VERDELHO
MADEIRA WINE COMPANY, SA
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Nasce num contexto de solos vulcânicos e influência atlântica, feito exclusivamente a partir da casta verdelho de uma parcela única na zona da Raposeira, na costa oeste da Madeira, não me escondendo desde o primeiro contacto, a sua proveniência e encontrando no estágio uma forma de ganhar dimensão sem perder sua frescura que está na sua identidade. Já com alguns anos de garrafa, é um daqueles brancos que nos pedem algum tempo no copo, algum namoro prévio ao casamento, não se revelando apenas a fruta ou a frescura imediata, mostrando antes uma dimensão mais séria, onde a casta, o lugar e o estágio se encontram em equilíbrio.
A conversa com ele no copo é deveras interessante. A fruta já não aparece com a mesma exuberância de um branco jovem e imediato, dando lugar a uma expressão mais composta, onde a frescura continua a ter um papel decisivo, sendo precisamente aí que este Verdelho encontra o seu equilíbrio entre a passagem do tempo, a acidez que ainda lhe dá nervo e uma dimensão mais séria que o torna particularmente interessante à mesa.
Andou por maridagens de marisco de debulha e boa converseta, mas sem grandes complicações fará também companhia acertada com peixe assado, arroz de marisco, carnes brancas ou pratos onde exista alguma gordura que encontrarão na sua acidez e textura um bom contraponto.
Cor amarelo com tonalidade dourada, luminosa, brilhante e já com sinais naturais de alguma evolução, sendo que, desde logo, mostra que já percorreu algum caminho. No nariz surge mais contido do que seria expectável mantendo a fruta bem presente, mas um pouco mais madura e integrada, acompanhada por sugestões cítricas, uma componente mineral, salina bem definida e discretas notas de evolução. A madeira não se sobrepõe, funcionando antes como uma camada adicional de complexidade. Na boca contamos com uma entrada envolvente, alguma amplitude e uma textura que o torna sério, mas é a acidez que mantém tudo no lugar. Fresco, seco e com boa tensão, vai revelando diferentes dimensões à medida que passa pelo palato, terminando longo, mineral e com boa persistência.
Não é o vinho que provavelmente encontraria na sua juventude. É outra coisa, e talvez seja precisamente aí que reside o seu interesse. A fruta perdeu algum protagonismo, ganhou complexidade e o conjunto mostra hoje uma maior integração.

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