quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Rolha de Cortiça, Rolha Sintética ou Screw Cap?

Estava eu a preparar um pequeno texto acerca do uso da rolha de cortiça versus a rolha sintética e screw cap quando o Hugo Mendes no seu Blog The Wizard Apprentice publicou "Vedante sintético ou rolha de cortiça?" e veio alterar um pouco a minha opinião acerca do tema. Sim, alterou um pouco. Porque no fundo continuo a ser bastante pro-rolha de cortiça e muito contra screw cap.
Antes de ler o artigo do TWA, tinha um ideia muito definida acerca do assunto. Se um dia fosse confrontado com o poder de decidir entre rolha de cortiça e rolha sintética iria, com 100% de certeza, escolher a rolha de cortiça. Para além do vulgo lugar-comum de que a cortiça é um produto nacional e temos que defender o que é nacional (blá, blá, blá), também a ideia presente de que um boa rolha de cortiça seria sempre o indicado para qualquer tipo de vinho contribuíam para este meu sentido de estabilidade neste pensamento. 
As rolhas sintéticas ainda não as consigo ver como uma opção, embora já tenha levado com elas em alguns vinhos estrangeiros, principalmente brancos, e não tenha visto nenhum impacto negativo no vinho. 
A screw cap apenas a vejo mesmo como uma imposição de alguns mercados, principalmente o do Norte europeu, nada mais. Vamos a ver se alguém me tira esta opinião....
Mas eis que agora entra em campo uma condicional IF que não estava à espera.. E a condicional IF aqui é representada pelo técnico, pelo enólogo. Deve o técnico ter uma palavra a dizer na escolha do tipo de rolha a utilizar? Ou devemos escutar mais o consumidor habitual e continuar a mimá-lo com a tradicional rolha de cortiça?
Penso que continuamos muito ligados à cortiça. Talvez demais para ver o outro lado. Contra mim falo neste aspecto. Sempre que vejo que o vinho que vou abrir não tem rolha de cortiça torço logo o nariz. Com razão?

18 comentários:

  1. Por mim deveria ser sempre cortiça. Mais que não seja pela simples razão: RECICLAGEM

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  2. O artigo que o Hugo Mendes escrever no TWA abalou um pouco as minhas certezas sobre o assunto (para não dizer que mudou por completo).

    Também antes via a rolha de cortiça como a única opção aceitável para um vinho. Mas percebi que os vedantes artificiais podem ter vantagens sobre a cortiça natural.

    Mas ainda continuo com a mesma sensação agridoce que referes quando apanho uma rolha artificial.

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  3. Não imaginam como este post e os comentários me deixam Félix. Primeiro porque entenderam muito bem que, na opinião que expressei não há facções, apenas opções. O consumidor tem o direito de escolher com base em conhecimento e neste ponto temos sido nós os técnicos e a produção que têm permitido que a indústria corticeira, fundamentalmente por questões comerciais, ande “plantar” ideias erradas na mente do consumidor.
    Eu não sou pela rolha de cortiça, sou pelo tipo de evolução que esta permite ao vinho. e isso são coisas diametralmente opostas.
    Parabéns pelo post Janeiro. Parabéns pela franqueza e honestidade.
    Abraço

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  4. Torpes,
    Levantas aqui outra questão que não tinha pensado e que hoje em dia começa a ter impacto: a reciclagem. Este tema só é importante no pós-consumo. Mas deverá a pessoa que faz a escolha ter em atenção a este ponto?

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  5. meus caros, nesse caso a cortiça perde. ambos os vedantes alternativos são reciclaveis e ambos são depositados num ecoponto comum.
    a cortiça tem de ser guardada em casa para colocar num eco especial que só há em lugares pontuais.... uma maçada para quem se está nas tintas.

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  6. Boa Noite,
    Interessante este texto E com alguma discussão posterior ainda se torna mais interessante.
    Li os dois Blogs e gostei. Mas faço duas questões:
    1º- Para o Sr. Hugo Mendes. Percebi que é um representante da parte técnica (corrija-me se estiver errado). Assim, se pudesse decidir sempre que achasse por bem, utilizar a rolha sintética em vez da de cortiça que percentagem de redução pensa que teria o uso da rolha sintetica?
    2º Em ambos a discussão anda quase em exclusivo em redor da rolha de cortiça e da sintética. A screw cap nunca será uma escolha acertada? A quinta do Cotto já só utiliza essa tipo de vedante. Escolha técnica ou comercial?

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  7. Já li o artigo do Hugo e do Janeiro, e as respostas também, principalmente aquela que diz que existem já vários tipos de rolha, para diversos tipos de vinho. Assim sendo, rolha por enquanto.

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  8. Caro Adegaduva,
    Representante, não diria, mas sim sou enólogo. % de redução? Não entendi bem a pergunta. Há dois sentidos para a palavra redução. A primeira está ligada com a evolução dos vinhos. Caracterizo-a por uma espécie de embalsamamento do vinho, ou seja, não há grande evolução. A segunda é a evolução para um defeito. Os sulfídricos, os aromas a pipa fechada,… são defeitos de redução. Referia-me ao primeiro significado.
    Depois a evolução, independentemente do vedante em causa está sempre dependente do vinho também.
    Omiti o screw cap, apenas por questões de estética do texto. Considero que em traços gerais tem um comportamento semelhante ao vedante sintético.

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  9. Francisco, pessoalmente sou pelos vinhos com evolução proporcionada pela rolha, mas nem todos os consumidores são assim. parte logo do inicio. eu gosto de evolução, a maior parte dos consumidores nem por isso!

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  10. As rolhas plásticas têm um problema de raiz. São materiais termoplásticos, isto quer dizer que são sensiveis à temperatura. Quando a temperatura varia, as suas propriedades fisicas também variam. Assim, quando as garrafas vão em transito e apanham diferenças de temperatura apreciáveis, o poder vedante do sintético diminui muito, favorecendo o aparecimento de vinho oxidado.
    Assim, se o seu vinho não for para ser consumido na adega, evite usar este vedante.

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  11. Os vinho com screwcap aparecem com aromas reduzidos em muitos vinhos, normalmente após 6 meses de engarrafamento.Ver artigo de AWRI em wwww.nanocork.com

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    1. o problema dos artigos é que quando sai um a dizer isso, sai outro encomendado por outra entidade a dizer o contrário. confesso que só nos baralham. o que acha?

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    2. Este foi um estudo feito durante 2 anos que vale a pena ler .O AWRI é um instituto do vinho da Austrália bastante isento. Os resultados ao fim de 2 anos são bastante curiosos e vão ao encontro de muitas perguntas aqui formuladas.

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  12. O potencial redutor(PR) de um vinho é a força directora para se escolher um vedante. Vinhos com grande PR precisam de uma micro oxigenação ao longo do tempo na garrafa e isso consegue-se com a rolha de cortiça natural. Vinhos com um baixo PR necessitam de vedantes que lhes forneça menos oxigénio ao longo do tempo. Isso é conseguido com certos tipos de rolhas de cortiça, como o microgranulado, o semi-microgranulado, o 1+1,o nanocork, etc...

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    1. não esquecer o tipo de evolução pretendido. acho que também importa para alguma coisa, não?

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    2. O tipo de evolução está, lógicamente, implicito na escolha do vedante.

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  13. Hugo,
    Quando disse % redução não era exactamente esse ponto que indicava (embora também tenha sido interessante ver a coisa por esse lado).
    O que basicamente pretendia era o seguinte:
    Se todos os técnicos pudessem decidir o tipo de vedante dos vinhos qual seria o impacto na redução do uso do vedante de cortiça? 50% de redução? E já agora impacto económico no industria corticeira.

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  14. Ah Ok!
    Eu sou um fã da lei de Pareto logo, quando me falam em % vem-me logo á cabeça ou 20 ou 80%. Não é o caso aqui. Penso que o impacto seria preferencialmente nos vinhos brancos e aí diria que infelizmente passaríamos para uns 90% já que ainda persiste esse estigma maldito que os vinhos brancos tem de ser bebidos, de preferência, antes de serem feitos. Frescos, frutados, intensos.
    Nos tintos talvez o impacto fosse menor.
    Mas tudo isto não passam de especulações doentias.
    Mas como o “Corker” Já referiu num post noutro blog, existem soluções ao mesmo nível no mundo da cortiça.
    Eu preciso sempre de ensaiar antes de decidir.
    Mas também estou numa luta para formar o consumidor no consumo de vinhos brancos maduros e com evolução oxidativa.

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