sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Atlantis Reserva Verdelho 2020 Branco


ATLANTIS RESERVA VERDELHO 2020 BRANCO | DOP MADEIRA | 12% | PVP  29€
VERDELHO
MADEIRA WINE COMPANY, SA
17

Nasce num contexto de solos vulcânicos e influência atlântica, feito exclusivamente a partir da casta verdelho de uma parcela única na zona da Raposeira, na costa oeste da Madeira, não me escondendo desde o primeiro contacto, a sua proveniência e encontrando no estágio uma forma de ganhar dimensão sem perder sua frescura que está na sua identidade. Já com alguns anos de garrafa, é um daqueles brancos que nos pedem algum tempo no copo, algum namoro prévio ao casamento,  não se revelando apenas a fruta ou a frescura imediata, mostrando antes uma dimensão mais séria, onde a casta, o lugar e o estágio se encontram em equilíbrio.
A conversa com ele no copo é deveras interessante. A fruta já não aparece com a mesma exuberância de um branco jovem e imediato, dando lugar a uma expressão mais composta, onde a frescura continua a ter um papel decisivo, sendo precisamente aí que este Verdelho encontra o seu equilíbrio entre a passagem do tempo, a acidez que ainda lhe dá nervo e uma dimensão mais séria que o torna particularmente interessante à mesa.
Andou por maridagens de marisco de debulha e boa converseta, mas sem grandes complicações fará também companhia acertada com peixe assado, arroz de marisco, carnes brancas ou pratos onde exista alguma gordura que encontrarão na sua acidez e textura um bom contraponto. 
Cor amarelo com tonalidade dourada, luminosa, brilhante e já com sinais naturais de alguma evolução, sendo que, desde logo, mostra que já percorreu algum caminho. No nariz surge mais contido do que seria expectável mantendo a fruta bem presente, mas um pouco mais madura e integrada, acompanhada por sugestões cítricas, uma componente mineral, salina bem definida e discretas notas de evolução. A madeira não se sobrepõe, funcionando antes como uma camada adicional de complexidade. Na boca contamos com uma entrada envolvente, alguma amplitude e uma textura que o torna sério, mas é a acidez que mantém tudo no lugar. Fresco, seco e com boa tensão, vai revelando diferentes dimensões à medida que passa pelo palato, terminando longo, mineral e com boa persistência.
Não é o vinho que provavelmente encontraria na sua juventude. É outra coisa, e talvez seja precisamente aí que reside o seu interesse. A fruta perdeu algum protagonismo, ganhou complexidade e o conjunto mostra hoje uma maior integração. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Quinta dos Aciprestes 2025 Branco

QUINTA DOS ACIPRESTES 2025 BRANCO | DOURO | 13,5% | PVP  9,90€
RABIGATO, VIOSINHO, ARINTO  
REAL COMPANHIA VELHA
16,5

Um vinho que se afirma precisamente por não procurar ser mais do que aquilo que é e que encontra o seu lugar de forma natural. Um perfil fresco e directo, criado a partir das castas Rabigato, Viosinho e Arinto, que encontram aqui espaço para mostrar a sua componente aromática, a acidez e a frescura, preservando a sua expressão e a do terroir duriense onde nascem.
À mesa mostra bem a sua versatilidade. Mariscos, peixe grelhado e sushi são combinações naturais, mas também pratos onde exista alguma gordura ou intensidade de sabor beneficiam da sua frescura. Um bom peixe no forno, umas amêijoas à Bulhão Pato ou até uns enchidos de porco preto podem criar ligações particularmente interessantes.
Cor amarelo-citrino intenso, brilhante e luminosa, de aspecto límpido e jovem. Aromaticamente abre com notas de citrinos e fruta branca, acompanhadas por discretos apontamentos vegetais que lhe acrescentam dimensão, num conjunto limpo, fresco e bastante convidativo, sem procurar excessos de exuberância, mas revelando um perfil pronto e elegante. Na boca confirma a impressão deixada pelo aroma, oferecendo uma entrada fresca, boa textura e uma estrutura que lhe dá mais presença do que seria expectável num branco pensado para ser consumido jovem. A acidez está bem integrada, conduzindo a prova com dinamismo e deixando no final uma sensação refrescante e persistente. É um branco equilibrado, gastronómico e fácil de perceber, mas que não se limita a ser simplesmente fácil de beber.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Poeira Vinha da Torre 2018 Tinto

POEIRA VINHA DA TORRE 2018 TINTO | DOURO | 13,5 | PVP  90€
VINHAS VELHAS
JORGE MANUEL N. MOREIRA
18

O Poeira Vinha da Torre 2018 é daqueles vinhos que, para mim, pertencem à categoria dos que verdadeiramente têm na génese de tudo o que vão ser a vinha onde nascem. A vinha, plantada em 1950, em Covas do Douro, situa-se a cerca de 400 metros de altitude, com exposição norte, solos pedregosos e uma grande diversidade de castas. Uma vinha velha pela qual Jorge Moreira procurou durante anos e que encontrou, na sua filosofia do Poeira, a oportunidade de mostrar aquilo que o Douro pode fazer quando a concentração não é confundida com excesso. 
Em boa verdade, é precisamente essa contenção que mais me chamou a atenção. Longe de me impressionar pelo peso ou pela potência que o perfil duriense tantas vezes aporta, surpreendeu-me pela elegância, pela frescura e pela complexidade, deixando que a vinha e o ano se expressem com alguma liberdade. Um vinho que não precisou de levantar a voz para se fazer notar e que me deixou escapar um sorriso de satisfação de prazer mais sôfrego. 
Obrigatório que se leve para a mesa para companhia a comida com alguma estrutura, funcionando particularmente bem com carnes vermelhas grelhadas ou assadas, pratos de caça e queijos curados, mas também poderá acompanhar pratos tradicionais de sabores intensos, onde a acidez consiga limpar o palato e os taninos encontrem matéria para dialogar. 
Cor vermelho rubi intenso, média concentração, aspecto límpido e ainda jovem. Surge inicialmente mais concentrado e algo reservado a nível de aromas, pedindo tempo para se revelar apesar de aberto cerca de uma hora antes ao momento de se beber. À medida que abre no copo, surgem notas de frutos vermelhos e azuis maduros, acompanhadas por sugestões de bosque, terra húmida, ervas secas e especiarias, com o carácter da madeira presente de forma muito discreta e bem integrada, primando pelo registo mais elegante e fresco. Na boca confirma a impressão aromática, revelando um tinto de grande equilíbrio, com corpo e presença, mas sem se tornar pesado, contando com acidez no ponto que lhe dá energia e frescura, enquanto o tanino, rico e bem desenhado, contribuem para uma estrutura sólida, que suporta a fruta bem expressiva, surgindo ainda uma componente vegetal seca que lhe acrescenta tensão e complexidade. A passagem por barrica permanece no lugar certo, funcionando como complemento e não como protagonista. O final é longo, muito persistente e marcado por uma combinação particularmente feliz entre frescura, estrutura e elegância.

domingo, 16 de agosto de 2026

Isento Reserva Vinha da Fonte Santa Touriga Franca 2023 Tinto

ISENTO RESERVA VINHA DA FONTE SANTA TOURIGA FRANCA 2023 TINTO | DOURO | 14% | PVP  8,95€
TOURIGA FRANCA
SA´VINUM, LDA
16,5

Há castas que estamos habituados a encontrar quase sempre em companhia de outras, contribuindo para os lotes com o melhor das suas características. No Douro, a Touriga Franca é, seguramente, uma delas. Por isso, quando aparece sozinha, a curiosidade aumenta. 
O Isento Reserva Touriga Franca 2023 dá este protagonismo à casta, com uvas provenientes da Vinha da Fonte Santa, em Soutelo do Douro, no Cima Corgo, uma vinha situada entre os 100 e os 250 metros de altitude, em solos xistosos. Assumindo este papel principal, fui perceber um pouco melhor a sua personalidade quando não tem de dividir o palco. 
Encontrei um perfil no qual se percebe que não se procura complicar. Há fruta, há especiaria, há madeira, mas sobretudo existe equilíbrio. É um daqueles tintos que se apresenta com uma estrutura bem definida, sem deixar que o corpo ou o estágio em barrica se sobreponham à fruta. A Touriga Franca mostra aqui um lado bastante acessível, elegante e gastronómico, sendo daqueles vinhos que rapidamente me fizeram pensar mais na mesa do que propriamente na ficha técnica. 
E foi precisamente aí que o pensamento me levou: sabores que acompanhem a sua fruta e estrutura sem as esconder. Um bom cabrito assado, vitela no forno, rojões ou uma tábua de enchidos são companhias naturais. Também o vejo muito bem junto de uma cozinha de conforto, daquelas em que o molho, o forno e os temperos fazem parte da experiência e em que o copo ajuda, simplesmente, a prolongar a conversa. 
Cor vermelho rubi, com boa intensidade e concentração média, aspecto límpido, brilhante e jovem. No nariz revela um perfil marcado pela fruta madura, com ameixa e fruta preta em primeiro plano, acompanhadas por alguma compota e um lado floral discreto. Surgem ainda notas de especiarias finas e um apontamento de baunilha, com a madeira a marcar presença, mas sem dominar o conjunto. Na boca confirma a primeira impressão, mostrando um vinho estruturado, mas equilibrado, com taninos redondos, polidos, bem integrados e uma acidez que lhe dá frescura e algum dinamismo. A fruta mantém-se presente, enquanto a madeira surge novamente bem integrada, contribuindo mais para a definição do conjunto do que propriamente para lhe impor carácter. O final é persistente, elegante e envolvente, deixando uma sensação de equilíbrio que torna o vinho particularmente fácil de acompanhar à mesa.

sábado, 15 de agosto de 2026

Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997 Tinto

CASA FERREIRINHA RESERVA ESPECIAL 1997 TINTO | DOURO | 13% | PVP  350€
TOURIGA FRANCA, TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ
SOGRAPE VINHOS, SA
18

O tempo é muitas vezes o maior teste a que um grande vinho pode ser submetido, e o Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997 é um daqueles casos em que os anos acrescentaram dimensão e carácter, transformando a força e a estrutura da juventude numa expressão mais complexa, serena e de imensa finesse. 
Lançado apenas dez anos depois da vindima, esta foi uma colheita que a Casa Ferreirinha decidiu guardar até encontrar o momento certo para a apresentar e, prová-lo em 2026, quase três décadas depois da vindima, foi descobrir um vinho ainda plenamente vivo, complexo e surpreendentemente elegante. Naturalmente, estão aqui todas as marcas de uma longa evolução — a fruta já não fala sozinha, contando agora com a companhia das notas terciárias, maior profundidade e uma textura mais polida —, mas tudo surge numa harmonia que só os anos conseguem construir. Um vinho que nos chegou ao copo com a serenidade de quem já viveu muito, mas que o fez de forma gloriosa, mantendo frescura, elegância e uma extraordinária capacidade de continuar a emocionar. Um dos grandes momentos desta noite.
Não é um vinho que procure demonstrar a força da juventude, mas antes a beleza da maturidade.
Cor vermelho de tonalidade granada profunda, já com os reflexos acastanhados que denunciam a longa evolução em garrafa, mas sem sinais de perda de vivacidade. No nariz reconhecemos de imediato a sua complexidade e envolvência, com fruta madura ainda presente, agora acompanhada por notas de tabaco, especiarias, folha seca, madeira antiga e discretos apontamentos balsâmicos e terrosos. Precisamos de tempo para que os aromas abram e vão revelando novas nuances à medida que a temperatura sobe. Na boca mostra uma textura sedosa e muito elegante, com taninos completamente prontos e uma acidez que continua a dar-lhe vida e equilíbrio. A fruta surge mais contida do que num vinho jovem, cedendo espaço às notas terciárias e a uma dimensão mais profunda e complexa, mas sem perder definição. A estrutura permanece firme, embora já totalmente domesticada pelos anos, e o conjunto evolui com grande harmonia até um final longo, persistente e muito fino. 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Arenae Clarete 2025 Tinto

ARENAE CLARETE 2025 TINTO | LISBOA | 11% | PVP  16,90€
RAMISCO, MOLAR
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
18

Há vinhos que quando nos chegam ao copo trazem consigo mais do que uma região, uma vinha com esta ou aquela particularidade ou esta e aquela casta: trazem também uma memória. O Arenae Clarete 2025 recupera uma antiga forma de fazer vinho em Colares, com a designação de “Monda”, quando a Molar, vindimada mais cedo, ajudava a suavizar a austeridade do Ramisco, e permitia obter vinhos mais leves e prontos a beber. Hoje, essa combinação regressa numa interpretação deliberadamente mais delicada, nascida das vinhas de areia e da influência atlântica, onde frescura, fruta e elegância se sobrepõem à extração e à estrutura. 

"O espanto é o princípio da filosofia."
Platão, Teeteto, 155d

Provei-o com particular entusiasmo e confesso que foi uma agradável surpresa, com a sua pitada de fora da caixa, uma verdadeira lufada de ar fresco até no que habitualmente se encontra vindo da Adega Regional de Colares. Um Clarete que olha para uma tradição praticamente esquecida para propor uma leitura diferente, mais descontraída e muito gastronómica, do terroir de Colares.
No fundo, um tinto perfeito para este verão mais quentinho — até aqui em Sintra —, que dá nova vida a uma antiga tradição dos agricultores e produtores de vinho desta região e que, à mesa, é assustadoramente bom.
Traga para companhia uma bela sardinhada, umas latinhas de conserva, a carne vermelha grelhada ou até o Leitão de Negrais sem abusar do molho.
São cerca de 1000 e poucas garrafas e eu já abasteci.
Cor vermelho rubi intenso, pouco concentrado, luminoso e brilhante, aspecto límpido e jovem. Plano aromático fresco e expressivo, com fruta vermelha de perfil delicado, cereja, romã e ginja, apontamentos florais bem medidos, subtil componente salina, com presença de pinhal, pinhão e leve componente vegetal que lhe acrescentam identidade, sem nunca perder elegância. Na boca é onde mais surpreende com um primeiro ataque de vivacidade, frescura e leveza,  para depois nos abraçar com uma acidez deliciosa que lhe dá tensão e energia, oferecendo a fruta bem definida e taninos finos, discretos e perfeitamente integrados, textura sedosa, embora trincável, sem o peso ou a concentração que normalmente associamos a um tinto, enquanto o final, fresco e persistente, confirma um vinho pensado mais para a elegância e para a mesa do que para a força. Longe de ser simples, um encontro feliz onde a austeridade potencial do Ramisco encontra na Molar a suavidade e a fruta necessárias para construir um conjunto muito equilibrado e surpreendentemente gastronómico.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Valle Pradinhos Tinta-Gorda 2023 Tinto

VALLE PRADINHOS TINTA-GORDA 2023 TINTO | TRÁS-OS-MONTES | 12,5% | PVP  28,90€
TINTA-GORDA
CASAL DE VALLE PRADINHOS - MARIA ANTÓNIA PINTO DE AZEVEDO MASCARENHAS
17,5

Existem castas que, por serem menos conhecidas, despertam uma curiosidade especial quando chegam ao copo. É o caso da Tinta Gorda, uma variedade tradicional de Trás-os-Montes que encontra aqui uma interpretação elegante e muito própria, numa expressão bastante diferente do perfil mais musculado que por vezes associamos aos tintos transmontanos, num registo fresco e equilibrado, onde a fruta e a expressão do território assumem, claramente, protagonismo, apoiadas por um estágio em barrica que acrescenta complexidade sem se sobrepor à identidade da casta. 
Um vinho que vale a pena descobrir sem preconceitos, sobretudo à mesa, onde a sua frescura e estrutura prometem acompanhar com naturalidade uma cozinha de sabores e alguma tradição como os pratos de forno, carnes assadas ou em companhia da cozinha italiana com carne e sabores intensos.
Cor vermelho-púrpura de média concentração, mais aberta e luminosa e de tonalidade pouco carregada, aspecto límpido e jovem. No plano aromático nariz surge delicado e fresco, com fruta vermelha e silvestre bem definida, fruta de bago silvestre, acompanhada por apontamentos de ervas e uma discreta, mas desafiante dimensão balsâmica e mineral. Na boca confirma essa expressão mais fina, com boa frescura e uma estrutura assente em tanino fino e presente, mas polido e de textura sedosa. A fruta mantém-se limpa e precisa, sumarenta, enquanto a madeira surge bem integrada, acrescentando complexidade sem dominar o conjunto. Termina longo, fresco e persistente, com uma elegância que se vai afirmando ao longo da prova.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Várzea da Pedra Branco Macerado 2023 Branco

VÁRZEA DA PEDRA BRANCO MACERADO 2023 BRANCO | IVV | 12,5% | PVP  11,49€
VINHAS VELHAS, ALICANTE BRANCO, ARINTO, FERNÃO PIRES, MALVASIA-REI, MOSCATEL GRAÚDO, SEARA-NOVA, MOSCATEL GRAÚDO, SEARA-NOVA, VIOSINHO, VITAL
QUINTA VÁRZEA DA PEDRA, LDA
17,5

Confesso que cada vez me dá mais prazer beber brancos com este perfil, longe do branco convencional, esquecendo a cor no copo e apreciando um jogo de aromas rico e desafiador, enquanto, na boca, há estrutura, acidez vibrante, secura salivante e sensação tânica que nos leva a querer puxar por comida quase de imediato. 
Versátil e prazeroso, consegue fazer maridagens de sucesso com tártaros de peixe ou carne, peixe frito, carnes grelhadas e queijos com algum tempo de cura e de média intensidade. 
Cor amarelo intenso, reflexos dourados, aspecto límpido, atraente e, neste caso, contrário à idade do vinho. Nariz de perfil levemente evolutivo, fruta de caroço e citrina com tempo, casca de citrino, toranja e laranja, floral, camomila, cera de abelha, faceta salina e mineral, num contínuo passo elegante e fresco. Boca com primeiro ataque cheio de fruta citrina, a secar de imediato o palato, laranja e toranja, cheio de energia e equilíbrio, boa tensão, sensação tânica, envolvente, harmonioso, dá prazer ao beber e a levá-lo à mesa, final de boca longo e guloso.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Le Volte Dell'Ornellaia 2023 Tinto

LE VOLTE DELL'ORNELLAIA 2023 TINTO | TOSCANIA (ITA) | 13,5% | PVP  25€
CABERNET SAUVIGNON, MERLOT, PETIT VERDOT
ORNELLAIA, SRL
17

Um vinho cujo nome tem o poder de criar expectativas que se apresenta num registo mais descontraído, procurando equilibrar fruta, estrutura e frescura num tinto feito para ser apreciado sem grandes formalidades. A conjugação de Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot resulta num vinho versátil e gastronómico, que tanto acompanha uma boa refeição como se deixa beber simplesmente à conversa. Um daqueles tintos que não precisa de uma ocasião especial para fazer sentido e que nos deixa sempre sossegados em relação ao que vamos encontrar.
À mesa, naturalmente, mostra a sua versatilidade junto de carnes grelhadas, massas, pizzas e pratos de cozinha italiana, onde a fruta e a frescura encontram facilmente espaço para acompanhar a refeição.
Cor vermelho rubi intenso, brilhante e profunda, límpido e de expressão jovem e apelativa. No nariz, mostra-se muito franco e convidativo, com a fruta vermelha e preta madura em primeiro plano, onde surgem notas de cereja, ameixa e frutos silvestres, acompanhadas por discretos apontamentos florais e especiados. A madeira aparece bem integrada, acrescentando alguma complexidade sem retirar protagonismo à fruta e mantendo o conjunto equilibrado e elegante. Na boca confirma as expectativas, com uma entrada fresca e envolvente, com uma estrutura bem doseada e taninos de textura polida que tornam a prova fácil e agradável. A fruta regressa bem definida, acompanhada por uma acidez que lhe dá dinamismo e evita qualquer sensação de peso. Termina equilibrado, com longa persistência e um lado ligeiramente especiado que permanece no palato por algum tempo.

Quinta do Sampayo 2025 Branco

QUINTA DO SAMPAYO 2025 BRANCO | TEJO | 12% | PVP  12€
FERNÃO PIRES, ARINTO
QUINTA DO SAMPAYO - AGROSEBER, SA
16,5

Despertou-me, desde o primeiro momento, grande curiosidade por ser o primeiro vinho desta casa em que a ânfora é utilizada no estágio, juntando esta novidade à expressividade aromática da Fernão Pires e à frescura da Arinto. Um branco que, mesmo antes de abrir a garrafa, me deixou antever uma procura de frescura e leveza, mas também algo mais, possivelmente uma dimensão extra que a utilização da ânfora lhe poderia acrescentar. 
Já no copo, facilmente constatamos que essa opção trouxe uma dimensão diferente ao conjunto, acrescentando interesse e alguma profundidade sem esconder aquilo que mais importa: a identidade das castas e a frescura que se espera de um branco feito para a mesa. 
Sem dúvida, é precisamente aí que me parece ganhar ainda maior graça, acompanhando a refeição com a mesma naturalidade com que convida a mais um copo. À mesa, a frescura e a leveza deste branco pedem pratos igualmente delicados, encontrando nos peixes grelhados, mariscos e saladas uma companhia natural. 
Cor amarela citrina, leve tonalidade palha, aberta, com um discreto laivo esverdeado, luminoso, límpido e jovem. No nariz revela boa intensidade aromática, embora um pouco tímido no inicio, com a fruta fresca de pomar e citrina a assumir o protagonismo, acompanhada por notas florais e subtil presença mineral que lhe confere vivacidade e maior complexidade. Na boca mostra-se fresco, leve e equilibrado, de médio volume, com uma acidez bem definida que percorre o palato e lhe dá dinamismo, com prolongamento e tensão, mantendo-se presente a fruta, acompanhada por uma textura que lhe acrescenta alguma dimensão e evita que a leveza se confunda com simplicidade. Final de boca longo (muito longo), fresco e elegante.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Quinta de Cidrô Sauvignon Blanc 2024 Branco

QUINTA DE CIDRÔ SAUVIGNON BLANC 2024 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  16€
SAUVIGNON BLANC
REAL COMPANHIA VELHA, SA
16,5

A casta sauvignon blanc encontrou no terroir duriense da Quinta de Cidrô um berço inesperado para mostrar uma faceta diferente da sua personalidade. Aqui parece ter encontrado condições para se afastar um pouco do perfil mais previsível da casta e revelar uma expressão própria, marcada pela frescura e pela intensidade aromática oferecendo um perfil vivo e expressivo, onde a fruta e as notas vegetais se cruzam com uma acidez que lhe dá nervo e equilíbrio.
À mesa, é precisamente esta frescura que abre caminho a diferentes possibilidades. Vais encontrar nos mariscos e no peixe uma companhia natural, mas também criará boas ligações com saladas, pratos de cozinha asiática ou preparações onde ervas aromáticas e ingredientes de perfil mais vegetal ganhem protagonismo. Um branco que pede comida, mas que também se deixa beber com facilidade num final de tarde, quando a conversa se prolonga e o copo vai ficando, naturalmente, mais vazio.
Cor amarelo citrino brilhante e com leve tonalidade esverdeada, aspecto límpido, jovem e atrativo. No plano aromático é um verdadeiro reboliço para o olfacto, com uma intensidade aromática que rapidamente prende a atenção e se dá a conhecer revelando a fruta em várias dimensões, entre notas cítricas e tropicais, acompanhadas por sugestões vegetais mais características da casta, criando um primeiro impacto muito expressivo, fresco e de boa complexidade. Revela ainda bem medida componente mineral que acrescenta outra camada ao aroma e ajuda a manter o equilíbrio e a finesse, sem deixar que a exuberância se sobreponha à elegância. Na boca continuamos o registo de elegância e finesse já sentida no nariz, mostrando-se vivo e vibrante, com uma acidez firme que percorre o palato e lhe dá nervo e dinamismo, com a fruta fresca e bem definida, acompanhada pelas notas vegetais, enquanto a estrutura mantém o conjunto equilibrado e muito refrescante. Final de boca limpo, persistente e com uma sensação de frescura que permanece depois do último gole.

domingo, 9 de agosto de 2026

Monte da Vigia Signature 2023 Tinto

MONTE DA VIGIA SIGNATURE 2023 TINTO | ALENTEJO | 14,5% | PVP  16,99€
ALICANTE BOUSCHET, TOURIGA FRANCA
HERDADE DA CANDEEIRA UNIPESSOAL, LDA
15

Berço alentejano e assinado pela Herdade da Candeeira, apresenta-se como um tinto de perfil acessível, onde se destaca uma fruta mais poderosa, uma estrutura média e alguma complexidade, provando que um vinho pensado para a grande distribuição também pode merecer um lugar à mesa e, sobretudo, um olhar mais atento no momento da escolha.
À mesa, acompanha bem carnes grelhadas ou assadas, pratos de forno, massas com molhos ricos e queijos de média cura, onde a fruta e a estrutura encontram equilíbrio nos sabores mais intensos.
Este é um daqueles vinhos que encontramos exclusivamente nas lojas Continente e Modelo, pensado para chegar a um público alargado e que, não raras vezes, surge integrado nas campanhas promocionais da cadeia. Isso torna-o particularmente interessante para quem procura perceber até onde pode ir a relação entre preço e qualidade na grande distribuição. À data desta prova, o Continente apresenta um PVPR de 16,99 €, com preço promocional de 5,94 €.
Cor vermelha rubi intensa e profunda, com boa concentração, auréola levemente mais luminosa, límpido e jovem. Intenso e mais exuberante de nariz, oferecendo a fruta preta madura, com notas de ameixa e frutos silvestres, subtil compotado e nota de calor, acompanhada por sugestões de especiarias e um discreto apontamento tostado que lembra o estágio em madeira. Na boca revela um perfil cheio e frutado, com volume médio, tanino polido e pronto, textura macia, mas com acidez suficiente para manter o conjunto equilibrado, mantendo-se a fruta no centro da prova, enquanto a madeira surge integrada, acrescentando alguma complexidade sem dominar. Termina com boa persistência, num registo acessível, equilibrado e pronto a beber.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Pica-Pau Reserva 2021 Tinto

PICA-PAU RESERVA 2021 TINTO | LISBOA | 14% | PVP  6,99€
ALICANTE BOUSCHET, TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, SYRAH
SOCIEDADE AGRÍCOLA QUINTA DO CONDE, SA
15

Um tinto descomplicado, destinado a proporcionar prazer à mesa e mostrar que a qualidade também se encontra em propostas acessíveis. Sem pretensões de impressionar pela exuberância, conquista pelo equilíbrio e pela facilidade com que se bebe e consegue acompanhar diferentes momentos. 
Perfil marcado pela fruta madura, apoiada por um discreto estágio em barrica, revela boa estrutura, taninos polidos e uma frescura que lhe confere dinamismo. É um vinho que privilegia a versatilidade, capaz de agradar tanto numa refeição do dia-a-dia como num almoço de fim de semana descontraído entre família ou amigos. Acima de tudo, é uma referência que confirma como uma boa relação qualidade/preço continua a ser um dos grandes trunfos dos vinhos portugueses. 
À mesa continua a privilegiar a descontração com prato de carne vermelha grelhada, pizzas e massas com mão italiana ficando o conselho de o beber a uma temperatura de 16º aproximadamente.
Cor vermelho rubi de média concentração, luminoso, límpido e de aspecto jovem. Nariz exuberante, com a fruta vermelha e preta madura em destaque, perfil mais quente, subtil nota baunilhada, especiaria doce, passagem por barrica integrada. Boca de médio volume, textura acetinada, macia e envolvente, acidez no ponto, adicionando vivacidade, tanino polido e pronto, encostado à fruta sumarenta, pronto a beber e com longo final de boca.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Aliança Particular Vinha da Rigodeira Reserva Brut Nature 2022 Branco

ALIANÇA PARTICULAR VINHA DA RIGODEIRA RESERVA BRUT NATURE 2022 BRANCO  | BAIRRADA | 12,5% | PVP  16€
FIELD BLEND, BAGA, CHARDONNAY, PINOT NOIR
ALIANÇA VINHOS DE PORTUGAL, LDA
17,5

Há regressos que despertam inevitavelmente a curiosidade dos apreciadores, sobretudo quando recuperam nomes com história. É precisamente isso que acontece com o Aliança Particular, uma referência que volta ao mercado renovada, agora com uma identidade claramente focada na origem. 
O novo Aliança Particular – Vinha da Rigodeira 2022 assinala o regresso deste espumante emblemático sob um conceito single vineyard, colocando a histórica Vinha da Rigodeira, na Bairrada, no centro da sua expressão. Esta aposta numa única vinha não será apenas um exercício de estilo, mas mais uma forma de dar voz ao terroir e de mostrar como a conjugação das castas Baga, Chardonnay e Pinot Noir, trabalhadas em conjunto e complementadas por um estágio mínimo de 36 meses sobre borras, pode traduzir-se num espumante de perfil elegante, complexo e gastronómico.  
À mesa revela mais a sua personalidade e aptidão gastronómica.. Da delicadeza dos mariscos aos pratos de peixe e carnes brancas, acompanha cada garfada com frescura e precisão, mas é ao lado do icónico leitão da Bairrada que irá encontrar o seu lugar mais genuíno.  
Cor amarelo-citrina, brilhante e luminosa, apresenta uma bolha fina e persistente que reforça a elegância do conjunto, revelando desde o primeiro olhar um espumante de perfil elegante e grande frescura. No nariz, mostra-se expressivo e refinado, onde as notas de fruta de pomar, com sugestões de pera e pêssego, se entrelaçam com apontamentos cítricos e uma delicada componente floral. O prolongado estágio sobre borras revela-se de forma subtil através de elegantes notas de padaria, pão acabado de cozer, pastelaria e um discreto toque tostado, conferindo maior profundidade e complexidade aromática. Na boca, a mousse surge leve, fina e arejada, envolvendo o palato com grande delicadeza. A frescura e a acidez bem vincadas imprimem tensão e dinamismo ao conjunto, enquanto a textura cremosa equilibra a vivacidade do vinho. O perfil Brut Nature, que tanto adoro, evidencia-se numa secura precisa, que limpa o palato e prolonga a prova num final longo, elegante e persistente, deixando a vontade de regressar ao copo quase de forma imediata.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

The Legacy of Krohn: Crónica de uma Masterclass Fora de Série


Beber a própria História é um privilégio reservado a poucos. Na sexta edição das Provas Fora de Série, a Port & Friends e a WineStone abriram os arquivos secretos da mítica casa Wiese & Krohn. 
Uma viagem por uma prova vertical memorável onde brilharam colheitas lendárias como as de 1961, 1966, 1970 e o raríssimo e centenário Colheita de 1900

Há eventos que ultrapassam a barreira de uma simples prova de vinhos para se tornarem verdadeiras viagens no tempo, e a masterclass The Legacy of Krohn foi, sem qualquer dúvida, um deles. 
Organizado pela Port & Friends no ambiente acolhedor do Restaurante 3 Pipos, em Tondela, este encontro único não serviu apenas para celebrar e reforçar o renascimento de uma das casas mais históricas de Vinho do Porto - agora sob a asa do WineStone Group -,mas também para abrir as portas de uma biblioteca líquida que poucos têm o privilégio de conhecer. 
 
Embora estivesse prevista a presença de David Baverstock, que infelizmente não pôde participar por motivos pessoais, a condução desta experiência ficou nas mãos da enóloga Mafalda Bahia Machado e de André Lindo, o mentor e fundador da Port & Friends. Cruzando a precisão técnica da enologia com o entusiasmo contagiante de quem transformou a paixão pelo Vinho do Porto num projeto internacional de partilha, a dupla desafiou os presentes a recuar décadas através de stocks históricos e relíquias raras, culminando no momento quase sagrado de provar um mítico e centenário 1900 Reserva Particular. 
O grande ponto de destaque do evento foi, sem dúvida, a impressionante prova vertical de vinhos do Porto Colheita (Single Harvest Tawnies), que cobriu um arco temporal fascinante entre as colheitas de 1985 e o início do século passado. Pelo caminho, a vertical ganhou uma enorme tração e admiração global ao revelar a grandiosidade de anos excecionais: o equilíbrio soberbo do Colheita 1970, a enorme profundidade estrutural do imponente Colheita 1966 e a impressionante complexidade aromática do histórico Colheita 1961, três referências que exemplificam na perfeição o apogeu do envelhecimento em casco. No entanto, o momento mais alto e emotivo da sessão aconteceu com a prova do raríssimo Krohn Colheita de 1900. Provar um vinho com mais de um século de vida, que preserva uma vivacidade, acidez e energia inacreditáveis, foi uma experiência sublime que demonstrou a imortalidade do Douro.
 
Nas linhas que se seguem, partilho a crónica de uma Masterclass memorável e as notas de prova de todos os vinhos provados dando luz a um momento onde a história e o tempo se fundiram no copo, transformando esta verdadeira aula numa experiência que guardarei na memória e no palato para sempre.

KROHN PORTO VINTAGE 1985 | PORTO | 20% | PVP 125€
SWIESE & KROHN SUCRS, SA
ENGARRAFADO EM 1987  
17
Cor vermelho desvanecida, quase sem cor, tonalidade casca de cebola, demonstrando já a sua longa idade. Nariz limpo e fresco como maior nota de destaque, com notas de fruta vermelha ainda presente, ligeiro herbáceo e floral em fundo. Boca também em sentido descendente, embora não deixando de mostrar alguma fruta vermelha e especiaria exótica bem casada, doçura no ponto, com final médio-longo e ainda com vivacidade. 

KROHN PORTO VINTAGE 1970 | PORTO | 21% | PVP 259€
WIESE & KROHN SUCRS, SA
ENGARRAFADO EM 1972  
17,5 
Cor vermelho aberto, desvanecido, embora mais concentrado que o anterior, tonalidade tijolada, mostrando idade avançada. Plano aromático rico e complexo, revelando ainda boa componente frutada, fruta vermelha de bago, fruta passa, especiaria marroquina, subtil presença de fruto seco. Na prova de boca apresenta-se com elegância e frescura, num registo mbem reais seco, doçura equilibrada e bem cortada por acidez vivaz, oferecendo um final prazeroso e longo. Um ano clássico bem representado.

KROHN PORTO VINTAGE 1963 | PORTO | 21% | PVP  66€
WIESE & KROHN SUCRS, SA
ENGARRAFADO EM 1965  
18
No plano visual surge como o de maior concentração de cor entre os Porto Vintage em prova, com avermelhados mais vivos, tonalidade casca de cebola e ligeiro tijolado. Aromaticamente limpo, elegante e fino, oferecendo ainda notas de fruta vermelha num enlace equilibrado com a componente de terciários, fruto seco e muita especiaria. Mantém o registo de elegância quando chegamos à prova de boca, num perfil de médio volume, secura bem medida, doce equilibrado, com a fruta fresca a dar um ar da sua graça, num conjunto onde acaba por sobressair o tempero da especiaria e alguma presença de torrefação, terminando longo e prazeroso.

KROHN PORTO VINTAGE 1931 | PORTO | 20% | PVP  750€ a 1500€
WIESE & KROHN SUCRS, SA
ENGARRAFADO EM 1933  
18,5
Um privilégio poder provar este Porto Vintage, de um ano histórico e extremamente raro, que se mostrou ainda em boa forma, demonstrando que, quando bem conservados, os Porto Vintage conseguem desafiar o tempo de uma forma quase desconcertante. Curioso que, em prova cega, dificilmente seria uma escolha consensual. A sua evolução poderia conduzir-nos para outro estilo de Vinho do Porto, algo perfeitamente compreensível quando estamos perante um vinho com quase um século de vida. Na cor praticamente não temos a presença de avermelhados, sobressaindo a tonalidade amarela matizada por esverdeados e acastanhados evidentes, pouca concentração, luminoso e cativante. Grande complexidade aromática, com uma vertente especiada bem assumida, onde a fruta fresca surge naturalmente mais desvanecida, dando lugar a apontamentos de fruta passa e frutos secos, envolvidos por elegantes notas de casca de laranja cristalizada, figo seco, café, cacau, folha de tabaco seca e madeira nobre perfeitamente integrada. O conjunto revela-se harmonioso, profundo e de grande finesse. Na boca revela elegância impressionante para idade, tendo o tempo moldado o vinho sem lhe retirar vida, oferecendo textura sedosa e envolvente, sustentada por uma acidez perfeitamente integrada que lhe confere frescura e equilíbrio. A fruta passa e os frutos secos voltam a marcar presença, acompanhados por delicadas notas especiadas e um subtil amargor que lhe acrescenta profundidade. Apesar da idade, mantém notável precisão, harmonia e persistência, terminando num final muito longo e refinado.
Uma particularidade interessante deste Krohn Porto Vintage 1931 é o facto de ter sido produzido numa fase marcante da história da casa, quando Edmundo Falcão Carneiro já integrava a sociedade, mas ainda antes de a família Falcão Carneiro assumir o controlo total da empresa, mantendo-se, contudo, a designação dos seus fundadores noruegueses. 

KROHN PORTO COLHEITA BRANCO SECO 1925  | PORTO | 20% | PVP  700€ a 1000€
WIESE & KROHN SUCRS, SA
ENGARRAFADO EM -  
17
Cor âmbar jovem, com tonalidade esverdeada e reflexos acobreados, apresentando-se luminoso, denso e de grande presença visual. No nariz revela uma complexidade marcada pela idade, embora com alguma rusticidade inicial e ligeiramente sujo, onde uma componente mais evoluída surge acompanhada por fruta passa e outros apontamentos de frutos secos, num registo onde o tempo se faz sentir sem retirar identidade ao vinho.
Na boca é surpreendentemente vibrante e cheio de vida. Mostra-se muito seco, com uma acidez notável e uma tensão pouco habitual para a sua idade, revelando grande equilíbrio entre concentração e frescura. As notas cítricas trazem precisão ao conjunto, enquanto um ligeiro amargor final acrescenta personalidade e profundidade. Termina longo, persistente e com uma energia que contrasta de forma fascinante com os quase cem anos de história que carrega. 

KROHN PORTO COLHEITA 1983 | PORTO | 20% | PVP  148€
QUINTA AND VINEYARD BOTTLERS  VINHOS, SA 
ENGARRAFADO EM 2024  
18
Cor âmbar definida, de média concentração, com uma auréola luminosa onde surgem subtis reflexos acobreados e esverdeados, aspecto límpido e muito atrativo no copo, revelando desde logo uma evolução elegante e bem preservada.No nariz mostra-se limpo, fino e complexo, com uma componente de fruto seco levemente torrado, notas de madeira avinhada, mel, casca de laranja e uma especiaria exótica delicada. Um conjunto rico e harmonioso, onde a maturidade surge perfeitamente integrada, sem perder frescura nem vivacidade. Impressiona pela elegância e pela forma como conjuga profundidade com leveza. Na boca revela uma notável sensação de vida e equilíbrio, oferecendo uma acidez vibrante, concentração muito bem medida e uma ligeira presença alcoólica que, embora percetível, não condiciona o conjunto. Tudo surge muito arrumado e preciso, com uma textura elegante, onde regressam as notas de fruto seco e fruta passa,  terminando longo, prazeroso e com uma persistência que confirma a qualidade da evolução.

KROHN PORTO COLHEITA 1970 | PORTO | 20% | PVP  249€
QUINTA AND VINEYARD BOTTLERS  VINHOS, SA 
ENGARRAFADO EM 2024  
18,5
Cor âmbar definida, com leves reflexos esverdeados, brilhante e límpida, revelando uma evolução marcada pelo tempo, mas ainda com grande elegância visual. No nariz apresenta inicialmente um perfil mais fechado e reservado, quase tímido, necessitando de algum tempo de respiração para revelar toda a sua dimensão. Com o tempo no copo, abre de forma progressiva, mostrando notas de fruto seco, fruta passa, especiaria exótica, melaço e uma delicada componente citrina, onde surge a casca de laranja, oferecendo um conjunto vivaz, complexo e elegante, onde a profundidade da idade convive com uma surpreendente sensação de frescura. Na boca revela uma elegância notável, com um registo mais seco e muito preciso, dono de volume mais generoso, textura envolvente e uma doçura muito bem integrada, contribuindo para um equilíbrio exemplar. As notas de especiaria e fruta seca regressam em harmonia, num perfil exuberante, mas nunca pesado ou excessivo. Termina longo, refinado e persistente, deixando uma sensação de grande equilíbrio e sofisticação.
Em comparação com o Krohn 1983 é interessa, engarrafado no mesmo ano, este 1970 parece mais profundo, mais contemplativo e mais complexo, enquanto o 1983 parece mais imediato, fresco e preciso. O 1970 parece ter uma camada extra de evolução sem perder a energia que o mantém vivo.

KROHN PORTO COLHEITA 1966 | PORTO | 20% | PVP  350€ a 500€
WIESE & KROHN SUCRS, LD
ENGARRAFADO EM 2007  
18
O ano ficou marcado na memória coletiva portuguesa por um acontecimento desportivo que ultrapassou fronteiras: a participação da seleção nacional no Campeonato do Mundo de Futebol, em Inglaterra, onde Portugal alcançou um histórico terceiro lugar, liderado pela genialidade de Eusébio e por uma geração que deixou uma marca inesquecível no futebol mundial. Poucos dias após o término do evento a vindima de onde nasceria este Krohn Colheita Tawny 1966, um vinho que, tal como as grandes memórias, ganhou dimensão com o passar do tempo. Mais de cinco décadas de evolução que lhe permitiram transportar consigo não apenas a história de uma vindima, mas também a passagem de diferentes épocas e gerações.
Cor âmbar definida, embora com alguma perda de brilho e ligeira turbidez, revelando a idade e a evolução prolongada do vinho. No nariz apresenta um perfil onde a fruta mantém maior protagonismo relativamente às notas mais terciárias de frutos secos e evolução, mostrando-se mais rico e opulento, com uma expressão aromática marcada pela maturidade da fruta e por uma concentração evidente, embora a componente olfativa se apresente menos exuberante e mais caída face ao que viria a revelar em boca. Na boca dá uma verdadeira reviravolta. Surge poderoso, envolvente e surpreendentemente harmonioso, mostrando uma integração exemplar entre álcool, fruta e acidez. Revela riqueza, complexidade e uma bela frescura, com uma textura elegante e uma persistência longa e muito prazerosa. 
A prova de boca supera claramente a expectativa criada pelo aroma, conquistando pela força, equilíbrio e capacidade de envolvimento.


KROHN PORTO COLHEITA 1961 | PORTO | 20% | PVP 450€ a 600€
WIESE & KROHN SUCRS, LDA
ENGARRAFADO EM 2007  
19,5
Esta uma das referências mais emblemáticas da Casa, entrando num território de grande raridade e maturidade. A colheita de 1961 é historicamente reconhecida como um ano muito quente e seco no Douro, originando vinhos de grande concentração, fruta madura e estrutura. Estamos perante um vinho que atravessou décadas em madeira antes de ser engarrafado em 2007 e que,  mais do que a idade, impressiona a forma como o tempo foi construindo a sua identidade: camadas de complexidade, elegância e profundidade, num equilíbrio onde a maturidade não substitui a frescura, mas acrescenta dimensão. Transporta consigo mais de seis décadas de história, revelando no copo a expressão de uma grande vindima e a capacidade dos grandes Colheitas em desafiar o passar dos anos.
Cor âmbar definida, com uma impressionante presença de reflexos esverdeados e acastanhados, revelando uma evolução profunda, mas ainda com grande luminosidade, apresentando uma auréola brilhante, média concentração, aspecto límpido e muito cativante no copo. No nariz revela uma complexidade extraordinária, mostrando-se rico, profundo e muito expressivo. Surgem delicadas notas torradas, bolo inglês, frutos secos, noz e amêndoa, fruta passa, casca de laranja cristalizada, especiaria fina, caramelo subtil e ligeiras nuances de madeira avinhada. A componente mentolada e fresca em fundo acrescenta vivacidade ao conjunto, enquanto apontamentos mais terciários de tabaco, caixa de charutos e chá preto conferem ainda maior profundidade e sofisticação. Um perfil aromático de enorme elegância, onde a maturidade está perfeitamente integrada e o tempo surge como elemento de construção, acrescentando camadas de complexidade sem perder frescura. Na boca confirma todas as expectativas criadas na prova olfativa, apresentando uma elegância notável e uma personalidade muito própria, alicerçado num perfil mais seco, com volume de média densidade, firmeza e uma estrutura surpreendente, onde surge uma componente tânica ainda presente e muito bem integrada. A acidez mantém o vinho vivo e preciso, prolongando o final de boca de forma notável. Um Colheita Tawny de enorme classe, pela combinação extraordinária entre profundidade, frescura, equilíbrio e capacidade de emocionar.

KROHN PORTO COLHEITA RESERVA PARTICULAR 1900 | PORTO | 20% | PVP 1200€ a 1600€
WIESE & KROHN SUCRS, LDA
ENGARRAFADO EM 1980  
19
Há vinhos que deixam de ser apenas uma expressão de uma vindima e passam a ser testemunhos de uma época. O Krohn Colheita Reserva Particular 1900 pertence a essa categoria rara, um vinho nascido há mais de um século, atravessando gerações e preservando no copo a memória de um tempo que já não existe. Ter a oportunidade de provar um vinho com esta idade é, por si só, um privilégio. Mais do que uma simples prova, representa um encontro com a história, com o saber acumulado de várias gerações e com a capacidade extraordinária de um grande Vinho do Porto resistir ao passar do tempo. Cada aroma, cada textura e cada detalhe revelado no copo tornam-se parte de uma experiência única, impossível de repetir exatamente da mesma forma. Engarrafado em 1980, depois de uma longa evolução em madeira, chega ao meu copo como uma verdadeira cápsula do tempo. 
Cor âmbar profunda e definida, com tonalidades acastanhadas e reflexos esverdeados muito nítidos, revelando uma evolução extraordinária, mas mantendo uma luminosidade e uma limpeza impressionantes. Brilhante e visualmente muito cativante, transmitindo desde logo a sensação de um vinho que atravessou mais de um século com uma preservação notável. No nariz revela uma frescura e uma juventude absolutamente surpreendentes para os seus 126 anos de vida. Aroma de enorme complexidade e riqueza, onde surgem notas de fruta passa, tâmaras, frutos secos, subtis apontamentos torrados, casca de laranja, mel, melaço e uma especiaria exótica delicada. A profundidade trazida pelo tempo aparece em camadas sucessivas, com nuances de madeira nobre e uma elegância difícil de encontrar, mas sempre acompanhada por uma extraordinária sensação de vivacidade. Um perfil aromático longo, rico e fascinante. Na boca revela toda a sua grandeza. Apresenta volume e estrutura, com uma riqueza notável, mas sem perder precisão ou equilíbrio, revelando acidez vibrante que funciona como elemento fundamental para manter o vinho vivo, enquanto o registo mais seco e fino lhe confere uma elegância extraordinária. A doçura surge perfeitamente doseada, integrada e harmoniosa, contribuindo para uma textura envolvente e sedutora, aparecendo ainda uma subtil nota de "vinagrinho", acrescentando complexidade e tensão ao conjunto. Termina longo, profundo e glorioso, deixando uma persistência que confirma a dimensão excecional de um Colheita verdadeiramente histórico.

A principal conclusão que retiro desta prova histórica é a consolidação indiscutível da Krohn como uma das maiores referências mundiais na categoria de Colheitas, evidenciando uma capacidade única de manter a frescura ao longo de décadas de estágio. O evento deixou ainda bem claro que o legado da Krohn está mais vivo do que nunca. A nova etapa sob a chancela da WineStone assegura que este património imaterial e cultural continuará salvaguardado, demonstrando que a equipa de enologia sabe exatamente como equilibrar o respeito pela herança secular com a inovação necessária para os desafios do futuro.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Casa de Sabicos Joaquim Madeira 2006 Branco

CASA DE SABICOS JOAQUIM MADEIRA 2006 BRANCO | ALENTEJO | 14% | PVP  40€*
ANTÃO VAZ, ARINTO, CHARDONNAY
CASA AGRÍCOLA SANTANA RAMALHO, LDA
16,5

O ano de 2026 tem-me levado à abertura de vinhos com uma década ou mais de garrafa. Não por uma questão de celebração, mas sobretudo pela curiosidade de perceber o que o tempo pode revelar em vinhos que, muitas vezes, não foram pensados para uma guarda tão prolongada. 
Este Casa de Sabicos enquadra-se perfeitamente nesse propósito. Não procura impressionar pela exuberância nem pela força, conquista pela serenidade com que revela cada aroma, cada textura e cada detalhe acumulado ao longo dos anos. É um branco que pede tempo no copo, convida à conversa e recompensa quem resiste à tentação de o desvendar à pressa.
A evolução é evidente, mas longe de representar um sinal de declínio, traduz-se numa identidade mais rica e cativante. Os aromas evocam memórias de frutos secos, casca de laranja e delicadas notas de pastelaria, enquanto a boca surpreende pela frescura que ainda conserva, sustentada por uma acidez viva e um equilíbrio que lhe confere elegância do princípio ao fim. É precisamente este contraste entre maturidade e vivacidade que torna a prova tão envolvente e memorável.
À mesa, merece pratos preparados com o mesmo respeito que demonstra no copo. Bacalhau assado, peixes de forno, marisco, arrozes ricos ou aves de carne branca encontram neste vinho um parceiro natural, capaz de valorizar os sabores sem nunca os dominar. 
Cor amarela de tonalidade âmbar, aberta, luminosa, límpida e sem esconder a idade já avançada. Impressiona na componente aromática, com notas sedutoras, mas elegantes, de frutos secos, casca de laranja desidratada, bolo de laranja e subtis apontamentos de pastelaria, sempre num registo de equilíbrio e elegância, desafiando os sentidos e prendendo a atenção.
Na boca revela ainda uma vivacidade notável, acidez saliente, subtil tensão e bom comprimento. Apresenta corpo de médio volume, textura macia, citrinos em fundo e amêndoa seca, num registo sedutor e equilibrado, culminando num final de boca médio-longo.

*valor encontrado em garrafeiras embora sem stock.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Kühling-Gillot Hipping Riesling GG Trocken 2021 Branco

KÜHLING-GILLOT HIPPING RIESLING GG TROCKEN 2021 BRANCO | RHEINHESSEN-NIERSTEIN (GER) | 12,5% | PVP  67,95€
RIESLING
SPANIER-GILLOT, GbR
17,5

A icónica encosta do Roter Hang, em Rheinhessen, serve de berço para este vinho branco de topo, concebido sob preceitos biodinâmicos por Carolin Spanier-Gillot e Hans Oliver Spanier. Este Grosses Gewächs (GG), designação de significado similar ao Grand Cru, mostra-se de perfil seco e reflete bem a pureza da colheita de 2021 através de uma acidez vibrante, que sustenta uma textura mais densa e inesperada, mas profundamente salina, típica dos solos de ardósia vermelha. É um vinho tenso e de enorme precisão, talhado para evoluir por muitos anos na garrafa e para desafiar a mesa. 
Como parceiro gastronómico, a sua estrutura concentrada exige pratos com corpo e frescura idênticos. O casamento perfeito faz-se com produto de mar, como um robalo assado com molho de manteiga e limão ou carabineiros grelhados, cuja doçura natural equilibra o perfil salino do Riesling. A sua acidez cortante faz com que seja também óptima escolha para harmonizar com a cremosidade especiada de um caril tailandês de lagosta.
Cor amarelo intenso, tonalidade palha brilhante e límpida, com reflexos luminosos e aspecto jovem. No nariz, à medida que o vinho respira,  somos invadidos por uma narrativa aromática complexa e entusiasmante, oferecendo, num primeiro momento, a fruta amarela madura, lembrando notas de damasco e maçã, que rapidamente se funde com subtis apontamentos de casca de laranja amarga e nuances herbáceas,  assumindo depois a assinatura do solo o protagonismo, revelando um fundo marcadamente mineral, salino e com aquele toque fumado e com ligeiro petrolado a mostrar-se já em fundo elegante e fresco. Na boca ganha uma nova dimensão através de uma entrada concentrada e densa, onde o corpo texturado é conduzido por uma acidez vibrante e crocante,  que parece estalar na boca, sempre num registo de equilíbrio tenso entre a frescura e a estrutura, de enorme pureza e precisão, culminando num final de boca longo, profundamente salino e com uma persistência quase picante.

sábado, 1 de agosto de 2026

Vilar Torpim 2024 Branco

VILAR TORPIM 2024 BRANCO | BEIRA INTEROR | 12,5% | PVP  11€
SÍRIA, FONTE CAL, ARINTO
AGROCARDO, SA 
16
 
Um vinho bem representativo do perfil fresco e vibrante dos vinhos brancos das Beiras. Jovem, equilibrado e de expressão aromática limpa, privilegia a fruta e a acidez, resultando num conjunto leve e muito agradável, ideal para momentos descontraídos à mesa ou como aperitivo, embora a sua frescura o potencie como excelente acompanhamento para peixes e mariscos, saladas, carnes brancas e pratos de inspiração mediterrânica.
De cor citrina clara e brilhante, com reflexos esverdeados, apresenta-se límpido, revelando desde logo a sua juventude. No nariz evidencia uma expressão aromática fresca e envolvente, marcada por delicadas notas florais, frutos cítricos e sugestões de maçã verde, complementadas por um subtil apontamento mineral que reforça a sua elegância. Em boca confirma as expectativas criadas pelo aroma, revelando-se leve, equilibrado e sustentado por uma acidez viva que imprime grande frescura ao conjunto. A boa harmonia entre fruta, mineralidade e acidez confere-lhe dinamismo e precisão, prolongando-se num final persistente, limpo e muito refrescante.

Moët & Chandon Grand Vintage Extra Brut 2013 Branco

MOËT & CHANDON GRAND VINTAGE EXTRA BRUT 2013 BRANCO | CHAMPAGNE (FRA) | 12,5% | NM | PVP  73,50€
CHARDONNAY, PINOT NOIR, MEUNIER
CHAMPAGNE MOËT & CHANDON
Dégorgement 03/2021
18

Para todos os momentos encontramos um champagne. Há champanhes que celebram o momento e outros que convidam a apreciá-lo com mais calma. Este Moët & Chandon Grand Vintage Extra Brut 2013 pertence claramente ao segundo grupo. Com um perfil elegante, fresco e equilibrado, revela a identidade da colheita que lhe deu origem e mostra-se especialmente à vontade à mesa, onde a sua versatilidade faz toda a diferença.
É uma excelente companhia para ostras, mariscos, crustáceos e peixes de carne firme, mas também acompanha muito bem aves assadas e queijos de pasta mole de intensidade moderada. Um champanhe pensado para ser saboreado sem pressas, sempre em boa companhia.
Cor amarelo citrino intenso, com subtis reflexos dourados luminosos, atravessada por uma bolha fina e persistente que evidencia a sua elegância. No aroma, revela uma expressão rica e bem definida, onde surgem notas de maçã madura, pera, frutos secos, castanha assada e um delicado toque de mel e flores, acompanhados por uma subtil componente mineral. Na boca confirma a elegância e frescura que dele esperava, com uma acidez viva e bem integrada, textura cremosa e um equilíbrio notável entre intensidade e finesse. O final é longo, preciso e marcado por uma agradável sensação de frescura.