VINHAS VELHAS
JORGE MANUEL N. MOREIRA
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O Poeira Vinha da Torre 2018 é daqueles vinhos que, para mim, pertencem à categoria dos que verdadeiramente têm na génese de tudo o que vão ser a vinha onde nascem. A vinha, plantada em 1950, em Covas do Douro, situa-se a cerca de 400 metros de altitude, com exposição norte, solos pedregosos e uma grande diversidade de castas. Uma vinha velha pela qual Jorge Moreira procurou durante anos e que encontrou, na sua filosofia do Poeira, a oportunidade de mostrar aquilo que o Douro pode fazer quando a concentração não é confundida com excesso.
Em boa verdade, é precisamente essa contenção que mais me chamou a atenção. Longe de me impressionar pelo peso ou pela potência que o perfil duriense tantas vezes aporta, surpreendeu-me pela elegância, pela frescura e pela complexidade, deixando que a vinha e o ano se expressem com alguma liberdade. Um vinho que não precisou de levantar a voz para se fazer notar e que me deixou escapar um sorriso de satisfação de prazer mais sôfrego.
Obrigatório que se leve para a mesa para companhia a comida com alguma estrutura, funcionando particularmente bem com carnes vermelhas grelhadas ou assadas, pratos de caça e queijos curados, mas também poderá acompanhar pratos tradicionais de sabores intensos, onde a acidez consiga limpar o palato e os taninos encontrem matéria para dialogar.
Cor vermelho rubi intenso, média concentração, aspecto límpido e ainda jovem. Surge inicialmente mais concentrado e algo reservado a nível de aromas, pedindo tempo para se revelar apesar de aberto cerca de uma hora antes ao momento de se beber. À medida que abre no copo, surgem notas de frutos vermelhos e azuis maduros, acompanhadas por sugestões de bosque, terra húmida, ervas secas e especiarias, com o carácter da madeira presente de forma muito discreta e bem integrada, primando pelo registo mais elegante e fresco. Na boca confirma a impressão aromática, revelando um tinto de grande equilíbrio, com corpo e presença, mas sem se tornar pesado, contando com acidez no ponto que lhe dá energia e frescura, enquanto o tanino, rico e bem desenhado, contribuem para uma estrutura sólida, que suporta a fruta bem expressiva, surgindo ainda uma componente vegetal seca que lhe acrescenta tensão e complexidade. A passagem por barrica permanece no lugar certo, funcionando como complemento e não como protagonista. O final é longo, muito persistente e marcado por uma combinação particularmente feliz entre frescura, estrutura e elegância.
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