terça-feira, 22 de setembro de 2026

Real Companhia Velha Porto Vintage 1977

REAL COMPANHIA VELHA PORTO VINTAGE 1977 | PORTO | 20% | PVP  100€ a 110€
TOURIGA FRANCA, TINTA RORIZ, TINTA BARROCA, TOURIGA NACIONAL
REAL COMPANHIA VELHA VINHOS
18

Quando falamos de Vinho do Porto, 1977 é um daqueles anos que ficou associado a uma colheita de grande qualidade, reconhecida entre os anos clássicos do Porto Vintage. É, por isso, particularmente interessante voltar a um vinho dessa colheita quase cinco décadas depois e perceber de que forma o tempo o transformou. 
Foi nesse contexto que provei o Real Companhia Velha Porto Vintage 1977, uma garrafa que me surpreendeu pela forma como chegou ao copo. Mais tímido e envergonhado a princípio, talvez porque não lhe demos a atenção devida numa abertura antecipada, rapidamente entrou em diálogo alegre connosco, mostrando poucos sinais de cansaço e revelando-se luminoso, complexo e, sobretudo, cheio de vida, num muito bom momento de forma.
À mesa, um Vintage com esta idade pede harmonizações que não lhe retirem protagonismo. Queijos de pasta azul, como Stilton ou Roquefort, são parceiros naturais, mas sugiro também que seja companhia acertada para sobremesas de chocolate negro, frutos secos, figos ou um simples bolo inglês pouco doce. Ainda assim, perante a complexidade, o equilíbrio que mostrou e o prazer que deu a beber, talvez a melhor companhia seja mesmo alguma conversa tranquila e tempo para o beber devagar. 
Visualmente atrativo, mantém a coloração vermelha, embora já desvanecida e com pouca densidade, mostrando agora nuances mais próximas das de um Colheita, com subtis tonalidades de âmbar jovem e alguns acastanhados. Luminoso e brilhante. Componente aromática profunda, complexa, com camadas distintas, mas num casamento feliz, marcado pelas notas mais terciarias e menos pela fruta, revelando notas de bolo inglês, frutos secos, especiaria exótica a temperar o conjunto, cardamomo, canela, bolacha americana de cacau, limpo, embora com o lado especiado a dominar o bouquet. Na boca encontra-se cheio de vida, em bom momento de forma, com acidez bem casada com a fruta, a doçura e o álcool, harmonioso, alguma fruta preta desidratada, ameixa, figo seco, mantém a pitada especiada e o registo mais fresco, menos denso, prazeroso a beber e comprimento final de boca extenso e duradouro.

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