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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Quinta da Extrema Edição III 2017 Tinto

QUINTA DA EXTREMA EDIÇÃO III 2017 TINTO | DOURO | 14,5% | PVP  46,90€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA
COLINAS DO DOURO SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
18

Na mesma noite em que provámos o Quinta da Extrema Edição II 2017 Branco, seguimos na mesma linha para o tinto, a Edição III 2017. Uma oportunidade muito interessante para provar os dois em sequência e fazer as naturais comparações – onde possível -, com registos distintos dentro do mesmo projecto: de um lado, a frescura e a elegância do branco; do outro, um tinto mais estruturado, profundo e marcado pela fruta e pela componente especiada; ambos ainda com caminho pela frente e com os passos evolutivos a fazerem de forma lenta. 
Duas leituras distintas do Douro Superior, mas com uma identidade comum, que neste tinto se revela através da Touriga Nacional e da Touriga Franca, com evolução em garrafa que lhe garante maior complexidade, menos arestas e maior harmonia ao conjunto, sem lhe retirar energia e vivacidade. 
Encaixa no perfil de vinhos que por aqui gostamos de levar para a mesa quando se anunciam prato de carne com estrutrura, assados no forno ou cozinha de tempo, como são o cabrito assado, o borrego, as bochechas de porco, as carnes vermelhas grelhadas ou os pratos de caça. 
Cor vermelho intenso de média concentração, mantendo boa profundidade, reflexos violeta, aspecto límpido, escondendo alguma da sua idade. No nariz a fruta continua bem presente, sobretudo num registo de fruta vermelha e preta madura, acompanhada por notas florais, componente especiada e ligeira, mas fresca presença de balsâmicos. Há sinais de evolução, mas surgem ainda de forma subtil, sem que as notas terciárias assumam o protagonismo. Na boca está mais polido, com a passagem do tempo limar algumas arestas e trazendo maior harmonia ao conjunto. Mantém estrutura e volume, mas a fruta, a acidez e os taninos encontram-se agora melhor integrados, proporcionando uma prova mais equilibrada e envolvente, captando maior atenção, e, apesar dos anos, conservando energia e frescura. Algo que lhe dá particular interesse nesta fase. Termina longo, com boa persistência e um equilíbrio muito conseguido entre fruta, especiaria, estrutura e frescura. Um vinho que evoluiu, é verdade, mas que ainda está longe de ter perdido a sua identidade e a sua capacidade de surpreender. .

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Quinta da Extrema Edição II 2017 Branco

QUINTA DA EXTREMA EDIÇÃO II 2017 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  34,90€
ENCRUZADO, RABIGATO
COLINAS DO DOURO SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
18

No meu copo está um daqueles brancos durienses que ajudam a desmontar a ideia de que os grandes vinhos da região têm necessariamente de ser tintos e que os brancos são para beber jovens. O produtor indica-o como um vinho pensado para evoluir vários anos em garrafa. E assim é. Se não contar com as boas particularidades do tempo de espera – 9 anos -, o vinho está como novo. Tendo em conta que vos estou a falar de um 2017, acho particularmente interessante o facto de todas as minhas notas continuarem a apontar para frescura, tensão e capacidade de continuar em evolução. Classifico-o como o tipo de branco que vale a pena beber com alguma atenção - e não demasiado frio -deixando-o respirar no copo e que fale connosco.
À mesa pede comida com alguma complexidade. Peixe assado, bacalhau, marisco, aves ou mesmo pratos de cogumelos estarão à altura da sua textura e acidez. Com pratos mais delicados, a sua elegância pode sobressair e com pratos com alguma gordura, a acidez ganha ainda mais sentido.
Cor amarelo citrino com tonalidade palha, mostrando ainda reflexos esverdeados e aspecto jovem, límpido e brilhante. No plano aromático compro que o tempo parece ter-lhe feito particularmente bem. Mantém um perfil muito elegante e contido, com citrinos, toranja, maçã e notas de pedra lascada, sílex, acompanhadas por nuances discretas de pastelaria e madeira. Tudo muito fino e harmonioso. Não é um vinho exuberante que procura impressionar pela intensidade aromática, a sua força está precisamente nesta subtileza e definição. Na boca mostra-se cremoso, amplo e tenso, com uma acidez muito viva que lhe dá nervo e prolonga todo o conjunto, oferecendo boa textura, mas também uma componente crocante e mineral que impede qualquer sensação de peso extra. O final é longo, persistente e surpreendentemente fresco para um branco com esta idade.

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Lés-a-Lés Quinta das Marés Colheita Tardia 2021 Branco

LÉS-A-LÉS QUINTA DAS MARÉS COLHEITA TARDIA 2021 BRANCO | LISBOA | 13% | PVP  19,95€
JAMPAL, VITAL, PETIT MASENG
PEDRO LUÍS DA CÂMARA SANTA BÁRBARA
17,5

Um colheita tardia com 30 meses de sono de beleza em barricas de carvalho francês e um blend de castas único neste tipo de vinho doce são razões suficientes para chamar à atenção até do mais distraído enófilo e simples apaixonado por um colheita tardia. Mostra-se, de forma corajosa, pois em Portugal não é fácil fazer bons colheitas tardias, mas convence desde o primeiro contacto. Elegância num registo doce que também se procura, sem cair no campo da densidade exagerada ou em camadas meladas e doces sem fim. Agarra-nos com conforto e parece crescer quando o juntamos a queijo azul, diria qualquer um, mas o pouco Stilton que cá tinha por casa foi pouco para o prazer que deu no casamento. 
Cor amarelo âmbar, tonalidade dourada, reflexos luminosos, límpido, brilhante e cativante. No nariz não de esconde tanto a podridão nobre, como a fruta passa, com alguma exuberância, mas também com equilíbrio, no qual as notas de fruta, alperce e tangerina se juntam a notas de mel, fruto seco, pitada floral e um toque fresco mais herbáceo, bouquet harmonioso, rico e intenso. Na boca apresenta-se com uma camada untuosa, macia, quase veludo, acidez marcada, vivaz, que não esconde a doçura, mas que a completa, que lhe dá alegria, que a equilibra e lhe dá sentido para nos manter interessados até ao final, longo e guloso.

terça-feira, 2 de julho de 2024

Lés-a-Lés Trás-Os-Montes Vinhas Velhas 2020 Tinto

LÉS-A-LÉS TRÁS-OS-MONTES VINHAS VELHAS 2020 TINTO | TRÁS-OS-MONTES | 15,5% | PVP  19,50€
VINHAS VELHAS
WINE ATTITUDE, LDA
17,5

Mais um bilhete na viagem pelos vinhos do projecto Lés-a-Lés de Jorge Rosa Santos e Rui Lopes. Nesta garrafa vamos até Trás-Os-Montes, com a vinha velha transmontana de Arcossó, a "mistura de castas ancestrais" e a pisa tradicional. 
Destaca-se, numa primeira camada, a fruta, madura, fresca, bem bonita, aninhando-se nas notas de bosque, pinhal, que aparecem de seguida. Mais corpolento do que esperava, macio de textura, nervoso, percebe-se que é uma criança e que vai continuar muito bem em garrafa por mais anos. 
Carnes assadas no forno, caça, cogumelos. Manter por perto caso regresse a chuva e a temperatura mais outonal deste verão.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Quinta da Extrema Grande Reserva 2018 Tinto

QUINTA DA EXTREMA GRANDE RESERVA 2018 TINTO | DOURO | 14,5% | PVP  22,50€
CABERNET SAUVIGNON
COLINAS DO DOURO SOCIEDADE AGRÍCOLA, LDA
18

Conta o contra-rótulo deste vinho que o seu produtor quer sempre dar protagonismo às castas autóctones do nosso País e da região onde produz os seus vinhos, mas que este Cabernet Sauvignon o impressinou de tal forma que se sentiu na obrigação de o partilhar. Ainda bem, digo eu, pois também em mim deixou marca, como deixam todos os grandes vinhos, e este é, sem dúvida, um deles. 
Cor vermelho granada intenso, com tonalidades violeta, concentrado, fechado, aspecto límpido e jovem. No plano aromático mostra a fruta preta silvestre e de bosque madura e fresca, ameixa preta, amora, cereja, juntando-se a ela as notas bem medidas de algum pimento, envolvidas num lado mais terroso, com alguma turfa, cogumelo, pimenta preta, respirante balsâmico e com aquele toque de caixa de charuto, complexo, desafiante, com vida. 
Boca com estrututra, corpo, revelando opulência, com textura macia, aveludada, untuosa, a deixar-nos presos ao momento, com acidez no ponto, como espinha dorsal ligada à fruta em grande forma e ao tanino firme, denso, mas pronto, praticamente sem arestas, formando um conjunto uno, harmonioso e com final de boca longo e persistente.
Fez questão de se juntar à minha mesa em dois momentos. O primeiro numa ligação simples, mas certeira, ao aconchegar umas costoletas de borrego grelhadas. No entanto, mais marcou quando se juntou a uma caseira Carne à Mercês que me fez ter pena não ter mais uma garrafa por perto.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Pelo Reino de Jorge Rosa Santos e Rui Lopes no Projecto Lés a Lés

J
orge Rosa Santos e Rui Lopes formam a dupla que corre o País de Lés a Lés por um projecto com o mesmo nome e que nasce com o objectivo de recuperar não só castas menos utilizadas e/ou à beira da extinção, como também antigos estilos de produção de vinho que, por alguma razão, têm vindo a ver o número de garrafas produzidas cada vez mais limitado.
Os quilómetros feitos pelas estradas nacionais noutros projectos juntam-se a este de cariz mais pessoal sendo impressionante a dinâmica, irreverência e, ainda assim, alegria que demonstram ao falar do projecto. 
Na noite em que estivemos juntos, Jorge Rosa Santos chega ao restaurante já com alguma distância percorrida nas pernas e Rui Lopes apenas se junta à mesa cerca de uma hora depois pois teve de fazer uma cansativa viagem desde a região de Távora-Varosa até Sintra para poder estar presente. Com a curiosidade de pouco depois confidenciarem que às 6 da manhã do dia seguinte seguiriam juntos para o Douro. É obra. Haja vontade!
A noite foi agendada para conhecer, mais e melhor, o trabalho de ambos em vários produtores onde fazem vinho, todavia o projecto Lés a Lés, pela sua pessoalidade, despertou outra atenção.
A rotulagem em forma de bilhete antigo de autocarro, como que a dizer que vamos fazer parte da viagem e os nomes dos vinhos, bastante sui generis, aguçam a curiosidade. Em cima da mesa três representantes da ainda pequena colecção de vinhos, com regiões escolhidas a dedo e com número de garrafa bastante limitado. 
O Sério de Síria, Beira Interior, 100% Síria de vinhas a 650 metros de altitude; o L'Immigrant, um Sauvignon Blanc de Lisboa, de uma vinha perto da Merceana; e o Medieval de Ourém, também de Lisboa, Doc Encostas de Aire, com uma história belíssima, embora talvez o vinho mais dificil de concretizar.
 
LÉS-A-LÉS SÉRIO DE SÍRIA 2017 BRANCO | BEIRA INTERIOR | 13,5% | PVP 14,90€
SÍRIA 
WINE ATTITUDE, LDA 
17,5
Uma Síria que é um caso sério. Revela uma elegência e delicadeza imensa, ao mesmo tempo que mostra ter um toque de volúpia e sensulalidade que só os grandes Sírias conseguem revelar. 
Cor citrino intenso, tonalidades esverdeados, aspecto limpo e brilhante. Aromas, contidos de inicio, a fruta de caroço madura, pêssego, alperce e alguma ameixa amarela, envoltas em floral delicado, algum chá de limão e mel, pedra lascada, fresco e desafiante. Envolve-nos na boca com uma equilibrada sensação de cremosidade e acidez, tanino macio, fruta fresca, leve toque baunilhado, ligado e harmonioso, finalizando com muita elegância e frescura.
 
 
LÉS-A-LÉS L'IMMIGRANT 2018 BRANCO | LISBOA | 13,5% | PVP 14,90€
SAUVIGNON BLANC
WINE ATTITUDE, LDA 
17
Uma interpretação do Sauvignon Blanc num registo menos exuberante e clássico, mas mais contido, com mais gordura e largura de corpo e com uma versatilidade mais abrangente. 
Cor amarelo definido, com tonalidade palha e leves esverdeados, aspecto límpido e brilhante. Nariz onde as notas de fruto exótico aparecem bem medidas, com elegância, bem ligadas com notas citricas, algum vegetal envolvente, couve cortada, complexo, em crescendo à medida que vai respirando. Boca muito expressiva, com cremosidade bem colocada e uma acidez aguçada o suficiente, alguma pedra lascada e lado salino, fruta bonita, harmonioso e com término de boca longo.
 
LÉS-A-LÉS MEDIEVAL DE OURÉM 2019 TINTO | ENCOSTAS DE AIRE | 14,5% | PVP 21€
FERNÃO PIRES, TRINCADEIRA
WINE ATTITUDE, LDA 
17
Um desafio imenso reproduzir um vinho feito à base de uma técnica ancestral, que terá chegado a Portugal que via da Ordem de Cister que se diz terá tentado replicar os vinhos das suas origens e que terá resultado neste palhete que dá um prazer imenso a beber.
Cor vermelho intenso, pouca concentração, aberto, luminoso e límpido. No plano aromático as notas de fruta vermelha madura e fresca em relevo, muito nítida e atraente, com um lado mais de bosque, turfa levantada, míscaros, pedra lascada, fresco. Na boca brinda-nos com algum volume e cremosidade, acompanhado por uma rugusidade e acidez mais rústica, brilhando novamente a fruta vermelha, um lado muito fresco e com término de boca longo, elegante e viciante.
 
Um projecto cativante e a seguir com atenção. Cada vinho é uma viagem.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Lés-a-Lés Arinto de Pedra e Cal 2016 Branco

LÉS-A-LÉS ARINTO DE PEDRA E CAL 2016 BRANCO | LISBOA | 12,5% | PVP 15€
ARINTO
ATITUDE, LDA
16,5

Ocupem os vossos lugares nesta viagem. O bilhete está no rótulo e o destino impresso aponta a Lisboa, à região de Bucelas, onde se conta por aí que por lá vive do melhor Arinto que se pode encontrar.
O projecto “Lés-a-lés”,  um sonho de Jorge Rosa Santos em recuperar castas antigas e estilos de vinhos quase extintos em Portugal, junta-se neste vinho ao enólogo Rui Lopes e levam-nos até um Arinto particular, com uma frescura e acidez acutilante, uma bela expressão da casta e do local onde nasce.
Cor citrino intenso, esverdeados leves, aspecto limpo e brilhante. No nariz destaque para o típico citrino da casta, muito limpo e definido, envolto em notas de mar, salino proeminente, pedra lascada, muita frescura num perfil um tanto ou quanto contido.
Na boca revela acidez citrina acutilante, sequinho, acompanhando com algum volume e untuosidade, equilíbrio e fruta sumarenta. Termina longo e a limpar o palato.