segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Borgogno Barolo Riserva 2014 Tinto

BORGOGNO BAROLO RISERVA 2014 TINTO | PIEMONTE (ITA) | 14% | PVP  169€
NEBBIOLO
GIACOMO BORGOGNO & FIGLI
18

Um Barolo de enorme elegância e carácter, onde a evolução começa agora a revelar toda a complexidade que o longo estágio em madeira – 6 anos - e o tempo de garrafa procuraram preservar. Não encontrei um vinho de impacto imediato, antes um vinho para se levar à mesa, dar-lhe tempo e perceber como a fruta, as especiarias, as notas balsâmicas, a acidez e o tanino vão sucessivamente aparecendo no copo, quase que por camadas temporais. Passados cerca de doze anos, está num ponto muito interessante de consumo, embora não tenha qualquer dúvida de que irá continuar o seu caminho em garrafa durante muitos mais anos. 
Um Barolo de perfil clássico, construído mais sobre a elegância, a frescura e a capacidade de envelhecimento do que sobre a concentração ou a exuberância. 
É daqueles vinhos que pedem comida com alguma estrutura, mas sem excessos. Um risotto de cogumelos, ossobuco ou carnes de caça são escolhas naturais. No nosso caso, o pairing ocorreu com o Risotto de Rabo de Boi “Rossini” com Pera Rocha no qual a acidez e os seus taninos encontraram gordura e intensidade suficientes para um momento de equilíbrio e grande prazer. 
Cor rubi com ligeiros reflexos granada, média concentração, luminoso e de aspecto límpido e hipnotizante. No plano aromático começa tímido e delicado, mas vai ganhando dimensão com algum tempo no copo, revelando cereja vermelha, frutos silvestres, flores secas, ervas aromáticas, especiarias e notas de alcaçuz, a que se juntam sugestões balsâmicas e um lado terroso muito fino e elegante. Na boca apresenta-se de entrada firme, acidez viva e muito bem integrada, tanino presente, mas já mais polidos e menos duros, com uma textura que privilegia a elegância em vez do peso e com a fruta vermelha muito bonita temperada com especiaria, notas balsâmicas e uma componente mineral e ligeiramente salgada que parece surgir apenas no final de tudo. Termina longo, fresco e persistente.

domingo, 30 de agosto de 2026

Lacourte Godbillon Mi-Pentes Premier Cru Extra Brut

LACOURTE GODBILLON MI-PENTES PREMIER CRU EXTRA BRUT BRANCO | CHAMPAGNE (FRA) | 12% | RM | PVP  68€
PINOT NOIR
LACOURTE GODBILLON
Dégorgement 11/2021
17,5

Conquista pela elegância, pela precisão e pela forma como o tempo lhe foi acrescentando novas dimensões. Encontrei-lhe a curiosidade de ter as uvas de pinot noir, que lhe dão vida, provenientes de parcelas de meia encosta - Mi-Pentes -. em Écueil, na Montagne de Reims, sendo que a sua base é da colheita de 2017, complementada por 30% de vinhos de reserva e, nesta edição, o vinho permaneceu cerca de 41 meses sobre as borras antes do dégorgement, já em novembro de 2021, com dosage muito baixo de 3 g/l. Não é 0, mas é muito próximo.
É precisamente essa combinação entre fruta, tempo e secura que mais me atraiu,  encontrando um Champagne com algum volume e sensação de riqueza, mas sem a sensação adocicada, antes com elegância através da precisão, da textura e de uma mousse delicada, deixando que o carácter do pinot noir e a evolução sobre as borras acrescentem profundidade.
Aqui fugiria um pouco ao cliché das ostras e da posposta para início de refeição. É um Champagne com estrutura e secura suficientes para acompanhar pratos principais e não apenas para servir de aperitivo ou entrada. Penso em marisco, ostras, peixe cru, carpaccios, peixe grelhado e aves, mas também em pratos onde a componente cremosa ou de forno encontre contraponto na acidez e na secura do vinho. E se for no final, só mesmo para terminar, limpa os sentidos e a alma.
Cor amarela definido e intenso, brilhante e luminoso, ainda com face jovem, bolha fina e de cordão persistente. No nariz é a componente de panificação que primeiro aparece, muito evidente e envolvente, lembrando pão acabado de cozer, brioche e notas de massa fina, até mesmo subtil fruto seco torrado, a que se juntam apontamentos de frutos citrinos e de polpa branca, alguma fruta mais madura e uma dimensão evolutiva muito bonita, com pitada floral e giz molhado, sem que o vinho perca frescura ou definição. Na boca oferece uma mousse é leve, fina e muito bem integrada, que nos invade e envolve o palato sem criar qualquer sensação de peso,  grande elegância, onde a secura se afirma de forma vincada, tornando a prova muito precisa e limpa, acidez sempre presente, firme e refrescante, prolongando a sensação de frescura e dando equilíbrio ao conjunto. A fruta aparece mais discreta, deixando que as notas de panificação e a componente mineral assumam maior protagonismo. O final é seco, persistente e muito elegante, limpando o palato de forma incrível.

sábado, 29 de agosto de 2026

Kimbrel Laurioza 2022 Tinto

KIMBREL LAURIOZA 2022 TINTO | DOURO | 12,5% | PVP  74,50€
FIELD BLEND
KIMBREL WINE COMPANY UNIP, LDA
18

Se encontramos projectos no Douro que nascem com a ambição de fazer grandes quantidades de vinho, outros há cujo objectivo passa por fazer nascer precisamente o contrário. A Kimbrel, projecto duriense muito recente, pertence a este segundo grupo, apostando desde o início numa leitura mais próxima da vinha, dos seus lugares e das pequenas parcelas que compõem uma propriedade. O projecto instalou-se, em 2022, na histórica Quinta do Roncão, no Vale do Roncão, uma propriedade datada de 1851 e com cerca de 12 hectares de vinha, onde a presença de vinhas velhas e de muitas castas diferentes constitui uma das suas maiores riquezas. A produção é deliberadamente pequena e orientada para micro-lotes.
O Laurioza 2022 nasce precisamente dessa filosofia. É um field blend que mostra que a elegância também pode nascer de uma região tantas vezes associada à potência,  optando por uma extracção muito ligeira, oferecendo mais delicadeza e expressão da fruta, num relacionamento de equilíbrio entre todas as partes.
À mesa buscamos de imediato as carnes assadas, caça de pelo, cabrito, pratos de forno e cozinha tradicional duriense.
Cor vermelho rubi de média concentração, tonalidade granada, luminoso, brilhante e jovem. No plano aromático a fruta vermelha madura e vibrante mostra-se de imediato, num registo mais carnudo e menos floral e mato seco, à qual se junta a especiaria e subtil componente vegetal, balsâmicos frescos e subtil folha de eucalipto em fundo. Conquista verdadeiramente na boca, com muita elegância e energia ao mesmo tempo, volume médio, de textura mais delicada, evitando o caminho do peso e rusticidade por vezes desproporcional, revelando acidez vibrante, secura salivante que se afirma passo a passo, fruta fresca bem definida, fruto de bago, silvestre, com tanino polido, mas firme, maior profundidade e mais sedutor, resultando num belo conjunto, prazeroso, fresco e de longo final.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Kopke e Burmester Vintage 2024: Duas Leituras de um Grande Ano


Dois Vintage, o mesmo ano, dois perfis. O Kopke mais concentrado e estruturado; o Burmester mais elegante e expressivo. Ambos, porém, com aquilo que mais interessa num Vintage: frescura, equilíbrio e vislumbre de tempo pela frente.

No mundo do vinho e mais particularmente do Vinho do Porto, há anos que nos ficam na memória pelos vinhos que fazem nascer. A colheita de 2024 no Douro parece querer ser um deles quando olhamos para os Porto Vintage 2024 que aos pouco começam a ser apresentados. É o caso do lançamento conjunto dos novos Vintage da Kopke e da Burmester que vêm confirmar esta ideia de que poderemos estar perante um ano particularmente fabuloso para o Vinho do Porto. 
O inverno e a primavera amenos e chuvosos deram às vinhas boas reservas para enfrentar um verão quente e seco, enquanto as noites frescas e a descida das temperaturas durante a vindima permitiram uma maturação mais progressiva e equilibrada. O resultado foi matéria-prima com excelente sanidade e uma combinação particularmente feliz entre concentração, frescura e estrutura, ou seja, precisamente aquilo que se procura num Vintage com a ambição de guarda durante muitos anos.
Depois de alguns anos sem uma declaração clássica destas duas casas, o regresso acontece agora com dois vinhos que partem das mesmas condições de um ano vitícola muito equilibrado, mas que chegam ao copo com personalidades bem distintas.

Ambos assinados por Carlos Alves, Master Blender do Kopke Group, estes dois vinhos não procuram ser iguais, mas antes representar duas leituras diferentes do mesmo Douro, mas com a matéria-prima de vinhas com diferentes localizações. O Kopke Vintage 2024 nasce na Quinta de São Luiz, no Cima Corgo, enquanto o Burmester Vintage 2024 tem origem na Quinta do Arnozelo, no Douro Superior. São dois lugares com características próprias, diferentes altitudes, exposições e condições de maturação, e essa identidade da vinha acaba inevitavelmente por deixar a sua marca no vinho. A própria Quinta de São Luiz reúne parcelas a diferentes altitudes e exposições, enquanto o Arnozelo, situado na margem esquerda do Douro, beneficia de um microclima muito próprio do Douro Superior. Sem dúvida, uma das coisas que mais me fascinam no vinho. O mesmo ano, a mesma mão, a mesma chancela e a mesma região, mas o terroir de nascimento diferente dentro da própria região e temos filhos do mesmo ano a contar histórias diferentes.

A possibilidade de os provar lado a lado tornou este primeiro contacto particularmente interessante. Longe de procurar diferenças para saber qual é o melhor, interessou-me perceber o que cada casa fez com um ano que lhes deu matéria-prima para construir vinhos de grande profundidade e longevidade. Naturalmente, encontrei dois Vintage ainda muito jovens, mas já suficientemente expressivos para deixarem perceber a sua identidade e, sobretudo, para me fazer imaginar aquilo que poderão vir a mostrar depois de alguns anos de garrafa.

KOPKE VINTAGE PORT 2024
| PORTO | 20% | PVP 90€
VINHAS VELHAS
19
Cor rubi muito profunda, densa e carregada, lágrima chorosa, revelador de juventude. No plano aromático começa mais tímido, quase reservado, como se precisasse de tempo para revelar tudo aquilo que tem para oferecer, mas rapidamente abre no copo, mostrando fruta preta e vermelha madura, notas de especiaria e apontamentos mais profundos, entre sugestões de cacau, ervas e uma discreta componente mentolada. Um perfil rico e complexo, que ganha claramente com o tempo e com a temperatura do vinho no copo. Na boca é onde o sentimos verdadeiramente e onde ele se afirma, com carácter, revelando uma estrutura impressionante e uma densidade que lhe dá profundidade, mas sem perder a frescura que considero uma das suas maiores virtudes. A fruta surge concentrada e madura, envolvida por taninos firmes, de enorme potencial, e por uma acidez muito bem vincada que percorre toda a prova e impede que o conjunto se torne pesado. Há volume, há estrutura, há concentração, mas há também muita frescura e uma energia que nos lembra que estamos perante um vinho ainda muito jovem. O final é longo, profundo e persistente, deixando uma combinação de fruta, especiaria, frescura e estrutura que promete uma evolução muito séria em garrafa.
 
BURMESTER VINTAGE PORT 2024
| PORTO | 20% | PVP  80€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA, TINTA RORIZ, ALICANTE BOUSCHET
18,5
Cor vermelho rubi muito profunda, quase impenetrável no centro, opaco, lágrima marcada, aspecto límpido e jovem . No nariz apresenta-se desde logo mais aberto e expressivo, num registo de grande elegância, onde as notas florais surgem quase em primeiro plano, acompanhadas por fruta vermelha e preta de perfil fresco e algumas sugestões de esteva, num bouquet gracioso e delicado, que vai ganhando dimensão à medida que permanece no copo, revelando progressivamente maior profundidade. Na boca confirma o registo elegante que o aroma já deixava perceber, mostrando-se, num primeiro ataque,  fresco, envolvente e harmonioso, com uma acidez vivaz e bem marcada que lhe dá tensão, dinamismo e equilíbrio, com a fruta bem presente, acompanhada por tanino firme, ainda jovem, mas já com uma textura bastante polida. Sente-se algum calor, sobretudo no final de boca, mas sem comprometer o equilíbrio geral do vinho. É um Vintage que se mostra bonito, expressivo e muito apelativo desde já, mas que está ainda claramente no início do seu percurso. Termina fresco, longo e elegante, deixando uma sensação de harmonia que convida a voltar ao copo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Grandjó Late Harvest 2021 Branco

GRANDJÓ LATE HARVEST 2021 BRANCO | DOURO | 12% | PVP  37,50€
SEMILLON
REAL COMPANHIA VELHA, SA
18,5

Sempre que o Grandjó Late Harvest me chega ao copo cresce em mim um misto de ansiedade e nervoso miudinho que me assalta os sentidos de forma quase incontrolável.  Não apenas por ser uma das referências históricas da Real Companhia Velha nos vinhos doces, mas porque conheço bem as suas colheitas, que considero particularmente marcantes, e que me conduzem à ideia de que estou na presença do melhor Late Harvest nacional.  Depois de provar o 2021,  não tenho grandes dúvidas em afirmar que o coloco ao nível do que encontrei no 2013 e principalmente no 2007.
E não o faço numa comparação feita apenas pela memória. Há vinhos que impressionam pela intensidade e outros que nos conquistam pelo equilíbrio entre todas as suas componentes. Este Grandjó consegue precisamente isso. A doçura está lá, generosa e envolvente, mas encontra uma acidez que lhe dá nervo e impede qualquer sensação de peso. É um vinho concentrado, complexo e profundo, mas simultaneamente muito fresco e elegante.
Sem dúvida, uma daquelas provas em que, terminado o vinho, fica a sensação de ter estado perante algo especial, um Late Harvest de excelência, que colocaria ao lado dos grandes nomes mundiais. E isso, para mim, diz praticamente tudo.
À mesa, acompanha naturalmente sobremesas à base de fruta, frutos secos, caramelo ou chocolate branco, mas é com foie gras, queijos azuis ou queijos de pasta mole e alguma intensidade que coloco as minhas fichas e onde creio que revela das suas melhores combinações.
Cor amarela de tonalidade dourada intensa, brilhante e luminosa, aspecto límpido e cativante. Plano aromático de enorme complexidade, começando por revelar fruta madura de caroço, notas de alperce e citrinos confitados, mel e flores secas, a que se juntam sugestões de frutos secos, especiarias e uma componente ligeiramente caramelizada. A presença da botrytis acrescenta aquela dimensão por vezes difícil de descrever, mas imediatamente reconhecível, entre a fruta muito madura, o mel e uma delicada componente especiada. Um aroma profundo, que vai ganhando novas camadas à medida que permanece no copo. Na boca é simplesmente magnífico. Sem ser de uma densidade pesada, revela-se cremoso e envolvente, de entrada doce e mais concentrada, mas rapidamente a acidez assume o papel fundamental de equilibrar toda essa riqueza. Há fruta madura, citrinos, mel e frutos secos, acompanhados por uma textura untuosa, mas nunca pesada. Consigo perceber esta concentração impressionante, mas o vinho mantém uma frescura que o torna perigosamente fácil de beber. O final é muito longo, persistente e equilibrado, deixando uma combinação de doçura e frescura.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Dominio del Águila Albillo Viñas Viejas 2016 Branco

DOMINIO DEL ÁGUILA ALBILLO VIÑAS VIEJAS 2016 BRANCO | RIBEIRA DEL DUERO (ESP) | 13,5% | PVP  249€
ALBILLO MAYOR
DOMINIO DEL ÁGUILA, SL
19

Este é um daqueles brancos que nos obrigam a repensar a ideia que temos sobre o que pode ser um vinho branco e por isso merece aqui um maior enquadramento para que possa ser entendido com propriedade. Não vamos em modo prova cega. Sabemo-lo proveniente de vinhas velhas com mais de 100 anos da casta Albillo Mayor, em La Aguilera, na Ribera del Duero, situadas entre os 800 e os 900 metros de altitude, em solos de areia argilo-calcária, argila e cascalho. A vindima é manual, com prensagem de cachos inteiros e lenta fermentação natural em barricas de carvalho francês, seguindo-se um longo estágio sobre borras finas. É um vinho produzido com uma lógica de guarda, claramente para deixar o tempo trabalhar a matéria-prima, com uma ambição que o aproxima mais de alguns grandes brancos de longa evolução do que da imagem habitual de um branco espanhol.
Em 2024, já com oito anos de idade, tive o prazer de o beber e mostrou precisamente por que razão este vinho é tão procurado. Longe de revelar sinais de cansaço, apresentou uma complexidade que o tempo de garrafa começou a tornar ainda mais evidente, mantendo uma frescura e uma tensão absolutamente notáveis. Era já um branco com outra dimensão, onde a fruta primária tinha dado lugar a uma expressão mais profunda, mineral e muito subtil de evolução. Quanto à passagem por barrica, percebemos desde logo não a procurar esconder, mas antes oferecê-la integrada, numa estrutura onde fruta, mineralidade, acidez e tempo trabalharam em conjunto.
À mesa pede comida com alguma presença e estatuto. Funcionará muito bem com peixe assado ou grelhado, mariscos mais estruturados, polvo, aves assadas e pratos de cogumelos, mas também com queijos curados. A sua acidez e componente salina conseguem cortar a riqueza dos pratos, enquanto a textura e a evolução acompanham preparações mais elaboradas.
Cor amarela, tonalidade pálida evoluindo para um dourado ligeiro, brilhante e de aspecto ainda muito vivo e jovem. No nariz revela desde logo a sua complexidade, com fruta branca madura e notas de fruta de caroço, acompanhadas por sugestões cítricas, ervas secas e flores já ligeiramente secas ou a caminho disso, acompanhando subtis apontamentos minerais e de sílex lascado, fumo muito fino, cera de abelha, frutos secos e uma discreta componente tostada, mas integrada, resultado do longo estágio em madeira. Arrebata e enamora-nos os sentidos. Na boca é onde mais me impressionou. Amplo, denso e envolvente, mas sem perder tensão, mostra uma acidez muito bem preservada que dá equilíbrio à sua concentração. A fruta surge madura, acompanhada por sensações minerais, salinas e ligeiramente fumadas. Por sua vez, a madeira está presente, mas mais uma vez, integrada, funcionando mais como elemento de complexidade do que como protagonista, revelando um perfil com textura, profundidade e uma persistência notável, dando a saber que a evolução apenas lhe acrescentou camadas sem lhe retirar energia, terminando longo, fresco e salino.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Laurentina - 50 Anos à Mesa Com o Rei do Bacalhau


A assinalar 50 anos de história, o Laurentina – O Rei do Bacalhau continua a ter no bacalhau o grande protagonista, servido de várias formas e acompanhado por sabores que cruzam a tradição portuguesa com a influência moçambicana. Fomos experimentar alguns dos pratos da casa e perceber como esta identidade se mantém viva, cinco décadas depois.

Chegar aos 50 anos não é apenas uma questão de calendário. É sinal de uma história construída à mesa, de muitas refeições, muitas memórias e, neste caso, de uma ligação muito particular a um produto que faz parte da identidade gastronómica portuguesa. O Laurentina – O Rei do Bacalhau assinala cinco décadas de história e continua a ter no bacalhau o grande protagonista de uma casa que se tornou uma referência em Lisboa e que como, amantes do fiel amigo, nos penitenciamos desde já por ser esta apenas a primeira vez.

Antes de nos lançarmos à mesa, espaço para um pouco de história, que neste Restaurante faz todo o sentido, tal a epopeia apaixonante que se iniciou com António Pereira, fundador do Restaurante Laurentina, ainda criança, que aprendeu a cozinhar nas patuscadas que fazia com os amigos. Mais tarde, durante a juventude, viajou até Lourenço Marques, actual Maputo, em Moçambique, onde abriu o então famoso Leão d’Ouro, no Alto Maé. Durante 22 anos, dedicou-se à gestão do restaurante e aos segredos do bacalhau, experiência que viria a marcar definitivamente o seu percurso.
De regresso a Portugal, António Pereira quis partilhar, no centro de Lisboa, os sabores da sua arte tradicional e regional portuguesa, com origem nas Beiras, sem esquecer a forte ligação aos sabores africanos que trazia consigo. Abriu a sua casa aos familiares e amigos e, em 1976, nascia o Restaurante Laurentina – O Rei do Bacalhau.

O que então era uma novidade tornou-se, ao longo das décadas, uma tradição reconhecida além-fronteiras pela qualidade, pela experiência e pela forma particular de trabalhar o bacalhau. Mais de quatro décadas depois, perduram os segredos da casa, desde a selecção do bacalhau, sempre da Islândia, ao seu corte e demolha, passando pela arte de bem receber e servir os clientes.

O nome Laurentina está também ligado à cerveja Laurentina, uma das marcas mais emblemáticas de Moçambique. Foi essa ligação que ajudou a reforçar a identidade do restaurante e a manter viva a memória dos sabores, das referências e das experiências moçambicanas que fazem parte da sua história.

Hoje, a paixão de António Francisco Pereira pela cozinha e pela arte de bem gerir permanece intacta, continuada pelas mãos dos seus filhos, Rita e Marco Pereira. É essa passagem de testemunho que permite ao Laurentina celebrar 50 anos sem perder a ligação às suas origens, mantendo uma identidade reconhecível e uma forma muito própria de estar à mesa.

Começámos pelas entradas, com uma salada de polvo (14,50€), pataniscas de bacalhau (4,25€ unid.) e a chamuças exótica (6,50€ duas). Três propostas distintas que desde logo mostram essa convivência entre tradição e outras influências. A salada de polvo chegou com o polvo no ponto e revelou-se maravilhosa, cheia de frescura e simplicidade, enquanto as pataniscas nos levaram para o lado mais tradicional, ainda quentes, finas e saborosas, com o bacalhau bem presente. As chamuças acrescentaram uma dimensão mais aromática e especiada, fazendo a ponte para a matriz moçambicana que também integra a identidade do Laurentina, sem nunca se tornarem excessivamente picantes.

Depois, naturalmente, chegou o momento de dar palco ao bacalhau. E aqui a escolha recaiu em quatro interpretações bastante diferentes.

O Bacalhau à Brás (22,50€) é um daqueles pratos que dispensam apresentações. Bacalhau desfiado, batata e ovo numa combinação reconfortante, que continua a fazer sentido precisamente porque não precisa de grandes artifícios. Envolvente e cremoso, ganhou ainda mais expressão com a batata palha feita na casa, que acrescenta textura e reforça o sabor. É um prato de conforto, daqueles que nos fazem sentir imediatamente em casa.

E antes de passarmos às interpretações mais tradicionais, demos um salto pela Moqueca de Bacalhau (26,50€). O mesmo peixe surge aqui num registo mais aromático e envolvente, apresentado em lascas bem definidas que se juntam à cremosidade do prato, sem que o seu sabor desapareça. Uma proposta que mostra como o bacalhau pode atravessar fronteiras e encontrar novas interpretações sem perder a sua identidade e fazendo o cruzamento de culturas que faz parte da história do Laurentina.

Seguimos por outro caminho com o Bacalhau Alto Assado (54€ 2 pax). Para quem gosta da posta alta que coloca o peixe no centro da experiência e deixa que a qualidade do produto fale por si. Uma preparação mais directa, onde a simplicidade do bem fazer é uma virtude e onde o acompanhamento não procura roubar protagonismo ao bacalhau.
 
No final lugar à Couvada de Bacalhau à Pereira da Laurentina (52€ 2 pax) que foi, para mim, o momento da refeição. Uma preparação que foge ao percurso mais previsível e que, mais do que surpreender, me fez fechar os olhos perante a intensidade do sabor. Como se algo me impelisse a cerrar os olhos em contemplação e, durante aqueles instantes, nada mais à minha volta interessasse. Ficamos apenas nós e o prato. Há sabores que se comem, outros que se apreciam e depois há aqueles que nos fazem parar. Este foi um deles. Daqueles pratos que fazem voltar qualquer um. E eu quero voltar.

Quatro pratos, quatro formas de interpretar o mesmo protagonista. E talvez seja precisamente essa capacidade de trabalhar o bacalhau sem o prender a uma única fórmula que ajuda a explicar uma parte dos 50 anos de história desta casa.
Como guardamos sempre um lugar para a derradeira parte da refeição, espaço ainda para uma verdadeiro desfile de sobremesas feitas no próprio dia. Baba de Camelo (6,50€), Mousse de Chocolate (6,50€) e Leite Creme Queimado (6,50€) representaram os clássicos, enquanto as Cerejas do Fundão (8€) e o Exótico de Coco com molho de Cereja do Fundão (7,50€) acrescentaram uma dimensão mais frutada e sazonal.

Mas houve uma sobremesa que mereceu uma atenção especial: o Pastel de Nata Caseiro e Gelado de Baunilha com Macadâmia (9,50€), feito ao momento. Há qualquer coisa de particularmente interessante quando um clássico tão português chega à mesa acabado de preparar. A massa, o creme e o calor do forno fazem aqui parte da experiência e não apenas da receita.

Cinquenta anos depois, o nome continua a dizer exactamente ao que se vem: encontrar o Rei do Bacalhau à mesa. Mas chegar a meio século também passa por saber respeitar todos os elementos que chegam ao prato. Não apenas o bacalhau, mas também a batata, a couve, o azeite e todos os restantes ingredientes que o acompanham e ajudam a construir cada preparação. No Laurentina, essa atenção ao conjunto faz-se sentir, permitindo que cada componente mantenha a sua identidade e contribua para o equilíbrio final.

Há também um valor especial na cozinha feita no momento, com o cuidado e o tempo necessários para que cada preparação chegue à mesa no seu melhor. A textura do bacalhau, o ponto da batata, a couve, a qualidade do azeite e a forma como todos estes elementos se encontram não são detalhes menores: são parte essencial da experiência. Não se trata apenas de servir, mas de cozinhar para quem está ali, naquele instante, valorizando cada produto e o trabalho de quem o transforma.
Talvez seja essa combinação entre qualidade, respeito por todos os ingredientes, cozinha feita no momento e uma identidade reconhecível que permite a uma casa continuar a receber diferentes gerações. E deixar que a história continue a ser escrita — prato após prato, mesa após mesa.

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LAURENTINA - O REI DO BACALHAU

Tipo de Cozinha: Tradicional Portuguesa e alguns pratos de influência moçambicana
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Parque Público Pago
Preço médio sem bebidas: 35€-40€ 
Horários: Segunda-feira a sábado: 12:00h - 16:00h e 19:00h - 23:00h;
                Domingo: Fechado
 
Morada: Avenida Conde de Valbom 71A 
              1050-067 LISBOA
         
Telefone:  +351 217 960 260

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Munda Phoenix 2018 Tinto

MUNDA PHOENIX 2018 TINTO | DÃO | 13,5% | PVP  49,90€
ALFROCHEIRO, BAGA, JAEN, TINTA RORIZ, TOURIGA NACIONAL
QUINTA DO MONDEGO - FONTES DA CUNHA C.E.G., SA
17,5

Este vinho chega ao copo com uma história que inevitavelmente faz parte daquilo que vamos beber e que, para muitos, continua com uma actualidade feroz para alguns produtores. Nascido como uma edição limitada, resultante do rescaldo dos incêndios de 2017 que atingiram a região do Dão, assume no próprio nome a ideia de renascimento e de resistência.  
Provado há pouco tempo, mostrou-se em excelente forma, com o tempo de garrafa a garantir maior integração e complexidade, mas sem retirar a frescura e a energia que continuam a marcar o conjunto. Conforme vai respirando e “abrindo as suas asas” encontramos um tinto num momento de equilíbrio particularmente feliz entre fruta, estrutura e evolução, com presença, mas sem excessos, onde a elegância acaba por falar mais alto do que a força.
À mesa pede comida com alguma estrutura, mas sem excessos. Carnes assadas, pratos de caça de menor intensidade, cogumelos ou um bom bacalhau assado são companheiros naturais para este perfil. Revela grande vocação gastronómica.
Cor vermelho rubi profunda, média concentração, com reflexos granada, brilhante e ainda sem denunciar a sua idade. No nariz começa por revelar fruta vermelha madura, sobretudo cereja, acompanhada por notas de vegetal seco, especiaria e uma dimensão balsâmica fresca e elegante,  mostrando a passagem por madeira, mas bem integrada, contribuindo mais para a complexidade do que para marcar o perfil do vinho. Surgem ainda apontamentos de tabaco e tinta da China, num conjunto que se vai abrindo progressivamente no copo e ganhando definição. Na boca confirma-se a boa forma que já no aroma se fazia antever, com primeiro ataque sedoso, fresco e com boa amplitude, mostrando uma estrutura firme, mas perfeitamente integrada, revelando a fruta mais contida e precisa, acompanhada por tanino de textura fina, mais polido e por uma acidez muito bem colocada, responsável por lhe dar vivacidade e maior dimensão. A madeira, tal como no plano aromático, aparece em segundo plano, enquanto as notas balsâmicas, especiadas e de bosque vão ganhando espaço à medida que a prova avança. O final é persistente, fresco e ligeiramente especiado, deixando uma memória de fruta vermelha madura, ervas secas e notas balsâmicas.

sábado, 22 de agosto de 2026

Quinta do Infantado Late Bottled Vintage 2018

QUINTA DO INFANTADO LATE BOTTLED VINTAGE 2018 | PORTO | 19,5% | PVP  16,95€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA, TINTA RORIZ
QUINTA DO INFANTADO - VINHOS DO PRODUTOR, LDA
Engarrafado em: 2023
17,5

Este Quinta do Infantado LBV 2018 apresentou-se em óptima forma. Provado em 2026 e perante o desafio da sobremesa de chocolate, salame de chocolate caseiro, recaiu a escolha neste Quinta do Infantado LBV 2018 que, como esperava, mostrava já algum tempo de garrafa, o suficiente apenas para lhe limar arestas e tornar o conjunto mais polido e integrado, mas sem perder a juventude que continua bem presente ao longo da prova, apresentando-se em excelente momento de forma. A fruta está menos explosiva do que estaria numa fase mais precoce, mas ganhou definição, equilíbrio e uma expressão mais composta. Ainda assim, parece melhorar com o tempo no copo, para se abrir progressivamente e revelar toda a sua complexidade.
A ligação foi de mestre, havendo um equilíbrio notável entre copo e prato, fazendo com que, naturalmente, copo após copo, nada ficasse para contar a história.
Cor vermelho rubi profundo, ainda muito carregado e denso, brilhante e sem sinais de evolução excessiva, mantendo a nota de jovialidade. No nariz revela fruta preta e vermelha madura, mas já menos explosiva do que seria provavelmente na sua juventude mais imediata. Ameixa, frutos silvestres e algumas notas especiadas surgem de forma mais composta, acompanhadas por uma dimensão ligeiramente balsâmica e sugestões de chocolate. Na boca entra cheio, envolvente e com boa concentração, mas sem se tornar pesado, com a fruta a surgir novamente em bom plano, mais polida, acompanhada por tanino firme, mas bem trabalhado e por uma acidez que dá equilíbrio e o mantém vivo. Álcool bem integrado e sem perturbar o conjunto,  que mostra presença, mas que já abandonou alguma da exuberância inicial para ganhar precisão e harmonia. O final é longo e persistente, deixando fruta madura, especiarias e chocolate numa passagem de boca que confirma a boa forma em que se encontra. Não estamos perante um LBV cansado ou excessivamente desenvolvido; pelo contrário, conserva energia, fruta e estrutura para continuar a evoluir.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Atlantis Reserva Verdelho 2020 Branco


ATLANTIS RESERVA VERDELHO 2020 BRANCO | DOP MADEIRA | 12% | PVP  29€
VERDELHO
MADEIRA WINE COMPANY, SA
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Nasce num contexto de solos vulcânicos e influência atlântica, feito exclusivamente a partir da casta verdelho de uma parcela única na zona da Raposeira, na costa oeste da Madeira, não me escondendo desde o primeiro contacto, a sua proveniência e encontrando no estágio uma forma de ganhar dimensão sem perder sua frescura que está na sua identidade. Já com alguns anos de garrafa, é um daqueles brancos que nos pedem algum tempo no copo, algum namoro prévio ao casamento,  não se revelando apenas a fruta ou a frescura imediata, mostrando antes uma dimensão mais séria, onde a casta, o lugar e o estágio se encontram em equilíbrio.
A conversa com ele no copo é deveras interessante. A fruta já não aparece com a mesma exuberância de um branco jovem e imediato, dando lugar a uma expressão mais composta, onde a frescura continua a ter um papel decisivo, sendo precisamente aí que este Verdelho encontra o seu equilíbrio entre a passagem do tempo, a acidez que ainda lhe dá nervo e uma dimensão mais séria que o torna particularmente interessante à mesa.
Andou por maridagens de marisco de debulha e boa converseta, mas sem grandes complicações fará também companhia acertada com peixe assado, arroz de marisco, carnes brancas ou pratos onde exista alguma gordura que encontrarão na sua acidez e textura um bom contraponto. 
Cor amarelo com tonalidade dourada, luminosa, brilhante e já com sinais naturais de alguma evolução, sendo que, desde logo, mostra que já percorreu algum caminho. No nariz surge mais contido do que seria expectável mantendo a fruta bem presente, mas um pouco mais madura e integrada, acompanhada por sugestões cítricas, uma componente mineral, salina bem definida e discretas notas de evolução. A madeira não se sobrepõe, funcionando antes como uma camada adicional de complexidade. Na boca contamos com uma entrada envolvente, alguma amplitude e uma textura que o torna sério, mas é a acidez que mantém tudo no lugar. Fresco, seco e com boa tensão, vai revelando diferentes dimensões à medida que passa pelo palato, terminando longo, mineral e com boa persistência.
Não é o vinho que provavelmente encontraria na sua juventude. É outra coisa, e talvez seja precisamente aí que reside o seu interesse. A fruta perdeu algum protagonismo, ganhou complexidade e o conjunto mostra hoje uma maior integração. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Quinta dos Aciprestes 2025 Branco

QUINTA DOS ACIPRESTES 2025 BRANCO | DOURO | 13,5% | PVP  9,90€
RABIGATO, VIOSINHO, ARINTO  
REAL COMPANHIA VELHA
16,5

Um vinho que se afirma precisamente por não procurar ser mais do que aquilo que é e que encontra o seu lugar de forma natural. Um perfil fresco e directo, criado a partir das castas Rabigato, Viosinho e Arinto, que encontram aqui espaço para mostrar a sua componente aromática, a acidez e a frescura, preservando a sua expressão e a do terroir duriense onde nascem.
À mesa mostra bem a sua versatilidade. Mariscos, peixe grelhado e sushi são combinações naturais, mas também pratos onde exista alguma gordura ou intensidade de sabor beneficiam da sua frescura. Um bom peixe no forno, umas amêijoas à Bulhão Pato ou até uns enchidos de porco preto podem criar ligações particularmente interessantes.
Cor amarelo-citrino intenso, brilhante e luminosa, de aspecto límpido e jovem. Aromaticamente abre com notas de citrinos e fruta branca, acompanhadas por discretos apontamentos vegetais que lhe acrescentam dimensão, num conjunto limpo, fresco e bastante convidativo, sem procurar excessos de exuberância, mas revelando um perfil pronto e elegante. Na boca confirma a impressão deixada pelo aroma, oferecendo uma entrada fresca, boa textura e uma estrutura que lhe dá mais presença do que seria expectável num branco pensado para ser consumido jovem. A acidez está bem integrada, conduzindo a prova com dinamismo e deixando no final uma sensação refrescante e persistente. É um branco equilibrado, gastronómico e fácil de perceber, mas que não se limita a ser simplesmente fácil de beber.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Poeira Vinha da Torre 2018 Tinto

POEIRA VINHA DA TORRE 2018 TINTO | DOURO | 13,5 | PVP  90€
VINHAS VELHAS
JORGE MANUEL N. MOREIRA
18

O Poeira Vinha da Torre 2018 é daqueles vinhos que, para mim, pertencem à categoria dos que verdadeiramente têm na génese de tudo o que vão ser a vinha onde nascem. A vinha, plantada em 1950, em Covas do Douro, situa-se a cerca de 400 metros de altitude, com exposição norte, solos pedregosos e uma grande diversidade de castas. Uma vinha velha pela qual Jorge Moreira procurou durante anos e que encontrou, na sua filosofia do Poeira, a oportunidade de mostrar aquilo que o Douro pode fazer quando a concentração não é confundida com excesso. 
Em boa verdade, é precisamente essa contenção que mais me chamou a atenção. Longe de me impressionar pelo peso ou pela potência que o perfil duriense tantas vezes aporta, surpreendeu-me pela elegância, pela frescura e pela complexidade, deixando que a vinha e o ano se expressem com alguma liberdade. Um vinho que não precisou de levantar a voz para se fazer notar e que me deixou escapar um sorriso de satisfação de prazer mais sôfrego. 
Obrigatório que se leve para a mesa para companhia a comida com alguma estrutura, funcionando particularmente bem com carnes vermelhas grelhadas ou assadas, pratos de caça e queijos curados, mas também poderá acompanhar pratos tradicionais de sabores intensos, onde a acidez consiga limpar o palato e os taninos encontrem matéria para dialogar. 
Cor vermelho rubi intenso, média concentração, aspecto límpido e ainda jovem. Surge inicialmente mais concentrado e algo reservado a nível de aromas, pedindo tempo para se revelar apesar de aberto cerca de uma hora antes ao momento de se beber. À medida que abre no copo, surgem notas de frutos vermelhos e azuis maduros, acompanhadas por sugestões de bosque, terra húmida, ervas secas e especiarias, com o carácter da madeira presente de forma muito discreta e bem integrada, primando pelo registo mais elegante e fresco. Na boca confirma a impressão aromática, revelando um tinto de grande equilíbrio, com corpo e presença, mas sem se tornar pesado, contando com acidez no ponto que lhe dá energia e frescura, enquanto o tanino, rico e bem desenhado, contribuem para uma estrutura sólida, que suporta a fruta bem expressiva, surgindo ainda uma componente vegetal seca que lhe acrescenta tensão e complexidade. A passagem por barrica permanece no lugar certo, funcionando como complemento e não como protagonista. O final é longo, muito persistente e marcado por uma combinação particularmente feliz entre frescura, estrutura e elegância.

domingo, 16 de agosto de 2026

Isento Reserva Vinha da Fonte Santa Touriga Franca 2023 Tinto

ISENTO RESERVA VINHA DA FONTE SANTA TOURIGA FRANCA 2023 TINTO | DOURO | 14% | PVP  8,95€
TOURIGA FRANCA
SA´VINUM, LDA
16,5

Há castas que estamos habituados a encontrar quase sempre em companhia de outras, contribuindo para os lotes com o melhor das suas características. No Douro, a Touriga Franca é, seguramente, uma delas. Por isso, quando aparece sozinha, a curiosidade aumenta. 
O Isento Reserva Touriga Franca 2023 dá este protagonismo à casta, com uvas provenientes da Vinha da Fonte Santa, em Soutelo do Douro, no Cima Corgo, uma vinha situada entre os 100 e os 250 metros de altitude, em solos xistosos. Assumindo este papel principal, fui perceber um pouco melhor a sua personalidade quando não tem de dividir o palco. 
Encontrei um perfil no qual se percebe que não se procura complicar. Há fruta, há especiaria, há madeira, mas sobretudo existe equilíbrio. É um daqueles tintos que se apresenta com uma estrutura bem definida, sem deixar que o corpo ou o estágio em barrica se sobreponham à fruta. A Touriga Franca mostra aqui um lado bastante acessível, elegante e gastronómico, sendo daqueles vinhos que rapidamente me fizeram pensar mais na mesa do que propriamente na ficha técnica. 
E foi precisamente aí que o pensamento me levou: sabores que acompanhem a sua fruta e estrutura sem as esconder. Um bom cabrito assado, vitela no forno, rojões ou uma tábua de enchidos são companhias naturais. Também o vejo muito bem junto de uma cozinha de conforto, daquelas em que o molho, o forno e os temperos fazem parte da experiência e em que o copo ajuda, simplesmente, a prolongar a conversa. 
Cor vermelho rubi, com boa intensidade e concentração média, aspecto límpido, brilhante e jovem. No nariz revela um perfil marcado pela fruta madura, com ameixa e fruta preta em primeiro plano, acompanhadas por alguma compota e um lado floral discreto. Surgem ainda notas de especiarias finas e um apontamento de baunilha, com a madeira a marcar presença, mas sem dominar o conjunto. Na boca confirma a primeira impressão, mostrando um vinho estruturado, mas equilibrado, com taninos redondos, polidos, bem integrados e uma acidez que lhe dá frescura e algum dinamismo. A fruta mantém-se presente, enquanto a madeira surge novamente bem integrada, contribuindo mais para a definição do conjunto do que propriamente para lhe impor carácter. O final é persistente, elegante e envolvente, deixando uma sensação de equilíbrio que torna o vinho particularmente fácil de acompanhar à mesa.

sábado, 15 de agosto de 2026

Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997 Tinto

CASA FERREIRINHA RESERVA ESPECIAL 1997 TINTO | DOURO | 13% | PVP  350€
TOURIGA FRANCA, TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ
SOGRAPE VINHOS, SA
18

O tempo é muitas vezes o maior teste a que um grande vinho pode ser submetido, e o Casa Ferreirinha Reserva Especial 1997 é um daqueles casos em que os anos acrescentaram dimensão e carácter, transformando a força e a estrutura da juventude numa expressão mais complexa, serena e de imensa finesse. 
Lançado apenas dez anos depois da vindima, esta foi uma colheita que a Casa Ferreirinha decidiu guardar até encontrar o momento certo para a apresentar e, prová-lo em 2026, quase três décadas depois da vindima, foi descobrir um vinho ainda plenamente vivo, complexo e surpreendentemente elegante. Naturalmente, estão aqui todas as marcas de uma longa evolução — a fruta já não fala sozinha, contando agora com a companhia das notas terciárias, maior profundidade e uma textura mais polida —, mas tudo surge numa harmonia que só os anos conseguem construir. Um vinho que nos chegou ao copo com a serenidade de quem já viveu muito, mas que o fez de forma gloriosa, mantendo frescura, elegância e uma extraordinária capacidade de continuar a emocionar. Um dos grandes momentos desta noite.
Não é um vinho que procure demonstrar a força da juventude, mas antes a beleza da maturidade.
Cor vermelho de tonalidade granada profunda, já com os reflexos acastanhados que denunciam a longa evolução em garrafa, mas sem sinais de perda de vivacidade. No nariz reconhecemos de imediato a sua complexidade e envolvência, com fruta madura ainda presente, agora acompanhada por notas de tabaco, especiarias, folha seca, madeira antiga e discretos apontamentos balsâmicos e terrosos. Precisamos de tempo para que os aromas abram e vão revelando novas nuances à medida que a temperatura sobe. Na boca mostra uma textura sedosa e muito elegante, com taninos completamente prontos e uma acidez que continua a dar-lhe vida e equilíbrio. A fruta surge mais contida do que num vinho jovem, cedendo espaço às notas terciárias e a uma dimensão mais profunda e complexa, mas sem perder definição. A estrutura permanece firme, embora já totalmente domesticada pelos anos, e o conjunto evolui com grande harmonia até um final longo, persistente e muito fino. 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Arenae Clarete 2025 Tinto

ARENAE CLARETE 2025 TINTO | LISBOA | 11% | PVP  16,90€
RAMISCO, MOLAR
ADEGA REGIONAL DE COLARES, CRL
18

Há vinhos que quando nos chegam ao copo trazem consigo mais do que uma região, uma vinha com esta ou aquela particularidade ou esta e aquela casta: trazem também uma memória. O Arenae Clarete 2025 recupera uma antiga forma de fazer vinho em Colares, com a designação de “Monda”, quando a Molar, vindimada mais cedo, ajudava a suavizar a austeridade do Ramisco, e permitia obter vinhos mais leves e prontos a beber. Hoje, essa combinação regressa numa interpretação deliberadamente mais delicada, nascida das vinhas de areia e da influência atlântica, onde frescura, fruta e elegância se sobrepõem à extração e à estrutura. 

"O espanto é o princípio da filosofia."
Platão, Teeteto, 155d

Provei-o com particular entusiasmo e confesso que foi uma agradável surpresa, com a sua pitada de fora da caixa, uma verdadeira lufada de ar fresco até no que habitualmente se encontra vindo da Adega Regional de Colares. Um Clarete que olha para uma tradição praticamente esquecida para propor uma leitura diferente, mais descontraída e muito gastronómica, do terroir de Colares.
No fundo, um tinto perfeito para este verão mais quentinho — até aqui em Sintra —, que dá nova vida a uma antiga tradição dos agricultores e produtores de vinho desta região e que, à mesa, é assustadoramente bom.
Traga para companhia uma bela sardinhada, umas latinhas de conserva, a carne vermelha grelhada ou até o Leitão de Negrais sem abusar do molho.
São cerca de 1000 e poucas garrafas e eu já abasteci.
Cor vermelho rubi intenso, pouco concentrado, luminoso e brilhante, aspecto límpido e jovem. Plano aromático fresco e expressivo, com fruta vermelha de perfil delicado, cereja, romã e ginja, apontamentos florais bem medidos, subtil componente salina, com presença de pinhal, pinhão e leve componente vegetal que lhe acrescentam identidade, sem nunca perder elegância. Na boca é onde mais surpreende com um primeiro ataque de vivacidade, frescura e leveza,  para depois nos abraçar com uma acidez deliciosa que lhe dá tensão e energia, oferecendo a fruta bem definida e taninos finos, discretos e perfeitamente integrados, textura sedosa, embora trincável, sem o peso ou a concentração que normalmente associamos a um tinto, enquanto o final, fresco e persistente, confirma um vinho pensado mais para a elegância e para a mesa do que para a força. Longe de ser simples, um encontro feliz onde a austeridade potencial do Ramisco encontra na Molar a suavidade e a fruta necessárias para construir um conjunto muito equilibrado e surpreendentemente gastronómico.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Valle Pradinhos Tinta-Gorda 2023 Tinto

VALLE PRADINHOS TINTA-GORDA 2023 TINTO | TRÁS-OS-MONTES | 12,5% | PVP  28,90€
TINTA-GORDA
CASAL DE VALLE PRADINHOS - MARIA ANTÓNIA PINTO DE AZEVEDO MASCARENHAS
17,5

Existem castas que, por serem menos conhecidas, despertam uma curiosidade especial quando chegam ao copo. É o caso da Tinta Gorda, uma variedade tradicional de Trás-os-Montes que encontra aqui uma interpretação elegante e muito própria, numa expressão bastante diferente do perfil mais musculado que por vezes associamos aos tintos transmontanos, num registo fresco e equilibrado, onde a fruta e a expressão do território assumem, claramente, protagonismo, apoiadas por um estágio em barrica que acrescenta complexidade sem se sobrepor à identidade da casta. 
Um vinho que vale a pena descobrir sem preconceitos, sobretudo à mesa, onde a sua frescura e estrutura prometem acompanhar com naturalidade uma cozinha de sabores e alguma tradição como os pratos de forno, carnes assadas ou em companhia da cozinha italiana com carne e sabores intensos.
Cor vermelho-púrpura de média concentração, mais aberta e luminosa e de tonalidade pouco carregada, aspecto límpido e jovem. No plano aromático nariz surge delicado e fresco, com fruta vermelha e silvestre bem definida, fruta de bago silvestre, acompanhada por apontamentos de ervas e uma discreta, mas desafiante dimensão balsâmica e mineral. Na boca confirma essa expressão mais fina, com boa frescura e uma estrutura assente em tanino fino e presente, mas polido e de textura sedosa. A fruta mantém-se limpa e precisa, sumarenta, enquanto a madeira surge bem integrada, acrescentando complexidade sem dominar o conjunto. Termina longo, fresco e persistente, com uma elegância que se vai afirmando ao longo da prova.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Várzea da Pedra Branco Macerado 2023 Branco

VÁRZEA DA PEDRA BRANCO MACERADO 2023 BRANCO | IVV | 12,5% | PVP  11,49€
VINHAS VELHAS, ALICANTE BRANCO, ARINTO, FERNÃO PIRES, MALVASIA-REI, MOSCATEL GRAÚDO, SEARA-NOVA, MOSCATEL GRAÚDO, SEARA-NOVA, VIOSINHO, VITAL
QUINTA VÁRZEA DA PEDRA, LDA
17,5

Confesso que cada vez me dá mais prazer beber brancos com este perfil, longe do branco convencional, esquecendo a cor no copo e apreciando um jogo de aromas rico e desafiador, enquanto, na boca, há estrutura, acidez vibrante, secura salivante e sensação tânica que nos leva a querer puxar por comida quase de imediato. 
Versátil e prazeroso, consegue fazer maridagens de sucesso com tártaros de peixe ou carne, peixe frito, carnes grelhadas e queijos com algum tempo de cura e de média intensidade. 
Cor amarelo intenso, reflexos dourados, aspecto límpido, atraente e, neste caso, contrário à idade do vinho. Nariz de perfil levemente evolutivo, fruta de caroço e citrina com tempo, casca de citrino, toranja e laranja, floral, camomila, cera de abelha, faceta salina e mineral, num contínuo passo elegante e fresco. Boca com primeiro ataque cheio de fruta citrina, a secar de imediato o palato, laranja e toranja, cheio de energia e equilíbrio, boa tensão, sensação tânica, envolvente, harmonioso, dá prazer ao beber e a levá-lo à mesa, final de boca longo e guloso.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Le Volte Dell'Ornellaia 2023 Tinto

LE VOLTE DELL'ORNELLAIA 2023 TINTO | TOSCANIA (ITA) | 13,5% | PVP  25€
CABERNET SAUVIGNON, MERLOT, PETIT VERDOT
ORNELLAIA, SRL
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Um vinho cujo nome tem o poder de criar expectativas que se apresenta num registo mais descontraído, procurando equilibrar fruta, estrutura e frescura num tinto feito para ser apreciado sem grandes formalidades. A conjugação de Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot resulta num vinho versátil e gastronómico, que tanto acompanha uma boa refeição como se deixa beber simplesmente à conversa. Um daqueles tintos que não precisa de uma ocasião especial para fazer sentido e que nos deixa sempre sossegados em relação ao que vamos encontrar.
À mesa, naturalmente, mostra a sua versatilidade junto de carnes grelhadas, massas, pizzas e pratos de cozinha italiana, onde a fruta e a frescura encontram facilmente espaço para acompanhar a refeição.
Cor vermelho rubi intenso, brilhante e profunda, límpido e de expressão jovem e apelativa. No nariz, mostra-se muito franco e convidativo, com a fruta vermelha e preta madura em primeiro plano, onde surgem notas de cereja, ameixa e frutos silvestres, acompanhadas por discretos apontamentos florais e especiados. A madeira aparece bem integrada, acrescentando alguma complexidade sem retirar protagonismo à fruta e mantendo o conjunto equilibrado e elegante. Na boca confirma as expectativas, com uma entrada fresca e envolvente, com uma estrutura bem doseada e taninos de textura polida que tornam a prova fácil e agradável. A fruta regressa bem definida, acompanhada por uma acidez que lhe dá dinamismo e evita qualquer sensação de peso. Termina equilibrado, com longa persistência e um lado ligeiramente especiado que permanece no palato por algum tempo.

Quinta do Sampayo 2025 Branco

QUINTA DO SAMPAYO 2025 BRANCO | TEJO | 12% | PVP  12€
FERNÃO PIRES, ARINTO
QUINTA DO SAMPAYO - AGROSEBER, SA
16,5

Despertou-me, desde o primeiro momento, grande curiosidade por ser o primeiro vinho desta casa em que a ânfora é utilizada no estágio, juntando esta novidade à expressividade aromática da Fernão Pires e à frescura da Arinto. Um branco que, mesmo antes de abrir a garrafa, me deixou antever uma procura de frescura e leveza, mas também algo mais, possivelmente uma dimensão extra que a utilização da ânfora lhe poderia acrescentar. 
Já no copo, facilmente constatamos que essa opção trouxe uma dimensão diferente ao conjunto, acrescentando interesse e alguma profundidade sem esconder aquilo que mais importa: a identidade das castas e a frescura que se espera de um branco feito para a mesa. 
Sem dúvida, é precisamente aí que me parece ganhar ainda maior graça, acompanhando a refeição com a mesma naturalidade com que convida a mais um copo. À mesa, a frescura e a leveza deste branco pedem pratos igualmente delicados, encontrando nos peixes grelhados, mariscos e saladas uma companhia natural. 
Cor amarela citrina, leve tonalidade palha, aberta, com um discreto laivo esverdeado, luminoso, límpido e jovem. No nariz revela boa intensidade aromática, embora um pouco tímido no inicio, com a fruta fresca de pomar e citrina a assumir o protagonismo, acompanhada por notas florais e subtil presença mineral que lhe confere vivacidade e maior complexidade. Na boca mostra-se fresco, leve e equilibrado, de médio volume, com uma acidez bem definida que percorre o palato e lhe dá dinamismo, com prolongamento e tensão, mantendo-se presente a fruta, acompanhada por uma textura que lhe acrescenta alguma dimensão e evita que a leveza se confunda com simplicidade. Final de boca longo (muito longo), fresco e elegante.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Quinta de Cidrô Sauvignon Blanc 2024 Branco

QUINTA DE CIDRÔ SAUVIGNON BLANC 2024 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  16€
SAUVIGNON BLANC
REAL COMPANHIA VELHA, SA
16,5

A casta sauvignon blanc encontrou no terroir duriense da Quinta de Cidrô um berço inesperado para mostrar uma faceta diferente da sua personalidade. Aqui parece ter encontrado condições para se afastar um pouco do perfil mais previsível da casta e revelar uma expressão própria, marcada pela frescura e pela intensidade aromática oferecendo um perfil vivo e expressivo, onde a fruta e as notas vegetais se cruzam com uma acidez que lhe dá nervo e equilíbrio.
À mesa, é precisamente esta frescura que abre caminho a diferentes possibilidades. Vais encontrar nos mariscos e no peixe uma companhia natural, mas também criará boas ligações com saladas, pratos de cozinha asiática ou preparações onde ervas aromáticas e ingredientes de perfil mais vegetal ganhem protagonismo. Um branco que pede comida, mas que também se deixa beber com facilidade num final de tarde, quando a conversa se prolonga e o copo vai ficando, naturalmente, mais vazio.
Cor amarelo citrino brilhante e com leve tonalidade esverdeada, aspecto límpido, jovem e atrativo. No plano aromático é um verdadeiro reboliço para o olfacto, com uma intensidade aromática que rapidamente prende a atenção e se dá a conhecer revelando a fruta em várias dimensões, entre notas cítricas e tropicais, acompanhadas por sugestões vegetais mais características da casta, criando um primeiro impacto muito expressivo, fresco e de boa complexidade. Revela ainda bem medida componente mineral que acrescenta outra camada ao aroma e ajuda a manter o equilíbrio e a finesse, sem deixar que a exuberância se sobreponha à elegância. Na boca continuamos o registo de elegância e finesse já sentida no nariz, mostrando-se vivo e vibrante, com uma acidez firme que percorre o palato e lhe dá nervo e dinamismo, com a fruta fresca e bem definida, acompanhada pelas notas vegetais, enquanto a estrutura mantém o conjunto equilibrado e muito refrescante. Final de boca limpo, persistente e com uma sensação de frescura que permanece depois do último gole.