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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Dominio del Águila Albillo Viñas Viejas 2016 Branco

DOMINIO DEL ÁGUILA ALBILLO VIÑAS VIEJAS 2016 BRANCO | RIBEIRA DEL DUERO (ESP) | 13,5% | PVP  249€
ALBILLO MAYOR
DOMINIO DEL ÁGUILA, SL
19

Este é um daqueles brancos que nos obrigam a repensar a ideia que temos sobre o que pode ser um vinho branco e por isso merece aqui um maior enquadramento para que possa ser entendido com propriedade. Não vamos em modo prova cega. Sabemo-lo proveniente de vinhas velhas com mais de 100 anos da casta Albillo Mayor, em La Aguilera, na Ribera del Duero, situadas entre os 800 e os 900 metros de altitude, em solos de areia argilo-calcária, argila e cascalho. A vindima é manual, com prensagem de cachos inteiros e lenta fermentação natural em barricas de carvalho francês, seguindo-se um longo estágio sobre borras finas. É um vinho produzido com uma lógica de guarda, claramente para deixar o tempo trabalhar a matéria-prima, com uma ambição que o aproxima mais de alguns grandes brancos de longa evolução do que da imagem habitual de um branco espanhol.
Em 2024, já com oito anos de idade, tive o prazer de o beber e mostrou precisamente por que razão este vinho é tão procurado. Longe de revelar sinais de cansaço, apresentou uma complexidade que o tempo de garrafa começou a tornar ainda mais evidente, mantendo uma frescura e uma tensão absolutamente notáveis. Era já um branco com outra dimensão, onde a fruta primária tinha dado lugar a uma expressão mais profunda, mineral e muito subtil de evolução. Quanto à passagem por barrica, percebemos desde logo não a procurar esconder, mas antes oferecê-la integrada, numa estrutura onde fruta, mineralidade, acidez e tempo trabalharam em conjunto.
À mesa pede comida com alguma presença e estatuto. Funcionará muito bem com peixe assado ou grelhado, mariscos mais estruturados, polvo, aves assadas e pratos de cogumelos, mas também com queijos curados. A sua acidez e componente salina conseguem cortar a riqueza dos pratos, enquanto a textura e a evolução acompanham preparações mais elaboradas.
Cor amarela, tonalidade pálida evoluindo para um dourado ligeiro, brilhante e de aspecto ainda muito vivo e jovem. No nariz revela desde logo a sua complexidade, com fruta branca madura e notas de fruta de caroço, acompanhadas por sugestões cítricas, ervas secas e flores já ligeiramente secas ou a caminho disso, acompanhando subtis apontamentos minerais e de sílex lascado, fumo muito fino, cera de abelha, frutos secos e uma discreta componente tostada, mas integrada, resultado do longo estágio em madeira. Arrebata e enamora-nos os sentidos. Na boca é onde mais me impressionou. Amplo, denso e envolvente, mas sem perder tensão, mostra uma acidez muito bem preservada que dá equilíbrio à sua concentração. A fruta surge madura, acompanhada por sensações minerais, salinas e ligeiramente fumadas. Por sua vez, a madeira está presente, mas mais uma vez, integrada, funcionando mais como elemento de complexidade do que como protagonista, revelando um perfil com textura, profundidade e uma persistência notável, dando a saber que a evolução apenas lhe acrescentou camadas sem lhe retirar energia, terminando longo, fresco e salino.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Vieira de Sousa - Vinho do Porto em formato de Partilha, Homenagem e um Tinto Cão que Entusiasma

A empresa familiar Vieira de Sousa tem apostado na energia, jovialidade e criatividade das irmãs Luísa e Maria - à frente do projeto, com total apoio da mãe Maria de Lurdes - para criar um portfólio dinâmico, com lançamentos inusitados e em linha com as suas convicções aliadas ao que mundo enófilo procura. Com um vasto espólio de vinhos do Porto antigos, do qual têm feito excelente uso a favor do consumidor, partilhando-o através de lançamentos de vinhos do Porto antigos, estão agora a reinventar-se em categorias mais comuns, como Tawny 10 e 20 anos. 
 
Em jeito de paralelo e recuando um pouco no tempo, recordo o lançamento do Vieira de Sousa Reserva 2011 tinto, uma edição especial em garrafão de 5 litros. Esteticamente brilhante, teve também a capacidade de reforçar a importância do vasilhame de grande volume, seja em formato garrafão ou garrafa com esteroides, sendo, sem dúvida, um marco e um ponto importante para a notoriedade da marca Vieira de Sousa. 
Tendo em conta o sucesso no Douro Doc, a fórmula é aplicada também ao vinho do Porto, agora em garrafões com capacidade de dois litros.  Feitos de vidro, esses garrafões são sustentados por uma base de cortiça e embalados em caixas de cartão reciclado, alinhando-se a uma ótica ecofriendly. A escolha dessa capacidade segue a lógica de partilha, incentivando o consumo em momentos de reunião familiar e de amigos, como as celebrações que se aproximam. 
Momento também para o lançamento de uma edição especial e limitada de um Porto Tawny 10 Anos - o Cask XXI - também numa garrafa diferenciadora, mas desta feita numa pequena garrafa de 0,5l e oportunidade de voltar ao vinho de Homenagem a António Vieira de Sousa, um Tawny Very Old com 90 anos - um ano por cada um vivido por António Vieira de Sousa- , que fechou com chave de ouro a prova das novidades.

VIEIRA DE SOUSA CASK XXI PORTO TAWNY 10 ANOS  | PORTO | 19,5% | PVP 42€
VIEIRA DE SOUSA VINES & WINES, LDA
17,5
Cor vermelho intenso de média concentração, tonalidade ligeiramente tijolada, casca de cebola, luminoso, aspecto límpido e jovem. Exuberante de aromas, com notas de fruta passa, alperce, tâmara, e figo, subtil presença de casca de laranja confeitada, ligeira raspa de casca de citrino mais fresco, apontamento de fruto seco torrado, tênue, mas bem medido, registo fino, rico e complexo. Na boca mostra-se pleno de vivacidade, volume, textura macia, aveludada, doce elegante e fino, revelando a fruta passa, especiaria exótica, leve torrado, envolvente, densidade média, mais fresco e em respeito à fruta original, acidez vibrante, prazeroso e de longo final.
Nasce da singularidade de uma barrica selecionada de um conjunto de cascos com lotes de tawny 10 anos, tendo sido identificada esta pipa pela sua evolução distinta das restantes. 
 
VIEIRA DE SOUSA PORTO TAWNY 10 ANOS | PORTO | 19,5% | PVP 148€
VIEIRA DE SOUSA VINES & WINES, LDA
17,5
Cor âmbar escuro, ainda com reflexos avermelhados, tonalidade tijolo, aspecto límpido e atraente. Nariz intenso, rico e complexo, com notas de fruto seco torrado evidente, componente especiada, exótico, tâmaras, notas salgadas, grande elegância, com uma aura de frescura bem pontuada, alguma doçura, bolo inglês. Na boca apresenta-se com acidez vibrante, num registo mais seco, macio e aveludado, sem se mostrar denso e opulento, primando pela elegância e frescura, com doce discreto, mantendo uma linha de finesse e prazer a beber, terminando longo e persistente.
 
VIEIRA DE SOUSA PORTO TAWNY 20 ANOS | PORTO | 19,5% | PVP 248€
VIEIRA DE SOUSA VINES & WINES, LDA
18
Cor âmbar de tonalidade mais escura, com nuances avermelhadas e reflexos dourados, auréola luminosa, límpido e atrativo. No nariz damos um salta em relação ao 10 anos no que respeita a complexidade e riqueza, mantendo um registo de elegância e frescura, mas adicionando camadas, com o fruto seco num patamar de delicadeza elevado, componente citrina mais marcada, especiaria exótica, desafiando os sentidos. Na prova de boca não se furta à linha de finura e elegância que lhe reconhecemos no olfato, mais volumoso e denso, porém harmonioso e completo, doce bem medido, acidez distinta, envolvente, com um final de boca que perdura sem castigar.
 
90th ANNIVERSARY ANTÓNIO VIEIRA DE SOUSA VERY OLD PORT | PORTO | 20% | PVP 2200€
VIEIRA DE SOUSA VINES & WINES, LDA
19,5
O vinho, uma homenagem sentida das suas filhas ao Pai António Vieira de Sousa, envelheceu em silêncio esquecido ou quase perdido nas caves da família numa pipa entre toneis e balseiros, tendo sido encontrado pela sua filha Luísa anos antes do engarrafamento.  
Engarrafado em garrafas Cristal artesanais produzidas com letras a ouro prata pela Atlantis e tendo sido individualmente numeradas e inteiramente produzidas à mão em Portugal. O design da caixa alia dois apontamentos diferentes, o local onde foi encontrada a pipa e o lado empreendedor de António Vieira de Sousa. A forma quadrada da caixa foi baseada na sua antiga caixa da calculadora e os materiais e cores relembram o espaço escuro onde a pipa foi encontrada. 
Cor âmbar escuro, cheio de esverdeados, quase lembrando a tintura de iodo, cativante, hipnotizante, aspecto límpido e denso. Nariz de extrema complexidade, com destaque para o fruto passa e o fruto seco torrado, figo seco, alfarroba, envolvido pelas notas de especiaria e por leve nota química, presença de barrica avinhada, sensação doce, um desafio sensorial. Boca detentora de uma vivacidade notável, textura aveludada, densa, notas meldas, doce evidente, registo sedutor e voluptuoso, que se demora na boca, mantendo uma frescura inusitada, embora nunca fazendo esquecer que se está na presença de um very old com mais de 90 anos e cujo final de boca parece não ter fim.
 
VIEIRA DE SOUSA TINTO CÃO 2024 TINTO | DOURO | 13% | PVP 20€
TINTO CÃO
VIEIRA DE SOUSA VINES & WINES, LDA
17,5
Cor vermelho rubi de média concentração, menos extraído de cor, brilhante, aspecto límpido e jovem. No plano aromático destaque para a delicadeza com que nos brinda com notas de fruta vermelha madura e fresca, pincelada floral, bonita a esteva, ligeiro terroso e fino recorte especiado. Presença de boca de médio volume, textura macia, num registo de leveza surpreendente, alegre, acidez fina, prolongada, fruta no ponto, tanino firme, sem ser austero, conjunto que conquista, com final de boca longo e persistente.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Legado 2014 Tinto

LEGADO 2014 TINTO | DOURO | 14% | PVP  220€
VINHAS VELHAS
SOGRAPE VINHOS, SA
18,5
 
A primeira colheita do Legado a sair para o mercado é a de 2008, no seu lançamento, em 2012, comemorava então a Sogrape 70 anos de existência, no entanto, a colheita de 2014 não deixa de ser um marco tão ou mais importante que a desse ano. Esta foi a primeira colheita após o falecimento do seu criador Fernando Guedes.
Carrega em si o simbolismo da uma vida de trabalho, de passagem de testemunho, de um Grande criador. Faz justiça à vinha velha do Douro, à sua tenacidade, a um património genético, cultural e humano. Um Legado a conhecer.
 
"Legado é mais do que um vinho: é o testemunho do conhecimento e do saber que recebi de meu Pai e que agora deixo às gerações futuras da nossa família."
-Fernando Guedes-
 
Cor vermelho granada concentrado, denso e opaco, não mostrando neste ponto que o estamos a beber passados já 7 anos após a sua colheita. No plano aromático mostra-se a fruta preta silvestre, o fruto preto maduro, a ameixa, a amora e a cereja, com um perfumado floral do campo, a esteva, a flor da giesta, alguma vegetação seca, com um lado especiado para além da simples pimenta, revelando também alguma canela e algo mais exótico, o lado fresco do cedro, as notas balsâmicas, a caixa de tabaco e um respirante mentolado final. Boca harmónica, tudo parece fazer sentido, volume e estrutura, macio e aveludado, com uma secura bem medida, com a fruta ainda cheia de graça, bonita e definida, tanino sedoso, presente, sem se querer impor, com um final de boca a perder de vista e com notável elegância.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Pêra-Manca 2014 Tinto

PÊRA-MANCA 2014 TINTO | ALENTEJO | 14% | PVP  220€
TRINCADEIRA, ARAGONEZ
FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ALMEIDA
19

Produzido apenas em anos em que os requisitos de excecional qualidade são atingidos, a Fundação Eugénio de Almeida apresentou recentemente a mais recente colheita do seu emblemático vinho o Pêra-Manca 2014 tinto.
As castas são as já habituais Trincadeira e Aragonez, num blend onde a primeira está um pouco mais presente. Caracterizado por ter sido um anos bastante equilibrado do ponto de vista climatérico, as uvas atingiram os ponto de maturação de forma gradual e lenta, sem stress hídrico e com o período de vindima a decorrer de forma normal, serena e tendo as chuvas começado já quando praticamente toda a produção estava vindimada.
Um ano que determinaria o nascimento do décimo quinto Pêra-Manca tinto.
Cor vermelho granada intenso, concentrado, fechado e de aspecto limpo. No nariz um bouquet aromático intenso e complexo onde os frutos silvestres pretos, alguma ameixa e framboesa revelam a fruta bem ligada com notas de cacau, balsâmicos frescos, alguma resina, caruma, ligeiro mentolado, flor de tília, harmónico e profundo.
Na boca impressiona com a sua elegância e estrutura, com um equilíbrio notável entre corpo e frescura, com robustez, tanino presente, guloso e com a fruta num plano muito fresco e bonito. Enche os sentidos e termina longo e pleno de elegância. Um grande Pêra-Manca.
O seu potencial de guarda não lhe retira pontos na capacidade de dar já um prazer imenso a beber. São apenas 20.000 garrafas.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Carvalhas 2015 Branco

CARVALHAS 2015 BRANCO | DOURO | 13% | PVP  23€
VIOSINHO, GOUVEIO
REAL COMPANHIA VELHA
17,5

Regresso à mais recente colheita do Carvalhas branco e passados apenas cerca de três meses e este descanso extra revela-se já diferenciador.
Apesar de o continuar a considerar um vinho extremamente jovem e, sem dúvida alguma, um branco de guarda, o facto é que fiquei mais satisfeito por mostrar o caminho para onde vai, ou seja, o bom caminho das anteriores colheitas.
Visualmente de tonalidade amarelo citrino, aspecto jovem e limpo. Aromaticamnete intenso, mostrando-se elegante, com a fruta amarela de caroço fresca bem colocada e beneficiando já dos tostados leves da barrica e alguma baunilha envolvente, mostrando um conjunto equilibrado e fresco.
Na boca mostra volume, corpo, uma certa untuosidade muito bem temperada por uma acidez mordaz, trazendo-lhe leveza, finura e alguma delicadeza. As notas provenientes da barrica estão também aqui mais ligadas, ainda sobressaindo, mas aconchegando o palato e terminando longo e fino.
Lugar agora ao descanso na garrafeira da outra garrafa por abrir.

sábado, 19 de novembro de 2016

Kopke Porto Colheita 1966 | Grande Prémio Escolha da Imprensa 2016

KOPKE PORTO COLHEITA 1966 | PORTO | 20% | PVP  240€
SYRAH, TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA, ARAGONÊS
SOGEVINUS FINE WINES
19

O vencedor do Grande Prémio, na categoria de Licorosos, no Concurso Escolha da Imprensa deste ano vem é um Porto Colheita. Cada vez mais o meu tipo de Porto preferido. Produzidos apenas a partir de uma colheita, tal como os Vintage ou o LBV, mas com o estágio em madeira que o leva para mais próximo dos Tawny e me agradam de sobre maneira.
Este fica-me na memória. Não só porque é mais um colheita da Kopke e da Sogevinus que mostra todo o potencial deste tipo de Porto, como também porque 1966 foi ano de coisas boas para a selecção nacional de futebol, um ano para a memória. Este é sem dúvida um ano para recordar.
Cor âmbar definida, escura, com nuances de tijolo e algumas tonalidades azeitona. No nariz os frutos secos marcam os sentidos, bem ladeados pelas notas de alguma fruta passa, fumados finos, elegante, pleno de frescura e complexidade. Boca com volume, toque de seda, voluptuoso, ligeira untuosidade, expressivo e denso. Cheio de elegância e equilíbrio, onde as frutas seca, a ameixa e o figo seco se mostram prontos a dar prazer.
Daqueles vinhos que não se esquecem tão cedo.
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