante, com a acidez a operar como grande motor do conjunto, apresentando-se suculenta, vibrante e incrivelmente crocante, equilibrando na perfeição a estrutura do vinho, revelando uma belíssima tensão salina e conduzindo a um final de boca de longa duração e persistência.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Pêra-Manca 2023 Branco

PÊRA-MANCA 2023 BRANCO | ALENTEJO | 13% | PVP  60€
ARINTO, ANTÃO VAZ
FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ALMEIDA
18

No universo dos grandes vinhos portugueses, poucas marcas carregam o peso histórico, o prestígio e a mística da Adega Cartuxa, cujas referências no seu portefólio são reconhecidas mundialmente. O lançamento do Pêra-Manca Branco 2023 surge como a mais recente prova dessa excelência intemporal. 
Nascido no coração do Alentejo, em Évora, este bivarietal de Antão Vaz e Arinto surpreendeu as expectativas ao apresentar uma frescura invulgar, uma acidez tensa e vibrante e uma mineralidade puríssima, sem nunca perder a cremosidade e a estrutura aristocrática que definem o seu ADN. 
Longe de ser apenas um vinho de contemplação ou guarda para um dia especial, reconheço nesta colheita o prazer que garante desde já ao beber e revela-se como um verdadeiro camaleão gastronómico, exigindo pratos à sua altura para brilhar em pleno. 
Para harmonizar com a sua textura rica e o seu final longo e focado, a mesa ideal pede a untuosidade de peixes gordos no forno, como um lombo de bacalhau à lagareiro ou um robalo de mar assado com ervas aromáticas, funcionando também de forma soberba com a opulência de mariscos ricos, como lavagante suado ou carabineiros grelhados, e queijos de ovelha de cura média, onde o equilíbrio entre a sua gordura e a vivacidade do vinho criará um momento memorável.
Cor citrina brilhante, com reflexos palha luminosos, aspeto límpido e jovem. No nariz, a percepção inicial destaca-se pela contenção e elegância, afastando-se de exuberâncias exageradas e fáceis, revelando, à medida que lhe vamos dando tempo,  um bouquet complexo assente em notas de fruta de caroço e polpa branca, como a maçã verde e a pera rocha, envolvidas por subtis apontamentos de casca de tangerina, pólvora e um fundo fumado muito discreto e bem integrado, fruto da sua passagem por madeira. Na boca, a entrada é surpreendentemente tensa e focada, sobressaindo uma acidez cítrica muito viva e vibrante que corta a natural untuosidade do conjunto, conferindo-lhe uma frescura invulgar para o perfil clássico da região. Mostra-se pronto para o momento, revelando, pouco a pouco, a natureza de um corpo de médio-grande volume, sustentado por uma textura cremosa que preenche o palato com grande precisão e amplitude e com uma mineralidade salina quase mastigável que acompanha toda a prova, conferindo-lhe assim uma enorme verticalidade. O final de boca é seco, elegante e imensamente persistente.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Grande Druida Parcela Original 2022 Branco

GRANDE DRUIDA PARCELA ORIGINAL 2022 BRANCO | DÃO | 12% | PVP  44€
ENCRUZADO
C20, LDA
18,5

Esta é uma colheita especial. Marca a décima vindima que o produtor realiza com estas uvas excecionais, provenientes de uma vinha única situada a 500 metros de altitude, onde os solos de granito azul cobertos por uma camada de argila conferem às uvas uma mineralidade e uma tensão ímpares, consolidando uma filosofia de intervenção mínima através de uma fermentação lenta com leveduras indígenas e um estágio de 10 meses em barricas de carvalho francês. O resultado oferece um perfil estruturado, com notas complexas de sílex, tomilho e pólvora, exibindo uma acidez vibrante e uma textura sedutora que garantem um potencial de guarda fora de série. 
À mesa, a sua enorme frescura e complexidade exigem pratos à altura, sendo o par perfeito para peixes gordos assados no forno (como robalo ou corvina), um tradicional bacalhau à lagareiro, carnes brancas estruturadas ou um cremoso Queijo DOP Serra da Estrela.
Cor amarela citrina, muito brilhante e aberta, de reflexos esverdeados, aspecto límpido e jovem. No nariz, a abordagem é dominada por uma enorme sofisticação e contenção inicial, onde o perfil frutado não se sobrepõe à pureza e à forte identidade do lugar, deixando que sobressaiam os aromas limpos e profundos a pólvora e sílex, que nos remetem de imediato para a matriz da pedra granítica, muito bem ladeados por nuances herbáceas de tomilho e vegetal seco,  abrindo, mais tarde, as notas delicadas de casca de toranja, maçã verde e uma subtil sugestão de pastelaria fina e fumo, denunciando uma integração da barrica de carvalho francês absolutamente cirúrgica. Na boca, a entrada é ampla e revestida por uma cremosidade sedutora, mas que é imediatamente dominada e recortada por uma acidez vibrante, elétrica e profundamente salina, existindo um equilíbrio notável entre a textura gorda herdada do estágio e a tensão cortante do Dão, preenchendo o palato com imenso carácter e prolongamento de final de boca incrivelmente longo, muito focado e deixando uma persistência mineral e citrina que convida de pronto ao próximo gole.

terça-feira, 7 de julho de 2026

À Mesa com o Tejo: A experiência sofisticada do Bonança na Doca de Belém


Peixe fresco, esplanada, vista panorâmica e o Tejo como testemunha. O restaurante Bonança atracou na Doca de Belém e transformou a histórica Associação Naval de Lisboa num ponto de encontro mais sofisticado no qual se pode encontrar o equilíbrio perfeito entre pratos de autor, ambiente descontraído e uma lufada de ar fresco para os amantes da boa mesa à beira Rio.

Se a pressa e o reboliço turístico costumam ditar o ritmo de Belém, o Bonança surge como o antídoto perfeito. Esqueçe as filas intermináveis e o barulho dos elétricos. Aqui, o ritmo é outro: é o das marés, o do bater suave dos barcos na doca e o do tilintar dos copos que celebram o início de uma refeição sem pressas. 
Instalado no edifício da Associação Náutica mais antiga da Península Ibérica, o espaço conseguiu a proeza de honrar o peso da história sem se deixar ficar preso ao passado. O resultado? Uma atmosfera que equilibra uma elegância contemporânea com aquela descontração desarmante de quem tem o pé na areia ou, neste caso, o olhar fixo no rio.

Ao cruzar a porta de entrada, após passar pela esplanada, percebemos imediatamente que a viagem começa muito antes dos pratos chegarem à mesa. O restaurante aproveita a escala monumental do edifício histórico, distribuindo-se por dois pisos repletos de contrastes. O rés-do-chão acolhe-nos com a amplitude do antigo hangar e estaleiro de barcos do clube naval, sendo dominado pelo imponente mural de 1940, assinado por Miguel Barrias, que foi meticulosamente restaurado para servir de eixo visual a quem entra. Já a subida ao primeiro andar revela o verdadeiro segredo e a dualidade do espaço. 

É ali que se esconde a mítica sala antiga dos sócios, mantida praticamente sem alterações, envolta em tons de azul-escuro profundos que preservam as madeiras originais, os quadros históricos e o ambiente rústico de uma autêntica cápsula do tempo. A contrastar lado a lado com esta memória intocável, o novo primeiro piso abre-se em espaço e luz funcionando como um mezanino suspenso com uma varanda aberta e vista privilegiada para o Tejo. 

A esplanada, estrategicamente posicionada, serve de camarote de primeira fila para ver o Padrão dos Descobrimentos e o recorte da Ponte 25 de Abril ao fundo.

Mas vamos ao que realmente importa nesta nossa história: a mesa. O Bonança não se apoia apenas na sua localização privilegiada para conquistar o cliente. A verdadeira viagem faz-se através da ementa, uma autêntica ode ao Atlântico e à nossa costa que ganha vida pelas mãos e criatividade do chef Pedro Amendolas. Na cozinha, a liderança do chef reflete um respeito absoluto pela matéria-prima. A frescura do marisco salta imediatamente à vista, mas é o toque contemporâneo da sua equipa que rouba as atenções, provando que o rigor da alta gastronomia não precisa de ser cinzento ou formal demais.
 
Sob a mão precisa do Chef Pedro Amendolas, os pratos tradicionais são elevados a um nível de sofisticação invulgar. Na nossa visita tivemos oportunidade de, numa primeira parte e em modo partilha, várias opções de entrada, como o saboroso e suculento Pica-Pau, o clássico Ameijoas à Bulhão Pato, a vibrante Crudo de Lírio dos Açores, com água de tomate, uva e pinhão e o fresco Carpaccio de Atum Rabilho, com um creme de rábano, alcaparras fritas e azeite aromatizado de pimentos. 
 
Tradição e criatividade. Há técnica, há assinatura de autor, mas acima de tudo há sabor português puro, sem camuflagens escusadas. Numa segunda fase, escolhemos a Tranche de Peixe do Dia Grelhado – Robalo – com legumes assados que trouxe à mesa o peixe inteiro para partilha pelos comensais. A frescura do Robalo e o ponto na grelha fizeram magia. Era preciso algo mais?
 
Na parte mais doce da refeição lugar a duas sobremesas completamente inesperadas, mas também quisemos arriscar. Em primeiro lugar a Mousse de Matcha, Figo Fumado e Amêndoas e depois, o arrojado Pudim Abade de Priscos, Merengue, Frutos Vermelhos e Hibiscus que é uma maravilha e se come sem olhar para trás.
 
A experiência gastronómica ganha ainda mais força quando estendemos o olhar para o copo. A pensar nos finais de tarde que convidam a prolongar a partilha, a carta de cocktails - desenhada pelo Chef de Bar Filipe Ventura - propõe um mergulho em sabores inovadores e curados ao detalhe. 
 
Desde reinterpretações de clássicos a criações de autor que casam na perfeição com a brisa salgada, onde cada bebida é pensada para ser o par ideal, quer para abrir o apetite antes da refeição, quer para desfrutar na varanda enquanto vê o sol esconder-se no horizonte ou, como no nosso caso, para fazer uma pausa entre as entradas e o prato principal. As escolhas recaíram sobre o Atlântico Noir, que é uma excelente alternativa ao meu preferido Negroni embora menos intenso e no best Seller da casa, mais doce, mas com frescura incrível. 
 
Seja para um almoço de negócios que se quer produtivo, mas inspirador, ou para um final de tarde em que o casaco já começa a fazer falta, mas a conversa flui melhor do que nunca, o Bonança cumpre o que promete. É um porto seguro para os amantes da boa mesa que não abdicam da sofisticação, mas que dispensam qualquer tipo de pretensiosismo. Em suma: uma lufada de ar fresco nesta Lisboa à beira-rio.

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BONANÇA - ASSOCIAÇÃO NAVAL DE LISBOA

Tipo de Cozinha: Cozinha Portuguesa Contemporânea
Na Cozinha: Chef Pedro Amendola
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Gratuito no Parque da Estação Fluvial de Belém ou facilitado a partir das 20:00h no parque interior da Marina (com acesso pela Estação Fluvial de Belém).
Preço médio sem bebidas: Carta: 25€ a 50€; Menu Executivo: 24€ (inclui couvert, prato, bebida e café).
Horários: De segunda-feira a quinta-feira das 12:00h às 00:00h; de sexta-feira a sábado das 12:00h às 02:00h; ao domingo das 12:00h às 16:00h
 
Morada: ANL - Doca de Belém 
                1400-038 LISBOA
         
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segunda-feira, 6 de julho de 2026

São Luiz Colheita 2024 Rosé

SÃO LUIZ COLHEITA 2024 ROSÉ | DOURO | 12,5% | PVP  7,50€
TOURIGA NACIONAL TINTA RORIZ, DONZELINHO TINTO, TINTA DA BARCA
SOGEVINUS FINE WINES, SA
16,5

As temperaturas pedem o regresso a um rosé mais descontraído, embora sério o suficiente para conseguir boa presença à mesa e afastar-se do puro conceito de consumo à beira da piscina. Para quem é consumidor habitual deste vinho, por certo irá reparar, num primeiro contacto visual, à diferença na cor em relação a colheitas anteriores. Tonalidade salmão mais intensa, com ligeiro acobreado que parece captar mais a nossa atenção.  Todavia, o próprio perfil está um pouco diferente, expressão natural de um ano diferente e que faz com que esta colheita tenha trocado alguma da opulência e exuberância da fruta por uma tensão mineral acrescida e uma vibração cítrica mais pronunciada. Está mais direto, tenso e vertical do que o seu antecessor, o que o torna ainda mais apetecível para enfrentar os dias quentes com outra sofisticação.
Este registo mais tenso e elétrico recusa o papel de mero figurante à mesa e exige pratos que o acompanhem com destreza, como um tártaro de salmão com abacate, um belo arroz de marisco malandro ou um carpaccio de polvo bem regado com azeite. 
Cor rosa salmão intenso, com reflexos acobreados, casca de alperce, luminoso, aspecto límpido e jovem. No nariz oferece uma abordagem muito directa, limpa e fresca, com notas de fruta vermelha fresca, framboesa e morango ainda meio verde, e fruta citrina, raspa de casca de laranja e toranja, pitada floral mais subtil e componente mineral evidente. Na boca somos surpreendidos por um primeiro ataque revelador de acidez vibrante e elétrica, fazendo guarda de honra à sensação de volume, à estrutura e textura macia, com a fruta sumarenta, fruto vermelho mais acido e algum citrino mais evidente, conjunto com muita precisão e com final de boca longo, seco e convidativo ao próximo gole.

domingo, 5 de julho de 2026

Crista Lusitana Piara 2020 Tinto

CRISTA LUSITANA PIARA 2020 TINTO | ALENTEJO | 14,5% | PVP  9,80€
ALICANTE BOUSCHET, TOURIGA NACIONAL, PETIT VERDOT
CRISTA LUSITANA, LDA
14

Uma nova referência aqui no Comer, Beber e Lazer com um vinho da região do Alentejo, de um produtor com as suas vinhas localizadas em Veiros, no concelho de Estremoz. Casa de produção familiar fundada pelos irmãos Domingos e Ana Prates que juntaram duas paixões sob o mesmo teto: a criação de cavalos Puro Sangue Lusitano e a produção de vinho. 
No copo temos um vinho com a presença herbácea bem vincada, folha de tomateiro e pimento verde, com a fruta a perder protagonismo à medida que o vamos bebendo. No prato, equilibra perfeitamente pratos com alguma gordura ou acidez, como molhos de tomate caseiros, estufados com ervas aromáticas ou carnes grelhadas.
Cor vermelho rubi de média concentração, auréola luminosa, aspecto límpido e jovem. No plano aromático encontramos, numa primeira fase, a fruta preta madura exuberante e em destaque, algum calor a sobressair, licorice, com notas especiadas evidentes, vinco vegetal, verde, folha de tomateiro, que vai tomando conta do bouquet à medida que o tempo passa. Boca de médio porte, textura macia, com ataque vegetal que domina o conjunto, novamente a folha de tomateiro, herbáceo, secura salivante, com amargo final mais vincado, terminando longo e persistente.

sábado, 4 de julho de 2026

Anselmo Mendes Contacto 2024 Branco

ANSELMO MENDES CONTACTO 2024 BRANCO | VINHOS VERDES | 12,5% | PVP  9€
ALVARINHO
ANSELMO MENDES VINHOS, LDA
17,5
 
Um dos vinhos de referência da região dos Vinhos Verdes amplamente reconhecido pela sua excelente consistência de colheita para colheita, frescura e perfil gastronómico apurado. Costuma marcar presença assídua cá por casa, quase sempre passado um ano após o lançamento, dando-lhe algum tempo extra de garrafa e assim despertando um vinho que continua a mostrar toda a vivacidade e juventude voraz, mas com as arestas devidamente arrumadas.
À mesa surge com frequência (bem) associado à presença de marisco e peixe grelhado, olhando também para a cozinha asiática como opção vencedora.
Cor amarelo citrino intenso, reflexos esverdeados, brilhante, aspecto límpido e jovem. No plano aromático apresenta-se elegante e fresco, com notas de fruta tropical, fruta de pomar e citrinos maduros bem ligados, vertente mineral vincada, salino e fresco. Boca de volume médio, textura macia e fina cremosidade, acidez crocante, envolvente, mostrando a fruta sumarenta, boa tensão, prolongada e cativante, registo mui preciso, com término de boca longo e persistente.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Herdade Aldeia de Cima Reserva 2024 Branco

HERDADE ALDEIA DE CIMA RESERVA 2024 BRANCO | ALENTEJO | 13% | PVP  17,50€
ANTÃO VAZ, ALVARINHO, ARINTO
HERDADE ALDEIA DE CIMA DO MENDRO, LDA
17,5

O microclima único da Serra do Mendro, no Alentejo, é berço de eleição para este branco que mostra bem a autenticidade e sofisticação deste terroir de altitude aliado a uma das maiores curiosidades na sua produção no processo de vinificação e estágio diferenciado. De forma resumida, enquanto a casta Antão Vaz estagia em balseiros de carvalho francês para ganhar estrutura e complexidade, o Alvarinho e o Arinto evoluem em depósitos de cimento Nico Velo, um detalhe técnico que lapida a textura do lote sem mascarar a pureza da fruta. O resultado é um branco de perfil seco, untuoso e marcadamente mineral, enriquecido por discretas notas fumadas e nuances salinas. 
À mesa, a sugestão para parceiro gastronómico ideal deve ter em conta os pratos de peixe gordo assado no forno, mariscos ricos ou queijos de ovelha curados. É daqueles com potencial de guarda enorme.
Cor amarelo citrino com reflexos esverdeados, aspecto límpido e jovem. No plano aromático mostra-se elegante e com vinco evidente mineral, de pedra lascada, oferecendo num segundo impacto as notas de fruta madura e fresca, citrinos bem casados com fruta de pomar, polpa branca e amarela,  barrica muito discreta e integrada, sem com o lado mineral a sobressair no conjunto. Boca num registo de equilíbrio entre o lado mais untuoso, corpulento e macio de textura e a vertente vibrante da sua acidez, com tensão e prolongamento, fruta citrina e de caroço, envolvente e energético, com final de boca com belo e longo comprimento.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Kika 2025 Rosé

KIKA 2025 ROSÉ | DOURO | 12,5% | PVP  19,5€
TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, TOURIGA FRANCA
VAN ZELLERS & CO, LDA
17,5

Encontramos aqui mais uma belíssima opção para o combate ao calor destes dias, que foge de um perfil mais pesado normalmente associado ao Douro, apostando num registo de maior leveza, abdicando do estágio em barrica e oferecendo um registo no qual é dada primazia à pureza da fruta, cheio de texturas, muito elegante, tensão duradoura e com grande presença à mesa onde esta precisão e acidez vibrante se revelam par ideal para momentos de partilha sofisticados, harmonizando na perfeição com a frescura de ostras e mariscos, a delicadeza do sushi e do sashimi, a cremosidade de uma autêntica burrata com tomate e manjericão ou simplesmente com uma dose generosa de frutos vermelhos e pretos silvestres variados.
O nome Kika não é acidental. Curto, afectuoso, fácil de pronunciar, é um nome que se usa com quem se gosta mesmo. Uma filosofia que resume a proposta de proximidade, alegria e carácter sem pretensão deste vinho.
Cor rosa salmão intenso, luminoso, aspecto límpido, jovem e atrativo. No nariz entramos no reino da fruta vermelha madura e fresca, morango, romã e framboesa, subtil componente citrina, toranja e raspa de casca de laranja, vinco mineral em fundo.  Boca vibrante, num primeiro ataque cheio de vida, com textura crocante e de médio volume, secura fina, prolongada, fruta em bom plano e bonita, num registo sofisticado, elegante e harmonioso, preenchendo o palato com leveza e uma certa sensação salina, com longo final de boca.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Mirabilis 2023 Branco

MIRABILIS 2023 BRANCO | DOURO | 14% | PVP  58€
VINHAS VELHAS
QUINTA NOVA DE NOSSA SENHORA DO CARMO, SA
18,5

Se há um vinho capaz de fazer parar o trânsito no mundo dos brancos em Portugal, esse vinho é este Mirabilis produzido pela Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo no Douro. As uvas vêm de vinhas centenárias, com mais de 70 anos, plantadas a mais de 500 metros de altitude, num daqueles cantinhos mágicos onde o solo deixa de ser o xisto habitual do Douro e passa a ser granito puro. Um vinho minimalista, onde a madeira não esconde nada e a mineralidade do solo brilha ao máximo, com grande precisão no registo, singularidade e com potencial de guarda gigante. À mesa será escolha perfeita para impressionar num jantar especial, brilhando ao lado de pratos ricos como um peixe gordo assado no forno, um bacalhau bem regado com azeite de qualidade ou arroz de mar caldosos e cheios de sabor.
Cor amarela cítrica muito limpa e luminosa, reflexos esverdeados, aspecto límpido e mantendo-se incrivelmente jovem . No nariz, o passar dos três anos desde a colheita até ao nosso copo adicionou-lhe uma camada de complexidade extra, revelando notas iniciais de fruta branca de caroço e leves apontamentos cítricos em fusão perfeita com uma faceta floral elegante, nuances discretas de baunilha e um toque especiado que lembra o cravinho, brilhando a sua assinatura mineral com notas de pólvora e granito molhado, mostrando-se vivo e desafiante a cada momento. Na boca impressiona pelo contraste e equilíbrio, diria que viciante,  entre o volume mais sedoso e untuoso, cheio de textura e corpo,  e a sua acidez cortante, vertical e crocante que nos assalta o palato, nos dá tensão e apontamentos salinos, provocando a repetição do acto, dando prazer e terminando infinitamente longo.