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domingo, 28 de junho de 2026

Viña Tondonia Gran Reserva 2011 Rosé

VIÑA TONDONIA GRAN RESERVA 2011 ROSÉ | RIOJA (ESP) | 12,5% | PVP  255€
GARNACHA, TEMPRANILLO, VIURA
R LOPEZ HEREDIA VINA TONDONIA, SA
19

O desafio lançado por um Amigo para tema de mais um jantar e partilha de algumas garrafas foi que se escolhesse um vinho especial, daqueles que só se abrem em momento de vénia e que tivesse uma história para contar. A melhor história levaria como "prémio" uma garrafa oferecida por si. Esta foi a minha escolha para este momento, mas não ganhei a melhor história. 
Autêntico ícone vínico que desafia todas as convenções do que um vinho rosé pode e deve ser, sendo submetido a um processo de repouso extremo e meticuloso de mais de quatro anos em barricas muito antigas de carvalho americano, seguido por um longo repouso em garrafa até ser finalmente colocado à venda. Produzido pela emblemática e secular casa Bodegas R. López de Heredia, nasce no coração de Rioja Alta, em Espanha, a partir de uvas selecionadas da histórica vinha de Tondonia, plantada nas margens do Rio Ebro, cujo lote de castas une as tintas Garnacha e Tempranillo à branca Viura e onde o solo argilo-calcário confere uma mineralidade única. 
Um verdadeiro gigante na prova, surpreendendo os sentidos com uma complexidade oxidativa refinada, notas de frutos secos, especiarias e uma acidez vibrante que contrasta com a sua estrutura imponente.  Muito longe de ser um rosé casual de verão e de piscina, exige uma harmonização gastronómica à altura, tendo brilhado intensamente ao lado de uma travessa monumental onde o bacalhau e o polvo à lagareiro se juntaram para o receber. Magnifico vinho e momento à mesa.
Cor vermelha tonalidade casca de cebola profunda, com reflexos acobreados e alaranjados, aspecto límpido, brilhante e hipnotizante. No nariz revela uma complexidade extraordinária e magnética, afastando-se de imediato das notas puramente frutadas dos rosés mais convencionais com o primeiro impacto a ser marcado por um perfil evolutivo, onde sobressaem subtis notas oxidativas de frutos secos, como amêndoa torrada e avelã, combinadas com nuances de especiarias doces como a canela e a noz-moscada, libertando, à medida que ganha tempo, aromas delicados de pétalas de rosa murchas, casca de laranja cristalizada e marmelo, envolvidos por um fundo complexo de cogumelos frescos, folha de tabaco seco e notas de madeira antiga e leve baunilhado. 
Na boca surge com uma imponência surpreendente, revelando a sua secura de perfil apoiada em boa estrutura, dotado de uma textura sedosa e envolvente, lado a lado com acidez vibrante e incisiva, atravessando a prova com uma frescura citrina quase cortante que equilibra na perfeição o registo mais maduro, com frutos vermelhos desidratados, notas salinas e um toque mineral, quase a giz, que combina na perfeição com as nuances balsâmicas e de frutos secos já anunciadas no nariz. Final de boca incrivelmente longo e persistente, deixando uma ligeira adstringência finíssima que convida a continuar quer no copo, quer no prato.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Pinhal da Torre | Bloggers Day: Syrah à Prova

No passado dia 3 de Novembro de 2012 tivemos mais uma vez o prazer de visitar, a convite do produtor, a Pinhal da Torre em Alpiarça. Com o Paulo Saturnino Cunha como nosso anfitrião pudemos voltar a visitar uma adega bastante mais preenchida do que a última vez, perceber os progressos efectuados passado um ano e juntar-mo-nos à mesa para num ambiente perfeitamente informal aceitarmos o desafio preparado para este dia: uma prova de vinhos da casta Syrah.
Numa espécie de "mini-batalhas" foram sendo colocados Syrah lado a lado. Qual seria o que nos agradaria mais em cada "embate"? Qual seria o Syrah que no final do dia nos deixaria de boca aberta... ou bem fechada?
O primeiro par foi o seguinte:

Quinta do Alqueve Syrah 2001
Cor rubi concentrado, escuro, opaco, de aspecto límpido. Surpreendente a cor para um 2001. Aroma com boa intensidade, fruta madura, cacau bem proporcionado,  especiado, algum carvão e madeira bem ligada, subtil. Na boca impressionou-me pela frescura e pelo perfil elegante com que se apresenta. Tudo no sitio certo onze anos depois. Soberbo. Um final longo, pleno de frescura e de elegância. (18v)

Côte Rôtie 2001
Cor de um rubi de concentração média com sinais evidentes de evolução. Aromas já algo cansados, algo batidos pelo tempo. Notas de fruta madura, cacau e alguma especiaria, mas já em queda. Na boca apesar de o sentir um pouco melhor do que no nariz, falta-lhe já a frescura que outrora deverá ter tido. Apesar de tudo esperava mais de Francês.

O Veredicto: Quinta do Alqueve Syrah 2001 (sem dúvida)

E de seguida:

Quinta de S. João Syrah 2007
Cor rubi bastante concentrado, intenso e de aspecto límpido. No nariz, fechado de inicio, algo escondido, foi abrindo com o tempo, não muito, revelando fruta vermelha madura, notas delicadas a cacau, com boa especiaria e madeira em fundo. Na boca surge com suavidade, mantendo um perfil fresco e elegante. Mais recatado no momento da prova, mas sem dúvida a prometer muito. Final de boca longo.

Quinta de S. João Syrah 2008
Cor rubi de média concentração e de aspecto límpido. Uma cor bonita, cativante, não tão concentrada como os anteriores. Aromas a fruta madura, muito directo, e dentro do mesmo perfil do anterior. Começo a ter impressão que não vai ser fácil. Na boca surge macio, corpulento, alguma untuosidade, mais fruta madura, a mesma elegância. Final longo.

Torbreck Les Amis 2006
Cor rubi de intensidade média, cor cativante e aspecto límpido. Aromaticamente muito elegante, de uma finess elevada, fruta preta madura, algumas notas fumadas e algumas mais terrosas. Na boca surge gordo, corpulento, a encher a boca, com muita fruta, acidez fina e longo comprimento final. Principal nota de destaque para a delicadeza deste vinho.

O Veredicto: Quinta de S. João Syrah 2007 (aqui a escolha não foi tão directa. Entre os Quinta de S. João, o 2007 pareceu-me o que mais garantias me dava a longo prazo; por outro lado, o Torbreck encantou-se com a sua leveza e finura)

Passámos para a etapa seguinte com:

Quinta de S. João Syrah 2009
Cor rubi, média concentração, aspecto limpo. Aromas intensos a fruta vermelha e preta bem madura, ligeiro compotado, guloso, com notas bem medidas de cacau, alguma baunilha e especiaria, e uma madeira que se sente, mas que não se liga. Harmonia. Boca pujante de vida, impetuoso, grande fruta, frescura e acidez. Será de contar com este para muitos anos. Não o considero o melhor deste dia, mas será sem dúvida aquele que me parece terá o maior potencial.

Domaine Jamet Côte-Rôtie 2009
Cor rubi, com nuances violeta escuros, concentrado. Aromas intensos a fruta vermelha madura, fruta silvestre e de árvore preta, alguma redução, presença de fumados e novamente o perfil terroso. Na boca surpreende com frescura, boa fruta, acidez equilibrada, com final de boca com notas vegetais subtis. Final longo.

O Veredicto: Quinta de S. João Syrah 2009 (influenciado pelo que espero dele no futuro e tendo em conta um perfil mais "doce" do Jamet)

Seguimos então a prova com mais três vinhos que continuaram a surpreender pela positiva. Não será demais relembrar que este é um produtor de uma região menos amada pelo consumidor, mas que a cada dia que passa mais convicto fico de que será um dos Grandes Produtores de vinho em Portugal

2 Worlds 2009 Reserva
Cor rubi, concentrado, nuances violetas no bordo do copo e aspecto límpido. Nariz exuberante, muita fruta vermelha madura, notas vegetais bem ligadas e toque especiado a compor.  Boca macia, redondinho, com continuidade da fruta vermelha madura, equilibrado e de final longo e elegante.

2 Worlds 2009 Premium
Cor rubi escura, concentrado, opaco, direi mesmo retinta. Aspecto límpido e sólido. Aromas intensos a fruta vermelha e preta madura, notas de redução bem ligadas com a madeira. Na boca está um portento, mastigável, gordo, com uma fruta deliciosa, apetece começar a trincar. Algo cru, mas que já encanta e com mais uns anos de garrafa será sem dúvida a não perder.

Alqueve 2009
O SE surge em pézinhos de lã, mas, no final acaba por conquistar os presentes. Cor rubi, directa e de aspecto límpido. Aromas perfumados, fruta silvestre madura, toque a compota, licor e redução, tudo a puxar pela nossa curiosidade, complexo e cativante. Na boca mostra equilibrio, estrutura, fruta bem doseada, de grande delicadeza e elegência. Um final persistente, fresco e elegante.

Todos este vinhos acompanharam depois à mesa uma sopa de pedra "fabulástica" e provaram serem também excelentes escolhas para fazer companhia a este prato tão tradicional. A ligação do bom vinho, boa  gastronomia e boa companhia fazem momentos como o deste dia.