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terça-feira, 1 de julho de 2025

Burmester White Reserve Helmsman

BURMESTER WHITE RESERVE HELMSMAN  | PORTO | 19,5% | PVP  16€
MALVASIA FINA, RABIGATO, ARINTO, VIOSINHO
SOGEVINUS FINE WINES, SA 
17

Os dias mais quentes pedem também mais frescura no copo, seja num momento de refeição ou apenas de pura descontração com o vinho a solo. Este Porto Branco é decididamente para se levar à mesa. Num conjunto harmonioso entre a doçura, a sua acidez e frescura, num registo rico e complexo, será com comida que a experiência se completa. O pairing testado foi à sobremesa com um pudim de ovos que me pareceu demasiado doce para ser um casamento perfeito. Diria que uma tarte de frutos secos seria mais indicada. No entanto, esta mais frescura do Porto Branco será ligação mais do que acertada para início de refeição, com presunto finamente fatiado, com amêndoas torradas com sal e com frituras leves ou ainda com cozinha asiática. Esta ligação doce-salgado só me traz felicidade.
Visualmente atrativo, cor amarelo-dourado intenso, luminoso e brilhante. No plano aromático encontramos notas de fruta passa e de fruto seco, alperce, pêssego, amêndoa e avelã torradas, algum melaço e uma fina linha mais citrina, discreta, fresca, num blend desafiante e complexo. Boca com volume, num apontamento mais fresco, textura aveludada e untuosidade bem medida, doce equilibrado com acidez vivaz e com bom prolongamento, perfil elegante, preciso e com final de boca longo.


 

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Kopke 50 Years Old White Port

KOPKE 50 YEARS OLD WHITE PORT | PORTO | 20% | PVP  180 €
BLEND CASTAS DOURO
SOGEVINUS FINE WINES, SA
19,5

Simplesmente fantástico, fabuloso. Apenas ficamos com pena das garrafas serem apenas de 0,375l, mas fazemos por prolongar o momento, de tão prazeroso que é, brindados por esta  frescura e vivacidade, num registo de riqueza e complexidade que faz dele uma referência obrigatória no Vinho do Porto. E pensar que, por muito tempo, o Vinho do Porto Branco esteve votado a um papel secundário ou mesmo  terciário no nível de relevância deste fortificado. 
Brilha pela sua elegância, pela harmonia e singularidade do conjunto, com a fruta de polpa amarela passa e fruto seco em ligação perfeita às notas de especiaria e à fina linha cítrica que acompanha toda a prova. Volúpia e elegância na prova de boca, verdadeiramente prazeroso, doce bem medido, citrino temperador, mineral, uma verdadeira alegria para os sentidos.
Cor âmbar luminoso com reflexos acobreados e esverdeados, aspecto límpido e brilhante. Perfil aromático pautado pela elegância e riqueza do conjunto, revelando fruta de polpa amarela passa, alperce, damasco, fruto seco torrado, muito bem casado, avelã, pinhão e amêndoa, com a especiaria exótica presente, integrada, sempre com a companhia vivaz do elemento citrino, casca de laranja. Vivaz e alegre na prova de boca, mostrando uma faceta mais voluptuosa, acetinada e doce, não deixando o perfil fino e elegante de lado, citrino a manter frescura, acidez vibrante, fruto passa e seco em comunhão, prazeroso, equilibrado, com final de boca que parece não querer terminar.

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Vista Alegre 10 Years Old White Port

VISTA ALEGRE 10 YEARS OLD WHITE PORT | PORTO | 20% | PVP  19€
VIOSINHO, MALVASIA FINA, GOUVEIO, ARINTO, CERCIAL, RABIGATO
VALLEGRE VINHOS DO PORTO, SA
17,5

Se há predicado que o Porto branco não deixa cair é sua maior frescura e acidez em relação aos Porto Tawny. Este reforça esta afirmação. Notas citrinas, acidez bem vincada, frescura imensa e complexidade num 10 anos bem democrático e acessível. Versátil na hora de o beber, podendo brilhar a solo,  todavia parelha ideal para uma entrada de foie gras ou uma sobremesa à base de frutos secos e ovos.
Cor âmbar jovem, fina auréola acobreada, aspecto límpido e brilhante. No plano aromático revela notas de fruto seco torrado, algum caramelo, nougat, bem casado com notas citrinas, casca de laranja cristalizada, limonado fresco, bem medida especiaria, cravinho, bolo inglês, complexo e rico. Boca com volume, textura macia, toque aveludado, sedutor, acidez bem medida, fresco, secura fina do palato , fruto seco e passa, a nota citrina continua em evidência, toque tostado, toffe, harmonioso e envolvente, terminando longo e persistente.

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Kopke 20 Years Old White Port

KOPKE 20 YEARS OLD WHITE PORT | PORTO | 20% | PVP  42 €
BLEND CASTAS DOURO
SOGEVINUS FINE WINES, SA
18

O Vinho do Porto branco, durante tantos anos colocado na prateleira à espera do momento certo. Frescura, vivacidade, ricos e complexos, ao mesmo tempo com uma elegância enorme. Começa a ser díficil (ou já o é) viver sem eles. Os da Kopke são incríveis.  Este 20 anos teve uma casamento feliz com a pêra rocha assada no forno, queijo azul e mel, sendo que também brilhou, uns dias mais tarde, com o crumble de maçã cá de casa. As castanhas foi mesmo para acabar com ele. Delicioso.
Cor âmbar luminoso, leves reflexos acobreados, aspecto límpido e brilhante. Elegante de aromas, fruto seco torrado, amêndoa, noz e avelã, fruta passa amarela, figo seco e bem medida nota de caramelo em fundo, alguma casca de laranja e especiaria exótica fina, cativante. Boca com vivacidade e frescura enormes, textura acetinada, veludo, de doce elegante, acidez fina e persistente, saborosas notas de fruto passa e seco torrado, firme, largo, harmonioso, com final de boca longo e persistente.

domingo, 29 de janeiro de 2023

Vieira de Sousa | Legado Familiar Registado em Novos Vinhos do Porto

A presença e história da família Vieira de Sousa na região demarcada do Douro é já bastante longa e rica apesar de apenas em 2008 ter sido criada como empresa a Vieira de Sousa Vines & Wines. Produtora de Vinho do Porto há cinco gerações, altura em que o tetravô de Luísa e Maria Borges registou esta marca de vinhos do Porto, conta com um imponente espólio de vinhos do Porto antigos, um factor que, aliado à recente determinação do Instituto de Vinhos do Douro Porto em autorizar a categoria especial de Vinho do Porto com 50 anos, deu o mote para o lançamento do Vieira de Sousa Porto Tawny 50 anos.
Ao mesmo tempo, e não ofuscando o brilho de um momento especial como este, a estreia do primeiro Vieira de Sousa Porto Colheita Branco, um single harvest white de 2003, rodeado de muita expectativa e entusiasmo.
 
VIEIRA DE SOUSA PORTO TAWNY 50 ANOS | PORTO | 20,5% | PVP 234€
VIEIRA DE SOUSA VINES & WINES, LDA
19
Cor acastanhada, com reflexos esverdeados mais abertos e luminosos, bem demonstradores da idade deste néctar. No nariz apresenta enorme riqueza e complexidade, intenso, aparecendo as notas de fruto seco tostado, amêndoa, noz, avelã, figo seco, torrefação, caramelo torrado e alguma caixa de tabaco, Desafiante e vivo. Opolento de boca, cheio, textura voluptuosa, macia, mostrando um perfil ligeiramente mais seco e menos gordo que o habitual neste tipo de Porto, continuando a mostrar a riqueza e complexidade já desfrutada no nariz, doçura especiada, bolo inglês, café torrado, com final de boca interminável e de grande elegância.  

VIEIRA DE SOUSA PORTO COLHEITA BRANCO 2003 | PORTO | 19,5% | PVP 48,60€
VIEIRA DE SOUSA VINES & WINES, LDA
18 
Cor âmbar brilhante, definido, ligeiros esverdeados, aberto, luminoso, cativante. No plano aromático revela elegância e frescura, com notas de fruta e caroço amarelo com apontamentos frescos citricos, alguma flor branca, ligeiro fruto seco, bem ligados, sensação de mel e fina especiaria exótica. Boca aveludada, textura macia, com doçura bem medida, com acidez fina e acutilante, notas de fruta passa e seco com ligeiro torrado, amplo, com eficiente conjugação da especiaria com o conjunto, longo final. 
 
A minha sugestão de casamento à mesa para o Vieira de Sousa Porto Tawny 50 anos passaria por um leite creme caseiro queimado no momento, um pão de ló de Ovar com Gelado de Amêndoas ou uns queijos de pasta mole com uns frutos secos a dar o lado crocante.  No caso do Vieira de Sousa Porto Colheita Branco 2003 opção pelo crumble de maça, tarte de amêndoa ou um desafiante foie gras mi cuit de pato como entrada. 

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Andresen Porto Branco 10 Anos

ANDRESEN PORTO BRANCO 10 ANOS | PORTO | 20% | PVP  17,90€
MALVASIA FINA, CÓDEGA, RABIGATO, ARINTO,
J. H. ANDRESEN SUCCS, LDA
17,5
 
A Andresen, fundada por Jann Hinrich Andresen em 1845 quanto tinha apenas 19 anos de idade, é uma das Casas de Vinho do Porto tradicional, mantendo-se orgulhosamente independente, sendo uma das poucas 100% familiares e portuguesas. 
Os Portos Colheita, os Tawny envelhecidos e os Portos Brancos são as estrelas da casa num portefólio vasto e onde este 10 Anos Branco representa uma porta de entrada de elevada qualidade para este Mundo e com um preço bastante democrático. Uma excelente escolha.
Cor âmbar intenso e definido, reflexos dourados, aspecto límpido e brilhante. No plano aromático brinda-nos com notas de frutos secos, alguma fruta passa e fruta cristalizada, com algum mel, caramelo equilibrado, algum torrado, complexo e desafiador. Boca com textura macia, cremosa, com uma untuosidade bem medida, travo doce sem exageros, acidez fina, fruta passa, mel, notas torradas, muito harmónico e com final de boca longo.
Servido à sobremesa como companhia de uma Tarte de Amêndoa caramelizada e uns Celestes de Santa Clara de outra galáxia. Belas ligações.

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Ferreira 10 Anos Porto Branco

PORTO FERREIRA 10 ANOS BRANCO | PORTO | 20% | PVP  12€
MALVASIA FINA, CÓDEGA, RABIGATO, GOUVEIO
SOGRAPE VINHOS, SA
17

A primeira vez que provei este 10 anos branco ainda este tipo de Porto não tinha muita expressão no mercado, havia muito poucos Portos brancos com indicação de idade como hoje existe. Foi uma bela surpresa que tive nessa data, tendo adquirido várias garrafas para ir bebendo ao longo do tempo. 
Voltei a ele há poucos dias. Estava um pouco mais turvo de cor, mas mostrava ainda tudo aquilo que me fez ficar agradado no primeiro contacto. Equilibrio de aromas e paladar, frescura e bela complexidade. 
Cor âmbar novo, ligeiramente turvo, lágrima escorreita e definida. No plano aromático somos invadidos não só pela intensidade dos aromas a fruta passa, frutos secos, algum melaço, caramelo, especiado exótico, mas também pela complexidade do conjunto, que nos envolve e desafia. Boca com textura, corpo mais gordo, untuoso, com acidez bem colocada e equilibradora, mostrando-se elegante, harmonioso, com comprimento final longo. 
Numa primeira abordagem coloco-o como opção para um sobremesa como uma Torta de Azeitão ou à base de ovos e frutos secos. Mas também o testei para inicio de refeição com umas iscas de cebolada que me deixaram um sorriso de ponta a ponta. .

domingo, 20 de janeiro de 2019

Masterclass Old & Rare White Ports | Os Portos Brancos Velhos Têm A Palavra

Os Vinhos do Porto Branco com idade ou velhos, como queiramos dizer, são símbolos do Douro vinhateiro em toda a sua essência, mostrando-se únicos, plenos de autenticidade, história, singularidade e atingindo a eternidade. Talvez pelas minhas raízes familiares estarem ligadas ao Douro recordo-me desde sempre da existência do Porto Branco, havia sempre uma garrafinha lá por casa, fosse ele o mais doce ou o mais seco, mas havia sempre por lá uma ou outra garrafa. Bebia-se sem mais nada adicionado e à temperatura ambiente da adega que, mesmo em dias de inferno, eram sempre bem frescas.
Todavia, ainda causa muita surpresa no consumidor de vinho a existência do Porto Branco. Conhecem e reconhecem o valor aos Vintage, LBVs, Colheitas, Tawnys e mais não sei o quê, mas quando se fala do Branco por vezes até se pensa que é uma invenção.
Estranho ou talvez não, a verdade é que actualmente continua a ser maioritariamente divulgado apenas e só pelo seu potencial enquanto jovem e para se juntar a uma água tónica, limão e um dose de gelo a gosto e os que envelhecem têm sido sempre um pouco esquecidos quando comparados com as restantes categorias.
No final de 2018, a poucos dias do Dia de Natal, Paulo Cruz, dono do Bar do Binho e um dos poucos Port Educator Certified  ainda existentes em todo o mundo, organizou a Masterclass Old & Rare White Ports em Seteais e conseguiu deixar todos os que participaram a repensar o Vinho do Porto Branco.

Nos nossos copos começaram a cair os néctares. O ar da sala tornou-se ainda mais respirável tal magnificência dos aromas que em pouco tempo tomaram conta da mesma. Visualmente de tonalidade âmbar, com maior ou menor intensidade, de aspecto limpo e cativantes ao olhar.
No nariz viajou-se pelas notas de fruto seco, pela avelã, o pinhão e a noz, pelo fruto passa, do alperce e do figo seco, da uva passa, passando pelas notas de caramelo, de chocolate e de biscoito de manteiga, notas mais citrinas, de casca de laranja, resinas, passando pelo mel, pelo melaço, caramba! Uma viagem sensorial do caraças!
Quando na boca não foi possível evitar, de quando em vez, fechar os olhos. A volúpia deste vinhos é encantadora. Macios e aveludados, envolventes, de equilíbrio notável, doçura harmoniosa, um sem fim de boca. Andamos muito distraídos.
Kopke 50 Anos Dry Old White, Rozés 1968 Dry Old White Golden, Palmer 1962 Old White, Quinta da Devessa 1970 Old White, Vista Alegre 40 Anos Old White, Vasques de Carvalho VV Old White, Andresen 40 Anos Old White, Dalva 1963 Old White Golden, Quinta Levandeira Very Old White (50 anos), Rozés 1940 Old White Golden, Quinta das Lamelas 60 Anos 4 Gerações e Quinta do Mourão 90 Anos Very Old White foram os vinhos que tivemos o privilégio de provar ou, direi melhor, de beber e conhecer. Não são vinhos para provar e cuspir, são antes vinhos para beber, para nos apaixonarmos e criarmos memórias em volta do vinho.

Também previsto no programa, um pequeno workshop, uma espécie de "how to make your own blend Vasques de Carvalho White Reserva", a partir de três lotes. Num primeiro lote, um Porto branco 2013/2014 do Baixo Corgo; segundo lote um 20 anos meio seco do Cima Corgo e num terceiro lote, um vinho velho matriz. Conduzidos pelo Jaime Costa embarcamos numa experiência enriquecedora e que podia ser mais vezes repetida em outras ocasiões. Mostrem-se os protagonistas.

A surpresa chegou numa caixinha pequena, mas também ela grande na ligação aos vinhos. Não sei como nasceu a ideia, mas parece que estou a imaginar o Paulo Cruz a falar com o Nuno Jorge da Cacao Di Vine: "- Nuno... apetece-me algo" e não foi preciso dizer mais nada.
Nuno Jorge preparou seis chocolates para harmonizar com seis dos vinhos escolhidos para a Masterclass. O de Yuzo e Shiso Green para o Kopke 50 Anos Dry Old White; o de Açafrão e Laranja para o Palmer 1962 Old White; o de Caramelo Salgado para o Vista Alegre 40 Anos Old White; o de Avelã e Framboesa com o Dalva 1963 Old White Golden; o de Sete Especiarias com o Rozés 1940 Old White Golden e o de Azeite e Alho Negro com o Quinta de Mourão 90 Anos Very Old White. Ligações para todos os paladares, todas elas vencedoras.

Com certeza que vale a pena arriscar. Sair da zona de conforto. Apostar no cavalo menos provável. O Vinho do Porto Branco mostrou aqui todo o seu potencial de envelhecimento, toda a sua qualidade e toda a sua singularidade. Para continuar.