segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Na Palheta Com... José Baeta

José Baeta é a primeira figura do Vinho e da Comida em Portugal a participar nesta nova série de conversas. Serão sempre 10 as perguntas e algumas serão comuns a a todos os entrevistados. No fundo, uma conversa descontraída, para ser levada a sério. O ínicio tinha de ser em Sintra!
Estive à conversa com o José Baeta. O Homem à frente da Adega Viúva Gomes é uma das caras mais conhecidas no que à região de Colares diz respeito. Ninguém fica indiferente à forma apaixonada como fala do vinho desta região e eu não sou excepção.
Os Viúva Gomes são vinhos de carácter único pela especificidade do terroir presente na Região Demarcada de Colares. Uma região caracterizada pela sua exposição a ventos salgados, nevoeiros matinais e solos arenosos com vinhas em pé-franco.

A Adega Viúva Gomes conta já com mais de 200 anos de vida. Qual a história do José Baeta neste longo caminho?
O meu percurso inicial começou pela Engenharia Mecânica e só mais tarde (há cerca de 30 anos) pelo interesse nos vinhos e no legado, decidi dedicar-me, juntamente com o meu pai e com o meu tio, à empresa de família. Um negócio fundado em 1898, inicialmente de vinhos e mercearias no centro de Sintra que, mais tarde, se dedicou exclusivamente aos vinhos. A Adega Viúva Gomes, foi adquirida pela família mais ou menos na altura da minha entrada na empresa, quase em estado de abandono.

O futuro do Vinho de Colares é um tema para horas de discussão. Consegue, de forma resumida, transmitir a sua opinião?
Sim, sem dúvida. É quase impossível prever o futuro, pois há sempre factores que não controlamos. No entanto, tenho a certeza que a região está para durar, dado os esforços de todos os intervenientes, acompanhado por um notável despertar do interesse dos consumidores por estilos diferentes e novas sensações no que toca ao produto que é o vinho. Claro, nunca atingirá as dimensões de um Alentejo ou um Douro, por uma limitação geográfica e até porque, apesar do crescente interesse, o perfil dos vinhos não o permite – serão sempre vinhos de nicho.

Se tivesse de escolher apenas uma casta qual seria? Malvasia de Colares ou Ramisco? Porquê?
Esta é difícil, não consigo eleger uma em detrimento da outra. Ambas apresentam características maravilhosas, embora o Ramisco possa ser mais desafiante pelo estágio que lhe damos a par da evolução que vai apresentando ao longo dos anos.

O consumidor do Vinho de Colares é maioritariamente português ou estrangeiro? 
Actualmente exportamos cerca de 60% da nossa produção, entre vinhos de chão de areia e de solos argilo-calcários. No entanto, a procura ao nível nacional tem aumentado bastante nos últimos anos.

Os vinhos em Portugal são baratos? 
De mais! Por vezes não consigo perceber como é que se faz vinho tão barato. A relação qualidade-preço esta muito muito favorável. Temos imensa sorte.

Os vinhos de Chão Rijo prometem grandes sorrisos nos próximos anos ou já nos conseguem fazer sorrir?
Acho que cada vez nos fazem mais sorridentes, há um potencial enorme. A Viúva Gomes anda aí a preparar umas novidades.

Que sugestões de harmonização à mesa com os vinhos da Adega Viúva Gomes? 
Não sou a melhor pessoa a fazer harmonizações. Gosto muito de acompanhar uma refeição com vinho, sabe sempre muito melhor, mas, pelo menos para mim, desfoca-me do vinho e da comida. De qualquer modo os nossos vinhos estão muito feitos para a gastronomia da região: Um peixe gordo grelhado ou umas amêijoas (ali do Restaurante da Adraga) para os brancos e umas Queijadas de Sintra ou um leitão dos Negrais para os tintos. Então uma queijada com um tinto dos antigos é maravilhoso.

As redes sociais têm ou podem ter um papel importante na divulgação do vinho em Portugal? 
Sem dúvida! Hoje em dia são uma via de comunicação com grande peso em tudo e os vinho não são excepção, pois conseguimos estar mais perto dos nossos clientes e parceiros numa lógica amigável e directa.

Onde se podem comprar os vinhos Viúva Gomes e se quisermos visitar a Adega como é possível fazê-lo? 
Vai ficar alguém esquecido e ainda vou ouvir! Mas assim com maior peso, em Sintra estamos na Garrafeira Incomum, Cantinho Gourmet e Bar do Binho. Em Lisboa, Garrafeira Nacional, Estado d’Alma, Garrafeira de Santos, Garrafeira Internacional e Comida Independente. No Porto, Prova Wine Bar e Tio Pepe.
Também é possível passar aqui na loja da adega, para provas temos o “Open Day” às quartas e ao primeiro Sábado de cada mês.

Quando bebe um copo do seu vinho e fecha os olhos em que pensa e que imagens lhe ocorrem? 
É inevitável não pensar/comparar com anos anteriores e de que forma irá evoluir. Depois disso é “sit back and relax”.

Resta-me agradecer ao José Baeta pela disponibilidade e longa vida para a Adega Viúva Gomes e os vinhos de Colares.

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