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sexta-feira, 24 de março de 2023

Sintra Capital do Vinho Fortificado

O
evento Porto Extravaganza, após um período de interregno causado pela pandemia, voltou este ano a desafiar os apaixonados pelos vinhos fortificados a regressarem a Sintra para, de 10 a 12 de Março,  simplesmente serem felizes.
 
O anfitrião, Paulo Cruz, proprietário da histórica garrafeira Bar do Binho bem no centro de Sintra e com porta virada à entrada para o Palácio da Vila, voltou a fazer das suas e apresentou um cartaz a prometer três dias inesquecíveis. Aquando da sua génese, corria o ano de 2001, o Porto Extravaganza era um evento de Vinho do Porto, realizado sempre em terras Sintrenses e cuja filosofia era organizar provas únicas e inéditas,  divulgando raridades e partilhando momentos irrepetíveis à volta destes magníficos  vinhos. No entanto, é sabido que o tempo é potenciador de mudança e, desde essa data até hoje, outros tipos de vinho fortificado tiveram a luz do holofote apontada. O vinho da Madeira, os Carcavelos e os Moscatel (Douro e Península de Setúbal) também se juntaram a esta festa que bem merecia mais destaque e notoriedade por parte das entidades competentes face ao trabalho de divulgação enorme destes tipos de vinho únicos em Portugal.
 
Pode parecer estranho, mas o trabalho árduo de Paulo Cruz pode muito bem ser digno de atribuição a Sintra do titulo de Capital do Vinho Fortificado. Não há outro igual em Portugal que faça tanto ruído e que faça movimentar tanta gente para provar vinho fortificado e com esta faixa de qualidade.
 
Este ano a Casa dos Penedos foi o local eleito para realizar o evento. A mansão palaciana do século XX projetada pelo renomado arquiteto português Raul Lino, remonta aos romances e contos míticos do passado e com vista privilegiada para o centro histórico de Sintra foi o local ideal para três dias especiais.
 
Assim, este ano, marcou presença o Vinho da Madeira, no primeiro dia, com uma fantástica viagem aos vinhos Madeira Barbeito, com presença do Enólogo e Alquimista Ricardo Diogo, numa prova entre Tradição e  Modernidade dos vinhos desta casa.  
 
No segundo dia lugar ao Vinho do Porto, com uma extensa prova dos vinhos do Porto da Niepoort, na qual foi possível passar por vários estilos de Vinho do Porto, Lbv, Vintage, Garrafeira e Colheita, tendo como ano de produção mais afastado o de 1934 e o mais chegado o de 2022. A presença de Dirk Niepoort no dia do seu 59º aniversário fez da prova e do jantar que se seguiu momentos inesquecíveis para todos os que puderam participar.
 
No terceiro e último dia, fechando com chave de ouro, novamente o Vinho do Porto como estrela, com a prova vertical de Quinta do Noval Colheita. Prova única, nunca antes realizada e apresentada por Carlos Agrellos e Christian Seely. Um verdadeiro deleite para os sentidos provar as 12 colheitas, lado a lado, sendo a mais antiga de 1937 e a mais recente de 2009. 
 
Como novidade nesta edição o workshop dos copos Riedel Veloce com apresentação do Enólogo Duarte Machado da Symington Family Estates onde foi possível que cada tipo de vinho pode e deve ter o copo certo. 
 
Acreditem que, no final de cada dia, o entusiasmo e felicidade ocupavam cada milímetro do que Sou e no final do evento, ainda com a memória cheia e a transbordar cada momento vivido, perguntava já: "Paulo, e para o ano como vai ser?"

domingo, 20 de janeiro de 2019

Masterclass Old & Rare White Ports | Os Portos Brancos Velhos Têm A Palavra

Os Vinhos do Porto Branco com idade ou velhos, como queiramos dizer, são símbolos do Douro vinhateiro em toda a sua essência, mostrando-se únicos, plenos de autenticidade, história, singularidade e atingindo a eternidade. Talvez pelas minhas raízes familiares estarem ligadas ao Douro recordo-me desde sempre da existência do Porto Branco, havia sempre uma garrafinha lá por casa, fosse ele o mais doce ou o mais seco, mas havia sempre por lá uma ou outra garrafa. Bebia-se sem mais nada adicionado e à temperatura ambiente da adega que, mesmo em dias de inferno, eram sempre bem frescas.
Todavia, ainda causa muita surpresa no consumidor de vinho a existência do Porto Branco. Conhecem e reconhecem o valor aos Vintage, LBVs, Colheitas, Tawnys e mais não sei o quê, mas quando se fala do Branco por vezes até se pensa que é uma invenção.
Estranho ou talvez não, a verdade é que actualmente continua a ser maioritariamente divulgado apenas e só pelo seu potencial enquanto jovem e para se juntar a uma água tónica, limão e um dose de gelo a gosto e os que envelhecem têm sido sempre um pouco esquecidos quando comparados com as restantes categorias.
No final de 2018, a poucos dias do Dia de Natal, Paulo Cruz, dono do Bar do Binho e um dos poucos Port Educator Certified  ainda existentes em todo o mundo, organizou a Masterclass Old & Rare White Ports em Seteais e conseguiu deixar todos os que participaram a repensar o Vinho do Porto Branco.

Nos nossos copos começaram a cair os néctares. O ar da sala tornou-se ainda mais respirável tal magnificência dos aromas que em pouco tempo tomaram conta da mesma. Visualmente de tonalidade âmbar, com maior ou menor intensidade, de aspecto limpo e cativantes ao olhar.
No nariz viajou-se pelas notas de fruto seco, pela avelã, o pinhão e a noz, pelo fruto passa, do alperce e do figo seco, da uva passa, passando pelas notas de caramelo, de chocolate e de biscoito de manteiga, notas mais citrinas, de casca de laranja, resinas, passando pelo mel, pelo melaço, caramba! Uma viagem sensorial do caraças!
Quando na boca não foi possível evitar, de quando em vez, fechar os olhos. A volúpia deste vinhos é encantadora. Macios e aveludados, envolventes, de equilíbrio notável, doçura harmoniosa, um sem fim de boca. Andamos muito distraídos.
Kopke 50 Anos Dry Old White, Rozés 1968 Dry Old White Golden, Palmer 1962 Old White, Quinta da Devessa 1970 Old White, Vista Alegre 40 Anos Old White, Vasques de Carvalho VV Old White, Andresen 40 Anos Old White, Dalva 1963 Old White Golden, Quinta Levandeira Very Old White (50 anos), Rozés 1940 Old White Golden, Quinta das Lamelas 60 Anos 4 Gerações e Quinta do Mourão 90 Anos Very Old White foram os vinhos que tivemos o privilégio de provar ou, direi melhor, de beber e conhecer. Não são vinhos para provar e cuspir, são antes vinhos para beber, para nos apaixonarmos e criarmos memórias em volta do vinho.

Também previsto no programa, um pequeno workshop, uma espécie de "how to make your own blend Vasques de Carvalho White Reserva", a partir de três lotes. Num primeiro lote, um Porto branco 2013/2014 do Baixo Corgo; segundo lote um 20 anos meio seco do Cima Corgo e num terceiro lote, um vinho velho matriz. Conduzidos pelo Jaime Costa embarcamos numa experiência enriquecedora e que podia ser mais vezes repetida em outras ocasiões. Mostrem-se os protagonistas.

A surpresa chegou numa caixinha pequena, mas também ela grande na ligação aos vinhos. Não sei como nasceu a ideia, mas parece que estou a imaginar o Paulo Cruz a falar com o Nuno Jorge da Cacao Di Vine: "- Nuno... apetece-me algo" e não foi preciso dizer mais nada.
Nuno Jorge preparou seis chocolates para harmonizar com seis dos vinhos escolhidos para a Masterclass. O de Yuzo e Shiso Green para o Kopke 50 Anos Dry Old White; o de Açafrão e Laranja para o Palmer 1962 Old White; o de Caramelo Salgado para o Vista Alegre 40 Anos Old White; o de Avelã e Framboesa com o Dalva 1963 Old White Golden; o de Sete Especiarias com o Rozés 1940 Old White Golden e o de Azeite e Alho Negro com o Quinta de Mourão 90 Anos Very Old White. Ligações para todos os paladares, todas elas vencedoras.

Com certeza que vale a pena arriscar. Sair da zona de conforto. Apostar no cavalo menos provável. O Vinho do Porto Branco mostrou aqui todo o seu potencial de envelhecimento, toda a sua qualidade e toda a sua singularidade. Para continuar.

terça-feira, 6 de março de 2018

Porto Extravaganza | Os Vinhos Generosos de Portugal Em Sintra

Madeira, Moscatel e Porto. Em três dias, cada qual dedicado a um destes vinhos generosos, Sintra vai ser o palco dos sonhos de muitos enófilos. Em relação às edições anteriores surge uma pequena-Grande alteração. A 5ª Edição do Porto Extravaganza, apresenta no seu line up, pela primeira vez, a inclusão de dois outros estilos de Generosos para além do Vinho do Porto, ou seja, o Vinho da Madeira e Moscatel de Setúbal. 
Os protagonistas para cada dia são (rufar dos tambores....)

DIA 9 DE MARÇO DE 2018
RICARDO DIOGO E OS VINHOS VELHOS DA MADEIRA
Uma prova inédita e exclusiva em Portugal Continental...uma viagem intemporal pelos Madeiras velhos oriundos de colecções do Avô e da Mãe bem como de famílias particulares da ilha da Madeira. 12 Vinhos da Madeira de Excepcional qualidade irão desfilar no dia 9 de Março...o vinho mais novo em prova será um Bual de 1958. Não haverá jantar neste dia, só prova.

DIA 10 DE MARÇO DE 2018
COLECÇÃO PARTICULAR DE DOMINGOS SOARES FRANCO
Uma prova única e inédita em Portugal. Alhambre 20 Anos, Alhambre Roxo 20 Anos, D.S.F Cognac, D.S.F Armagnac, Bastardinho 40 Anos, Torna Viagem (Testemunha), Torna Viagem (Brasil), Torna Viagem (E.U.A), Apoteca 1911...mais dois Moscatéis surpresa de grande nível... 
Após a Prova será servido no alpendre do Palácio com vista para a Serra e para o mar Espumante Lancers Brut 
MENU DOMINGOS SOARES FRANCO
Chef Miguel Silva 
Entrada Terrina de Foie Gras, brioche, frutos silvestres e textura de maça 
Vinho Rosé Moscatel Roxo Colecção Particular DSF 
Peixe Polvo, batata, aioli de coentros, chipo de alho 
Vinho Branco Verdelho 2017 
Carne Borrego, puré de cebola assada, cevada e beterraba 
Vinho Tinto José de Sousa 2015 
Sobremessa Pêra, mousse de mascarpone, noz pecan, gelado caramelo salgado 
Moscatel Roxo Colecção Particular DSF 

DIA 11 DE MARÇO DE 2018
RAMOS PINTO 140 NUANCES DE VINHO DO PORTO
Uma prova inédita e exclusiva a nível Mundial. A prova será realizada em duas partes distintas: 
1ª Parte Ana Rosas (Master Blend) apresenta Port Master Class - The Art of Blending através de uma forma didáctica, irá ensinar aos presentes a Arte de elaborar um "Blend" de 30 Anos com o respectivo material - Provetas, Matrizes (1900, 1909, 1924).. que estarão dentro da malinha dos Blends que será oferecida aos participantes. 
2ª Parte Uma Prova de Vinhos do Porto "Duetos" Branco Seco 1890 / Branco Lágrima 1884 Vintage 1924 / Colheita 1924 Vintage 1952 / Vintage 1982 Vintage Quinta do Bom Retiro 2014 / Vintage 2015 Após a Prova será servido no Alpendre do Palácio, com vista para a Serra de Sintra e para o mar Champagne Louis Roederer Brut Premier 
MENU RAMOS PINTO 
Chef Miguel Silva 
Entrada Lagosta, pêra abacate, rúcula e vinagret de framboesa 
Domaines Ott Clos Mireille Blanc de Blancs 2015
Peixe Garoupa, Topinambur, acelga e molho de ostra 
Duas Quintas Reserva Branco 2016
Carne Magret de Pato, cenoura, cepes, arroz selvagem e chutney de mirtilo 
Duas Quintas Reserva Tinto 2015 
Sobremessa Toucinho-do-céu, amêndoa amarga, frutos silvestres e sorbet de maracujá 
Quinta do Bom Retiro Tawny 20 Anos 

Há quem diga que este é o melhor evento de Vinhos Generosos realizado em Portugal. Eu acredito que este ano até possa ser considerado um dos melhores do mundo tendo em conta o programa que aguarda cada participante.  
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PORTO EXTRAVAGANZA
Onde: Hotel Palácio de Seteais, Sintra
Quando: 9, 10 e 11 de Março de 2018
Preço Prova: 150€
Preço Prova + Jantar: 200€
Para se inscreverem em cada prova, bastará fazerem uma transferência bancária para o seguinte Nib: Projecto Binho, Actividades Hoteleiras, Lda 0018 0000 4122 2258 0010 5 Enviarem o comprovativo da transferência para o seguinte e mail: bar.do.binho.sintra@gmail.com

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Porto Vintage 2015 em Grande Prova no Bar do Binho em Sintra

Os Porto Vintage 2015 vieram mostrar as suas garras na Vila de Sintra, numa prova organizada pelo Bar  do Binho, uma garrafeira e wine-bar com portas e janelas viradas para o Palácio de Sintra e cujo dono, Paulo Cruz, um verdadeiro apaixonado pelo vinho do Porto, criou já o "mau" hábito de nos presentear com eventos e provas de elevadíssima qualidade e onde o vinho do Porto é Rei.

O ano vitícola do Vintage 2015 foi o mais quente e seco dos últimos 36 anos apesar de ter começado com chuva abaundante. No Douro Superior, a sub-região mais quente, teve uma bem vinda chuva em Maio que serviu de sustento e frente aos meses mais quentes e secos de junho e julho. Apesar de não ter sido declaro ano Vintage Clássico foram 48 os produtores que declararam 2015 Porto Vintage.
Com casa completamente cheia, cuja participação contou com uma vasta plateia de interessados, abrangendo desde clientes habituais da casa, até comerciantes de vinho, escanções, imprensa especializada e bloggers, foram apresentados 21 Portos Vintage 2015, que foram servidos às cegas a todos os participantes.

Sem os nomes dos produtores à vista, foi pedido a cada provador que, no final, indica-se quais os três de sua preferência e feitas as contas globais seria então obtida a lista  dos mais pontuados.
Como sempre, quando foi possível saber os nomes de cada vinho provado e dos vencedores do final de tarde, surgiram algumas surpresas e, com efeito, também algumas certezas.
Os mais votados foram o Quinta do Vesúvio da Symington, de seguida o Pintas do Jorge Serôdio Borges e da Sandra Tavares da Silva e no terceiro lugar do pódio o Graham's Stone Terrace também da Symington.

A exuberância olfativa, muita flor, muita fruta preta madura e a demonstração de grande força e virilidade de boca, másculos, cheios de estrutura e com muita intensidade caracterizam os vinhos Porto Vintage deste ano.
Como curiosidade pessoal destaco a diversidade de perfis possíveis de encontrar em 21 vintages, com alguns ainda prova de barrica e o facto de, na minha linha de preferência e votação, figurarem dois dos mais votados e um, o Vintage 2015 da Vasques de Carvalho, que também me agarrou desde o momento em que o provei pela sua complexidade, estrutra e rusticidade, pleno de equilíbrio e de sentido de Vintage.

Concluindo, sou obrigado a dar os parabéns à equipa do Bar do Binho e ao Paulo Cruz por esta (mais uma) iniciativa que, mais do que tentar saber quais os melhores Vintage 2015 naquela tarde à prova, conseguiu dar uma imagem mais nítida do que podemos contar para este Porto.

Não sendo um ano de Vintage Clássico é, sem dúvida, uma ano de qualidade superior. Embora não me pareça estar ao nível do magnifico Vintage 2011 - faltou provar as referências da Fladgate Partnership que não estiveram em prova - os Portos Vintage deste ano serão, ainda assim, para mais tarde recordar.