CHARDONNAY
NICOLAS POTEL
17,5
NICOLAS POTEL
17,5
A escolha deste vinho encerrava, desde logo, algum entusiasmo e excitação. Este Nicolas Potel Chablis Grand Cru Blanchot tem vindo a afirmar-se como um dos exemplares mais sofisticados da Borgonha, feito a partir de uvas Chardonnay rigorosamente selecionadas no prestigiado climat de Blanchot, de uma vinha singular que se destaca pela sua exposição solar a sudeste e pelo icónico solo de marga Kimmeridgiana, rico em calcário e fósseis marinhos, que lhe molda a identidade marcadamente mineral e a acidez vibrante do vinho. No entanto, esta aura de algum entusiasmo e excitação depressa deu lugar à decepção, encontrando-o já um ligeiro declínio na frescura cítrica exuberante da sua juventude, sinalizando que ou a sua janela ideal de consumo foi atingida e que a estrutura começa lentamente a ceder o protagonismo a notas mais evoluídas ou que a garrafa aberta não será o melhor exemplar. Abaixo das expectativas, mas ainda assim, um bom Chardonnay que, com a sua textura sedosa e o final persistente encontram a harmonia gastronómica perfeita quando desafiados por pratos de maior estrutura, como assados de peixes no forno, mas também encontrando lugar na companhia de ostras frescas, mariscos nobres na grelha ou carnes brancas envolvidas em molhos cremosos ainda que delicados.
Car amarelo citrino intenso, tonalidade palha, aspecto límpido e jovem apesar da coloração mais marcada. O plano aromático abre com componente mineral mais austera de giz e pedra molhada, revelando a fruta citrina um pouco mais contida e menos vibrante, destacando-se as notas de fruta de polpa amarela, notas mais amanteigadas, assim como pitada de mel, pólen e cera de abelha que lhe conferem um perfil mais gordo do que o esperado. Boca de grande volume, com entrada ampla e de textura sedosa e macia, revelando, de imediato um declínio evidente pela sua acidez, que deveria ser a sua espinha dorsal, mas que perdeu a sua tensão elétrica e frescura cortante, deixando o vinho ligeiramente cavo e sem a energia da sua juventude, com o aparecimento subtil, mas precoce, de notas de evolução como frutos secos ligeiramente oxidados e uma untuosidade flácida e plana. O final de boca, embora ainda longo, perdeu a persistência salina que lhe é reconhecida.

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