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quarta-feira, 4 de março de 2026

Da Ilha do Pico Com Amor: Picowines Apresenta Um Licoroso Com 27 Anos e Um Branco Para Toda a Vida

 
"Na Ilha do Pico, o vinho não se faz depressa. Nasce do confronto com o vulcão, da proximidade do mar e da paciência de quem aprendeu a esperar. É neste território único e extremo que a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico, a  Picowines, apresenta dois vinhos que não poderiam existir em mais nenhum lugar."
 
São duas leituras do mesmo território, separadas pelo tempo, mas unidas por uma mesma origem. O Ilha do Pico Licoroso 1998, uma edição limitada de apenas 470 garrafas e o vinho branco Arcos Vulcânicos 2021 são a expressão de uma ilha onde a viticultura se escreve em pedra, sal e silêncio. Mais do que novidades, estes vinhos representam uma continuidade de pensamento entre memória e contemporaneidade, tradição e técnica, que têm vindo a definir o percurso da vitivinícola da Ilha do Pico.
Aqui, as vinhas crescem nas fissuras da rocha vulcânica, protegidas por muros erguidos à mão há mais de cinco séculos. Crescem baixas, expostas ao Atlântico e alimentadas por água que mistura chuva e mar. Cada colheita é um ato de resistência e cada vinho, um testemunho único.
 
Falemos primeiro do Ilha do Pico Licoroso 1998 que se insere numa tradição que marcou de forma decisiva a história vitivinícola da ilha. Os vinhos licorosos do Pico, produzidos maioritariamente a partir da casta Verdelho, foram desde o século XVIII uma das principais expressões da identidade açoriana e um dos grandes embaixadores da ilha nos mercados internacionais, distinguindo-se pela sua capacidade de envelhecimento e resistência ao tempo. Ao estagiar durante 27 anos em casco, o Licoroso 1998 inscreve-se como continuidade viva desse legado histórico.
 
Em 1998, um vinho entrou em casco e por lá ficou durante 27 anos. Sem pressa, acompanhando o ritmo lento da ilha, os invernos húmidos, os verões atlânticos e o passar das gerações. Feito a partir da Verdelho de vinhas velhas plantadas em currais na Criação Velha, a poucos metros do mar, resultado de uvas em estado avançado de maturação e grande  concentraçõ. O estágio prolongado em cascos velhos de carvalho moldou-lhe a forma, afinou-lhe as arestas e concentrou-lhe a expressão.
 
Faltam palavras para o descrever e, relembro, são apenas 470 garrafas que nos chegam numa caixa/conjunto de luxo criada pela Rita Rivotti, que assina toda a imagem desta edição especial, e que nos faz ter a Ilha do Pico presente na nossa garrafeira.
 
ILHA DO PICO LICOROSO SINGLE HARVEST RESERVE 1998  | DO PICO | 16,5% | PVP  750€
VERDELHO
COOPERATIVA VITIVINÍCOLA DA ILHA DO PICO
19,5
Hoje temos a oportunidade de o encontrar com cor topázio luminosa, reflexos âmbar e dourado, nuances acobreadas, atrativo. Plano aromático rico e complexo, onde surge a laranja cristalizada, marmelada de citrinos, frutos secos, algum toffee, torrefação e iodo subtil, notas que não escondem o lugar onde nasce e onde aguardou pacientemente. Apresenta estrutura firme de boca, com a acidez em sustento do conjunto, com notas de caramelo salgado, uma carga salina que lhe dá vida, que lhe prolonga o final e que nos faz cerrar levemente os olhos no acto de prova. Uma acidez salgada maravilhosa, num registo meio seco e com presença à mesa para companhia diversa. 

O vinho branco Arcos Vulcânicos 2021 traduz uma leitura mais contemporânea do mesmo território, inspirado pelos arcos de lava solidificada que desenham a paisagem do Pico, tem na sua origem a casta Verdelho da zona dos Arcos, em Santa Luzia, onde as vinhas crescem diretamente sobre  o lajido, junto ao mar. 
 
ILHA DO PICO ARCOS VULCÂNICOS VERDELHO 2021 BRANCO | DO PICO | 12,5% | PVP 50€
VERDELHO
COOPERATIVA VITIVINÍCOLA DA ILHA DO PICO
18
Apesar da colheita ser de 2021, estamos perante um vinho visualmente muito jovem, de cor amarelo-esverdeada, luminoso e límpido. Sentimos no olfato toda  sua  mineralidade, o lado marítimo, as notas de algas e citrinos, um complexidade invulgar e desafiante. Na boca, encontramos um registo de tensão, energia e frescura dominante, médio volume, e o natural vinco salino a todo o comprimento. Muito preciso e prazeroso, encontra-se num momento muito bonito, deixando todavia escapar o potencial gigante de guarda. À mesa é presenteá-lo com produto do mar e saladas frescas com presença de mar.

Duas novidades que reforçam um compromisso claro com o presente e o futuro da viticultura da Ilha, que falam por si e que são expressão deste terroir de excepção e singularidade.
Como não há duas sem três, houve ainda lugar à mais recente colheita de um espumante de elevado potencial gastronómico, delicadeza impressionante, garantia de prazer em qualquer momento da refeição e mesmo fora dela, embora lhe reconheça o brilho maior quando casado com pratos do mar.
 
ILHA DO PICO ESPUMANTE BLANC  DES BLANC BRUT NATURE 2019 BRANCO | DO PICO | 12% | PVP  60€
ARINTO DOS AÇORES
COOPERATIVA VITIVINÍCOLA DA ILHA DO PICO
17,5
Cor amarelo citrino, intenso e luminoso, bolha fina e cordão persistente, atrativo. Delicadeza no plano aromático, num registo de subtileza e finesse, oferecendo a fruta citrina, alguma maça e marmelo, casca de citrino, de tempero salgado, alga seca, com notas de panificação bem ligadas, biscoito, areias. Bolha fina e arejada na prova de boca, envolvente, embora mais seco e de acidez vincada, salina e citrina, mostrando-se um espumante adulto, conseguido, prazeroso e com final de boca longo e elegante.

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

70 Anos da Adega do Cartaxo Celebrados com Vinho Especial

A primeira reunião para se pensar na génese de uma adega cooperativa no Cartaxo remonta ao ano de 1951, mas a sua criação oficial viria a acontecer quatro anos mais tarde, a 05 de maio de 1954. Passaram então sete décadas de história e de muitas estórias. Uma história, um legado, muitos desafios, conquistas e vitórias. Paixão, tenacidade e inovação, homenageadas num singular Vinho do Tejo. 
Passadas sete décadas é momento de celebrabrar com um vinho especial. O Adega do Cartaxo 70 Anos  Edição Comemorativa é um vinho de comemoração, feito a partir de um blend das melhores barricas da colheita de 2015, com estágio de 12 meses em carvalho francês com grão extrafino, selecionadas pelo enólogo Pedro Gil de entre as que se destinavam aos vinhos Desalmado, Bridão Reserva, Bridão Private Collection, Bridão Alicante Bouschet, Bridão Touriga Nacional e Bridão Trincadeira. 
Naturalmente, um vinho com uma lista maior que a normal de castas na sua composição que resultam num blend complexo e rico, sem fugir da Região, mostrando um perfil elegante, sofisticado e com potencial de guarda enorme.
 
ADEGA DO CARTAXO 70 ANOS EC 2015 TINTO | TEJO | 14,5% | PVP  70 €
TOURIGA NACIONAL, ALICANTE BOUSCHET,TRINCADEIRA,CABERNET SAUVIGNON, MERLOT, SYRAH, TINTA RORIZ 
ADEGA COOPERATIVA DO CARTAXO
17,5
Cor vermelho rubi rubi de média concentração, tonalidade granada, aspecto límpido e jovem. No nariz não é tímido a revelar a fruta vermelha e preta maduras que trás consigo, groselha, aneixa, alguma geleia de fruta, com notas de chocolate, cacau, pitada de torrefação, com lado terroso, de bosque, pimenta preta, rico e complexo. Boca volumosa, com estrutura, nervo, texturado, grão fino, mordiscável, macio e aveludado, secura boa, com a fruta a continuar em plano de relevo, tanino firme, a despertar alguma gula, harmonioso e com final de boca longo.
 
Em data plena de História, oportunidade para, em momento prévio a toda a atenção estar virada para o Adega do Cartaxo 70 Anos  Edição Comemorativa, voltar um pouco no tempo e viajar até 1999 e 2007 nos brancos e até 1978, 1995 e 1998 nos tintos, numa prova reveladora da capacidade do bom envelhecimento dos néctares da casa e da  riqueza das castas próprias da região. 
 
BRIDÃO FERNÃO PIRES 1999 BRANCO | RIBATEJO | 12% | PVP  -€
FERNÃO PIRES
ADEGA COOPERATIVA DO CARTAXO, CRL
16
Cor amarelo tonalidade palha, dourados evidentes, aspecto límpido e dar mostra de idade. Nariz com notas de fruta de polpa amarela madura, fruta passa, citrino bem medido, casca de laranja, tangerina, leve melaço, ligeiro químico, mantendo boa frescura e elegância. Boca vivaz, limpa, ligeiro amanteigado contra balançado pela acidez bem medida, mostrando a fruta mais citrina, conjunto harmonioso e com final duradouro.
 
BRIDÃO FERNÃO PIRES 2007 BRANCO | RIBATEJO | 13% | PVP  -€
FERNÃO PIRES
ADEGA COOPERATIVA DO CARTAXO
17
Cor amarelo intenso, tonalidade palha, aspecto cristalino e límpido. Plano aromático elegante, com fruta tropical madura, polpa amarela, citrinos desidratado, pitada floral, ligeiro apetrolado em fundo.  Boca envolvente, textura macia, acidez composta, vivaz e com prolongamento, secura boa, fina, com  fruta ainda bem definida, mostrando a boa evolução deste branco, equilibrado e com final de boca longo.
Foi recentemente relançado com o PVP de 25,99€.
 
BRIDÃO RESERVA 1995 TINTO | RIBATEJO | 13% | PVP  €
PERIQUITA, TRINCADEIRA PRETA
ADEGA COOPERATIVA DO CARTAXO, CRL
16
Cor vermelho de média concentração, aberto, turvo ligeiro, auréola alaranjada. No nariz mostra a fruta vermelha madura, ameixa desidratada e algum figo seco, plano com alguma exuberância, com boa companhia de notas especiadas, folha de tabaco e pote de balsâmicos fresco. Boca com volume e boa presença, textura macia, aveludada e envolvente, acidez fina, persistente, tanino polido, mas seguro, fruta com sabor, num conjunto equilibrado e com final de boca longo.
 
BRIDÃO RESERVA 1998 TINTO | RIBATEJO | 13% | PVP  €
PERIQUITA, TRINCADEIRA PRETA
ADEGA COOPERATIVA DO CARTAXO, CRL
16,5
Cor vermelho tonalidade tijolo, média concentração, aberto e luminoso, límpido e cativante. Aromas limpos, fruta vermelha e preta maduras, floral perfumado bem medido, leve nota vegetal, especiado airoso, exótico, tamara passa, complexidade generosa. Boca com estrutura, volume, textura macia, boa untuosidade, acidez vivaz, secura salivante, envolvente, tanino polido e pronto, aconchegado à fruta, em equilíbrio, terminando longo e persistente.
_______________________________________
ADEGA COOPERATIVA DO CARTAXO
EN 365-2 2070-220 CARTAXO
+351 243 770 987
+351 243 770 107

domingo, 10 de dezembro de 2023

Condado de Haza 1998 Tinto

CONDADO DE HAZA 1998 TINTO | RIBERA DEL DUERO (ESP) | 13% | PVP  17€
TEMPRANILLO
CONDADO DE HAZA, SL
17

Entrada de gama da casa, um crianza que se diz o melhor do Mundo e no qual depositei a minha confiança quando o comprei muito pelo ano já longínquo da colheita. Com 25 anos já passados a opção foi abrir e depois, de forma muito cautelosa e paciente, recorrer ao amigo decanter, sem bater muito o vinho. Uma agradável surpresa. Ainda com boa concentração de cor, com a fruta preta ainda a mostrar-se alegre e bem ligada com algum couro, balsâmicos e especiaria em fundo. Polido de boca, com garra, sabor, a portar-se com mestria à mesa com o borrego.
Cor vermelho com tonalidade casca de cebola de média concentração, aspecto límpido, escondendo um pouco a sua idade. No plano aromático é incrível como mostra a fruta preta madura ainda numa forma tão alegre e distinta, aninhada em notas que lhe chegam pela passagem do tempo, algum couro, estrebaria, balsâmico e especiados finos. Na prova de boca não desilude, tudo muito bem arrumado pelo passar dos anos, textura macia e envolvente, com acidez no ponto, fino e elegante, continuidade da fruta, tanino polido, conjunto harmonioso e com final de boca longo.

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Justino's Colheita Tinta Negra 1998

JUSTINO'S COLHEITA TINTA NEGRA 1998 | MADEIRA | 19% | PVP  22€
TINTA NEGRA
JUSTINO'S MADEIRA WINES, SA
17,5

Um Madeira bastante acessível, feito 100% a partir da casta Tinta Negra e que envelhece em cascos de carvalho francês e americano no sistema de canteiro, sendo engarrafado no mínimo 10 anos após a vindima que lhe deu origem. Esta foi engarrafada a 19/07/2021, ou seja, teve um sono mais longo que o habitual e está com uma frescura imensa. Estilo doce, equilibrado e pronto a ser casado com doçaria regional da Madeira como o Bolo de Mel, queijos com alguma intensidade, doces à base de café e caramelo, tendo sido a minha grande surpresa a acompanhar uma manga madura na perfeição.
Cor âmbar definida, liegeiramente mais escura, com reflexos dourados e esverdeados, límpido e brilhante. Nariz rico e complexo, assente em notas mais doces, melaço, fruto passa e desidratado, fruto seco torrado, algum caramelo e leite creme queimado,num registo elegante, desafiador e fresco. Boca com textura macia, aveludada, com uma certa untuosidade mais doce, embora equilibrada, acidez fina, algum figo seco, passas, bolo inglês, envolvente e com final de boca longo.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Kopke Porto Colheita 1998

KOPKE PORTO COLHEITA 1998 | PORTO | 20% | PVP  64€
CASTAS TRADICIONAIS DOURO
ENGARRAFADO EM 2022
SOGEVINUS FINE WINES, SA
17,5

Apostado na frescura, na riqueza dos aromas e nas papilas gustativas, num registo alegre e cheio de vida, num bom momento de forma. Os mais gulosos poderão acercar-se dele a solo, mas tem grande potencial de ligação à mesa em especial com sobremesas à base de frutos secos, caramelo, um créme de leite queimado ou com queijos de média cura a meio de uma tarde chuvosa e uma lareira acessa em meio fogo. 
Cor âmbar com tonalidade avermelhada intensa, laivos acastanhadas, média concentração, aspecto límpido e brilhante. No nariz mostra grande complexidade, onde marcam as esperadas notas de fruto seco, como a noz ou a amêndoa, alguma nota de fruta passa, aqui o figo mais evidente, trazendo também a fruta vermelha com boa ligação ao conjunto e na ligação à componente mais de especiaria exótica, com envolvente balsâmica em fundo. Boca com volume, entrada doce, textura untuosa, macia e aveludada, com acidez bem medida, no ponto certo, persistente na boca, deixando vir ao de cima o seu lado especiado, harmonioso, fresco, largo e com final de boca longo e persistente.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Quinta do Moinho 1998 Tinto

Características
Tipo: Tinto
Castas: Baga
Região: Bairrada
Teor Alcoólico: 13,5 %
Produtor: Luis Pato
Preço: -€ vap

Nota de Prova
Fui à garrafeira e trouxe de lá um vinho do saudoso ano da Expo: 1998. Por norma a Baga é uma casta que evolui bem com o tempo em garrafa e este Quinta do Moinho é disso um bom exemplo. Ainda prenhe de força aromática, terá perdido alguma acidez e corpo, mas ganhou uma elegância requintada. Na boca aparece-nos com uma frescura surpreendente, seco, delicado, com notas de madeira antiga, alguma resina. Valeu a pena guardá-lo.
Classificação: 17,5