Na encosta sul do Cabo da Roca, na Azóia, entre a Serra de Sintra e o Atlântico, a Quinta Vale da Roca construiu uma identidade vínica que se distingue da imagem mais habitual de Colares. O projecto nasceu da paixão pelo vinho de um casal de arquitectos portugueses, que herdou a propriedade depois de esta ter permanecido durante várias gerações na família fundadora, e ali começou por fazer a sua casa de família, abrindo depois as portas à hospitalidade, com uma oferta de alojamento local diferenciada despoletada pela vontade de partilhar a beleza e a tranquilidade deste lugar. Mais tarde acabou por plantar a sua própria vinha.
Na escolha das castas, seguiram também o gosto pessoal, plantando variedades que apreciavam encontrar nos vinhos que bebiam. Essa opção ajuda a explicar a presença de castas pouco habituais na região, como a Encruzado e a Pinot Noir. Mais recentemente, a vinha passou por uma renovação, com a Fernão Pires e a Arinto a darem lugar a mais Encruzado e a alguma Pinot Noir. m 2025, a quinta iniciou uma nova etapa, com uma nova família proprietária a assumir a continuidade do projecto, tanto na vertente vínica como na de alojamento.
A casa deixou, assim, de ser também a residência dos proprietários, passando a estar inteiramente dedicada à actividade da quinta e ao acolhimento de quem a visita.
Ao longo da vida da propriedade, muitas foram as mudanças, mas uma das histórias mais interessantes está debaixo das videiras. A vinha própria, com cerca de três hectares, foi crescendo à medida que surgiam oportunidades de adquirir terrenos vizinhos. O desafio, porém, estava longe de ser simples: os solos são pobres e formados a partir da alteração de rochas graníticas e sieníticas. Ao contrário do tradicional chão de areia que associamos a boa parte da viticultura mais emblemática de Colares, aqui foi necessário conquistar espaço à própria rocha, removendo grandes blocos de granito para criar terreno onde plantar vinha. Um trabalho exigente, que ajuda a perceber melhor a singularidade deste lugar e o esforço por detrás de cada garrafa.
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| João Ribas e António Figueiredo |
Desta vinha nascem três vinhos monovarietais — Malvasia, Encruzado e Pinot Noir — reunidos sob a gama Quinta Vale da Roca. A marca Vinha da Roca alarga o portefólio com vinhos elaborados a partir de uvas adquiridas a produtores locais. Na adega, António Figueiredo procura interpretar as castas e as particularidades deste território atlântico, onde a frescura do clima e a proximidade do mar têm um papel importante na identidade dos vinhos. No Enoturismo, João Ribas é a cara presente e mão experiente que acompanha cada visitante e hóspede nesta experiência singular.
Depois de conhecer a história da propriedade, perceber o desafio que representa cultivar vinha neste terreno e descobrir as opções que dão forma ao projecto, chegou o momento de passar para a experiência no copo. A prova permitiu conhecer diferentes interpretações deste terroir numa viagem que completou a visita à Quinta Vale da Roca.
Entre os vinhos provados, três ficaram particularmente na memória. O Malvasia, pela sua identidade e pela forma como interpreta o lugar onde as vinhas estão situação; o Pinot Noir 2022, que mostrou personalidade suficiente para não passar despercebido, revelando uma expressão própria numa região onde não é a casta que esperamos encontrar; e um rosé rasgadinho, seco e cheio de frescura, daqueles que deixam vontade de voltar a encontrar em futuras colheitas. Ficam as minhas notas de prova e impressões sobre os vinhos que tive oportunidade de provar.
ARINTO, FERNÃO PIRES, MALVASIA FINA
QUINTA VALE DA ROCA - SOC. AGRO TURÍSTICA, LDA
16
Cor amarelo citrino, aberto e luminoso, esverdados subtis, aspecto límpido e jovem. No nariz revela um perfil fresco e elegante, com fruta de pomar, notas citrinas e de polpa amarela, bem conjugadas com um ligeiro apontamento floral e uma componente atlântica muito subtil. Na boca, a entrada é aguerrida, sem timidez, com uma acidez vivaz e um registo seco que lhe dão energia e definição. O prolongamento e a afinação acompanham a prova até um final longo e duradouro, confirmando um branco que alia frescura a uma estrutura bem delineada.
Esta acidez vivaz e o perfil seco faz com que pense nele como um bom parceiro para peixe grelhado, marisco ou uma cataplana de peixe.
QUINTA VALE DA ROCA ENCRUZADO 2023 BRANCO | LISBOA | 11,5% | PVP 18€
ENCRUZADO
QUINTA VALE DA ROCA - SOC. AGRO TURÍSTICA, LDA
17
Cor amarelo citrino, aberto, leve tonalidade palha, aspcto límpido e jovem. No nariz, ainda se revelam algumas marcas da passagem por barrica, com notas de baunilha e fruto seco, acompanhadas por fruta de polpa amarela e um floral perfumado que acrescenta intensidade ao conjunto. Na boca, apresenta menor volume, mas não perde presença, sustentado por uma fina camada de untuosidade que envolve o palato sem o tornar pesado e acidez equilibrada e bem pontuada, que lhe confere frescura e definição, enquanto a barrica surge mais integrada, embora continue presente, com a baunilha a deixar a sua marca. A componente salina acrescenta carácter e conduz a um final longo e persistente.
Aqui, à mesa, a minha escolha recai num peixe assado no forno ou um robalo grelhado, bem como em carnes brancas e preparações com molhos ligeiramente cremosos.
QUINTA VALE DA ROCA MALVASIA 2021 BRANCO | LISBOA | 13% | PVP 16€
MALVASIA
QUINTA VALE DA ROCA - SOC. AGRO TURÍSTICA, LDA
17,5
MALVASIA
QUINTA VALE DA ROCA - SOC. AGRO TURÍSTICA, LDA
17,5
Cor amarelo citrino, tonalidade esverdeada com reflexos palha, brilhante, límpido e de aspecto jovem. No plano aromático, mostra-se exuberante, com a fruta em primeiro plano, sobretudo notas de polpa amarela e fruta de caroço, bem conjugadas com um lado floral subtil, uma fina expressão salina e mineral, leve apontamento de cera de abelha em fundo. Na boca, o primeiro ataque é marcado pela salinidade, logo acompanhado por uma acidez vibrante, que seca o palato e imprime energia ao conjunto, revelando um perfil mineral expressivo, sem comprometer a boa cremosidade, enquanto surgem notas de azedas que acrescentam um lado mais ácido e vegetal. Vertical, firme e bem definido, termina longo, deixando uma impressão fresca e salina demonstrativo da presença próxima do Atlântico.
Um dose de Ostras ao natural, um peixe grelhado na ou uma travessa de marisco cozido. A felicidade às vezes é algo bastante simples.
EMÍLIA DA ROCA 2024 ROSÉ | LISBOA | 12% | PVP 19€
CASTELÃO
QUINTA VALE DA ROCA - SOC. AGRO TURÍSTICA, LDA
17
Cor rosa salmão intenso, com subtis acobreados, luminoso e brilhante, aspecto límpido e jovem. No plano aromático, começa por se mostrar mais delicado e tímido, revelando, ainda assim, de imediato, fruta vermelha e preta de bosque, com destaque para cereja e framboesa, num registo de bago fresco, acompanhado por um recorte salino e uma subtil nota terrosa. Na boca, recebe-nos com uma acidez atlântica implacável, crocante e vibrante, que define o perfil e lhe imprime tensão. Seco e preciso, conjuga tensão e elegância de mão dada, sem perder a delicadeza da expressão aromática, terminando longo, com uma persistência salina que prolonga a prova e lhe reforça a vocação gastronómica.
Um rosé seco, tenso e elegante, daqueles que não ficam à margem da mesa, puxa pelo prato e pede comida por perto. Um tártaro ou um prego de atum sff.
VINHA DA ROCA 2024 TINTO | LISBOA | 14,5% | PVP 11€
TINTA RORIZ, TOURIGA NACIONAL, CASTELÃO
QUINTA VALE DA ROCA - SOC. AGRO TURÍSTICA, LDA
15,5
Cor vermelho rubi de média concentração, aspecto límpido e jovem. No plano aromático a fruta assume o protagonismo desde o primeiro contacto, num perfil directo e expressivo, onde se destacam notas de cereja, ameixa vermelha e framboesa, prolongando-se do nariz à boca. Mais opulento na expressão, mostra-se macio e envolvente, com taninos polidos que contribuem para uma prova fluida e acessível, que não procura impor-se pela complexidade ou pela estrutura, conquista pela expressão frutada, pela suavidade do conjunto e por um final longo e persistente.
À mesa será bem acompanhado por carnes grelhadas, um bom hambúrguer e pratos de cozinha italiana com carne.
QUINTA VALE DA ROCA PINOT NOIR 2022 TINTO | LISBOA | 13,5% | PVP 29€
PINOT NOIR
QUINTA VALE DA ROCA - SOC. AGRO TURÍSTICA, LDA
17,5
Cor vermelho rubi de média concentração mais aberto, luminoso, reflexos granada, aspecto límpido e atraente. Aromaticamente, presenteia-nos com elegância e a frescura de uma fruta vermelha muito bonita, onde se destacam a cereja, a ginja, a romã e a framboesa. A estas juntam-se notas de flor seca, pinhal e turfa de pinhal, um subtil apontamento de cedro e uma fina componente salina que parece agarrar-se a todo o conjunto, reforçando a sensação de frescura e a identidade atlântica. Na boca, apresenta médio volume e estrutura, mas sem perder delicadeza e elegância. A textura é macia, quase mastigável, enquanto a acidez, no ponto, se revela vibrante e tensa, sustentando uma secura prolongada. A fruta regressa em excelente forma, acompanhada pelo carácter atlântico e por um tanino firme, mas mais polido, com a componente especiada bem integrada. Termina longo e prazeroso.
Está aberta a época dos jantares de caça onde este pinot noir fará todo o sentido, assim como com carnes vermelhas grelhadas e risotos de cogumelos.
QUINTA VALE DA ROCA PINOT NOIR 2023 TINTO | LISBOA | 13,5% | PVP 29€
PINOT NOIR
QUINTA VALE DA ROCA - SOC. AGRO TURÍSTICA, LDA
17
Cor vermelho rubi de média concentração, luminoso e atraente, aspecto límpido e jovem. No nariz, brilha a fruta vermelha, com destaque para cereja e a romã, bem rodeada por notas de bosque e uma fina camada marítima que me recorda estar perante um Pinot Noir de costa. Na boca, apresenta volume médio, ainda assim um pouco mais cheio do que esperava, com textura macia e uma acidez precisa, sustentada por uma secura bem desenhada, regressando os apontamentos que nos remetem para o lugar, entre o salino e o terroso, conferindo identidade ao conjunto. O tanino firme dá estrutura à prova e acompanha o vinho até um final longo, onde a frescura e o carácter atlântico continuam a marcar presença.
A pensar na mesa, apostaria em magret de pato, codorniz assada ou pratos de cogumelos, no fundo, sabores de outono que podem acompanhar a expressão do vinho.
A experiência de enoturismo disponível permite descobrir a propriedade, adega, vinhas e os seus vinhos através de visitas e provas, proporcionando um contacto mais próximo com a história da quinta e cada singularidade que define a identidade do projecto. Uma forma de conhecer este recanto de Sintra também através do que chega ao copo.
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QUINTA VALE DA ROCA
Morada: Rua Casal Farripas 8,
2705-001 AZÓIA
COLARES
Telefone: +351 968 207 782 / +351 961 308 799
E-mail: info@valedaroca.com
Estacionamento: Gratuito
Visitas e provas: Consultar todas as opções e formas de reservar em https://valedaroca.com/pt/wine-tasting/















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