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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

O Melhor Branco de Lisboa para a Revista de Vinhos nasce em Sintra

A Revista de Vinhos destaca todos os anos aqueles que, para os seus críticos, foram os Melhores do Ano nas mais diversas categorias relacionadas com o Vinho em Portugal. Este ano, para minha alegria, mas até direi com alguma surpresa, no Top 30 dos Melhores Vinhos do Ano, que resulta dos milhares de vinhos provados em 2020 pelo painel de provadores da Revista de Vinhos, surge o Quinta de San Michel Arinto 2017, o único nesta curta selecção proveniente da região de Lisboa, nascido numa pequena vinha em Janas, com uma vista deslumbrante para a Serra de Sintra e seus palácios. 
Para além dos 30 vinhos a que a Revista de Vinhos atribuiu o selo de Excelência por considerar se tratarem de vinhos que se destacam pela sua nobreza, carácter, identidade e sublimação, é também apresentada, de forma sucinta e de leitura acessível, aqueles que foram considerados pelo seu painel de provas os vinhos que mais se destacaram por cada região. 
Não deixa de ser curioso que nessa lista figure como o melhor branco da região de Lisboa, tendo até a caneta caído para o erro de o considerar como Colares, o que sendo um erro estranho para a considerada revista, não deixa de ser curioso que o melhor branco da região de Lisboa nasce em Sintra, bem perto do mar, a 5 minutos da Praia das Maças e não é um Colares, mas um Regional Lisboa. 
Em outubro do ano passado havia escrito que o considerava um branco impressionante, nascido em Sintra e parecendo ser, como tantos outros que aqui têm o seu berço, um pouco esquecidos por não poderem ser Colares e, ao mesmo tempo, desenquadrados do regional Lisboa tão abrangente para um terroir tão particular e específico. Que este destaque sirva para puxar todos os outros vinhos de excelência que por aqui se têm vindo a produzir. 
Opinião publicada no Jornal de Economia Local a 10/02/2021

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Os Vinhos Rosé Portugueses Estão Menos Cor de Rosa

*imagem com Direitos Reservados.
Os vinhos rosé portugueses estão menos cor de rosa. E não é só na cor. Apesar de ser um dos tipos de vinhos que mais sofre com o estigma da cor e de preconceitos variados, não podemos ser fundamentalistas e afirmar que não gostamos deles só porque sim, sem os provar e sem lhes dar uma hipótese. 
Julgamo-los à partida. São vinhos para senhoras - dizem muitos-; são restos de vinho branco e vinho tinto - dizem outros tantos -; nem sequer se podem considerar vinho - afirmam com toda a certeza também alguns -; todos eles cheios de certezas, não se apercebendo do que está a acontecer com a qualidade do vinho rosé em Portugal. 
Cada vez mais uma aposta forte de enólogos e produtores, talvez em consequência da actual demanda crescente do mercado, têm surgido néctares rosados, das mais variadas regiões do País, que são autênticas obras de arte, superando até, e em cada vez mais casos, as grandes marcas mundiais reconhecidas como berço natural deste género de vinho.
Fugindo da cor rosada intensa e carregada de outrora, temos agora os rosados mais claros, os salmonados intensos e alguns até quase sem cor. Aromaticamente menos enjoativos, mais elegância, finess e delicadeza, tudo muito mais arrumado e aprumado. Na boca começam a pontuar cada vez mais pela secura e não pela doçura, quantas vezes irritante e potenciadora de ainda mais sede nos causar quanto procuramos exactamente o contrário.
Como apaixonados ou simples consumidores de vinho temos de ter coragem, assumir o risco, sair da nossa caixa onde já conhecemos tudo e experimentar, mesmo que por vezes não tenhamos a experiência mais satisfatória.
Deixo a sugestão de três vinhos rosé que me surpreenderam no último mês. São de três regiões diferentes e cada qual com o seu perfil, mas todos a caminhar na direcção certa, com uma elegância fenomenal, grande aptidão para a mesa e, o fundamental, a darem muito prazer ao serem bebidos.

O primeiro vem da região de Lisboa, do produtor Casal de St. Maria, em Almoçageme, em pleno terroir de Colares, com inflência directa do ventos carregados de maresia e condições metereológicas que só o microclima sintrense consegue oferecer. O MAR DE ROSAS 2019 é um rosé com estágio em barrica, pouco notada, mas que lhe dá uma amplitude enorme. Frutos vermelhos naduros, elegante, seco de boca, dos três aquel com mais volume e macieza, leve e fino. Bebe-se num ápice Peixes no forno, solha, pregado ou então um magret de pato com um risoto simples.(19,90€).

Da região dos vinhos verdes, terroir de Monção e Melgaço, chega-nos o SOALHEIRO 2019 feito a partir das castas Alvarinho e Pinot Noir, salmão intenso e aberto na cor, fruta de pomar e fruto vermelho, cereja, framboesa, acidez no ponto, bela secura, leve e com traço salino final fresco e envolvente. À mesa arriscaria sem medo um bacalhau à lagareiro. (12€)

Por último, o Alentejo mais fresco, bem perto da Barragem de Montargil, o Monte da Raposinha brinda-nos com o MONTE DA RAPOSINHA 2019, um rosé de cor mais carregada, que nos mantém em expectativa até o colocarmos no copo e o bebermos. A fruta vermelha madura destaca-se, ladeada e bem por notas florais bem medidas. Boca com muita leveza, bela acidez, fruta bonita, o mais doce dos três, sem cair no exagero e ao qual juntaria um momento com bom sushi. (7,90€)

Em breve, a não perder aqui no blog, as notas de prova completas dos três vinhos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Vinho A Copo | Uma Oportunidade Perdida?

De regresso ao tema do Vinho a Copo. Parece ser uma solução de grande sucesso em muito países, mas cá pelo Burgo parece-me ser, cada vez mais, uma grande oportunidade perdida. Ainda não percebi se é porque tomamos o consumidor por parvo ou se, de visão turva pelo ambicionado brilho do pote de ouro a todo o custo, se avança, sem a olhar a meios, para aproveitar enquanto os "parvos" não acordam de triste estado de letargia.
Este fim de semana deparei-me com mais uma aberração neste campo. Chamou-me à atenção o facto de haver na carta de vinhos de um espaço comercial onde estive uma série de vinhos a copo. Um primeiro pensamento assaltou-me de rompante -"Espectáculo! Tanto vinho a copo.", para logo de seguida meter a mão no bolso e pensar se não iria ser assaltado de outra forma pois, com os preços praticados, também eu abro um espaço destes e tenho todos os vinhos que quiser servidos a copo.
O vinho a copo mais barato era a 3,50€ (15cl). Branco ou Tinto. A mesma marca. Uma daquelas que vemos sempre nas prateleiras dos supers e hipers na prateleira encostada ao chão. Um vinho cuja garrafa de 75cl se vende no supermercado a cerca de 400 metros de distância a 2,25€. Venda ao público. De certeza que para o estabelecimento comercial deverá ser mais barato. Isto quer dizer que se beber uma garrafa a copo pagarei 17,5€ por uma garrafa que me pode custar 2,25€. Chupa factor x3 no preço de venda ao público na restauração!
Mas a verdade é que os 3,50€ não pagam só o vinho. Não. Pagam também o equipamento que permite com que a garrafa aguente algum tempo depois da garrafa aberta com a mesma qualidade e que aqui não existe pois é fechada com a rolha; mas também paga o copo adequado em que é servido, que aqui escapa (só isso); e o serviço do especialista em vinhos da casa e a sua formação para lhe dar o máximo e que neste caso não consegue abrir garrafa à primeira, quase que parte a rolha e não rebentou uma veia na tempora com a força que fez porque não calhou, mas que no fim exclama bem alto e de sorriso triunfante "Deu luta, mas já está!".
Curioso e admirado fiquei quando a pessoa servida diz para a sua companhia "Tás a ver. Um copo de vinho só 3,50€. Aqui é baratissímo!".
Eles vão acordar.... Bebi uma cerveja artesanal alentejana de 33cl por 3€.

Fotografia: DR

quarta-feira, 14 de março de 2018

Tendências | Vinho Para o Dia-a-Dia

Com este tempo até apetece não sair de casa. O lar doce lar faz mais sentido quando lá fora a temperatura, a chuva e o vento mostram as garras. No entanto, quer seja em casa quer seja num estabelecimento de restauração, o vinho à refeição faz cada vez mais sentido. Não precisamos de beber vinhos especiais todos os dias, mas que os vinhos que bebemos consigam tornar os nossos dias em especiais, principalmente no momento da refeição. Sabe como escolher vinhos para o dia-a-dia? Vamos a mais uma publicação no site Enólogo Chef Continente?
"(...)Beber vinho no dia-a-dia, às refeições e de forma moderada, é um hábito cada vez mais habitual e, bem vistas as coisas, uma forma muito saudável de acompanhar os seus momentos à volta da mesa. (...)" continuar a ler aqui.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Do Vinho Com Ouro 24K a Boiar-me no Copo

 Fotografia de D.R.
O mundo do vinho não cessa de me surpreender com as suas mais variadas formas de mixologia e aproximação ao mundo colorido e versátil dos cocktails. Na verdade nada tenho contra um bom cocktail, mas, mais uma vez, neste caso, poderei aplicar o velho ditado de que nem tudo o que brilha é ouro.
Ao mesmo tempo que vão surgindo no mercado os vinhos da cores mais díspares possível, surgem agora também estas mutações ao nível de bebidas como o Lucky Strike que apelam ao mercado de luxo despido de know how e que apenas gosta do brilho das luzes enquanto a bolsa puder pagar.
Já conhecia esta realidade principalmente a nível de vinhos espumosos, mas desconhecia que a graça também existia em Portugal. Um Douro Reserva por 34€. Dinheiro deitado fora. 
Existem no mercado até este valor tanto vinhos brancos de excelência e que brilharão muito mais no copo e à mesa que este pelo que um vinho assim só pode ser visto como uma brincadeira.  

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O Peso e Formato da Garrafa São Sinónimos de Qualidade do Vinho?

A questão do peso e formato da garrafa de vinho e a qualidade do que lá vem dentro não é, certamente, nova, mas já são inúmeras as vezes com que sou confrontado com situações de afirmação absoluta da qualidade de um vinho quando avaliado, não só o formato da garrafa, como também o seu peso e até o tamanho do buraco no seu fundo. 
O formato mais ou menos excêntrico, com mais ou menos dourados, mais fora do comum e esteticamente apelativa faz soar logo um longo brado de qualidade do produto. Não só qualidade como preço mais elevado e perfeitamente justificado, pois se tem mais qualidade e vem num recipiente tão bonito por certo será e deverá ser mais caro.  
Já o peso da garrafa é um de um efeito olímpico. "Eiche, olha-me só o peso desta garrafa! O vinho deve ser do outro mundo. E até dá para colocar o dedo grande todo no buraco do fundo da garrafa. Fabuloso!". Não há volta a dar. É raro conseguir convencer um consumidor menos conhecedor que nem sempre é assim. Aliás, e que cada vez será menos assim.
Quer num caso, quer no outro, cada vez o mercado é mais inundado com ambas as situações. Questão de marketing dirão uns? Ou mais procura pelo consumidor por este tipo de produto? Por mim pode ter uma justificação qualquer, mas a pergunta que coloco será mesmo se o peso e o  formato da garrafa serão sinónimos de qualidade acrescida num vinho ou mesmo revelador de um produto muito acima da média?
E os grandes vinhos que nos aparecem em garrafas completamente normais? Por qual poder ou magia foram concebidos para chegarem ao patamar de vinhos de excelência sem se mostrarem mais bonitos e pesados?

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Could It Be, The Most Beautiful Road In The World? Could It Be?

Let me begin this post with a warning. Not usual but I believe very important. Beware! You only have 27kms between Régua and Pinhão but this little trip might take you more than one week to complete.
Now that I have your attention let me explain why I had to do it. Many times I have made this road and always had to stop several times because I just could not resist taking some pictures to the amazing landscape that Douro has to offer us in this small track. Along with this couple of kms the road goes right up with the Douro River. So close that you can stop and just by walking some steps easily touch the water. Wonderful view, low traffic and all the aromas in the air makes this a unique moment. I just cannot resist. I always take a lot of time going from Régua to Pinhão.
So, just by the sightseeing, you will see yourself stopping and stopping all the way until your destiny. Take photos or just, like I sometimes do, just stare into the blessed amazing landscape. Breathless!
But this is only part of the journey.
In the other side of the road you have Douro winneries and wine producers, you have enoturism offer, you have some local restaurants and tascas and you have vineyards so close to you has the water of Douro River. Suddenly you realize that you are on the best spot of the planet if you are a winelover, foodie or lifestyle lover. Suddenly this sounds like the perfect place to spend a week or two or a life knowing the vast list of wine producers that offers you some top enoturism.

In just 27 kms you can find some great offers from some wine producers like Quinta de Marrocos, Quinta do Tedo, Quinta do Pôpa, Quinta do Pégo, Quinta das Carvalhas or even, if you are into to food too, the Restaurant DOC from the Chef Rui Paula among many other producers and local gastronomy. What else can you ask for?

Avis recently rated this road as the best of the world. Could it be? Don't believe a word I say, feel free to came and check for yourself.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Vinho & Arte | Vinho, Prazer e Luxuria

Desde sempre que assim é. Não adianta fugir aos lugares comuns. As selfies de outrora em tudo iguais às de hoje. Sempre em festa. O vinho, as pessoas, as amizades e a comida tudo enfiado num pedaço de cor, nas fotografias de outrora.

A trabalheira que seria identificar (tagar) os amigos nestes verdadeiros testemunhos de momentos bem passados em redor do vinho.

Caramba! E a quantidade de mulheres que se juntavam à festa. Não havia cá colas, sumos detox ou águinha com sabores. Era vinho! Era tinto. Já lá dizia um Senhor da nossa Terra "Quando não houver vinho, beba-se branco". Mai nada! 
Continuamos a querer fugir, mas à mesa e com bom vinho, não falta boa disposição. Quem foi que disse "O Vinho é uma prova constante de que Deus nos ama e deseja ver-nos felizes"? Talvez não estejas muito longe da verdade  Benjamim Franklin.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

BYOB, João Afonso e a Revista de Vinhos

Ainda não tinha tido a oportunidade de ler a Revista de Vinhos do mês de Abril e só ontem, num hiato de tempo entre a Apresentação do novo Vinho Verde João Portugal Ramos no Portugal Open e a jornada de futebol europeu do S.L.Benfica,  percorri eu de forma apressada cada uma das suas páginas.  
Travei a fundo na página 93, chamou-me à atenção o título do contra-corrente de João Afonso.  BYOB. Este termo, Bring Your Own Bottle, comummente utilizado para o acto de levar uma garrafa de casa para consumir num restaurante,  aplicou-o João Afonso ao jantares de amigos onde cada um fica de levar uma ou mais garrafas para serem bebidas nessa ocasião. E fê-lo de forma exemplar. Um texto com o qual concordo completamente desde o inicio até ao fim e tendo-me até revisto, por vezes, em algumas situações descritas.
Lembro-me bem, já alguns anos atrás no tempo, de levar ou abrir garrafas de vinho para um almoço ou jantar especial, vinho esse que havia escolhido com paixão e que raras vezes recebiam a atenção que esperava. Para quem bebia vinho este era apenas mais um e mais caro que o habitual, para outros a cerveja ou o refrigerante tomavam-lhe o lugar. De facto, uma desilusão. 
Todavia,  os anos mais recentes trouxeram mudanças neste particular, o número de enófilos aumentou e muito, e os jantares com BYOB tornaram-se o palco ideal para levar aquela garrafa especial, para mostrar um vinho que se tem como diferente e sobretudo para beber e falar acerca do vinho.
Diz João Afonso que "(...)Nada há de mais triste do que abrir uma garrafa de um grande vinho sem termos companhia para bebê-la. O que se pretende é partilhar e aplaudir a obra de arte(...)". E eu brindo a isso.

sábado, 5 de abril de 2014

O Dia Em Que o Chafariz Jorrou Vinho

Em 31 de Janeiro de 1930, data em que o Eléctrico de Sintra chegou às Azenhas do Mar, foi o dia em que o Chafariz das Azenhas do Mar jorrou vinho em vez de água. Vinho de Colares.
Nesse dia em que a linha do Eléctrico atingiu a sua máxima extensão de 14,600 metros e pela primeira vez lá chegou um Eléctrico, Alberto Totta, figura de destaque na região sintrense nos meados do séc.XX e que em 1925, juntamente com António Bernardino da Silva, João Bernardino da Silva e José Maria Tavares, constituíram a Comissão de Melhoramentos das Azenhas do Mar, fez com que o chafariz da Vila jorrasse vinho, fazendo um pouco troça daqueles que, mais cépticos, sempre foram dizendo que o eléctrico só haveria de ali chegar no dia que que corresse vinho do chafariz apostando que da Paria das Maças não passaria.
Enganaram-se. O Eléctrico chegou às Azenhas do Mar e do chafariz foi possível beber vinho em vez de água.

sexta-feira, 14 de março de 2014

BTL 2014 | Enoturismo e Vinho no Cartaz

A edição deste ano da BTL já abriu as suas portas ao público e até o próximo domingo, dia 16 de Março, é aproveitar para marcar as suas férias de sonho por um preço mais baixo e se possível até apanhar uma borla num dos muitos passatempos que vão surgindo nestes dias.

Contudo, a minha visita não teve esse objectivo. Todos já devem ter ouvido ou lido recentemente que o vinho ultrapassou o sol e o mar como maior atributo turístico de Portugal. Assim sendo, lá fui eu em mais uma demanda das minhas na procura do Enoturismo em Portugal. 

Num primeiro flash, a sensação com que fico é que esta edição da BTL de Lisboa tem mais promoção Enoturistica e ao vinho que as de anos anteriores. Os produtores habituais voltam a estar presentes, mas encontrei muitos pequenos produtores e muitas novidades principalmente em espaços dedicados às regiões que se querem mostrar também como produtoras de vinho e com condições para o Enoturismo.
Num segundo take, noto que ainda temos muito para fazer em relação à promoção correcta de um produto que toda a gente pensa que tem a razão absoluta sobre o que faz. 

Volto a repisar. Promover vinho em copos de plástico com formatos ridículos, não só é horrível como é a forma mais fácil de estragar o vinho. E não me venham com a história de não poderem utilizar copos de vidro no evento pois provei alguns vinhos por copos excelentes para a prova e outros traziam consigo alguns copos que disponibilizavam caso fosse necessário em alternativa aos de plástico.

Outra coisa, e isto é o que há de interessante em percorrer este tipo de feira em modo desconhecido, é a forma como alguns promotores, que pouco sabem de vinho, debitam palavras decoradas para a pessoas que vão provando o vinho. Felizmente cada vez são menos, mas ter de ouvir coisas como "(...)esse vinho é só com a casta Arinto. Seco, seco, o Arinto é sempre assim, seco como tudo e não há volta a dar(...)" confesso que não me deixa nada sorridente.

Mas cada vez temos melhores exemplos. Por isso, deixo-vos o repto. Visitem a BTL e procurem os pontos com Enoturismo. São uma excelente oportunidade de conhecer mais e melhor o tema Vinho e ao mesmo tempo... são férias.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Vinho a Copo - Ainda Um Longo Caminho

Em 1941 a SCC (Sociedade Central de Cervejas) criava em Portugal a Imperial, uma marca de luxo que ainda hoje é sinónimo de cerveja de barril servida a copo. Imperial ou Fino, como é mais conhecida no norte do País, a verdade é que este conceito de cerveja sempre teve junto a si alguns pontos que, em caso de falha, dá desde logo reclamação. O facto de vir num copo próprio e de ser servida a uma determinada temperatura. Se vier num copo de servir o galão, há reclamação e se vier à temperatura ambiente ou mesmo quente... há reclamação. Concordam? Quem é que já passou por isto e reclamou? Muitos...
Agora digam-me lá quantos de vocês já reclamaram ou recusaram um vinho por vir num copo incorrecto e à temperatura errada? Poucos...
Por outro lado temos o factor preço. Ainda há pouco tempo tive uma experiência que me diz muito das escolhas por esses restaurantes fora. Cerveja Preta, marca nacional, garrafa de 33cl, fresca, num copo adequado e serviço adequado: 2,50€; copo de vinho branco, marca nacional gama de entrada e cuja garrafa podemos encontrar num qualquer supermercado a 3,00€, copo adequado, cerca de 20cl, temperatura mais ou menos correcta: 4,90€. Como é possível??? 
Já não vou pelo serviço que continua a ser feita na maior parte de forma um pouco desleixada e pouco profissional, mas... será que é assim que queremos convencer o consumidor a escolher o vinho a copo?

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O consumidor de Vinho prefere a novidade ou a estabilidade?

Às vezes dou por mim a pensar um bocadinho. Eu sei. É melhor não fazer disso um hábito pois pode haver quem não goste. Mas a verdade é que às vezes lá aparecem aquelas interrogações, talvez devido à minha formação em Filosofia, e chega um momento que tenho de publicitar esses meus pensamentos.
A minha atenção vai desta vez para uma particularidade nos hábitos de consumo de vinho que, sem querer, tenho sido confrontado por diversas vezes.
Tenho observado ultimamente os hábitos do que chamarei normal consumidor de vinho, em contraposição a um tipo diferente de consumidor com o qual me identifico, e constato que uma grande parte desse número de consumidores de vinho quando encontra um vinho que gosta e a um preço que lhe agrada dificilmente muda num determinado período de tempo, tempo esse de média/longa duração.
Não é difícil ver aquele consumidor que até já sabe onde está a garrafinha que normalmente compra. Nem olha para as outras. A desviar o olhar só se para algum papel de cor berrante a indicar claramente PROMOÇÃO. Com o actual momento económico existe até o escudo da relação qualidade/preço que se levanta com muito mais rapidez que no passado. Se gosto e é barato porque haverei eu de mudar? - Ouço por vezes dizer.
Se estas minhas primeiras conclusões empíricas se confirmarem por mais alguns de vocês, isto quer dizer que toda a diversidade de vinho que existe em todo o mundo está na verdade apenas disponivel para alguns? Ou será que estou a generalizar demasiado?
Falando por mim, que estou sempre a querer conhecer vinhos novos e à procura de experiências novas, soa-me estranho ouvir certas frases de pleno conforto. Estou bem aqui por isso não arrisco. Daquele lado pode ser melhor, mas e se depois não é?
Compreendo assim que o trabalho de um novo produtor no mercado seja uma autêntica guerra. E quem diz o produtor diz a região produtora ou mesmo o tipo de vinho. - Eu só bebo tinto e do Douro. Branco é muito fraquinho, ácido ou o camandro de outra desculpa qualquer. Quem nunca ouviu dizer isto que ponha aqui um comentário. E as desculpas para os Rosé ainda são mais estapafúrdias. - Isso é restos do que não se vendeu de tintos e brancos, dizem alguns. Como gostamos de arranjar umas bruxas em tudo.
Quando encontro um vinho que me é desconhecido e que me agrada pergunto onde se vende. A resposta nesses casos prima sempre por uma delimitação de locais muito definida e às vezes ainda e só nas próprias adegas. Deixo o repto. Bora lá sair da zona de conforto e experimentar mais, viver mais o vinho e dar a oportunidade ao vinho para viver.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Vinho Artesanal?

A semana passada tive a oportunidade de provar um vinho ao qual posso chamar de artesanal ou também vinho do desenrasco. A ideia de que qualquer um pode fazer uns litros de vinho foi-me vendida num ápice. A receita parece ter sido simples. Cachos de uva já colhidos tardiamente, castas de uva branca e tinta sem a mínima noção de que tipo de castas estariam no lotes, pisa em recipientes plásticos de larga capacidade e estágio em barrica de pvc por cerca de 3 meses. Ufa, isto de fazer vinho parece obra simples. Até parecia pelo que fui ouvindo. A curiosidade de conhecer o resultado ia aumentando.
Dos presentes que já haviam provado e bebido esta colheita de 2011 a percepção era unânime. Um vinho pouco encorpado, boa cor, leve, com pouco álcool e que parecia um sumo de fruta com algum grau alcoólico. Um experiência engraçada a repetir, com melhores resultados, para o ano - disseram bem alto.
Vamos então a isso. Directos para a adega. Chegando lá.... medo! Engarrafado em garrafas de Martini??? Ui, que se me afunila a garganta. Copo com ele. Vamos a isso.
Cor semelhante a um rosé com tonalidades mais escuras, com algumas impurezas, pequenos flocos brancos, estranho, nem quis saber. Aromas químicos, cola, verniz, com intensidade suficiente para cobrir tudo o que pudesse haver ali de suminho de fruta. Nada. Só a bela da cola cristal. Boca também ela desequilibrada, com passagem dos químicos também na boca. Bah. Deixa-me cuspir isto antes que me faça mal. Esqueçam lá o PVC que isso matou o vinho por completo. Engano meu? Continuaram a bebe-lo como se não houvesse amanhã. "Assim é que ele é bom. Levezinho e com pouco álcool." Pois fiquem lá com ele.
É isto o que podemos chamar de vinho artesanal? Penso que não e espero bem que não se pense nisto como uma forma rústica de produzir o próprio vinho. Mas o facto é que há consumidores que o preferem ao vinho de venda. Será mesmo assim? ou apenas areia para os olhos?