quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Quinta da Boavista Vinha do Ujo 2017 Tinto

QUINTA DA BOAVISTA VINHA DO UJO 2017 TINTO | DOURO | 14% | PVP  125€
VINHAS VELHAS
SOGEVINUS FINE WINES, SA
18

A vinha do Ujo foi plantada em data anterior ao seu registo, em 1930, e as suas mais de 25 castas espalham-se por pequenos patamares horizontais pré-filoxéricos, com exposição a norte, traduzindo uma diversidade só possível de encontrar em vinhas tão antigas.
Um vinho pelo qual é fácil cair em paixão, com um lado sedutor que nos agarra desde o inicio e que nos leve por um Douro e vinha com história, marcando com mestria a sua presença à mesa com pratos de carnes vermelhas e caça.
Cor rubi intenso, média concentração, tonalidade violácea e lágrima escorreita, aspecto límpido e de tez ainda jovem. Plano aromático rico e complexo, num registo de muita elegância e delicadeza, oferecendo a fruta vermelha e preta maduras, com o calor e o lado compotado do perfil num ponto de equilíbrio  notável, bem casadas com as notas da passagem por barricas de carvalho francês por longos 18 meses, balsâmico envolvente e fresco, componente especiada,  algum mato seco, pinhal, caruma verde, leve químico, nota aromática arejada e refrescante. Arrebata na prova de boca pela harmonia das partes num conjunto elegante, gracioso, sedutor e prazeroso, macio e aveludado de textura, secura fina, prolongada e consistente, cheio de pequenas coisas que o enriquecem, fruta bonita, com um Senhor tanino, embora não intrusivo, término de boca longo e persistente. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Aires: Viagem pela Gastronomia Argentina no Monte Estoril

A
Argentina passou a estar mais perto a partir do momento em que o Aires Restaurant abriu portas em plena centro do Monte Estoril, a dois passos do Jardim dos Passarinhos. Uma verdadeira homenagem à cultura gastronómica deste País símbolo de paixão, abraçando comida, vinho, música, dança, família e amigos num espaço sofisticado, mas ao mesmo tempo aconchegante, que nos deixa de sorriso aberto assim que adentramos o espaço.
 
{Couvert: Chips de Pão Caseiro e Tortilha Andina Grelhada. Maionese de Aipo, 
Paté de Beringela e Tomate}
A Chef Marianela Ramadan aceitou o desafio de liderar a cozinha e ajudar os proprietários a gerir o restaurante e criando uma ementa onde, para além do tradicional Asado com os melhores cortes argentinos, constam também pratos de tradição andina, gaúcha e patagónica sempre com o toque pessoal da Chef. A sua conterrânea Gabriela Balbi é o seu braço direito e recebe cada cliente com um sorriso largo, dando-nos a mão nesta autêntica viagem pela gastronomia argentina, partilhando a sua vivência e fazendo com que entremos nas suas memórias de infância até chegar a cada prato que nos é trazido à mesa.

A carta de vinhos, apenas com referências argentinas, é uma longa e demorada aventura até chegar à decisão final. Percebe-se que a intensão é mais do que simplesmente ter vinho argentino, é trazer o vinho à mesa, em cada prato, rica, bem construída, com alguns dos icones do País e com muita referência desconhecida, mas abrangendo as diversas regiões, castas e tipos de vinho. Escolhemos uma vinho branco para começar o caminho, sugerido pela casa, desconhecido por nós, vencedor no copo. Com os pratos principais, com a carne como Rainha, a decisão recaiu sob um nome mais familiar. Ambas as escolhas mostraram o seu acerto na ligação aos pratos.
A ementa é um verdadeiro compendio de pratos argentinos, começando desde logo pelas entradas, cujos nomes não deixam de nos fazer brilhar o olhar, mas tinhamos de escolher e para a mesa veio o obrigatório Duo de Empanadas, composta por uma empanada de carne cortada à faca e uma empanada caseira de charqui gaucho, acompanhada de molho de tomate picante. Deliciosas!
Escolhemos também o Chorizo Al Plato, chouriço assado servido com molho crioulo clássico e fatia de pão caseiro com chimichurri. A curiosidade pela ligação dos sabores foi o mote para esta escolha, que não desiludiu. A terceira escolha foi a que causou mais surpresa, revelando ser um verdadeiro must taste nas entradas. As Mollejas Josper, moelas crocantes com emulsão verde de limão e salsa, conquistam desde o primeiro momento. Soubemos mais tarde que há clientes que por vezes se ficam só pelas entradas, mas na nossa primeira vez quisemos conhecer mais. 

{Duo de Empanadas / Chorizo Al Plato / Mollejas Josper}
De seguida as carnes. O momento da verdade. Optamos por dois registos completamente distintos, mas ambos de excelência. O Lomo de Novillo Argentino, trazido para a mesa no ponto pedido, sem mácula, de comer e fechar os olhos. Textura macia, sabor, conquistou a mesa sem dificuldade. Fizeram-lhe companhia os Champiñones a la Patagonia, Cogumelos inteiros perfumados com alho e azeitona e servidos com redução de frutos vermelhos. Os apontamentos terrosos e a fruta do bosque a gabharem pontos na harmonização.
 
{Lomo de Novillo Argentino}
 
 {Champiñones a la Patagonia}
As Costillas Patagonicas de Doble Coccion Al Malbec mostraram a ternura e sabor que o entrecosto com dupla cozedura, amaciamento em Malbec durante 6 horas e a finalização no forno Josper a carvão podem criar. Não é dificil perceber que a carne descolava do osso sem dificuldade e quase seria possível comer à colher. Sabor, sabor e mais sabor!
Uma dose generosa de Boniatos de Campo, nada mais do que batatas doces cozinhadas com pele, manteiga de salva e migalhas de queijo Roquefort espevitaram ainda mais as nossas papilas gustativas. A ligação doce vs salgado brilha.

{Costillas Patagonicas de Doble Coccion Al Malbec}
 
{Boniatos de Campo}
Na momento mais doce não podia faltar a tradição e a inovação. As Panqueques de Dulce de Leche, aqui com o twist das migalhas de mantecol junto com o gelado de nata trouxeram à mesa uma das sobremesas mais conhecidas deste País; por outro lado, o Volcan Aires trouxe a inovação num vulcão de chocolate negro com coração de chocolate branco e gelado.

{Panqueque de Dulce de Leche}

{Volcan Aires}
Sem dúvida alguma que é obrigatório voltar.

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AIRES RESTAURANT

Tipo de Cozinha: Argentina, Tradicional
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Não
Estacionamento: Fácil (Pago e Gratuito)
Preço médio sem bebidas: 18€
Horários: Quarta-feira a Sábado das 18:30h às 23:30h
                Sábado das 12:30h às 15:30h
                Domingo das 12:00h às 16:00h
 
Morada: Avenida São Pedro, N° 8
              2765-446 ESTORIL
         
Telefone:  +351 934 453 242

Prémios Mesa Marcada revelam os Melhores do Ano 2024

O Centro de Congressos do Estoril acolheu, uma vez mais, a gala dos Prémios Mesa Marcada. Os cerca de 500 convidados presentes, vindos de todo o país, confirmaram o estatuto deste que é, já há 16 anos, uma das mais aguardadas cerimónias de prémios da gastronomia nacional.
Esta 16ª edição assinalou o regresso do domínio de João Rodrigues às distinções principais, facto que já se verificara várias vezes no passado, ao conquistar o 1º lugar tanto no ranking de chefes como no de restaurantes. A particularidade deste ano residiu no facto de o restaurante com que venceu, o Canalha, em Lisboa, não ser um estabelecimento de fine dining, mas antes um espaço mais acessível, que inclusive estava nomeado para o prémio Mesa Diária - categoria que venceu no ano passado. 
Na verdade, esta tendência teve início em 2023, quando o Prado - que este ano alcançou o 3º lugar - se tornou o primeiro restaurante não Michelin a conquistar o 1º lugar na categoria de restaurantes, feito inédito em muitos anos de história destes prémios dos "Preferidos" do Mesa Marcada.

 
Contudo, embora se note algum recuo do fine dining nas preferências do nosso júri, seria exagerado anunciar o seu declínio, uma vez que este estilo continua bem representado no Top 10 (imagem acima). A cozinha com personalidade (com maior ou menor intervenção na transformação do produto), uma certa artesanalidade, a excelência da comida (privilegiando o rigor, sem necessariamente exigir perfeição técnica), a empatia e, num segundo plano, o ambiente, o serviço de sala e os vinhos, reflectem as principais tendências nas escolhas do nosso júri. O painel alargado, que este ano reuniu um número recorde de 305 elementos, manteve a sua composição habitual, ainda que renovado, integrando chefs e outros profissionais ligados à restauração e hotelaria, bem como jornalistas, críticos, comunicadores e gastrónomos reconhecidos no meio.

Da análise do Top 10, destaca-se ainda a notável subida de 19 lugares do Sála de João Sá (de 29º para 10º), que lhe valeu o Prémio Especial Estrella Damm Restaurante Destaque do Ano. Igualmente relevante foi a ascensão de Nuno Mendes, que subiu nove posições até ao 6º lugar (era 15º), conquistando o Prémio Especial Makro Chefe Destaque do Ano, em reconhecimento do seu excelente trabalho na Cozinha das Flores, no Porto, e pelos primeiros passos dados no novo Santa Joana, em Lisboa.

O Prémio Especial Quinta dos Carvalhais Restaurante Novo do Ano foi atribuído ao Ciclo, de José Neves e Cláudia Abreu, um pequeno projecto na Mouraria, em Lisboa, ao estilo novo bistrot, com "ela recebe e serve, ele cozinha".

O renovado Prémio Especial Vista Alegre Chefe Revelação de 2024, redefinido este ano para distinguir chefs até aos 35 anos que tenham subido consideravelmente nas posições cimeiras ou entrado de forma expressiva no ranking, foi atribuído a Louise Bourrat. A jovem chef tem-se destacado no Boubou's, estabelecimento que conquistou também o Prémio Especial H.Blin Serviço de Sala do Ano, atribuído por um júri restrito de 34 pessoas ligadas ao meio.

Ainda entre as distinções decididas pelo painel alargado de júri destaca-se o Prémio Especial Queijo São Jorge DOP Mesa Diária, conquistado pela alfacinha Taberna Os Papagaios, de Joaquim Leal, um nome familiar nesta categoria por múltiplas distinções anteriores. Já a Queijaria, de Pedro Cardoso, arrecadou pela primeira vez o Prémio Especial Bom Sucesso Loja Gastronómica do Ano, galardão que nas três edições anteriores pertencera à Comida Independente. Mantendo o seu domínio, o festival Chefs on Fire, da Lohad, de Gonçalo Castel-Branco, conquistou pelo terceiro ano consecutivo o Prémio Especial Nutrifresco Evento Gastronómico do Ano.

Como novidade, este ano os Prémios Mesa Marcada instituíram uma distinção local: o Prémio Especial Restaurante do Ano Cascais. Este galardão, justificado por Cascais ser o concelho anfitrião dos prémios - e pela sua relevância gastronómica -, foi atribuído ao Izakaya, de Tiago Penão. O restaurante reuniu o maior número de votos de um júri composto por 35 pessoas da região ou com forte ligação à mesma, mantendo um perfil semelhante ao do ranking nacional: chefs, proprietários e outros profissionais do sector da restauração e hotelaria, jornalistas, comunicadores e gastrónomos locais.


Prémios Especiais por painéis de jurados especializados

Para além do Prémio Especial Restaurante do Ano Cascais e do Prémio Especial H.Blin Serviço de Sala do Ano, atribuído ao Boubou's, diversos painéis de jurados distinguiram outros profissionais do sector.

José Avillez conquistou o Prémio Especial Fagor Professional Empresário de Restauração 2024, através de um painel de 29 votantes de diferentes sensibilidades, maioritariamente empresários do ramo e directores de restaurantes, incluindo também fornecedores, jornalistas e gastrónomos que valorizam a função.

Na área da pastelaria, Sara Soares (Caos – O Futuro é Vegetal) destacou-se ao receber o Prémio Especial Roastelier by Nescafé Chefe de Pastelaria 2024, atribuído por um júri especializado de 41 pessoas, entre profissionais do sector e entusiastas. O Prémio Especial S. Pellegrino/Acqua Panna Escanção do Ano foi entregue a Pedro Escoto, o jovem sommelier do Feitoria, em Lisboa, numa votação que reuniu 45 votantes, principalmente colegas de profissão, jornalistas, clientes enófilos, produtores e outros profissionais ligados aos vinhos e à restauração.

Os estabelecimentos históricos também tiveram o seu lugar nos Prémios Mesa Marcada. O Prémio Especial Alugue Aqui Restaurante Clássico do Ano, destinado a casas com pelo menos 25 anos de existência, foi atribuído ao icónico Gambrinus, em Lisboa, fundado em 1936. O júri desta categoria integrou 35 chefs de cozinha que, em nome próprio ou dos seus restaurantes, figuraram nos '10 Preferidos' ou venceram prémios especiais do Mesa Marcada nos últimos cinco anos.

O Prémio Especial Studioneves de Sustentabilidade registou um número recorde de inscrições este ano. A consultora Grab a Doughnut, em parceria com a empresa de cerâmica de autor que dá nome ao prémio e o Mesa Marcada, analisou candidaturas nas categorias 'Ambiente Rural' e 'Ambiente Urbano'. Após um rigoroso processo de avaliação, que incluiu apresentação de provas, entrevistas online e visitas aos finalistas, o restaurante Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, voltou a vencer na categoria 'meio rural', enquanto A Cozinha por António Loureiro, em Guimarães, triunfou na categoria 'meio urbano'.

O Porto dominou as distinções dedicadas aos bares. O Prémio Especial Viriathus Drinks Bar do Ano foi atribuído ao Torto, de José Mendes, Daniel Poças e Vando Montenegro, enquanto o Prémio Especial Zwiesel Glas Bar de Restaurante do Ano distinguiu o Flôr, bar adjacente ao restaurante Cozinha das Flores, de Nuno Mendes, sob a direcção do bartender Jorge Morales. Estas duas novas categorias foram recebidas com particular entusiasmo pelo sector, tanto na fase de nomeações como na constituição do júri, que reuniu 43 elementos entre bartenders, proprietários de bares, profissionais do comércio de bebidas e entusiastas da área, incluindo jornalistas e comunicadores.

A cerimónia culminou com a entrega de duas distinções previamente anunciadas. O Prémio Especial Cutipol Carreira foi atribuído à chef Justa Nobre, reconhecendo o seu notável percurso de mais de 45 anos, em grande parte dedicados às várias incarnações do emblemático restaurante de família, O Nobre. A decisão coube a um painel de 32 chefs de cozinha que integraram o Top 10 ou foram distinguidos com prémios especiais do Mesa Marcada nos últimos cinco anos.

Este mesmo colectivo de chefs atribuiu também o Prémio Especial Maria José Macedo - Produtor / Fornecedor do Ano a Raul Reis, agricultor da Lourinhã que, resgatado à reforma, tem contribuído de forma singular para a valorização de um produto aparentemente simples, mas fundamental na gastronomia: a batata.

Por último, referir que este ano, a cerimónia estruturou-se em três momentos essenciais: uma recepção inicial para confraternização dos convidados, com snacks e bebidas no espaço dos expositores, a entrega dos prémios no auditório, a que se seguiu um jantar volante em formato de degustação, preparado por chefs de restaurantes de Cascais: Diana Roque, do Bougain, Gil Fernandes, do Fortaleza do Guincho, Frederic Breitenbucher, do Albatroz, e Nelson Soares, do Sul
[in press release]
Fotografia: DR

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Barroca da Malhada 2023 Rosé

BARROCA DA MALHADA 2023 ROSÉ | BEIRA INTERIOR | 13,5% | PVP  16,50€
BAGA, TOURIGA NACIONAL
BARROCA DA MALHADA SOC. AGRÍCOLA, LDA
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Estamos perante um rosé que se quer à mesa e que se afasta, claramente, das coloridas e abrasantes beiras de piscina. Mais corpolento, num equilivbrio feliz entre a fruta e as notas mais silvestres e de bosque, é um aliado de luxo em dias quentes para refeições mais complexas, salmão braseado, conservas de peixe, carnes grelhadas mais gordas, com sal como único tempero. 
Cor rosa salmão de tonalidade acobreada, reflexos luminosos, aspecto límpido e jovem. Nariz expressivo, fruta vermelha madura, morango, cereja, ginga, nota floral e fina camada levemente terrosa, bosque, perfil fresco. Boca com volume médio, textura macia, acidez expressiva, com bom comprimento, fruta vermelha madura, ligeiro herbáceo em fundo, com final de boca longo e persistente.

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Raposeira Espumante Reserva Bruto 2019 Branco

RAPOSEIRA ESPUMANTE RESERVA BRUTO 2019 BRANCO | IVV | 12,5% | PVP  6,90€
MALVASIA FINA, CERCEAL, GOUVEIO REAL
CAVES DA RAPOSEIRA, SA
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Um espumante muito honesto, registo com muita frescura e com a fruta a desempenhar o papel principal, num perfil com componente salina muito interessante e representando uma boa opção preço-qualidade. Para começar uma refeição, para picar com frutos secos salgados, descontração e boca companhia. 
Cor amarelo citrino, tonalidade esverdeada, bolha de tamanho médio, persistente, aspecto límpido. Nariz com predominância das notas de fruta, maça, pêssego e citrinos, leves notas de panificação, fermento, com toque de giz, conchas partidas, percepção salina e fresca. Na boca mostra espuma abundante, acidez equilibrada, persistente, oferecendo a fruta fresca, maça verde, casca de limão, com final de boca longo e persistente.