segunda-feira, 9 de março de 2026

Crama Pandora Secrets Feteasca Neagra 2022 Tinto

CRAMA PANDORA SECRETS FETEASCA NEAGRA 2022 TINTO | COTESTI (ROM) | 14% | PVP  12€
FETEASCA NEAGRA
SC VITISIM COTESTI, SRL
15,5 
 
A casta Fetească Neagră, Rapariga Negra ou Donzela Negra na sua tradução, é uma das mais antigas e prestigiadas castas tintas da Roménia e da Moldávia, com uma história de cultivo que remonta a cerca de 2.000 anos. Há muito quem a compare à Touriga Nacional equiparando-a como a embaixadora dos vinhos romenos. Neste meu primeiro contacto com ela e sem ponto de comparação, encontro-a num vinho onde o fruto silvestre preto se mostra bem presente, de médio corpo, equilibrado e certinho, sem pontas de destaque positivo ou negativo. Cumpre na presença de prato de carne com alguma complexidade e estrutura. 
Cor vermelho rubi de média concentração, nuances granada, aspecto límpido e jovem. No plano aromático mostra com exuberância a fruta preta madura, ameixa e amora a sobressair, com algum fumado em fundo, especiaria, folha de tabaco seca. Subtil torrefação. Boca de médio volume e estrutura, textura macia, perfil mais leve, acidez bem colocada, fruta madura, tanino polido, pronto, harmonioso e com final de boca longo.

Barbeito Malvasia Vinhas de São Jorge Colheita 2009

BARBEITO MALVASIA COLHEITA 2009 | MADEIRA | 19% | PVP  47,50€
MALVASIA 
VINHOS BARBEITO (MADEIRA), LDA
ENGARRAFADO EM 2025  
17,5

Expressão muito elegante e fina da casta Malvasia num Madeira fortificado, que embora doce, brilha pela sua vivacidade, equilíbrio e tensão, com acidez num registo vibrante e dono de apontamento final especiado, subtil e quase picante. As uvas que lhe dão vida são de vinhas localizadas em São Jorge, no norte da Ilha, que carregam consigo esta assinatura de frescura distinta impressa na casta em relação a vinhas mais a sul, adicionalmente, o facto de se tratar de um Single Cask, ou seja, o vinho provém de um único casco selecionado, é garantia de um carácter único, irrepetível e, como habitual,  uma produção extremamente limitada de garrafas numeradas.
No plano de harmonização, estamos perante um vinho da Madeira extremamente versátil, não só devido à sua doçura e corpo cheio, mas também tendo em conta a sua acidez vibrante e salgada, pelo que a sua maridagem com sobremesas doces, como o tradicional Bolo de Mel da Madeira, tartes de noz, amêndoas torradas ou sobremesas com caramelo será sempre uma aposta acertada, todavia, se optar por lhe juntar entradas e queijos, foie gras e queijos azúis, o estado de felicidade será igualmente alto.
Cor âmbar jovem luminoso, reflexos dourados e acobreados, límpido e brilhante. No nariz demonstra enorme elegância e pureza, preservando, com muita definição e frescura, os aromas mais primários da fruta, aos quais se junta o fruto seco e a fruta cristalizada, casca de laranja, componente floral de mão dada, discreto toque de mel e com a barrica em completa integração. Boca com volume e estrutura firme, aninhada na sua textura mais untuosa e aveludada, perfil doce, bem medido e balanceado pela sua acidez vibrante e salgada, com um especiado subtil e curiosamente picante, fruta passa, conjunto harmonioso e prazeroso, terminando longo e pleno de frescura.

domingo, 8 de março de 2026

Taboadella Unoaked 2024 Branco

TABOADELLA UNOAKED 2024 BRANCO | DÃO | 13,5% | PVP  10,75€
ENCRUZADO, BICAL, CERCEAL BRANCO
TABOADELLA, SA
17 

Evidente expressão do terroir onde nasce, num registo onde preserva a frescura e definição da fruta, aliada ao vínculo granítico da região. Um branco elegante, com a fruta a brilhar e a sua acidez, pronunciada e até algo austera, permite-lhe um salto à mesa para pratos de maior complexidade e salinidade. Nesta gama de preço será sempre uma escolha acertada. 
Cor amarelo citrino, aberto, luminoso, reflexos esverdeados, aspecto límpido, brilhante e jovem. No nariz apresenta-se elegante e fresco, com notas de fruta citrina e de pomar maduras, toranja, bergamota, maça verde, melão, pincelada floral bem medida, vinco mineral, salino, granítico. Boca de médio volume, acidez pungente, vivaz, com prolongamento e tensão, textura macia, fruta fresca acídula, harmonioso e com final de boca longo.

Esporão Reserva 2024 Branco

ESPORÃO RESERVA 2024 BRANCO | ALENTEJO | 13,5% | PVP  14,97€
ANTÃO VAZ, ARINTO, ROUPEIRO
ESPORÃO, SA
17,5
 
A gama Esporão Reserva do produtor alentejano continua a ser palco para um terroir, para a terra e para a arte. A colheita de 2024 é ilustrada por Álvaro Siza Vieira, arquiteto português de referência mundial e vencedor do Prémio Pritzker, a mais alta distinção na arquitetura. No rótulo um desenho que, segundo o próprio, representa a sua ideia do que é a figura é um especialista, uma evocação da dedicação e mestria partilhadas entre quem desenha espaços e quem faz vinho.
No copo, reconhecemos o perfil do qual nos enamoramos há muitos anos, que traz consigo uma assinatura indelével do local de berço, expressando a idade das vinhas, a diversidade de solos e castas, o respeito pelo tempo e pelo equilíbrio natural. A fruta brilha ao lado das bem integradas notas da passagem pela barrica, demonstrando grande precisão num registo de riqueza e complexidade notáveis. Acresce o "bónus extra" do potencial de guarda a perder de vista. Para comprar uma caixa e ir acompanhando ao longo dos anos.
Cor amarelo citrino intenso, leve tonalidade palha e reflexos esverdeados, aspecto límpido, brilhante e jovem. Plano aromático intenso, grande frescura, fruta citrina e de polpa amarela maduras, presença da barrica integrada, subtil traço vegetal, vinco mineral, pedra lascada, sílex, complexo e desafiante. Boca com volume, com largura e a encher o palato, textura macia, acidez fina e repenicada, boa tensão e prolongamento, fruta fresca, registo de precisão e equilíbrio, longo final de boca.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Cálem Porto Colheita 2006

CÁLEM PORTO COLHEITA 2006 | PORTO | 20% | PVP  30,85€
BLEND CASTAS TRADICIONAIS DO DOURO
ENGARRAFADO EM 2024
SOGEVINUS FINE WINES, SA 
17,5
 
Quase duas décadas após a colheita, destaca-se, desde logo, pela sua vivacidade e frescura, muito expressivo e com estrutura e volume jovial.  Encontra-se num bom momento de forma e acaba por ser um vinho versátil que brilha especialmente no final das refeições, fruto do seu equilíbrio entre a doçura, acidez e frescura.
Sem receios, opte pela ligação clássica, pois funciona muito bem tarte de amêndoa, pudim de ovos ou bolos de noz.
Cor vermelho-tijolo, tonalidade alaranjada, aberto, brilhante, aspecto límpido e cativante. Aromaticamente rico, intenso e complexo, num registo de equilíbrio entre a fruta e o processo de envelhecimento em barrica, fruta passa e em calda, fruto seco torrado, noz e amêndoa, algum cacau, torrefação, especiaria fina, pimenta rosa, fundo envolvente com percepção de madeira avinhada. Dono de grande vivacidade na prova de boca, intenso, com volume, textura macia, aveludada e envolvente, doçura bem medida, acidez fina, prolongada e em equilíbrio, sente-se a fruta passa e seca, também o lado mais torrado e de cacau, especiados subtis, final longo e persistente.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Da Ilha do Pico Com Amor: Picowines Apresenta Um Licoroso Com 27 Anos e Um Branco Para Toda a Vida

 
"Na Ilha do Pico, o vinho não se faz depressa. Nasce do confronto com o vulcão, da proximidade do mar e da paciência de quem aprendeu a esperar. É neste território único e extremo que a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico, a  Picowines, apresenta dois vinhos que não poderiam existir em mais nenhum lugar."
 
São duas leituras do mesmo território, separadas pelo tempo, mas unidas por uma mesma origem. O Ilha do Pico Licoroso 1998, uma edição limitada de apenas 470 garrafas e o vinho branco Arcos Vulcânicos 2021 são a expressão de uma ilha onde a viticultura se escreve em pedra, sal e silêncio. Mais do que novidades, estes vinhos representam uma continuidade de pensamento entre memória e contemporaneidade, tradição e técnica, que têm vindo a definir o percurso da vitivinícola da Ilha do Pico.
Aqui, as vinhas crescem nas fissuras da rocha vulcânica, protegidas por muros erguidos à mão há mais de cinco séculos. Crescem baixas, expostas ao Atlântico e alimentadas por água que mistura chuva e mar. Cada colheita é um ato de resistência e cada vinho, um testemunho único.
 
Falemos primeiro do Ilha do Pico Licoroso 1998 que se insere numa tradição que marcou de forma decisiva a história vitivinícola da ilha. Os vinhos licorosos do Pico, produzidos maioritariamente a partir da casta Verdelho, foram desde o século XVIII uma das principais expressões da identidade açoriana e um dos grandes embaixadores da ilha nos mercados internacionais, distinguindo-se pela sua capacidade de envelhecimento e resistência ao tempo. Ao estagiar durante 27 anos em casco, o Licoroso 1998 inscreve-se como continuidade viva desse legado histórico.
 
Em 1998, um vinho entrou em casco e por lá ficou durante 27 anos. Sem pressa, acompanhando o ritmo lento da ilha, os invernos húmidos, os verões atlânticos e o passar das gerações. Feito a partir da Verdelho de vinhas velhas plantadas em currais na Criação Velha, a poucos metros do mar, resultado de uvas em estado avançado de maturação e grande  concentraçõ. O estágio prolongado em cascos velhos de carvalho moldou-lhe a forma, afinou-lhe as arestas e concentrou-lhe a expressão.
 
Faltam palavras para o descrever e, relembro, são apenas 470 garrafas que nos chegam numa caixa/conjunto de luxo criada pela Rita Rivotti, que assina toda a imagem desta edição especial, e que nos faz ter a Ilha do Pico presente na nossa garrafeira.
 
ILHA DO PICO LICOROSO SINGLE HARVEST RESERVE 1998  | DO PICO | 16,5% | PVP  750€
VERDELHO
COOPERATIVA VITIVINÍCOLA DA ILHA DO PICO
19,5
Hoje temos a oportunidade de o encontrar com cor topázio luminosa, reflexos âmbar e dourado, nuances acobreadas, atrativo. Plano aromático rico e complexo, onde surge a laranja cristalizada, marmelada de citrinos, frutos secos, algum toffee, torrefação e iodo subtil, notas que não escondem o lugar onde nasce e onde aguardou pacientemente. Apresenta estrutura firme de boca, com a acidez em sustento do conjunto, com notas de caramelo salgado, uma carga salina que lhe dá vida, que lhe prolonga o final e que nos faz cerrar levemente os olhos no acto de prova. Uma acidez salgada maravilhosa, num registo meio seco e com presença à mesa para companhia diversa. 

O vinho branco Arcos Vulcânicos 2021 traduz uma leitura mais contemporânea do mesmo território, inspirado pelos arcos de lava solidificada que desenham a paisagem do Pico, tem na sua origem a casta Verdelho da zona dos Arcos, em Santa Luzia, onde as vinhas crescem diretamente sobre  o lajido, junto ao mar. 
 
ILHA DO PICO ARCOS VULCÂNICOS VERDELHO 2021 BRANCO | DO PICO | 12,5% | PVP 50€
VERDELHO
COOPERATIVA VITIVINÍCOLA DA ILHA DO PICO
18
Apesar da colheita ser de 2021, estamos perante um vinho visualmente muito jovem, de cor amarelo-esverdeada, luminoso e límpido. Sentimos no olfato toda  sua  mineralidade, o lado marítimo, as notas de algas e citrinos, um complexidade invulgar e desafiante. Na boca, encontramos um registo de tensão, energia e frescura dominante, médio volume, e o natural vinco salino a todo o comprimento. Muito preciso e prazeroso, encontra-se num momento muito bonito, deixando todavia escapar o potencial gigante de guarda. À mesa é presenteá-lo com produto do mar e saladas frescas com presença de mar.

Duas novidades que reforçam um compromisso claro com o presente e o futuro da viticultura da Ilha, que falam por si e que são expressão deste terroir de excepção e singularidade.
Como não há duas sem três, houve ainda lugar à mais recente colheita de um espumante de elevado potencial gastronómico, delicadeza impressionante, garantia de prazer em qualquer momento da refeição e mesmo fora dela, embora lhe reconheça o brilho maior quando casado com pratos do mar.
 
ILHA DO PICO ESPUMANTE BLANC  DES BLANC BRUT NATURE 2019 BRANCO | DO PICO | 12% | PVP  60€
ARINTO DOS AÇORES
COOPERATIVA VITIVINÍCOLA DA ILHA DO PICO
17,5
Cor amarelo citrino, intenso e luminoso, bolha fina e cordão persistente, atrativo. Delicadeza no plano aromático, num registo de subtileza e finesse, oferecendo a fruta citrina, alguma maça e marmelo, casca de citrino, de tempero salgado, alga seca, com notas de panificação bem ligadas, biscoito, areias. Bolha fina e arejada na prova de boca, envolvente, embora mais seco e de acidez vincada, salina e citrina, mostrando-se um espumante adulto, conseguido, prazeroso e com final de boca longo e elegante.

terça-feira, 3 de março de 2026

Quinta da Manoella Vinhas Velhas 2016 Tinto

QUINTA DA MANOELLA VINHAS VELHAS 2016 TINTO  | DOURO | 14,5% | PVP  101€
VINHAS VELHAS
WINE & SOUL, LDA
18,5

Nasce no Douro, de uma vinha centenária com mais de 100 anos e embora próximo da marca dos 10 anos, encontra-se num momento de forma excepcional, dono de um equilíbrio notável entre a intensidade da fruta e a complexidade evolutiva garantida pelo passar do tempo, que lhe domou a potência inicial, a transformou em elegância pura. 
Promete continuar a evoluir positivamente por mais muitos mais anos e ideal para quem aprecia a complexidade da evlução de um vinho sem perder a vivacidade da fruta.
Cor vermelho rubi de média concentração, ligeiramente menos denso e com discretas nuances levemente atijoladas, aspecto límpido e cativante. No nariz mostra a fruta elegante e fresca, frutos silvestres em destaque, assim como framboesa e cereja, mais integrados com as notas de grafite, fumo e chocolate negro revelando integração da passagem por barrica perfeitamente fundida no conjunto. As notas balsâmicas frescas e a pitada de especiaria bem medida sinalizam frescura, complexo e bouquet desafiante. Na boca esquecemos o ano de colheita, mantém o seu lado volumoso e complexo, agora mais domado, e uma acidez vibrante e quase mastigável, fruta bonita e taninos sedosos e firme, num conjunto expressão da vinha velha e com final de boca longo e de uma elegância impressionante.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Xisto Ilimitado 2024 Branco

XISTO ILIMITADO 2024 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP  14,75 €
RABIGATO, CÓDEGA, VIOSINHO, GOUVEIO
LUIS SEABRA VINHOS, LDA
17,5

Um elogio às castas autóctones durienses de vinhas velhas de altitude e ao xisto, denominador geológico comum à grande maioria das vinhas plantadas no Douro e ao terroir do Douro, resultando numa das suas melhores expressões de pureza mineral e frescura vivaz. A juventude marca-lhe o perfil aromático e a prova de boca, revelando no nariz a fruta exuberante, fresca e bonita com vinco mineral nítido e muito limpo e na boca a vibrante e quase elétrica acidez em tensão, com a fruta mais acídula a garantir extensão e comprimento, sabor e uma predisposição notável para se juntar a comida tanto agora, pleno de juventude, com peixe frito, sável com açorda de ovas ou conservas de peixe, quer com mais idade, com peixe assado no forno ou queijos de pasta mole. Cor amarelo citrino intenso, tonalidade palha, aspecto límpido, brilhante e jovem. Aromaticamente intenso e jovem, elegante e fresco na forma com apresenta a fruta, fruto de caroço maduro, maça, pêssego, alperce e melão maduro, subtil apontamento floral, mato seco, bem integrada, quase impercetível componente especiada, recorte mineral a marcar a experiência. Boca de médio volume, cheio de energia e vivacidade, macio de textura e com acidez vibrante, prolongada e fina, lado a lado com a fruta fresca, saboroso, num registo muito vertical e preciso e com final de boca longo e prazeroso.

domingo, 1 de março de 2026

Quinta do Poço do Lobo Espumante Bruto Natural Arinto & Chardonnay 2023 Branco

QUINTA DO POÇO DO LOBO ESPUMANTE BRUTO NATURAL ARINTO & CHARDONNAY 2023 BRANCO | BAIRRADA | 12,5% | PVP  12,49€
ARINTO, CHARDONNAY
CAVES SÃO JOÃO - SOCIEDADE DOS VINHOS IRMÃOS UNIDOS, LDA
16,5 

O registo de equilíbrio entre a frescura vibrante da casta arinto e a elegância cremosa do Chardonnay são o cartão de apresentação de um espumante bairradino que nos oferece a frescura da fruta, envolvida nas notas subtis de panificação, espuma leve e secura balanceada até ao final da prova. Excelente relação qualidade-preço, é ideal para início de refeição, ainda a solo, acompanha também com mestria mariscos, peixes assados e pratos de carnes brancas.
Cor amarelo citrino, luminoso e brilhante, bolha fina, e cordão persistente. Delicado e elegante de aromas, com a fruta mais em destaque, pitada floral, subtil nota de panificação, pastelaria e traço de mel em fundo. Na boca revela a espuma leve e fresca, envolvente, secura fina e demorada, fruta acídula, longo final de boca.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Conversas de Comer, Beber e Lazer | Podcast T1 - EP 6

O
 sexto episódio começa por trazer um cheirinho a primavera, a sol e a planeamento dos meses que se seguem. Começamos pelo Dia Internacional da Baga, que este ano se realiza a 2 de maio na Bairrada. Os Baga Friends vêm mais uma vez promover e reforçar a visibilidade da casta Baga nos mercados nacional e internacional e na semana passada houve lugar a uma espreitadela antecipada do que vai ser o evento. 
Rumamos a sul até um lugar onde sabe muito bem ficar e desconectar do mundo. O Octant Évora é uma fuga perfeita à cidade, um lugar sem pressas, onde o tempo se demora, em pleno coração do Alentejo, em fusão com a paisagem natural e oportnidade única para redescobrir a nossa ligação com a terra. 
Continuamos rumo ao Sul, pois as temperaturas começaram a subir e, depois de tanto frio e chuva, os primeiros raios de sol apontam às praias e ao peixe grelhado no prato. Em Olhão, o Américo tem o cognome de Rei do Peixe assado. E temos vindo a comprovar e a provar esse título nos últimos anos sempre que por ali passamos. Um segredo cada vez menos secreto. Terminamos a norte, na cidade do Porto, com dois eventos já clássico na nossa agenda e de presença obrigatória. Embora diferente, são ambos um hino ao vinho.
É ouvir até ao fim.

  • Baga Friends
  • Octant Évora
  • Américo Rei do Peixe Assado
  • Simplesmente Vinho
  • Essência do Vinho

Podcast no Apple Podcasts: Conversas de Comer, Beber e Lazer

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Duas Quintas 2023 Tinto

DUAS QUINTAS 2023 TINTO | DOURO | 13,5% | PVP  14,90€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA, TINTA RORIZ, TINTA BARROCA, SOUSÃO, TINTO CÃO, TINTA AMARELA, TINTA DA BARCA
ADRIANO RAMOS PINTO VINHOS, SA
17

Regressamos ao registo de elegância e frescura já observado no Duas Quintas branco. Mais uma vez, a expressão única de dois terroirs distintos, mas que se completam. A estrutura e maior calor da Quinta de Ervamoira (150 metros de altitude) e a frescura da Quinta dos Bons Ares (600 metros de altitude) conduzem a um tinto singular e clássico no Douro.
À mesa é casamento perfeito com pratos regionais à base de carne e caça de pelo, como também com carnes vermelhas na brasa ou ainda com o nosso fiel bacalhau e o polvo.
Cor vermelho rubi concentrado, tonalidade violácea, auréola luminosa, aspecto límpido e tez jovem. No nariz revela, desde logo, a sua complexidade e expressividade única, predominam os aromas a frutos pretos, com leve pitada de compota de cereja, fino recorte citrino, bergamota, a seu lado bem medidas notas florais, violetas, componente terrosa, bosque,  subtil torrefação, balsâmico fresco, vivo. Na prova de boca revela um vinho elegante e fresco, médio volume e corpulência, textura macia, pronta, vivaço, com a fruta vermelha sumarenta como protagonista, tanino firme, mas de apontamento fino e harmonioso, conjunto uno e final de boca longo e persistente.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Duas Quintas 2024 Branco

DUAS QUINTAS 2024 BRANCO | DOURO | 13% | PVP  14,90€
VIOSINHO, RABIGATO, ARINTO
ADRIANO RAMOS PINTO VINHOS, SA
16,5

A Quinta de Ervamoira (150 metros de altitude) e da Quinta dos Bons Ares (600 metros de altitude) são o berço das uvas que dão origem a este branco emblemático do Douro, num registo bastante moderno, vibrante e equilibrado, que consegue expressar a frescura da vinha de altitude da Quinta dos Bons Ares e a estrutura da Quinta de Ervamoira. 
Muito fino e elegante, costuma ser escolha acertada para pratos de peixe, mariscos de concha mais complexos e cozinha asiática. Nunca causa arrependimento.
Cor amarelo citrino, muito luminoso e brilhante, reflexos esverdeados, aspecto límpido e jovem. Aromaticamente mostra-se pela fruta madura e fresca, citrinos e fruta de polpa amarela de caroço, pitada tropical, subtil perfumado floral, flores brancas e quase impercetível nota tosta e fumada. Na boca mantém o registo de grande equilíbrio, algum volume, textura macia, acidez vivaz e fina, fruta sumarenta, saborosa, componente mineral e final de boca longo e persistente.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Burmester Late Bottled Vintage Port 2019

BURMESTER LATE BOTTLED VINTAGE PORT 2019 | PORTO | 20% | PVP  16,39€
TOURIGA NACIONAL, TOURIGA FRANCA, TINTA RORIZ, TINTA AMARELA, OUTRAS
SOGEVINUS FINE WINES, SA
17

Ainda bem jovem e expressão fiel desta categoria de Vinho do Porto, com um toque de sofisticação e frescura evidente, com a fruta vermelha e preta madura bem marcada, especiado precioso, bela companhia, nesta fase, para sobremesas à base de chocolate e frutos silvestres, queijos de pasta mole ou, baixando-lhe a temperatura, com um belo naco de carne de vitela mal passada e apenas com sal de tempero. 
Cor vermelho retinto, tonalidade violácea-roxo escuro, concentrado, opaco, lágrima escorreita, aspecto límpido e jovem. Exuberante e intenso de aromas, com destaque para as notas de fruta preta madura,  amora silvestre, ameixa e cereja preta, subtil perfumado floral, notas de chocolate preto, muita especiaria, um fresco mentolado, casca de eucalipto. Boca com volume e estrutura, textura macia, aveludada, com doce equilibrado e elegante, casando com a fruta preta, bonita e jovem, tanino polido, mas firme, conjunto uno e com final de boca longo e persistente.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Justino's - As Novas Joias da Coroa com o Futuro no Horizonte

E
m Sintra costumam acontecer coisas muito estranhas associadas ao mundo dos fortificados nacionais. Conta o mito urbano que Paulo Cruz, um apaixonado por este tipo de vinho e proprietário do Bar do Binho, localizado bem no centro da Vila, terá criado eventos de ocorrência regular, como o Porto Extravaganza e o Madeira Wine Experience, eventos do melhor que se faz no mundo, mas em Sintra. 
Talvez por isso a Justino's, uma das mais antigas e renomadas produtoras de Vinho da Madeira, fundada em 1870, conhecida pela sua qualidade e presença global, tenha escolhido o Bar do Binho para apresentar as suas mais recentes colheitas especiais. 
 
À nossa espera Rui Viegas, Wine Educator da Justino's, apresentou as 6 novidades. O Verdelho 20 anos, o Terrantez e o Boal 30 Anos, o Tinta Negra 40 anos, o Malvasia 50 anos e um Sercial com mais de 50 anos. Um privilégio ter a oportunidade de numa manhã conseguir provar e conhecer mais de perto, distintos estilos de Vinho da Madeira com as principais castas para a produção do mesmo. 
O mais jovem e mais delicado de aromas é sem dúvida o Verdelho 20 anos, sendo também aquele que aconselho para começo de conversa a quem diz que ainda não percebe muito bem este perfil de vinho mais salino e de acidez saliente que se intromete na sensação mais untuosa e doce do Madeira. Parece crescer com o tempo e mostra bem o mar. A ligação com o queijo de cabra curado funciona com mestria. 
Aquele que mais me impressionou foi sem dúvida o Sercial com + 50 anos, de uma riqueza e complexidade incrível, mas oferecendo este néctar numa bandeja de elegância e frescura notável para a idade do blend. É um vinho de contemplação sensorial e o último vinho da prova, até porque, a seguir a ele, não queremos mais nada senão perdurar o momento. 
Ao Tinta Negra 40 anos endereço o prémio surpresa. Sabia, de antemão, que esta é a casta mais plástica e com grandes resultados nos vários perfis de Vinho da Madeira, sabia também que cada vez é mais bem trabalhada e encarada como uma Next Big Thing, mas não sabia que ia levar uma chapada de prazer deste nível ao prová-lo. Deixou para trás o registo mais caramelizado e mostra-se com uma finesse e frescura distinta, mais bolo inglês e especiaria exótica, doce equilibrado e acidez vibrante. Ficou de baixo de olho. Estes vinhos saíram para o mercado no início de janeiro deste ano.
 
JUSTINO'S 20 YEARS OLD VERDELHO | MADEIRA | 19,5% | PVP 170€
VERDELHO
JUSTINO'S MADEIRA WINES, SA
ENGARRAFADO 05/2025
18 
Cor âmbar jovem, luminoso, reflexos dourados, aspecto límpido e cativante. Muito fino e elegante de nariz, delicado e envergonhado a início de conversa, vai crescendo à medida que o ar lhe dá expressão e mais exuberância, revelando notas de fruto seco, alguma casca de laranja, melaço,  salgado evidente, embora menos iodado que o habitual, sensação de leveza e frescura. Boca num registo de feliz conjugação entre a elegância do registo e a sua complexidade e riqueza, com textura acetinada, uma gordurinha boa envolvente, acidez crocante e salgada, mostra-se a fruta, vivaz, passeia pelos sentidos, termina longo e persistente.
Belíssima ligação com o queijo de cabra com pouco tempo de cura ou para ir picando umas amêndoas torradas e levemente salgadas, mas é fazer chegar-lhe uma conserva de ventresca de atum em azeite para facilmente nos fazer sorrir.
 
JUSTINO'S 30 YEARS OLD TERRANTEZ | MADEIRA | 19,5% | PVP  250€
TERRANTEZ
JUSTINO'S MADEIRA WINES, SA
19
Cor âmbar mais escura, com leve esverdeado e acastanhado mogno, intenso, límpido e brilhante. Nariz exuberante, com notas de fruto seco torrado, faceta mais terrosa com componente de torrefação, madeira avinhada, exótica, figo seco, envolvente marítima e iodados bem medidos, finesse e complexo e complexidade de mãos dadas. Boca com menos sensação de doçura que o anterior, acidez bem vincada, com a presença das barricas mais evidente, mais longo, muito fino, mostrando também aqui registo de torrefação, muito preciso e com um final de boca que dura, dura e dura.
 
JUSTINO'S 30 YEARS OLD BOAL | MADEIRA | 19,5% | PVP  210€
BOAL
JUSTINO'S MADEIRA WINES, SA
19 
Cor âmbar definido, mais escuro e denso, com ligeiros esverdeados, aspecto límpido, brilhante e luminoso. Aromaticamente intenso e exuberante, com notas de fruto seco torrado, figo seco, encontrando aqui mais a vertente especiada, especiaria doce, noz-moscada e pimenta, bolo inglês, fruta cristalizada, algum caramelo, harmonioso e o mais directo ao perfil. Ataque de boca mais doce, com volume e textura envolvente e acetinada, vestindo-se de sedução, mostrando boa acidez no combate à percepção de doçura e à especiaria mais destacada, mantendo um caminho de elegância e equilíbrio notáveis, com as notas salgadas bem integradas e um final de boca longo, seco e fino.
 
JUSTINO'S 40 YEARS OLD TINTA NEGRA | MADEIRA | 19% | PVP  290€
TINTA NEGRA
JUSTINO'S MADEIRA WINES, SA
19
Cor âmbar escura, tonalidade azeitona com reflexos esverdeados e dourados, aspecto límpido e brilhante. Intenso e exuberante de aromas, revelando a fruta passa num primeiro plano, oferecendo um bouquet rico e complexo bem casado com apontamento de especiaria doce, fruta desidratada, bolo inglês, avelã tostada, desafiante e pleno de elegância. Boca volumosa, untuosidade envolvente, registo com alguma doçura, equilibrada com acidez proeminente e balanceada, com vertente especiada bem evidente, salino e iodado integrado, prazeroso e com longo final de boca.
 
JUSTINO'S 50 YEARS OLD MALVASIA | MADEIRA | 19% | PVP  22€
MALVASIA
JUSTINO'S MADEIRA WINES, SA
19,5
Cor âmbar definida, mais escuro, com esverdeado evidente, límpido, luminoso e cativante. No nariz, o primeiro contacto aponta a sensação mais doce e cheia, mas longe de esconder a elegância e finesse com que se apresenta desde logo, com uma nota vegetal subtil que se destaca de forma singular neste bouquet muito arrumado e onde a fruta seca e passa, as notas de bolo inglês e a especiaria se parecem casar na perfeição. Boca com largura, notória gordurinha e untuosidade glicérica, num jogo de perpétuo balanço com acidez fina, duradoura, impositiva que envolve cada segundo da prova, sente-se mais concentração, mas nem lhe damos atenção, apenas desfrutamos e seguimos num término de boca longo e de grande persistência.

JUSTINO'S MORE THAN 50 YEARS OLD SERCIAL | MADEIRA | 19,5% | PVP  380€
SERCIAL
JUSTINO'S MADEIRA WINES, SA
ENGARRAFADO 05/2025
19,5
Cor âmbar mais densa e escura, com reflexos esverdeados e acobreados a disputarem a atenção, aspecto límpido e hipnotizante. Plano aromático de extrema riqueza e complexidade, com as notas iodadas e o vinco salino próprio bem vincados e a envolver o restante bouquet, subtil acético, notas de verniz e acetona, fruto seco torrado, café e bolo de mel, harmonioso e desafiante. Boca com volume, cheio de vida e pujante, textura aveludada, envolvente, acidez vibrante, a secar a boca, a colocar tudo a mexer, uma verdadeira revolução sensorial, mostrando muito a proximidade ao Atlântico da casta, com um final de boca que parece interminável.  

A Justino´s tem feito uma aposta e um esforço meritório para ganhar tempo e lugar de relevo que havia perdido há muitos anos, ou seja, era reconhecido como o maior produtor, em volume, mas não se dedicava ao reconhecimento neste tipo de gama especial. 
Só em 2025 lançou 21 novas referências entre vinhos tranquilos, vinhos de parcela e edições especiais. Um esforço reconhecido e cada vez mais um nome a ter em conta nesta gama de Vinho da Madeira. Os meus sinceros parabéns.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Pieve Santa Restituta 2017 Tinto

PIEVE SANTA RESTITUTA 2017 TINTO | BRUNELLO DI MONTALCINO (ITA) | 14,5% | PVP  115€
SANGIOVESE
GAJA
17,5

No ano de 1994, o produtor Gaja, um dos mais conceituados e revolucionários produtores de vinho da Itália e reconhecido mundialmente por elevar a qualidade dos vinhos de Piemonte, adquire a histórica adega Pieve di Santa Restituta, em Montalcino. Destas vinhas, plantadas num terroir especial para o desenvolvimento da casta Sangiovese, chega ao nosso copo um Brunello di Montalcino elegante, intenso e equilibrado, com grande potencial de envelhecimento e com presença à mesa de luxo com pratos de carne vermelha, caça e queijos curados. 
Cor vermelho, tonalidade granada de média concentração, média com um toque de tijolo na borda. No plano aromático encontramos a fruta vermelha madura, fruto silvestre com ligeira nota de cereja mais passa, componente de bosque,  barrica integrada, folha de tabaco, tisana de chá preto, respirante e fresco. Corpo de média estrutura e volume, mantendo o registo mais fresco e sóbrio, textura macia, secura fina, com prolongamento demorado e paciente, tanino polido, firme, com a especiaria a mostrar-se mais em final de boca, longo e persistente. 

Tubarão Frisante NV Branco

TUBARÃO FRISANTE NV BRANCO | IVV | 11,5% | PVP  14,50€
LOUREIRO
RICARDO JORGE CARDEAL GARRIDO
16,5

Um branco frisante sem ano de colheita, num registo levemente oxidativo, que no início se estranha, mas que vai ganhando terreno à medida que o bebemos e que lhe juntamos comida. A agulha é quase impercetível e acaba por passar a segundo ou terceiro plano, ficando o rico jogo de aromas e uma secura bem colocada, salivante, à procura de comida e baixo álcool. Faz parte daquele tipo de vinho que nunca será consensual à mesa, mas que em presença da comida certa será motivo de alegria.
Jogou com uma conserva de cavala e azeite e , de seguida, uns lagartos na brasa. Acabou por surpreender. 
Cor amarelo intenso, com tonalidade palha e reflexos dourados, aspecto límpido e cativante. No nariz revela um perfil levemente oxidativo, notas de casca de laranja e limão, toranja vermelha, perfumado com flores brancas, folha de louro fresca, algum feno e mel, vinco mineral, pedra lascada. Boca expressiva, agulha quase impercetível, acidez vibrante, seco, reforçando o carácter oxidativo, fruta com tempo, ligeiro amargo, membrana branca da casca de toranja, salivante, salino, persistente e com longo final de boca.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Quinta dos Castelares Extra Bruto 2021 Rosé

QUINTA DOS CASTELARES EXTRA BRUTO 2021 ROSÉ | DOURO | 12,5% | PVP  24,95€
PINOT NOIR
CASA AGRÍCOLA MANUEL JOAQUIM CALDEIRA, LDA 
17

As vinhas plantadas a 700 metros de altitude da Quinta dos Castelares imprimem neste espumante toda a identidade de um terroir duriense com menos presença do efeito das cotas baixas do Rio Douro e mais próximo do enorme rochedo que se ergue sobre a margem direita do rio Douro, em Freixo de Espada à Cinta, chamado de Penedo Durão.
Lá no alto voa o Grifo e, na Primavera, o Abutre do Egipto, um pouco abaixo, para o lado contrário ao Rio Douro, as vinhas e a imagem da propriedade. Parece outro rio, mas de vinhas. Um local idílico.
O espumante prima pela finesse e elegância com que nos presenteia com fruta vermelha aninhada em notas subtis de brioche, tosta, panificação e nos agarra, na prova de boca, pela sua acidez vibrante e registo bem seco. Mais uma excelente opção para começar com ele a solo e rapidamente o levar também à mesa.
Cor rosada com tonalidade salmão aberta e luminosa, bolha fina e cordão persistente. No plano aromático revela a fruta vermelha fresca, com pitada citrina, subtil presença de notas de brioche e fruto seco torrado, delicado e fresco. Boca com mousse envolvente e fresca, agulha fina, acidez vibrante, perfil seco, bem seco, a puxar por algo à mesa, a conquistar-nos com esta vivacidade e final de boca longo e persistente.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Conversas de Comer, Beber e Lazer | Podcast T1 - EP 5

O 5º episódio desta bela aventura já se encontra disponível.  Este será mais um episódio a calcorrear Portugal. Iniciamos a viagem em solo açoreano, de onde nos chegam duas novidades da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico, edições limitadas e especiais, ambas expressão singular deste terroir insular, um branco de 2021, 100% Verdelho do Pico, Arcos Vulcânicos; e um licoroso de 1998, com 27 longos anos de maturação, com a curiosidade de poder nunca lhe ter sido adicionada aguardente vínica. Logo de seguida, aterramos em Lisboa e vamos conhecer o mais recente projecto do Chef Vitor Sobral no Carvoaria, um sitio de bem comer onde as brasas e a alma da cozinha tradicional portuguesa marcam presença. Subimos à região do Tejo, em Vla Chã de Ourique, para conhecer duas novidades da região do Tejo para o nosso copo, mais precisamente da ODE Winery e com a assinatura da enóloga Maria Vicente. Por último, já pelo Alto Alentejo, lugar de destaque ao Gin português com alma japonesa com as novidades da marca de gins ultra-premium acional Beneficio.
É ouvir até ao fim.

  • Da Ilha do Pico Com Amor
  • Brasas e Tradição no Carvoaria
  • ODE Assinatura de Enóloga
  • O Alto Alentejo no Gin Benefício

Podcast no Apple Podcasts: Conversas de Comer, Beber e Lazer

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Herdade Grande Grande Reserva 2021 Branco

HERDADE GRANDE GRANDE RESERVA 2021 BRANCO | ALENTEJO | 12,5% | PVP 23,49€
VIOSINHO, ROUPEIRO, RABIGATO, VERDELHO
HERDADE GRANDE - ANTÓNIO MANUEL LANÇA
17,5

"Vinho bom em pequenas quantidades, acorda para a vida aquele 
que, por defeito do coração, está meio moribundo."
Olivier de Serres (1539-1619.) Agrón. e Escritor Francês - no contra-rótulo 

O terroir da Vidigueira tem o condão de nos oferecer brancos de distinção, resultado de uma singular união entre frescura e estrutura que a proteção da Serra do Mendro lhe garante contra os ventos quentes do Alentejo central. Estamos perante um Grande Reserva com a fruta envolvida na delicadeza da presença das notas de barrica, dono de complexidade e equilíbrio, dando volume e untuosidade ao mesmo tempo que nos presenteia com acidez fina e prolongada. Lugar cativo à mesa na companhia de pratos mais elaborados como posta de garoupa em molho de manteiga e limão com amêndoa torrada. Divinal. 
Cor amarelo citrino, luminoso, tonalidade esverdeada, aspecto límpido e jovem. No nariz não esconde a sua complexidade e perfil mais rico, mostra o fruto citrino e o fruto tropical fresco bem casado com as notas que lhe chegam pela passagem em barrica, integradas e subtis, toranja, goiaba, ligeira baunilha, vinco mineral e pedregoso. Boca com volume médio, untuosidade envolvente, textura macia, acidez fina e ajustada, com a fruta bem sumarenta ao lado de delicado tostado, fumado, harmonioso,  com final de boca longo e persistente.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Joaquim Arnaud Álvaro Pequenino 2022 Branco

JOAQUIM ARNAUD ÁLVARO PEQUENINO 2022 BRANCO | IVV | 12% | PVP  14,90€
ALVARINHO
X PREMIUM, LDA
17
 
Deixamos de estar no campo da novidade e damos lugar à certeza. O Álvaro Pequenino, assinado a três mãos, -Joaquim Arnaud, Abel Codesso e Jorge Páscoa-, revela consistência ano a após ano e reforça o perfil de versatilidade à mesa e a abordagem feliz à casta fora do seu berço de ouro.
Num registo um pouco mais volumoso, embora sem passagem por barrica, com a fruta a brincar com as notas salgadas do mesmo, mostrando acidez bem medida, salivante, num conjunto uno e harmonioso. Juntem-lhe pratos de peixe e marisco como companhia certeira.
Cor amarelo citrino luminoso e de tonalidade levemente esverdeada, aspecto límpido e jovem. No nariz oferece a fruta fresca e madura, fruta citrina, raspas de casca de laranja,  elegante na ligação às notas de flor branca e ao lado salino bem medido e temperador. Boca com algum volume e untuosidade, textura macia, com acidez bem medida e duradoura, a secar o palato, a pedir a comida, com boa fruta, sumarenta, num conjunto equilibrado, com término de boca longo e persistente.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Cadão 2024 Branco

CADÃO 2024 BRANCO | DOURO | 12,5% | PVP 3,45€
GOUVEIO, VIOSINHO, RABIGATO, MOSCATEL GALEGO BRANCO
MATEUS & SEQUEIRA VINHOS, SA
14 

Um branco duriense apostado na fruta e na sua frescura, descontraído, pronto para o dia-a-dia em pratos de peixe, carnes brancas e saladas fresca. Os dias de temperatura mais elevada acrescentam-lhe um ponto extra.  
Cor amarelo citrino luminoso, tonalidade esverdeada, aspecto límpido e jovem. No nariz lugar de destaque à fruta citrina e de pomar maduras, limão, lima, bergamota, ameixa branca, pêssego, maçã verde, nota floral bem medida, vinco mineral, pedra lascada. Boca com muita retidão, objetivo, acidez vibrante, prolongada, fruta sumarenta, acídula, textura macia, longo prolongamento final.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Tongobriga Ruína Romana Alvarinho 2021 Branco

TONGOBRIGA RUÍNA ROMANA ALVARINHO 2021 BRANCO | VINHOS VERDES | 13% | PVP  10,70€
ALVARINHO
MARIA CAROLINA BARBEDO MENDES 
17

A casta Alvarinho é uma das variedades brancas com maior potencial de evolução em garrafa, encantando com o seu perfil vibrante e frutado quando jovem e surpreendendo com a sua complexidade e elegância com o passar dos anos. Este Tongobriga, da sub-região dos Vinhos Verdes Amarante, revela bem o poder desta casta para agarrar os efeitos benéficos do tempo de descanso em garrafa. 
Agarra desde o primeiro contacto e acresce a seu potencial quando com companhia à mesa. A inusitada ligação com um prato de iscas de cebolada mostrou-se de equilíbrio e de escolha acertada.
Cor amarelo intenso, tonalidade palha com reflexos dourados, aspecto límpido e denotando o passar de anos.  Elegante de aromas, mesmo revelando um bouquet rico e complexo que parece ter ganho com o tempo de garrafa, não escondendo a fruta, citrinos, fruta de polpa amarela e maracujá, apontamento de mel com limão, carácter mineral mais profundo, salino, mais vincado, muita frescura e delicadeza ao mesmo tempo. Boca de médio volume, ligeira untuosidade a envolver o palato, textura macia, acidez vibrante, salivante e prolongada, notas de laranja mais madura, conjunto harmonioso e final longo e persistente.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Prémios Mesa Marcada - Conheça os Grandes Vencedores de 2025


Com novas entradas nos Top 10, maior presença feminina e distinções atribuídas a projetos emergentes e consolidados, a edição de 2025 reflete uma fase de renovação profunda do sector, sem perder de vista o reconhecimento dos percursos históricos.

O Centro de Congressos do Estoril foi ontem, dia 2 de fevereiro, palco de mais uma edição da gala dos Prémios Mesa Marcada. O evento realizou-se em Cascais, que calorosamente recebeu a gala, contando com o apoio exemplar das entidades locais, em especial do Turismo de Cascais. Cerca de 500 convidados, provenientes de todo o país, marcaram presença, reforçando o estatuto desta que é, há 17 anos, uma das noites de prémios mais aguardadas da gastronomia nacional.
A edição de 2025 dos Prémios Mesa Marcada distingue-se por um conjunto de indicadores relevantes que ajudam a enquadrar os resultados agora anunciados. Desde logo, pelo regresso de nomes históricos aos lugares de topo dos rankings de Restaurantes e de Chefes, num ano em que a análise das classificações revela também uma renovação expressiva em vários níveis, a par da consolidação de novos projetos e percursos.
A dimensão do painel de votação volta também a ser um dos elementos distintivos dos Prémios Mesa Marcada. Em 2025, o júri alargado contou com 309 votantes, o número mais elevado de sempre, reunindo chefs, profissionais da restauração e hotelaria, jornalistas, comunicadores e gastrónomos de todo o país. Para além desta votação transversal, foram igualmente atribuídos, como é habitual, diversos Prémios Especiais decididos por painéis de júri mais restritos e especializados, adequados à especificidade de cada distinção.

Um dos aspetos mais relevantes desta edição é o facto de 2025 ser o ano com maior número de mulheres premiadas na história dos Prémios Mesa Marcada. Pela primeira vez, há duas mulheres no Top 10 Chefes, bem como uma presença feminina reforçada no Top 10 Restaurantes, a que se juntam distinções atribuídas em áreas como a pastelaria, bares, restauração do dia-a-dia, e comércio alimentar especializado.
Outra novidade deste ano é a Mesa de Honra, criada para equilibrar reconhecimento e renovação num prémio com mais de uma década e meia de história. A Mesa de Honra integra os vencedores de 2024 das categorias Os 10 Restaurantes Preferidos, Os 10 Chefes Preferidos, Mesa Diária, Loja Gastronómica e Evento do Ano, que ficam fora da respetiva votação durante dois anos. Assim, nesta edição, passaram a integrar a Mesa de Honra os vencedores das categorias votadas pelo júri alargado na edição anterior: Canalha, vencedor de Os 10 Restaurantes Preferidos do Mesa Marcada em 2024; João Rodrigues, vencedor de Os 10 Chefes Preferidos do Mesa Marcada em 2024; Os Papagaios, distinguido com o Prémio Especial Mesa Diária 2024; Queijaria, vencedora do Prémio Especial Bom Sucesso Loja Gastronómica do Ano 2024; e o Chefs on Fire, vencedor do Prémio Especial Nutrifresco Evento do Ano 2024. 
Os vencedores destas categorias passam, durante dois anos, a não integrar a respetiva votação, criando espaço para que outros projetos e equipas possam ser considerados, sem retirar valor às escolhas feitas em anos anteriores

Esta 17ª edição assinala o regresso de José Avillez e do Ocean ao 1º lugar dos rankings de Chefes e de Restaurantes, respetivamente. Avillez já tinha liderado esta tabela por várias vezes, quer enquanto chef, quer com o Belcanto, enquanto o restaurante de Hans Neuner, o Ocean, regressa ao topo depois de ter vencido a categoria de restaurantes em 2022.

Analisando o Top 10 Restaurantes, apurado a partir da votação do júri alargado — que contou este ano com 309 elementos — destacam-se três novas entradas. 
O Fifty Seconds, de Rui Silvestre, em Lisboa, foi o que registou a maior subida, ao ganhar 16 posições (do 22.º para o 6.º lugar), evolução que lhe garantiu o Prémio Especial Estrella Damm Restaurante Destaque do Ano 2025. O Boubou’s, de Louise Bourrat, protagonizou igualmente uma ascensão significativa, entrando diretamente no Top 10 após subir 14 lugares (do 21.º para o 7.º). Já o Marlene, de Marlene Vieira, integrou pela primeira vez o grupo dos dez primeiros, alcançando a 9.ª posição, depois de ter ocupado o 15.º lugar na edição anterior.

Nos lugares de topo, o Belcanto ganhou duas posições e ocupa agora o 2º lugar, enquanto o Prado manteve a sua 3ª posição. Seguem-se o Essencial e o Euskalduna, ambos com uma progressão de um lugar face ao ano anterior. Mais abaixo, a Cozinha das Flores, de Nuno Mendes, e o Sála, de João Sá, fecharam o Top 10, nas 8ª e 10ª posições, respetivamente, repetindo as classificações da edição anterior.
No Top 10 Chefes, o maior destaque vai para a chef Louise Bourrat, que ganhou 13 posições até ao 7º lugar (era 20ª), conquistando o Prémio Especial Makro Chefe Destaque do Ano 2025, em reconhecimento do seu trabalho no Boubou’s, em Lisboa, num ano particularmente desafiante para a chef, que abriu também o Gancho, desenvolvido em parceria com Marco Cossu.

Rui Silvestre, do Fifty Seconds, destacou-se ao subir 16 posições até ao 10.º lugar do ranking, numa lista liderada por Hans Neuner, em 2.º, seguido de Nuno Mendes e Marlene Vieira, ambos a subir três lugares para o 3.º e 4.º postos.

Paralelamente a esta votação transversal, foram também atribuídos, como habitualmente, vários Prémios Especiais, definidos por painéis de júri mais reduzidos e especializados, ajustados à natureza de cada distinção. No total, esta edição envolveu a votação de 517 restaurantes e 340 chefs. Num universo desta dimensão, alcançar não só o Top 10, mas mesmo posições cimeiras, representa um reconhecimento particularmente significativo no contexto da gastronomia nacional. Esta lista completa poderá ser consultada no site do Mesa Marcada. 

Entrando nos prémios especiais, o Prémio Especial Quinta dos Carvalhais Restaurante Novo do Ano 2025 foi atribuído ao Broto, de Pedro Pena Bastos, em Lisboa. Já o Prémio Especial Vista Alegre Chefe Revelação do Ano 2025, distinção destinada a chefs até aos 35 anos que tenham subido consideravelmente nas posições cimeiras ou entrado de forma expressiva no ranking, foi para Rafaela Ferreira, do Exuberante (Altis Porto), no Porto.

Ainda entre as distinções decididas pelo painel alargado do júri, destacam-se o Prémio Especial Mesa Diária 2025, conquistado pelo Tati, em Lisboa, enquanto o Prémio Especial Bom Sucesso Loja Gastronómica do Ano 2025 foi atribuído ao Talho das Manas, em A-dos-Cunhados. Por fim, o Congresso de Cozinha, o mais antigo e emblemático encontro profissional do sector realizado em Portugal, conquistou o Prémio Especial Nutrifresco Evento do Ano 2025.

Liderado por Tiago Penão, o Kappo manteve a distinção do ano passado, com o Prémio Especial Restaurante do Ano Cascais 2025. O vencedor resultou da votação de um júri composto por 49 pessoas com ligação à região de Cascais, incluindo chefs, proprietários e outros profissionais da restauração e hotelaria, bem como jornalistas, comunicadores e gastrónomos locais.

Para além do prémio local atribuído em Cascais, o concelho anfitrião da gala, vários painéis de jurados especializados distinguiram outros profissionais do setor. O Prémio Especial H. Blin Serviço de Sala do Ano 2025 foi atribuído ao Vista, na Praia da Rocha, e o O Prémio Especial Lexus Empresário de Restauração do Ano 2025 foi atribuído a Miguel Garcia, do Grupo São Bento. Na área da pastelaria, Lara Figueiredo recebeu o Prémio Especial Nescafé Chefe de Pastelaria do Ano 2025, pelo trabalho desenvolvido no Macam Museum Hotel, em Lisboa.

Já o Prémio Especial S.Pellegrino / Acqua Panna Escanção do Ano 2025 foi entregue a João Wiborg, do Ocean, em Porches, numa votação que reuniu 54 votantes, sobretudo colegas de profissão, jornalistas, clientes enófilos, produtores e outros agentes ligados ao vinho e à restauração.

O conceito de restaurante clássico pode assumir diferentes formas, da cozinha tradicional às casas de autor que, ao longo de décadas, se afirmaram como referências incontornáveis sem perder identidade. É neste enquadramento que se destaca o Vila Joya, de Dieter Koschina, com 30 anos consecutivos de estrelas Michelin e um percurso que o mantém como uma das casas mais marcantes da gastronomia nacional. Este trajeto levou o júri — composto por 35 chefs distinguidos ou integrantes do Top 10 dos Prémios Mesa Marcada nos últimos cinco anos — a atribuir-lhe o Prémio Especial Alug’Aqui Restaurante Clássico do Ano.

O Prémio Especial Cutipol Carreira 2025, anunciado previamente, foi atribuído a Luís Baena e Nuno Diniz, reconhecendo um percurso profissional longo e determinante na restauração portuguesa. A decisão este a cargo de um painel de 35 chefs, todos eles distinguidos ou integrados no Top 10. Painel esse que atribuiu ainda o Prémio Maria José Macedo – Produtor / Fornecedor do Ano 2025 à Vivid Farms, de Santarém, pelo sólido contributo para a valorização do produto e pela relação próxima e consistente com a restauração nacional.

Como habitualmente também anunciado em antecipação, o Prémio Especial Studioneves de Sustentabilidade 2025 voltou a distinguir projetos nas categorias Ambiente Rural e Ambiente Urbano, avaliados segundo critérios de práticas ambientais, sociais e de governação. Nesta edição, a distinção em Ambiente Rural foi atribuída à Herdade da Malhadinha Nova, em Albernoa (Beja), enquanto em Ambiente Urbano a vitória coube ao Biclaque Trajano, em Chaves. O prémio teve também um conjunto de menções honrosas que reconhecem outras iniciativas de relevo na integração de práticas sustentáveis: na categoria Ambiente Rural foram assinalados o Biclaque Origens (Ribeira de Pena) e o Sem Porta (Comporta), enquanto na categoria Ambiente Urbano mereceram menção o O Palco (Coimbra) e o Selo de Mar (Setúbal).

A área dos bares voltou a merecer destaque nos Prémios Mesa Marcada com o Prémio Especial Viriathus Drinks Bar do Ano 2025, atribuído ao Catfish, liderado por Catarina Correia e Diogo Lopes, em Lisboa. Já o Prémio Especial Zwiesel Glas Bar de Restaurante do Ano 2025 distinguiu o Spikes, de Kevin Belhaj, em Vale do Lobo. Ambas as distinções resultaram da votação de um júri composto por 56 votantes, entre bartenders, proprietários, profissionais do sector e comunicadores.

texto in press release