VIOGNIER
CAVES DO SOLAR DE SÃO DOMINGOS, SA
17,5
Um vinho de homenagem ao homem que traçou os destinos as Caves do Solar de São Domingos desde 1970 e que mereceu desde logo a minha atenção pela escolha da casta, a Viognier, uma variedade pouco habitual no panorama da Bairrada. Mas, curiosidade à parte, foi sobretudo no copo que me conquistou, mostrando-se num grande momento de forma, mesmo já com alguns anos de garrafa, continuando cheio de vida, com uma frescura e uma expressão que deixam antever ainda bastante margem para evoluir e continuar a dar cartas durante mais uns bons anos.
Um branco de inverno a olhar para os dias quentes onde na mesa se encontre uma cataplana de peixe e marisco, uma caldeirada a chorar ou um queijo de meia cura com um naco de pão dos bons. Enorme prazer a beber e a reforçar a ideia de que vale a pena dar tempo a certos vinhos.
Cor amarelo citrino intenso, tonalidade palha com ligeiros reflexos esverdeados, aspecto límpido e sem grande nota de idade. Plano aromático elegante e complexo, oferecendo desde logo notas de fruta de pomar e citrinos frescos envolvido num misto floral e ervas aromáticas, com as notas da passagem por barrica completamente integradas, aparecendo um ligeiro tostado, cera de abelha, espargo verde, tisana de mel e limão, envolvente e desafiador mantendo um perfil de frescura e equilíbrio notável. Boca com volume, textura macia e sedutora, com ataque inicial vibrante, a secar o palato, salivante, pedregoso, fruta branca e citrina, toranja, maça verde, com uma tensão que nos agarra e um prolongamento a perder de vista. Está num momento delicioso, muito preciso e a puxar o copo seguinte. Final de boca longo e persistente.

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