Mostrar mensagens com a etiqueta Vinho Branco. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vinho Branco. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Carvalhas 2020 Branco

CARVALHAS 2020 BRANCO | DOURO | 13% | PVP  29,90€
GOUVEIO, VIOSINHO
REAL COMPANHIA VELHA, SA
18

Passados já seis anos após a colheita fui recentemente surpreendido pela forma como o tempo assentou neste branco da Real Companhia Velha. Mantém uma expressão luminosa, fresca e muito viva, mas já revela uma complexidade que vai mais além da fruta primária. A nota da passagem pela barrica, bem presente no seu percurso, aparece agora perfeitamente integrada, enquanto a acidez continua a dar-lhe nervo e equilíbrio. Um branco duriense que mostra como algumas referências ganham ainda mais interesse quando deixadas evoluir em garrafa e descobrimos que nem perderam a identidade nem a frescura que lhes deram origem.
À mesa brilha. Poderia ficar somente por esta afirmação, mas acrescento que estamos perante um daqueles brancos que permitem alguma latitude no prato. Peixe assado no forno, robalo ou dourada grelhados, mariscos, arroz de tamboril ou mesmo um bacalhau de preparação mais simples serão boas companhias. 
Cor amarela citrino definido, luminosa e brilhante, nuances esverdeadas, aspecto límpido e ainda pouco demonstrador da sua idade. No nariz surge exuberante e vivaz, dominado pelo fruto citrino e de pomar, com notas de pêssego, limão e mel, acompanhadas por pimenta branca e uma sugestão mineral de pedra lascada. A barrica, que faz parte do perfil deste vinho, está agora muito bem integrada, presente, mas sem se impor, contribuindo mais para a complexidade do conjunto do que para uma marca evidente de madeira. É um nariz rico, complexo e muito expressivo.
Em boca revela volume e corpo, mas mantém uma elegância que impede que o conjunto se torne pesado, mostrando uma bela textura e uma presença subtil da barrica, com entrada com pés de veludo, quase sedoso, mas rapidamente ganha tensão através de uma acidez crocante, vibrante e cheia de nervo, mostrando-se envolvente, com prolongamento e uma persistência muito convincente, terminando longo e fresco. Um branco que aos seis anos demonstra uma evolução muito equilibrada, conservando fruta, frescura e vivacidade enquanto acrescenta complexidade e profundidade. Grande final.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Código Granius 2024 Branco

CÓDIGO GRANIUS 2024 BRANCO | DÃO | 12% | PVP  18€
MALVASIA FINA, BICAL
NO RULES WINES, LDA
17,5

A recente conquista do título de Master of Wine pelo Tiago Macena deu-me um bom pretexto, como se fossem precisas justificações solenes, para voltar a olhar com atenção para os vinhos em que coloca o seu conhecimento e a sua forma de entender o Dão. O Código Granius Branco 2024 chegou-me ao copo com essa curiosidade adicional, mas acabou por valer sobretudo pelo que encontrei dentro da garrafa. Malvasia-Fina e Bical, granito, frescura e uma acidez que dá ao vinho uma energia muito própria, complementada por uma maior precisão que o 2022 que também provei no passado. Deixou-me a sensação de um branco que sabe exactamente o que quer ser. Fresco, directo e gastronómico, sem procurar mais protagonismo do que aquele que a sua origem e as castas lhe impõem. 
À mesa também vamos por este caminho mais directo sugerindo o peixe grelhado, o marisco, saladas e ceviches mais compostos. A cozinha regional portuguesa onde o azeite e o peixe mais gordo têm papel de destaque também serão escolha acertada.
Cor amarela citrino aberta, luminosa e brilhante, nuances esverdeadas, aspecto límpido e jovem. No plano aromático encontramos um bouquet marcado pelo granito, no qual as notas de pedra lascada, chão molhado e subtil fósforo,  se entrelaçam com as notas de fruta citrina e de pomar, limonado, fina componente vegetal, pederneira, rico e desafiante, embora elegante e fresco. Boca de médio volume, com cremosidade envolvente, textura macia, com acidez vibrante e vivaz, ficando a trabalhar horas extra, conjunto muito equilibrado entre a fruta e a componente mineral, registo preciso, imperando o equilíbrio, a vivacidade e o nervo que lhe dá impulsão, limpando tudo e com final de boca longo, persistente e elegante. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Quinta da Extrema Edição II 2017 Branco

QUINTA DA EXTREMA EDIÇÃO II 2017 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  34,90€
ENCRUZADO, RABIGATO
COLINAS DO DOURO SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
18

No meu copo está um daqueles brancos durienses que ajudam a desmontar a ideia de que os grandes vinhos da região têm necessariamente de ser tintos e que os brancos são para beber jovens. O produtor indica-o como um vinho pensado para evoluir vários anos em garrafa. E assim é. Se não contar com as boas particularidades do tempo de espera – 9 anos -, o vinho está como novo. Tendo em conta que vos estou a falar de um 2017, acho particularmente interessante o facto de todas as minhas notas continuarem a apontar para frescura, tensão e capacidade de continuar em evolução. Classifico-o como o tipo de branco que vale a pena beber com alguma atenção - e não demasiado frio -deixando-o respirar no copo e que fale connosco.
À mesa pede comida com alguma complexidade. Peixe assado, bacalhau, marisco, aves ou mesmo pratos de cogumelos estarão à altura da sua textura e acidez. Com pratos mais delicados, a sua elegância pode sobressair e com pratos com alguma gordura, a acidez ganha ainda mais sentido.
Cor amarelo citrino com tonalidade palha, mostrando ainda reflexos esverdeados e aspecto jovem, límpido e brilhante. No plano aromático compro que o tempo parece ter-lhe feito particularmente bem. Mantém um perfil muito elegante e contido, com citrinos, toranja, maçã e notas de pedra lascada, sílex, acompanhadas por nuances discretas de pastelaria e madeira. Tudo muito fino e harmonioso. Não é um vinho exuberante que procura impressionar pela intensidade aromática, a sua força está precisamente nesta subtileza e definição. Na boca mostra-se cremoso, amplo e tenso, com uma acidez muito viva que lhe dá nervo e prolonga todo o conjunto, oferecendo boa textura, mas também uma componente crocante e mineral que impede qualquer sensação de peso extra. O final é longo, persistente e surpreendentemente fresco para um branco com esta idade.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Grandjó Late Harvest 2021 Branco

GRANDJÓ LATE HARVEST 2021 BRANCO | DOURO | 12% | PVP  37,50€
SEMILLON
REAL COMPANHIA VELHA, SA
18,5

Sempre que o Grandjó Late Harvest me chega ao copo cresce em mim um misto de ansiedade e nervoso miudinho que me assalta os sentidos de forma quase incontrolável.  Não apenas por ser uma das referências históricas da Real Companhia Velha nos vinhos doces, mas porque conheço bem as suas colheitas, que considero particularmente marcantes, e que me conduzem à ideia de que estou na presença do melhor Late Harvest nacional.  Depois de provar o 2021,  não tenho grandes dúvidas em afirmar que o coloco ao nível do que encontrei no 2013 e principalmente no 2007.
E não o faço numa comparação feita apenas pela memória. Há vinhos que impressionam pela intensidade e outros que nos conquistam pelo equilíbrio entre todas as suas componentes. Este Grandjó consegue precisamente isso. A doçura está lá, generosa e envolvente, mas encontra uma acidez que lhe dá nervo e impede qualquer sensação de peso. É um vinho concentrado, complexo e profundo, mas simultaneamente muito fresco e elegante.
Sem dúvida, uma daquelas provas em que, terminado o vinho, fica a sensação de ter estado perante algo especial, um Late Harvest de excelência, que colocaria ao lado dos grandes nomes mundiais. E isso, para mim, diz praticamente tudo.
À mesa, acompanha naturalmente sobremesas à base de fruta, frutos secos, caramelo ou chocolate branco, mas é com foie gras, queijos azuis ou queijos de pasta mole e alguma intensidade que coloco as minhas fichas e onde creio que revela das suas melhores combinações.
Cor amarela de tonalidade dourada intensa, brilhante e luminosa, aspecto límpido e cativante. Plano aromático de enorme complexidade, começando por revelar fruta madura de caroço, notas de alperce e citrinos confitados, mel e flores secas, a que se juntam sugestões de frutos secos, especiarias e uma componente ligeiramente caramelizada. A presença da botrytis acrescenta aquela dimensão por vezes difícil de descrever, mas imediatamente reconhecível, entre a fruta muito madura, o mel e uma delicada componente especiada. Um aroma profundo, que vai ganhando novas camadas à medida que permanece no copo. Na boca é simplesmente magnífico. Sem ser de uma densidade pesada, revela-se cremoso e envolvente, de entrada doce e mais concentrada, mas rapidamente a acidez assume o papel fundamental de equilibrar toda essa riqueza. Há fruta madura, citrinos, mel e frutos secos, acompanhados por uma textura untuosa, mas nunca pesada. Consigo perceber esta concentração impressionante, mas o vinho mantém uma frescura que o torna perigosamente fácil de beber. O final é muito longo, persistente e equilibrado, deixando uma combinação de doçura e frescura.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Dominio del Águila Albillo Viñas Viejas 2016 Branco

DOMINIO DEL ÁGUILA ALBILLO VIÑAS VIEJAS 2016 BRANCO | RIBEIRA DEL DUERO (ESP) | 13,5% | PVP  249€
ALBILLO MAYOR
DOMINIO DEL ÁGUILA, SL
19

Este é um daqueles brancos que nos obrigam a repensar a ideia que temos sobre o que pode ser um vinho branco e por isso merece aqui um maior enquadramento para que possa ser entendido com propriedade. Não vamos em modo prova cega. Sabemo-lo proveniente de vinhas velhas com mais de 100 anos da casta Albillo Mayor, em La Aguilera, na Ribera del Duero, situadas entre os 800 e os 900 metros de altitude, em solos de areia argilo-calcária, argila e cascalho. A vindima é manual, com prensagem de cachos inteiros e lenta fermentação natural em barricas de carvalho francês, seguindo-se um longo estágio sobre borras finas. É um vinho produzido com uma lógica de guarda, claramente para deixar o tempo trabalhar a matéria-prima, com uma ambição que o aproxima mais de alguns grandes brancos de longa evolução do que da imagem habitual de um branco espanhol.
Em 2024, já com oito anos de idade, tive o prazer de o beber e mostrou precisamente por que razão este vinho é tão procurado. Longe de revelar sinais de cansaço, apresentou uma complexidade que o tempo de garrafa começou a tornar ainda mais evidente, mantendo uma frescura e uma tensão absolutamente notáveis. Era já um branco com outra dimensão, onde a fruta primária tinha dado lugar a uma expressão mais profunda, mineral e muito subtil de evolução. Quanto à passagem por barrica, percebemos desde logo não a procurar esconder, mas antes oferecê-la integrada, numa estrutura onde fruta, mineralidade, acidez e tempo trabalharam em conjunto.
À mesa pede comida com alguma presença e estatuto. Funcionará muito bem com peixe assado ou grelhado, mariscos mais estruturados, polvo, aves assadas e pratos de cogumelos, mas também com queijos curados. A sua acidez e componente salina conseguem cortar a riqueza dos pratos, enquanto a textura e a evolução acompanham preparações mais elaboradas.
Cor amarela, tonalidade pálida evoluindo para um dourado ligeiro, brilhante e de aspecto ainda muito vivo e jovem. No nariz revela desde logo a sua complexidade, com fruta branca madura e notas de fruta de caroço, acompanhadas por sugestões cítricas, ervas secas e flores já ligeiramente secas ou a caminho disso, acompanhando subtis apontamentos minerais e de sílex lascado, fumo muito fino, cera de abelha, frutos secos e uma discreta componente tostada, mas integrada, resultado do longo estágio em madeira. Arrebata e enamora-nos os sentidos. Na boca é onde mais me impressionou. Amplo, denso e envolvente, mas sem perder tensão, mostra uma acidez muito bem preservada que dá equilíbrio à sua concentração. A fruta surge madura, acompanhada por sensações minerais, salinas e ligeiramente fumadas. Por sua vez, a madeira está presente, mas mais uma vez, integrada, funcionando mais como elemento de complexidade do que como protagonista, revelando um perfil com textura, profundidade e uma persistência notável, dando a saber que a evolução apenas lhe acrescentou camadas sem lhe retirar energia, terminando longo, fresco e salino.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Atlantis Reserva Verdelho 2020 Branco


ATLANTIS RESERVA VERDELHO 2020 BRANCO | DOP MADEIRA | 12% | PVP  29€
VERDELHO
MADEIRA WINE COMPANY, SA
17

Nasce num contexto de solos vulcânicos e influência atlântica, feito exclusivamente a partir da casta verdelho de uma parcela única na zona da Raposeira, na costa oeste da Madeira, não me escondendo desde o primeiro contacto, a sua proveniência e encontrando no estágio uma forma de ganhar dimensão sem perder sua frescura que está na sua identidade. Já com alguns anos de garrafa, é um daqueles brancos que nos pedem algum tempo no copo, algum namoro prévio ao casamento,  não se revelando apenas a fruta ou a frescura imediata, mostrando antes uma dimensão mais séria, onde a casta, o lugar e o estágio se encontram em equilíbrio.
A conversa com ele no copo é deveras interessante. A fruta já não aparece com a mesma exuberância de um branco jovem e imediato, dando lugar a uma expressão mais composta, onde a frescura continua a ter um papel decisivo, sendo precisamente aí que este Verdelho encontra o seu equilíbrio entre a passagem do tempo, a acidez que ainda lhe dá nervo e uma dimensão mais séria que o torna particularmente interessante à mesa.
Andou por maridagens de marisco de debulha e boa converseta, mas sem grandes complicações fará também companhia acertada com peixe assado, arroz de marisco, carnes brancas ou pratos onde exista alguma gordura que encontrarão na sua acidez e textura um bom contraponto. 
Cor amarelo com tonalidade dourada, luminosa, brilhante e já com sinais naturais de alguma evolução, sendo que, desde logo, mostra que já percorreu algum caminho. No nariz surge mais contido do que seria expectável mantendo a fruta bem presente, mas um pouco mais madura e integrada, acompanhada por sugestões cítricas, uma componente mineral, salina bem definida e discretas notas de evolução. A madeira não se sobrepõe, funcionando antes como uma camada adicional de complexidade. Na boca contamos com uma entrada envolvente, alguma amplitude e uma textura que o torna sério, mas é a acidez que mantém tudo no lugar. Fresco, seco e com boa tensão, vai revelando diferentes dimensões à medida que passa pelo palato, terminando longo, mineral e com boa persistência.
Não é o vinho que provavelmente encontraria na sua juventude. É outra coisa, e talvez seja precisamente aí que reside o seu interesse. A fruta perdeu algum protagonismo, ganhou complexidade e o conjunto mostra hoje uma maior integração. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Quinta dos Aciprestes 2025 Branco

QUINTA DOS ACIPRESTES 2025 BRANCO | DOURO | 13,5% | PVP  9,90€
RABIGATO, VIOSINHO, ARINTO  
REAL COMPANHIA VELHA
16,5

Um vinho que se afirma precisamente por não procurar ser mais do que aquilo que é e que encontra o seu lugar de forma natural. Um perfil fresco e directo, criado a partir das castas Rabigato, Viosinho e Arinto, que encontram aqui espaço para mostrar a sua componente aromática, a acidez e a frescura, preservando a sua expressão e a do terroir duriense onde nascem.
À mesa mostra bem a sua versatilidade. Mariscos, peixe grelhado e sushi são combinações naturais, mas também pratos onde exista alguma gordura ou intensidade de sabor beneficiam da sua frescura. Um bom peixe no forno, umas amêijoas à Bulhão Pato ou até uns enchidos de porco preto podem criar ligações particularmente interessantes.
Cor amarelo-citrino intenso, brilhante e luminosa, de aspecto límpido e jovem. Aromaticamente abre com notas de citrinos e fruta branca, acompanhadas por discretos apontamentos vegetais que lhe acrescentam dimensão, num conjunto limpo, fresco e bastante convidativo, sem procurar excessos de exuberância, mas revelando um perfil pronto e elegante. Na boca confirma a impressão deixada pelo aroma, oferecendo uma entrada fresca, boa textura e uma estrutura que lhe dá mais presença do que seria expectável num branco pensado para ser consumido jovem. A acidez está bem integrada, conduzindo a prova com dinamismo e deixando no final uma sensação refrescante e persistente. É um branco equilibrado, gastronómico e fácil de perceber, mas que não se limita a ser simplesmente fácil de beber.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Várzea da Pedra Branco Macerado 2023 Branco

VÁRZEA DA PEDRA BRANCO MACERADO 2023 BRANCO | IVV | 12,5% | PVP  11,49€
VINHAS VELHAS, ALICANTE BRANCO, ARINTO, FERNÃO PIRES, MALVASIA-REI, MOSCATEL GRAÚDO, SEARA-NOVA, MOSCATEL GRAÚDO, SEARA-NOVA, VIOSINHO, VITAL
QUINTA VÁRZEA DA PEDRA, LDA
17,5

Confesso que cada vez me dá mais prazer beber brancos com este perfil, longe do branco convencional, esquecendo a cor no copo e apreciando um jogo de aromas rico e desafiador, enquanto, na boca, há estrutura, acidez vibrante, secura salivante e sensação tânica que nos leva a querer puxar por comida quase de imediato. 
Versátil e prazeroso, consegue fazer maridagens de sucesso com tártaros de peixe ou carne, peixe frito, carnes grelhadas e queijos com algum tempo de cura e de média intensidade. 
Cor amarelo intenso, reflexos dourados, aspecto límpido, atraente e, neste caso, contrário à idade do vinho. Nariz de perfil levemente evolutivo, fruta de caroço e citrina com tempo, casca de citrino, toranja e laranja, floral, camomila, cera de abelha, faceta salina e mineral, num contínuo passo elegante e fresco. Boca com primeiro ataque cheio de fruta citrina, a secar de imediato o palato, laranja e toranja, cheio de energia e equilíbrio, boa tensão, sensação tânica, envolvente, harmonioso, dá prazer ao beber e a levá-lo à mesa, final de boca longo e guloso.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Quinta do Sampayo 2025 Branco

QUINTA DO SAMPAYO 2025 BRANCO | TEJO | 12% | PVP  12€
FERNÃO PIRES, ARINTO
QUINTA DO SAMPAYO - AGROSEBER, SA
16,5

Despertou-me, desde o primeiro momento, grande curiosidade por ser o primeiro vinho desta casa em que a ânfora é utilizada no estágio, juntando esta novidade à expressividade aromática da Fernão Pires e à frescura da Arinto. Um branco que, mesmo antes de abrir a garrafa, me deixou antever uma procura de frescura e leveza, mas também algo mais, possivelmente uma dimensão extra que a utilização da ânfora lhe poderia acrescentar. 
Já no copo, facilmente constatamos que essa opção trouxe uma dimensão diferente ao conjunto, acrescentando interesse e alguma profundidade sem esconder aquilo que mais importa: a identidade das castas e a frescura que se espera de um branco feito para a mesa. 
Sem dúvida, é precisamente aí que me parece ganhar ainda maior graça, acompanhando a refeição com a mesma naturalidade com que convida a mais um copo. À mesa, a frescura e a leveza deste branco pedem pratos igualmente delicados, encontrando nos peixes grelhados, mariscos e saladas uma companhia natural. 
Cor amarela citrina, leve tonalidade palha, aberta, com um discreto laivo esverdeado, luminoso, límpido e jovem. No nariz revela boa intensidade aromática, embora um pouco tímido no inicio, com a fruta fresca de pomar e citrina a assumir o protagonismo, acompanhada por notas florais e subtil presença mineral que lhe confere vivacidade e maior complexidade. Na boca mostra-se fresco, leve e equilibrado, de médio volume, com uma acidez bem definida que percorre o palato e lhe dá dinamismo, com prolongamento e tensão, mantendo-se presente a fruta, acompanhada por uma textura que lhe acrescenta alguma dimensão e evita que a leveza se confunda com simplicidade. Final de boca longo (muito longo), fresco e elegante.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Quinta de Cidrô Sauvignon Blanc 2024 Branco

QUINTA DE CIDRÔ SAUVIGNON BLANC 2024 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  16€
SAUVIGNON BLANC
REAL COMPANHIA VELHA, SA
16,5

A casta sauvignon blanc encontrou no terroir duriense da Quinta de Cidrô um berço inesperado para mostrar uma faceta diferente da sua personalidade. Aqui parece ter encontrado condições para se afastar um pouco do perfil mais previsível da casta e revelar uma expressão própria, marcada pela frescura e pela intensidade aromática oferecendo um perfil vivo e expressivo, onde a fruta e as notas vegetais se cruzam com uma acidez que lhe dá nervo e equilíbrio.
À mesa, é precisamente esta frescura que abre caminho a diferentes possibilidades. Vais encontrar nos mariscos e no peixe uma companhia natural, mas também criará boas ligações com saladas, pratos de cozinha asiática ou preparações onde ervas aromáticas e ingredientes de perfil mais vegetal ganhem protagonismo. Um branco que pede comida, mas que também se deixa beber com facilidade num final de tarde, quando a conversa se prolonga e o copo vai ficando, naturalmente, mais vazio.
Cor amarelo citrino brilhante e com leve tonalidade esverdeada, aspecto límpido, jovem e atrativo. No plano aromático é um verdadeiro reboliço para o olfacto, com uma intensidade aromática que rapidamente prende a atenção e se dá a conhecer revelando a fruta em várias dimensões, entre notas cítricas e tropicais, acompanhadas por sugestões vegetais mais características da casta, criando um primeiro impacto muito expressivo, fresco e de boa complexidade. Revela ainda bem medida componente mineral que acrescenta outra camada ao aroma e ajuda a manter o equilíbrio e a finesse, sem deixar que a exuberância se sobreponha à elegância. Na boca continuamos o registo de elegância e finesse já sentida no nariz, mostrando-se vivo e vibrante, com uma acidez firme que percorre o palato e lhe dá nervo e dinamismo, com a fruta fresca e bem definida, acompanhada pelas notas vegetais, enquanto a estrutura mantém o conjunto equilibrado e muito refrescante. Final de boca limpo, persistente e com uma sensação de frescura que permanece depois do último gole.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Casa de Sabicos Joaquim Madeira 2006 Branco

CASA DE SABICOS JOAQUIM MADEIRA 2006 BRANCO | ALENTEJO | 14% | PVP  40€*
ANTÃO VAZ, ARINTO, CHARDONNAY
CASA AGRÍCOLA SANTANA RAMALHO, LDA
16,5

O ano de 2026 tem-me levado à abertura de vinhos com uma década ou mais de garrafa. Não por uma questão de celebração, mas sobretudo pela curiosidade de perceber o que o tempo pode revelar em vinhos que, muitas vezes, não foram pensados para uma guarda tão prolongada. 
Este Casa de Sabicos enquadra-se perfeitamente nesse propósito. Não procura impressionar pela exuberância nem pela força, conquista pela serenidade com que revela cada aroma, cada textura e cada detalhe acumulado ao longo dos anos. É um branco que pede tempo no copo, convida à conversa e recompensa quem resiste à tentação de o desvendar à pressa.
A evolução é evidente, mas longe de representar um sinal de declínio, traduz-se numa identidade mais rica e cativante. Os aromas evocam memórias de frutos secos, casca de laranja e delicadas notas de pastelaria, enquanto a boca surpreende pela frescura que ainda conserva, sustentada por uma acidez viva e um equilíbrio que lhe confere elegância do princípio ao fim. É precisamente este contraste entre maturidade e vivacidade que torna a prova tão envolvente e memorável.
À mesa, merece pratos preparados com o mesmo respeito que demonstra no copo. Bacalhau assado, peixes de forno, marisco, arrozes ricos ou aves de carne branca encontram neste vinho um parceiro natural, capaz de valorizar os sabores sem nunca os dominar. 
Cor amarela de tonalidade âmbar, aberta, luminosa, límpida e sem esconder a idade já avançada. Impressiona na componente aromática, com notas sedutoras, mas elegantes, de frutos secos, casca de laranja desidratada, bolo de laranja e subtis apontamentos de pastelaria, sempre num registo de equilíbrio e elegância, desafiando os sentidos e prendendo a atenção.
Na boca revela ainda uma vivacidade notável, acidez saliente, subtil tensão e bom comprimento. Apresenta corpo de médio volume, textura macia, citrinos em fundo e amêndoa seca, num registo sedutor e equilibrado, culminando num final de boca médio-longo.

*valor encontrado em garrafeiras embora sem stock.

sábado, 1 de agosto de 2026

Vilar Torpim 2024 Branco

VILAR TORPIM 2024 BRANCO | BEIRA INTEROR | 12,5% | PVP  11€
SÍRIA, FONTE CAL, ARINTO
AGROCARDO, SA 
16
 
Um vinho bem representativo do perfil fresco e vibrante dos vinhos brancos das Beiras. Jovem, equilibrado e de expressão aromática limpa, privilegia a fruta e a acidez, resultando num conjunto leve e muito agradável, ideal para momentos descontraídos à mesa ou como aperitivo, embora a sua frescura o potencie como excelente acompanhamento para peixes e mariscos, saladas, carnes brancas e pratos de inspiração mediterrânica.
De cor citrina clara e brilhante, com reflexos esverdeados, apresenta-se límpido, revelando desde logo a sua juventude. No nariz evidencia uma expressão aromática fresca e envolvente, marcada por delicadas notas florais, frutos cítricos e sugestões de maçã verde, complementadas por um subtil apontamento mineral que reforça a sua elegância. Em boca confirma as expectativas criadas pelo aroma, revelando-se leve, equilibrado e sustentado por uma acidez viva que imprime grande frescura ao conjunto. A boa harmonia entre fruta, mineralidade e acidez confere-lhe dinamismo e precisão, prolongando-se num final persistente, limpo e muito refrescante.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

O Novo Capítulo da Quinta dos Frades: Identidade Renovada, Gama Reorganizada e Aposta no Enoturismo

 
Uma das propriedades mais antigas do Douro une a herança do passado à modernidade do futuro. A Quinta dos Frades apresenta uma nova imagem e rótulos redesenhados, acompanhados por uma gama de vinhos perfeitamente estruturada para o mercado atual. Uma renovação profunda que se estende ao enoturismo, com experiências imersivas criadas para celebrar o património duriense.
 
A Quinta dos Frades, uma das propriedades mais emblemáticas e imponentes da Região Demarcada do Douro, acaba de iniciar um novo capítulo na sua longa história com uma profunda renovação estratégica da sua marca. Unindo uma herança secular e o respeito pelo seu património vitivinícola ao dinamismo do mercado atual, o produtor apresenta uma identidade visual completamente revitalizada, acompanhada por novos rótulos que trazem mais sofisticação e elegância às garrafas. Esta evolução estética reflete-se também no portefólio, que passou por uma reorganização estrutural na gama de vinhos com o objetivo de deixar bem claro os seus diferentes perfis, que vão desde referências mais frescas e acessíveis até aos topos de gama focados na expressão máxima e pura das suas vinhas centenárias. 
 
Além das novidades no copo, a casa reforça fortemente a sua aposta no enoturismo no Douro, abrindo as portas da propriedade para proporcionar experiências imersivas que celebram a sua riqueza arquitetónica, as suas paisagens marcantes e a cultura vitivinícola da região.
 
Esta nova era da Quinta dos Frades é indissociável da sua equipa técnica. Desde a vindima de 2023, o conceituado enólogo Diogo Lopes juntou-se a Anselmo Mendes na condução dos destinos vitivinícolas da propriedade. Reconhecido como um dos nomes mais brilhantes da sua geração, Diogo Lopes trouxe o seu espírito experimentalista e um foco rigoroso no estudo minucioso de cada parcela do terroir histórico da quinta. Esta sinergia na enologia foi o pilar decisivo para redesenhar o perfil dos vinhos da casa, afinando a frescura, a elegância e garantindo a máxima pureza na interpretação das vinhas velhas e centenárias que fazem a fama da propriedade.
 
A mudança estética da Quinta dos Frades vai muito além de uma simples atualização gráfica. O novo posicionamento visual foi desenhado para honrar o legado histórico da propriedade, conferindo-lhe simultaneamente uma imagem contemporânea, sofisticada e altamente competitiva. Os novos rótulos surgem mais limpos, elegantes e com uma organização visual que facilita a leitura e a identificação da marca nas prateleiras e garrafeiras. 
 
No mesmo sentido, com o objetivo de tornar o seu portefólio mais legível e segmentado, o produtor reorganizou estrategicamente a sua gama de vinhos do Douro. 
A estrutura divide-se agora de forma clara em três patamares de excelência: Frades (Gama de Entrada): desenhada para o consumo quotidiano e momentos informais de partilha; Quinta dos Frades Reserva: o equilíbrio perfeito entre a vivacidade da fruta colhida em parcelas mais jovens e a complexidade estrutural típica das vinhas velhas da casa, com um estágio equilibrado em madeira; Quinta dos Frades Vinhas Centenárias: o topo de gama incontornável da casa, agora apresentado sob a chancela de Grande Reserva. 
Abaixo as notas de prova das novidades apresentadas neste dia. 

FRADES 2024 BRANCO | DOURO | 13% | PVP  8,90€
MALVASIA FINA, GOUVEIO, RABIGATO
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
16,5
Cor amarelo citrino, aberto e luminoso, leves esverdeados, límpido e jovem. Nariz elegante e fresco, com notas de fruto citrino aliadas às de fruta de caroço, fruta de pomar, subtil pincelada floral, marca pedregosa e mineral. Boca de médio volume, textura macia, acidez vibrante, acídula, com boa secura e tensão, salivante, mostrando bem a fruta fresca, terminando longo e elegante.
 
FRADES 2023 TINTO | DOURO | 14,5% | PVP  8,90€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
16
Cor vermelho rubi de média concentração, límpido, lágrima chorosa, jovem. No plano aromático oferece a fruta vermelha e preta silvestre madura e fresca, alguma cereja e ginja, bem enleada em subtis notas de esteva, violeta e mato seco. Boca de médio corpo, vivaz e elegante, acidez no ponto, deixando brilhar a fruta, tanino polido, com final de boca longo e prazeroso.  
 
QUINTA DOS FRADES 2024 ROSÉ | DOURO | 13% | PVP  16€
TOURIGA NACIONAL
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
17,5
Cor rosa aberto, com tonalidade salmão, casca de alperce, luminoso, brilhante e cativante. Muito delicado e fino de aromas, muito limpo, com a fruta vermelha silvestre bem casada com notas florais frescas e bem medidas, com subtil recorte mineral em fundo, sempre presente. Na prova de boca continua a mostrar um registo de elegância e delicadeza notáveis, texturado, macio, médio volume, seco, vibrante e com longo final de boca.
 
FRADES RESERVA 2024 BRANCO | DOURO | 13% | PVP  16€
VIOSINHO, RABIGATO, DONZELINHO, MALVASIA FINA
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
17
Cor amarelo citrino, definido, com nuances esverdeadas, aspecto límpido, brilhante e jovem. Plano aromático rico e mais complexo, revelando a fruta citrina e os frutos de caroço bem casados, mostrando componente especiada em fundo, ligeira tostas e o vinco mineral bem evidente. Boca com um primeiro ataque mais cheio e volumoso, textura macia e com alguma cremosidade, mostrando a acção da passagem por barrica, seguida de acidez ajustada, fina, equilibrando o conjunto, oferecendo vida e prazer ao beber, terminando longo e com grande frescura.
 
QUINTA DOS FRADES RESERVA 2021 TINTO | DOURO | 14% | PVP  16€
TOURIGA FRANCA, TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, FIELD BLEND
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
17,5
Cor vermelho rubi de média concentração, auréola luminosa, aspecto límpido e de tez jovem. Elegante de aromas, revelando a fruta preta madura de forma mais exuberante e intensa, com vertente floral bonita, notas subtis de baunilha e tostados delicados, alguma folha de tabaco, especiaria fina. Grande frescura na prova de boca, com volume médio, mas com estrutura e firmeza, textura macia e aveludada, acidez fina, com secura gradual e acolhedora, fruta fresca bonita, sabor, tanino domado, conjunto uno e harmonioso, com final de boca longo e persistente.  
 
QUINTA DOS FRADES VINHAS CENTENÁRIAS GR 2017 TINTO | DOURO | 14,5% | PVP  32€
VINHAS VELHAS
FRACASTEL - COMÉRCIO DE VINHOS, SOC. UNIPESSOAL, LDA
18
Cor vermelho rubi intenso, média concentração, sem revelar a sua idade por completo, apresentando-se visualmente jovem. Nariz rico e complexo, ao mesmo tempo que se mostra fino e aristocrático, revelando a fruta preta madura muito fresca e limpa, casada na perfeição com as notas que lhe chegam pela passagem em barrica e pelo tempo de espera, componente fumada, subtil, tostados leves, especiaria fina, desafiante e conquistador. Boca de grande poderio, com estrutura e volume, cheio de energia e vida, textura sedutora, tanino encorpado e bem presente, firme, mostrando-se sem vergonha, num conjunto onde a fruta se mostra bem aninhada em cada pormenor, dando prazer a beber, antevendo potencial de continuação de guarda generosa, terminando longo e elegante.

Paralelamente às novidades engarrafadas, a Quinta dos Frades reforça o seu papel como destino obrigatório no enoturismo do Douro. A propriedade abre as portas ao público com um programa de visitas estruturado para partilhar o seu vasto património arquitetónico e histórico. Os visitantes são convidados a passear pelas imponentes vinhas velhas, localizadas numa das zonas mais privilegiadas do vale duriense, e a compreender de perto as técnicas de viticultura tradicional. As experiências culminam em provas comentadas dos novos vinhos na própria propriedade, integrando a paisagem classificada como Património Mundial da UNESCO com a degustação de vinhos de excelência.
 
Esta profunda renovação da Quinta dos Frades prova que é possível reinventar o futuro sem nunca esquecer as raízes que moldaram o passado. Com uma imagem contemporânea, uma gama de vinhos perfeitamente estruturada e uma forte abertura ao enoturismo, o produtor duriense reforça o seu posicionamento no mapa dos grandes vinhos de Portugal e convida os entusiastas a redescobrirem a sua essência.Seja através da frescura da nova gama Frades, da complexidade do Reserva ou da imponência histórica das Vinhas Centenárias, há uma história líquida à sua espera em cada garrafa.
 
_______________________________________________
QUINTA DOS FRADES 
 
Folgosa do Douro
5110-214 ARMAMAR 
+351 254 858 241 / +351 910 129 112

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Evel 2025 Branco

EVEL 2025 BRANCO  | DOURO | 13% | PVP  5,49€
RABIGATO, VIOSINHO, MOSCATEL GALEGO BRANCO, FERNÃO PIRES
REAL COMPANHIA VELHA, SA
16

Encontramos um vinho que descomplica os dias quentes, num verdadeiro clássico produzido pela Real Companhia Velha no Douro, cujo nome "Evel" é um anagrama de "Leve". Aromas frutados, sem notas exuberantes ou chatas, oferecendo uma acidez estaladiça e muito refrescante. É o parceiro perfeito para mariscos, peixe grelhado, carnes brancas ou saladas de verão, embora por aqui se tenha testado em exclusivo com vários tipos de camarão e... que bem se comportou ele!
Cor citrina limpa, reflexos esverdeados brilhantes, aspecto límpido e jovem. No nariz, a experiência aromática é marcada por uma forte presença de fruta branca e notas citrinas frescas, que se cruzam harmoniosamente com nuances florais e subtis toques vegetais. Na prova de boca, este branco confirma toda a sua frescura através de uma acidez equilibrada e crocante, que preenche o palato de forma leve antes de terminar num final longo, persistente e verdadeiramente vivaz.

sábado, 18 de julho de 2026

Do escritório para as vinhas do Douro: O sonho que deu vida aos vinhos Aromas do Côa

A Aromas do Cõa nasceu, oficialmente, no ano de 2022, no entanto, a sua história não se escreve apenas a partir deste ano, mas sim através do suor e da dedicação de várias gerações de uma família profundamente ligada ao mundo rural e à viticultura no coração do Douro Superior que, durante anos, se dedicou exclusivamente à produção e posterior venda das uvas, honrando os valores de sacrifício, resiliência e respeito pela terra transmitidos de avós para pais e de pais para filhos. 
Contudo, no seio da família, habitava um sonho capaz de alterar este desígnio, o sonho antigo de transformar o fruto do próprio trabalho numa marca identitária, capaz de engarrafar as emoções e as memórias daquela região.
Assim, o ponto de viragem viria a acontecer pela mão de Mário Antunes, um jovem "louco" de 36 anos - como se sentiu nessa altura - que exercia a profissão de Solicitador e que decidiu abdicar do conforto do trabalho de escritório para dar a cara por um projeto inteiramente movido pela paixão. O próprio descreve-se, com humor, como um "jovem louco", mas a sua decisão foi tudo menos um acaso. Foi o culminar de uma ligação umbilical à vinha, ao conhecimento profundo de cada parcela e à crença de que um grande vinho nasce na terra e nas raízes.
O crescimento da estrutura agrícola criou musculo e, desde 2014, num esforço de sustentação do projecto, a família investiu na consolidação do seu património e gere hoje cerca de 22 hectares de vinha, complementados por 5 hectares de olival e 4 de amendoal. Apontam ao controlo total do processo produtivo. Ao contrário de muitos projetos de produtores independentes, todos os vinhos da marca são vinificados na adega própria da família, utilizando exclusivamente uvas colhidas nos seus terrenos.
Ficamos a conhecer três dos seus vinhos. Dois brancos e um tinto. No campo dos vinhos brancos, o Aromas do Côa Branco 2023 surge como um lote tradicional do Douro Superior, plantadas em solos de xisto em Sebadelhe. O resultado é um vinho de cor límpida, com aroma elegante e uma acidez viva e refrescante na boca. Já o Aromas do Côa Edição Limitada Branco 2024 eleva a fasquia da exclusividade através de uma produção muito restrita de apenas 2000 garrafas, apresentando um lote arrojado de 90% Verdelho e 10% Rabigato que se destaca pelas notas nítidas de fruta branca, citrinos e um perfil mineral muito limpo e equilibrado. Por fim, o Aromas do Côa Tinto Superior 2023 combina 70% Touriga Nacional e 30% Touriga Franca, revelando uma textura firme, aroma intenso a frutas vermelhas e pretas com toques de especiarias, e um final longo e persistente.

AROMAS DO CÔA 2023 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  6,99€
RABIGATO, VIOSINHO, CÓDEGA DO LARINHO
QUINTA DA AFRICANA, LDA
16,5
Cor amarelo citrino de tonalidade esverdeada, brilhante, aspecto límpido e jovem. Nariz elegante, com notas de fruta citrina a assomarem frescas e bem casadas com a compoenete mineral, pedra lascada e subtil toque floral. Boca com grande verticalidade, médio volume, textura macia, vibrante na acidez, crocante, com a fruta sumarenta e fresca, muito preciso e com final de boca longo e persistente. 
Bela surrpresa e excelente relação preço - qualidade. À mesa com mariscos cozidos, peixe branco grelhado e peixinho frito do rio para lutar esta crocância.

AROMAS DO CÔA EDIÇÃO LIMITADA 2024 BRANCO | DOURO | 13,5% | PVP  8,49€
VERDELHO, RABIGATO
QUINTA DA AFRICANA, LDA
17
Cor amarelo citrino com reflexos esverdeados,  um aspeto visual límpido, brilhante e jovem. No nariz revela uma intensidade aromática cativante, dominada por notas nítidas de fruta de polpa branca e tropical frescas, com pitada citrina vivaz, envolvidas por um perfil mineral muito limpo e subtil. Na boca oferece harmonia e precisão, mostrando uma acidez viva e bem integrada que confere uma enorme frescura e vivacidade à prova, num registo de equilíbrio, fruta bonita e sumarenta, com término de boca longo e  persistente.

AROMAS DO CÔA SUPERIOR 2023 TINTO | DOURO | 13,5% | PVP  8,49€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA
QUINTA DA AFRICANA, LDA
16
Cor vermelho rubi de média concentração, embora mais denso, com bonita auréola luminosa, aspecto límpido e jovem. No plano aromático a fruta vermelha e preta desempenha o papel principal, com elegância e frescura, em perfeito casamento com notas florais bem medidas, alguma esteva e violeta, subtil especiado. Boca de médio volume, textura macia e aveludada, acidez equilibrada, boa secura, fruta sumarenta aninhada num tanino polido e pronto, prazeroso a beber e com término de boca longo e persistente.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Guru Vinha da Calçada 2021 Branco

GURU VINHA DA CALÇADA 2021 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  80€
FIELD BLEND CASTAS INDÍGENAS
WINE & SOUL, LDA
19

No coração do Douro Superior, a uns impressionantes 600 metros de altitude onde o vento fresco molda a paisagem, nasce, pelas mãos da prestigiada dupla de enólogos Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges, este branco, expressão líquida de uma autêntica relíquia histórica. As suas uvas provêm exclusivamente de uma única parcela centenária plantada em solos de transição granítica, uma assinatura geológica rara na região que confere ao vinho uma identidade única, sendo que, neste field blend se reúnem castas indígenas ancestrais como a Viosinho, a Rabigato, a Códega do Larinho e a Gouveio, que crescem em perfeita simbiose. Acabamos por estar na presença de uma das mais exclusivas joias do panorama vinícola português pois desta parcela,  após estágio paciente durante dois anos em foudres de madeira – que lhe preserva uma pureza etérea, acidez cortante e um perfil salino absolutamente inesquecível -, saem apenas 1.533 garrafas. 
À mesa somos obrigados a chamar por harmonizações perfeitas sugerindo peixes gordos assados no forno, mariscos nobres, como lavagante suado, ou pratos ricos de aves de caça e queijos curados de ovelha.Cor amarela citrina, tonalidade palha brilhante e límpida, subtis reflexos esverdeados, luminoso e jovem. No plano aromático, destaca-se pela contenção e elegância, menos óbvio e exuberante, revelando aromas a casca de limão, toranja e nectarina, pitada floral bem encostada, envolvidos por uma mineralidade profunda a pedra molhada e discretas notas de baunilha, fruto do estágio resguardado em madeira usada. Na boca, impressiona pelo equilíbrio entre cremosidade e tensão, com ataque primário sedoso e untuoso, mas logo balanceado por uma acidez vibrante e uma forte salinidade característica do solo granítico terminando longo e persistente, com tensão e muito preciso,  deixando uma sensação limpa e elegante. 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Domäne Serrig Vogelsang Kabinett 2021 Branco

DOMÄNE SERRIG VOGELSANG KABINETT 2021 BRANCO | MOSEL (GER) | 9,5% | PVP  105,90€
RIESLING
DOMANE SERRIG
18,5

Há vinhos que se compram pela história, sem os conhecermos e outros que só nos conquistam quando pela primeira vez nos cai no copo . Quando soube que o icónico produtor Markus Molitor tinha assumido as rédeas da histórica propriedade Domäne Serrig, uma jóia fundada pelo Kaiser Guilherme II em 1904 no vale do Saar, a minha curiosidade disparou e a oportunidade de o fazer chegar à mesa num jantar temático foi gatilho suficiente para que o momento tivesse lugar. Apesar de nascido num ano fresco e clássico, este não me pareceu um Kabinett comum. O que me fascinou nele foi um estado de equilíbrio quase impossível entre uma subtil doçura frutada deliciosa, mas que imediatamente é dominada por uma acidez elétrica e uma mineralidade salina tão profundas que o vinho parece levitar na boca de forma a nos prender a atenção do primeiro ao último segundo. 
À mesa esta salinidade crua leva-me de imediato para um casamento com o mar, umas vieiras salteadas na manteiga ou a acompanhar a frescura cítrica de um ceviche de robalo, mas também penso da cozinha asiática e num caril tailandês aromático, com leite de coco no qual a ligeira doçura do vinho acalma o picante, enquanto as notas cítricas dão vida aos sabores orientais.
Cor amarelo citrino muito aberto e luminoso, reflexos esverdeados brilhantes, aspecto límpido e jovem. No nariz, a primeira impressão é de uma pureza quase cirúrgica, muito contido, não mostrando fruta primária de forma exuberante e evidente, revelando antes uma mineralidade fumada avassaladora, que evoca pedra lascada, pólvora e a ardósia molhada. À medida que o vinho respira, começam a emergir notas cítricas vibrantes de lima e toranja, acompanhadas por nuances subtis de maçã verde, pêssego e um delicado toque de flor branca, mantendo um registo muito elegante e fino. Na boca, a experiência atinge outro patamar com um primeiro ataque incrivelmente leve, mas longe de mostrar qualquer tipo de fragilidade ou falta de tensão, oferecendo a doçura natural da uva, que não se sobrepõe em momento algum, surgindo perfeitamente integrada e quase camuflada por uma acidez elétrica e cortante, que nos faz salivar instantaneamente, acompanhando a pegada salina e mineral profunda do seu perfil, onde a fruta cítrica fresca serve de fio condutor e nos conduz  a um final de boca incrivelmente longo, limpo e focado.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Rosa Santos Família Serra de S. Mamede 2022 Branco

ROSA SANTOS FAMÍLIA SERRA DE S. MAMEDE 2022 BRANCO | ALENTEJO | 12,5% | PVP  44€
VINHAS VELHAS
SOCIEDADE AGRÍCOLA JORGE ROSA SANTOS E FILHOS
18

Uma verdadeira homenagem à viticultura de altitude do Alentejo com berço a cerca de 540 metros na Serra de S. Mamede, num ecossistema único moldado por solos graníticos e um microclima fresco. As vinhas velhas, com idades entre os 60 e os 80 anos, plantadas no tradicional sistema de field blend, assumem papel principal no resultado deste vinho, com diversas castas autóctones que convivem na mesma parcela e que são colhidas em simultâneo, resultando num branco incrivelmente complexo e texturado, dono de acidez vibrante e um final marcadamente salino. À mesa, sugiro como parceiro ideal harmonizá-lo com peixes gordos assados no forno, marisco rico ou pratos de aves com texturas cremosas.
Cor amarelo intenso, tonalidade palha brilhante e límpida, joviais reflexos esverdeados. No nariz oferece um bouquet aromático de enorme complexidade e elegância, onde sobressaem notas limpas de citrinos maduros e subtis toques de marmelo, aliadas a uma envolvente camada silvestre, de campo, que evoca erva seca e flores do campo, tudo isto assente num fundo mineral mais profundo e austero, com nuances de sílex e pedra molhada que espelham com pureza o solo granítico de onde provém. Na boca, este branco impressiona pela sua textura densa, sofisticada e pelo volume generoso, mas que se mantém sempre preciso e focado, elegante, com a acidez a operar como grande motor do conjunto, apresentando-se suculenta, vibrante e incrivelmente crocante, equilibrando na perfeição a estrutura do vinho, revelando uma belíssima tensão salina e conduzindo a um final de boca de longa duração e persistência.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Pêra-Manca 2023 Branco

PÊRA-MANCA 2023 BRANCO | ALENTEJO | 13% | PVP  60€
ARINTO, ANTÃO VAZ
FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ALMEIDA
18

No universo dos grandes vinhos portugueses, poucas marcas carregam o peso histórico, o prestígio e a mística da Adega Cartuxa, cujas referências no seu portefólio são reconhecidas mundialmente. O lançamento do Pêra-Manca Branco 2023 surge como a mais recente prova dessa excelência intemporal. 
Nascido no coração do Alentejo, em Évora, este bivarietal de Antão Vaz e Arinto surpreendeu as expectativas ao apresentar uma frescura invulgar, uma acidez tensa e vibrante e uma mineralidade puríssima, sem nunca perder a cremosidade e a estrutura aristocrática que definem o seu ADN. 
Longe de ser apenas um vinho de contemplação ou guarda para um dia especial, reconheço nesta colheita o prazer que garante desde já ao beber e revela-se como um verdadeiro camaleão gastronómico, exigindo pratos à sua altura para brilhar em pleno. 
Para harmonizar com a sua textura rica e o seu final longo e focado, a mesa ideal pede a untuosidade de peixes gordos no forno, como um lombo de bacalhau à lagareiro ou um robalo de mar assado com ervas aromáticas, funcionando também de forma soberba com a opulência de mariscos ricos, como lavagante suado ou carabineiros grelhados, e queijos de ovelha de cura média, onde o equilíbrio entre a sua gordura e a vivacidade do vinho criará um momento memorável.
Cor citrina brilhante, com reflexos palha luminosos, aspeto límpido e jovem. No nariz, a percepção inicial destaca-se pela contenção e elegância, afastando-se de exuberâncias exageradas e fáceis, revelando, à medida que lhe vamos dando tempo,  um bouquet complexo assente em notas de fruta de caroço e polpa branca, como a maçã verde e a pera rocha, envolvidas por subtis apontamentos de casca de tangerina, pólvora e um fundo fumado muito discreto e bem integrado, fruto da sua passagem por madeira. Na boca, a entrada é surpreendentemente tensa e focada, sobressaindo uma acidez cítrica muito viva e vibrante que corta a natural untuosidade do conjunto, conferindo-lhe uma frescura invulgar para o perfil clássico da região. Mostra-se pronto para o momento, revelando, pouco a pouco, a natureza de um corpo de médio-grande volume, sustentado por uma textura cremosa que preenche o palato com grande precisão e amplitude e com uma mineralidade salina quase mastigável que acompanha toda a prova, conferindo-lhe assim uma enorme verticalidade. O final de boca é seco, elegante e imensamente persistente.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Grande Druida Parcela Original 2022 Branco

GRANDE DRUIDA PARCELA ORIGINAL 2022 BRANCO | DÃO | 12% | PVP  44€
ENCRUZADO
C20, LDA
18,5

Esta é uma colheita especial. Marca a décima vindima que o produtor realiza com estas uvas excecionais, provenientes de uma vinha única situada a 500 metros de altitude, onde os solos de granito azul cobertos por uma camada de argila conferem às uvas uma mineralidade e uma tensão ímpares, consolidando uma filosofia de intervenção mínima através de uma fermentação lenta com leveduras indígenas e um estágio de 10 meses em barricas de carvalho francês. O resultado oferece um perfil estruturado, com notas complexas de sílex, tomilho e pólvora, exibindo uma acidez vibrante e uma textura sedutora que garantem um potencial de guarda fora de série. 
À mesa, a sua enorme frescura e complexidade exigem pratos à altura, sendo o par perfeito para peixes gordos assados no forno (como robalo ou corvina), um tradicional bacalhau à lagareiro, carnes brancas estruturadas ou um cremoso Queijo DOP Serra da Estrela.
Cor amarela citrina, muito brilhante e aberta, de reflexos esverdeados, aspecto límpido e jovem. No nariz, a abordagem é dominada por uma enorme sofisticação e contenção inicial, onde o perfil frutado não se sobrepõe à pureza e à forte identidade do lugar, deixando que sobressaiam os aromas limpos e profundos a pólvora e sílex, que nos remetem de imediato para a matriz da pedra granítica, muito bem ladeados por nuances herbáceas de tomilho e vegetal seco,  abrindo, mais tarde, as notas delicadas de casca de toranja, maçã verde e uma subtil sugestão de pastelaria fina e fumo, denunciando uma integração da barrica de carvalho francês absolutamente cirúrgica. Na boca, a entrada é ampla e revestida por uma cremosidade sedutora, mas que é imediatamente dominada e recortada por uma acidez vibrante, elétrica e profundamente salina, existindo um equilíbrio notável entre a textura gorda herdada do estágio e a tensão cortante do Dão, preenchendo o palato com imenso carácter e prolongamento de final de boca incrivelmente longo, muito focado e deixando uma persistência mineral e citrina que convida de pronto ao próximo gole.