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sábado, 27 de setembro de 2025

Barca Velha 1981 Tinto

BARCA VELHA 1981 TINTO | VINHO DE MESA | 12% | PVP 700€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA, TINTA RORIZ, TINTO CÃO
A.A. FERREIRA, SA
17,5 

Um vinho de mil e um predicados, a necessitar de mil e cuidados até chegar ao copo. E que bem que chegou ao copo. A sua abertura ocorreu cerca de seis horas antes de ser servido, com a rolha a sair por inteiro, embora a inicio colada, mas depois verificando-se que havia mirrado ligeiramente. Passagem ao decanter com muita gentileza e demora, sem pressas e sem batidas desnecessárias. Descansou e foi servido. 
O tempo fez das suas. Acrescentou-lhes coisas e retirou-lhe outras. Deixou que continuasse a brilhar, mais sénior, mais moldado pela passagem dos anos, mas ainda um vinho a dar muito prazer, mas com pressa de ser bebido pois não teria forças para muito mais.
Cor vermelho de tonalidade alaranjada e acastanhada, ainda com fina auréola de rubi luminoso, média concentração, aspecto limpo, com algum depósito. Plano aromático rico e complexo, apresentando uma fruta preta macerada, ameixa em calda, licor de ginja, tudo bem casado com as notas terceárias, notas de bolo inglês, baunilha, caixa de charuto, especiaria exótica, envolvente fresca, erva aromática, respirante. Boca de volume médio, num registo menos encorpado e mais leve e fresco, acidez vivaz, com secura fina e de prolongamento longo, envolvendo o palato de forma gradual, sem pressas, de tanino sedutor, sem arestas mas presente, num equilibrio e harmonia feliz e com término de boca longo e prazeroso.

terça-feira, 16 de abril de 2024

Casal Figueira 2022 Tinto

CASAL FIGUEIRA 2022 TINTO | LISBOA | 12,5% | PVP  21,90€
CASTELÃO
MAVISAL VERMELHA UNIPESSOAL, LDA
16,5
 
A vinha velha de Castelão, com cerca de 60 anos de idade, plantada na encosta sul da Serra de Montejunto, com o atlântico a pouco mais de 20 km de distância e em solos areno argilosos. Estamos num terroir propicio a tintos mais leves e elegantes, teor alcoólico mais baixo e com a brisa do mar no seu perfil. Atrativo, com a fruta vermelha sumarenta e uma acidez salivante mostra ser boa escolha para companhia à mesa com carnes vermelhas, grelha só de sal, churrascada de verão. 
Cor vermelho rubi de média concentração, luminoso, aspecto límpido e jovem. No nariz revela a fruta vermelha madura, fruto de bago, notas de bosque, algum fumo e couro, presença salina, especiaria fina. Boca de volume médio, acidez assertiva, salivante, com a fruta bem saliente e mordiscável, cereja aqui mais presente, tanino presente mas sem se impor, com ligeiro amargo, chá preto, sempre em evolução, cheio de vida, desafiante, com término de boca longo e persistente.

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Dona Paterna Espumante Pet-Erna Bruto Natural 2022 Branco

DONA PATERNA ESPUMANTE PET-ERNA BRUTO NATURAL 2022 BRANCO | IVV | 12% | PVP  14,90 €
ALVARINHO
CARLOS CODESSO
16,5

O espumante natural Pet-Nat (abreviatura de Péttilant Naturel) passa por um processo de fermentação conduzido de forma natural, como nos primórdios da criação do espumante, no qual sofre a menor intervenção possível e sem qualquer tipo de adições. 
Em oposição aos espumantes tradicionais, o Pet-Nat não tem adição de sulfitos e de conservantes, assim como não passa pelo processo de filtragem, do chamado "dégorgement" ou adição de açúcar. A fermentação é concluída na garrafa, vedada com uma cápsula metálica e é com essa cápsula que chega ao consumidor.
Deste modo, não há que estranhar a carica em vez da rolha e o visual turvo que a mais recente aposta e ousadia deste produtor apresenta. Com a fruta cheia de sabor e acidez crocante em destaque é claramente uma escolha para a mesa, tendo sido companhia acertada para um assado no forno.
Cor amarelo pálido, ligeiro turvo, jovem. No nariz aromas a fruto de pomar, caroço, maça e pera revelando na prova de boca espuma fina, ligeira agulha, bem medida, acidez bem marcada, crocante e acídula, cheia de sabor, com a fruta no mesmo sentido das notas aromáticas, num conjunto equilibrado, seco e com longo e persistente final de boca. 

terça-feira, 18 de abril de 2023

Kaputt 1ª Edição Branco

KAPUTT 1ª EDIÇÃO BRANCO | MESA | 13% | PVP  29€
DONA BRANCA, DONZELINHO BRANCO, GOUVEIO, OUTRAS
BARÃO DE VILAR VINHOS, SA
17

Este vinho resulta de um blend de vinhos de diversas colheitas anteriores à data do seu engarrafamento em 2016. É um vinho diferente, com volume, a pedir que se leve para a mesa e a pratos que se juntem às notas de evidente oxidação, por um lado, à presença da fruta bem madura, por outro, e à sua enorme complexidade e desafio. Resultou muito bem com queijo de pasta semi mole.
Cor amarelo intenso de tonalidade dourada, definido, aspecto límpido e cativante. No nariz, como já referido, a fruta surge já moldada pelo tempo, fruta passa branca, aliada a notas de fruto seco torrado, melaço, nuances exóticas e envolvente. Boca com volume e estrutura, textura macia, aveludada, untuosidade marcada, acidez equilibradora, fruta mais alegre e vivaz, sedutora, com as notas de barrica bem arrumadas e integradas, terminando longo e persistente.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Joaquim Arnaud A-MSR 2015 Branco

JOAQUIM ARNAUD A-MSR 2015 BRANCO | IVV | 13% | PVP  16€
ARINTO
X PREMIUM, LDA
17,5
 
Estavamos à espera dele. O arinto que chega de vinhas de três terroirs diferentes e cuja passagem do tempo em garrafa se fez sossegada e com paciência. As uvas da colheita de 2015, que chegaram com a influência do Mar, da Serra e do Rio, resultam agora em 2022 num vinho branco de guarda, que pode continuar mais uns anos a dormitar em garrafa, indo contra a maré, mostra-se ainda jovem e cheio de vida. Vão querer contar com ele à mesa em companhia de peixe assado no forno, receituário de conforto e casa cheia.
Cor amarelo citrino com ligeira tonalidade palha, sem mostrar a suas rugas e de aspecto límpido. No nariz, elegante e de intensidade bem medida, saltam as notas de fruta citrina e de pomar maduras, lado a lado com uma camada salina evidente, alguma flor branca e sensação de pedra lascada. Desafiante, vai mostrando outras faces à medida que respira, surgindo algum fósforo em fundo bem interessante. Boca com algum volume, textura envolvente, ligeira untuosidade, ajeitada pela sua acidez vivaz e com boa secura, continua a apresentar a fruta sumarenta, num registo equilibrado, com final de boca longo e em crescendo.

quinta-feira, 3 de março de 2022

Vale da Capucha Clima 2015 Tinto

VALE DA CAPUCHA CLIMA 2015 TINTO | IVV | 13% | PVP  9€
TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, CASTELÃO
VALE DA CAPUCHA AGRICULTURA E TURISMO RURAL, LDA
17
 
Nascido em terroir Lisboeta, despertou-me a atenção pelo seu rótulo completamente diferente dos habituais deste produtor. Pensei de imediato tratar-se de um vinho com perfil diferente e sem dúvida que foi esse o caminho. Fruta vermelha bem fresca e alegre, corpo mais aberto, mais leve, bela acidez e tensão final. Bela escolha.
Cor vermelho de média concentração, tonalidade mais aberta sem o ser em demasia, aspecto límpido e jovem. No nariz brilha a fruta vermelha madura, bem fresca, elegante e definida, toque perfumado a violetas, algum fumo, sensação de bosque, turfa, com especiaria exótica, fresco e desafiante. Na boca apresenta-se com volume quanto baste, ligeira untuosidade, textura mais rústica e com boa secura, ligeiro carbónico, fruta vermelha madura, tanino presente, tenso, equilibrado e com final de boca longo.
A apreciar em dias mais soalheiros, baixe-lhe um pouco a temperatura e acompanhe com um belo churrasco de carnes variadas, carnes assadas no forno e pratos de massa italiana. 

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Uivo Renegado Vinhas Velhas 2019 Tinto

UIVO RENEGADO VINHAS VELHAS 2019 TINTO | IVV MESA | 11,5% | PVP  9,50€
VINHAS VELHAS 
FOLIAS DE BACO, UNIPESSOAL, LDA 
16,5

Este é um Uivo que merece ser ouvido sem medo ou receios. Feito a partir de uvas brancas e tintas provenientes de vinhas velhas com idade bem avançada, muito pouco intervencionado nos trabalho de adega, resultando num clarete cheio de fruta, uma acidez tenaz e rústica, alcool baixo e um potencial enorme para os grelhados de carne neste verão e para umas sardinhas bem gordas e a pingar no pão.
Cor vermelho intenso e aberto, pouco concentrado, ligeiramente turvo, atrativo e cativante. No nariz brilha a fruta vermelha fresca e madura, parece notar-se um ligeiro tostato, um fumado leve, algum balsâmico, tudo muito ao de leve, apenas a compor o conjunto e sem beliscar a fruta, dona e senhora deste bouquet. Boca com textura macia, sentido-se a sua leveza, ao mesmo tempo que nos brinda com uma acidez bem presente, que nos faz pedir comida, que nos seca o palato, voltando a uma fruta vermelha saborosa, num conjunto harmonioso e com final de boca longo.
Sirva-se ligeiramente fresco e a obrigação de o levar aos prazeres da carne vermelha na grelha e a sardinhada pois claro. 

segunda-feira, 10 de maio de 2021

In.fi.ni.tu.de Blend Tinto

IN.FI.NI.TU.DE BLEND TINTO | IVV | 13% | PVP 16€
PINOT NOIR, MERLOT
OSÓRIO & GONÇALVES, SA
17,5
 
As castas Pinot Noir e Merlot crescem sob influência de um microclima único, amadurecendo lentamente protegidas dos ventos Atlânticos e imersas, muitas vezes, pelas orvalhadas matinais e os verões sintrenses sempre tão bem temperados por aquela neblina quase que mágica, numa pequena vinha em Galamares, já afastada do chão de areia de Colares. 
A maior particularidade deste vinho reside no facto de ser um blend de anos de colheita. Neste lote, são eles os anos de 2012, 2015 e 2017. É obra! 
Cor vermelho rubi intenso, de tonalidade aberta, viva, pouca concentração e de aspecto límpido. No nariz revela uma fruta vermelha madura e fresca, morango, framboesa, bagas, com a companhia das notas terrosas, de cogumelos e fumados a mostrarem-se com algum destaque num conjunto onde o pinheiro, casca do pinheiro, óleo de cedro e as notas salinas frescas. Boca surpreende pela elegância  e frescura, com nervo, com uma acidez acutilante e a secar o palato, continuando a mostrar uma fruta em bom plano, frescura belíssima e um final de boca longo e persistente.
Um tinto para levar à mesa já este verão e colocá-lo à prova com umas sardinhas assadas ou uma carne vermelha na grelha.

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Parceiros na Criação: Vinhos de Tributo à União na Vida e no Vinho

E
sta é uma história, já com muitas páginas, de um casal que se uniu na vida e no Vinho. Joana e João ou João e Joana, são Parceiros na Criação de uma vida que começou a dois, que actuamente já conta com mais dois parceiros e que, também no mundo do vinho, juntou forças e começa a dar passos seguros e consistentes na direção que pretendem para o seu projecto.
A Quinta de Monte Travesso de Cima, no Douro, é o local onde a magia acontece e para onde Joana Pratas, natural do Cartaxo, se mudou, de armas e bagagens, após o casamento com  João Nápoles em 2011, curiosamente um ano de excelência na produção de vinho. Os primeiros vinhos nasceram em 2013 com a marca h'Our, lançando para o mercado um vinho branco, um tinto e um azeite aos quais, mais tarde, se juntou o primeiro monoscasta, um Touriga Nacional, e um rosé. 
Entretanto, por motivos estratégicos, a marca h'Our perde força e dá lugar à marca Casa da Esteira, cujo nome está ligado à Casa onde vivem na Quinta de Monte Travesso de Cima com uma esteira na porta de entrada, e que tive a oportunidade de conhecer e provar corria o ano de 2018. 
Recentemente foram lançados os seus novos vinhos brancos com três novidades que representam três perfis  diferentes, apesar de uma linha condutora que se percebe e se entende. O  Esteira 2019 branco, com um perfil descontraído, com grande frescura e com fruta de qualidade e num momento que apetece beber tanto a solo como à mesa; o Casa da Esteira Vinhas Velhas 2018 branco, num registo diferente do anterior, em crescendo à medida que se vai bebendo, claramente para a mesa, com mais volume e cremosidade, mais complexo e que por certo ainda mostrará (boa) evolução nos próximos anos de descanso em garrafa; por último, o Parceiros na Criação Dote 2018 branco, a grande novidade do lançamento, cujo blend incorpora a vinha velha do Douro e o Fernão Pires do Tejo, o Douro de João Nápoles e o Tejo de Joana Pratas, resultando num vinho singular, com um bouquet aromático bem medido entre as notas de frutas e os perfumados florais e um conjunto harmonioso, com acidez acutilante e corpo mais volumoso na prova de boca.
São três vinhos distintos, com muita personalidade, com a mão exigente e particular de quem os pensou e os fez nascer. A imagem está muito bem conseguida e apelativa. A caminhada está a ser feita e o sentido está alinhado. 
 
ESTEIRA 2019 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP 9€
RABIGATO, VIOSINHO, SÍRIA, GOUVEIO
PARCEIROS NA CRIAÇÃO, LDA
16,5 
Cor amarelo citrino pálido, tonalidade aberta, aspecto límpido e jovem. No nariz revela a fruta citrina, fruta de pomar, tangerina, lima, maça, notas de flor branca, flor de laranjeira, traço levemente vegetal, ervas aromáticas e envolvência mineral. Boca plena de vida, com volume de corpo médio, acidez bem colocada, notando-se uma leve cremosidade, fruta sumarenta e bonita, saborosa, com final de boca longo e persistente. 
Junte-lhe marisco, sushi, caril e peixe na grelha.
 
CASA DA ESTEIRA VINHAS VELHAS 2018 BRANCO | DOURO | 12% | PVP 17€
VINHAS VELHAS
PARCEIROS NA CRIAÇÃO, LDA
17
Cor amarelo citrino intenso, com tonalidades esverdeadas, aspecto límpido e brilhante. No plano aromático apresenta-se com elegância, fruto citrino e amarelo de caroço maduro, lima, ameixa, notas de infusão de aromáticas, folha de loureiro, ainda com as notas de barrica a assentar, mas a seguir o seu caminho. Boca com estrutura e volume, macio e aveludado, com acidez equilibradora, a mostrar a fruta em bom plano, conjunto uno, elegante e com final de boca longo.
À mesa pratos com mais complexidade como peixe assado no forno ou queijos de pasta mole.
 
 
PARCEIROS NA CRIAÇÃO DOTE 2018 BRANCO | MESA | 12% | PVP 20€
VINHAS VELHAS, FERNÃO PIRES
PARCEIROS NA CRIAÇÃO, LDA
17,5 
Cor amarela de tonalidade mais acentuada, aparentando um pouco mais de idade do que a que realmente tem, aspecto límpido e cativante. Aromas onde as notas citricas se mostram com mais destaque, bem acompanhadas por perfumado floral, infusão de camomila, componente vegetal bem ligada, complexo e desafiante.Boca com volume, com largura, untuoso e envolvente, com uma fruta bem sumarenta e fresca, acidez vivaz, a manter uma experiência cheia de prazer, com final de boca persistente, elegante e guloso.
Requer pratos com intensidade como um polvo ou bacalhau à lagareiro ou uns queijos de pasta mole de sabor intenso.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Triunvirato N°7 Tinto

TRIUNVIRATO N°7 TINTO | MESA | 13,5% | PVP  34€
TOURIGA NACIONAL, SYRAH
SOCIEDADE AGRÍCOLA E COMERCIAL DOS VINHOS MESSIAS, SA
18
 
A aliança Douro, Dão e Bairrada da Messias brinda-nos com o nº 7 desta série. A Touriga Nacional chega do Douro e do Dão, já o Syrah tem como origem a Bairrada. Três regiões que nos continuam a dar muitas alegrias neste Triunvirato. Para beber com calma, deixando-o respirar, sentido-lhe o pulso e vendo-o acordar e crescer.
Cor vermelho rubi intenso, média concentração, auréola de tonalidade viva e bonita, aspecto límpido e jovem. No nariz revela a fruta vermelha e preta madura, fresca e nítida, floral perfumado que não se esconde, à qual que se juntam, sem receio, as notas especiadas, balsâmicos refrescantes, alguma turfa, bosque, pedra molhada, muita frescura. Boca com estrutura, volume, cremosidade, uma acidez vivaz, com garra, a secar a boca, pé ante pé, fruta suculenta, cheia de sabor, vibrante, grande conjunto que termina num final longo, peesistente e elegante.
À mesa também não deixa dúvidas. Juntei-lhe uma perna de borrego assado no fogo lento do forno, mantendo toda a sucrosidade e dando ao vinho a possibilidade de se casar com ela na perfeição.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Pirata da Viúva Tutti-Frutti 2016 Tinto

PIRATA DA VIÚVA TUTTI-FRUTTI 2016 TINTO | MESA (IVV) | 12% | PVP  14€
CASTELÃO, ARAGONÊS
CHÃO DE AREIA - VINHOS E EVENTOS, LDA
16,5

Que belo vinho fui encontrar para estes dias de temperatura amena. A imagem, peculiar para um vinho, consegue prender a atenção, consegue criar em nós a curiosidade, com o pormenor delicioso do tutti-frutti escarrapachado no rótulo. Um Pirata de Almoçageme que dá um prazer imenso a beber. Haja coragem para projectos assim.
Cor vermelho intenso, média concentração, aberto no bordo do copo, aspecto limpo. Nariz expressivo, fruta preta madura, barrica com idade, vegetal verde, alguma turfa, bosque, fresco e arrebitado. Boca carnuda, framboesa, ameixa vermelha ainda não completamente madura, com aquela acidez qee se cola às gengivas, mas que depois amacia, envolve, cria gula, apetece e puxa mais um gole, tem uma frescura natural cativante, com término de boca longo.
Aproveite-se o verão para o acompanhar com carne grelhada só com sal grosso ou guarde-se para as estações mais temperadas com um belo peixe mais gordo assado no forno.
 

domingo, 26 de julho de 2020

Arundel Number Four 2014 Tinto

ARUNDEL NUMBER FOUR 2014 TINTO | MESA (IVV) | 13% | PVP  100€
ALICANTE BOUSCHET, ARAGONÊS, SYRAH, TRINCADEIRA
TERRANAGRO, LDA
18

O momento certo. Lançar os vinhos para o mercado no momento certo. Este é um dos motes de Joaquim Arnaud. Sem pressas, mas tendo a certeza que o vinho não se vai perder nesse quatum temporal. A colheita de 2014 já lá vai, há muito tempo, mas este vinho lançado para o mercado há poucos meses está gigante. Foi sendo bebido ao longo de três dias consecutivos e vê-lo todos os dias de forma diferente e sempre para melhor foi entusiasmante. Como estará daqui a mais um ou dois anos de descanso?
Cor vermelho rubi intenso, concentrado, fechado, aspecto jovem e límpido. Intenso aromaticamente, a fruta vermelha e preta mostra-se madura, alguma ginja, bem casada com notas de tosta decorrente do estágio em barrica, notas de tapenade de azeitona preta, ligeiro bosque, especiado e com toque de cacau bem colocado, bolo inglês, massa de bolo, envolvente e complexo. Boca com estrutura, volume, denso, toque macio, untuoso, com acidez equilibradora, a secar moderadamente o palato, com tanino presente, polido, guloso, a mostrar a fruta preta em bom plano, amora silvestre, ameixa preta, conjunto harmonioso, com final de boca longo e persistente.

sábado, 4 de julho de 2020

Arundel Tradition 2015 Tinto

ARUNDEL TRADITION 2015 TINTO | MESA (IVV) | 13% | PVP  14€
ARAGONÊS, SYRAH, TRINCADEIRA
TERRANAGRO, LDA
17

Um caso sério a nova colheita do Arundel. O Joaquim Arnaud costuma fazer destas coisas. Mantém o vinho a dormitar pelo tempo que julga o mais correcto, deixa-o serenar, deixa-o crescer, amadurecer, fazer-se vinho e depois coloca-o à nossa disposição assim, no ponto.
Cor vermelho intenso, concentrado, violetas escuros, aspecto límpido. Nariz intenso, fruta vermelha e preta madura, bem casada com notas de estágio em barrica, muito harmonioso, algum cacao, carnudo, meaty, especiaria fina, pimenta, complexo e desafiante.
Boca com largura, bom volume de corpo, com acidez mordaz, a secar o palato de forma progressiva, a sentir-se vivo, com a fruta bem bonita e final de boca longo e persistente.
Dá prazer a beber e mostra ser forte na ligação à comida, prato de carne tradicionais do Alentejo e não só. Fica na memória.

sábado, 7 de dezembro de 2019

Saroto 2018 Branco

SAROTO 2018 BRANCO | VINHO MESA (IVV) | 10,5% | PVP  9,90€
VERDELHO BRANCO, POSTO BRANCO, MALVASIA
ARRIBAS WINE COMPANY
15,5

A paixão e entusiasmo de uma jovem equipa de enólogos, Frederico Machado e Ricardo Alves, que se deixaram encantar pelas vinhas velhas das Arribas do Douro e se propõem a produzir vinhos autênticos, baseados em variedades de castas regionais, vinhas antigas e técnicas tradicionais. é aqui visível. Já conhecia já o tinto de 2017 do Saroto este branco vai no mesmo sentido. Diferente e até ousado, pronto a provocar paixões ou desamores.
Cor amarelo casca de limão, intenso, aspecto ligeiramente turvo. Aroma delicado, um pouco vinoso logo após abertura da garrafa, depois notas de fruta amarela e de caroço madura, ameixa amarela, pêssego, leves citrinos, alguma cera de abelha, perfil fresco. Boca com textura, seco, boa persistência e acidez, alguma volume, envolve o palato, fruta citrina, maça verde, limonado fresco, terminando um pouco antes do que esperava.
Não será branco para pratos mais complexos e gordurosos como um arroz de pato ou peixe e carne no forno, no entanto, a ligação a pequenas delicias como humus, queijo com alguma cura, saladas mesmo com mais estrutura, entradas variadas, carnes brancas ou peixe grelhado, está assegurada.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Casa Ermelinda Freitas Colheita Tardia Branco

CASA ERMELINDA FREITAS COLHEITA TARDIA BRANCO | MESA | 12,5% | PVP  12€
SAUVIGNON BLANC
CASA ERMELINDA FREITAS VINHOS, LDA
16

Colheita tardia visualmente de cor âmbar jovem, alguns dourados e de aspecto limpo. No nariz notas de fruta doce, algum pêssego e alperce passa, notas mais de mel, melaço, alguma casca de laranja cristalizada, objectivo e directo. Na boca nota para algum volume e untuosidade, perfil doce, acidez um pouco abaixo do que se pedia para a doçura, mas ainda assim sem comprometer. Correcto, directo e equilibrado tendo um final de boca longo, com maior persistência para as notas mais doces.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Saroto 2017 Tinto

SAROTO 2017 TINTO | VINHO MESA (IVV) | 11% | PVP  9,90€
VINHAS VELHAS
ARRIBAS WINE COMPANY
16,5

Começar o mês de dezembro com este vinho é voltar um pouco às minhas raízes familiares, percorrer na memória as vinhas velhas de família, recordar como era feito o vinho no tempo dos meus Avós e dos meus Pais e recordar esta palavra: Saroto. Os cães sarotos, as lagartixas e lagartos. Os animais sem cauda que me ensinaram desde pequeno a charmar por esse nome.
O vinho vem de Trás-Os-Montes, mais precisamente da Bemposta, Mogadouro, onde Frederico Machado e Ricardo Alves têm exclusivamente como base as vinhas velhas, trabalhando e recuperando parte do património vitícola transmontano fazendo o vinho "à antiga".
Cor vermelho intenso, aberto, cativante e de aspecto jovem. No nariz a vinha velha transmontana faz das suas revelando uma fruta vermelha madura muito fresca, notas de lagar, pedra lascada, perfil fresco. Na boca um tinto de pouca extracção, leve e com uma frescura contagiante, mostrando, mais uma vez, a fruta num plano muito definido e fresco, com boa acidez, elegante, apetecível, envolvente e com um final de boca duradouro.
A carne assada no forno no inverno e a grelhada no verão fazem-lhe a companhia.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Ravasqueira Late Harvest 2017 Branco

RAVASQUEIRA LATE HARVEST 2017 BRANCO | MESA | 11,5% | PVP  10€
VIOGNIER
SOCIEDADE AGRÍCOLA D. DINIZ, SA
16

A última colheita desta referência acaba por me encher mais as medidas em relação à sua predecessora. Em todos os aspectos mais limpo e fresco, assim como um no seu equilíbrio entre a fruta madura, mais doce, a textura macia e ligeiramente untuosoa e uma acidez refrescante e harmoniosa.
Cor amarelo citrino, ligeiros esverdeados, aberto, aspecto limpo e brilhante. No nariz a fruta amarela madura e tropical mostra frescura, perfumado, flor branca, fresco mentolado. Na boca mostra cremosidade, corpo, ligeira untuosidade, doce frutado, pêssego e ameixa amarela maduras, acidez no ponto, final longo.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

In.fi.ni.tu.de | Vinhos da Serra de Sintra

A Serra de Sintra, bela e misteriosa, classificada pela UNESCO como Património da Humanidade, mostra mais uma vez o potencial fantástico que encerra para a produção de vinho de elevada qualidade. Em Galamares, já afastada do chão de areia de Colares, fica um pequena vinha  de cerca de 1 hectare onde as castas Pinot Noir e Merlot crescem sob influência de um microclima único, amadurecendo lentamente protegidas dos ventos Atlânticos e imersas muitas vezes pelas orvalhadas matinais e os verões sintrenses sempre tão bem temperados por aquela neblina quase que mágica.
Nascido, numa primeira fase, como vinho produzido apenas para consumo familiar, o facto é que a ambição para mais depressa superou este degrau e os vinhos saíram para o mercado sendo estas as primeiras colheitas que têm a particularidade de serem blends de anos de colheita e ainda serem classificados como Vinhos de Mesa pois o processo de certificação das vinhas ainda não estava concluído aquando do lançamento dos mesmos.
O futuro acena com a certificação das vinhas concluída, sendo que a próxima colheita já sairá como Regional Lisboa e a plantação de uma nova vinha, com uma vista deslumbrante para a Serra de Sintra e os seus Palácios, onde a Malvasia de Colares, o Chardonnay e, muito possivelmente a Semillon para uma colheita tardia darão ainda mais encanto a este projecto.

IN.FI.NI.TU.DE PINOT NOIR TINTO | MESA | 13,5% | PVP 18€
PINOT NOIR
OSÓRIO & GONÇALVES, SA
18,5
Está num momento de forma absolutamente fantástico, tanto que se torna viciante a provar e a beber, mostrando ainda uma capacidade enorme para ir à mesa. Aberto de cor, mas mais concentrado do que estaria à espera para um vinho nascido desta casta, mostra um nariz que cativa desde o inicio com notas um pouco terrosas, um salino presente, alguma especiaria marroquina, um toque de açafrão, fumados, um licor de ginja já um pouco gasto, complexo e com grande frescura. Na boca passa esta frescura e leveza, intenso, equilibrado e com um final de boca longo.

IN.FI.NI.TU.DE MERLOT TINTO | MESA | 13,5% | PVP 18€
MERLOT
OSÓRIO & GONÇALVES, SA
17,5
Um Merlot um pouco diferente apesar das notas de pimento verde que aparecem, mas que são  aqui acompanhadas por notas de bosque, de pinhal, também com um lado salino e o perfil algo terroso, de algum cogumelo, madeira usada, que havia reconhecido também no Pinot Noir.  A boca não nos deixa fugir destes descritores e, embora com uma frescura e leveza em grande plano, sente-se mais textura, corpo e largura. Um vinho para levar até à mesa para beber com muito prazer e também com grande potencial para guarda.

IN.FI.NI.TU.DE TINTO | MESA | 13% | PVP 13€
PINOT NOIR, MERLOT
OSÓRIO & GONÇALVES, SA
17,5
Junta-se aqui o melhor de dois mundos, ou melhor, das duas castas. No nariz, mais uma vez, a frescura e as notas de terra, dos cogumelos e fumados a mostrarem-se com algum destaque num conjunto onde o pinheiro e as notas salinas também nos fazem querer perder mais algum tempo a deambular por ali. No palato talvez o que apresenta mais nervo, com uma acidez acutilante e a secar as gengivas por alguns momentos. Com um final de boca enorme, fresco e longo.

A expectativa para as próximas colheitas está, sem dúvida, alta. Belíssimos vinhos!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O Vinho do Mês | Triunvirato Nº 4 Tinto

TRIUNVIRATO N°4 TINTO | MESA | 14,5% | PVP  30€
VÁRIAS CASTAS
SOCIEDADE AGRÍCOLA E COMERCIAL DOS VINHOS MESSIAS, SA
18
O mês de Novembro foi muito bom. Provei e bebi muito vinho que me fez acreditar que este é mesmo um néctar dos deuses. Todavia, um mês injusto pois apenas destacarei um. Este saltou um pouco mais para a frente após ter regressado de um semana de férias e ter voltado ao que havia ficado na garrafa. Adorei!
Triunvirato significa aliança e este vinho é resultado da individualidade e expressão de três grandes regiões vinícolas portuguesas: Douro, Dão e Bairrada. Este é o quarto Triunvirato a ver a luz do dia. Um vinho que apenas nasce em anos de excepcional qualidade.
Cor vermelho intenso, concentrado e opaco, aspecto limpo e de tonalidades jovens. No nariz mostra-se a fruta preta madura, muitas notas de bosque, pinheiro, turfa húmida, muito terroso, boa especiaria, balsâmico e fresco. Na boca mostra garra, robustez, boa amplitude, com muito equilíbrio, caindo os 14,5% de álcool em esquecimento. Gostei muito da frescura de boca. Longo de final, fresco e elegante.
Como disse no inicio voltei a ele cerca de uma semana após o ter aberto e aí mostrou-se um senhor vinho. Posso mesmo dizer que ainda o encontrei melhor.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Alambre Ice

ALAMBRE ICE ESPUMANTE LICOROSO | VINHO DE MESA | 8,5% | PVP  28€
MOSCATEL ROXO DE SETÚBAL
JOSÉ MARIA DA FONSECA VINHOS, SA
16,5

Por vezes é necessário ir mais além, fugir dos lugares comuns, ser motor de diferença e arriscar, fazer algo que possa ser motivo de grandes paixões e de grandes ódios. Mas fazer!
Domingos Soares Franco, assim posso dizer, voltou a surpreender e a mostrar o seu lado mais enfant terrible.
A partir de uma prova a um espumante de Ice Wine canadiano, produzido a partir de uvas congeladas, nasceu a ideia de fazer algo com perfil semelhante, mas na região da Península de Setúbal.
Este Alambre Ice é o resultado de uma segunda fermentação de um vinho base de Moscatel Roxo de 2005que foi previamente desalcoolizado.
De cor âmbar novo, com laivos dourados e de aspecto limpo não apresenta a libertação de bolha que seria esperada num espumante devido à sua viscosidade elevada. Revela aromas mais delicados, florais, melaço, algum fruto seco, avelãs em particular mais notadas, tangerina, laranja cristalizada e leve caramelo.
Na boca frutada e doce, sente-se um ligeiro borbulhar, fino, muito fino, pastilha de laranja, com untuosidade e volume e ao mesmo tempo leve, muito leve e fresco.
Realmente não se está à espera. Servir muito fresco.
Neste caso acompanhou uma sobremesa, mas também será indicado como aperitivo.