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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Nicolas Potel Chablis Grand Cru Blanchot 2019 Branco

NICOLAS POTEL CHABLIS GRAND CRU BLANCHOT 2019 BRANCO | CHABLIS GC-BORGONHA (FRA) | 13% | PVP  99,90 €
CHARDONNAY
NICOLAS POTEL
17,5

A escolha deste vinho encerrava, desde logo, algum entusiasmo e excitação. Este Nicolas Potel Chablis Grand Cru Blanchot tem vindo a afirmar-se como um dos exemplares mais sofisticados da Borgonha, feito a partir de uvas Chardonnay rigorosamente selecionadas no prestigiado climat de Blanchot, de uma vinha singular que se destaca pela sua exposição solar a sudeste e pelo icónico solo de marga Kimmeridgiana, rico em calcário e fósseis marinhos, que lhe molda a identidade marcadamente mineral e a acidez vibrante do vinho. No entanto, esta aura de algum entusiasmo e excitação depressa deu lugar à decepção, encontrando-o já um ligeiro declínio na frescura cítrica exuberante da sua juventude, sinalizando que ou a sua janela ideal de consumo foi atingida e que a estrutura começa lentamente a ceder o protagonismo a notas mais evoluídas ou que a garrafa aberta não será o melhor exemplar. Abaixo das expectativas, mas ainda assim, um bom Chardonnay que, com a sua textura sedosa e o final persistente encontram a harmonia gastronómica perfeita quando desafiados por pratos de maior estrutura, como assados de peixes no forno, mas também encontrando lugar na companhia de ostras frescas, mariscos nobres na grelha ou carnes brancas envolvidas em molhos cremosos ainda que delicados.
Car amarelo citrino intenso, tonalidade palha, aspecto límpido e jovem apesar da coloração mais marcada. O plano aromático abre com componente mineral mais austera de giz e pedra molhada, revelando a fruta citrina um pouco mais contida e menos vibrante, destacando-se as notas de fruta de polpa amarela, notas mais amanteigadas, assim como pitada de mel, pólen e cera de abelha que lhe conferem um perfil mais gordo do que o esperado. Boca de grande volume,  com entrada ampla e de textura sedosa e macia, revelando, de imediato um declínio evidente pela sua acidez, que deveria ser a sua espinha dorsal, mas que perdeu a sua tensão elétrica e frescura cortante, deixando o vinho ligeiramente cavo e sem a energia da sua juventude, com o aparecimento subtil, mas precoce, de notas de evolução como frutos secos ligeiramente oxidados e uma untuosidade flácida e plana. O final de boca, embora ainda longo, perdeu a persistência salina que lhe é reconhecida.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Crónica #328 Reserva 2015 Tinto

CRÓNICA #328 RESERVA 2015 TINTO | ALENTEJO | 14,5% | PVP  95€
ARAGONEZ, TRINCADEIRA
ROCIM, LDA 
18

Um vinho de homenagem a José Ribeiro Vieira, fundador da Herdade e autor de diversas crónicas publicadas na imprensa regional ao longo da sua vida. O nome Crónica #328 simboliza a sua última crónica, aquela que ficou por escrever, servindo como tributo à sua obra e paixão pela terra. 
Encontramo-nos perante um vinho que nos remete de imediato para o Alentejo, com base nas castas aragonez e trincadeira, clássicas da região, corpo estruturado, no qual a fruta, o trabalho de barrica e o terroir se unem para fazer nascer um vinho único e com grande capacidade de longevidade. Uma década passou e pouco se transformou, mantendo tez jovem, embora de traço mais polido e arrumado. Um vinho soberbo, com muita vida pela frente, ideal para momentos especiais.
Cor vermelho rubi profundo, concentrado, denso, aspecto límpido e com pouca nota da sua idade. Intenso no plano aromático, com as notas de fruta preta madura, ameixa e amora- num enlace feliz com as notas da passagem por barrica, especiaria doce, cacau, tostado subtil, descobrindo notas balsâmicas e químicas à medida que lhe damos tempo, grafite, alcaçuz, fresco mentolado, casca de eucalipto, complexo e desafiador. Boca com volume e estrutura, textura acetinada e envolvente, acidez vivaz, persistente, ligando à fruta, alguma ginja fresca e frutos de bago com grão e acidez, num registo de camada sobre camada, tanino firme e sedutor ao mesmo tempo, barrica bem integrada, especiaria no tempero, final de comprimento.

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Burmester Porto Vintage 1995

BURMESTER PORTO VINTAGE 1995 | PORTO | 20% | PVP  97€
VINHAS VELHAS, CASTAS TRADICIONAIS DOURO
J. W. BURMESTER & CA., LDA
18

No ano passado, por data de celebração do Dia do Vinho do Porto (Port Wine Day), tive o prazer de participar numa Masterclass dedicada aos Porto Vintage 1994 organizada pelo IVDP, celebrando os 30 anos de Vintage. Infelizmente, este ano, não podendo deslocar-me à cidade do Porto, abri este Porto Vintage de 1995, também a celebrar 30 anos e que se mostrou num momento de forma notável. 
Curiosidade para três indicações no rótulo pouco habituais. A indicação de Retinto, de Doce e Extra Selected que também figura em outros Porto Vintage que tenho na garrafeira deste produtor com idade similar. 
Curiosidades à parte, um Vintage numa forma extraordinária, que reforça a presença do Vinho do Porto como um dos melhores vinhos fortificados do mundo. 
Visualmente mantém a tonalidade avermelhada, em tons rubi, aparecendo leves alaranjados, mais aberro e luminoso, límpido e cativante. No plano aromático apresenta-se elegante e fino, limpo e com a fruta preta madura bem fresca e evidente, componente levemente compotada, fruto silvestre, lado a lado com notas de fruta passa como o figo e a tâmara, juntam-se ao bouquet notas de especiaria, chocolate negro em fundo, rico e desafiante. Na prova de boca mostra-se em grande forma, cheio de vida, com o doce em namoro aceso com a sua acidez vibrante, bela secura, mostrando a fruta passa, licorada, fruto seco torrado, enche a boca num registo elegante e prazeroso, queremos voltar e voltar, termina longo e persistente.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Raríssimo 37 Anos Espumante Extra Bruto 2007 Branco

RARÍSSIMO 37 ANOS ESPUMANTE EXTRA BRUTO 2007 BRANCO | BAIRRADA | 12,5% | PVP  99€ 
ARINTO
TOTAL WINES - VINHOS DE PORTUGAL, LDA
Dègorgement 2023
18,5
 
Um espumante de homenagem para brindar às 37 colheitas de Osvaldo Amado. Feito 100% a partir da casta Arinto, uma variedade que Osvaldo Amado tão bem conhece e da qual nos tem feito chegar alguns dos melhores vinhos feitos a partir da mesma. A espumantização foi realizada pelo método clássico tendo depois ficado em estágio por 15 anos em garrafa sur lie, seguido por um período de 12 meses após o dégorgement até chegar ao nosso copo.
Estamos perante um espumante de excelência, rico e complexo, de equilíbrio notável entre a fruta e as notas de panificação, apontando à elegância e finesse do conjunto e preferindo ser aberto à mesa,  com pratos de assumida delicadeza ou, num registo de maior simplicidade, apenas com amêndoas torradas, sal e um fio de bom azeite só para lhe dar uma camada adicional.
Cor amarelo citrino, leve tonalidade esverdeada, bolha finíssima e cordão persistente, aspecto límpido e jovem. No nariz oferece notas de fruto citrino bem enleadas em notas de pastelaria, biscoitos de manteiga, pitada floral, fruto seco torrado e componente mineral em fundo. Boca expressiva, médio volume, alguma cremosidade, com espuma arejada, verdadeira mousse, num registo de muita finura, acidez bem vincada, limpando o palato a cada trago, final de boca longo e persistente.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Monte Branco XX Tinto

MONTE BRANCO XX TINTO | ALENTEJO | 13,5% | PVP  95€
ALICANTE BOUSCHET, TRINCADEIRA
LUÍS B. V. LOURO
18,5

Um vinho de celebração que é homenagem aos 20 anos de vindimas de Luís Louro, às aventuras e desaventuras ocorridas neste período de tempo, aos sucessos e dissabores, à vinha, a Estremoz, ao vinho.
Estamos perante um vinho não datado (NV) pois resulta de um blend de colheitas e de castas, juntando a Alicante Bouschet de 2017, fermentada em lagar e estagiada em foudre de 2200 litros; e a Trincadeira de 2018, 2019 e 2020. Ao longo dos quatro anos de estágio em foudre da Alicante Bouschet foram sendo subtraídos 10% a cada ano e substituídos pela mesma quantidade de trincadeira. O resultado é um vinho de uma precisão notável, de frescura e finesse imensa da fruta, com todas as componentes completamente integradas. volumoso e complexo de boca, ao mesmo tempo que nos presenteia com finura e elegância. Prazeroso a beber, numa primeira fase a solo, mas sem dúvida com perfil para brilhar à mesa.  
Cor vermelho rubi de média concentração, tonalidade violácea, luminoso, aspecto límpido e jovem. No plano aromático destaque para a pureza da fruta vermelha e preta maduras na sua ligação completa às notas que lhe chegaram via estágio no foudre, muita frescura, mineralidade, pedra lascada, uma dose de especiaria fina, envolvente e desafiante. Na boca somos levados pelo seu volume e estrutura aninhada num perfil de imensa frescura e elegância, acidez prolongada, que nos vai secando o palato à medida que o envolve sorrateiramente, que se liga à fruta cheia de sabor e ao tanino também ele fino, macio, atento e seguro, revelando um conjunto nobre, harmonioso e com um final extenso.

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Mouchão 2000 Tinto

MOUCHÃO 2000 TINTO | ALENTEJO | 13,5% | PVP  99 €
ALICANTE BOUSCHET, TRINCADEIRA
EMILY E. RICHARDSON
18

Os grandes vinhos revelam-se desta maneira. Passados 23 anos este tinto alentejano arrebatou-me praticamente desde o inicio de prova e confirmou a sua excelência à refeição, com o passar do tempo, com a habituação ao ar, com a ligação à carne da bochecha de porco, aninhando-se no seu jeito mais untuoso e complexo, brilhando neste casamento no qual leva frescura, acidez e fruta. 
Cor vermelho granada, tonalidade tijolo, auréola luminosa, aspecto límpido. No nariz não esconde a sua fruta original, revela ainda a de cor vermelha e preta madura, amora silvestre, ameixa, ginja macerada, com a barrica completamente ligada, nota de pinho, caruma, balsâmico fresco, especiaria exótica, surprende pela elegância e frescura que ainda oferece. Na boca está estraordinário. O tempo aqui revela-se pela consolidação de cada pormenor, mais polido e macio, com uma acidez viva, fina, persistente e que lentamente envolve e abraça cada ponto, a fruta continua por cá e em forma, assente num tanino arredondado e pronto, mas que não se demite de dizer "presente". Largo, prazeiroso, guloso até, esconde a sua idade de forma extraordinária. O final de boca é extenso, vivaz e elegante.

sábado, 25 de junho de 2022

A Colheita de 2017 é Ano de Único da Quinta dos Carvalhais

O
Quinta dos Carvalhais Único foi criado a pensar em momentos também eles únicos, daqueles que pedem vinhos que marquem a diferença, que criem experiências irrepetíveis e que em tudo se aproximem da perfeição. Produzido apenas em anos em que todos os factores de excelência se alinham, este vinho representa o expoente máximo da elegância e riqueza da Quinta dos Carvalhais.
A colheita de 2017 é a quarta edição do topo de gama da Quinta dos Carvalhais, sucedendo às colheitas de 2005, 2009 e 2015.
 
ÚNICO 2017 TINTO | DÃO | 14,5% | PVP 100€
TOURIGA NACIONAL, ALFROCHEIRO PRETO, FIELD BLEND
SOGRAPE VINHOS, SA
18
Cor vermelho intenso, média concentracão, tonalidade violeta, aspecto limpido e jovem. Aromas a mostrar, de forma elegante e  bem medida, notas de fruta preta e azul madura, floral bem casado, alguma resina, pinhal, caruma, bosque, nuances de musgo, turfa levantada, temperado com especiaria e balsâmico envolvente, mentolado fresco em fundo. 
Boca com textura macia, elegante, com acidez no ponto, trazendo a fruta bem bonita e sumarenta, tanino polido e sedutor, conjunto harmonioso, pronto a ser bebido, mas também com anos de "boa" vida pela frente. O final de boca é longo, elegante e fresco.
À mesa, fruta do seu perfil mais versátil, sugere comida com complexidade como o arroz malandro de entrecosto ou de enchidos, um cachaço de porco assado no forno a baixa temperatura ou um polvo à lagareiro bem regado com azeite.
 
Da colheita anterior, a de 2015, foram produzidas 5.746; esta de 2017 apenas 3.136. Cada vez mais Único. 

domingo, 26 de julho de 2020

Arundel Number Four 2014 Tinto

ARUNDEL NUMBER FOUR 2014 TINTO | MESA (IVV) | 13% | PVP  100€
ALICANTE BOUSCHET, ARAGONÊS, SYRAH, TRINCADEIRA
TERRANAGRO, LDA
18

O momento certo. Lançar os vinhos para o mercado no momento certo. Este é um dos motes de Joaquim Arnaud. Sem pressas, mas tendo a certeza que o vinho não se vai perder nesse quatum temporal. A colheita de 2014 já lá vai, há muito tempo, mas este vinho lançado para o mercado há poucos meses está gigante. Foi sendo bebido ao longo de três dias consecutivos e vê-lo todos os dias de forma diferente e sempre para melhor foi entusiasmante. Como estará daqui a mais um ou dois anos de descanso?
Cor vermelho rubi intenso, concentrado, fechado, aspecto jovem e límpido. Intenso aromaticamente, a fruta vermelha e preta mostra-se madura, alguma ginja, bem casada com notas de tosta decorrente do estágio em barrica, notas de tapenade de azeitona preta, ligeiro bosque, especiado e com toque de cacau bem colocado, bolo inglês, massa de bolo, envolvente e complexo. Boca com estrutura, volume, denso, toque macio, untuoso, com acidez equilibradora, a secar moderadamente o palato, com tanino presente, polido, guloso, a mostrar a fruta preta em bom plano, amora silvestre, ameixa preta, conjunto harmonioso, com final de boca longo e persistente.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Arundel 36 2009 Tinto

ARUNDEL 36 2009 TINTO | MESA | 13% | PVP  99€
ARAGONEZ, ALICANTE BOUSCHET, SYRAH, TRINCADEIRA
TERRANAGRO, LDA
18

Um vinho com uma história curiosa ou peculiar, como o próprio produtor, escreveu no contra rótulo da garrafa. Foi considerado perdido após um incêndio na vinhas próximas à adega, tendo provocado alguns estragos na própria. Mais tarde, no ano de 2013, numa visita que o artista francês Pierre Gonnord fez a Pavia descobriu-se em duas barricas o que dele restava.
Nasceram assim 499 garrafas de um vinho com 36 meses de barrica. Um vinho que difere bastante do perfil tradicional da região, talvez pelo percurso atribulado, talvez por ser do Joaquim Arnaud.
Cor vermelho granada intenso, de média concentração, aspecto limpo, embora se aconselhe a decantamento. No nariz sentimos a fruta preta, fruto de árvore, ameixa preta, também algum fruto azul, mirtilo e cassis, com tostado da barrica, incorporado, pimenta preta, alguma tisana, folha seca, perfil fresco.
Boca com volume, bela textura e secura, com uma fruta presente e bem fresca, persistente, com algumas notas mais quimicas, casca de cedro, pinheiro, revigorante, capaz de enganar em relação à terra onde nasceu. Final longo.
Quantas ainda andarão por aí à espera de ser bebidas?

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Quinta do Monte D'Oiro Homenagem a António Carqueijeiro 1999

Características
Tipo: Vinho Tinto
Castas: Syrah
Região: VR Estremadura
Teor Alcoólico: 13%
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte D'Oiro
Preço: 100€ vap

Nota de Prova
Um ano especial, um vinho especial, uma noite especial. Este é daqueles vinhos para os quais não encontramos palavras. A noite estava destinada a verificar o que o tempo tinha feito a este néctar. Após algum tempo de abertura, caiu no copo com uma cor que apontava para alguns anos, mas não tantos como os que de facto tinha. Ainda boa concentração entre meio de nuances de castanhos-alaranjados. Nos aromas a fruta ainda presente, bem madura, muitos silvestres e cereja, notados já alguns aromas de evolução que não chateiam. Na boca está fabuloso, elegante, macio e com toque untuoso. Não o considero já em queda. Ainda tem por aí umas garrafas deste vinho? Beba.
Esta foi a homenagem de José Bento dos Santos a António Mário Carqueijeiro. Que grande Homenagem.

Classificação: 18