domingo, 29 de janeiro de 2023

Vieira de Sousa | Legado Familiar Registado em Novos Vinhos do Porto

A presença e história da família Vieira de Sousa na região demarcada do Douro é já bastante longa e rica apesar de apenas em 2008 ter sido criada como empresa a Vieira de Sousa Vines & Wines. Produtora de Vinho do Porto há cinco gerações, altura em que o tetravô de Luísa e Maria Borges registou esta marca de vinhos do Porto, conta com um imponente espólio de vinhos do Porto antigos, um factor que, aliado à recente determinação do Instituto de Vinhos do Douro Porto em autorizar a categoria especial de Vinho do Porto com 50 anos, deu o mote para o lançamento do Vieira de Sousa Porto Tawny 50 anos.
Ao mesmo tempo, e não ofuscando o brilho de um momento especial como este, a estreia do primeiro Vieira de Sousa Porto Colheita Branco, um single harvest white de 2003, rodeado de muita expectativa e entusiasmo.
 
VIEIRA DE SOUSA PORTO TAWNY 50 ANOS | PORTO | 20,5% | PVP 234€
VIEIRA DE SOUSA VINES & WINES, LDA
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Cor acastanhada, com reflexos esverdeados mais abertos e luminosos, bem demonstradores da idade deste néctar. No nariz apresenta enorme riqueza e complexidade, intenso, aparecendo as notas de fruto seco tostado, amêndoa, noz, avelã, figo seco, torrefação, caramelo torrado e alguma caixa de tabaco, Desafiante e vivo. Opolento de boca, cheio, textura voluptuosa, macia, mostrando um perfil ligeiramente mais seco e menos gordo que o habitual neste tipo de Porto, continuando a mostrar a riqueza e complexidade já desfrutada no nariz, doçura especiada, bolo inglês, café torrado, com final de boca interminável e de grande elegância.  

VIEIRA DE SOUSA PORTO COLHEITA BRANCO 2003 | PORTO | 19,5% | PVP 48,60€
VIEIRA DE SOUSA VINES & WINES, LDA
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Cor âmbar brilhante, definido, ligeiros esverdeados, aberto, luminoso, cativante. No plano aromático revela elegância e frescura, com notas de fruta e caroço amarelo com apontamentos frescos citricos, alguma flor branca, ligeiro fruto seco, bem ligados, sensação de mel e fina especiaria exótica. Boca aveludada, textura macia, com doçura bem medida, com acidez fina e acutilante, notas de fruta passa e seco com ligeiro torrado, amplo, com eficiente conjugação da especiaria com o conjunto, longo final. 
 
A minha sugestão de casamento à mesa para o Vieira de Sousa Porto Tawny 50 anos passaria por um leite creme caseiro queimado no momento, um pão de ló de Ovar com Gelado de Amêndoas ou uns queijos de pasta mole com uns frutos secos a dar o lado crocante.  No caso do Vieira de Sousa Porto Colheita Branco 2003 opção pelo crumble de maça, tarte de amêndoa ou um desafiante foie gras mi cuit de pato como entrada. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Carm CM 2011 Tinto

CARM CM 2011 TINTO | DOURO | 14,5% | PVP  76€
TOURIGA NACIONAL, TINTA RORIZ, TOURIGA FRANCA, 
CARM-CASA AGRÍCOLA ROBOREDO MADEIRA, SA
17,5

O topo de gama deste produtor, que apenas é lançado em anos cuja colheita, pela sua qualidade elevada, assim o exige. Após mais de 10 anos em longo sono, foi aberta com tempo e deixada a respirar por algum tempo. Mantém a traça jovem, vivaz, com a fruta em destaque, mas mostrandoo o seu lado complexo e rico em todos os momentos de prova. À mesa inclina-se todo para os pratos de carne, pratos regionais cheios de sabor, carne de caça e cozinha de aconchego.
Cor vermelho rubi concentrado, escondendo a sua idade, algum violeta denso, aspecto límpido e ainda jovem. No plano aromático revela intensidade e exuberância, com a fruta preta madura na frente, ameixa, cereja, amora, floral bem medido, violeta e alguma esteva, com as notas de barrica ligadas, cacau, folha de tabaco, algum fumado, especiado fino, leve hortelã da ribeira em fundo, rico e complexo. Volumoso e estruturado de boca, enche o palato, denso, amaciado pelo tempo, veludo, gordo, acidez bem medida, fruta em bom plano, fina sensação de compota, tanino polido, especiado atraente, final de boca longo e persistente.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Legacy Winery Restaurant - Estremoz

O Legacy Winery Restaurant, em plena Herdade das Servas, Estremoz, é a mais recente aposta do produtor Luís Serrano Mira, que vê nesta renovação do espaço um importante passo para a valorização do projecto Herdade das Servas e com a vertente de enoturismo a ganhar aqui um importante aliado. 
A existência de um restaurante no edifício da propriedade vitivinícola alenteja não é propriamente uma novidade, tendo havido uma anterior exploração em regime de concessão desde 2014 até meados de 2020, todavia, desde finais de Outubro de 2022, e com Luís Serrano Mira à frente do leme e com um modelo idealizado por si, o espaço promete deixar marca no paronarama gastronómico da região e ser uma mais valia para quem procura lugares de bem comer e ser feliz.

Na cozinha, as mãos do chef Luciano Baldin, à frente de um menu de cozinha contemporânea, embora inspirada nas tradições e heranças do Alentejo, fiel aos aromas e sabores ricos da região, apostando também no produto como factor de diferenciação e garantia de sustentabilidade.

As propostas vão desde um couvert tipicamente alentejano, passando por entradas, pratos principais e as sempre tentadoras sobremesas. Ao todo 23 pratos à escolha, num conceito que pretende passar a ter duas cartas de estação, uma primavera/verão e outra outono/inverno e assim permite opções mais objectivas e adequadas a cada momento do ano.

A nossa experiência começou pelo apreciado couvert alentejano no qual o pão é obrigatório e guloso, assim como as autênticas delicias para ir picando enquanto não chegam as entradas como o azeite, as manteigas de alho e de chouriço, o patê de almeice e o piso de azeitonas.

De seguida, em jeito de convite ao sabor e para começar o Torricado de Perdiz em Escabeche, delicioso, cheio de sabor e frescura; e o Bacalhau, Hummus de Grão e Agrião que é de comer e chorar por mais, apetecendo mesmo ficar com uma travessa desta iguaria só para nós. 

Sem perder tempo chega à mesa o vistoso Ovo Cremoso com Couve-Flor, Crocante de Boa e Paia de Chouriço. Ligação de todos os elementos na perfeição, o ovo no ponto ideal, a escorrer e a embeber com cuidado a cama crocante, sabor, obrigatório.

Os pratos quentes principais trouxeram, como primeira experiência, o sabor marítimo do Polvo Braseado com Migas de Tomate e Acelgas, funcionando num registo terra-mar bem conseguido, com o polvo em cozedura perfeita e aquelas migas de tão boas que pareceram pouco. 

Já na carne, o Carré de Borrego de Pasto com Batatas Assadas, Castanhas e Romesco levantaram-me para o aconchego dos sabores, envolvência para dias frios como os actuais e a pedir o Herdade das Servas Vinhas Velhas tinto acabinho de sair e que casou na perfeição com este conjunto.

Para terminar, e como não podiamos sair sem comer algo doce, fomos brindados com mais um dos obrigatórios da casa. Uma autêntica perdição que não hesitarei em repetir num próximo regresso apesar de todas as calorias que possam por ali estar escondidas. O Pudim de Azeite e Mel com o Sobert de Tangerina é qualquer coisa a roçar entre o inferno e o céu. É comer e aproveitar o momento.

No final há sempre tempo para dar um saltinho à loja de Vinhos da Herdade das Servas e levar uma recordação em forma de garrafa para desfrutar em casa com os amigos.
 
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LEGACY WINERY RESTAURANT 
Tipo de Cozinha: Contemporânea / Alentejana
Copos de Vinho Adequados: Sim
Vinho a Copo: Sim
Estacionamento: Sim.
Horários: Quarta a Sábado, das 12:30h às 16:00hm e das 19:30h às 23:00h; Domingo, das 12:30h às 16:00h 
Preço Médio Refeição s/bebidas: 35€

Morada: Herdade das Servas, 7101-909 ESTREMOZ
Telefone:  +351 268 098 080

Viña Tondonia Reserva 2009 Tinto

VIÑA TONDONIA RESERVA 2009 TINTO | RIOJA (ESP) | 13% | PVP  39€
TEMPRANILLO, GARNACHA, GRACIANO, MAZUELO
R. LOPES DE HEREDIA VIÑA TONDONIA, SA
18

Cada vez que me cruzo com os vinhos deste produtor é inevitável a percepção do trabalho de excelência dada a sua elevada qualidade, mas também sou assaltado por um constante estado de espanto não só pela jovialidade com que os vinhos chegam ao mercado, vinhos com mais de 10 anos de idade, como também pelo número elevado de garrafas produzidas com este perfil (nesta colheita 170.000).  
Estamos no inicio de 2023 e a colheita mais recente no mercado é a 2011. Sem pressas. Mantendo o que o caracteriza. Longo envelhecimento em barrica e posterior repouso em garrafa, longa capacidade de guarda, não deixando ninguém indiferente e saindo a um preço relativamente democrático, face à qualidade do vinho, quando chega ao mercado. 
Destaque também para a sua versatilidade à mesa embora o prefira e o recomende para pratos de conforto, com carnes vermelhas, cogumelos, longas cozeduras e molhos complexos e ricos.
Cor vermelho luminoso, concentrado, auréola destacada, límpido e escondendo a sua maior idade. No nariz somos assaltados pela sua riqueza e elegância, fruta vermelha e preta madura, fresca, cereja, morango, amora, com as notas provenientes do longo estágio em barrica a mostrarem-se num conjunto harmonioso, notas de couro, folha de tabaco, caixa de charutos, turfa húmida, alguma baunilha, canela, pimenta moída, todo um arranjo vivo e fresco. Cheio de força e jovialidade na prova de boca, estruturado e volumoso, textura macia e aveludada, mastigável, secura fina, com alguma boa tensão, tanino redondo, presente, mostrando a fruta bem definida e bonita e ligada às percepções deixadas pela barrica e ao seu lado mais especiado, formando um conjunto sedutor, uno, com um final de boca que parece não ter fim. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Vale de Ancho Reserva 2012 Tinto

VALE DE ANCHO RESERVA 2012 TINTO | ALENTEJO | 14,5% | PVP  45€
ALICANTE BOUSCHET, PETIT VERDOT
MENIR BR SOCIEDADE AGRÍCOLA, SA
17,5

A palavra "Clássico" parece andar um pouco gasta nos últimos tempos, mas este Vale de Ancho é, sem dúvida alguma, um dos vinhos onde ela se encaixa na perfeição. Olhamos sempre para eles num mix de admiração e expectativa sempre que sai uma colheita ou sempre que estamos perante uma garrafa. Estará à altura? Este respondeu afirmativo nos dois momentos em, que o provei.
Em Maio de 2022 cruzei-me com ele a primeira vez, ambiente alentejano, gastronomia regional e a sua presença natural a maridar cada momento. No final do mesmo ano fiz questão em voltar a ele. Não me enganou. Rico de aromas, com a fruta preta a ligar-se com notas especiadas, bosque e algum hortícola, mostrando estrutura, textura aveludada, envolvente, num conjunto uno e cheio de potencial de futuro quando esquecido na garrafeira. Lá ficarão.
Cor vermelho rubi concentrado, auréola mais luminosa, aspecto límpido e jovem. No plano aromático revela fruta preta madura, fruto silvestre e de árvore, amora, cereja, ameixa preta, lado a lado com notas de madeira exótica, cedro, especiaria fina, torrefação, rama de tomateiro, turfa húmida, nota mentolada evidente, complexo, rico, vivo. Boca com estrutura, volume, encorpado e a mostrar uma juventude e vida imensa, macio e aveludado, acidez equilibrada, boa secura, tanino poderoso, mas polido, conjunto equilibrado, sólido, mostrando o lado especiado e de estágio em barrica de forma subtil, final de boca longo e persistente.