ENCRUZADO, RABIGATO
COLINAS DO DOURO SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
18
No meu copo está um daqueles brancos durienses que ajudam a desmontar a ideia de que os grandes vinhos da região têm necessariamente de ser tintos e que os brancos são para beber jovens. O produtor indica-o como um vinho pensado para evoluir vários anos em garrafa. E assim é. Se não contar com as boas particularidades do tempo de espera – 9 anos -, o vinho está como novo. Tendo em conta que vos estou a falar de um 2017, acho particularmente interessante o facto de todas as minhas notas continuarem a apontar para frescura, tensão e capacidade de continuar em evolução. Classifico-o como o tipo de branco que vale a pena beber com alguma atenção - e não demasiado frio -deixando-o respirar no copo e que fale connosco.
À mesa pede comida com alguma complexidade. Peixe assado, bacalhau, marisco, aves ou mesmo pratos de cogumelos estarão à altura da sua textura e acidez. Com pratos mais delicados, a sua elegância pode sobressair e com pratos com alguma gordura, a acidez ganha ainda mais sentido.
Cor amarelo citrino com tonalidade palha, mostrando ainda reflexos esverdeados e aspecto jovem, límpido e brilhante. No plano aromático compro que o tempo parece ter-lhe feito particularmente bem. Mantém um perfil muito elegante e contido, com citrinos, toranja, maçã e notas de pedra lascada, sílex, acompanhadas por nuances discretas de pastelaria e madeira. Tudo muito fino e harmonioso. Não é um vinho exuberante que procura impressionar pela intensidade aromática, a sua força está precisamente nesta subtileza e definição. Na boca mostra-se cremoso, amplo e tenso, com uma acidez muito viva que lhe dá nervo e prolonga todo o conjunto, oferecendo boa textura, mas também uma componente crocante e mineral que impede qualquer sensação de peso extra. O final é longo, persistente e surpreendentemente fresco para um branco com esta idade.

Sem comentários:
Enviar um comentário