quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Ravasqueira Late Harvest 2017 Branco

RAVASQUEIRA LATE HARVEST 2017 BRANCO | MESA | 11,5% | PVP  10€
VIOGNIER
SOCIEDADE AGRÍCOLA D. DINIZ, SA
16

A última colheita desta referência acaba por me encher mais as medidas em relação à sua predecessora. Em todos os aspectos mais limpo e fresco, assim como um no seu equilíbrio entre a fruta madura, mais doce, a textura macia e ligeiramente untuosoa e uma acidez refrescante e harmoniosa.
Cor amarelo citrino, ligeiros esverdeados, aberto, aspecto limpo e brilhante. No nariz a fruta amarela madura e tropical mostra frescura, perfumado, flor branca, fresco mentolado. Na boca mostra cremosidade, corpo, ligeira untuosidade, doce frutado, pêssego e ameixa amarela maduras, acidez no ponto, final longo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Casa Agrícola Horácio Simões | Alma Familiar Num Corpo Virado Para o Futuro

A Casa Agrícola Horácio Simões conta já com mais de 100 anos de vida, aliás, com data de berço a 1910, estamos já bem perto de atingir os 110 anos. A Adega, de pequenas dimensões, fica mesmo no centro da Quinta do Anjo, em Palmela, completamente inserida no casario tradicional e nas ruas estreitas e traçado mais antigo.
Curioso que a entrada dos visitantes para Adega se faça a partir de um pequeno café, com loja dos produtos ali produzidos, mas também de produtos agrícolas de pequenos produtores da região. Enquanto esperava, lá fui deitando o olho aos figos e tomates coração de boi que chegavam em pequenas caixinhas por um Senhor da Terra que aproveitou para ali tomar o primeiro café do dia. 
Como é compreensível, não é um dos maiores produtores desta região, mas sempre foi um nome ao qual me acostumei desde há muitos anos devido ao seu Moscatel Roxo.
Na companhia de Pedro Simões foi possível efectuar uma rápida, mas objectiva visita à Adega e provar alguns ensaios feitos a partir da casta moscatel que mostram bem que, apesar de aqui viver um Alma Familiar, o carácter experimental, inovador e de olho no futuro está bem presente.

Destaco o ensaio 1994 de Moscatel Roxo. fresco, elegante e vivaz, assim como o equilíbrio e jovialidade do ensaio 1986 de Moscatel Setúbal.
No lado mais experimental mencionar o Moscatel Roxo 2010 Barco Évora, ainda a dormitar nas barricas. Foram 10 barricas de Moscatel Roxo 2010, a qual existe no mercado, que andaram a passear no Barco Évora de Setúbal para Lisboa e regresso. Em 2020 se verá melhor o resultado.
Por fim, provou-se o mais espantoso projecto que conheço no vinho moscatel. A partir das castas Boal, Moscatel Roxo e Moscatel de Setúbal e da colheita que sofreu directamente o impacto dos incêndios de 2016, foi produzido um moscatel que primero estranha-se e depois entranha-se. Fumados intensos marcam quer o plano aromático quer o gustativo. Uma verdadeira experiência de enologia de experimentação.
Depois, provar os engarrafados. E aqui não foi só de Moscatel que se falou.

FAMÍLIA HORÁCIO SIMÕES TRADIÇÃO BOAL 2016 BRANCO | PENÍNSULA DE SETÚBAL | 12,5% | PVP 8€ 
BOAL 
HORÁCIO DOS REIS SIMÕES
15,5
Cor amarelo citrino, limpo e jovem. Nariz fresco, com notas muito exuberantes a fruta citrina, fruta de caroço, pêssego, alperce, toque mineral e fresco. Boca com bela secura, citrino, equilibrado e fino, terminado longo. 

FAMÍLIA HORÁCIO SIMÕES GRANDE RESERVA 2016 BRANCO | PALMELA | 13% | PVP 20€ 
BOAL 
HORÁCIO DOS REIS SIMÕES
17
Cor amarelo citrino, intenso, limpo. Nariz com notas de fruta de amarela, caroço, citrinos, alguma cera de abelha, barrica presente, mas ligada, complexo e fresco. Boca com acidez, pujante, complexo, estruturada, notas de laranja, macio, algum volume, final persistente.  Que belo branco.

FAMÍLIA HORÁCIO SIMÕES TRADIÇÃO 2015 TINTO | PENÍNSULA DE SETÚBAL | 14% | PVP 8€ 
CASTELÃO 
HORÁCIO DOS REIS SIMÕES
16
Cor rubi, media concentração, limpo. Aroma com a fruta vermelha madura a mostrar a sua cara, toque tostado leve, integrado, perfil fresco. Boca expressiva, corpo, acidez, adstringência natural da casta, fruta preta madura, ligeiro especiado, termina longo. 

FAMÍLIA HORÁCIO SIMÕES GRANDE RESERVA VINHAS VELHAS 2015 TINTO | PENÍNSULA DE SETÚBAL | 15% | PVP 20€ 
CASTELÃO 
HORÁCIO DOS REIS SIMÕES
17,5
Cor rubi intenso, violetas definidos, limpo. Nariz profundo, fruta preta madura, ameixa e ginja em compota, especiados finos, notas balsâmicas, ligeiro toque respirante e fresco. Boca com estrutura, cheio, com tanino polido, um pouco seco, fruta madura fresca e cativante. Equilibrado, com final de boca longo e com grande potencial de guarda.

FAMÍLIA HORÁCIO SIMÕES SEGREDOS 2016 TINTO | PENÍNSULA DE SETÚBAL | 13,5% | PVP 14€ 
HORÁCIO DOS REIS SIMÕES
17
Cor avermelhado, aberto, limpo. Aromas florais, muita fruta vermelha, alguma bergamota e tapenade de azeitona preta. Na boca quase que se deixa trincar, bela textura, mas ao mesmo tempo com leveza, elegância e frescura. Final de boca cheio e longo.

FAMÍLIA HORÁCIO SIMÕES BASTARDO 2013 LICOROSO | PENÍNSULA DE SETÚBAL | 19,5% | PVP 20€ 
BASTARDO 
HORÁCIO DOS REIS SIMÕES
16,5
Cor âmbar escuro, intenso e definido, de aspecto limpo. No nariz a complexidade dos aromas a fruta passa, figo seco, alperce e uva passa, frutos secos, nozes, especiaria fina e frescura. Na boca mostra textura cremosa, untuoso e macio ao toque, polido e redondo, a terminar longo e com muita frescura.

HORÁCIO SIMÕES EXCELLENT MOSCATEL ROXO | PENÍNSULA DE SETÚBAL | 19% | PVP 50€ 
MOSCATEL ROXO 
HORÁCIO DOS REIS SIMÕES
18
Este moscatel nasce do blend das 3 melhores da década 2000. É apenas a 2ª edição e anos de 2001, 2003 e 2007 e  mais 2 anos de barrica do que a edição anterior fazem a magia.
Cor âmbar limpo, definido, limpo, com auréola esverdeada. Aromas de grande complexidade, florais delicados, frutos secos, algum toffee de café e caramelo, vinagrinho fresco, limpo, complexo, sempre a evoluir. Grande boca, acidez no ponto, suave e macio no toque, com uma untuosidade sedutora, notas de laranja confitada, fresco e de final longo e prazeiroso.

domingo, 4 de novembro de 2018

Beyra 2017 Rosé

BEYRA 2017 ROSÉ | BEIRA INTERIOR | 13% | PVP  4,49€
TINTA RORIZ
RUI ROBOREDO MADEIRA VINHOS, SA
15,5

Mais uma vez as vinhas de altitude a fazerem das suas. Proveniente de vinhas situadas a cerca de 750 metros acima do nível do mar chega um rosé pleno de frescura, cor da moda e, apesar de ligeiro adocicado de boca, um opção bem em conta para rosé que não se fica pelo momento social.
Cor salmonado, aberto, aspecto límpido e jovem. No nariz a fruta vermelha e preta madura, morango amora, cereja, alguma compota e traço a pedra lascada, perfil fresco. Boca equilibrada, acidez no ponto, sumarento, algum adocicado, perfil leve e fresco com final de boca longo..

sábado, 3 de novembro de 2018

A Carne Às Mercês

As melhores lembranças que tenho da  Feira das Mercês têm já muitos e muitos anos. São de quando, ainda criança e sempre na companhia dos meus Pais, se fazia dela visita obrigatória a cada ano. Muitas vezes a pé e outras tantas de automóvel, lá tínhamos de marcar presença. Nessa altura começava logo cá em baixo, junto à Estação de Comboios, logo a seguir à passagem de nível que há muito não existe. Fizesse sol ou chuva era um mar de gente e a subida fazia-se por entre um corredor de vendedores como nunca havia visto igual.

Quase como um ritual a Feira das Mercês marcava o momento do ano para comprar o guarda chuva, as botas de borracha ou de couro, prontas para o inverno, que era rigoroso em chuva e frio. Muitas vezes as roupas mais quentes eram também aqui compradas, não havia cá shoppings nessa altura. Compravam-se cobertores para a cama e os meus Pais aproveitavam também para comprar uma série de coisas relacionadas com a agricultura.
Os doces e os frutos secos eram também uma das minhas paixões. Havia de tudo um pouco. Lembro-me bem de nesse tempo haver alguns problemas de racionamento em certo tipo de produtos, mas aqui parecia que nunca faltava nada. Parecia que estava sempre tudo bem.

A Feira das Mercês era também especial pela oportunidade, quase tradição, durante alguns anos, de lá ir comer, almoçar ou jantar, sendo o prato escolhido sempre ser a mítica Carne Às Mercês.
Nesse dia, normalmente ao domingo, chegavamos à Feira bem cedo, passeávamos por toda a Feira, e nunca me esqueço do aroma que nos acompanhava desde o instante que passávamos aquelas escadinhas quase a chegar lá ao cimo: Carne Às Mercês! Desde cedo em fogo brando, quase como num chamamento silencioso, inebriante e mágico, sendo que na altura o mais difícil era escolher o sitio onde a comer. Como adorava aquela carne.
Nos últimos anos, entre cancelamentos da Feira, alterações ao espaço e remodelações que só o passar dos anos conseguirão explicar, perdeu-se muita coisa, creio até que se tem perdido demais, tendo a Carne Às Mercês sido transformada numa espécie de pica-pau de porco (em mau), onde até pickles e azeitonas pretas de lata levam a compor.
Este ano terá sido mesmo a pior experiência neste aspecto. Chegado à Feira até pensava que não havia este ano quem o tivesse na ementa. Para além de não sentir aquele aroma delicioso e o adiantado da hora já o obrigar, fui passando por bifanas, cachorros quentes, hamburgers, couratos até que, quase já sem acreditar, lá estava um local para o ambicionado repasto. Quem me mandou a mim entrar pelo lado contrário. 

Depois de algum tempo e entre peripécias que não interessam para o tema, lá chegaram as carnes. Batata frita com pele a tapar a carne, montes de pickles, uma ou outra azeitona e a carne por baixo numa aguadilha um pouco estranha. Afasto as batatas e assaltou-me o palato uma carne rija, sensaborona e onde os pickles eram de facto a salvação para espicaçar um pouco o que para ali ia. Uma desilusão. 
Saí dali com vontade de ir à procura da verdadeira receita da Carne às Mercês e por entre alguma pesquisa e ajuda de uma Senhora com muita experiência de vida, lá consegui o que mostro abaixo, sendo que quando mostrei esta fotografia à dita ouvi a seguinte exclamação: "Aquilo é limão? Limão na Carne às Mercês? Modernices...". 
Começo então pela lista de ingredientes necessários. Não é longa, mas é baseada naquilo que havia muito por aqui, especialmente as folhas de louro, o porco e derivados e o vinho, que muitas vezes ali chegava já o da colheita do ano.

- 1 Kg Carne de Porco (Cachaço ou Rabadilha) Interessa ter alguma gordura
- 1 Copo de Vinho Branco
- 125g de Banha de Porco
- 1 Colher de Sopa de Pimentão em Pó ou Colorau
- 1 Colher de Sopa de Sal
- 4 ou 5 Dentes de Alho
- Pitada de Pimenta Preta
- Folhas de Louro

Comece por cortar a carne em pequenos cubos. Não devem ser tão grandes como os cortados para os rojões de porco, apenas um pouco mais pequenos. Temperar a carne com o pimentão em pó, o sal, a pimenta preta, os alhos e as folhas de louro (muitas) e envolver bem.

De seguida, junte o vinho branco, volte a envolver e reserve no frigorífico durante pelo menos 24 horas. Não há forma da carne ficar sem sabor após uma jornada como esta.

No dia seguinte, coloque a banha de porco numa espécie de bloco, em cima da carne e leve assim ao forno, em temperatura baixa, 120º a 140º, durante aproximadamente 4 horas. Desta forma iremos simular a manhã de Feira ali lentamente a cozinhar, praticamente sem fervilhar, com a banha a derreter lentamente, a forma um espécie de nata que impede que a carne seque.

Após este tempo de lento cozinhar, passe a carne para o lume do fogão e aumente o calor por forma a fazer com que a carne frite e reduza o liquido que a embebia. Resultado. Uma carne que quase se derrete na boca, cheira de sabor, com um molho mais denso, apurado e pronto a juntar-se a umas fatias de pão saloio e um copinho de vinho tinto. As batatas fritas só vieram mais tarde e começaram por ser aos cubos.

Gostava que um dia se preservassem mais este tipo de coisas. Também fazem parte da nossa história. Não são apenas os monumentos que devem ser cuidados. A nossa cultura gastronómica também deve ter um lugar especial. 
Que tal uma actividade relacionada com este prato na próxima Feira das Mercês?

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Quinta Sardonia 2006 Tinto

QUINTA SARDONIA 2006 TINTO | CASTILLA Y LEON | 15,5% | PVP  30€
TNTO FINO, CABERNET SAUVIGNON, SYRAH, PETIT VERDOT, MALBEC, CABERNET FRANC
BODEGAS TERRAS GAUDA - VINÃS DE LA VEGA DEL D., SL
17

E agora um vinho "quase" da última colheita. Pelo menos assim parece de corpo apesar dos muitos anos que já conta em garrafa. Chega da vizinha Espanha, com as vinhas localizadas quase, quase na região Ribeira Del Douro, mas com o selo Castilla Y León. De realçar os 17 meses de descanso em barrica de carvalho francês, sendo que 50% estagiou em barrica nova e os restantes 50% em barrica usada.
Cor vermelho com notas acastanhadas, nuances de leves alaranjado, muito concentrado e limpo. Aroma intenso a fruta madura, ginja madura, licor ginja de fundo, cacau e notas de café, tofado, com balsâmicos lado a lado, e uma especiaria a temperar. Boca redonda macia, tanino polido e envolvente, muita macieza, grande acidez e vivacidade, harmonico e equilibrado, com um final de boca longo.
Feito para estes dias que pedem comida de conforto à mesa, com carne assada no forno ou grelhada.