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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Laurentina - 50 Anos à Mesa Com o Rei do Bacalhau


A assinalar 50 anos de história, o Laurentina – O Rei do Bacalhau continua a ter no bacalhau o grande protagonista, servido de várias formas e acompanhado por sabores que cruzam a tradição portuguesa com a influência moçambicana. Fomos experimentar alguns dos pratos da casa e perceber como esta identidade se mantém viva, cinco décadas depois.

Chegar aos 50 anos não é apenas uma questão de calendário. É sinal de uma história construída à mesa, de muitas refeições, muitas memórias e, neste caso, de uma ligação muito particular a um produto que faz parte da identidade gastronómica portuguesa. O Laurentina – O Rei do Bacalhau assinala cinco décadas de história e continua a ter no bacalhau o grande protagonista de uma casa que se tornou uma referência em Lisboa e que como, amantes do fiel amigo, nos penitenciamos desde já por ser esta apenas a primeira vez.

Antes de nos lançarmos à mesa, espaço para um pouco de história, que neste Restaurante faz todo o sentido, tal a epopeia apaixonante que se iniciou com António Pereira, fundador do Restaurante Laurentina, ainda criança, que aprendeu a cozinhar nas patuscadas que fazia com os amigos. Mais tarde, durante a juventude, viajou até Lourenço Marques, actual Maputo, em Moçambique, onde abriu o então famoso Leão d’Ouro, no Alto Maé. Durante 22 anos, dedicou-se à gestão do restaurante e aos segredos do bacalhau, experiência que viria a marcar definitivamente o seu percurso.
De regresso a Portugal, António Pereira quis partilhar, no centro de Lisboa, os sabores da sua arte tradicional e regional portuguesa, com origem nas Beiras, sem esquecer a forte ligação aos sabores africanos que trazia consigo. Abriu a sua casa aos familiares e amigos e, em 1976, nascia o Restaurante Laurentina – O Rei do Bacalhau.

O que então era uma novidade tornou-se, ao longo das décadas, uma tradição reconhecida além-fronteiras pela qualidade, pela experiência e pela forma particular de trabalhar o bacalhau. Mais de quatro décadas depois, perduram os segredos da casa, desde a selecção do bacalhau, sempre da Islândia, ao seu corte e demolha, passando pela arte de bem receber e servir os clientes.

O nome Laurentina está também ligado à cerveja Laurentina, uma das marcas mais emblemáticas de Moçambique. Foi essa ligação que ajudou a reforçar a identidade do restaurante e a manter viva a memória dos sabores, das referências e das experiências moçambicanas que fazem parte da sua história.

Hoje, a paixão de António Francisco Pereira pela cozinha e pela arte de bem gerir permanece intacta, continuada pelas mãos dos seus filhos, Rita e Marco Pereira. É essa passagem de testemunho que permite ao Laurentina celebrar 50 anos sem perder a ligação às suas origens, mantendo uma identidade reconhecível e uma forma muito própria de estar à mesa.

Começámos pelas entradas, com uma salada de polvo (14,50€), pataniscas de bacalhau (4,25€ unid.) e a chamuças exótica (6,50€ duas). Três propostas distintas que desde logo mostram essa convivência entre tradição e outras influências. A salada de polvo chegou com o polvo no ponto e revelou-se maravilhosa, cheia de frescura e simplicidade, enquanto as pataniscas nos levaram para o lado mais tradicional, ainda quentes, finas e saborosas, com o bacalhau bem presente. As chamuças acrescentaram uma dimensão mais aromática e especiada, fazendo a ponte para a matriz moçambicana que também integra a identidade do Laurentina, sem nunca se tornarem excessivamente picantes.

Depois, naturalmente, chegou o momento de dar palco ao bacalhau. E aqui a escolha recaiu em quatro interpretações bastante diferentes.

O Bacalhau à Brás (22,50€) é um daqueles pratos que dispensam apresentações. Bacalhau desfiado, batata e ovo numa combinação reconfortante, que continua a fazer sentido precisamente porque não precisa de grandes artifícios. Envolvente e cremoso, ganhou ainda mais expressão com a batata palha feita na casa, que acrescenta textura e reforça o sabor. É um prato de conforto, daqueles que nos fazem sentir imediatamente em casa.

E antes de passarmos às interpretações mais tradicionais, demos um salto pela Moqueca de Bacalhau (26,50€). O mesmo peixe surge aqui num registo mais aromático e envolvente, apresentado em lascas bem definidas que se juntam à cremosidade do prato, sem que o seu sabor desapareça. Uma proposta que mostra como o bacalhau pode atravessar fronteiras e encontrar novas interpretações sem perder a sua identidade e fazendo o cruzamento de culturas que faz parte da história do Laurentina.

Seguimos por outro caminho com o Bacalhau Alto Assado (54€ 2 pax). Para quem gosta da posta alta que coloca o peixe no centro da experiência e deixa que a qualidade do produto fale por si. Uma preparação mais directa, onde a simplicidade do bem fazer é uma virtude e onde o acompanhamento não procura roubar protagonismo ao bacalhau.
 
No final lugar à Couvada de Bacalhau à Pereira da Laurentina (52€ 2 pax) que foi, para mim, o momento da refeição. Uma preparação que foge ao percurso mais previsível e que, mais do que surpreender, me fez fechar os olhos perante a intensidade do sabor. Como se algo me impelisse a cerrar os olhos em contemplação e, durante aqueles instantes, nada mais à minha volta interessasse. Ficamos apenas nós e o prato. Há sabores que se comem, outros que se apreciam e depois há aqueles que nos fazem parar. Este foi um deles. Daqueles pratos que fazem voltar qualquer um. E eu quero voltar.

Quatro pratos, quatro formas de interpretar o mesmo protagonista. E talvez seja precisamente essa capacidade de trabalhar o bacalhau sem o prender a uma única fórmula que ajuda a explicar uma parte dos 50 anos de história desta casa.
Como guardamos sempre um lugar para a derradeira parte da refeição, espaço ainda para uma verdadeiro desfile de sobremesas feitas no próprio dia. Baba de Camelo (6,50€), Mousse de Chocolate (6,50€) e Leite Creme Queimado (6,50€) representaram os clássicos, enquanto as Cerejas do Fundão (8€) e o Exótico de Coco com molho de Cereja do Fundão (7,50€) acrescentaram uma dimensão mais frutada e sazonal.

Mas houve uma sobremesa que mereceu uma atenção especial: o Pastel de Nata Caseiro e Gelado de Baunilha com Macadâmia (9,50€), feito ao momento. Há qualquer coisa de particularmente interessante quando um clássico tão português chega à mesa acabado de preparar. A massa, o creme e o calor do forno fazem aqui parte da experiência e não apenas da receita.

Cinquenta anos depois, o nome continua a dizer exactamente ao que se vem: encontrar o Rei do Bacalhau à mesa. Mas chegar a meio século também passa por saber respeitar todos os elementos que chegam ao prato. Não apenas o bacalhau, mas também a batata, a couve, o azeite e todos os restantes ingredientes que o acompanham e ajudam a construir cada preparação. No Laurentina, essa atenção ao conjunto faz-se sentir, permitindo que cada componente mantenha a sua identidade e contribua para o equilíbrio final.

Há também um valor especial na cozinha feita no momento, com o cuidado e o tempo necessários para que cada preparação chegue à mesa no seu melhor. A textura do bacalhau, o ponto da batata, a couve, a qualidade do azeite e a forma como todos estes elementos se encontram não são detalhes menores: são parte essencial da experiência. Não se trata apenas de servir, mas de cozinhar para quem está ali, naquele instante, valorizando cada produto e o trabalho de quem o transforma.
Talvez seja essa combinação entre qualidade, respeito por todos os ingredientes, cozinha feita no momento e uma identidade reconhecível que permite a uma casa continuar a receber diferentes gerações. E deixar que a história continue a ser escrita — prato após prato, mesa após mesa.

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LAURENTINA - O REI DO BACALHAU

Tipo de Cozinha: Tradicional Portuguesa e alguns pratos de influência moçambicana
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Parque Público Pago
Preço médio sem bebidas: 35€-40€ 
Horários: Segunda-feira a sábado: 12:00h - 16:00h e 19:00h - 23:00h;
                Domingo: Fechado
 
Morada: Avenida Conde de Valbom 71A 
              1050-067 LISBOA
         
Telefone:  +351 217 960 260

terça-feira, 7 de julho de 2026

À Mesa com o Tejo: A experiência sofisticada do Bonança na Doca de Belém


Peixe fresco, esplanada, vista panorâmica e o Tejo como testemunha. O restaurante Bonança atracou na Doca de Belém e transformou a histórica Associação Naval de Lisboa num ponto de encontro mais sofisticado no qual se pode encontrar o equilíbrio perfeito entre pratos de autor, ambiente descontraído e uma lufada de ar fresco para os amantes da boa mesa à beira Rio.

Se a pressa e o reboliço turístico costumam ditar o ritmo de Belém, o Bonança surge como o antídoto perfeito. Esqueçe as filas intermináveis e o barulho dos elétricos. Aqui, o ritmo é outro: é o das marés, o do bater suave dos barcos na doca e o do tilintar dos copos que celebram o início de uma refeição sem pressas. 
Instalado no edifício da Associação Náutica mais antiga da Península Ibérica, o espaço conseguiu a proeza de honrar o peso da história sem se deixar ficar preso ao passado. O resultado? Uma atmosfera que equilibra uma elegância contemporânea com aquela descontração desarmante de quem tem o pé na areia ou, neste caso, o olhar fixo no rio.

Ao cruzar a porta de entrada, após passar pela esplanada, percebemos imediatamente que a viagem começa muito antes dos pratos chegarem à mesa. O restaurante aproveita a escala monumental do edifício histórico, distribuindo-se por dois pisos repletos de contrastes. O rés-do-chão acolhe-nos com a amplitude do antigo hangar e estaleiro de barcos do clube naval, sendo dominado pelo imponente mural de 1940, assinado por Miguel Barrias, que foi meticulosamente restaurado para servir de eixo visual a quem entra. Já a subida ao primeiro andar revela o verdadeiro segredo e a dualidade do espaço. 

É ali que se esconde a mítica sala antiga dos sócios, mantida praticamente sem alterações, envolta em tons de azul-escuro profundos que preservam as madeiras originais, os quadros históricos e o ambiente rústico de uma autêntica cápsula do tempo. A contrastar lado a lado com esta memória intocável, o novo primeiro piso abre-se em espaço e luz funcionando como um mezanino suspenso com uma varanda aberta e vista privilegiada para o Tejo. 

A esplanada, estrategicamente posicionada, serve de camarote de primeira fila para ver o Padrão dos Descobrimentos e o recorte da Ponte 25 de Abril ao fundo.

Mas vamos ao que realmente importa nesta nossa história: a mesa. O Bonança não se apoia apenas na sua localização privilegiada para conquistar o cliente. A verdadeira viagem faz-se através da ementa, uma autêntica ode ao Atlântico e à nossa costa que ganha vida pelas mãos e criatividade do chef Pedro Amendolas. Na cozinha, a liderança do chef reflete um respeito absoluto pela matéria-prima. A frescura do marisco salta imediatamente à vista, mas é o toque contemporâneo da sua equipa que rouba as atenções, provando que o rigor da alta gastronomia não precisa de ser cinzento ou formal demais.
 
Sob a mão precisa do Chef Pedro Amendolas, os pratos tradicionais são elevados a um nível de sofisticação invulgar. Na nossa visita tivemos oportunidade de, numa primeira parte e em modo partilha, várias opções de entrada, como o saboroso e suculento Pica-Pau, o clássico Ameijoas à Bulhão Pato, a vibrante Crudo de Lírio dos Açores, com água de tomate, uva e pinhão e o fresco Carpaccio de Atum Rabilho, com um creme de rábano, alcaparras fritas e azeite aromatizado de pimentos. 
 
Tradição e criatividade. Há técnica, há assinatura de autor, mas acima de tudo há sabor português puro, sem camuflagens escusadas. Numa segunda fase, escolhemos a Tranche de Peixe do Dia Grelhado – Robalo – com legumes assados que trouxe à mesa o peixe inteiro para partilha pelos comensais. A frescura do Robalo e o ponto na grelha fizeram magia. Era preciso algo mais?
 
Na parte mais doce da refeição lugar a duas sobremesas completamente inesperadas, mas também quisemos arriscar. Em primeiro lugar a Mousse de Matcha, Figo Fumado e Amêndoas e depois, o arrojado Pudim Abade de Priscos, Merengue, Frutos Vermelhos e Hibiscus que é uma maravilha e se come sem olhar para trás.
 
A experiência gastronómica ganha ainda mais força quando estendemos o olhar para o copo. A pensar nos finais de tarde que convidam a prolongar a partilha, a carta de cocktails - desenhada pelo Chef de Bar Filipe Ventura - propõe um mergulho em sabores inovadores e curados ao detalhe. 
 
Desde reinterpretações de clássicos a criações de autor que casam na perfeição com a brisa salgada, onde cada bebida é pensada para ser o par ideal, quer para abrir o apetite antes da refeição, quer para desfrutar na varanda enquanto vê o sol esconder-se no horizonte ou, como no nosso caso, para fazer uma pausa entre as entradas e o prato principal. As escolhas recaíram sobre o Atlântico Noir, que é uma excelente alternativa ao meu preferido Negroni embora menos intenso e no best Seller da casa, mais doce, mas com frescura incrível. 
 
Seja para um almoço de negócios que se quer produtivo, mas inspirador, ou para um final de tarde em que o casaco já começa a fazer falta, mas a conversa flui melhor do que nunca, o Bonança cumpre o que promete. É um porto seguro para os amantes da boa mesa que não abdicam da sofisticação, mas que dispensam qualquer tipo de pretensiosismo. Em suma: uma lufada de ar fresco nesta Lisboa à beira-rio.

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BONANÇA - ASSOCIAÇÃO NAVAL DE LISBOA

Tipo de Cozinha: Cozinha Portuguesa Contemporânea
Na Cozinha: Chef Pedro Amendola
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Gratuito no Parque da Estação Fluvial de Belém ou facilitado a partir das 20:00h no parque interior da Marina (com acesso pela Estação Fluvial de Belém).
Preço médio sem bebidas: Carta: 25€ a 50€; Menu Executivo: 24€ (inclui couvert, prato, bebida e café).
Horários: De segunda-feira a quinta-feira das 12:00h às 00:00h; de sexta-feira a sábado das 12:00h às 02:00h; ao domingo das 12:00h às 16:00h
 
Morada: ANL - Doca de Belém 
                1400-038 LISBOA
         
Telefone:  +351 916 884 669

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Touta - Uma viagem sensorial pela cozinha libanesa de Cynthia Bitar


Uma experiência na cozinha libanesa contemporânea, afastando-se do clássico "kitsh" do Médio Oriente, num conceito de "cozinha libanesa livre" e criativa no qual os sabores tradicionais são reinterpretados pelas mãos sábias e apaixonadas da chef Cynthia Bitar.

Inspirado na alcunha de infância da Chef Cynthia Bitar, o Touta é uma homenagem às memórias, viagens e momentos que moldaram a sua voz culinária, uma viagem de sabores, ao mesmo tempo nostálgicos e intemporais. 
Em virtude disso encontramos um espaço que foge ao conceito tradicional de restaurante étnico, talvez por ser também constituído por diversas salinhas que permitiram criar um conceito intimista e acolhedor, misturando a sofisticação do fine dining com o conforto de uma casa libanesa, num registo muito informal, agraciando-nos com uma decoração moderna e clean, sem sermos inundados com referências ao berço da cozinha.

Ostra do Algarve: Gaspacho de fattoush, pão libanês frito
A experiência no espaço divide-se em diferentes ambientes começando logo à entrada pela sala principal e cozinha aberta que nos permite observar a Chef Cynthia e equipa a trabalhar sem segredos; logo depois, uma zona de Bar, sendo um espaço mais pequeno e dedicado a cocktails e à seleção de vinhos libaneses; segue-se a sala de jantar comunitária, uma área maior com uma mesa comunitária, ideal para partilhar pratos e conversas, refletindo a hospitalidade típica do Líbano e depois, a derradeira sala, a mercearia, um dos elementos visuais que mais marcam a visita, uma pequena loja com as prateleiras repletas de conservas, compotas, infusões e fermentados feitos na casa, que os podemos comprar para levar. O espaço perfeito que nos vai obrigar a sair do Touta de saquinho na mão.

Bombons de queijo: Massa filo, queijo Akkawi de leite de vaca, sementes de nigela

Zlebieh: Assado no forno com zaatar, Labneh, Makdous de azeitona e folhas frescas
As salas são diferentes, mas com fio condutor contemporâneo, optando por cores terrosas, iluminação suave e com fotografias de pessoas e de várias regiões do Líbano que decoram as paredes. 

Croquete de Batata: Carne e cebola, pinhões, couve, ketchup de beterraba
A carta de vinhos é um dos pontos fortes e motivo de grande curiosidade do espaço, focando-se especialmente em vinhos libaneses, embora também inclua referências portuguesas sendo habitual  a sugestão de vinhos específicos que estão a ser servidos naquela semana para harmonizar com os pratos sazonais da Chef Cynthia Bitar.


Kafta: Tártaro de novilho maturado a secoy, folhas frescas, batatas fritas em gordura de vaca
Para além do vinho, ainda podemos encontrar outras opções de bebidas típicas e criativas como  a Araq, a tradicional aguardente de anis libanesa; cocktails de assinatura; cerveja, têm a libanesa Almaza e bebidas caseiras como a deliciosa e fresca ginger beer, a kombucha de zaatar e tepache de cardamomo.

Arnabieh: Peixe do dia cozinhado lentamente (Corvina), arroz branco, tahini e citrinos, cebola doce glaceada

Shawarma Roll: Porco Preto alentejanogrelhado, pil-pil, chimichurri de biwaz, pão da casa
A recepção é feita com um sorriso rasgado pela Rita Ballouta, sócia-gerente e directora de marketing, mas também presença assídua no serviço de mesa, assim como não será estranho ver a própria chef Cynthia Bitar a fazê-lo, a trabalhar na cozinha aberta ou a explicar os pratos detalhadamente e a forma correcta de os comer. Para além do foco na cozinha, no dar vida a uma reinterpretação moderna de receitas libanesas com ingredientes locais, a atenção ao cliente é também um objectivo primário, recebendo-o de forma acolhedora e fazendo com que se senta como em sua casa.

Mhalbieh: Pudim de leite, mastika e flor de laranjeira, coulis de alperce seco

Chocorange: Valrhona 70% chocolate negro, creme de cardamomo, biscoito brownie, Cointreau, caramelo salgado
No final, jantar no Touta não é apenas sobre saciar o apetite, mas participar numa narrativa gastronómica que ganha vida através da forma como a chef Cynthia Bitar interpreta a sua herança cultural: não como um conjunto rígido de regras, mas como uma linguagem viva que se adapta ao peixe fresco da costa portuguesa e aos produtos sazonais do mercado. 
Ao fugir dos circuitos turísticos de massa, o Touta consegue manter uma aura de exclusividade e autenticidade, onde cada prato é uma ponte entre o Mediterrâneo Oriental e o Atlântico.

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TOUTA

Tipo de Cozinha: Libanesa de Assinatura, Médio Oriente
Na Cozinha: Chef Cynthia Bitar
Distinções: 1 Sol Guia Repsol 2026
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Parque Público Pago
Preço médio sem bebidas: 30€ 
Horários: Terça-feira a Sábado: 19:00h às 23:30h
                Domingo e Segunda-feira: Fechado
 
Morada: Rua Domingos Sequeira 38, 1350-122 Lisboa
              1350-122 LISBOA
         
Reservas: Site Oficial ou The Fork
Telefone:  +351 960 494 949

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Akla - A Mesa do Chef Eddy Melo Com Inspiração e Ousadia Criativa

 
A nova carta do Akla é resultado de um momento de inspiração e ousadia criativa do Chef Eddy Melo na qual se propõe dar corpo às suas memórias em pratos plenos de emoção. Uma viagem sensorial gastronómica que aposta e respeita a qualidade do produto, dando palco ao sabor, acompanhando com a estética e beleza da composição

No lobby do InterContinental Lisbon, quase como passando despercebido, encontramos o restaurante Akla que, no primeiro contacto, nos surpreende pela amplitude do espaço, design moderno, disposição das mesas que permitem lugares de conforto e uma decoração elegante, com painéis de azulejo que nos transportam para um ambiente tipicamente português. 
 
Do nosso lado direito, dados os primeiros passos após a entrada, uma magnífica mesa com vista e posição priveligiada para uma estação de cozinha, chama a atenção. A Mesa do Chef. Será aqui que vamos desfrutar de uma combinação gastronómica entre os sabores locais e as experiências internacionais do Chef Eddy Melo, num conceito de partilha de sabores e momentos.
 
Nascido nos Açores, o Chef Eddy Melo fez o seu percurso profissional entre o Canadá, os Estados Unidos e a Jamaica, intercalado com passagens pela Europa. 
O desafio estava lançado e foi prontamente aceite. Conhecer um conceito repleto de boa comida, com pratos típicos portugueses, pensados de forma única e aproveitando o know-how de quem já correu o mundo pela gastronomia.

A experiência inicia-se com um couvert simples, mas sublime em texturas e sabores que nos servem de alerta para os restantes momentos. Dele fazem parte uma selecção de pão e de manteigas composto por Pão Integral, Broa de Milho e Açafrão com Noz, uma viciante Focaccia com Pecorino Trufado, Creme de Queijo S. Jorge 36 meses, Húmus de Abóbora e Manteiga da Britânia com Natas Maturadas. Simplicidade com inovação. 

Seguiram-se as entradas, em modo de espevita palatos, nas quais a ousadia criativa do Chef e a suas vivências passadas começam a marcar o andamento. O Aveludado de Pastinaca com Leite de Ervilha e Azeite DOP Monsaraz impressiona pela delicadeza de sabores aliada à cremosidade envolvente da pastinaca. O Azeite DOP Monsaraz imprime a sua assinatura pela subtileza e frescura que aporta ao prato. Ideal para os primeiros passos.

Viragem em sentido completamente diferente nas entradas seguintes. O Croquete de Camarão de Moçambique Selvagem, Esfera de Trufa, Coulis de Pimenta da Terra e Azeite DOP Monsaraz abraçou sabores mais ousados e intensos. Fomos a Moçambique e passamos pelos Açores, num verdadeiro Mar e Terra que nos fez sorrir de imediato.
Perdemo-nos pelos sabores Açoreanos no Atum dos Açores, Batata Doce, Espinafres, Pimenta da Terra e Cebola de Curtume. Uma paragem completa no Arquipélago a trazer tantas e boas memórias.  
 

Passamos aos pratos principais. Aqui fomos descobrir as carnes, onde a matéria prima é escolhida ao pormenor, onde a tradição é reinventada e a confeção aprimorada. Do Frango Label Rouge às Costoletas de Porco Preto e às Costeletas de Borrego da Irlanda, passando pelo irresistível T-Bone Steak com 50 dias de maturação, tudo grelhado no Josper, que confere aquele toque fumado inconfundível e delicioso. 

O difícil é escolher qual o preferido, embora as Costeletas de Borrego da Irlanda nos tenham feito fechar os olhos por alguns segundos, desacelerando o batimento cardíaco e fazendo-nos desfrutar do momento de forma muito sôfrega e íntima. Por outro lado, O Frango Label Rouge impressiona pela forma como mantém os sucos essenciais para que não se torne seco e garantindo sabor perfeito. 
Nas Costeletas de Porco Preto foi possível confirmar que a qualidade da carne associado ao fumado do Jorper são casamento perfeito. Há pratos que inspiram, aromas que se revelam e surpresas cativantes no que julgávamos ser menos diferenciador e afinal se mostra singular e único.
 
Obrigatório falar ainda do T-Bone Steak com 50 dias de maturação que tão bem foi tratado enquanto passou pelo Josper. Ponto irrepreensível. Textura, suculência e sabor. Verdadeiramente fechar com chave dourada. Nota para os caramelizados da gordura, temperados pelos sucos da peça e subtil pedra de sal. Magnífico.
Nas guarnições destaque par ao Carolo de Milho Amarelo, Leite de Cabra e Queijo da Ilha 36 meses, os Cogumelos Marron Salteados com Manteiga e Salsa e os Bimis Salteados em Azeite e Alho com Parmesão.  

Para adoçar o menu, as sobremesas do Akla parecem saídas de um devaneio artístico do Chef, quer do ponto de vista visual, como de texturas e sabores. Tal como na Arte o conjunto faz todo o sentido e facilmente acabamos por admirá-las.
A Pedra Proibida, um dos tesouros gastronómicos desta nova carta, encanta visualmente e no paladar surpreende, numa combinação de Mousse de Abacate e Grand Marnier, Cereja Amarena, Pistáchio, Lima e Gel Branco. 
Já o Yellow Velvet, que nos hipnotiza desde o momento em que chega à mesa com o seu aspeto aveludado, resulta num verdadeiro must taste, sendo uma simbiose de Mousseline de Mirtilo, Ganache de Pistáchio, Ganache de Manga e Maracujá, Biscoito de Pistáchio e Spray Velvet.
 
Quando cada prato é uma obra de arte gastronómica que apela a todos os sentidos, fica difícil resistir às mais recentes criações do Chef Eddy Melo. Mais do que uma refeição, esta nova carta convida a saborear tempo e beleza, num ambiente elegante, acolhedor e com o selo de qualidade que o InterContinental Lisbon preserva em cada detalhe.
 
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AKLA

Tipo de Cozinha: Portugal e Internacional
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Parque Privado (Hotel) / Parque Público (Pago)
Preço médio sem bebidas: 60€ à carta / 68€ Mesa do Chef 
Horários: Segunda-feira a Domingo. Almoço das 12:00h às 15:00h e Jantar das 19:00h às 22:30h
 
Morada: Hotel InterContinental Lisbon
              Rua Castilho, Nº 149
              1070-050 LISBOA
         
Telefone:  +351 213 818 700
Endereço Eletrónico: akla.restaurant@ihg.com