terça-feira, 2 de agosto de 2022

Quinta do Vale D. Maria Vintage Port 1999

QUINTA DO VALE D. MARIA VINTAGE PORT 1999 | PORTO | 20% | PVP  85€
VÁRIAS BLEND DOURO VINHAS VELHAS
LEMOS & VAN ZELLER, LDA
17,5

Provavelmente o melhor Porto Vintage de 1999 que bebi até hoje tendo a mesma sido bebida a uma distância de mais de 20 anos. Surpreende em todos os planos. Apesar de já ter perdido muita da sua coloração está com uma luminosidade e limpeza magnífica e depois, tanto no plano aromático como de boca, a elegência e vida é enorme.
Fez companhia a vários momentos à mesa. Desde um Petit Gâteau de chocolate preto até uns pedaços gulosos de queijo Stilton.
Cor vermelho de tonalidade âmbar escuro, algum alaranjado e esverdeados a sobresair no bordo do copo, muito lúminoso, límpido e cativante. No nariz mostra exuberância de aromas, licor de ameixa preta, fruto passa caramelizado, fruto seco torrado, melaço, harmonioso, mantendo uma frescura natural, especiaria exótica, pimenta rosa, alcaçuz, bancada de frutos cristalizados, desafiante, vivo, Boca com volume, textura macia, aveludada, aguardente completamente ligada, bela acidez, mais fruto seco torrado, notas leves de caramelo, rebuçado da Régua, com doce bem colocado, com estrutura, oferecendo um final de boca longo e persistente.

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Arribas Wine Company - O Potencial das Arribas do Douro

Arribas Wine Company é um nome com poucos anos de vida no panorama vínico português e que poucos terão ouvido falar. Em 2017, Frederico Machado e Ricardo Alves decidiram, após várias experiências nacionais e internacionais, ter chegado o momento de desenvolver um projeto mais pessoal e que refletisse a filosofia de ambos.
Os laços familiares fizeram com que rumassem a norte, até à região de Trás-Os-Montes. Conta Frederico que seu Bisavô e o Avô eram de Bemposta, em Mogadouro e que, por sugestão de seu Pai, por ali começaram a procura por vinhas velhas. 
 
Não demorou muito a encontrarem o que queriam e, pouco tempo depois,  saía para o mercado o primeiro  vinho: o Saroto 2017 tinto que provei na altura e que, para além do nome que muito me dizia pelas minhas raízes transmontanas, vi um vinho diferente, com pernas para andar e com um perfil fresco, mais leve, com uma secura apetecível. Ficou na memória. Mais tarde bebi o Saroto 2018 branco, mais dificil de entranhar, mas sempre no sentido de despertar a curiosidade para o futuro que fui conhecer de perto há bem pouco tempo.  
 
As vinhas velhas de onde hoje nascem uma série de referências estavam na sua maior parte esquecidas, praticamente deixadas ao tempo, abandonadas ou com um tratamento débil e em pré-abandono devido à idade dos seus proprietários. Aos poucos foram recuperando parcelas e mais parcelas e o mosaico de castas foi aumentando, contando com castas brancas como a Malvasia, o Verdelho, o Bastardo Branco, o Posto Branco e o Rabigato; e tintas como o Verdelho Vermelho, a Tinta Gorda, o Bastardo, o Alfrocheiro, o Rufete, a Tinta Serrana, entre muitas outras.
 
A oportunidade de com eles visitar uma destas vinhas apenas tornou esta experiência ainda mais inesquecível. Vinhas de altitude, em plenas Arribas do Douro, com vista para Espanha, onde a denominação de Arribes Del Duero existe e faz todo o sentido existir e/ou "co-existir" com as Arribas do Douro portuguesas ainda sem denominação oficial. Potenciar o terroir Arribas do Douro?
 
Depois a passagem pelas adegas. Quando vos falarem em vinhos de garagem venham conhecer estes Homens. Primeiro fui até Travanca (a mais recente) e depois até Bemposta, ambas em Mogadouro e com pouca distância entre elas, mas o conceito é o mesmo, embora em Travanca já haja mais espaço e possibilidade de crescimento. Perdi a conta aos vinhos provados nesta manhã, todos directos de barrica ou inox, os Saroto (branco, tinto e um rosé/palhete), o Quilómetro, o Raiola, o Manicómio resultande de parceria com Dirk Niepoort e outros que ainda não se podem dizer. Fiquei com a certeza do grande trabalho que aqui é feito. Viticultura tradicional e sustentável e vinificação de intervenção mínima são os fios condutores deste projeto que procura elevar todo o potencial das Arribas do Douro e "salvar" muitas das vinhas velhas outrora votadas ao esquecimento. Parabéns!

ARRIBAS WINE COMPANY
TRÁS-OS-MONTES
 
Onde comprar:

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Casa Velha Grande Reserva 2019 Branco

CASA VELHA GRANDE RESERVA 2019 BRANCO | DOURO | 13,5% | PVP  15€
VIOSINHO, GOUVEIO, ARINTO, RABIGATO
ADEGA COOPERATIVA DE FAVAIOS, CRL
17,5

O planalto de Favaios proporciona um Douro mais fresco que se quer afirmar, para além do Moscatel, também na produção de vinhos brancos de qualidade. As uvas e parcelas que a equipa de enologia conhece melhor e que oferecem, de forma sistemática, os melhores resultados são usadas para criar o blend deste vinho e o resultado merece toda a atenção. 
Primazia à fruta, à sua frescura e elegância e ao casamento da notas vindas do descanso em barricas. Em bela forma aconselho juntar-lhe à mesa um belo pregado de mar assado no forno com uns salpico limão e umas nozes de manteiga a derreter no final.
Cor amarelo citrino intenso, tonalidade esverdeada, aberto, límpido e de aspecto jovem. No plano aromático lugar ao fruto citrino maduro bem casado com bem medido tropical, mantendo-se esta fruta acima de um leve perfumado floral e de notas de especiaria e tostados bem delicados, apenas actuando como correcto tempero do conjunto. Mostra mais as garras nas prova de boca, com algum volume, textura macia e cremosa, aliada à sua acidez vincada, com fruta citrina sumarenta, acídula, mostrando um conjunto harmonioso, mostrando também aqui a boa ligação com as notas vindas do estágio em barrica, terminado longo e persistente.

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Índio Rei 2018 Tinto

ÍNDIO REI 2018 TINTO | DÃO | 13% | PVP  5,50€
TOURIGA NACIONAL, ALFROCHEIRO, JAEN, ARAGONÊS
AMORA BRAVA UNIP, LDA
16
 
Atraente no plano visual, despertador da curiosidade vínica, revela ser um Dão muito bem feito nesta gama de preço, moderno, mas sem esquecer o berço e preparado para a mesa com pratos à base de carnes vermelhas dando espaço para viajar até ao receituário mais complexo dos pratos com carnes de caça.
Cor vermelho rubi de média concentração, tonalidade mais aberta no bordo do copo, aspecto límpido e jovem. No nariz mostra a fruta vermelha e preta madura fresca e jovem, bem definida, perfumado floral bem medido, nota de bosque, pinhal, respirante, fresco. Boca com volume médio, bom corpo, textura macia, polida, com acidez no ponto, leve secura, fruta vermelha sumarenta, tanino presente, sólido, conjunto uniforme com final de boca longo e persistente.

terça-feira, 26 de julho de 2022

Herdade Grande Dama do Monte 2020 Branco

HERDADE GRANDE DAMA DO MONTE 2020 BRANCO | ALENTEJO | 13% | PVP  8,90€
VERDELHO, VIOSINHO, ANTÃO VAZ
HERDADE GRANDE - ANTÓNIO MANUEL LANÇA
16
 
Capta a atenção pelo colorido do rótulo, a cargo do artista Alcides Malaika, pelo nome e por ser novidade.É um tributo deste produtor à mulher , em particular à mulher alentejana, uma nobre força de trabalho que é igualmente génese e âncora da família.
Vinho versátil à mesa, a ligar primariamente com peixe na grelha, mas a ir até um receituário mais complexo como cataplana de peixe e mariscos diversos. 
Cor amarelo citrino com leves nuances esverdeadas, aspecto límpido, jovem e brilhante. Plano aromático elegante, com a fruta citrina e de pomar maduras a disputarem o foco principal, ligeiro tropical a compor, notas salinas, mineral, pedra lascada. Boca com volume médio, acidez equilibrada, em tensão e persistente, textura macia, citrino verde, algum picante, longo no final de boca.