segunda-feira, 18 de maio de 2015

O Ouriço-do-Mar e a Ericeira

A Vila da Ericeira, "Terra de Ouriços",foi este ano palco para o Iº Festival Internacional do Ouriço-do-Mar. Contam as histórias que o nome de Ericeira deriva do facto de se poder encontrar ao longo da sua costa imensos ouriços-do-mar e, ainda que recentemente, através de achados arqueológicos, se veja antes o ouriço cacheiro como aquele que verdadeiramente lhe terá dado o nome, este é sem dúvida o local ideal para o nascimento deste evento.

Oportunidade para provar algumas delicias cozinhadas com o Ouriço-do-Mar e perceber o valor de excelência que o mesmo pode ter para a região.
Assim, no Restaurante Sul, em véspera de inicio do festival, foi possível provar alguns pratos com o ouriço-do-mar pela mão do Chef António Alexandre, o Chef Executivo do Lisboa Marriott Hotel.

Inicio de refeição com o Peixe da Nossa Costa Marinado com Vinagrette de Ouriço-do-Mar. Um entrada fria onde o peixe fresco marcava posição e o vinagrette de ouriço-do-mar chamava a atenção para o cheio a mar e para o sabor a mar, intensificando a experiência.
Ligou com mestria ao Quinta de Sant'Ana 2013 Branco, um 100% Fernão Pires cujo perfil frutado e fresco serviu na perfeição para a delicadeza deste prato.

De seguida o Mergulho no Mar (Ouriço, Navalheira, Percebe, Mexilhão). Um verdadeiro mergulho no mar. Embora a intensidade de aroma e sabor do ouriço-do-mar volta-se a marcar o prato, o facto é que esta entrada quente funciona pelo seu conjunto. Uma verdadeira delicia que apenas tem o senão de ser na pequena casca do ouriço.
O Quinta de Sant'Ana Sauvigon Blanc 2013 fez desta vez a honra de se juntar ao mar e a ligação voltou a ser perfeita. Acidez crocante, estaladiça, a secar a boca e a limpar o palato de cada vez que se ia com a colher ao prato.


Seguimos para o prato que, na minha opinião, seria a estrela da noite. Se a refeição já estava a ser de um nível bastante elevado, o Ravioli de Ouriço e Algas do Mar em Consomé, acabou por "partir a loiça toda" se posso dizer desta forma. Poucas palavras. Soberbo! Verdadeiro Mar.
O vinho, também de um produtor da região, foi desta vez o Dona Fátima Jampal 2013 Branco. Uma casta pouco conhecida, um branco que conheço bem e que adoro. A sua ligação neste prato funcionou pretendido, em equilíbrio, e fazendo uma ligação salina notável.

Por fim a sobremesa. Uma variante do leite creme queimado, mas com o ouriço-do-mar como ingrediente. O Ouriço Brulée fez as delicias dos presentes primeiro no plano estético e depois no palato. Talvez o prato onde o ouriço-do-mar não estivesse tanto em evidência, mas com óptimo resultado.
O vinho escolhido para harmonização foi Manz Rosé 2013 que, sinceramente, não me encantou na ligação, embora o aprecie bastante no inicio da refeição ou, sendo com a sobremesa, com algo à base de fruta vermelha fresca. Assim, fiquei a pensar no late harvest do produtor Quinta de Sant'Ana que ainda não conheço, mas que aqui deveria ser a cereja no topo do bolo. 

Já em jeito de final de festa, o anfitrião da casa Paulo Rodrigues, permitiu que tivesse uma experiência única que foi provar ouriço-do-mar cru. Divinal. Aroma a mar e o sabor deliciosamente mar.

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